domingo, novembro 11, 2007

Ecotopias

Com a ajuda de uma agradável brisa marinha, o novo livro de André Barreiros, ECOTOPIAS, foi apresentado, no espaço Belém Terrace, em Lisboa, junto ao Padrão dos Descobrimentos. Mais de duzentos convidados aproveitaram um prazenteiro final de tarde para, entre alegres reencontros de velhos amigos, beberem uma taça de chá verde, enquanto o sol se deitava aos pés do Infante D. Henrique.
Mário Zambujal, um dos responsáveis pela entrada de André Barreiros na carreira jornalística, não quis deixar de estar presente na animada apresentação deste seu discípulo como escritor. Outras figuras mediáticas marcaram também presença no evento que deu a conhecer a nova editora, Terra Prática, uma empresa apostada em divulgar e promover soluções e modos de vida eco-conscientes.O encantador casal de modelos Mónica e Rubin, irradiando beleza; o jovem promissor actor Pedro Carvalho (Morangos com Açúcar), mostrando interesse pelo café biológico servido no local; o futebolista Madjer, que se mostrou preocupado com os problemas da ecologia, nomeadamente aqueles que ameaçam destruir as praias onde costuma mostrar a sua arte; Eduardo Madureira, humorista, espalhou boa disposição aderindo também ele às causas ambientais.
O livro foi apresentado pelo conhecido radialista Marcos Pinto (Rádio Clube Português), que interpretou o livro, questionou o autor e levantou questões, sintetizando as Ecotopias num discurso improvisado e esclarecedor. De seguida tomou a palavra o biólogo e ecólogo marinho, Prof. Doutor João Pedro Barreiros, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e irmão do autor, que dissertou por breves minutos sobre a importância do jornalismo de carácter científico, como elemento chave de uma maior e melhor consciencialização do público para o drama ecológico.
A cerimónia terminou com um emocionado agradecimento do autor aos convidados presentes, tendo-se seguido uma longa e muito divertida sessão de autógrafos.
A Terra Prática tem previsto fazer lançamentos da obra Ecotopias em Angra do Heroísmo, Funchal, Porto, Braga e Algarve.

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sexta-feira, agosto 24, 2007

Declínio de Golfinhos poderá chegar à Região Açores

O declínio do número de golfinhos registado, este Verão, no Golfo da Biscaia poderá ter impacto nos Açores.
"Tudo o que acontece no planeta poderá ter impacto aqui" afirma o Professor do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, João Pedro Barreiros, para quem, "esses efeitos poderão ser mais ou menos visíveis".

João Pedro Barreiros refere, no entanto, que, de acordo com as suas observações ao nível dos cetáceos, "aparentemente não há ainda nada que indique a ocorrência de uma situação semelhante nos mares do arquipélago".
Segundo este investigador, " o Mar do Norte sofre problemas crónicos de sobre-pesca e é claro que a falta de peixe tem um reflexo nos animais que dele se alimentam, designadamente nas aves e nos mamíferos marinhos".

Questionado sobre se o actual esforço de pesca praticado nos Açores poderá conduzir a um cenário semelhante no arquipélago, João Pedro Barreiros considerou que "o problema não parece evidente por enquanto". Salientou contudo, que os Açores são uma região particularmente frágeis a esse nível".
No entender deste biólogo marinho, "qualquer actividade pesqueira é desenvolvida segundo a procura do mercado, o que leva a que o esforço de pesca esteja muitas vezes desadequado àquilo que a comunidade científica considera ser uma cautela".

"O pescador tem de assegurar a sua sobrevivência hoje e nem sempre está preocupado em garantir o futuro".
Na opinião de João Pedro Barreiros, "há ainda interesses políticos muito complicados na gestão desse esforço de pesca".

De acordo com nota emitida pela MarineLife a 19 de Agosto de 2007, os investigadores da Wildlife Conservation Charity MarineLife estão extremamente preocupados com o que está a ocorrer este Verão no Golfo da Biscaia. Há 13 anos que as populações de golfinhos e baleias estão a ser monitorizadas no Canal da Mancha e no Golfo da Biscaia. O Golfo da Biscaia é a nível mundial um hotspot de baleias, golfinhos e aves marinhas migratórias. Usualmente são milhares os golfinhos que se encontram nessa região, mas este ano, a população observada corresponde apenas a 80% dos registos dos anos anteriores. O mesmo foi verificado para algumas aves da família Charadriidae e pardelas-de-bico-amarelo (cagarros), entre outras.

A associação Marinelife está deveras preocupada com o aparente declínio de golfinhos e aves marinhas, normalmente observados durante as viagens de ferry-boat. Tais reduções podem significar uma redução drástica dos stocks de pesca, ou então, uma redistribuição do peixe, como resultado de uma alteração da temperatura (associada a alterações climáticas globais). De facto este ano de acordo com a safra das frotas espanholas e francesas houve uma drástica redução das capturas de anchovas. O Investigador Director do Marinelife afirma que “Qualquer que seja a razão para o desaparecimento dos golfinhos neste Verão no Golfo da Biscaia, tal facto mostra-nos como estas espécies são vulneráveis e o quanto alarmante é o seu declínio perante alterações ambientais. É preciso agir depressa na resolução dos problemas da sobre-pesca e das alterações climáticas globais”.

(In Diário Insular)

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quarta-feira, agosto 08, 2007

Animais marinhos perigosos dos Açores editados em livro

Listar os principais animais marinhos açorianos que maior perigo apresentam às populações é o objectivo do mais recente guia do Professor João Pedro Barreiros do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e do Professor Vidal Haddad Jr. da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo-Brasil.
Chamar-se-á "Guia dos Animais Marinhos Potencialmente Perigosos dos Açores com Informações sobre o Tratamento e Prevenção de Acidentes".
João Pedro Barreiros deixa desde logo claro que "embora possam ocorrer, não é muito comum observarem-se acidentes graves com manifestações sistémicas nos acidentes causados por espécies de peixes do arquipélago". Este investigador considerou tratar-se de uma edição útil não só para banhistas, como profissionais da pesca e outros que lidam com os ambientes marinhos, sobretudo pela prevenção dos riscos existentes.
No topo dos animais marinhos que mais acidentes em humanos têm causado estão as caravelas (Physalia physalis) e as cifomedusas Pelagia noctiluca e Aurelia aurita.

"Recentemente, têm sido observados grandes grupos de Physalia physalis nos Açores, o que, com certeza aumenta o risco de acidentes".
Também os ouriços-do-mar "são animais capazes de provocar traumas e envenenamento com os espinhos corporais dada a proximidade maior com os banhistas".
A edição bilingue do livro será lançada em Outubro, no festival "Outono Vivo" da cidade da Praia da Vitória na ilha Terceira.
Alguns peixes podem causar traumas importantes através dos dentes e bicos, como os meros e algumas espécies de badejos e garoupas.
Outros peixes potencialmente perfurantes são os espadartes (Xiphias gladius) e os marlins azul e branco (respectivamente Makaira nigricans e Tetrapturus albidus), todos portadores de bico ou espada que manobram com grande destreza e potencial perigosidade.


Outros peixes que podem lacerar tecidos com mordeduras são as moreias. O acidente no entanto é raro e limitado a pescadores ou mergulhadores no momento em que as retiram dos anzóis.

Alguns pesquisadores consideram que há toxinas na saliva das moreias, o que é reforçado pelo facto da mordedura apresentar uma dor desproporcional à ferida, aponta João Pedro Barreiros.
Peixes que podem causar ferimentos como reflexo de manipulação e falta de cuidados são o peixe espada preto (Aphanopus carbo) e o peixe espada branco (Lepidopus caudatus), além dos peixes-porco (dos quais o mais comum e o único verdadeiramente abundante é o Balistes carolinensis), que apresentam o primeiro raio da barbatana dorsal pontiagudo, podendo lacerar a mão de pescadores e ainda morder.
(In Humberta Augusto em A União)

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