Açorianos promovem debate em Cabo Verde
Cerca de 60 autores da Universidade dos Açores reuniram-se em Cabo Verde num encontro que conjugou o 2º Congresso Lusófono de Ciência Regional, o 1º Congresso de Ciência Regional de Cabo Verde, o 15º Congresso da Associação Portuguesa de Desenvolvimento Regional e o 3º Congresso de Gestão e Conservação da Natureza.
O evento, realizado na Cidade da Praia, Ilha Santiago, contou com a presença de cerca de 250 congressistas. O Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores foi um dos que registou mais participação. No total foram apresentados doze estudos sobre variadas temáticas.
Percepção de risco das Alterações Climáticas Globais em ilhas - A percepção dos Terceirenses no Arquipélago dos Açores, Portugal foi um dos trabalhos apresentados por Félix Rodrigues, Manuela Figueiredo e Luísa Lima.
O estudo realizado com base num inquérito a 250 habitantes da ilha Terceira foi tese de mestrado de Manuela Figueiredo. As conclusões do estudo demonstraram que apesar de terem ideias concretas sobre determinados fenómenos, as pessoas nem sempre conseguem fazer uma ligação entre eles.
De acordo com Félix Rodrigues, um dos factos comprovados com o estudo prende-se com a importância que a população da ilha atribui à problemática. “As alterações climáticas globais não são a principal prioridade das pessoas”, revela.
Em primeiro lugar surge o terrorismo, seguido da SIDA e da fome. Só em quarto lugar aparecem as preocupações climáticas. Os dados provam ainda que é a comunicação social que marca a agenda de preocupações da população.
Segundo o professor da Universidade dos Açores, a população mostrou ainda utilizar mecanismos de protecção do próprio indivíduo, uma vez que tendem a pensar que o problema só atingirá primeiro países longínquos.
Os investigadores defendem, portanto, uma estratégia de promoção adequada e feita por cientistas, dado que os inquiridos atribuíram mais credibilidade aos cientistas do que a políticos, por exemplo.
Para combater a má informação, os especialistas acreditam ser necessário utilizar uma linguagem mais apropriada, assim como desmistificar algumas confusões. A título de exemplo, Félix Rodrigues salienta a confusão feita entre os conceitos de buraco do ozono e aquecimento global.
TRABALHO DE MARIA HELENA GUIMARÃES DISTINGUIDO
Prémio Bartolomeu da APDR atribuído a investigadora da Uaç.
Maria Helena Guimarães, do Gabinete de Conservação e Gestão da Natureza do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, venceu o prémio “Bartolomeu”, da Associação Portuguesa de Desenvolvimento Regional (APDR).
O trabalho de Maria Helena Guimarães intitulava-se “O uso da metodologia-Q para obter intervenientes – Discursos sobre o desenvolvimento futuro da zona da Costa da Ria Formosa, no sul de Portugal”.

O Prémio “Bartolomeu” é atribuído a cientistas com menos de 33, que apresentem um trabalho individual em sessões do Congresso da APDR.
O prémio é atribuído pela apreciação de um júri constituído pelo director da Revista Portuguesa de Estudos Regionais e mais dois cientistas por ele nomeados. A Coerência conceptual, a relevância para a ciência regional e o impacto no desenvolvimento regional foram os critérios de apreciação.
O trabalho a concurso utilizava uma nova metodologia com significado estatístico que permitia identificar critérios para uma estratégia efectiva e eficaz de conservação do sistema lagunar da Ria Formosa, no Algarve. Os diferentes grupos sociais, com interesses na área, têm diferentes perspectivas e desejos de conservação para o lugar.
A análise levada a cabo pela autora permitiu identificar esses discursos e as distintas perspectivas a serem integradas na gestão e conservação do sistema lagunar em análise e com possibilidades de aplicação a outros domínios.
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Os utilizadores, que responderam a um inquérito online, dizem que o arquipélago não tem sol suficiente para viabilizar o uso de painéis solares. Por outro lado, vinte e dois por cento dizem que estão a pensar em adquirir equipamento solar para poupar na factura da energia. Onze por cento dos que responderam ao inquérito dizem nunca ter pensado em utilizar energias alternativas
Segundo Emiliana Silva, a população inquirida demonstrou ainda “grande preocupação com a manutenção do ambiente”. A investigadora destaca ainda que surpreendentemente a maioria dos inquiridos mostrou-se favorável à sobrevivência das moscas, um ponto positivo quanto à biodiversidade.O livro, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, é apresentado por Álamo Meneses, no próximo sábado, pelas 16h30, no pólo do Pico da Urze da Universidade dos Açores. 

