domingo, março 30, 2008

Investigação em Ciências da Vida

O Governo dos Açores está a comparticipar, em cerca de 150 mil euros, três projectos de investigação científica na área das Ciências da Vida.
Financiados através da Direcção Regional da Ciência e Tecnologia, os referidos projectos estão a ser desenvolvidos em diferentes Unidades de Investigação da Universidade dos Açores sobre temáticas de interesse para a Região.Um destes projectos, denominado "Sistemática, Genética Populacional e Propagação de Plantas Vasculares Prioritárias, Endémicas dos Açores", da responsabilidade do investigador Luís Silva, do Centro de Conservação e Protecção do Ambiente da Universidade dos Açores (CCPA-UAç), pretende contribuir para o estudo e a conservação de plantas endémicas do arquipélagos, consideradas prioritárias. A utilização de marcadores moleculares para clarificar a sua posição taxonómica e para esclarecer as relações entre as populações das várias ilhas, e a definição de protocolos para a sua propagação, de modo a preservar o seu património genético, são alguns dos meios empregues.Outro projecto parte da iniciativa da investigadora Maria Luísa Oliveira, do Centro de Investigação de Recursos Naturais (CIRN), e prevê o controlo biológico e a avaliação da dispersão do escaravelho japonês na ilha de São Miguel. Os principais objectivos desta pesquisa passam pela selecção de bactérias e nemátodes, disponíveis comercialmente ou recolhidos em solos açorianos, tendo em conta a sua capacidade para parasitar e matar as larvas do escaravelho japonês no solo. A investigação prevê também a aplicação dos agentes de controlo biológico seleccionados e o seguimento do seu estabelecimento em condições de campo, bem como a avaliação da actividade dos agentes entomopatogénicos no controlo do escaravelho japonês e a avaliação da sua distribuição geográfica actual e potencial em São Miguel. Finalmente, a investigadora Rosalina Gabriel, do Centro de Investigação e Tecnologias Agrárias dos Açores (CITA-A), está a levar a cabo o projecto "Identificação de populações geneticamente distintas de espécies de artrópodes endémicas dos Açores para a conservação da biodiversidade no arquipélago", cujos objectivos visam proporcionar informação útil para a conservação de espécies endémicas das ilhas e um melhor conhecimento dos processos responsáveis pela sua diversificação. O estudo pretende, adicionalmente, delinear medidas para evitar extinções futuras de populações isoladas de espécies endémicas cuja dispersão se resuma a uma determinada ilha.

(In Canal de Notícias dos Açores)

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quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Briófitos dos Açores

Rosalina Gabriel começou a estudar aquilo que vulgarmente designamos de musgos – os briófitos, que incluem os musgos, as hepáticas e as antocerotas – em 1990. Sentada no seu pequeno gabinete, forrado de livros e imagens da natureza, do Departamento de Ciências
Agrárias da Universidade dos Açores, a investigadora fala com paixão de um mundo ainda bastante desconhecido para a maioria dos açorianos.


“Na altura, comecei a interessar-me pelas florestas naturais dos Açores que são sítios muito interessantes e importantes por muitas razões”, diz, para início de conversa. “As florestas naturais dos Açores têm um regime de precipitação que se assemelha ao das florestas tropicais, mas as temperaturas não são tão elevadas, o que as torna florestas temperadas, onde há uma grande abundância de briófitos”. Ao todo são mais de 400 espécies nos Açores na sua maioria musgos – 282 na Região, contra 1292 na Europa e 12 mil em todo o mundo. Seguem-se as hepáticas folhosas – 151 nos Açores, 453 no continente europeu e oito mil à escala planetária – e as antocerotas – cinco na Região, oito na Europa e 200 em todo o mundo. Segundo Rosalina Gabriel, os musgos servem para muito mais do que apenas para o presépio de Natal. “Os briófitos desempenham funções tão importantes como a retenção de água e nutrientes, a intersecção de nevoeiros, interacção com outros organismos, formação de solo e minimização da erosão”. Outro dos mitos associados aos musgos é o de que são todos iguais. Mas como se distinguem afinal os musgos das hepáticas e das antocerotas? “Os musgos quando olhados de cima parecem o raio de uma roda de bicicleta, enquanto as hepáticas têm um eixo a partir da qual são simétricas e as antocerotas são cápsulas de crescimento indeterminado e assemelham-se a vagens de feijão verde”, explica a investigadora. Uma ideia errónea igualmente enraizada é a de que os musgos são parasitas das plantas ou a de que a sua presença numa árvore indica que ela não está bem de saúde. “Os musgos fazem parte do reino vegetal”, sublinha Rosalina Gabriel, referindo que “libertam oxigénio e consomem dióxido de carbono tal como as plantas grandes”. Os musgos são também um “indicador de bom ar”. “A sua presença nas árvores não faz mal, ao contrário do que muita gente pensa, mas é sim um indício de que não há poluição atmosférica naquele local”, adianta a investigadora, salientando que “a sua presença abundante nos não só nas florestas, como nos telhados e nos pátios, é, por conseguinte, um bom sinal”.
Outro mito sobre os musgos é o de que quando estão castanhos é porque estão mortos. Tal como as sementes, os musgos conseguem suspender a vida. “Os musgos têm uma relação muito importante com a água, de que necessitam para a sua sobrevivência”, explica Rosalina Gabriel. “No entanto, se não há humidade, deixam de crescer mas não morrem”, continua, destacando que “conseguem ficar mais de 50 anos secos e depois retomar a actividade metabólica”, “uma característica notável, que pode ser útil, por exemplo, em viagens espaciais”, realça, com orgulho, enquanto nos mostra uma apresentação em power­point sobre a biodiversidade e o valor patrimonial dos musgos dos Açores.


A investigadora refuta também a tese segundo a qual os musgos são perigosos porque fazem escorregar. “As pessoas gostam de os ver no interior das cavida­des vulcânicas, mas depois dizem que fazem escorre­gar se estiver húmido”.
No entender de Rosalina Gabriel, “os musgos têm tão mau nome porque muitas vezes são confundidos com as algas, que têm paredes mais gelatinosas”. Apesar de não terem vantagens económicas imedia­tas e dos golfistas não gostarem de os ver nos seus “greens”, a presença de musgos em pastagens ou ou­tros terrenos não significa que estes tenham imper­meabilizado ou que precisem de ser cavados. Outra ideia errada é a de que o gado não come musgos, acrescenta.

Lista vermelha

Ninguém estuda musgos é outro dos mitos. Nos Aço­res são, aliás, muitos os investigadores que se dedi­cam a esta área, designadamente Eva Sousa, Sandra Câmara, Nídia Homem, Cecília Sérgio, René Schuma­cker, Erik Sjögren, Jan-Peter Frahm, Berta Martins, Kjell Flatberg, Elisabete Maciel e Jeffrey W. Bates, para além de Rosalina Gabriel. Para além disso, Nídia homem e Rosalina Gabriel pre­param-se para lançar, no início de Fevereiro, o livro “Briófitos Raros dos Açores”. A obra pretende divulgar
as 60 espécies existentes nos Açores que se encontram na lista vermelha da Europa, ou seja, que estão classificadas como raras ou vulneráveis. O Grupo da Biodiversidade dos Açores do Centro de Investigação de Tecnologias Agrárias dos Açores (CITA-A), instalado no Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores terá também, até Março, disponível na Internet um site onde será possível pesquisar a distribuição por freguesia de todas as espécies vegetais e animais terrestres das nove ilhas dos Açores. “O objectivo é fomentar o gosto pelo que as pessoas têm na sua freguesia e ajudar a ligar as pessoas ao local”, destaca Rosalina Gabriel. “Esta iniciativa visa também perceber padrões e motivarmo-nos a melhorar os nossos dados, que são baseados em toda a bibliografia disponível sobre espécies do arquipélago” . Entre mãos, o Grupo da Biodiversidade dos Açores tem também, actualmente, o projecto Top 100 das 100 espécies mais fáceis de gerir da Macaronésia. “Trata-se de um Livro Verde das espécies que pragmaticamente conseguimos proteger, porque com um mínimo de custos podemos fazer qualquer coisa por inúmeras espécies, enquanto se realizam estudos sobre as outras”, sustenta a investigadora. “Claro que é importante proteger o Priôlo, por exemplo, mas se nos preocuparmos apenas com esta ave podemos perder outras 40 espécies”, alerta, sublinhando que o intuito da iniciativa é “tentar não deixar essas outras espécies que são mais fáceis de proteger para trás”. Um outro projecto relacionado com os musgos que está a ser desenvolvido pela equipa de Rosalina Gabriel visa avaliar a quantidade de materiais pesados nas turfeiras do interior da ilha Terceira. “Os musgos são muito resistentes a várias coisas, como a herbivoria, porque poucos animais os comem, mas são muito sensíveis à poluição aquática e atmosférica”, refere, adiantando que “como não têm raízes dependem das correntes aéreas e acabam por acumular alguma quantidade de metais”. Até agora, os dados analisados não são reveladores de uma grande concentração de metais no interior da ilha, mas o grupo pretende estender o estudo à zona litoral da ilha, onde a situação poderá ser diferente. Rosalina Gabriel destaca ainda a publicação recente, pela Secretaria Regional do Ambiente, de blocos de notas com briófitos, que considera “importante para divulgar estas espécies junto das pessoas”.


O Grupo da Biodiversidade dos Açores foi igualmente distinguido recentemente com um dos prémios BES-Biodiversidade, pelo seu estudo dos processos envolvidos na extinção potencial de insectos, aranhas e musgos nas florestas nativas da Região. Intitulado “ Predicting extinctions on oceanic islands: The Azorean paradigm”, o trabalho proposto por Paulo Borges, docente do Departamento de Ciências Agrárias da universidade açoriana, mereceu uma Menção Honrosa, ex-aequo com outros dois projectos, num total de quatro premiados de entre os 34 projectos concorrentes ao nível do país. A cerimónia de entrega dos prémios teve lugar na sede do BES, em Lisboa, com a presença de Ricardo Salgado, presidente do banco, Francisco Nunes Correia, Ministro do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, Lígia Amâncio, vice-presidente da FCT, Teresa Andresen, do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto, e João Meneses, presidente do ICN. A distinção veio, assim, valorizar o importante trabalho na área da biodiversidade que a equipa liderada por Paulo Borges tem vindo a desenvolver, ao longo dos últimos 10 anos. “Desde 1998, temos vindo a editar uma série de publicações científicas sobre a biodiversidade açoriana e a emitir pareceres para o Governo Regional sobre as zonas do arquipélago que necessitam de ser protegidas, contribuindo, assim, para a já anunciada criação de vários parques naturais”, referiu Paulo Borges, em declarações ao DI. Para o investigador, este prémio é o “reconhecimento de toda a informação científica produzida pelo grupo e publicada em revistas internacionais e da sua aplicação prática na conservação da natureza nos Açores, através da ajuda à tomada de decisão pelo Governo Regional”. “É um prémio que muito honra não só a Universidade dos Açores como todos aqueles que trabalham na área da biodiversidade e que connosco têm colaborado”, afirmou. A distinção irá permitir ainda a publicação de um livro sobre a biodiversidade dos artrópodes baseado em fotos de grande qualidade. O projecto conta com o apoio da Secretaria Regional do Ambiente.
(In DI-Revista)

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sábado, fevereiro 02, 2008

Infiltração de águas das pastagens coloca em risco grutas açorianas

Paulo Borges, investigador do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, explicou ao Diário dos Açores, que a pior ameaça que pode atingir os algares vulcânicos (grutas com um desenvolvimento subvertical) consiste, sobretudo, na "poluição gerada pela lixiviação da água das pastagens, que entram no ecossistema das cavidades vulcânicas, podendo ser muito prejudiciais, porque alteram a composição dos compostos bacteriológicos". Esta situação pode prejudicar o projecto que pretende avaliar, nos próximos três anos, as bactérias existentes nos algares vulcânicos e restantes cavidades subterrâneas, visando encontrar compostos químicos e substâncias que possam criar novos antibióticos de modo a contribuir para a biomedicina, tal como já aconteceu nos Estados Unidos da América. Questionado acerca da relevância do aumento de visitantes nas grutas açorianas, Paulo Borges sublinhou que "é um mal menor", adiantando que em 250 cavidades naturais existentes nos Açores "apenas 3 ou 4 é que estão a ser utilizadas turisticamente e, portanto, o problema maior prende-se com a actividade levada a cabo nos solos".O estudo que vai avaliar a quantidade de poluentes que infiltram os solos e bactérias existentes nas grutas foi aprovado e financiado pela Fundação Ciência e Tecnologia, com 200 mil euros e envolve o Centro de Investigação de Tecnologias Agrárias (CITA) e investigadores da Universidade do Novo México. O projecto subordinado ao tema, "Understanding Underground Biodiversity: Studies of Azorean Lava Tubes", é dirigido pela professora Maria de Lurdes Dapkevicius e onde participam os professores do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, Célia Silva, Félix Rodrigues, Airidas Dapkevicius, Paulo Borges e Rosalina Gabriel. É no âmbito deste projecto que relaciona a presença humana e o seu impacto na diversidade microbiológica das grutas, que vai ser proferida uma conferência a ter lugar hoje no auditório do Campus de Angra do Heroísmo, no Pico da Urze. Intitulada "Sight Unseen: Diversity and Conservation of Life in Caves", a conferência será proferida pela professora da Universidade do Novo México, Diana Northup.Diana Northup, na intervenção que fará hoje, irá dar a conhecer que "as grutas são ainda um ambiente inexplorado no que toca à pesquisa de compostos bioactivos, como por exemplo antibióticos, que podem ser utilizados na indústria farmacêutica".
(In Diário dos Açores)

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terça-feira, janeiro 29, 2008

Biodiversidade em grutas

O número de visitantes nas grutas dos Açores tem aumentado significativamente nos últimos anos o que pode levar a uma alteração do equilíbrio dinâmico do ambiente natural dessas grutas ao modificar a qualidade do ar e ao introduzir microrganismos estranhos ao sistema. O alerta é de Diana Northup, professora da Universidade do Novo México nos Estados Unidos da América, que apresenta no próximo dia 30, no Auditório do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, pelas 14h30, uma conferência proferida intitulada "Sight Unseen: Diversity and Conservation of Life in Caves", integrada nas actividades do projecto do Departamento de Ciências Agrárias da academia açoriana.Segundo Diana Northup, que foi editora convidada da prestigiada revista internacional Geomicrobiology Journal, "as grutas são ainda um ambiente inexplorado no que toca à pesquisa de compostos bioactivos, como por exemplo antibióticos", que podem ser utilizados na indústria farmacêutica. A investigadora acrescenta que os biofilmes, complexos ecossistemas microbianos, das grutas açorianas "assemelham-se aos dos Estados Unidos, pelo que poderão também conter novos organismos". A maior parte da actividade bacteriana na natureza ocorre com as bactérias organizadas em comunidades sob a forma de um biofilme.A associação dos organismos em biofilmes constitui uma forma de protecção ao seu desenvolvimento, fomentando relações simbióticas e permitindo a sobrevivência em ambientes hostis.Northup estuda a biodiversidade em grutas desde 1984, tendo-se formado em Biologia na Universidade do Novo México.Desde então investiga a diversidade microbiológica em tubos de lava com vista a compreender a forma como alguns microrganismos ajudam a produzir depósitos ferromagnéticos nesses ambientes extremos ou como é que esses microrganismos participam na formação de precipitados de carbonato de cálcio, entre muitos outros aspectos incluindo estudos do impacto na biodiversidade microbiológica de grutas pela visitação humana. O projecto "Understanding Underground Biodiversity: Studies of Azorean Lava Tubes", coordenado pela Professora Maria de Lurdes Dapkevicius e onde participam os Professores do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores; Célia Silva, Félix Rodrigues, Airidas Dapkevicius, Paulo Borges e Rosalina Gabriel, foi aprovado e financiado pela Fundação Ciência e Tecnologia.

(In Diário dos Açores)

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domingo, janeiro 27, 2008

Bolsa Pós-Doutoramento

Bolsa de Pós-Doutoramento (BPD) - Projecto PTDC/AMB/70801/2006
14.1.2008

No âmbito do Projecto PTDC/AMB/70801/2006Encontra-se aberto concurso para atribuição de uma Bolsa de Pós-Doutoramento (BPD) no âmbito do projecto “Compreender a Biodiversidade Subterrânea: Estudo dos Tubos de Lava dos Açores”, de referência PTDC/AMB/70801/2006, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), e que irá decorrer no Centro de Investigação e Tecnologias Agrárias dos Açores (Universidade dos Açores), nas seguintes condições:1. Duração, regime de actividade e remuneração:1.1 – Duração: A bolsa tem início previsto para Fevereiro de 2008 e terá a duração de 12 meses, eventualmente renovável, até ao limite máximo de 36 meses, mediante avaliação intercalar do desempenho do bolseiro. À avaliação global de insuficiente está associada a caducidade da bolsa.1.2 – Regime de actividade: O desempenho de funções é efectuado em regime de exclusividade, conforme Regulamento de Formação Avançada de Recursos Humanos da FCT (http://www.fct.mctes.pt/pt/apoios/formação/ambitoprojectos).1.3 – Remuneração: De acordo com a tabela de valores das Bolsas de Investigação no país atribuídas pela FCT (€1495,00 + € 79,57 de seguro social voluntário), sendo o pagamento efectuado por transferência bancária.Seguro contra acidentes pessoais.2. Objecto de actividade:2.1 – Constituem objectivos do projecto:a. Estudar a biodiversidade dos biofilmes microbianos dos tubos de lava: identificar os microrganismos a eles associados por métodos dependentes e independentes da cultura laboratorial (técnicas microbiologia clássica e de filogenia molecular).b. Estudar o potencial antimicrobiano dos microrganismos oriundos das grutas contra patógenos resistentes a antibióticos. Isolar caracterizar parcialmente antibióticos de origem microbiana.c. Compreender o ambiente físico em que vivem os microrganismos das grutas.d. Encontrar indicadores biológicos que sirvam de substitutos para a avaliação da biodiversidade dos biofilmes microbianos.e. Fornecer informação a vários tipos de grupos-alvo (políticos, técnicos, científicos, didácticos, visitantes, etc.) para divulgar o conhecimento produzido e promover a exploração equilibrada das grutas. 2.2 – O trabalho a desenvolver pelo bolseiro no âmbito do projecto compreende a utilização de:a) Técnicas de biologia molecular;b) Técnicas de manutenção de culturas microbianas;c) Técnicas de análise química instrumental (cromatografias);d) Trabalho de campo de natureza espeleológica.3. Orientação científica:Doutora Maria de Lurdes Enes Dapkevicius; Prof. Doutor Paulo Borges; Doutora Rosalina Gabriel; Doutora Célia Silva; Prof. Félix Rodrigues; Doutora Diana Northup.4. Qualificações e requisitos exigidos:Os candidatos devem ser detentores de um Doutoramento na área das Ciências da Vida, nomeadamente, Biologia, Microbiologia, Bioquímica, Biologia Molecular ou afins.Serão factores preferenciais possuir experiência comprovada de investigação prévia em biologia molecular, sistemas de manutenção de culturas microbianas, técnicas de análise química instrumental e bom domínio, oral e escrito, das línguas portuguesa e/ou inglesa.5. Critérios de avaliação das candidaturas:A avaliação das candidaturas terá em conta o mérito do candidato, considerando a formação académica, o perfil curricular e a experiência em investigação científica relevante para o projecto em questão, em particular, experiência na coordenação de projectos de investigação. A avaliação curricular poderá ser complementada por entrevista, se o júri o considerar necessário.6. Documentos de candidatura:6.1 – As candidaturas serão formalizadas por carta de motivação dirigida ao presidente do júri do concurso, acompanhadas da seguinte documentação:a) – Cópia de certidão de habilitações académicas (Licenciatura e Doutoramento), com lista descriminada das avaliações obtidas;b) – Cópias do documento legal de identificação e do cartão de contribuinte;c) – Curriculum vitae pormenorizado (máximo 10 páginas);d) – Cartas de recomendação (máximo 2).6.2 – A não apresentação dos documentos mencionados nas alíneas a) a c) do número anterior constituirá motivo de não admissão ao concurso.Nota:O presente Edital será publicitado em http://www.angra.uac.pt/gba .7. Candidaturas:O período de candidaturas decorre entre 14 e 28 de Janeiro de 2008 (data de correio) e as propostas de candidatura deverão ser enviadas por via postal para:Doutora Maria de Lurdes Enes DapkeviciusUniversidade dos AçoresDepartamento de Ciências AgráriasCITA-ATerra Chã9701-851 Angra do Heroísmo Esclarecimentos adicionais poderão ser solicitados através da morada electrónica mariaenes@notes.angra.uac.pt ou pborges@uac.pt, ou ainda pelo telefone 295 402 200 (Doutora Maria de Lurdes Enes Dapkevicius ou Doutor Paulo Borges).

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sábado, janeiro 26, 2008

Crianças confundem Ambiente e Natureza

A necessidade de aprofundar o entendimento das crianças quanto às relações entre o indivíduo, a sociedade e o ambiente é uma das principais conclusões de uma tese de mestrado em Educação Ambiental dos Departamentos de Ciências Agrárias e Ciências de Educação defendida recentemente por Luzia Cordeiro Rodrigues, no campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, orientada pelas Professoras Ana Moura Arroz e Rosalina Gabriel.
Intitulado “Espaços Verdes ou Contextos de Relação: Perspectivas e Preocupações das Crianças acerca do Ambiente”, o trabalho foi realizado na ilha Terceira, com 75 crianças do 4.º ano do Primeiro Ciclo do Ensino Básico, englobando diversas técnicas, na abordagem metodológica utilizada, desde a livre expressão escrita a fotografias, passando por desenhos e entrevistas semi-estruturadas individuais. O objectivo foi “contribuir para o conhecimento das perspectivas das crianças sobre o ambiente”, explica a autora. “Procurámos trazer novos dados que possam subsidiar a discussão acerca dos propósitos, conteúdos e processos de educação ambiental, por forma a extrair implicações para uma mudança ou alargamento das abordagens e práticas educativas, que se pretendem baseadas e centradas nas concepções das crianças”, sublinha.

POLUIÇÃO É PREOCUPAÇÃO

Segundo as conclusões do trabalho, “as crianças visualizam o ambiente como um espaço determinado, ou um contexto onde são exercidas relações unilaterais do homem para o ambiente - salientando-se o poder destrutivo do homem - ou do ambiente para o homem, enquanto fonte de recursos indispensável à sobrevivência da humanidade”. Para a maioria, o ambiente “é identificado com a natureza e tudo o que é natural, não construído pelo homem, sendo representado, quer no presente quer no futuro, com um elevado grau de pureza”, revela o estudo. Por outro lado, “apesar da poluição ser apontada como a principal preocupação das crianças, não é ela a responsável pelos problemas ambientais do futuro, mas sim a construção de várias infraestruturas”. Neste contexto, “o homem surge como o principal responsável pela delapidação do ambiente, enquanto fonte de recursos, e pelo futuro menos bom que nos espera”. Por seu turno, “a escola e a família, enquanto fontes principais do conhecimento ambiental, assumem um papel preponderante para estas crianças, que neles depositam confiança relativamente às informações que lhes são transmitidas”.

OUVIR AS CRIANÇAS

No que diz respeito a implicações pedagógicas, Luzia Cordeiro Rodrigues considera “necessário expandir o entendimento das crianças quanto às relações entre o indivíduo, a sociedade e o ambiente”. “As perspectivas de ambiente que encontrámos junto das crianças necessitam seguramente de ser ampliadas, criticadas e discutidas pelos seus pares, professores e famílias com vista à facilitação da sua reformulação e evolução crítica”, defende, salientando que “a precária diferenciação do conceito de ambiente relativamente ao conceito de natureza, constitui, disso mesmo, o exemplo mais gritante”. A autora classifica, assim, de “imprescindível que o educador conheça as concepções das crianças com quem trabalha para que, através de uma intervenção informada, possa contribuir para a evolução crítica que progressivamente conduzirá à superação do senso comum, mas não necessariamente a uma única forma de ver o mundo”. Reforça ainda a “necessidade e a instrumentalidade de ouvirmos atentamente e sem complexos o que as crianças têm para nos dizer”.
(In Diário Insular)

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sexta-feira, janeiro 11, 2008

Avaliação Custo/Benefício do Plano Nacional de Acção Ambiente e Saúde

Há uma equipa de quatro pessoas do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores a fazer mil questionários por todo o país com a duração de quarenta minutos cada um.
Os inquéritos são feitos no âmbito da Análise Custo/Benefício do Plano Nacional de Acção Ambiente e Saúde 2007-2013 que foi adjudicado à Universidade dos Açores pela Agência Nacional de Ambiente e pela Direcção Geral de Saúde.
Nos primeiros dias fizemos duzentos inquéritos na Periferia de Lisboa. Já estivémos em Cacilhas, no primeiro dia ao fim da tarde; em Linda a Velha, Caxias, Oeiras, São Domingos de Rana, Birre e Cascais no segundo dia; no domingo, fizémos Queijas, Cacém, Rio de Mouro e Massamá.
Na segunda-feira deslocamo-nos para a Outra-Banda para abranger o Barreiro, o Lavradio, Sesimbra, Almada e Costa da Caparica; e na terça-feira atacamos Loures.
Como vêem fazimos um cerco completo a Lisboa. Lisboa ficará para depois de darmos a volta a Portugal subindo pelo litoral, descendo pelo interior do país e passando pelo Alentejo e pelo Algarve.
Está alguém na Madeira a fazer quarenta questionários e também teremos de fazer trinta e cinco em Ponta Delgada, Ribeira Grande e Angra do Heroísmo.
Para além do interesse directo do estudo, que nos trará resultados para daqui a três meses, tem igualmente interesse ir percebendo o que acontece no país pela interacção com as pessoas e com os sítios. Inicialmente pensávamos que tinhamos mais sucesso de “pescar” entrevistados nos centros comerciais. Mas enganámo-nos.
As meninas das lojas quando não atendem os clientes estão entretidas a conversar umas com as outras e não têm tempo para ser entrevistadas. Os clientes que se passeiam entre as lojas também não demonstram grande capacidade para a conversa.
E é assim que passámos a interpelar as pessoas nas lojas fora dos centros comerciais, nos cafés, nas igrejas e nos jardins públicos. Começou a ser mais fácil.
Também nos começamos a aperceber que, muitas vezes, a simpatia das pessoas compensa muitas vezes a beleza dos sítios. Oeiras tem uma beleza mediana mas as pessoas têm muito mais dificuldade de serem entrevistadas do que no Cacém que não deve grande coisa à beleza, como terra. Cascais é muito bonito mas a vivência e simpatia de São Domingos de Rana, na pequena amostragem que fizemos no sábado, compensa com naturalidade a fama paisagística de Cascais.
Birre tem um núcleo antigo muito pequeno mas foi lá que encontrámos pessoas interessantes e mais interessadas no inquérito.
Várias coisas foram surpresa neste passeio pelos arredores de Lisboa. Por um lado, a qualidade de vida que se pode ter no Centro Urbano de Cacilhas. Trata-se de uma espécie de pequena Alfama voltada a Sul mas com vista para uma das melhores paisagens do mundo – a silhueta de Lisboa.
Por outro lado, a enorme e vibrante vivência das comunidades cristãs na periferia de Lisboa. A Igreja de Queijas estava cheia muito antes do padre chegar vindo de Linda a Velha para rezar a missa. Uma das Igrejas do Cacém estava a abarrotar de gente alegre e com um coro magnífico que se preparava para partir para um concurso ibérico de coros. A bonita Igreja de São Domingos de Rana, no sábado, estava cheia de movimentos de jovens e de escuteiros. E nós a pensar que a perferida de Lisboa não ia à missa e não se envolvia na comunidade. Que erro?
Mas a novidade mais interessante que vos trago deste passeio tem a ver com uma das entrevistas que fiz. Tratava-se de um guinense doutorado na União Soviética onde passou vários anos e que agora está a trabalhar na construção civil em Portugal para sustentar parte da família que se encontra na Guiné.
O conhecimento e sabedoria com que respondeu ao questionário deixaram-me maravilhado. Cada resposta tinha um porquê, cada encadeamento de respostas uma lógica de coerência.
E, apesar de tantas explicações interessantes, acabou por demorar o mesmo tempo que os outros. É pena que os melhores de África estejam fora dela.


(Prof Tomaz Dentinho In A União)

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domingo, dezembro 23, 2007

África Annes estudo de riscos

Sismos, radiação electromagnética, touradas, térmitas e obesidade são os riscos que vão ser estudados de forma inédita pela Universidade dos Açores.
Programas de rádio e televisão, workshops, publicações e congressos serão os resultados produzidos por uma equipa de investigação que fará uma abordagem multidisciplinar desses riscos.
O estudo sobre a avaliação e a percepção do risco é o objecto de estudo intitulado “Africa-Annes” que a Universidade dos Açores está de momento a iniciar. O estudo foi financiado pela Fundação da Ciência e Tecnologia (FCT).
Os trabalhos que envolvem o Departamento de Ciência Agrárias (DCA) e o de Educação (DCE) dos Pólos de Angra do Heroísmo e de Ponta Delgada já arrancaram e vão ter ao longo dos próximos três anos o seu desenvolvimento. À frente da equipa está o investigador do DCA, Félix Rodrigues juntamente com Ana Arroz, Ana Cristina Palos, Emiliana Silva, Rosalina Gabriel, Paulo Borges, Isabel Estrela Melo e Susana Caldeira. O que se pretende não é estudar os fenómenos na sua área de investigação tradicional, mas sim na óptica de como são geridos em termos de informação e de comunicação: “o modo como percepcionamos os riscos influencia a forma de agirmos”, explica ao jornal Félix Rodrigues. “Não queremos que a informação apareça ininteligível pela linguagem científica”.
É por isso que, de forma inédita, os trabalhos do “Africa-Annes” vão envolver não só especialistas da geofísica, da biologia ou da saúde, constituindo-se assim “uma equipa multidisciplinar”. Aqui, a “psicologia vai ter um papel fulcral”, conta-nos, acrescentando: “queremos analisar a forma como se pensa”. Depois, explicou, irá ser materializado toda esta informação em “diferentes estratégias para cada uma das áreas do risco”.
No calendário de actuação do estudo estão já apontadas diversas iniciativas: “temos previstos programas de televisão, programas de rádio, intervenções em jornais, criação de panfletos, publicação de um livro no final do trabalho, publicação de seis artigos em revistas científicas internacionais, oito artigos em revistas nacionais; 10 a 12 comunicações/encontros tanto de âmbito nacional como internacional e a organização de dois workshops, um nacional e outros internacional na ilha Terceira”, anuncia ao nosso jornal.
Para já estão definidos os riscos a serem estudados no âmbito do “Africa-Annes”. Além do risco sísmico “que será tratado na perspectiva da comunicação e da transmissão de informação”, fazem parte da pesquisa o risco de radiação electromagnética de origem natural ou antrópica. Outra das realidades tão conhecidas e populares entre os terceirenses são as touradas. “ao contrário dos riscos que surgem de forma alheia às populações, nas touradas à corda há uma submissão intencional a esse risco ”. O risco da introdução de pragas com ênfase dada às térmitas e o risco da obesidade completam a lista “de áreas muito diferentes” que serão objecto de estudo. No futuro é possível que este conjunto de riscos possa ser aumentado dado o interesse, disse o docente Félix Rodrigues, que se tem verificado: “temos tido manifestações, por parte de diversas pessoas, em participar”.
No final, conta o docente, o que se espera do conjunto de iniciativas a promover é “saber formar para agir sobre os riscos”. “Queremos que os resultados sirvam para os decisores saberem não só comunicarem os riscos à opinião pública como para estabelecerem planos de acção”, disse o investigador. “O objectivo é encontrar ferramentas para apoiar a decisão e a forma de comunicação relativa aos diferentes tipos de risco”. Neste capítulo, a realidade insular revela-se propícia ao trabalho que está já planeado uma vez que a investigação vai incidir sobre riscos com maior propensão a nível regional, mas a realidade nacional também será abordada, “fazendo uso da especificidade da Região que permite isolar determinadas situações risco”. A denominação de “Africa-Annes”, explicou ainda o especialista, deriva de uma personagem literária, proveniente de uma obra da escritora açoriana Madalena Ferran que conta a história de uma mulher, proveniente de Tânger, que chegou aos Açores no século XIV e deparou-se com um conjunto de fenómenos que apresentavam riscos que carecem explicação: “o nome encaixa-se perfeitamente do projecto”.

(In A União)

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quinta-feira, outubro 11, 2007

Biogeografia Insular

Os professores Paulo Borges e Rosalina Gabriel, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores participaram no simpósio de Harvard, Estados Unidos da América, onde se comemoravam os 40 anos da publicação da teoria "Island Biogeography", sendo o maior evento relacionado com a Biogeografia Insular, no momento.
No evento que decorreu entre 5 e 6 de Outubro abordaram-se temas como a "Micro-evolução da forma em ilhas", "Ilhas como local de acolhimento de espécies", "Selecção natural e especiação em ilhas", "Especiação e dinâmica de colonização de arquipélagos" e muitos outros aspectos específicos da biologia insular e da biogeografia.

A Teoria da "biogeografia insular" afirma que o número de espécies que se encontram em equilíbrio biológico numa ilha é determinado por dois factores: pelo efeito da distância ao continente e pela dimensão da ilha, que condicionam a taxa de extinção e o nível de imigração de espécies. Assim sendo, as ilhas próximas do continente Africano, como por exemplo as Canárias, têm possibilidade de receber maior número de espécies imigrantes do que os Açores, localizados no Centro do Atlântico Norte. Nas ilhas pequenas, a taxa de extinção é mais elevada do que nas ilhas maiores. A teoria da Biogeografia insular" foi testada, em campo, na Florida.
Neste evento, que contou com a presença de Edward O. Wilson, um dos autores da teoria e professor da Universidade de Harvard, participaram cerca de 250 cientistas de todo o mundo, com interesses tanto na área da biogeografia insular como na área do estudo da evolução de espécies.

(In Azores Digital e Jornal Diário)

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terça-feira, setembro 11, 2007

Açorianos colocam valores ambientais em primeiro lugar

Dois em cada três dos açorianos colocam os valores ambientais acima do que as professoras Emiliana Silva e Rosalina Gabriel, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, classificam como "visão antropocêntrica", valorizando a protecção do ambiente face a elementos como o consumismo ou a criação de empreendimentos que possam agredir a natureza.
A percentagem de açorianos que colocam o ambiente em primeiro lugar é de 61 por cento, com uma maior incidência na camada mais jovem, avançam as autoras do inquérito. Deste modo, concluem que "as atitudes dos açorianos estão em concordância com o Novo Paradigma Ambiental".
O estudo "Growing Up: An Environmental Challenge after 45 years old" (Crescer: Um desafio ambiental após os 45 anos de idade) baseou-se num inquérito realizado a 600 habitantes do arquipélago, divididos entre Terceira e São Miguel. O estudo englobou indivíduos dos 18 anos de idade até aos mais de 45 anos e foi realizado em Fevereiro e Março de 2005.
Os resultados foram apresentados pelas autoras na conferência Internacional, intitulada "Sustainavility in Pratice", realizada em Londres.
(In Diário Insular)

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sexta-feira, setembro 07, 2007

Sustainability in Pratice - Conferência Internacional que decorre em Londres

Duas Professoras do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores desenvolveram um projecto de investigação com o propósito de identificar as atitudes ambientais dos açorianos e promover a cidadania pró-activa. Parte dos resultados desta investigação e de outras investigações levadas a cabo por docentes do Departamento de Ciências Agrárias e Ciências da Educação da Universidade dos Açores foram apresentados na Conferência Internacional, realizada em Londres ontem e hoje, dias 6 e 7 de Setembro, intitulada "Sustainability in Practice". No estudo das Professoras Emiliana Silva e Rosalina Gabriel verificou-se que os açorianos mais velhos revelam ter valores ambientais menos significativos do que os outros grupos etários estudados, nas três classes testadas (dos 18 aos 25 anos; dos 26 aos 45 anos e com mais de 45 de idade), o que quer dizer que o seu nível de interesses ambientais é mais baixo do que os mais novos. No entanto, todos os inquiridos revelavam níveis moderados e elevados de valores ambientais.
Outra comunicação apresentada na conferência de Londres, da autoria das Professoras Ana Arroz, Rosalina Gabriel, Cristina Palos e da Mestre Luzia Rodrigues, tinha como título "O nosso futuro desenhado pelas crianças: Imagens ambientais e preocupações". Nessa comunicação, os investigadores referem que a infância é geralmente retratada como um estádio feliz da vida, caracterizado pela existência de um sentido de segurança e de confiança, no entanto, as crianças são capazes de reflectir sobre o mundo e fenómenos abstractos. A comunicação resulta de uma investigação levada a cabo na Universidade dos Açores sobre as perspectivas ambientais das crianças e do futuro, tentando captar as suas expectativas. Notam-se três tendências distintas nas visões das crianças acerca do ambiente e do futuro: 1- Que o mundo mudará devido à tecnologia, sem qualquer concepção negativa do ambiente ou do futuro, 2- Que o ambiente entrará num processo de deterioração, devido ao envelhecimento da terra e aos fenómenos de poluição e 3- Que o mundo será um local cada vez mais arriscado para se viver.
A última comunicação apresentada, da autoria dos Professores Ana Arroz, Cristina Palos, Isabel Estrela Rego e Paulo Borges, centrava-se na análise do esforço necessário e conjunto da Ciência, da Sociedade, Políticos e Media, para gestão adequada do risco de infestação das habitações açorianas por térmitas.Segundo aqueles investigadores, a praga das térmitas nos Açores está longe de ser controlada e que a maioria dos Açorianos não têm uma percepção adequada dos riscos associados a esta praga urbana.

(In Diário dos Açores, Jornal Diário)

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