segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Pesca acidental ameaça tubarões nos Açores

A pesca acidental é a tem maior impacto na captura de tubarões nos Açores. Bruxelas pretende reduzir as capturas da espécie.

A pesca acidental de tubarões pode colocar em perigo algumas espécies existentes nos mares dos Açores. A Comissão Europeia adoptou ontem, em Bruxelas, um plano de acção para a conservação e gestão dos tubarões com medidas que visam contribuir para a reconstituição das populações ameaçadas pelas frotas europeias, incluindo a portuguesa. De acordo com João Pedro Barreiros, especialista em biologia marinha e autor de um livro sobre tubarões e raias dos Açores, a publicar em breve, as referidas espécies são capturadas nos mares do arquipélago acidentalmente com regularidade por palangreiros que se dedicam à pesca do espadarte.Tubarão-raposa (alopias superciliosus) e a tintureira ou tubarão-azul (prionace glauca) são as espécies mais capturadas pela pesca acidental nos Açores. No que se refere à pesca que tem como objectivo a captura de tubarões e raias, as espécies mais afectadas são cação (galeorhinus galeus) e a gata-lixa (dalatias licha), enquanto que as raias são das espécies raja clavata e raja maderensis. Embora a carne de tubarão seja um produto da pesca e de baixa rentabilidade, a crescente procura de barbatanas nos mercados asiáticos podem levar a uma intensificação da captura da espécie.Segundo João Pedro Barreiros, é necessário tomar medidas para impedir que urna redução das espécies de tubarões em raias por via das capturas pela pescas dirigida ou acidental. O investigador da Universidade dos Açores considera que é preciso ter em conta que os tubarões “são um importante espécie do topo da cadeia alimentar e que tem baixos níveis de fecundação”.Propõe como medidas para efeitos negativos para as espécies a interdição da entrada dos palangreios em algumas áreas da Zona Económica dos Açores a reduzir o período de captura do espadarte.
Espécies em perigo
Bruxelas justifica a elaboração de um plano de protecção com o facto de as capturas de tubarões terem aumentado substancialmente, a nível mundial, a partir de meados da década de 1980, e hoje em dia as frotas comunitárias capturarem anualmente cerca de 100.000 toneladas de tubarões e espécies afins, designadamente raias e quimeras.As medidas que vão ser estabelecidas pela Comissão Europeia no plano de acção - que não tem carácter legislativo, devem ser aplicadas a todas as zonas em que a frota comunitária exerce actividade, nas águas europeias como fora delas.

(In Diário Insular)

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quarta-feira, junho 11, 2008

Costa Portuguesa com tubarões

A costa portuguesa tem mais de trinta espécies diferentes de tubarões, entre elas o famoso tubarão-branco que costuma passear-se nas águas do mediterrâneo junto ao Algarve.
A prova disso mesmo são os números da FAO – Organização para a Agricultura e Alimentação, das Nações Unidas – que coloca Portugal entre os países que mais tubarões e raias captura por ano: mais de 15 toneladas.
"A costa portuguesa está cheia de tubarões. Apesar da abundância de espécies, o número de exemplares tem vindo a diminuir, muito por culpa da pesca excessiva", explica o biólogo marinho João Pedro Correia, especialista em tubarões, autor da investigação ‘Pesca Comercial de Tubarões e Raias em Portugal’.
No topo das espécies mais frequentes na costa portuguesa encontram-se o tubarão-azul, o tubarão-anequim e o gigante tubarão-frade. "Aparecem toneladas de tubarões-azuis nas nossas docas, capturados por engano pelas redes dos pescadores", afirma o biólogo, também conselheiro do Oceanário de Lisboa, sublinhando que "é cada vez mais frequente serem encontradas espécies, tipicamente características das zonas tropicais, em latitudes acima da de Portugal".
Segundo o especialista, esta situação acontece devido ao aquecimento global e ao aumento da temperatura média do mar.

"Não é um problema que afecte somente os tubarões. As pessoas ainda não se mentalizaram de que o aquecimento global existe mesmo e que já se faz notar há muitos anos. Há uns tempos foram encontrados espadartes em Inglaterra, uma coisa impensável", esclareceu.


"HIPÓTESE DE ATAQUE É MÍNIMA" (João Pedro Barreiros Biólogo Marinho do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores)


Correio da Manhã – Qual a probabilidade de se ser atacado por um tubarão?
João Pedro Barreiros – É mínima. É quase mais provável ganhar-se o Euromilhões semana sim semana não, até ao final da vida, do que ser-se atacado por um tubarão numa praia portuguesa.
– Quantos há e onde é que costumam atacar?
– Por ano são feitos cerca de cem ataques em todo o Mundo, dos quais apenas 30 são fatais. Concentram-se em quatro ou cinco zonas do Planeta: Recife, no Brasil; Califórnia e Flórida, nos Estados Unidos; Austrália e África do Sul.
– Quais são as espécies mais perigosas?
– O tubarão-tigre, branco e touro. Estes três representam cerca de 95 por cento dos ataques.
OS MAIS COMUNS
Tubarão Azul: Mede até 4 metros e pesa 390 kg.
Tubarão-Anequim: Mede até 3 metros e pesa 200 kg.
Tubarão-frade: Pode medir até 10 metros e pesar cerca de 5 toneladas.
APONTAMENTOS
BANHISTAS TRANQUILOS
As praias portuguesas não são atractivas para os tubarões por serem arenosas ou rochosas.
DISTANTES DOS AREAIS
A maioria dos tubarões não se aproxima das zonas de baixa profundidade.
GIGANTES NAS REDES
Em 2006, pescadores de Sesimbra capturaram um tubarão-frade com 7 metros.
(In Correio da Manhã)

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quinta-feira, março 20, 2008

Catálogo ilustrado sobre tubarões e raias dos Açores lançado em Junho

É um livro com rigor científico mas pensado para o grande público. O “Catálogo Ilustrado de Tubarões e Raias dos Açores” está já concluído e deve ser lançado em Junho, provavelmente durante as festas Sanjoaninas.


O livro foi escrito por João Pedro Barreiros, professor da Universidade dos Açores, também responsável pelas ilustrações, e pelo especialista brasileiro em tubarões, Otto Gadig.“São 37 espécies de tubarões e treze espécies de raias. A maior parte dos tubarões é de grande profundidade e de pequeno tamanho. Mas existem outros, os emblemáticos, que toda a gente conhece, como o tubarão branco e o tubarão baleia, que também vão passando pelos Açores”, explica João Pedro Barreiros, no seu gabinete no campus da Terra-Chã. O principal objectivo da obra é dar a conhecer estas espécies a todo o tipo de público. “Explico o que são tubarões, o que são raias e os principais problemas que existem, que têm principalmente a ver com excesso de pesca. São animais que estão a ser sobrepescados em muitas partes do mundo. Há ainda um capítulo sobre os ataques dos tubarões, sobretudo para desmistificar essa questão”.
ATAQUES DE TUBARÃO
Porquê desmistificar? “Os acidentes de tubarão são ridículos em termos globais. O equivalente a um fim-de-semana nas estadas de Portugal. Convivemos com estas espécies. Por exemplo, durante o Verão, existem tubarões martelo na baía da Praia da Vitória. São fêmeas que vão parir no local e não comem nada nesse período nem atacam ninguém. Pelo contrário, são tímidas. O mesmo acontece com as crias, que são muito pequenas e inofensivas. Trata-se de informar e de retirar esse estigma, de desmistificar”.João Pedro Barreiros afirma que são os tubarões que têm razões para recear os humanos. “Nós é que lhes fazemos mal, enquanto humanidade. Os tubarões estão a ser alvo de uma pesca agressiva, para retirar as barbatanas que depois são secas e vendidas no mercado oriental a preços exorbitantes. O preço da barbatana de tubarão está a atingir valores assustadores, o que torna este tipo de captura muito aliciante em termos económicos e coloca a espécie em perigo”, explica.“Aqui estão protegidos, mas mesmo assim existem quotas de pesca de tubarão que não deviam existir”, reforça.Pensa-se que os tubarões existam há perto de 450 milhões de anos, ocupando várias zonas do globo, desde os mares tropicais, aos oceanos Árctico e Antárctico e também, neste caso, os Açores.Existirão também cerca de quatro centenas de espécies de tubarões conhecidas.

(In Diário Insular)

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sexta-feira, outubro 19, 2007

Tubarões em Portugal

Tem sido cada vez mais frequentes os relatos da existência de tubarões em águas territoriais portuguesas. O desconhecimento do comportamento desses animais tem feito com algumas pessoas entrem em pânico, e outras, como pescadores, que os tentam agredir ou mesmo matar.
Nos últimos anos o porto de Sesimbra tem sido palco de vários achados. Em 2005 deu à costa um tubarão-azul com cerca de quatro metros e uma lula gigante com 30 quilos. Em 2006 apareceu um peixe tipo espada com 50 quilos e ainda um tubarão-frade com cerca de sete metros e 2,5 toneladas. Este último foi rebocado por quatro pescadores, a 28 milhas do Cabo Espichel e a uma profundidade de 520 braças, aproximadamente 950 metros. Esteve no porto, de onde foi içado e transportado para o aterro sanitário daquela zona.
João Pedro Barreiros, Biólogo marinho do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, em entrevista ao Correio da Manhã afirma que: O tubarão-martelo é um animal carnívoro e que em quatro das suas espécies são conhecidos ataques ao homem. Mas a possibilidade de isso acontecer é muito baixa. Mesmo nos mais perigosos (branco, touro e tigre) já avistados no Continente os ataques são raríssimos, acontecendo 30 por ano, em todo o Mundo.
– O tubarão-martelo é frequente na nossa costa?
– Não direi frequente, mas ocorre. O mais comum é o tintureira.
– É possível traçar a rota deste tubarão?
- Faltam estudos sobre a circulação de tubarões na nossa costa. Pode ser residente ou integrar uma corrente migratória.
– Já foi atacado por tubarões?
– Umas cinco vezes, mas sem gravidade. Em 1996 um mordeu-me de raspão na perna.
400 quilos pesam os tubarões-martelo mais robustos, que chegam a atingir os seis metros. Alimentam-se de peixes e lulas e vivem em cardumes em águas quentes e mornas. 32 espécie de tubarões distintos existem em Portugal. Só é possível quantificá-los a partir do número que desembarca nas lotas, sendo esta a estimativa oficial.
No Canal de São Jorge e no Canal do Faial – locais onde se avistam tubarões com regularidade – têm sido capturados, nos últimos anos, tubarões brancos.


As espécies mais comuns nas águas portuguesas são os tintureiras ou tubarão-azul, os cações e os touros. Estes últimos movimentam-se a uma profundidade de apenas 200 a 300 metros, isto é, inferior a outras espécies.
Segundo o ‘The International Shark Attack Files’, o tubarão-martelo já atacou por 30 vezes o homem, mas não são conhecidos casos mortais.

(In Correio da Manhã)

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