segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Qual o impacto da pesca submarina?

Qualquer actividade extractiva, neste caso piscatório, causa impactos diversos. A Pesca Submarina, obviamente, não é excepção. No entanto, trata-se de uma actividade muitas vezes difamada, alvo dos mais diversos preconceitos e tida como altamente destrutiva o que é manifestamente, algo de absolutamente falso e que resulta sobretudo de um binómio difícil de conjugar: falta de informação e falta de interesse. No Mundo inteiro, os recursos aquáticos, sobretudo os marinhos, representam um imenso manancial de riqueza imediata e um vastíssimo negócio de biliões de euros/dia. Assim sendo, é natural que exista, por parte da maior parte dos governos e por via do peso eleitoral que tal acarreta, uma enorme margem de tolerância em relação à pesca artesanal e industrial que recorrem a “artes” extremamente destrutivas e impactantes, tais como: I) o arrasto; II) as redes de emalhar; III) os cercos; IV) os palangres costeiros demersais e V) as redes derivantes. Tudo isto representa não só milhões de toneladas diárias de animais marinhos pescados para venda como também outro tanto de destruição não aproveitada, principalmente nas seguintes formas:- Destruição dos fundos pelas artes de pesca de forma activa (sobretudo no caso dos arrastos) muitas vezes de inteiros ecossistemas que demoram décadas a recuperar;- Destruição de toneladas de animais não-alvo de uma determinada pescaria – o arraste de camarão implica, p.ex., a destruição de cerca de 10 kg de animais por cada 1 kg de camarão – que, ainda por cima nem são aproveitados pelo menos para consumo humano.A Pesca Submarina não produz nada do que acima se disse. É uma actividade auto-regulada ou seja: muito selectiva, extremamente difícil e muito mais dependente das condições meteorológicas do que as pescarias dependentes de uma embarcação ou de qualquer superfície fora de água. Embora, em Portugal e na Europa de um modo geral, sejam raros ou nulos os estudos sobre o impacto da caça submarina, outros estudos, nomeadamente nos Açores, mostram que este é extremamente reduzido e, em termos de peixes, corresponderá a cerca de 0.000001% do total. Em alguns casos onde apenas se capturam determinados recursos com mergulho (em apneia ou com escafandro) os “stocks” mantêm-se (caso dos polvos nos Açores) ou aumentam significativamente (caso das lagostas na África do Sul, Austrália, Nova Zelândia e Califórnia). Neste último caso note-se que a recuperação aconteceu depois de um colapso intenso e de se ter deixado de usar covos e redes lagosteiras.Assim, entendo ser fundamental esclarecer as pessoas, de forma activa e racional, de que a Pesca Submarina é uma actividade desportiva/recreativa e, em alguns países, uma forma de pesca comercial extremamente selectiva, que não deixa resíduos nos mares, que é difícil de praticar e que não pode nem deve ser alvo contínuo de preconceitos inócuos e infundados.As Reservas e Áreas Marinhas Protegidas são importantes e devem existir tendo por base a ciência e o bom-senso prevalecendo sobre o politicamente correcto habitual na maioria das chamadas “políticas marinhas”.
Angra do Heroísmo, 13 de Fevereiro de 2009
João Pedro Barreiros -Professor do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, Doutorado em Biologia/Ecologia Animal.

(In InfopescaSub)

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segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Pesca acidental ameaça tubarões nos Açores

A pesca acidental é a tem maior impacto na captura de tubarões nos Açores. Bruxelas pretende reduzir as capturas da espécie.

A pesca acidental de tubarões pode colocar em perigo algumas espécies existentes nos mares dos Açores. A Comissão Europeia adoptou ontem, em Bruxelas, um plano de acção para a conservação e gestão dos tubarões com medidas que visam contribuir para a reconstituição das populações ameaçadas pelas frotas europeias, incluindo a portuguesa. De acordo com João Pedro Barreiros, especialista em biologia marinha e autor de um livro sobre tubarões e raias dos Açores, a publicar em breve, as referidas espécies são capturadas nos mares do arquipélago acidentalmente com regularidade por palangreiros que se dedicam à pesca do espadarte.Tubarão-raposa (alopias superciliosus) e a tintureira ou tubarão-azul (prionace glauca) são as espécies mais capturadas pela pesca acidental nos Açores. No que se refere à pesca que tem como objectivo a captura de tubarões e raias, as espécies mais afectadas são cação (galeorhinus galeus) e a gata-lixa (dalatias licha), enquanto que as raias são das espécies raja clavata e raja maderensis. Embora a carne de tubarão seja um produto da pesca e de baixa rentabilidade, a crescente procura de barbatanas nos mercados asiáticos podem levar a uma intensificação da captura da espécie.Segundo João Pedro Barreiros, é necessário tomar medidas para impedir que urna redução das espécies de tubarões em raias por via das capturas pela pescas dirigida ou acidental. O investigador da Universidade dos Açores considera que é preciso ter em conta que os tubarões “são um importante espécie do topo da cadeia alimentar e que tem baixos níveis de fecundação”.Propõe como medidas para efeitos negativos para as espécies a interdição da entrada dos palangreios em algumas áreas da Zona Económica dos Açores a reduzir o período de captura do espadarte.
Espécies em perigo
Bruxelas justifica a elaboração de um plano de protecção com o facto de as capturas de tubarões terem aumentado substancialmente, a nível mundial, a partir de meados da década de 1980, e hoje em dia as frotas comunitárias capturarem anualmente cerca de 100.000 toneladas de tubarões e espécies afins, designadamente raias e quimeras.As medidas que vão ser estabelecidas pela Comissão Europeia no plano de acção - que não tem carácter legislativo, devem ser aplicadas a todas as zonas em que a frota comunitária exerce actividade, nas águas europeias como fora delas.

(In Diário Insular)

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sexta-feira, outubro 05, 2007

Recursos biológicos marinhos

O Professor Tomás Dentinho, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, ao intervir na sessão de encerramento do Fórum Regional das Pescas, referiu que a única forma de assegurar uma boa gestão dos recursos biológicos do mar seria através de uma gestão de proximidade, assente no uso de artes selectivas e que a transferência da competência exclusiva de gestão para Bruxelas retirava qualquer possibilidade de uma gestão sustentada dos recursos por parte dos Açores como, aliás, de Portugal. Concluiu a sua intervenção afirmando que a manter-se no tratado da UE, presentemente na fase final de elaboração, seria preferível Portugal e aos Açores saírem da União Europeia. Referiu que a Noruega e a Islândia não aderiram à UE como forma de salvaguardar a gestão dos seus recursos.Veríssimo Borges, da Quercus, defendeu que a perca ou recuperação do controle açoriano das 200 milhas dos seus mares depende do mérito ecológico e sustentabilidade das suas pescas. O ecologista afirmou: "Só as nossas óptimas práticas sustentarão o nosso direito de defender os nossos mares de pescas de predadores de países terceiros. Só regras muito restritivas de artes de pescas limitarão o interesse de frotas longínquas". Na opinião de Veríssimo Borges, amplas reservas, nomeadamente das 100 às 200 milhas, limitarão o interesse global de frotas europeias de longo alcance continuarem a pressionar os nossos mares. "Se estivermos defendidos nas 200 milhas, estaremos melhor protegidos nas 100 milhas" – alertou. Por seu lado, Virgílio Oliveira, presidente em exercício da Federação da Agrícola dos Açores, referiu que os trabalhadores das pescas e da agricultura enfrentam os mesmos problemas, verificando-se o abandono do sector piscatório e dos campos. Comparando a agricultura e as pescas, o conferencista sublinhou ser comum aos dois sectores a competição cada vez mais feroz, os problemas ambientais, a insularidade e a qualidade higio-sanitária. Como soluções apontou o associativismo, a cooperação, inovação, o desenvolvimento e a valorização da produção.
(In Diário dos Açores)

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sexta-feira, agosto 24, 2007

Declínio de Golfinhos poderá chegar à Região Açores

O declínio do número de golfinhos registado, este Verão, no Golfo da Biscaia poderá ter impacto nos Açores.
"Tudo o que acontece no planeta poderá ter impacto aqui" afirma o Professor do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, João Pedro Barreiros, para quem, "esses efeitos poderão ser mais ou menos visíveis".

João Pedro Barreiros refere, no entanto, que, de acordo com as suas observações ao nível dos cetáceos, "aparentemente não há ainda nada que indique a ocorrência de uma situação semelhante nos mares do arquipélago".
Segundo este investigador, " o Mar do Norte sofre problemas crónicos de sobre-pesca e é claro que a falta de peixe tem um reflexo nos animais que dele se alimentam, designadamente nas aves e nos mamíferos marinhos".

Questionado sobre se o actual esforço de pesca praticado nos Açores poderá conduzir a um cenário semelhante no arquipélago, João Pedro Barreiros considerou que "o problema não parece evidente por enquanto". Salientou contudo, que os Açores são uma região particularmente frágeis a esse nível".
No entender deste biólogo marinho, "qualquer actividade pesqueira é desenvolvida segundo a procura do mercado, o que leva a que o esforço de pesca esteja muitas vezes desadequado àquilo que a comunidade científica considera ser uma cautela".

"O pescador tem de assegurar a sua sobrevivência hoje e nem sempre está preocupado em garantir o futuro".
Na opinião de João Pedro Barreiros, "há ainda interesses políticos muito complicados na gestão desse esforço de pesca".

De acordo com nota emitida pela MarineLife a 19 de Agosto de 2007, os investigadores da Wildlife Conservation Charity MarineLife estão extremamente preocupados com o que está a ocorrer este Verão no Golfo da Biscaia. Há 13 anos que as populações de golfinhos e baleias estão a ser monitorizadas no Canal da Mancha e no Golfo da Biscaia. O Golfo da Biscaia é a nível mundial um hotspot de baleias, golfinhos e aves marinhas migratórias. Usualmente são milhares os golfinhos que se encontram nessa região, mas este ano, a população observada corresponde apenas a 80% dos registos dos anos anteriores. O mesmo foi verificado para algumas aves da família Charadriidae e pardelas-de-bico-amarelo (cagarros), entre outras.

A associação Marinelife está deveras preocupada com o aparente declínio de golfinhos e aves marinhas, normalmente observados durante as viagens de ferry-boat. Tais reduções podem significar uma redução drástica dos stocks de pesca, ou então, uma redistribuição do peixe, como resultado de uma alteração da temperatura (associada a alterações climáticas globais). De facto este ano de acordo com a safra das frotas espanholas e francesas houve uma drástica redução das capturas de anchovas. O Investigador Director do Marinelife afirma que “Qualquer que seja a razão para o desaparecimento dos golfinhos neste Verão no Golfo da Biscaia, tal facto mostra-nos como estas espécies são vulneráveis e o quanto alarmante é o seu declínio perante alterações ambientais. É preciso agir depressa na resolução dos problemas da sobre-pesca e das alterações climáticas globais”.

(In Diário Insular)

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sexta-feira, novembro 17, 2006

Desertificação Marinha

Realizou-se no dia 16 de Novembro, Dia do Mar, uma palestra proferida pelo Professor Doutor João Pedro Barreiros, na Escola Básica e Jardim de Infância do Raminho sobre Desertificação dos Oceanos, na perspectiva de perda de biodiversidade.



Actualmente, a contínua e crescente exploração, tanto a níveis artesanais como industriais, dos recursos marinhos vivos, representa, de acordo com muitos autores, a principal ameaça ao Oceano global.
A incessante procura dos mercados por produtos aquáticos, sobretudo marinhos, fez com que os preços de muitos deles atingissem valores elevadíssimos. Deste modo, e tendo em conta que o poder comercial das pescas é uma realidade poderosa em todo o Mundo, com especial relevância nos mercados asiáticos, e que a tecnologia pesqueira permite vasculhar e explorar os mais remotos recantos do planeta, é fundamental que esta pressão seja minimamente compensada pela criação de facto de eficientes e bem patrulhadas Áreas Marinhas Protegidas.


Actualmente, a protecção eficaz dos Oceanos corresponde a uma área não superior à da Holanda.


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