quinta-feira, setembro 24, 2009

Secretário do Ambiente dá aula sobre ciência e política

O secretário regional do Ambiente e do Mar deu, ontem ao fim da tarde, no pólo de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, uma aula sobre ciência e política.
A prelecção aconteceu na sessão inaugural de três cursos de mestrado na área do ambiente, promovidos pela academia açoriana.

Na ocasião, Álamo Meneses dissertou sobre a relação entre as duas actividades, nomeadamente a ciência como base para a política e esta como forma de conduzir uma sociedade, “na qual a ciência se inclui”.
O governante, que é professor da Universidade dos Açores por carreira profissional, salientou “os grandes desafios que se colocam à ciência, face às opções políticas e os contributos que a ciência pode dar para essas escolhas”.
Álamo Meneses disse que o Governo dos Açores entende bem essa relação e, por isso, tem recorrido à Universidade para obter contributos tendentes a desenvolver um variado leque de políticas.
(in GACS)

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quarta-feira, setembro 23, 2009

Natureza revelada


Da Serra de Santa Bárbara ao caracol da Fonte da Telha, passando pelo Pico Matias Simão, são 13 os aspectos em destaque no CD multimédia “Ícones ambientais do concelho de Angra do Heroísmo”. Características naturais únicas ou de grande raridade, que o município quer salientar aos olhos de turistas e residentes. Não há terceirense que não conheça o Monte Brasil. Ponto de paragem obrigatória para quem visita a ilha, o espaço é procurado durante todo o ano pelos locais, quer para desfrute da vista sobre Angra do Heroísmo, quer pelo contacto com a natureza. Ainda assim, poucos são os que conhecem os fósseis do Monte Brasil. “Grandes orifícios, antes ocupados por troncos de árvores são bem visíveis nas cinzas vulcânicas das falésias do Fanal, em plena Angra do Heroísmo. Esses fósseis são relíquias do passado natural da Terceira, e um património que interessa preservar, porque conta a história de uma ilha em evolução, e porque neles é visível a violência deste ambiente, construído a partir do fundo do mar. Os fósseis do Monte Brasil são uma raridade a nível nacional mas também a nível internacional, não pela sua idade, mas pela juventude e génese”.Foi o Tenente-coronel José Agostinho, o primeiro a referir-se aos fósseis vulcânicos do Monte Brasil. Hoje, alguns fazem parte do espólio d’ “Os Montanheiros”. Esses fósseis têm particular importância por se referirem à flora de ilhas ainda não ocupadas por mamíferos. O estudo dos fósseis do Monte Brasil, anteriores à ocupação dos Açores pelos portugueses, permite perceber o real impacto do homem em ilhas virgens ou espaços ainda não intervencionados. Este é apenas um exemplo das riquezas naturais que Angra possui e que continuam desconhecidas para a maioria dos seus habitantes. Foi para captar a atenção de turistas e residentes para estes pormenores que escapam ao primeiro olhar que a Câmara Municipal de Angra lançou o CD multimédia “Ícones ambientais do concelho de Angra do Heroísmo”. Apresentado no passado dia 11, o CD reúne fotos, textos e vídeos sobre 13 aspectos do património natural do concelho, únicos ou muito raros. A par dos fósseis do Monte Brasil também o caracol da Fonte da Telha é realçado, uma espécie com 6 milímetros que é um endemismo da freguesia do Posto Santo. Outra espécie endémica em destaque é a aranha cavernícola do Algar do Carvão. Existente unicamente naquela zona, tem apenas 3 milímetros. As Furnas do Enxofre são uma raridade do ponto de vista biológico. É pela quantidade de plantas, briófitos, líquenes, algas e de alguma fauna adaptadas a condições específicas que se distingue a nível mundial. É também nas Furnas do Enxofre que encontramos a usnia krogiana, uma espécie de líquenes ou usneas, endémica dos Açores, rica em beleza natural e raridade.No Porto Judeu, a Gruta das Agulhas salienta-se pela sua importância biológica, dada a quantidade, variedade e qualidade de biofilmes decolónias de bactérias, que servem de investigação à Universidade dos Açores. Na mesma freguesia podemos encontrar os maiores ilhéus dos Açores. Os Ilhéus das Cabras apresentam uma fauna e flora marinha de interesse relevante não só para cientistas, mas também para mergulhadores recreativos e curiosos.Com uma grande quantidade de vegetação luxuriante, sobretudo endémica na Região, a Ribeira do Além é uma das ribeiras mais bonitas dos Açores. Situa-se na freguesia da Serreta. Mais acima, os Altares apresentam um cone vulcânico, de escórias soldadas, com características únicas no contexto da geodiversidade do planeta. O Pico Matias Simão assemelha-se apenas a formações vulcânicas existentes na Sicília, em Espanha e o arquipélago do Havai, no Oceano Pacífico. A serra de Santa Bárbara é um dos lugares com maior riqueza natural do país. A sua caldeira é o local com mais endemismos por unidade de terreno dos Açores e de Portugal. Na apresentação do CD multimédia, o professor catedrático António Firas Martins disse mesmo que se Darwin tivesse visitado a serra de Santa Bárbara, quando esteve na Terceira, não teria necessitado de ir às Galápagos para descobrir a teoria da evolução. É também na Serra de Santa Bárbara que se encontra a Lagoa Funda, uma das lagoas da ilha e dos Açores que não apresenta qualquer tipo de intervenção humana mantendo os seus habitats inalteráveis desde a formação das ilhas. O trevo de quatro folhas “marsilea azorica” é uma das plantas mais raras e ameaçadas do mundo. O feto endémico só existe no charco temporário da zona do Pico da Bagacina. Também o musgo “echinodium renauldii” é um dos mais raros da Europa. Fica na zona da Matéla, na freguesia da Terra Chã. O trabalho contou com a colaboração a título individual de vários professores da Universidade dos Açores. Francisco Cota Rodrigues, Eduardo Dias, Álamo Meneses, Félix Rodrigues, Maria de Lurdes Enes, Cecília Melo, João Pedro Barreiros, Rosalina Gabriel, Paulo Borges, Victor Hugo Forjaz e António Frias Martins deram testemunhos em vídeo sobre as diferentes espécies e locais salientados. A coordenação ficou a cargo de Félix Rodrigues, a nível de textos, e de Paulo Henrique Silva, que recolheu fotografias e vídeo. Rosalina Gabriel falou sobre o musgo neste trabalho. Para a professora da Universidade dos Açores, o trabalho serve para dar a conhecer o que existe de bonito no concelho. “Eu penso que qualquer pessoa que conhece as florestas naturais tem a certeza que elas seriam muito diferentes se não houvesse musgos. A biomassa que ali está é muito grande, eles estão em todo o lado, desde as rochas até aos troncos, até às folhinhas mais lá em cima, onde há menos quantidade de água. É importante que as pessoas comecem a olhar para eles. É bonito”, refere.Já Eduardo Dias, acredita que a divulgação destas espécies pode promover a sua protecção, mas pode também provocar o oposto. “É verdade que se não divulgarmos as pessoas não gostam, não apreciam e consequentemente não vão justificar a sua conservação, mas por outro lado o conhecimento leva a um maior interesse, que por vezes pode levar à destruição”, defende.Segundo o professor, os Açores começam já a dar os primeiros passos na conservação das espécies endémicas. “As medidas de conservação nos Açores são muito recentes e acho que ainda se está a fazer um percurso neste sentido. Estão a sair os parques de ilha e uma série de medidas de conservação básicas e estruturantes, que a Região não tinha. A gente tem de esperar que, de facto, este surto de interesse que a população e a comunidade estão a ter sobre a natureza dos Açores corresponda a uma devida proporção em termos da conservação, que no passado não era muito fundamentado, porque as pessoas desconheciam e não se interessavam e que agora começa a ser dramático, porque as duas coisas têm de andar a par e passo, divulgação/ promoção e conservação da natureza”, revela.

(in Diário Insular)

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quinta-feira, agosto 06, 2009

Espécies endémicas em risco de extinção

Metade das plantas endémicas dos Açores correm risco de extinção. Trata-se de uma situação poderá ter implicações no ciclo da água de algumas ilhas.
Cerca de metade das 32 espécies endémicas dos Açores em risco de extinção podem desaparecer em pouco tempo se não forem tomadas medidas para as proteger. De acordo com estudos científicos, essa possibilidade de extinção é cada vez mais evidente devido a alterações verificadas nas áreas onde as espécies endémicas ainda existem. “Houve uma alteração profunda da ocupação do solo com o aumento progressivo das áreas de pastagem e com situação das águas superficiais das lagoas e ribeiras, que tem levado a uma quebra profunda da extensão dos habitats naturais”, refere o investigador da Universidade dos Açores, Eduardo Dias. Assegura que algumas das plantas endémicas que estão referenciadas como estando em perigo estão tecnicamente extintas porque apenas restam alguns exemplares. Entre as plantas que correm grande perigo de extinção estão a Marsilea azorica, Prunus azorica, Euphasia grandiflora e Ammi trifoliatum. Eduardo Dias manifesta a sua apreensão com o facto de não haver planos de recuperação das espécies em risco de extinção, uma vez que não existe nenhum impedimento técnico para que isso aconteça. “Existe capacidade para se criar planos para restaurar espécies que estão em alto risco de extinção”, afirma. Caso perca algumas das suas plantas endémicas, a Região fica a perder não só no que se refere à preservação da sua flora, como também nos recursos hídricos. De acordo com Eduardo Dias, “uma parte importante dessas espécies estão relacionadas com a manutenção dos aquíferos superficiais e da regularização da água. A sua extinção implica perca de capacidade de controlar o meio ambiente e obriga a investimentos avultados para podermos ter água”.
Medidas em curso
Por seu turno, o secretário regional do Ambiente e do Mar, Álamo Meneses, garante que estão a ser tomadas medidas para proteger a flora endémica. Álamo Meneses reconhece que “é necessário fazer mais”, mas assegura que está a ser feito “um grande esforço” para repor a vegetação endémica em algumas ilhas. “Estamos a criar reservas naturais em todas as ilhas que envolvem acções que vão no sentido de proteger as espécies endémicas”, acrescentou.
(in Diário Insular)

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sexta-feira, maio 08, 2009

Falta de água em Angra do Heroísmo preocupa autoridades e população

A falta de água no concelho de Angra do Heroísmo pode agravar-se, segundo alertas recentes, apesar da situação ocorrida no ano passado ter servido para chamar a atenção dos responsáveis públicos para este problema. Os últimos dados disponíveis indicam que a pluviosidade nos primeiros meses deste ano é 75% inferior à registada em igual período do ano passado, o que originou uma quebra de 30% nos caudais das nascentes. Esta situação obrigou os serviços responsáveis a abrir novos furos de captação, para evitar a necessidade de cortes no abastecimento de água como os que ocorreram no ano passado. Na última metade de 2008, segundo dados dos serviços municipalizados, o concelho de Angra do Heroísmo teve “menos 30% de água disponível para distribuir”. Na altura, os especialistas justificaram a falta de água com diversos factores, como os sucessivos rebentamentos em pedreiras ou os furos geotérmicos que poderão ter aberto fissuras nos aquíferos, nomeadamente o da zona do Cabrito. Para além disso, outras situações, como falhas eléctricas nos sistemas de bombagem ou obras na via rápida entre Angra do Heroísmo e Praia da Vitória, que provocaram rupturas nas condutas, terão levado ao desequilíbrio do sistema e à necessidade de efectuar cortes no abastecimento em várias freguesias do concelho. Na mesma altura, Cota Rodrigues, investigador da Universidade dos Açores, doutorado em Hidrogeologia, surgiu a defender que a falta de água “se deveu ao prolongamento da época estival” e que, por isso, “seria pontual e não devia ser excessivamente empolada”. Na perspectiva da oposição, este problema resultou da "falta de investimento" do executivo municipal socialista, segundo o PSD, ou do "desleixo e falta de fiscalização e planeamento", na opinião do CDS/PP. Para enfrentar o problema, foi implementado um plano de cortes no abastecimento, aplicado por períodos de 24 horas alternados nas várias freguesias, tendo em vista equilibrar o abastecimento de água. A pressão política e popular, que exige respostas concretas para o problema, levou os responsáveis camarários a procurar respostas junto de Lopo Mendonça, considerado um dos principais especialistas em Portugal na área dos recursos hídricos e lençóis de água. Para este especialista, a situação resulta de factores um ano hidrológico muito seco, aliado a arroteamentos de terras junto das nascentes de água. Concluiu o especialista que os arroteamentos junto da Caldeira de Guilherme Moniz-Pico Alto “são uma prática indesejável e prejudicial ao regime de águas”. Perante estas preocupações, o secretário regional do Ambiente, Álamo Meneses, assegurou que seriam "proibidas" junto à caldeira as arroteias de terras, garantindo ainda a reposição da vegetação natural e, "tanto quanto possível", o fim das pastagens. Nesse sentido, Álamo Menezes apresentou um plano de medidas para a correcta gestão do abastecimento de água na ilha Terceira, destinado a evitar rupturas e perdas de qualidade. O plano assenta na “redução do risco de ruptura, no ordenamento do território, na protecção das origens da água e no fomento da gestão integrada dos recursos hídricos”. Para o efeito, vai-se proceder à “abertura de novos furos de captação e ao aumento da capacidade de armazenamento, através de dois novos reservatórios", estando ainda previsto o "aumento da capacidade de tratamento de água e a melhoria da qualidade da água armazenada”. Quanto à gestão integrada dos recursos hídricos da ilha, o executivo pretende efectuar a monitorização contínua das nascentes, além de construir duas novas lagoas artificiais e coordenar a captação de água entre os municípios de Angra do Heroísmo e Praia da Vitória e o Instituto Regional de Ordenamento Agrário (IROA). Álamo Meneses garantiu ainda que a Câmara de Angra do Heroísmo tem a totalidade da sua rede operacional.

(in Diário de Notícias)

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segunda-feira, abril 27, 2009

MIT Portugal Signs Agreements with SGC Energia, EdA and the University of the Azores

At Second Transatlantic Energy Conference in Terceira, Azores, Government and Industry Show Support for ‘Green Islands’.
Two MIT Portugal Students Share Best Poster Award.
The MIT Portugal Program and SGC Energia SGPS, S.A. (SGC), a renewable energy company based in Alhandra, Portugal, signed a five-year, €1 million affiliation agreement at the 2nd Transatlantic Conference on Renewable Energies on April 3, 2009, on the Azorean island of Terceira.
With its €1 million contribution over five years, SGC—an energy company whose wide-ranging activities range from electricity production to the development of biofuels from algae—becomes a Research Affiliate of the MIT Portugal Program. Of the total contribution, €400,000 will support a professorship, the SGC Energia Invited Research Chair in Sustainable Energy Systems, as well as help several MIT Portugal Ph.D. students to pursue leading-edge research in areas of interest to the company. The remaining €600,000 is earmarked for MIT Portugal research; SGC will propose research projects in cooperation with a new SGC Invited Research Chair and MIT Portugal.
José Mariano Gago, Portugal’s Minister of Science, Technology and Higher Education, announced the agreement.
The MIT Portugal Program also signed agreements with the Azores’ electric utility, Electricidade dos Açores, S.A. (EdA), and the University of the Azores. EdA becomes an Industrial Affiliate, and its annual contribution of €10,000 will support the program’s general goals and objectives.
The agreement with the University of the Azores is part of an agreementon advanced studies, research and development, and demonstration projects in Sustainable Energy Systems in the Azores. It provides further human resource funding from the Azores Regional Government to the MIT Portugal Program and its collaboration with the University of the Azores in the ‘Green Islands’ project—a partnership with government, academia and industry in the Azores to make several of the islands substantially energy self-sufficient, and to develop technologies that could serve as models for energy sustainability in Portugal and in the wider world.
A Showcase for ‘Green Islands’ Research and Partnerships
The April 2–4 conference in Terceira provided an opportunity for MIT Portugal to discuss with government and industry participants an action plan for the Green Islands initiative. A panel discussion about the project included Prof. Paulo Ferrão, Director of the MIT Portugal Program in Portugal and a lead of MIT Portugal’s Sustainable Energy Systems focus area; and MIT Portugal faculty members Carlos Silva (IST), José Viegas (IST), João Peças Lopes (FEUP) and Manuel Mota (University of Minho).
At the same time, executives from SGC and EdA—Vianney Valles and Mário Mendes—had the opportunity to join colleagues from companies and utilities that are already affiliates of MIT Portugal to express support for Green Islands; also, to discuss the opportunities and challenges the project presents going forward. Participants from industry included António Vidigal from EDP, João Nuno Mendes from GALP Energy, Pedro Borges Fernandes from Martifer, S.A., and Nuno Delgado from EFACEC, S.A.
“The conference really helped to flesh out the regional renewables work of the MIT Portugal Program, with strong presentations by all the Portuguese focus area leads as well as several strong presentations from industry in support of the Green Islands program,” said Prof. David Marks, MIT lead for the Sustainable Energy Systems (SES) focus area, the area of MIT Portugal that is spearheading the Green Islands research.
A Strong Expression of Government Support
Another important development at the Transatlantic conference was the strong support for the Green Islands initiative expressed by Carlos César, President of the Regional Government of the Azores in his speech opening the event, as well as by Minister Gago in his closing speech, and by Prof. João Sentieiro, President of the Fundação para a Ciencia ea Tecnologia (FCT), who signed the agreements with SGC, EdA and the University of the Azores.
Also contributing to the event and supporting the discussions were Álamo Meneses, Azores Regional Secretary for the Environment and Sea, and José Cabral Vieira, Azores Regional Director for Energy.
In addition, the Terceira conference provided a venue for dialogue among officials from the European Union, the United States, Portugal and the Azores. One discussion focused on international alliances and how they can promote sustainable energy systems. Led by moderator Paulo Casaca, a Member of the European Parliament, participants included José Manuel Silva-Rodíguez, European Commission Director-General for Research; Massachusetts State Senator Marc Pacheco; and Phyllis Yoshida of the U.S. Department of Energy. (In her comments, Ms. Yoshida outlined the debate in the United States between establishing a carbon emissions cap-and-trade system vs. imposing an outright carbon emissions limit.)
Two Students Share ‘Best Poster’ Award
Prior to the Terceira conference, MIT Portugal Program SES Ph.D. students submitted posters detailing Azores-related renewable-energy research projects. Eighteen posters were selected for a competition held at the Transatlantic Energy Conference, and a number of students were provided expenses to travel to the event to present them.
The poster competition was judged by representatives from the MIT Portugal affiliate companies attending the conference. The result was a tie for Best Poster between André Alves Pina (IST), for his presentation on “ Maximizing Renewable Electricity on São Miguel" and Miguel Moreira da Silva (FEUP and INESC Porto) for his poster on“Smart Charging Strategies for EVs: Defining Pathways for the GreenIslands Case Study.” The students will receive funds that will enable them to attend another conference of their choice held in a European Union country. (Moreirada Silva’s poster was a team effort; his partners were Joel Soares and Pedro Almeida, also from FEUP.)
Other MIT Portugal students presenting posters were Filipa Amorim (IST), Cristina Camus (IST), Petr Kadurek (IST), Maria Kapsalaki (FEUP), Rui Martins (IST), Ana Neves (FEUP), Filipe Carvalho Sim-Sim (IST), Rui Bernardo (IST), Gonçalo Mendes (IST), Gustavo Souza (FEUP), Kiti Soumalainen (IST), Patrícia Baptista (IST), Rhonda Jordan (MIT), Bryan Palmintier (MIT), Joana Abreu (IST), and Nuno Clímaco Pereira (IST).
The Chamber of Commerce of Angra do Herosimo, the host city for the event on Terceira, coordinated the event.
(In MIT Portugal)

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quarta-feira, abril 01, 2009

Atitudes face ao Ambiente - Livro de Emiliana Silva e Rosalina Gabriel

domingo, março 29, 2009

PRECEFIAS ameaça Denominação de Origem Protegida – “Mel dos Açores”

António Marques- Licenciado em Engenharia Agrícola pela Universidade dos Açores

Relativamente à ameaça das espécies consideradas invasoras sobre a flora endémica açoriana, fiquei chocado com uma afirmação do senhor secretário do ambiente relativamente a uma espécie exótica, originária do sudoeste da Austrália que foi introduzida no século passado para abrigo dos pomares de laranjeiras, conhecida por Incenso (Pittosporum undulatum Vent.). O Prof. Álamo – pessoa pela qual nutro o mais elevado respeito e consideração – provavelmente não se terá lembrado do parente pobre da agricultura – a Apicultura. Na edição deste jornal de 21 de Março de 2009, é referido como sendo palavras do Secretário do Ambiente, que o Incenso já foi utilizado em tempos como combustível mas “hoje não tem utilidade nenhuma”.Como responsável técnico pelo sector apícola da Fruter, sinto-me na obrigação de humildemente comentar esta frase e tentar pelo menos dar a conhecer ao Secretário do Ambiente e aos criadores do PRECEFIAS (Plano Regional de Erradicação e Controlo de Espécies de Flora Invasora em Áreas Sensíveis) que o Incenso de facto tem afinal alguma utilidade. Como sabemos, a entrada em vigor do plano implicará um investimento de centenas de milhares de euros que terá como objectivo a manutenção do património genético endémico dos Açores e também, segundo elementos do governo, trará benefícios económicos à região nomeadamente no que concerne ao turismo ecológico.Sabe-se também, que as plantas exóticas, caso não sejam controladas e se tornem invasoras, reduzem a biodiversidade e afectam o equilíbrio ecológico. O que é necessário fazer é prevenir e evitar ou impedir a sua introdução, que até está regulamentada. O Incenso, que segundo o Centro Interdisciplinar da Universidade de Coimbra tem como estatuto legal em Portugal de planta invasora, apresenta uma enorme capacidade de atrair polinizadores, nomeadamente a espécie Apis melífera L. (abelha doméstica) calculando-se que seja responsável por cerca de 80% de toda a polinização entomófila (polinização efectuada por insectos). É óbvio, que o Pittosporum é uma espécie que deverá ser controlada de modo a permitir o desenvolvimento de outra vegetação, não comprometendo a biodiversidade, mas de forma alguma ser erradicada.Uma vez que o Incenso possui uma enorme capacidade para atrair polinizadores, as abelhas são seguramente os visitantes mais assíduos das suas flores que produzem um néctar maravilhoso que dá origem ao internacionalmente conhecido “Mel de Incenso”. É muito importante que se saiba que existe uma Denominação de Origem Protegida – “Mel dos Açores”, cuja origem floral é o Incenso e o Multiflora. Caso o Incenso seja erradicado, perder-se-á um produto açoriano certificado e enquadrado no universo dos produtos agro-alimentares açorianos de excelência. Segundo a empresa “Go To Market” (Food Bsiness Consulting), especialista em mercados alimentares, a D. O. P – “Mel dos Açores”, é hoje um “activo” alimentar de indiscutível interesse e potencial de inovação e valorização do mercado.O Incenso é uma planta cuja floração ocorre entre Janeiro e Março, altura em que a abundância de néctar é reduzida. É uma altura do ano em que as abelhas passam por um período crítico onde as fontes de néctar e pólen são escassas. Na necessidade de se alimentarem, aproveitam o Incenso e “fabricam” um dos méis mais apetecíveis de todo o mundo, sendo este quase um ex-líbris dos Açores, O MEL DE INCENSO.Seria muito importante que os nossos governantes dessem mais uma oportunidade à apicultura e condições para que os nossos apicultores não abandonem esta arte de criar abelhas. Não gostaria de terminar sem primeiro deixar mais um alerta: “Se as abelhas desaparecerem da face da Terra, ao homem apenas restam quatro anos de vida. Não há abelhas, não há polinização, não há plantas, não há animais, não há homem." Esta célebre e apocalíptica frase é atribuída ao grande cientista Albert Einstein. Também o grande Engenheiro e apicultor Vasco Correia Paixão disse que um sábio norte-americano declarou que a riqueza em mel e cera, produzida pelas abelhas nos E.U.A, nada é em comparação com os serviços que elas prestam na fecundação das plantas, indispensável à formação dos frutos. As abelhas são, na realidade, responsáveis pela polinização de milhares de espécies de flores, garantindo o sucesso de um sem-número de colheitas agrícolas essenciais para a alimentação humana.
(In Diário Insular)

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sexta-feira, março 27, 2009

DIFERENÇAS ENTRE AÇORIANOS E ALBICASTRENSES

Coordenado por Emiliana Silva e Rosalina Gabriel, o livro “As atitudes face ao ambiente em regiões periféricas” dá a conhecer as atitudes de açorianos e albicastrenses face à água, aos resíduos sólidos e à biodiversidade. Com uma amostragem de 600 inquiridos em Castelo Branco e 600 em São Miguel e Terceira, as investigadoras concluíram que enquanto os açorianos se preocupavam mais com a diminuição de resíduos sólidos, dada a falta de espaço da região, os albicastrenses demonstravam maior percepção sobre escassez de água (lembre-se que os inquéritos foram feitos em 2004).Segundo Emiliana Silva, a população inquirida demonstrou ainda “grande preocupação com a manutenção do ambiente”. A investigadora destaca ainda que surpreendentemente a maioria dos inquiridos mostrou-se favorável à sobrevivência das moscas, um ponto positivo quanto à biodiversidade.O livro, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, é apresentado por Álamo Meneses, no próximo sábado, pelas 16h30, no pólo do Pico da Urze da Universidade dos Açores.

(In Diário Insular)

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domingo, março 22, 2009

Lixo divide em Angra a Câmara e o Governo

O Aterro Sanitário Intermunicipal da Ilha Terceira começa a apresentar sinais visíveis de lixo a céu aberto, no entanto Andreia Cardoso, presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, explica que o lixo visível está inserido em bolsas de exposição de resíduos.
A autarca acentua que as bolsas são cobertas com tela e acrescenta que os resíduos são frequentemente cobertos com terra, até as bolsas esgotarem as suas capacidades de armazenamento.
A presidente da autarquia angrense explica que neste momento estão em exploração duas bolsas, mas que ambas se encontram “em fase de esgotamento”. Andreia Cardoso revela que a solução a curto prazo passa pela aquisição de uma nova bolsa, orçada em 1 milhão e 700 mil euros. De acordo com a autarca, a Câmara Municipal e os Serviços Municipalizados “estão a aguardar uma estratégia, da Secretaria Regional do Ambiente, de gestão de resíduos na região”. Andreia Cardoso frisa, ainda assim, que o Aterro Sanitário Intermunicipal da Ilha Terceira “é o único aterro licenciado na região”. Já o Secretário Regional do Ambiente e do Mar, Álamo Meneses, afirma que já existe um Plano Estratégico de Gestão de Resíduos dos Açores (PEGRA), mas esclarece que está por definir a “calendarização”.
Segundo Álamo Meneses, a solução do aterro da ilha Terceira passa pela “exportação e valorização de resíduos”, de forma a “minimizar a quantidade de resíduos” que dá entrada no aterro. O secretário regional do ambiente esclarece ainda que o assunto “é da competência das autarquias” e que cabe apenas ao governo a orientação.
Para Félix Rodrigues do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e representante do CDS-PP na Assembleia Municipal de Angra “a quantidade de resíduos sólidos que se produz na Terceira, terá que ter outro destino, pois não é viável económica e ambientalmente continuar a colocá-los em aterro”, uma vez que seria necessária uma área demasiado vasta, um factor que é crítico em ilhas pequenas. A solução, na opinião do centrista passa pela “separação” e “valorização” dos resíduos. Quanto à eficácia do PEGRA, Félix Rodrigues considera que o plano “tentará ser eficaz, mas de imediato tem algumas dificuldades económicas e técnicas associadas para que possa ser rápida a sua implementação”.
Já Aurélio da Fonseca, do PSD, lamenta que exista “falta de coordenação e de “articulação entre a Câmara e o Governo.” De acordo com o social-democrata, o PSD tem vindo a alertar para o facto dos “fundos comunitários serem insuficientes”. “É preciso que o Governo apoie a Câmara, defende.
(In Diário Insular)

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quinta-feira, março 12, 2009

"O ESTADO DA REGIÃO" BE acusa RTP/A de discriminar partido

O grupo parlamentar do Bloco de Esquerda/Açores estranha não ter sido convidado pela RTP/Açores para estar presente no programa “O Estado da Região”.
O programa pôs frente a frente o secretário regional do Ambiente e do Mar, investigadores da Universidade dos Açores, políticos de diferentes forças partidárias representadas na Assembleia Legislativa e de outras organizações, abordando o tema “A falta de água na ilha Terceira”.
Em comunicado, o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda/Açores afirma que “houve discriminação” na forma como foram seleccionadas as forças políticas representadas nesse debate.
Segundo o BE, a argumentação de que apenas deveriam estar presentes as forças políticas com representação nas diferentes assembleias municipais da ilha Terceira “não é uma justificação credível como se pôde constatar durante o debate quando Osvaldo Cabral, jornalista que conduziu o debate, questionou os representantes do Partido Socialista (PS) e do Partido Social Democrata (PSD) sobre o que ambos entendiam ser o papel a desempenhar da comissão de inquérito recentemente criada pelo parlamento para averiguar o problema da ruptura de abastecimento de água na ilha Terceira, comissão essa da qual faz parte a deputada do Bloco de Esquerda/Açores”.
Para o BE, a comissão eventual é fundamental para apurar os factos que estão por detrás das razões da falta de água. Lamentam por isso o posicionamento do representante do PS no debate, ao menosprezar o papel da comissão, mostrando “desinteresse em relação às questões que se colocavam no debate para o qual tinha sido convidado, bem como revelando falta de bom senso ao diminuir a importância fiscalizadora da Assembleia num tema tão sério e tão importante para todos os açorianos e açorianas”.
“A água é um bem essencial, pelo que carece urgentemente que se estabeleça um plano para aumentar a eficiência das redes de abastecimento e a redução do consumo de água”, de modo a ultrapassar os problemas de escassez futura, concretizam os bloquistas.
(In A União)

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quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Falta de água

Falta de água em seis ilhas do arquipélago açoriano : Terceira, São Jorge, Graciosa, Pico, São Miguel e Santa Maria. O secretário regional do Ambiente e do Mar, Álamo Meneses, tem já o problema diagnosticado, mas os especilistas consideram um problema de difícil resolução, devido às características geológicas de algumas ilhas.

Para o especialista em hidrologia, Cota Rodrigues, a falta de água é um problema difícil, devido à estrutura geológica de algumas das ilhas açorianas.

Ouvir notícia aqui.


(In Armando Mendes- RDP Açores)

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segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Paulo Borges reafirma aposta no plano regional

Paulo Borges não compreende os motivos que levam o Secretário Regional do Ambiente a recusar um plano de combate às térmitas nos Açores.
Paulo Borges continua a defender a necessidade de se criar um plano de combate às térmitas a nível regional. O especialista em insectos da Universidade dos Açores discorda da opinião do Secretário Regional do Ambiente e do Mar. “É uma opinião que ele tem há muitos anos, infelizmente acho que a história vai demonstrar quem é que tem razão”, adianta. Paulo Borges diz não perceber o porquê da recusa do Governo Regional em preparar um plano de combate às térmitas, uma vez que já o fez em relação a outras pragas como o escaravelho japonês ou as plantas invasoras. Na opinião do investigador, a infestação de térmitas desenvolve-se a “uma escala temporal de tal modo lenta, que os governos têm tendência a não se preocupar”. No entanto, para Paulo Borges sem um plano estruturado a infestação vai-se prolongar. “Vão aparecer cada vez mais pessoas com o problema. Se as térmitas hoje afectam 20% das casas, daqui a 10 anos vão afectar 40%”, lamenta. De acordo com o investigador da Universidade dos Açores, a presença de térmitas só é visível ao fim de quatro anos, no entanto isso não significa que o problema esteja controlado. “Elas existem e vão continuar a existir e quanto mais tarde se agir, pior vai ser”, destaca. Paulo Borges realça que a falta de acções por parte do governo vai ser prejudicial para a sociedade. “As térmitas não deixam de comer só porque os políticos acham que não é preciso um plano”, enfatiza. “Provavelmente o professor Álamo não está preocupado, porque não estará no governo daqui a uns anos”, acrescenta. À falta de uma resolução do problema por parte do Governo, Paulo Borges anuncia que a situação está agora nas mãos da sociedade. No entanto, o investigador alerta a população para certas barreiras que terão de ultrapassar. “No portal das térmitas (http://www.sostermitas.angra.uac.pt/) vamos ter um roteiro de como é que as pessoas devem agir passo a passo, mas as pessoas vão querer resolver certas coisas e não vai haver uma estrutura montada e organizada para lhes resolver os problemas”, denuncia. Paulo Borges propõe que se adopte um plano de combate à praga semelhante ao que foi criado no caso dos resíduos. A solução no caso das térmitas, segundo o investigador, passa pela criação de um cargo, atribuído a uma pessoa formada na problemática, que se dedicasse a este assunto e que estabelecesse documentos de informação às pessoas.
(In Diário Insular)

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sábado, fevereiro 07, 2009

Só se a casa cair

O reputado professor e investigador do Departamento de Universidade dos Açores, Paulo Borges, especialista em insectos e que mais se tem dedicado à questão das térmitas nos Açores, em particular em Angra do Heroísmo, acaba de denunciar que, volvidos anos sobre a detecção da praga, consequente estudo, e anúncio de intenções por parte das autoridades municipais e governo, continuamos sem plano integrado de combate à praga. No entender daquele investigador, as medidas até agora implementadas são pontuais e insuficientes para controlar o problema. Tudo leva a crer que ainda não levámos suficientemente a sério a praga e isto porque como as estruturas em madeira são minadas de dentro para fora, mantendo durante todo o processo, um aspecto exterior praticamente inalterado, continuamos a assobiar para o lado como se nada se passasse. A conclusão que se tira é que, se calhar, estamos à espera que alguma casa se desmorone e magoe alguém, para depois irmos, todos, a correr, lamentar primeiro e a tomar as decisões depois. Que foi feito do trabalho realizado, há anos, quando se detectaram os primeiros casos sérios da praga? Fizeram-se palestras com cientistas internacionais e cá de casa, municípios e Governo mandaram fazer estudos e foi produzida legislação quanto a apoio, alguma da qual produziu polémica, como é normal nestas circunstâncias. Mas, a partir daí, e paulatinamente, o assunto foi morrendo. Vem agora, quem percebe profundamente da matéria e esteve nele envolvido desde o início, dizer que, afinal, não há plano integrado nenhum, a nível regional, com uma estratégia ordenada para, pelo menos, diminuir a infestação. Não nos espantam estas notícias. Enquanto a casa não nos cair em cima não somos capazes de dar um passo, ou forçar outros a dá-lo. Sem um plano, nada feito, dado que qualquer intervenção isolada não resulta.

Câmara de Angra ameaça térmitas com comissão

A Câmara Municipal de Angra do Heroísmo está a criar uma comissão, para trabalhar o problema da infestação das térmitas na cidade. A informação foi dada pela vereadora da autarquia, Sofia Couto, que acrescenta que o processo, neste momento, está ainda em desenvolvimento. A infestação de térmitas foi detectada pela primeira vez nos Açores, em 2002, na cidade património mundial, aparecendo mais tarde nas ilhas de São Miguel, Santa Maria e Faial. O problema desenvolveu uma dimensão de tal ordem, que em 2005 o Governo Regional dos Açores criou um apoio financeiro, em regime excepcional, para os proprietários mais afectados. O Diário Insular noticiou que até à data ainda não existe um plano de combate às térmitas. Uma medida defendida por Paulo Borges, especialista em insectos da Universidade dos Açores, que considera o apoio financeira insuficiente no combate à praga. O líder do projecto “Envolvimento dos Cidadãos no Controlo das Térmitas Urbanas nos Açores”, financiado pelo Governo Regional, defende ainda a intervenção do executivo na alteração da legislação, de forma a permitir a fumigação no arquipélago, assim como a intervenção do governo ou das autarquias na oferta de serviços para móveis, destinados ao grande público. O Diário Insular contactou a Direcção Regional da Habitação, que remeteu o caso para a Secretaria do Ambiente e do Mar. No entanto, não foi possível obter uma reacção do secretário regional, uma vez que Álamo Meneses esteve em reuniões até ao fecho da edição.

(In Diário Insular)

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quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Uma turfeira de esperança

O ciclo da água esteve à beira de ser interrompido na Terceira. Leis visionárias que ficaram por cumprir; análises erradas e erros de previsão; uma ideia maligna de desenvolvimento – são causas da destruição do principal sistema natural de armazenamento de água da ilha. Um plano para recuperar o ciclo da água aposta na capacidade de regeneração da natureza entregue a si própria. Todas as esperanças têm agora um nome: chamam-se turfeiras.
Em Agosto de 1977, a então Assembleia Regional dos Açores aprovava a primeira legislação no tempo autonómico sobre a protecção de ribeiras, lagoas e nascentes de água e respectivas bacias hidrográficas. Um documento inovador para a altura, sobretudo em Portugal, mas também ao nível internacional, conforme reconhece o secretário regional do Ambiente, Álamo Meneses, especialista académico na área. Cerca de 31 anos depois, em Janeiro de 2008, a secretário do Ambiente declara o falhanço do aparelho normativo açoriano de protecção dos recursos hídricos e das sucessivas políticas regionais para o sector (ou ausência delas), ao reconhecer que o colapso na produção, captação e distribuição de água na ilha Terceira só pode ser evitado através do regresso à natureza na única zona fiável de produção hídrica, que é constituída pelo complexo Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto, sujeito a arroteias (desde 1976 e até ao presente) e consequente destruição da vegetação endémica, em particular as turfeiras, responsáveis pelo armazenamento natural de água e que praticamente desapareceram em vastas extensões da zona.A comunidade científica ligada à Universidade dos Açores na Terceira vinha denunciando a degradação das condições naturais de armazenamento de água desde há vários anos, aparentemente sem ser ouvida. Até que no Verão passado a água faltou nas torneiras dos consumidores do concelho de Angra do Heroísmo, relançando o debate sobre as causas da escassez. Ficou claro no debate que, entre muitas causas – incluindo erros de previsão e de gestão e até diminuição da pluviosidade -, a principal estava na destruição do tecido vegetal natural na zona de recarga dos aquíferos principais (Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto). Ou seja, os cientistas da Universidade dos Açores tinham razão.Álamo Meneses não só veio dar razão aos cientistas da Terra-Chã/Pico da Urze, como agiu no sentido por eles já várias vezes preconizado, ao anunciar o início de um vasto plano de recuperação das condições de recarga natural dos aquíferos, confirmando ser essa a única solução sustentável para garantir o abastecimento de água à ilha Terceira. O plano teve de imediato o apoio, expresso à nossa reportagem, de cientistas como Cota Rodrigues, Félix Rodrigues, Eduardo Brito de Azevedo e Eduardo Dias, os mesmos que desde há vários anos vinham analisando a situação e apontando caminhos até agora não trilhados.Mas o apoio unânime não quer dizer que a medida seja a solução garantida só por si. Eduardo Dias, por exemplo, chama a atenção para o facto de a desarborização em altitude poder influenciar de forma significativa a capacidade de armazenamento de água, mesmo depois de as turfeiras recuperarem. É que as árvores em altitude são auxiliares indispensáveis à precipitação significativa de água nas turfeiras. Quer isto dizer que pode-se chegar a um ponto em que as turfeiras tenham recuperado, mas não estejam a receber água suficiente. É por isso que Eduardo Dias chama a atenção para a necessidade de rearborizar zonas de altitude que comprovadamente interfiram no processo de precipitação na zona Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto.
Colapso do sistema
O complexo Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto, situado no centro da Terceira, é a zona principal e mais fiável de produção de água na ilha Terceira. A parte Oeste da ilha é demasiado jovem para produzir água em quantidade e qualidade aceitáveis e a zona da Praia da Vitória, sendo embora antiga, está demasiado fissurada para permitir aproveitamentos significativos de água. Esta análise é partilhada por Álamo Meneses, que neste caso presta declarações enquanto especialista académico, e Cota Rodrigues, especialista em hidráulica.O complexo alimenta três grandes fontes e cerca de uma dezena de outras fontes de menor dimensão, que, em conjunto, garantem a parte de leão do abastecimento de água à ilha Terceira canalizado sem ser a partir de furos. Para mais, trata-se de água que as análises comprovam ser de boa qualidade, ao contrário da água dos furos que se alimentam no aquífero-base (o principal aquífero da ilha, que está em contacto com o mar), sempre sujeita a processos de salinização (mistura entre água doce e água do mar) e susceptível de depositar a poluição que se gera à superfície, em particular os metais pesados, conforme chamam a atenção os especialistas e o próprio secretário Álamo Meneses. A pressão sobre a água da Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto tem várias origens. Desde logo, segundo dados citados por Álamo Meneses, o consumo de água por habitante subiu na Terceira, nos últimos trinta anos, de 100 litros por dia para mais de um metro cúbico, ou seja, subiu mais de dez vezes. Também subiu significativamente o consumo de água pela lavoura. Para além do consumo próprio dos animais, novas regras de higiene e salubridade nas explorações induziram consumos ainda mal calculados. Por outro lado, a pluviosidade tem descido. Dados dos últimos sete meses de 2008 (Centro de Estudos do Clima, Meteorologia e Mudanças Globais da Universidade dos Açores) indicam descidas, em Angra do Heroísmo, Cabrito e Pico da Bagacina, superiores a sessenta por cento à média dos anos 1970/99. A subida do consumo e a descida da pluviosidade - que dados difusos, que não conseguimos confirmar com rigor, remontam há cerca de dois anos, pelo menos no interior da ilha - precipitaram a escassez de água devido às arroteias e à destruição do coberto vegetal na Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto. O ciclo da água foi quebrado nessa zona, conforme explica Cota Rodrigues. A precipitação, independentemente da quantidade, passou a infiltrar-se com rapidez e a água a sair também com rapidez nas nascentes. Perdeu-se o ciclo lento, garantido pelas turfeiras, que armazenavam água no Inverno e continuavam a infiltração para os aquíferos durante a Primavera e o Verão. Conforme explica Álamo Meneses, quanto mais chovesse no Inverno, maiores seriam os caudais nas nascentes nessa estação. Mas, em qualquer caso, as nascentes desceriam sempre para níveis críticos na época de menos chuvas. Conforme reconhece o secretário, a escassez de chuva pode ter precipitado a situação, mas o colapso do sistema era uma questão de tempo, mesmo que chovesse em abundância.
Os “inocentes” do costume
As arroteias começam a ser realizadas na zona crítica de infiltração de água na segunda metade dos anos setenta do século XX, com o então Plano Pecuário dos Açores (PPA). Este plano, lembra Álamo Meneses, acabou por concretizar nos Açores um sonho antigo, já do século XIX, de arrotear e disponibilizar para a produção pecuária vastas zonas que estavam entregues à natureza e que se consideravam, à base do senso-comum da época, desaproveitadas.No entanto, o PPA avança contra a lei, uma vez que o Decreto Regional nº 12/77, de 20 de Agosto – a tal lei inovadora que se refere no início deste trabalho – já chamava a atenção para aspectos de protecção das nascentes que ainda hoje são considerados actualizados. Por exemplo, os efeitos da actividade humana na degradação da água são referidos, tal como é referida a necessidade de preservar os aquíferos. As bacias hidrográficas são consideradas zonas a proteger e são definidas áreas e medidas de protecção. A lei prevê coimas para os prevaricadores.Ao que tudo indica, a lei regional inovadora, que, aliás, permanece em vigor, não foi aplicada e o mesmo tem acontecido com todas as leis subsequentes, incluindo as directivas europeias. Eduardo Dias lembra que as turfeiras destruídas com as arroteias são protegidas por directivas comunitárias “desrespeitadas sistematicamente”. O resultado desta tábua rasa legal é a transformação do solo em pastagens. O processo que começou há trinta anos na Caldeira Guilherme Moniz continua ainda hoje, conforme a nossa reportagem observou e fotografou. Álamo Meneses entende que não é útil abrir uma caça às bruxas neste processo, mas sim “resolver o problema”. Há arroteias públicas e arroteias privadas autorizadas por organismos públicos. O mais comum foi “uma ideia de desenvolvimento sobrepor-se a outra, que hoje sabemos não ser a mais correcta”. A solução do secretário do Ambiente é aprovar, “com urgência”, legislação que concentre as autorizações para intervir em zonas que devem estar protegidas. “Assim evita-se a dispersão e uniformizam-se os critérios”, disse.No caso da Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto, a solução vai passar, “onde se revelar necessário”, por intervir depois do facto consumado, o que significa que a Região deverá avançar para limitações ao uso do solo e expropriações de zonas que sejam indicadas para ficarem entregues à natureza, em nome do interesse público. E do mal feito não haverá procura de culpados.
Turfeiras recuperam depressa e bem
As turfeiras da ilha Terceira são endémicas, o que quer dizer que os estudos realizados em outras áreas podem não se adaptar às turfeiras locais. O que interessa apurar é o modo como as turfeiras recuperam quando um terreno é devolvido à natureza, para assim se tirarem conclusões sobre o tempo que é preciso esperar para que o ciclo da água normalize no complexo Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto. Segundo Eduardo Dias, que tem trabalhado com as turfeiras locais, um bom exemplo pode ser recolhido na Lagoa do Negro. A zona deixou de servir de pastagem para gado há cerca de quinze anos e as turfeiras já têm hoje uma dimensão significativa. Eduardo Dias acredita que em duas décadas poderá ser possível recuperar zonas de turfeiras pré-existentes, tendo mais dúvidas sobre o tempo necessário para reintroduzir turfeiras em zonas onde hoje existem pastos suportados à base de adubação.A reportagem de DI conseguiu observar a recuperação de uma turfeira numa zona do Cabrito onde foi removido um tanque de combustíveis norte-americano há cerca de oito anos. A turfa ainda é pequena, mas já ocupa o solo duma forme significativa. Melhor recuperação evidenciam turfeiras localizadas em pastos abandonados numa zona mais alta, também no Cabrito, situação que a reportagem do DI também observou.Uma turfeira adulta retém cerca de sete litros de água por cada quilo da sua massa e drena essa água lentamente para o interior dos aquíferos sobre os quais se situa. Os especialistas afirmam que, além de ser um método natural, é o melhor método que se conhece de armazenamento de água, sendo que a drenagem acontece normalmente, sem necessidade de intervenção humana.
Soluções engenhosase erros de previsão
As crises de água não são desconhecidas na ilha Terceira. Por exemplo, a literatura refere uma crise significativa na segunda metade do século XIX e a memória colectiva ainda guarda bem viva a crise do início dos anos noventa do século XX, que antecedeu a crise agora em curso.Em cada crise o homem encontra uma solução, melhor ou pior. Na crise do início dos anos noventa do século XX a solução passou pela abertura de furos. Sabe-se hoje que a solução não foi a melhor a médio e longo prazo, sobretudo porque essa crise já anunciava o colapso do complexo Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto, que, no entanto, ninguém à altura foi capaz de identificar.O próprio secretário Álamo Meneses, que, à altura, como perito da Universidade dos Açores, estudou a situação e escreveu sobre a crise, confessa hoje que também ele não foi capaz de identificar a situação. “Penso que ninguém à altura identificou o verdadeiro problema, que hoje sabemos ser de ordenamento do território”, enfatizou Meneses.Antes, no século XIX, a falta de água afectou de forma dramática a freguesia de Santa Bárbara, obrigando a população e as autoridades a serem engenhosas. A solução foi a construção de um reservatório de enormes dimensões para a altura e considerado muito dispendioso para as finanças públicas da época.Tal reservatório, inspirado nas cisternas que sempre abasteceram a zona – de fracos recursos hídricos, note-se -, cumpriu a sua missão desde a época em que foi construído até ao sismo de um de Janeiro de 1980, altura em que foi instalada uma rede domiciliária de distribuição de água.O “Reservatório de Santa Bárbara”, como é conhecido, implantado nas margens da Ribeira das Sete, na encosta da Serra de Santa Bárbara, está hoje envolvido por uma zona de lazer e é considerado uma notável construção em alvenaria de pedra, podendo ser visitado pelo público.
(In DI-Revista)

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segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Pouca chuva até Fevereiro, é falta de água em veraneio

Se não se registar um aumento da pluviosidade até final do próximo mês e os furos de captação de água que vão ser abertos até ao Verão não alcançarem os resultados esperados, a escassez de água sentida em 2008 vai sentir-se também em 2009. O alerta parte de Félix Rodrigues, professor da universidade dos açores (UA). Em declarações ao DI, a propósito do plano governamental para a sustentabilidade dos recursos hídricos da Terceira, o académico sublinha, por isso, que a localização dos furos previstos tem de ser muito bem pensada. “Temos registado baixos índices de pluviosidade até agora. É prematuro fazer previsões, mas se a chuva não cair com regularidade e por um período longo até ao final de Fevereiro, podemos esperar caudais reduzidos nas nascentes que abastecem o concelho de angra”, explica. “Daí que os novos furos de captação representem um investimento importante. Mas para o serem, é preciso que sejam efectuados em zonas que garantam caudais de água razoáveis. Caso contrário, teremos um Verão com falta de água como aconteceu em 2008”, complementa Félix Rodrigues.
“Se tudo correr bem – e acredito que isso acontecerá – o ano de 2009, em termos de abastecimento de água, será razoável”, contrapõe.
Estudos fora de tempo
Para Félix Rodrigues é justificável que os alertas produzidos pela UA para a necessidade de protecção dos recursos hídricos da ilha, particularmente a protecção dos sistemas de turfeiras da Caldeira Guilherme Moniz, não tenham impedido as arroteias naquele local. “Os principais estudos da universidade ocorreram na década de 90. O plano de arroteias começou muito mais cedo, surgindo na sequência do desenvolvimento que defendia a intensificação da produção agrícola, o que implicava a conquista de terrenos ao interior da ilha e a sua transformação em pastagens. Ora, quando os estudos da academia são produzidos, o mal já estava feito”, alega. “O conhecimento e a consciência para o problema não estavam presentes nessa altura”, sublinha.
Na apresentação do plano de recuperação do ciclo da água na Terceira, o secretário regional do ambiente, Álamo Meneses, explicou que as arroteias que ocorreram na Caldeira Guilherme Moniz se inseriram no Plano Pecuário dos Açores: “Foram promovidas dentro duma filosofia que advogava que a recuperação de terrenos para a agricultura era sinal de desenvolvimento. Agora, percebemos que essa política foi errada”, admitiu.

(In Diário Insular)

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domingo, fevereiro 01, 2009

Árvores na Caldeira Guilherme Moniz

A reflorestação das zonas mais altas da Caldeira Guilherme Moniz é essencial para a eficácia do plano de recuperação do seu papel na recarga dos aquíferos ali existentes. Quem o diz é Eduardo Dias, professor da Universidade dos Açores e director do Gabinete de Ecologia Aplicada dos Açores (GEVA). Em declarações à Antena 1-Açores, o investigador (uma das autoridades regionais na matéria) explica que a devolução da Caldeira Guilherme Moniz à natureza para o restauro do sistema de turfeiras pode não ser suficiente para evitar que a água não chegue aos aquíferos e ás nascentes daquela zona. Além da recuperação das turfeiras, é necessária a reintrodução das florestas de altitude, que desapareceram daquele local. “São zonas chave, por vezes de pequena dimensão. Normalmente as cumeadas, as partes mais altas, onde o processo adquire funções fundamentais. Verifica-se que a maioria das ribeiras da ilha vão, exactamente, nascer nesses sítios”, explica o académico.
Eduardo Dias esclarece que esses arvoredos têm um papel fundamental na precipitação oculta, responsável por uma parte significativa da recarga dos lençóis de água na zona central da ilha, os quais asseguram três quartos da água disponibilizada pelas nascentes da Terceira. “A precipitação retirada das nuvens pelos arvoredos chega a ser quatro vezes mais do que aquela que a chuva normal debita sobre estes sistemas. Portanto, a altura do ano em que estes processos são mais importantes para a recarga do aquífero é, exactamente, no início do Verão, com os nevoeiros de São João, e de meados de Agosto para a frente”, esclarece Eduardo Dias. Segundo o académico, o restauro das turfeiras no maciço central da ilha (Guilherme Moniz/Pico Alto) e a reflorestação de algumas zonas altas desse complexo contribuirão, garantidamente, para a recuperação do ciclo da água na ilha Terceira. A Universidade dos Açores, segundo académico, desenvolveu um modelo que permite perceber quais as zonas em que é fundamental a reflorestação.
Medidas importantes
Na quinta-feira passada, o secretário regional do Ambiente anunciou um conjunto de medidas para a recuperação do ciclo da água na Terceira. Esse plano, além de comportar a abertura de quatro furos de captação de água até ao Verão e, nos próximos anos, prever a construção de duas lagoas artificiais, impõe a reserva de terrenos no maciço central da ilha (Guilherme Moniz/Pico Alto) para a produção de água. Neste caso, o plano define como fundamental a recuperação das turfeiras (vegetação que absorve a água e a vai libertando lentamente para infiltração nos aquíferos) na Caldeira Guilherme Moniz.
No final da semana, Eduardo Dias, em declarações ao DI, assegurava tratar-se de um projecto importante, embora ressalva-se que a sua concretização demorará, no mínimo, uma década.Também Félix Rodrigues, docente da Universidade dos Açores e especialista em questões ambientais, classifica de “razoável” o plano governamental.“Apresenta soluções a longo prazo. Nomeadamente a reserva de áreas da Caldeira Guilherme Moniz para o restauro do sistema de turfeiras. E apresenta medidas mais imediatas, no caso, furos de captação de água. Claro que, neste caso, falamos de investimentos que implicam alguma incerteza, já que quando se fura nunca se sabe, concretamente, quais os caudais que se vão conseguir”, argumenta.
Legislação inovadora
O plano apresentado pelo secretário regional do Ambiente visa garantir água para a ilha nos próximos anos. O projecto impõe a protecção das nascentes e zonas circundantes aos aquíferos mais importantes da ilha. Curiosamente, já em 1977, a Região era pioneira nessa matéria, ao produzir um decreto regional que estabelecia perímetros de protecção de nascentes e as consequentes coimas pelo seu desrespeito. O decreto regional nº12/1977 de 20 de Agosto estabelece, entre outras medidas, que os terrenos onde existam nascentes ficam protegidos num raio de 50 metros, podendo, em casos especiais, esse perímetro ser alargado aos 500 metros. “Essa legislação, em boa verdade, foi inovadora. Mas pecou por ser muito genérica. Querer proteger, num limite de 50 metros, uma nascente que proporciona poucos litros de água e aplicar a mesma medida a uma nascente que garante milhares de litros não é razoável”, comenta Félix Rodrigues.
Proteger a água
Quinta-feira, o secretário regional do Ambiente anunciou que terrenos entre a Serra do Morião e o Pico Alto poderiam ser adquiridos pelo executivo para serem reservados ao restauro de turfeiras. A medida, incluída no plano governamental para a sustentabilidade dos recursos hídricos da ilha, visa a diminuição da actividade agrícola naquela zona. Ao mesmo tempo, segundo o secretário do Ambiente, vão ser monitorizadas as actividades industriais em curso no Cabrito, nomeadamente a extracção de pedra. O plano para a sustentabilidade do abastecimento de água na Terceira inclui ainda a interligação das redes do IROA e das Câmaras Municipais de Angra e da Praia. Prevê ainda medidas imediatas: abertura de quatro furos de captação de água (um na zona da Terra-Chã/Fonte Faneca e três nos Cinco Picos) e pela construção de pelo menos duas lagoas artificiais, uma no Cabrito e outra a Sul do Pico da Bagacina. A abertura do furo na Terra-Chã/Fonte Faneca deverá começar dentro de duas a três semanas, segundo os Serviços Municipalizados de Angra. “Estas serão direccionadas, sobretudo, para a Agricultura, libertando a captação de água para o abastecimento público. Os novos furos também terão esse objectivo, embora se pretenda investir no tratamento de água que possibilite o seu uso doméstico”, explicou Álamo Meneses. Segundo Álamo Meneses, o IROA irá comparticipar nos custos dos ramais aos agricultores, para evitar o seu recurso às fontes públicas.

(In Diário Insular)

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sexta-feira, janeiro 30, 2009

Conselho Regional de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável

O secretário regional do Ambiente e do Mar assegurou, na Horta, que o problema dos resíduos na ilha das Flores, apesar de ser “um processo complexo, ficará resolvido durante a actual legislatura”.


Falando à margem da reunião do Conselho Regional de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CRADS), que decorreu hoje à tarde no Faial, Álamo Meneses prometeu “para breve” a adjudicação da empreitada de construção da central de transferência e tratamento de resíduos da ilha das Flores.
Segundo explicou, o problema da gestão de resíduos “é transversal à generalidade das ilhas” açorianas dadas as características dos seus aterros.
No caso das Flores, os danos resultantes da inexistência de um aterro controlado não são felizmente tão grandes como poderiam ser, dada o facto da ilha ter uma população reduzida, acrescentou ainda o secretário regional.
Álamo Meneses classificou também com “extremamente frutuoso” o debate ocorrido nesta reunião do CRADS (Conselho Regional de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável), no qual participa Félix Rodrigues como representante da Universidade dos Açores, adiantando que o encontro permite ao Governo “conhecer quais as áreas de interesse das associações ambientalistas e dos outros parceiros, por um lado, e, por outro, “explicar objectivos e traçar metas”.
Além da apresentação do Programa de Governo e orientações na área do ambiente, da ordem de trabalhos deste conselho regional constava a discussão da criação de uma Entidade Reguladora de Águas e Resíduos.
Reserva Ecológica Regional e pontos de situação do Plano Regional da Água e do Plano Estratégico de Gestão de Resíduos Sólidos dos Açores foram os outros temas agendados para a reunião.
Este orgão consultivo da Secretaria Regional do Ambiente e do Mar, visa assegurar o diálogo e cooperação com entidades e organizações, de âmbito regional, na procura de consensos alargados relativamente à política ambiental.
(In GACS)

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segunda-feira, janeiro 26, 2009

Governo combate falta de água na Terceira

A médio prazo, recuperar as turfeiras que foram transformadas em pastagens.São as medidas do Governo para acabar com a falta de água na ilha Terceira.

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quarta-feira, dezembro 17, 2008

Açores são região do país com maior cobertura na National Geographic

O secretário regional do Ambiente e Mar valorizou a circunstância dos Açores serem a região do país com maior cobertura na edição portuguesa da National Geographic, garantindo o apoio do Governo a iniciativas de divulgação do arquipélago. No final da palestra “Os Açores vistos pela moldura amarela” que trouxe sábado à noite, a Angra do Heroísmo, o director da publicação, Álamo Meneses referiu tratar-se de “uma excelente forma de promoção interna e de projecção externa da temática ambiental e geográfica dos Açores”.
“A National Geographic é uma revista de grande expansão a nível nacional, mas com um grande exponencial a nível internacional já que uma parte dos seus artigos são permutados entre as diversas edições internacionais”, disse.
O encontro, promovido pela Ecoteca de Angra do Heroísmo, com o patrocínio da Secretaria Regional do Ambiente e do Mar e de “Os Montanheiros”, reuniu diversos investigadores, especialistas, entidades oficiais e público em geral.
O director da National Geographic,l cuja edição tem portuguesa uma circulação de 60 mil exemplares e 300 mil leitores, destacou que entre os artigos publicados sobre os Açores estão a biologia marinha, a oceanografia, a ornitologia e a vulcanologia/geologia.
Gonçalo Pereira reafirmou o interesse da publicação em artigos científicos, projectos de investigação, ilustrações de qualidade, eventos e efemérides sobre os Açores, apelando, para tal, à divulgação dos mesmos, junto da revista, pelos investigadores regionais, organismos oficiais e Universidade dos Açores.
A primeira referência aos Açores na National Geographic surgiu em 1919 com a cobertura do primeiro voo transatlântico, que retratou os fluxos de emigração, a etnografia, dando posteriormente maior relevo à importância geopolítica da região.
A reportagem sobre a erupção do vulcão dos Capelinhos, no Faial, em 1958, registou o primeiro artigo de carácter científico sobre as ilhas numa edição que, na altura, contava apenas com distribuição nos Estados Unidos, sendo criada em Abril de 2001 a primeira edição portuguesa da revista.
(In Gov.pt)

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sexta-feira, dezembro 05, 2008

Falta de água em Angra do Heroísmo

Os deputados do PSD eleitos pela ilha Terceira pediram ontem “responsabilidades” à secretaria regional do Ambiente e do Mar relativamente “aos graves constrangimentos da falta de água em Angra do Heroísmo”, realçando “o incumprimento dos objectivos previstos no Plano Regional da Água (PRA) – aprovado em 2003”, nomeadamente “a falta de monitorização dos recursos hídricos e as medidas de protecção às origens da água na ilha”.Para os sociais-democratas, é “urgente saber que comentários merece da tutela toda esta situação, inadmissível em pleno século XXI, e vivida em Angra do Heroísmo”, considerando que a mesma “tem criado danos fatais à população e empresas do concelho”. Num requerimento enviado ontem à Assembleia Legislativa dos Açores, O PSD questiona “o que vai a secretaria regional fazer a esse nível”. Segundo os parlamentares laranja, o executivo deve esclarecer “se houve algum contacto com o município de Angra, no sentido de pôr em prática o PRA” e se foi “enviada documentação para auxiliar na gestão e planeamento dos investimentos a realizar na área dos recursos hídricos”, isto sabendo-se que ambos os concelhos da ilha Terceira “têm sido sujeitos a graves constrangimentos com problemas no abastecimento de água desde Junho”.Recordando que, “em Outubro de 2003, o Governo adjudicou, por 170 mil euros, um estudo sobre a gestão e abastecimento da água na Região”, para “dar orientações sobre como dirigir os investimentos no sector” - e cujo prazo de elaboração “era de seis meses” -, o PSD solicita “as conclusões desse estudo e a divulgação das medidas tomadas em sequência do mesmo”.No tocante a “apurar responsabilidades”, a missiva social-democrata não se fica por aqui, considerando que “também a secretaria regional das Obras Públicas e Equipamentos deve ter a noção dos danos causados pelas obras na via Vitorino Nemésio”, estrutura onde, segundo diz, “a falta de planeamento e coordenação com a autarquia angrense”, levou “a múltiplas rupturas que determinaram o desperdício de elevadas quantidades de água”.Clélio Meneses, Carla Bretão e António Ventura querem igualmente saber “que tipo de licença foi atribuída à pedreira em actividade na zona do Cabrito” e “se foram exigidos registos dos rebentamentos”, uma vez que a actividade daquela unidade “é aventada como causadora de danos no subsolo”. Os deputados sociais-democratas referem ainda o “descrédito das supostas explicações” do estudo encomendado pela autarquia angrense para apurar as razões da falta de água no concelho, já que “dados do instituto de meteorologia e do Prof. Eduardo Brito – Universidade dos Açores - afastaram a falta de chuva como causa”, pois “confirmam padrões de comportamento considerados normais ao nível da pluviosidade em 2007/2008”, levantando a questão de “as interrupções verificadas nos meses de Junho e Julho terem sido causadas pelas obras na via rápida”.Contactado por DI, o secretário regional do Ambiente e do Mar, Álamo Meneses, considerou que o requerimento do PSD assume a forma de um “manifesto político” e “desvirtua o que foi dito no colóquio sobre a falta de água organizado pela Universidade dos Açores”.Álamo Meneses afirmou ainda que “o Governo tem vindo a exercer as suas competências em matéria de água e continuará a fazê-lo, em parceria com os municípios, para que situações como esta não voltem a suceder”, remetendo mais esclarecimentos para a resposta ao requerimento.

(In Diário Insular)

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