domingo, agosto 24, 2008

Universidades na internet: Espanha e Portugal

Gracias a la lista inicial, publicada por Fernando Santos de Oliveira en aonp.org.br, nos atrevimos a completar y presentar esta relación de enlaces a importantes universidades y centros relacionados con estudios superiores en Latinoamérica, España y Portugal, la cual, seguramente, tampoco es la lista completa de casas de estudio en las mencionadas regiones, por lo que sugerimos al lector sugerirnos las faltantes. Nosotros y futuros visitantes lo agradecerán.
Por lo extensa, la lista completa la hemos dividido en tres partes, para su mejor manejo, Centroamérica y México, Suramérica y España y Portugal. Esta página corresponde a las
UNIVERSIDADES EN ESPAÑA Y PORTUGAL
Universidades en España
Universidad de Alcalá de Henares Universidad de Sevilla Conferencia de Rectores de Ias Universidades de España Universidad de Deusto Universidad de País Vasco Universidad San Pablo C.E.U. Universidad de Alicante Universitat Autónoma de Barcelona Universidad de Almería Universidad Autónoma de Madrid Universidad Alfonso El Sabio Universidad de Barcelona Universidad de Burgos Universidad Carlos III Universidad de Cádiz Universidad de Castilla-La Mancha Universidad Complutense Universidad de Córdoba Universidad de A. Coruña Universidad de Girona Universidad de Lleida Universidad Europea de Madrid Universidad de Granada Universidad de Huelva Universidad de Ias lslas Baleares Universidad Intemacional Menéndez Pelayo Universidad de Jaén Universidad Jaume I Universidad de La Laguna Universidad de Las Palmas de Gran Canaria Universidad de Murcia Universidad de Málaga Universidad de Navarra Universidad Nacional E.D. Universidad de Extremadura Universidad Internacional de Andalucía Universidad de Cantabria Universidad de León Universidad de Oviedo Universidad de La Rioja Universidad de Zaragoza Universidad Antonio de Nebrija Universidad Abierta de Catalunya Universidad Politécnica de Catalunya Universidad Pontificia de Comillas Universidad Pompeu Fabra Universidad Politécnica de Madrid Universidad Pública de Navarra Universidad Pontificia de Salamanca Universidad Politécnica de Valencia Universidad Rey Juan Carlos Universidad Rmnóli Llull Universidad Rovira i Virgili Universidad de Salamanca Universidad de Santiago de Compostela Universidad de Valencia Universidad de Vailadolid Universidad de Vigo
Universidades en Portugal
Universidade dos Açores Universidade do Algarve Universidade de Aveiro Universidade da Beira Interior Universidade Católica Portuguesa Universidade de Coimbra Universidade de Evora Universidade de Lisboa Universidade Lusíada Universidade da Madelra Universidade de Minho Universidade Nova de Lisboa Universidade do Porto Universidade Portucalense Universidade Técnica de Lisboa Universidad de Tras-os-Montes e Alto Douro
(In Sociedad & Tecnologia)

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quarta-feira, junho 11, 2008

Costa Portuguesa com tubarões

A costa portuguesa tem mais de trinta espécies diferentes de tubarões, entre elas o famoso tubarão-branco que costuma passear-se nas águas do mediterrâneo junto ao Algarve.
A prova disso mesmo são os números da FAO – Organização para a Agricultura e Alimentação, das Nações Unidas – que coloca Portugal entre os países que mais tubarões e raias captura por ano: mais de 15 toneladas.
"A costa portuguesa está cheia de tubarões. Apesar da abundância de espécies, o número de exemplares tem vindo a diminuir, muito por culpa da pesca excessiva", explica o biólogo marinho João Pedro Correia, especialista em tubarões, autor da investigação ‘Pesca Comercial de Tubarões e Raias em Portugal’.
No topo das espécies mais frequentes na costa portuguesa encontram-se o tubarão-azul, o tubarão-anequim e o gigante tubarão-frade. "Aparecem toneladas de tubarões-azuis nas nossas docas, capturados por engano pelas redes dos pescadores", afirma o biólogo, também conselheiro do Oceanário de Lisboa, sublinhando que "é cada vez mais frequente serem encontradas espécies, tipicamente características das zonas tropicais, em latitudes acima da de Portugal".
Segundo o especialista, esta situação acontece devido ao aquecimento global e ao aumento da temperatura média do mar.

"Não é um problema que afecte somente os tubarões. As pessoas ainda não se mentalizaram de que o aquecimento global existe mesmo e que já se faz notar há muitos anos. Há uns tempos foram encontrados espadartes em Inglaterra, uma coisa impensável", esclareceu.


"HIPÓTESE DE ATAQUE É MÍNIMA" (João Pedro Barreiros Biólogo Marinho do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores)


Correio da Manhã – Qual a probabilidade de se ser atacado por um tubarão?
João Pedro Barreiros – É mínima. É quase mais provável ganhar-se o Euromilhões semana sim semana não, até ao final da vida, do que ser-se atacado por um tubarão numa praia portuguesa.
– Quantos há e onde é que costumam atacar?
– Por ano são feitos cerca de cem ataques em todo o Mundo, dos quais apenas 30 são fatais. Concentram-se em quatro ou cinco zonas do Planeta: Recife, no Brasil; Califórnia e Flórida, nos Estados Unidos; Austrália e África do Sul.
– Quais são as espécies mais perigosas?
– O tubarão-tigre, branco e touro. Estes três representam cerca de 95 por cento dos ataques.
OS MAIS COMUNS
Tubarão Azul: Mede até 4 metros e pesa 390 kg.
Tubarão-Anequim: Mede até 3 metros e pesa 200 kg.
Tubarão-frade: Pode medir até 10 metros e pesar cerca de 5 toneladas.
APONTAMENTOS
BANHISTAS TRANQUILOS
As praias portuguesas não são atractivas para os tubarões por serem arenosas ou rochosas.
DISTANTES DOS AREAIS
A maioria dos tubarões não se aproxima das zonas de baixa profundidade.
GIGANTES NAS REDES
Em 2006, pescadores de Sesimbra capturaram um tubarão-frade com 7 metros.
(In Correio da Manhã)

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sexta-feira, junho 06, 2008

Comissão Europeia quer estancar fuga de cientistas

São os novos emigrantes, profissionais altamente qualificados, caros a cada um dos estados membros e acolhidos no estrangeiros a custo zero
Não se trata ainda de uma directiva, mas apenas de uma recomendação da Comissão Europeia aos estados membros e agora publicada, no sentido dos responsáveis europeus terem como dever estancar as hemorragias de cientistas para os Estados Unidos da América, Canadá, Índia, Brasil e Pacífico. Portugal não é uma excepção a este problema, conforme afirma André Levi, Presidente da Associação de Bolseiros de Investigação Científica e o divórcio entre a Ciência e o mundo empresarial é evidente para este cientista.Os investigadores portugueses apenas pretendem que Portugal inicie a aplicação da Carta Europeia do Investigador e o Código de Conduta para o recrutamento de investigadores, dois documentos fundamentais, aprovados em 2005 e ainda sem consequências. A Universidade dos Açores não foge à regra e não tem capacidade para fixar todos os seus bolseiros e encontrar lugar como cientista no arquipélago, tendo alguns deles optado por outras profissões como cozinheiros e carteiros. É exactamente contra a necessidade de procurarem empregos noutros sectores e contra a fuga de cérebros para o estrangeiro que a Comissão Europeia se posiciona, num documento agora enviado aos Estados Membros e inscrito no " Livro Verde para a Investigação na Europa ".
(In RTP-RDP Açores)

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segunda-feira, abril 28, 2008

Tirar um curso superior compensa

Portugal é um dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) onde é financeiramente mais vantajoso tirar um curso superior, segundo um estudo internacional que será divulgado esta quinta-feira em Lisboa, refere a Lusa.
De acordo com o documento «O Ensino Superior na Sociedade do Conhecimento», realizado pela OCDE, uma licenciada em Portugal ganha, em termos líquidos, mais dez por cento do que uma mulher que só tenha concluído o ensino secundário.
No caso dos homens, a diferença não é tão acentuada, mas, ainda assim, ronda os oito por cento.
«Frequentar o ensino superior é altamente rentável do ponto de vista individual», salienta o estudo, que aponta Portugal como um dos países onde é mais rentável ter um «canudo», a par do Reino Unido, Irlanda e Finlândia.
Retorno para as mulheres é maior
O relatório, realizado em 24 países ao longo de três anos, indica ainda que no caso das mulheres com habilitações superiores a percentagem de retorno face ao investimento feito num curso é superior à dos homens.
No caso delas, o valor fica acima dos 13 por cento, o segundo mais elevado da OCDE, enquanto no dos licenciados portugueses não vai além dos 11 por cento, o quarto melhor registo.
Segundo a Organização, a diferença nos salários entre diplomados e não diplomados reflecte-se não só à entrada no mercado de trabalho, mas também ao longo de toda a carreira.
Mas as vantagens não são apenas financeiras. O estudo aponta igualmente benefícios sociais, como uma melhor saúde individual e familiar, um mais elevado desenvolvimento cognitivo dos filhos e melhores condições no local de trabalho, apesar de estes factores serem mais difíceis de quantificar.
Os países também lucram
Os ganhos em tirar um curso superior não são só individuais. Os países também lucram, já que elevadas taxas de diplomados ajudam indirectamente à diminuição da mortalidade infantil, aumento da esperança de vida e redução da pobreza, assim como na diminuição da taxa de crimes e numa maior estabilidade política e democratização.
Estes são alguns dos dados constantes do estudo «O Ensino Superior na Sociedade do Conhecimento», que será apresentado quinta e sexta-feira em Lisboa, numa conferência internacional que contará com a presença do ministro do Ensino Superior, Mariano Gago.

(In Portugal Diário)

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Ensino Superior: Portugal é "exemplo positivo"

O ministro do Ensino Superior, Mariano Gago, desvalorizou esta quinta-feira a referência da OCDE a Portugal como um país onde tem diminuído o investimento público no Ensino Superior, considerando que as instituições têm conseguido atrair investimento privado, noticia a Lusa.
À margem da apresentação de um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) sobre «O Ensino Superior na Sociedade do Conhecimento», Mariano Gago salientou que «o relatório analisa o financiamento do ensino superior de 24 países e ele decresceu por aluno em quase todos esses países».
«Verifica-se que, se é que o financiamento público decresceu ligeiramente em Portugal na última década, também aumentou significativamente a possibilidade de as instituições do ensino superior atraírem investimentos privados, coisa que não acontecia em Portugal há uma década atrás», disse, salientando que o relatório apresenta «Portugal, em muitos aspectos, como um exemplo positivo de reformas».
O relatório, realizado nos 24 países da OCDE ao longo de três anos, indica que Portugal é um dos países da OCDE onde é financeiramente mais vantajoso tirar um curso superior, acrescentando que as vantagens não são apenas financeiras.
Os países também lucram, já que elevadas taxas de diplomados ajudam indirectamente à diminuição da mortalidade infantil, aumento da esperança de vida e redução da pobreza, assim como na diminuição da taxa de crimes e numa maior estabilidade política e democratização, indica ainda o documento.
Sobre Portugal, o relatório aborda em termos comparativos a reforma em curso no ensino superior, nomeadamente o reforço da autonomia das instituições e a possibilidade da criação de fundações públicas com regime de direito privado e o reforço do sistema binário entre Universidades e Politécnicos.
Salienta ainda como pontos positivos o novo regime de acesso de adultos ao ensino superior, o crescimento de diplomados em ciência e tecnologia e a criação de um sistema independente de acreditação e avaliação da qualidade dos cursos e instituições.
No entanto, e apesar dos resultados favoráveis, Mariano Gago reconhece que «Portugal chegou tarde à ciência e chegou tarde à educação superior».
(In Portugal Diário)

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sexta-feira, janeiro 11, 2008

Avaliação Custo/Benefício do Plano Nacional de Acção Ambiente e Saúde

Há uma equipa de quatro pessoas do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores a fazer mil questionários por todo o país com a duração de quarenta minutos cada um.
Os inquéritos são feitos no âmbito da Análise Custo/Benefício do Plano Nacional de Acção Ambiente e Saúde 2007-2013 que foi adjudicado à Universidade dos Açores pela Agência Nacional de Ambiente e pela Direcção Geral de Saúde.
Nos primeiros dias fizemos duzentos inquéritos na Periferia de Lisboa. Já estivémos em Cacilhas, no primeiro dia ao fim da tarde; em Linda a Velha, Caxias, Oeiras, São Domingos de Rana, Birre e Cascais no segundo dia; no domingo, fizémos Queijas, Cacém, Rio de Mouro e Massamá.
Na segunda-feira deslocamo-nos para a Outra-Banda para abranger o Barreiro, o Lavradio, Sesimbra, Almada e Costa da Caparica; e na terça-feira atacamos Loures.
Como vêem fazimos um cerco completo a Lisboa. Lisboa ficará para depois de darmos a volta a Portugal subindo pelo litoral, descendo pelo interior do país e passando pelo Alentejo e pelo Algarve.
Está alguém na Madeira a fazer quarenta questionários e também teremos de fazer trinta e cinco em Ponta Delgada, Ribeira Grande e Angra do Heroísmo.
Para além do interesse directo do estudo, que nos trará resultados para daqui a três meses, tem igualmente interesse ir percebendo o que acontece no país pela interacção com as pessoas e com os sítios. Inicialmente pensávamos que tinhamos mais sucesso de “pescar” entrevistados nos centros comerciais. Mas enganámo-nos.
As meninas das lojas quando não atendem os clientes estão entretidas a conversar umas com as outras e não têm tempo para ser entrevistadas. Os clientes que se passeiam entre as lojas também não demonstram grande capacidade para a conversa.
E é assim que passámos a interpelar as pessoas nas lojas fora dos centros comerciais, nos cafés, nas igrejas e nos jardins públicos. Começou a ser mais fácil.
Também nos começamos a aperceber que, muitas vezes, a simpatia das pessoas compensa muitas vezes a beleza dos sítios. Oeiras tem uma beleza mediana mas as pessoas têm muito mais dificuldade de serem entrevistadas do que no Cacém que não deve grande coisa à beleza, como terra. Cascais é muito bonito mas a vivência e simpatia de São Domingos de Rana, na pequena amostragem que fizemos no sábado, compensa com naturalidade a fama paisagística de Cascais.
Birre tem um núcleo antigo muito pequeno mas foi lá que encontrámos pessoas interessantes e mais interessadas no inquérito.
Várias coisas foram surpresa neste passeio pelos arredores de Lisboa. Por um lado, a qualidade de vida que se pode ter no Centro Urbano de Cacilhas. Trata-se de uma espécie de pequena Alfama voltada a Sul mas com vista para uma das melhores paisagens do mundo – a silhueta de Lisboa.
Por outro lado, a enorme e vibrante vivência das comunidades cristãs na periferia de Lisboa. A Igreja de Queijas estava cheia muito antes do padre chegar vindo de Linda a Velha para rezar a missa. Uma das Igrejas do Cacém estava a abarrotar de gente alegre e com um coro magnífico que se preparava para partir para um concurso ibérico de coros. A bonita Igreja de São Domingos de Rana, no sábado, estava cheia de movimentos de jovens e de escuteiros. E nós a pensar que a perferida de Lisboa não ia à missa e não se envolvia na comunidade. Que erro?
Mas a novidade mais interessante que vos trago deste passeio tem a ver com uma das entrevistas que fiz. Tratava-se de um guinense doutorado na União Soviética onde passou vários anos e que agora está a trabalhar na construção civil em Portugal para sustentar parte da família que se encontra na Guiné.
O conhecimento e sabedoria com que respondeu ao questionário deixaram-me maravilhado. Cada resposta tinha um porquê, cada encadeamento de respostas uma lógica de coerência.
E, apesar de tantas explicações interessantes, acabou por demorar o mesmo tempo que os outros. É pena que os melhores de África estejam fora dela.


(Prof Tomaz Dentinho In A União)

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sábado, janeiro 05, 2008

Factos de 2007

Este ano, contrariamente aquilo que é costume fazer neste jornal, A União, explicitando os acontecimentos mais importantes do ponto de vista regional, nacional e internacional, optei por seleccionar os acontecimentos que, naturalmente do meu ponto de vista, foram mais importantes para os açorianos independentemente do local e da escala onde ocorrem.
O desenvolvimento da China pode ter mais impacto na vida dos açorianos do que a propaganda em torno da Presidência Europeia protagonizada pelo Governo Português, as decisões sobre aquecimento global assumidas em Bali podem gerar mais efeitos no bem estar dos terceirenses do que qualquer anúncio de subsídio à agricultura.


ECONOMIA


O preço do petróleo atingiu os máximos históricos neste ano resultado de um aumento sustentado da procura, fruto de uma oferta menos dinâmica e devido a persistentes preocupações geopolíticas nos países produtores de petróleo. Os preços dos bens alimentares também subiram acentuadamente durante o ano de 2007. E o preço dos lacticínios nos mercados internacionais mais que duplicou ao longo dos últimos dois anos. A expectativa é que a subida de preços dos alimentos se irá manter. Primeiro, porque o aumento da procura de biocombustíveis criará mais pressão sobre os produtos agrícolas. Segundo, porque devido ao aquecimento global continuará a haver mais períodos de seca e maior risco de difusão de doenças dos animais. Finalmente porque o crescimento de países muito populosos como a Índia e a China continuará a sustentar um aumento generalizado dos preços dos alimentos e dos combustíveis.
Qual o impacto destes aumentos dos preços na vida das pessoas?
Os agricultores e industriais ligados de forma competitiva aos mercados internacionais sairão beneficiados; neste sentido Casimiro de Almeida, industrial de lacticínios no Continente português, em Espanha e nos Açores tem razões para estar contente. No entanto as populações mais pobres em todo o mundo, nomeadamente as populações em torno das grandes cidades, terão dificuldade em lidar com o aumento do preço dos alimentos e com o aumento do preço dos transportes; neste caso cresce a importância de iniciativas como o Banco Alimentar contra a Fome coordenadas por Isabel Jonet.
Finalmente as pessoas mais preocupadas com o ambiente e a biodiversidade assistirão a um aumento da pressão agrícola sobre zonas naturais ou de produção extensiva; e é assim que ganharão peso a educação e a formação em engenharia e gestão do ambiente, como tem sido defendido pelo Professor Félix Rodrigues do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.
Nos Açores a grande vantagem do aumento do preço dos lacticínios foi e será arrecadada em grande parte pela indústria transformadora uma vez que os produtores de leite, por falta de uma regulação adequada, continuarão a enfrentar as limitações de quota leiteira e situação de monopsónio que reduzem a sua capacidade negocial.
TECNOLOGIA


Se colocarmos a frase acima nos motores de busca surge-nos a referência a uma série de textos visionários dos anos oitenta e noventa do século passado. The Information Technology Revolution, de Tom Forrester (1985); The Control Revolution, de James Beniger (1986); The Information Age, de Manuel Castells (1996); até, poderia lembrar o Information Technologies and Regional Development, de Tomaz Dentinho (1995), Professor do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores. No entanto todos esses livros eram prospectivos, pegando em pequenos sinais que iam ocorrendo, interpretando-os à luz de um qualquer paradigma científico das décadas anteriores e intuindo modificações estruturais nos valores, nas instituições, nos comportamentos, nas tecnologias e no meio ambiente. Em 2007 toda essa literatura passou a ser ficção, um pouco como os textos de Júlio Verne foram para as diversas revoluções industriais. É verdade que as instituições e as regras de jogo ainda não mudaram radicalmente mas o importante é que as pessoas já mudaram, sobretudo as mais novas. Este Natal a maior parte dos presentes oferecidos foram electrónicos. A maior parte dos alunos universitários têm computador portátil. Muito mais casas têm computador e acesso à internet dez anos depois da sua disponibilização do que aquelas que tinham acesso à televisão dez anos depois do surgimento daquele poderoso meio de comunicação. Há várias mudanças estruturais associadas à difusão das novas tecnologias da informação. No entanto, aquela que experimentámos este ano de 2007 é que não se trata de difusão mas de constante reinvenção ditada pelo gosto das pessoas. As inovações não resultam de processos longos de investigação mas de verdadeiros acidentes protagonizados por “idiotas” como Evan Williams, associado à criação do Google, dos Blogs, do iTunes e do, mais recente, o Twitter, que impõe que a informação dada pelos participantes na rede seja uma resposta à pergunta “O que estás a fazer”. A ideia é magnífica porque acrescenta à rede a proximidade que lhe faltava uma vez que o pensar é global e temporal mas o fazer é local e próximo. As ideias novas são difíceis de explicar no início mas todas as inovações parecem óbvias quando olhadas de frente para trás, tal como o ovo de Colombo. Talvez por isso todas estas inovações são rapidamente assumidas pelos mais novos como se todos os seus desejos pudessem ser tornados realidade com o potencial das novas tecnologias da informação.


AMBIENTE


O número de eventos noticiados associados a desastres naturais aumentou de 200 na década de noventa para 400 na década actual. Independentemente da relação entre o aumento destas catástrofes e o aumento registado da temperature do planeta a verdade é que tem crescido a preocupação da população do mundo face aos problemas relacionados com o aquecimento global. De acordo com o Economist as últimas horas da Conferência de Bali sobre Aquecimento Global foram emociantes. De um lado os Americanos e os seus aliados. Do outro os Europeus e os seus apoiantes. Quem salvou a situação foi Kevin Conrald da Papua Nova Guiné que enfrentou os Americanos dizendo ao microfone “Se por alguma razão não são capazes de liderar a resolução deste problema deixem que nós o resolvamos e, por favor, saiam da nossa frente”. O aplauso foi tão forte que a representante dos Estados Unidos teve de alinhar com todos os outros dizendo que “Os Americanos irão para a frente para formar um consenso”. Na verdade nada mudou para além da intensão de implementar um projecto piloto para investigar como paramos com a deflorestação tropical já que tudo o mais ficou à espera dos resultados das eleições americanas do próximo ano. Os únicos avanços são iniciativas regionais como o projecto europeu de fixar limites nas emissões gases dos automóveis ou a proposta da Califórnia em utilizar combustível com baixo conteúdo em carbono. Objectivamente esta não é a melhor forma de resolver o problema pois pode resultar num amontoar de regulamentos demagógicos, contraproducentes e ineficientes como acontece com a maior parte dos regulamentos ambientais.
Qual o impacto destas políticas nos Açores?
Por um lado vamos ter preços dos transportes mais elevados pois o combustível a utilizar será mais caro ou mais taxado. Por outro lado temos a grande oportunidade de lançar processos de desenvolvimento baseados em energias alternativas que abundam nas ilhas, como a energia eólica, geotérmica e das ondas. O problema é que a política energética continua a ser dominada pelas entidades mais centralizadoras e monopolistas como a EDP e a EDA. Houvesse coragem política para liberalizar totalmente a produção de energia e certamente os efeitos conseguidos seriam bastante maiores do que aqueles que se têm alcançado. O problema está na organização de mercados de energia renovável e não tanto na adopção de projectos megalómanos e centralizadores de energias renováveis. Entretanto outras questões ambientais menos mediatizados como gestão da água, dos resíduos sólidos e dos recursos marinhos continuarão a gravar-se pois perturbam mais os mais pobres do que os mais ricos.


POLÍTICA


Um dos factos mais revelantes de 2007 foi a comprovação da falência do paradigma do Bloco Central em Portugal. As decisões estratégicas dos governos, como o aeroporto da Ota, têm fundamentos tão fracos que são postos em causa e derrotadas por teses de mestrado e por estudos da confederação do comércio; o sistema bancário privado que julgávamos acima de qualquer suspeita é desmascarado por dois ou três articulistas; a política externa do governo é comandada pela Chanceler Alemã e glorificada como tal; e as acções internas da governação limitam-se a transferir para a esfera privada as Estradas de Portugal, a manter a elevadíssima carga fiscal e a fazer operações de costémica mediatizada com uma arrogante centralização de serviços do Estado. Tudo isto sem que as oposições apresentem soluções alternativas. Tudo isto sem que a comunicação social se reveja. Tudo isto sem que a juventude se manifeste. A solução é emigrar. Nos anos setenta os irlandeses com um nível de desenvolvimento semelhante ao nosso, ganham agora três vezes mais do que nós e crescem a um ritmo mais rápido. Há poucos anos a Grécia tinha um rendimento per capita inferior ao nosso. Agora, de acordo com o Fundo Monetário Internacional, o rendimento per capita grego é 50% superior ao de Portugal. O que é mais grave é que as projecções para 2008 não são nada animadoras nem dá mostras que em 2009 a coisa possa melhorar.

Como é que os Açores se situam neste panorama?
Para que o Partido Socialista ganhe as eleições de 2008 estão previstos aumentos consideráveis das transferência públicas proveninentes do Continente e da Europa. No entanto, é expectável que venha a haver uma redução dessas verbas nos anos subsequentes. E como a evolução do produto regional depende em grande parte da variação das transferências externas não é previsível que o desempenho da economia dos Açores seja muito diferente do desempenho da economia portuguesa. Tanto mais quando o Governo Regional insiste em manter a economia amordaçada com transportes marítimos e aéreos em regime de monopólio, com restrições à produção de leite e com venda dos recursos piscícolas.
(In A União)

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sexta-feira, dezembro 14, 2007

Periferias e Espaços Rurais

O livro “Periferias e Espaços Rurais”, editado por Tomaz Dentinho docente do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e Orlando Rodrigues, Presidente da Sociedade Portuguesa de Estudos Rurais foi apresentado ontem na Associação Agrícola de São Miguel. A obra reúne as actas do II Congresso de Estudos Rurais, realizado em Angra do Heroísmo, e que contou com a presença de mais de 200 pessoas, e onde se apresentaram 35 textos, tendo sido seleccionados 22 desses textos para este livro. A apresentação da obra esteve a cargo de Fernando Lopes, professor universitário e antigo secretário regional da Agricultura, que destacou o facto de o espaço rural ter ganho terreno a outras actividades, nomeadamente vocacionadas para o lazer, em virtude da “reclassificação do uso da terra para estes fins”. Fernando Lopes adiantou que assim como a agricultura teve um impacto que os ambientalistas vêm avaliar, também as novas actividades têm impacto no território, como as urbanizações, os parques industriais e campos de golfe devem ser devidamente avaliadas. Tomaz Dentinho disse que o desenvolvimento rural é uma “problemática interessante porque vai para além da economia, analisando as vilas e aldeias que dependem da agricultura mas que têm vida para além da agricultura”. Segundo referiu, “toda a política de demarcação de áreas protegidas e toda a política ambiental é, “de alguma forma, posta em causa por estes pequenos estudos”.
(In Diário Insular)
Conforme diz o Orlando Rodrigues, co-editor do livro “Periferias e Espaços Rurais”, uma selecção de textos sobre o mundo rural constitui uma oportunidade maior para reequacionar os problemas específicos das regiões periféricas e os mecanismos institucionais, económicos e sociais que, em interacção com as particularidades geográficas e naturais, são responsáveis pelo desenho do espaço, do seu desenvolvimento e das suas desigualdades. A publicação destes trabalhos responde a algumas destas inquietações. Numa primeira parte, mais centrada sobre as questões agrícolas, evidenciam-se sinais de resistência ou de reemergência de actividades e de sectores marginais ou periféricos que podem encerrar um elevado potencial de geração de riqueza e de competitividade pela diferenciação. O que acontecerá às regiões mais periféricas, as zonas de montanha e as ilhas, principalmente as ilhas ditas “de baixo”? Como aprendemos nestes textos os factores de resiliência e de base de desenvolvimento são as gentes, as empresas, as instituições e as tecnologias locais. As pessoas que vivem das reformas e da produção de gado, as empresas que se ligam em redes horizontais e verticais, as instituições como o regime de baldios e as regulações de propriedade, e as tecnologias como as dos lameiros no Norte e dos produtos com denominação de origem. Na segunda parte do livro focam-se os problemas da sustentabilidade ambiental e do próprio ambiente enquanto gerador de riqueza e de produções transaccionáveis no mercado – as amenidades ambientais. O ajustamento das políticas de promoção do ambiente dirigidas a regiões periféricas, em boa parte catalogáveis enquanto políticas de coesão, é largamente discutido ao longo desta parte. Paradoxalmente, o que parece verificar-se é que os grupos que são fortemente contra a criação de áreas protegidas são também aqueles que manifestam uma marcada identidade regional e sentido de pertença. Se associarmos isto ao facto de os grupos ambientais serem também aqueles que têm maior participação pública e que as atitudes face ao meio ambiente da população estão associados aos seus próprios valores, então podemos explicitar a hipótese de que a escolha pública das áreas protegidas carece de ser redefinida, tanto mais que o posicionamento ambiental varia fortemente com as gerações e com as regiões. Por fim, a terceira parte centra-se sobre o social no rural periférico: múltiplas dimensões são aqui esclarecidas, em particular as dinâmicas das redes sociais e os problemas relacionados com a educação, com os idosos e com os fenómenos migratórios. O que se conclui é que os sítios acabam por integrar as pessoas que neles optam por residir, e ao longo desse processo de integração dá-se uma redução das ligações externas dos imigrantes que implicam um aumento das ligações internas.
No lançamento deste livro estiveram presentes o Secretário Regional da Agricultura dos Açores, Noé Rodrigues, o Presidente da Associação de Agricultores da ilha de São Miguel, Jorge Rita e os professores da Universidade dos Açores Mário Fortuna e Fernando Lopes.
Foi uma sessão muito esclarecedora. Por um lado para explicitar os novos conflitos e complementaridades do mundo rural – entre a produção agrícola e a provisão de serviços ambientais, entre o turismo e a especulação própria da expansão das actividades urbanas para o espaço rural. Por outro lado para rever a estratégia de política agrícola para os Açores: foi bom ou mau apoiar as cooperativas nos anos noventa quando acabaram por cair na mão de capital externo à Região? É bom ou mau ter vacas deste tipo ou de outro? Bom é ter uma Região onde pessoas com várias perspectivas se podem sentar à mesma mesa a conversar sobre temas que interessam a todos.

(In A União)

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sexta-feira, outubro 19, 2007

Tubarões em Portugal

Tem sido cada vez mais frequentes os relatos da existência de tubarões em águas territoriais portuguesas. O desconhecimento do comportamento desses animais tem feito com algumas pessoas entrem em pânico, e outras, como pescadores, que os tentam agredir ou mesmo matar.
Nos últimos anos o porto de Sesimbra tem sido palco de vários achados. Em 2005 deu à costa um tubarão-azul com cerca de quatro metros e uma lula gigante com 30 quilos. Em 2006 apareceu um peixe tipo espada com 50 quilos e ainda um tubarão-frade com cerca de sete metros e 2,5 toneladas. Este último foi rebocado por quatro pescadores, a 28 milhas do Cabo Espichel e a uma profundidade de 520 braças, aproximadamente 950 metros. Esteve no porto, de onde foi içado e transportado para o aterro sanitário daquela zona.
João Pedro Barreiros, Biólogo marinho do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, em entrevista ao Correio da Manhã afirma que: O tubarão-martelo é um animal carnívoro e que em quatro das suas espécies são conhecidos ataques ao homem. Mas a possibilidade de isso acontecer é muito baixa. Mesmo nos mais perigosos (branco, touro e tigre) já avistados no Continente os ataques são raríssimos, acontecendo 30 por ano, em todo o Mundo.
– O tubarão-martelo é frequente na nossa costa?
– Não direi frequente, mas ocorre. O mais comum é o tintureira.
– É possível traçar a rota deste tubarão?
- Faltam estudos sobre a circulação de tubarões na nossa costa. Pode ser residente ou integrar uma corrente migratória.
– Já foi atacado por tubarões?
– Umas cinco vezes, mas sem gravidade. Em 1996 um mordeu-me de raspão na perna.
400 quilos pesam os tubarões-martelo mais robustos, que chegam a atingir os seis metros. Alimentam-se de peixes e lulas e vivem em cardumes em águas quentes e mornas. 32 espécie de tubarões distintos existem em Portugal. Só é possível quantificá-los a partir do número que desembarca nas lotas, sendo esta a estimativa oficial.
No Canal de São Jorge e no Canal do Faial – locais onde se avistam tubarões com regularidade – têm sido capturados, nos últimos anos, tubarões brancos.


As espécies mais comuns nas águas portuguesas são os tintureiras ou tubarão-azul, os cações e os touros. Estes últimos movimentam-se a uma profundidade de apenas 200 a 300 metros, isto é, inferior a outras espécies.
Segundo o ‘The International Shark Attack Files’, o tubarão-martelo já atacou por 30 vezes o homem, mas não são conhecidos casos mortais.

(In Correio da Manhã)

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quinta-feira, setembro 20, 2007

Alterações climáticas globais - Uma agenda sempre actual

Decorreu no Salão Nobre da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, e presenciada por alunos do ensino secundário, uma palestra sobre alterações climáticas que pretendeu alertar para as preocupações prementes da climatologia. Para o docente Eduardo Brito de Azevedo do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, trata-se cada vez mais de uma questão incontornável e universal. Esta é uma discussão está na ordem do dia, enfatizou, e que não está subjacente, defendeu, a qualquer agenda política. Caso disso, está na catástrofe vivida pelos Estados Unidos da América, com a devastação levada a cabo pelo furacão Katrina, que foi referenciada pelo académico como um alertar de consciências naquele país: o furacão Katrina despoletou a política americana a inverter a sua posição nessa matéria. Porém, o poder de destruição levado a cabo por fenómenos climáticos já era previsto pelos especialistas há já algum tempo: alguns dias antes do furacão, um artigo na «Nature» já indicava que esse era um fenómeno previsível dadas as alterações da circulação termoalina, ou seja, o movimento das correntes oceânicas que redistribuem as temperaturas por todo o planeta. As evidências já estavam aí, reforçou. O aumento dos fenómenos climáticos de grande visibilidade, como os furacões, está interligado a outras variáveis que ao longo dos anos têm assumido uma cada vez maior visibilidade, como o aumento de períodos de seca, o degelo dos glaciares, etc.
Eduardo Brito de Azevedo refere que os Açores são um sítio privilegiado para o estudo da climatologia a nível global e que a partilha de estudos, e de dados relativos a este campo do saber já têm sido e estão a ser desenvolvidos, exemplificando com o projecto de medição da concentração de dióxido de carbono e de outros gases, a decorrer no cimo da ilha do Pico e na Serreta na Terceira, cujos dados são usados pelo National Oceanic & Atmospheric Administration (NOAA) ou pelos resultados do SIAM (Climate Change in Portugal) que efectua previsões do clima para o país e ilhas.
Tratando-se esta conferência de uma iniciativa inserida numa campanha dissuasora do uso de combustíveis fósseis, o especialista chama a atenção para a ligação directa entre o gases emitidos pela circulação automóvel e o aumento do efeito do estufa: se cada pessoa se libertasse, ainda que por apenas algum tempo, do uso do seu automóvel, poderia estar a contribuir individualmente para a diminuição do efeito de estufa.
À semelhança do resto do mundo, as alterações climática também vão ser sentidas nos Açores. Mais calor, chuvas mais intensas, aumento do nível do mar este é o quadro generalizado para o país e para as ilhas. As três principais variáveis: temperatura, precipitação e nível do mar sofrerão modificações no decorrer das próximas décadas. Apesar de ser a região do país que apresenta as menores alterações climáticas, os Açores vão ver aumentadas as suas temperaturas em 1 a 2 graus até final deste século. A título comparativo, existem outros pontos do no interior do país que, por exemplo, apontam para um acréscimo da temperatura que oscila entre os 5 e 6 graus. Quanto à precipitação, o cenário moderado é igual, não se prevendo grande variação anual, porém, a sua redistribuição ao longo do ano alterar-se-á, facto que fará com que as chuvas se concentrem nos meses de Inverno, projectando-se Verões mais secos. Em relação ao nível do mar, os estudos feitos apontam para um aumento de 50 cm para todo o país.
As alterações relativas do clima nos Açores tem a seu favor, referem os especialista, o papel modelador e moderador do oceano nas temperaturas insulares. Porém, ficam em alerta os perigos associados à erosão provocada pelas chuvadas fortes sobre os solos insulares, com particular destaque para o surgimento de deslizamento de terras. As secas do Verão, por seu turno, poderão trazer consequências para a ocupação em termos económicos desse solo. Com apresentação de resultados prevista para o fim deste mês, estão as previsões climáticas da Madeira que apontam para um agravamento das condições de tempo. As projecções apontam para uma grande diminuição da precipitação anual que terá impacto nos recursos hídricos. Estes são dados apurados no âmbito do SIAM (Climate Change in Portugal - Scenarios, Impacts and Adaptation Measures) que iniciado em 1999, fez uma previsão até 2100 dos cenários climáticos não só para o território nacional, como das regiões insulares.
Avaliar os impactos sobre um conjunto de sectores sócio-económicos e sistemas biofísicos tão variados como os recursos hídricos, as zonas costeiras, a agricultura, saúde humana, energia, florestas e biodiversidade e pescas foi o principal objectivo desenvolvido por diversos investigadores e instituições.

(In A União)

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sábado, setembro 15, 2007

Recursos, Desenvolvimento e Ordenamento

O tema do congresso deste ano da Associação Portuguesa de Desenvolvimento Regional é "Recursos, Desenvolvimento e Ordenamento". Não é grande novidade para a actual gíria política mas isso constitui uma das características da Ciência Regional, que vai andando atrás dos temas que os políticos e os jornalistas acham por bem tratar. E como o local do Congresso vai mudando de ano para ano, também se regista uma adaptação dos temas às agendas mais locais. É assim que o ano passado se tratou mais do turismo quando o Congresso foi no Algarve. É desta forma que actualmente há uma preocupação com o ordenamento de um espaço do noroeste do país que parece cada vez mais desordenado. É nesta senda que se está à espera de dialogar com as autoridades regionais e locais das ilhas dos Açores para que os temas do próximo congresso sirvam a ciência regional em geral mas o desenvolvimento regional das ilhas, por Estarmos no Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.
João Paulo Barbosa de Melo no discurso de abertura da reunião da Associação Portuguesa de Desenvolvimento Regional deu conta das realizações e anseios da APDR: Organiza um Congresso anual, tem uma revista científica, várias edições de livros e compêndios, umas centenas de sócios e o anseio, cada vez mais realizado, de ser um parceiro de consulta em termos de intervenção pública.

Paul Cheshire, presidente da Associação Europeia para a Ciência Regional (ERSA), reportou também as realizações e anseios da ERSA. A grande novidade é que foi decidido avançar para uma organização profissional dos Congressos Anuais. A sede ficou em Louvain-la-Neuve. Está perto de Bruxelas e é através da União Europeia que é possível difundir o saber que se vai criando. A ideia é ter uma memória institucional que dê mais tempo aos investigadores e concentre recursos, naturalmente no centro. Essa memória institucional também pode ser transferida para os Cursos de Verão que leccionarão temas avançados para alunos de doutoramento durante dez anos. Na primeira sessão plenária houve três oradores. Vale a pena pegar no que disse Álvaro Domingues que apresentou o seu livro de fotografias "Cidade e Democracia" sobre ordenamento e desordenamento do território português. Disse que os territórios da urbanização não são apenas uma ampliação dos modelos urbanos antigos mas sim o resultado de uma nova ordem urbana onde a perda do centro, a perda da forma e a perda do limite tem provocado uma desconexão entre o conceito e a realidade. A cidade que conhecíamos é texto, linear, sequencial e ordenada para a nossa estrutura mental. O urbano, que as fotografias da "Cidade e Democracia" nos mostram, é hipertexto, e obriga-nos a um re-arranjo mental, não linear e fragmentado em que os escritores são também os leitores, correspondendo portanto a inúmeras cidades no mesmo espaço. Uma das imagens desta nova realidade é que o centro de acesso, de poder e de aglomeração deixaram de estar no mesmo local o que corresponde à aparente desarticulação da cidade.

Há questões que se colocam nesse debate: Será que estamos a criar coisas e cidades às quais não sabemos dar nome? Será que "A cidade e democracia" revela uma falha da democracia em que aquilo que as pessoas querem colectivamente não corresponde ao que fazem? Será que, com excesso de dinheiro público, nos apoiámos demais na política e na engenharia e nos esquecemos da reacção das pessoas e dos sítios?

(Prof. Tomaz Dentinho em A União)

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