sábado, novembro 28, 2009

Térmitas alastram de forma inexorável


Esta é uma das conclusões dos cientistas da Universidade dos Açores, num estudo apresentado ontem, em Angra do Heroísmo.
A praga das térmitas continua a "alastrar de forma inexorável", na cidade de Angra do Heroísmo. A conclusão provém de um relatório de cientistas da Universidade dos Açores e foi ontem apresentado em na maior cidade da ilha Terceira, após o fim de um período de monitorização.Segundo se pode ler no documento, "os resultados mostram que, cinco anos depois sobre a primeira monitorização, a praga continua a alastrar, pelo que se aconselha uma campanha de sensibilização junto da população, para minimizar o problema da dispersão".O relatório, elaborado por uma equipa de investigadores do Grupo de Biodiversidade do Departamento de Ciências Agrárias, liderado por Paulo Borges, adianta que “foram colocadas cerca de três mil armadilhas nas ruas e habitações, em 11 artérias do perímetro urbano de Angra do Heroísmo”. Nestas armadilhas, foram capturadas “71.342 térmitas, das quais 7.363 na via pública e 63.979 no interior das habitações, o que leva a concluir, por estimativa, que terá sido evitada a criação de 35.671 novas colónias", referem os investigadores.Segundo adiantam os cientistas, "é no centro histórico da cidade de Angra do Heroísmo que se localiza o maior nível de infestação".Paulo Borges admitiu que "a erradicação é praticamente impossível", mas frisou que "a redução das colónias ao nível do que acontece com o caruncho é possível".O investigador rejeita o método da fumigação, considerando ser "uma acção que pode pôr em risco a saúde dos moradores das habitações contíguas onde é aplicada". Como alternativa, defende que deve ser usada "alta tecnologia de temperatura", uma técnica desenvolvido por austríacos e norte-americanos. Este sistema consiste em lançar ar quente com humidade a uma temperatura de 50 graus, o que mata as térmitas incrustadas nas madeiras. A técnica será ensaiada num edifício público da cidade adiantou ontem Paulo Borges, que referiu que o Governo Regional “já está a par desta técnica", que pode ser "desenvolvida no terreno por empresas regionais, que queiram investir 150 a 200 mil euros na aquisição da tecnologia".Para além da Terceira, também as ilhas de Santa Maria, S. Miguel e Faial estão afectadas pela praga que ao alimentar-se de madeiras, corrói completamente as estruturas das habitações.Em resposta, a autarca de Angra do Heroísmo, Andreia Cardoso, já garantiu que “será efectuada uma sensibilização porta a porta (para controlo da praga) e serão fornecidas, gratuitamente, armadilhas de monitorização", naquela cidade.
(in JornalDiario)

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quinta-feira, novembro 19, 2009

SUSPEITAS CONFIRMADAS Térmita da Praia é de origem americana

Está confirmado que as térmitas descobertas no Bairro de Santa Rita, Praia da Vitória, pela equipa de controlo e monitorização das térmitas do Grupo Biodiversidade dos Açores (CITA-A) são da espécie Reticulitermes flavipes, uma térmita subterrânea com grande implementação na costa leste dos Estados Unidos e, até agora, desconhecida nos Açores.
A equipa liderada pelo professor Paulo Borges vê assim confirmadas as suas suspeitas inicias em relação à espécie encontrada em duas habitações daquele bairro.


No relatório inicial enviado à Câmara da Praia da Vitória a CITA-A recomendou a realização de um estudo de pormenor no Bairro e a rápida queima de todas as madeiras encontradas no exterior das habitações de forma a perceber a extensão da epidemia e controlar a sua expansão e potenciais danos.
O estudo de pormenor consistiria na colocação no solo de armadilhas em PVC num raio de 10, 50 e 100 metros dos focos já identificados sendo posteriormente monitorizadas mensalmente pela equipa da Universidade dos Açores.
A Câmara Municipal da Praia, segundo o vereador Paulo Messias, está a aguardar que a CITA-A envie a proposta e plano de custos deste estudo, tendo, a solicitação da equipa de controlo e monitorização, feito chegar junto do Comando Aéreo da Base das Lajes um pedido para a instalação de armadilhas dentro do perímetro militar fruto da sua proximidade das casas onde as térmitas subterrâneas foram encontradas.
Quanto às madeiras, a edilidade praiense espera em breve realizar uma queimada em grande escala de todas as madeiras abandonadas, tendo já encetado contactos junto dos moradores. Paulo Messias afirma que a marcação de uma data para esse efeito depende da disponibilidade dos mesmos e das condições climatéricas que nos últimos dias não tem sido propícias devido ao forte vento, factor que potencia a propagação da térmita.

Relatório de Angra completo

A equipa liderada pelo professor Paulo Borges já entregou junto da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo o relatório sobre a monitorização das térmitas no centro histórico da cidade, trabalho levado a cabo entre Julho e Outubro deste ano.
Cabe agora ao município angrense tornar publicas as conclusões dos especialistas da CITA-A, que irão permitir saber os locais mais afectados pela epidemia e perceber a sua evolução em relação ao anterior estudo, datado de 2004.
Este projecto consistiu na instalação de 110 armadilhas em 11 ruas e habitações particulares do centro histórico de Angra do Heroísmo.

(in A União)

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sábado, novembro 14, 2009

Investigadores açorianos avaliam riscos de extinção


O Grupo da Biodiversidade dos Açores (GBA) vai lançar no início do próximo ano dois novos projectos destinados a avaliar “o risco de extinção de diversas espécies em ilhas”, revelou ontem o investigador Paulo Borges.“A crise da biodiversidade em mais nenhum lugar é tão notória como nas ilhas oceânicas pelo que estudar as melhores soluções para a sua conservação é fundamental”, considera Paulo Borges que vai contar com um apoio de 320 mil euros da Fundação da Ciência e Tecnologia.No caso dos Açores, “os estudos de campo e genética orientam-se no sentido de perceber se nas diferentes ilhas, que têm florestas mais pequenas, se as espécies estão a perder diversidade e em risco de extinção devido ao aumento das pastagens”.Segundo Paulo Borges “a ideia é posteriormente aumentar a florestação recorrendo a essas espécies”.
Riscos
As ilhas com maior risco de extinção de espécies, de acordo com o investigador, são Santa Maria, São Miguel, Faial e São Jorge porque “possuem manchas florestai pequenas e espécies únicas (endémicas) em risco”.Adianta que os Açores perderam mais de 90 por cento da sua floresta original durante cinco séculos de ocupação humana e que, sendo um dos arquipélagos mais isolados na Terra, suportam um número significativo de espécies endémicas de uma só ilha.A investigação (que envolvem mais de uma dezenas de investigadores) vai ainda procurar determinar o efeito da perda de habitats e da fragmentação da floresta nativa dos Açores nas espécies de artrópodes endémicos especialistas de floresta.Um dos projectos denomina-se “Previsão de extinção em ilhas: uma avaliação em várias escalas” e o outro “O que é que as ilhas da Macaronésia nos podem ensinar sobre especiação?”.Segundo o investigador da Universidade dos Açores, os projectos (a começar em Março de 2010) “são inovadores” porque “a avaliação a vários níveis do risco de extinção que é devida à destruição e fragmentação dramática dos habitats”.Por outro lado, explica, porque serão feitas, também, “avaliações de previsões teóricas de extinções futuras, com avaliações à escala da espécie do tamanho das suas populações e diversidade genética”.Finalmente, Paulo Borges acredita que o projecto “irá estabelecer ligações cruciais entre a teoria ecológica e a prática de conservação avançando na compreensão e protecção de uma parte única da herança Europeia em termos de biodiversidade”.
Ampla divulgação
Os resultados destes estudos, segundo Paulo Borges, serão apresentados à comunidade científica internacional através de artigos em revistas da especialidade e da apresentação em congressos internacionais.Além disso, para promover a divulgação do conhecimento adquirido junto da população açoriana, o GBA pretende organizar uma exposição itinerante, assim como produzir material educacional.O GBA orienta estes dois projectos, que contam com a participação da Universidade de Oxford (The Oxford University Centre for the Environment), da Universidade de Atenas (Departament of Ecology and Taxonomy – Faculty of Biology) e da Universidade de East Anglia (Centre for Ecology, Evolution and Conservation).Na última semana, a União Internacional para a Conservação da Natureza anunciou a lista actualizada das espécies mundiais em risco de extinção, onde se encontram alguns exemplares açorianos.Segundo o documento, uma das espécies em risco na Região é o trevo de quatro folhas “Marsilea azorica” (protegida pela Convenção de Berna e Directiva Habitats), do qual só existem meia centena de exemplares num charco no interior da ilha Terceira.O morcego endémico dos Açores e algumas espécies de moluscos terrestres também preocupam também os biólogos açorianos.

(in Diário Insular)

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quarta-feira, novembro 11, 2009

INVESTIGADORES VÃO ESTUDAR Risco de extinção de espécies endémicas do arquipélago

O Grupo da Biodiversidade dos Açores (GBA) vai lançar no início do próximo ano dois novos projectos destinados a avaliar “o risco de extinção de diversas espécies em ilhas”, revelou ontem o investigador Paulo Borges.
“A crise da biodiversidade em mais nenhum lugar é tão notória como nas ilhas oceânicas pelo que estudar as melhores soluções para a sua conservação é fundamental”, considera Paulo Borges que vai contar com um apoio de 320 mil euros da Fundação da Ciência e Tecnologia.


No caso dos Açores, “os estudos de campo e genética orientam-se no sentido de perceber se nas diferentes ilhas, que têm florestas mais pequenas, se as espécies estão a perder diversidade e em risco de extinção devido ao aumento das pastagens”.
Segundo Paulo Borges “a ideia é posteriormente aumentar a florestação recorrendo a essas espécies”.
As ilhas com maior risco de extinção de espécies, de acordo com o investigador, são Santa Maria, São Miguel, Faial e São Jorge porque “possuem manchas florestai pequenas e espécies únicas (endémicas) em risco”.
Adianta que os Açores perderam mais de 90 por cento da sua floresta original durante cinco séculos de ocupação humana e que, sendo um dos arquipélagos mais isolados na Terra, suportam um numero significativos de espécies endémicas de uma só ilha.
A investigação vai ainda procurar determinar o efeito da perda de habitats e da fragmentação da floresta nativa dos Açores nas espécies de artrópodes endémicos especialistas de floresta.
Um dos projectos denomina-se “Previsão de extinção em ilhas: uma avaliação em várias escalas” e o outro “O que é que as ilhas da Macaronésia nos podem ensinar sobre especiação?”.
Segundo o investigador da Universidade dos Açores, os projectos “são inovadores” porque “a avaliação a vários níveis do risco de extinção que é devida à destruição e fragmentação dramática dos habitats”.
Por outro lado, explica, porque serão feitas, também, “avaliações de previsões teóricas de extinções futuras, com avaliações à escala da espécie do tamanho das suas populações e diversidade genética”.
Finalmente, Paulo Borges acredita que o projecto “irá estabelecer ligações cruciais entre a teoria ecológica e a prática de conservação avançando na compreensão e protecção de uma parte única da herança Europeia em termos de biodiversidade”.
No total, estarão envolvidos nos projectos mais de uma dezena de investigadores locais e de centros universitários europeus.

(In A União)

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sexta-feira, novembro 06, 2009

ESPÉCIE INÉDITA NOS AÇORES Gorgulho do Eucalipto encontrado na ilha Terceira

Foi encontrado nos Açores, mais propriamente na ilha Terceira, pela primeira vez, o Gorgulho do Eucalipto, originário da Austrália. A descoberta deu-se no passado mês de Setembro na zona da Caldeira do Guilherme Moniz.
Depois da descoberta recente de uma nova espécie de térmita subterrânea na ilha Terceira, surge outra revelação no estudo da biodiversidade dos Açores. Trata-se do Gorgulho do Eucalipto, de designação científica Gonipterus scutellatus Gyllenhal, 1834, uma espécie que desfolha essas árvores afectando o seu natural crescimento e a sua produção.


Em declarações ao nosso jornal, o responsável pela equipa de investigadores do Centro de Investigação e Tecnologias Agrárias dos Açores (CITA-A), da Universidade dos Açores (UAç), revela que o insecto tem se expandido por várias regiões do mundo, como África do Sul, Argentina, Itália, Califórnia, e que foi assinalado para as Canárias há 10 anos pelo entomólogo Antonio Machado Carrillo.
Paulo Borges revela ainda que nos Açores foi encontrado em Setembro deste ano na ilha Terceira na zona da Caldeira do Guilherme Moniz em Urze (Erica azorica). Mas, até ao momento, garante não haver motivos para alarmismos, apesar de o Gorgulho do Eucalipto já ter sido também encontrado em quintas particulares localizadas nas Bicas, freguesia de São Pedro, concelho de Angra do Heroísmo.
“Até agora não se registam queixas de floricultores ou particulares, o que pode indicar que os indivíduos não se alastraram”, diz o docente universitário, acrescentando que só dez por cento das espécies de insectos existentes “é que se tornam invasoras quando chegam a um novo local”.
Ao todo, refere, existem na Região cerca de 2400 espécies de insectos, das quais 1000 são exóticas. Contudo, não sendo o Gorgulho do Eucalipto considerado “perigoso” no arquipélago, ao contrário de outros lugares do globo, o especialista recorre ao exemplo da praga das térmitas, actualmente em estudo e análise para controlo da propagação nas nossas ilhas, no sentido de alertar as entidades e a comunidade em geral.


“As térmitas passaram a ser um problema”, recorda o responsável pelo CITA-A, defendendo, por isso, a necessidade de haver um maior controlo na entrada de produtos agrícolas e florestais nos Açores. “Este é um exemplo, aliás, das contrapartidas do livre-trânsito”, sublinha.
Em tom de conclusão, segundo Paulo Borges, “não se conhece ainda o seu potencial impacto nas plantas nativas dos Açores”, sendo que no que concerne ao continente português a eventual propagação da espécie, onde diz desconhecer a existência desse insecto, “não é menos preocupante”, tendo em conta haver muitas áreas de plantação de Eucaliptos.

Estudo nas Canárias

Entretanto, de acordo com um artigo de Antonio Machado Carrillo, publicado no “Diário de Avisos”, de Tenerife, em Julho de 1999, intitulado “O Gorgulho do Eucalipto nas Canárias”, pode-se ler que os Eucaliptos são árvores oriundas da Austrália que foram introduzidas em diversas regiões do mundo com propósitos industriais. O mesmo ocorreu nas Canárias, ainda que o cultivo florestal destas espécies exóticas sejam pouco extensas, pois naquele arquipélago espanhol não existe indústria de pasta de papel.
O entomólogo descreve no mesmo documento que até 1999 não se conhecia nas Canárias “nenhum bicho que metia os dentes nos eucaliptos”. Por isso reparou com atenção nas folhas tenras de várias árvores totalmente “comidas e perfuradas”. Um exame detalhado, conta, revelou a presença de “umas larvas – como pequenas babosas – de cor verde-esmeralda, cheia de pontos negros”.
Quantos aos adultos, continua, têm um tronco robusto da família dos gorgulhos, de cor castanho-avermelhado, que mede menos de um centímetro.

(In Sónia Bettencourt sonia@auniao.com, em A União)

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quarta-feira, novembro 04, 2009

Térmita subterrânea identificada na Praia da Vitória


Foi confirmada a existência de uma espécie de térmita subterrânea no concelho da Praia da Vitória, em Santa Rita. A informação foi avançada a DI pelo especialista em térmitas e professor da Universidade dos Açores (UA), Paulo Borges, que adianta ainda que existem fortes indícios de que se trata da espécie Reticulitermes, que pode ter “um significativo impacto económico negativo”.De acordo com o coordenador do portal “SOS Térmitas”, a espécie foi identificada no dia 21 de Outubro, numa visita à zona de Santa Rita no antigo Bairro Americano. Esta visita foi realizada pela equipa de controlo e monitorização das Térmitas no arquipélago do Grupo Biodiversidade, a pedido de um proprietário.“Durante esta visita foi detectada a presença de uma espécie de térmita subterrânea em duas habitações. Vários exemplares da espécie foram recolhidos para registo e identificação, tendo sido várias imagens enviadas a especialistas nacionais (Laboratório Nacional de Engenharia Civil) e estrangeiros (Dr. Timothy Myles e Dr. Scheffrahn) para identificação da espécie”, adianta Paulo Borges.Além da presença em duas moradias, o relatório do grupo da Biodiversidade indica que “foram encontradas colónias com vários indivíduos no quintal das mesmas casas em zonas de depósitos de madeiras”.A espécie Reticulitermes será a mesma recentemente identificada na ilha do Faial (Reticulitermes grassei). As térmitas subterrâneas diferem “das outras de madeira húmida e de madeira seca, pelo facto que estas constroem os seus ninhos no solo e são muito dependentes de solos húmidos”, explica.“Esta é uma espécie invasora e o seu potencial de destruição será tanto menor quanto mais breve for a reacção das autoridades face ao problema”, alerta já o relatório.
MedidasO documento da equipa da UA recomenda medidas “urgentes” para combater esta nova praga. Entre elas está a realização de um estudo pormenorizado para determinar a área afectada pela espécie. Segundo o relatório, “este estudo implicaria a utilização de armadilhas simples, colocadas no solo, distribuídas de uma forma circular em torno do foco detectado”.“Depois de delimitada a área de infestação devem ser aplicadas diferentes estratégias de combate de forma integrada. Uma componente chave deste processo implica a utilização de controle de colónias usando iscos e o método Trap-Treat-Release”, especifica ainda o grupo de especialistas.Outra medida simples, mas urgente é a “remoção das madeiras deixadas no exterior das casas que são basicamente alimento para as térmitas e que consequentemente são uma ajuda para a sua proliferação. Este serviço deverá ser realizado pelas entidades competentes, como a Câmara Municipal da Praia da Vitória e Serviços de Ambiente da Ilha Terceira em parceria com os moradores afectados”, prossegue o relatório. “As madeiras recolhidas deverão ser queimadas, uma vez que a sua colocação em aterro será uma forma de as ajudar na proliferação e não as eliminará”, conclui.A equipa composta por Paulo Borges e os bolseiros Orlando Guerreiro e Annabella Borges recorda que nos Estados Unidos as térmitas subterrâneas são responsáveis por 80 por cento dos 2,2 milhões de dólares gastos todos os anos para o controle da praga. “Por se alimentarem de celulose de madeira a sua presença em estruturas humanas é possível e quando acontece passa despercebida por longos períodos de tempo”, conclui o relatório da equipa da UA.

(in Diário Insular)

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terça-feira, outubro 06, 2009

BIODIVERSIDADE INSULAR Espécies raras precisam de acções urgentes

Depois de três dias de trabalhos, terminou a primeira reunião de Peritos da Convenção de Berna sobre Biodiversidade Insular da Europa, que decorreu em Tenerife, nas Canárias.
"O balanço é interessante e indicativo de trabalhos continuados e úteis para os diferentes Governos”, segundo o responsável representante do Conselho da Europa, Eladio Fernández-Galiano, acrescentando que “as espécies raras e sensíveis precisam de acções urgentes”.
Em declarações no final da reunião, o director regional do Ambiente dos Açores afirmou que “foi relevante a identificação das fraquezas comuns existentes ao nível da gestão da biodiversidade nas Ilhas, mas o passo essencial deste encontro foi a determinação de métodos comuns para a reversão da perda de biodiversidade.”
Entre estes factores encontram-se a necessidade de rever os critérios internacionais que conduzem à própria classificação de espécies em perigo ou raras, que não servem para as regiões insulares ou para os organismos invertebrados, de melhorar a eficiência da comunicação com o público em geral e de partilhar as melhores práticas com os diferentes governos e as diferentes equipas operacionais. “Sabe-se como fazer, faz-se bom trabalho, mas, muitas vezes, não são transferidos os novos conhecimento e as novas técnicas para outros territórios”, afirmou Frederico Cardigos.
Após a apresentação do trabalho efectuado nos Açores, com palestras do director regional do Ambiente e do investigador da Universidade dos Açores, Paulo Borges, e que incluiu a referência à reorganização das zonas protegidas, à criação da reserva voluntária do Corvo, à educação ambiental e à recuperação da população do priolo, mas sem esquecer a dificuldade do combate às espécies invasoras; a responsável pela IUCN, Kate Brown, afirmou que “é impressionante o trabalho feito nos Açores e indicativo de caminhos a explorar”. A mesma responsável afirmou que “mesmo os casos de insucesso devem ser partilhados para que se evite a repetição de erros.”
Entre as informações partilhadas e que poderão ser utilizadas nos Açores, o director regional do Ambiente referiu-se concretamente a novas oportunidades de financiamento de actividades e à definição de metodologias para o aviso rápido em caso de invasão potencial.
“É curioso que há programas informáticos a serem desenvolvidos por equipas científicas e que permitem, por exemplo, que qualquer pessoa faça a identificação de organismos até ao nível da subespécie. Desta forma, quem observar uma espécie exótica poderá, no seu computador, fazer a sua identificação e referi-la de imediato para potencial erradicação”, afirmou Frederico Cardigos.
Ao mesmo nível, estão a ser desenvolvidos modelos computorizados que permitem prever a expansão das espécies invasoras com base nas alterações climáticas.
(in A União)

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quarta-feira, setembro 23, 2009

Natureza revelada


Da Serra de Santa Bárbara ao caracol da Fonte da Telha, passando pelo Pico Matias Simão, são 13 os aspectos em destaque no CD multimédia “Ícones ambientais do concelho de Angra do Heroísmo”. Características naturais únicas ou de grande raridade, que o município quer salientar aos olhos de turistas e residentes. Não há terceirense que não conheça o Monte Brasil. Ponto de paragem obrigatória para quem visita a ilha, o espaço é procurado durante todo o ano pelos locais, quer para desfrute da vista sobre Angra do Heroísmo, quer pelo contacto com a natureza. Ainda assim, poucos são os que conhecem os fósseis do Monte Brasil. “Grandes orifícios, antes ocupados por troncos de árvores são bem visíveis nas cinzas vulcânicas das falésias do Fanal, em plena Angra do Heroísmo. Esses fósseis são relíquias do passado natural da Terceira, e um património que interessa preservar, porque conta a história de uma ilha em evolução, e porque neles é visível a violência deste ambiente, construído a partir do fundo do mar. Os fósseis do Monte Brasil são uma raridade a nível nacional mas também a nível internacional, não pela sua idade, mas pela juventude e génese”.Foi o Tenente-coronel José Agostinho, o primeiro a referir-se aos fósseis vulcânicos do Monte Brasil. Hoje, alguns fazem parte do espólio d’ “Os Montanheiros”. Esses fósseis têm particular importância por se referirem à flora de ilhas ainda não ocupadas por mamíferos. O estudo dos fósseis do Monte Brasil, anteriores à ocupação dos Açores pelos portugueses, permite perceber o real impacto do homem em ilhas virgens ou espaços ainda não intervencionados. Este é apenas um exemplo das riquezas naturais que Angra possui e que continuam desconhecidas para a maioria dos seus habitantes. Foi para captar a atenção de turistas e residentes para estes pormenores que escapam ao primeiro olhar que a Câmara Municipal de Angra lançou o CD multimédia “Ícones ambientais do concelho de Angra do Heroísmo”. Apresentado no passado dia 11, o CD reúne fotos, textos e vídeos sobre 13 aspectos do património natural do concelho, únicos ou muito raros. A par dos fósseis do Monte Brasil também o caracol da Fonte da Telha é realçado, uma espécie com 6 milímetros que é um endemismo da freguesia do Posto Santo. Outra espécie endémica em destaque é a aranha cavernícola do Algar do Carvão. Existente unicamente naquela zona, tem apenas 3 milímetros. As Furnas do Enxofre são uma raridade do ponto de vista biológico. É pela quantidade de plantas, briófitos, líquenes, algas e de alguma fauna adaptadas a condições específicas que se distingue a nível mundial. É também nas Furnas do Enxofre que encontramos a usnia krogiana, uma espécie de líquenes ou usneas, endémica dos Açores, rica em beleza natural e raridade.No Porto Judeu, a Gruta das Agulhas salienta-se pela sua importância biológica, dada a quantidade, variedade e qualidade de biofilmes decolónias de bactérias, que servem de investigação à Universidade dos Açores. Na mesma freguesia podemos encontrar os maiores ilhéus dos Açores. Os Ilhéus das Cabras apresentam uma fauna e flora marinha de interesse relevante não só para cientistas, mas também para mergulhadores recreativos e curiosos.Com uma grande quantidade de vegetação luxuriante, sobretudo endémica na Região, a Ribeira do Além é uma das ribeiras mais bonitas dos Açores. Situa-se na freguesia da Serreta. Mais acima, os Altares apresentam um cone vulcânico, de escórias soldadas, com características únicas no contexto da geodiversidade do planeta. O Pico Matias Simão assemelha-se apenas a formações vulcânicas existentes na Sicília, em Espanha e o arquipélago do Havai, no Oceano Pacífico. A serra de Santa Bárbara é um dos lugares com maior riqueza natural do país. A sua caldeira é o local com mais endemismos por unidade de terreno dos Açores e de Portugal. Na apresentação do CD multimédia, o professor catedrático António Firas Martins disse mesmo que se Darwin tivesse visitado a serra de Santa Bárbara, quando esteve na Terceira, não teria necessitado de ir às Galápagos para descobrir a teoria da evolução. É também na Serra de Santa Bárbara que se encontra a Lagoa Funda, uma das lagoas da ilha e dos Açores que não apresenta qualquer tipo de intervenção humana mantendo os seus habitats inalteráveis desde a formação das ilhas. O trevo de quatro folhas “marsilea azorica” é uma das plantas mais raras e ameaçadas do mundo. O feto endémico só existe no charco temporário da zona do Pico da Bagacina. Também o musgo “echinodium renauldii” é um dos mais raros da Europa. Fica na zona da Matéla, na freguesia da Terra Chã. O trabalho contou com a colaboração a título individual de vários professores da Universidade dos Açores. Francisco Cota Rodrigues, Eduardo Dias, Álamo Meneses, Félix Rodrigues, Maria de Lurdes Enes, Cecília Melo, João Pedro Barreiros, Rosalina Gabriel, Paulo Borges, Victor Hugo Forjaz e António Frias Martins deram testemunhos em vídeo sobre as diferentes espécies e locais salientados. A coordenação ficou a cargo de Félix Rodrigues, a nível de textos, e de Paulo Henrique Silva, que recolheu fotografias e vídeo. Rosalina Gabriel falou sobre o musgo neste trabalho. Para a professora da Universidade dos Açores, o trabalho serve para dar a conhecer o que existe de bonito no concelho. “Eu penso que qualquer pessoa que conhece as florestas naturais tem a certeza que elas seriam muito diferentes se não houvesse musgos. A biomassa que ali está é muito grande, eles estão em todo o lado, desde as rochas até aos troncos, até às folhinhas mais lá em cima, onde há menos quantidade de água. É importante que as pessoas comecem a olhar para eles. É bonito”, refere.Já Eduardo Dias, acredita que a divulgação destas espécies pode promover a sua protecção, mas pode também provocar o oposto. “É verdade que se não divulgarmos as pessoas não gostam, não apreciam e consequentemente não vão justificar a sua conservação, mas por outro lado o conhecimento leva a um maior interesse, que por vezes pode levar à destruição”, defende.Segundo o professor, os Açores começam já a dar os primeiros passos na conservação das espécies endémicas. “As medidas de conservação nos Açores são muito recentes e acho que ainda se está a fazer um percurso neste sentido. Estão a sair os parques de ilha e uma série de medidas de conservação básicas e estruturantes, que a Região não tinha. A gente tem de esperar que, de facto, este surto de interesse que a população e a comunidade estão a ter sobre a natureza dos Açores corresponda a uma devida proporção em termos da conservação, que no passado não era muito fundamentado, porque as pessoas desconheciam e não se interessavam e que agora começa a ser dramático, porque as duas coisas têm de andar a par e passo, divulgação/ promoção e conservação da natureza”, revela.

(in Diário Insular)

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terça-feira, setembro 22, 2009

Valor científico dos Açores está provado


Os estudos da biodiversidade dos Açores têm vindo a provar que as ilhas são um laboratório natural para estudar a evolução das espécies e a dinâmica e a ecologia dos espaços insulares. Em entrevista ao DI, Paulo Borges, que lidera estudos sobre a biodiversidade açoriana na Universidade dos Açores, fala sobre o momento actual da Ciência nas ilhas.
A comunidade científica açoriana quer demonstrar que Charles Darwin estava errado quando disse que nada havia de interesse na biodiversidade açoriana.
Sem dúvida. Nas últimas décadas, os resultados da investigação nos Açores, nomeadamente na área da biodiversidade – quer no Departamento de Biologia em São Miguel, quer no Departamento de Oceanografia e Pescas, no Faial, quer no Departamento de Ciências Agrárias, particularmente com o Grupo de Estudo da Biodiversidade dos Açores, na Terceira -, demonstram que existe uma riqueza enorme de formas de vida únicas no arquipélago. E estas têm uma grande importância no funcionamento dos ecossistemas dos Açores, como, por exemplo, ficou demonstrado com a crise da água na ilha Terceira, onde se mostrou que as florestas naturais e toda a sua estrutura é essencial para haver água de qualidade para os angrenses. Portanto, na recta final do século XX, todos esses estudos vieram demonstrar a importância dos Açores no ‘hotspot’ da biodiversidade que inclui a Madeira e as Canárias e os Açores.
Na sua opinião, porque o pai da Teoria da Evolução das Espécies não se interessou pelos Açores, quando por aqui passou?
Ao visitar as ilhas, Darwin não encontrou animais de grande porte. Portanto, ao não encontrar aves endémicas nem o morcego endémico, por exemplo, e ao não encontrar mamíferos endémicos, o naturalista – que esteve muito pouco tempo na Terceira – acabou por decretar o desinteresse científico da ilha. Obviamente, naquela altura, Darwin não teve nem a capacidade nem o tempo necessários para investigar os insectos, os caracóis e outras espécies, como aconteceu na sua passagem pelas Galápagos ou no Havai.
Com essa declaração, Darwin afastou os cientistas do arquipélago?
No início, acho que sim. Porque, nessa época, existiram estudos fantásticos na Madeira e nas Canárias, sobretudo realizados por investigadores ingleses e nórdicos. E não assistimos a esses estudos nos Açores. Na Região, a comunidade científica debruça-se sobre a biodiversidade das ilhas já no século XX, nomeadamente através de expedições de universidades estrangeiras e, mais tarde, pela Universidade dos Açores. E é com a universidade açoriana que ocorre um ‘boom’ de estudos e conhecimentos sobre o arquipélago. Por exemplo, só em caracóis nos Açores, cerca de 70 por cento são endémicos. E esse conhecimento é recente. Em artrópodes, só em 1990, é que começou a descobrir as 20 espécies endémicas das grutas. Portanto, os Açores andaram afastados da atenção da comunidade científica. Não totalmente, mas os estudos cá realizados foram residuais.
Por que a comunidade internacional não quis estudar o arquipélago, que é hoje reconhecido como um laboratório natural situado no meio do Atlântico?
Por um lado, os Açores não estiveram no centro das rotas aéreas entre a Europa e a América. Muitos investigadores passavam por Santa Maria – resultando daí o notável trabalho de Alberto Teixeira Pombo, que conseguiu desenvolver contactos interesses com os cientistas que por ali passavam – mas eram visitas pontuais. A Madeira, pelo contrário, estava na rota do turismo inglês; e as Canárias na rota do turismo do Norte da Europa. Além disso, as duas regiões beneficiaram da publicidade que Darwin lhes fez. Daí serem alvo de vários estudos. No fundo, as rotas passavam-nos ao lado. Por outro lado, algumas das descobertas que se realizaram, implicaram meios tecnológicos avançados, que há altura não existiam. Veja-se os estudos feitos no fundo marinho ou na copa das árvores dos Açores. Ou seja, os Açores acabam por mostrar o seu valor científico após ter sido possível realizar vários investimentos que resultaram num acumular de tecnologia e conhecimentos sobre a biodiversidade local.
O trabalho dos cientistas açorianos tem tido eco nas comemorações mundiais em curso sobre Charles Darwin?
Sim. Vários investigadores da Universidade dos Açores têm participado em vários eventos internacionais dedicados a Darwin. Um dos nossos alunos vai estar em Minorca. Outros, em Março, estiveram em Leipzig, a apresentar estudos sobre os Açores. Tivemos outros investigadores no México. E, de 19 a 23 de Setembro, o professor Frias Martins reúne investigadores locais com investigadores internacionais para demonstrar o valor dos Açores como laboratório de investigação na área da Biologia.
Diz-me que o ‘boom’ da investigação científica açoriana ocorre com a Universidade dos Açores. Neste momento, qual o ponto de situação no estudo da biodiversidade açoriana?
Os Açores, neste momento, em muitas áreas, estão no mesmo patamar de muitas outras áreas do planeta, nomeadamente Canárias, Norte da Europa, Madeira, Galápagos, Havai. Ou seja, em termos de estrutura e de cientistas, já atingimos um nível qualitativo idêntico a esses locais. Por exemplo, se consultar muita literatura científica recente, encontrará muitos trabalhos que comparam os Açores a outros arquipélagos. E noutros aspectos estamos na vanguarda. Por exemplo, o Portal da Biodiversidade dos Açores é, neste momento, único nos arquipélagos semelhantes. Apesar do projecto, conceptualmente, ter sido criado e desenvolvido nas Canárias, nós passamos da simples colocação de dados para a comunidade científica para a divulgação ao grande público. O sítio, neste momento, tem mais de duas mil visitas diárias, tem recursos enormes e recebe visitas de cientistas, de escolas, de cidadãos interessados. Além de cooperar com várias instituições governativas. Portanto, atingimos com este projecto uma dimensão educativa, científica, popular e de apoio governamental ao nível de gestão do Ambiente.
Portanto, toda a exposição conseguida com esse projecto é da responsabilidade da Universidade dos Açores, muitas vezes tida como uma instituição de segunda linha…
A Universidade dos Açores é responsável pelos conteúdos e pela investigação que os originam. Mas, não nos podemos esquecer, que sem o apoio incondicional de várias entidades governativas, não era possível a concretização quer deste projecto quer dos estudos científicos que vão sendo desenvolvidos. Por isso só, a academia não tem capacidade para realizar investigação. Sem o esforço único – que não é comparável ao que acontece na Madeira ou nas Canárias – que as entidades governativas regionais têm desenvolvido, não tínhamos chegado a este patamar.
Que leitura faz desses apoios?
Entendo-os como parte de uma estratégia concertada de promoção turística dos Açores como zonas sustentáveis da natureza. Têm vindo a ser aprovados os parques de ilha, por exemplo, que mais não são do que formas de promover as ilhas como belezas naturais, como zonas ‘wilderness’, em oposição ao turismo madeirense que não comporta a vertente de natureza selvagem, digamos assim.
Qual o grau de conhecimento nos Açores da sua biodiversidade?
Depende dos grupos taxionómicos. Por exemplo, ao nível das plantas, sabemos quase 90 por cento; os artrópodes, saberemos 60 a 70 por cento…
Qual a área menos conhecida?
Os insectos. Onde existem vários grupos mal estudados. Embora nos últimos cinco anos já se tenha aumentado o conhecimento que publicamos em livro em 2005.
É possível que se venham a conhecer espécies novas no arquipélago?
Sim. Ainda recentemente foram publicados artigos revelando dez novas espécies de aranhas e oito novas espécies de escaravelhos. Ao nível das plantas e dos musgos, há sempre descobertas a acontecerem. Tudo isto deriva do facto de existir uma equipa em trabalho contínuo, em investigação permanente. E, ao mesmo tempo que se descobrem novas espécies, descobrem-se também os factores que as põem em risco.
Qual a principal ameaça à biodiversidade açoriana?
Pelo que conhecemos, o perigo maior resulta das espécies invasoras. Felizmente, o Governo Regional tem um projecto em curso de combate às espécies invasoras (incenso, conteira, hortênsia, etc.) em zonas críticas.
O homem é ou será um perigo para a biodiversidade açoriana? Numa Região que pretende explorar o turismo de natureza…
Acho que não. Aliás, felizmente, o clima dos Açores está a protegê-lo de um turismo de massas. Parece-me que, nesse aspecto, a ilha que possa correr mais riscos é São Miguel…
As restantes não podem vir a sofrer com uma intensificação turística?
Não me parece, porque não me parece viável que essa intensificação ocorra. O tipo de turista que visita os Açores, se for bem coordenado, não representará qualquer perigo para a biodiversidade do arquipélago. Por exemplo, nas Galápagos, que têm um turismo mais agressivo, as autoridades locais conseguem minimizar essas presenças.
Dos estudos que tem realizado, têm sido feitas descobertas que, de certa forma, ponham em causa algumas das ideias que se têm sobre os Açores? Dou-lhe o exemplo da declaração de Eduardo Dias, professor da academia açoriana, que revela que o arquipélago vive uma segunda Primavera no Outono…
Sim. Há vários exemplos. Relativamente a esse que me dá, comprovamos que, ao nível dos musgos, existem dois picos de crescimento: na Primavera e entre Setembro e Outubro, no Outono. Há como que duas zonas de alegria e dinâmica das florestas derivadas do nosso clima. A nível dos artrópodes, há espécies – caso das moscas – que, no Outono, se desenvolvem também. Nas térmitas, o período de enxameamento vai de Maio a Outubro. Portanto, muitos dos estudos provam que as nossas condições ecológicas permitem novidades, nomeadamente ao nível da fisiologia dos indivíduos. Além disso, o facto de os Açores serem um arquipélago com diferentes idades de surgimento, é-nos possível propor novas teorias sobre a evolução e a colonização dos organismos dos Açores. Ou seja, estas ilhas, pelas suas características, são muito interessantes para estudar Evolução, Ecologia, Conservação da Natureza, Dinâmica das Espécies Invasoras, etc.
A comunidade científica internacional tem demonstrado interesse nessas matérias?
Sim. Muito. Recentemente, tivemos quatro projectos da Fundação da Ciência e Tecnologia aprovados com questões ligadas à problemática das ilhas, nomeadamente ecológicas e evolutivas. E foram projectos considerados pelo painel de avaliadores internacionais de grande importância.
Que mais-valias se retiram desses estudos, nomeadamente para o cidadão comum?
Estamos aqui a falar de investigação pura, que tem impacto sobretudo no avanço da Ciência internacional. Para o cidadão comum pode não haver impacto directo. Mas a Região, num primeiro momento, pode beneficiar do interesse de mais cientistas estrangeiros, que ao virem para os Açores significam rendimento, nomeadamente ao nível do turismo científico. Recentemente, por exemplo, tivemos cá cinco alunos da Universidade de Oxford a fazerem investigação. O que demonstra que o meio científico internacional vê potencial nestas ilhas, quando poderia centrar atenção noutras zonas do globo.
Percebo das suas palavras que a Universidade dos Açores se encontra incluída nas redes científicas internacionais, granjeando aí sucesso. Contudo, dentro de portas, a academia continua a não ser vista como um pólo de excelência. Porquê?
Falta as gerações suficientes de estudantes açorianos que, ao estudarem aqui, percebam e reflictam para o exterior essa importância. Esta academia tem 30 anos. E a dimensão científica e de investigação da Universidade dos Açores tem menos de 20 anos. Ou seja, ainda não houve tempo suficiente para a universidade ganhar, digamos assim, estatuto internamente e garantir à Região um conjunto vasto de quadros.
Como é possível, em pouco mais de dez anos, o conhecimento gerado na Universidade dos Açores ter aumentado tanto?
Há dez anos atrás, o número de doutorados nesta universidade era diminuto. Eu e os meus colegas, entramos aqui na década de 80/90 e fomos tirar os nossos doutoramentos no estrangeiro, ligando-nos a equipas internacionais de vanguarda. E aí, começamos a colocar os Açores no mapa da comunidade científica. Depois, é o efeito da bola de neve. A capacidade científica que leva tempo a formar, no caso dos Açores, encontra-se no auge neste momento, porque esses doutorados estão na melhor fase da sua produção. Daí este crescimento.
A Universidade dos Açores, na sua opinião, tem condições para produzir fornadas de doutorados que mantenham este ritmo na investigação local?
Acho que sim. No meu grupo, temos cinco alunos de doutoramento. Outros grupos têm também alunos desse nível. E esses alunos vão trabalhar na Região ou fora dela, potenciando a nossa investigação. Reconheço que para a população em geral, estas coisas não são visíveis, até porque, se calhar, a economia açoriana é muito baseada na agro-pecuária e a investigação de ponta da Universidade dos Açores não é muito nessa área, mas sim nos fundos submarinos, na climatologia ou na biotecnologia, assim como na biodiversidade, vocacionada para o eco-turismo e o turismo científico. Ou seja, enquanto a população em geral luta nos sectores económicos tradicionais, a Universidade dos Açores trabalha a nível da investigação científica pura e dura, que terá impacto na Região em outras vertentes.
A produção científica da Universidade dos Açores poderá alavancar outro patamar económico regional, centrado, por exemplo, no conhecimento?
Acho que não será possível sustentar um sector com grande impacto, por exemplo, ao nível do PIB. Mas será possível potenciar um impacto indirecto, nomeadamente ao nível da visibilidade dos Açores no exterior, que poderá atrair investigadores e turistas científicos. Agora, tenho dúvidas que isso signifique um pilar económico como, por exemplo, a Agricultura.
Na sua opinião, qual é o próximo passo que a Universidade dos Açores deve dar em termos de investigação?
Acho que agora é altura de dar tempo para que a Universidade dos Açores possa alcançar um patamar idêntico ao de outras academias nacionais, europeias e internacionais. Parece-me que esse é o caminho. A não ser que se decida investir fortemente na criação de centros de excelência, capazes de atrair investigadores de renome…
Acha que os Açores têm condições para consolidar esses centros de excelência?
Por que não? Recentemente foi criado, no DOP, um centro de observação do mar, que é um espaço de excelência. É um exemplo de que houve um interesse político imediato e que resultou num investimento nesse sentido. Há outras áreas onde isso pode acontecer. Por exemplo, na Terceira, podemos conseguir um grupo de excelência ao nível mundial para o estudo da ecologia e biodiversidade das ilhas. Estamos a trabalhar nesse sentido. Se conseguirmos continuar a cativar os orçamentos necessários, poderemos alcançar esse objectivo dentro de alguns anos. No entanto, reconheço que a nossa área de actividade não terá impactos económicos como, por exemplo, o centro de observação e investigação do mar, criado no DOP.
Mas podem produzir conhecimento fundamental, por exemplo, para a gestão do território?
Claro. Temos vindo a produzir investigação que auxilia os decisores. Lideramos o combate às térmitas, orientamos um mestrado de Educação Ambiental e promovemos o Portal da Biodiversidade. Ou seja, participamos em projectos que, no fundo, contribuem para a Região em termos concretos. Penso, assim, que estamos no caminho certo para demonstrar que os Açores têm valor como laboratório natural, algo que Darwin não reconheceu.
Os açorianos estão despertos e sensíveis à biodiversidade que os rodeia?
Os mais novos, sim. Os mais velhos, ainda continuam agarrados a alguns mitos ou ideias antigas. Aliás, prova disso, é a Região continuar a ostentar como símbolo uma planta invasora, a hortênsia. Quando temos a azorina, uma planta lindíssima e que é endémica. Mas, aos poucos, os açorianos vão despertando para estas temáticas. E, nesse aspecto, as escolas têm vindo a desenvolver um excelente trabalho na divulgação e promoção da biodiversidade insular.
Em termos de investigação científica, daqui a uma década, em que patamar deve estar a Universidade dos Açores?
Gostaria que, daqui a dez anos, tivéssemos capacidade para, por exemplo, publicar artigos científicos em revistas de grande dimensão, caso da Nature ou da Science. Neste momento, publicamos em revistas que não têm a dimensão de exposição destas.
Por que ainda não chegaram a esse patamar?
Já enviamos trabalhos para essas revistas, mas eles não passaram nas comissões de análise. Publicar nessas revistas implica ter uma experiência e um conjunto de dados acumulados de muitos anos para se descobrir detalhes e pormenores científicos únicos e inovadores em determinadas áreas. A nossa investigação ainda não atingiu essa dimensão temporal.

(in Diário Insular)

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Biodiversidade dos Açores

José Lourenço
Tema de abertura: em 1836, de regresso das Galápagos, o Beagle atracou em Angra, possibilitando que Charles Darwin (pai da Teoria da Evolução das Espécies) visitasse a ilha. Contudo, após o pequeno périplo, o naturalista decretou que os Açores não tinham motivo de interesse para as teorias da evolução. Quase dois séculos depois, os cientistas açorianos querem provar que Darwin errou. Os estudos da biodiversidade dos Açores têm vindo a provar que as ilhas são um laboratório natural para estudar a evolução das espécies e a dinâmica e a ecologia dos espaços insulares. Em entrevista ao DI, Paulo Borges, que lidera estudos sobre a biodiversidade açoriana na Universidade dos Açores, fala sobre o momento actual da Ciência nas ilhas. Reportagem: da Serra de Santa Bárbara ao caracol da Fonte da Telha, passando pelo Pico Matias Simão, são treze os aspectos em destaque no CD multimédia “Ícones ambientais do concelho de Angra do Heroísmo”. Características naturais únicas ou de grande raridade, que o município quer salientar aos olhos de turistas e residentes. É um trabalho da Câmara de Angra, coordenado por Félix Rodrigues e Paulo Henrique Silva. Reportagem: o proprietário da Olaria Simas falou a DI-Revista sobre a sua profissão, explicando as principais características da mesma, bem como do trabalho diário que esta envolve. Uma perspectiva de passado, presente e futuro de quem trabalha o barro há mais de uma década. Figura do Desporto: Juliana Paim foi das atletas que mais contribuiu para o sucesso das juvenis da ADREP na época anterior. Foram as mãos desta jovem que embalaram o belo jogo protagonizado pelas pupilas de Luís Maciel. Ao DI, confessa a sua paixão pela modalidade. Encerra esta edição um trabalho do nosso fotógrafo António Araújo com imagens sempre extraordinárias da peregrinação deste ano à Serreta, que ocorreu no passado fim-de-semana.

(in Diário Insular)

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segunda-feira, setembro 21, 2009

Novo método para combater as térmitas

Dentro de um ano, deverá começar a ser utilizado nos Açores um novo método de combate às térmitas.
O Governo dos Açores está a analisar os resultados dos testes efectuados por uma equipa de investigadores austríacos e americanos.O novo método tem a vantagem de ser altamente eficaz e de não ser tóxico.Reportagem vídeo:Marta Silva, Telejornal.

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domingo, setembro 06, 2009

Governo homenageia pioneiro do estudo científico em Santa Maria

O secretário regional do Ambiente e Mar, Álamo Meneses, enalteceu o pioneirismo de Dalberto Pombo, um dos primeiros habitantes da ilha de Santa Maria, sem formação científica, que se dedicou nas horas livres ao estudo da história natural.
No âmbito de uma palestra de homenagem a Dalberto Pombo, no Centro de Interpretação Ambiental que recebeu o seu nome, Álamo Meneses reconheceu que estamos perante um homem que representou “com muita dignidade a ciência em Santa Maria”.
“Foi um homem que embora sem formação científica foi um pioneiro na história natural de Santa Maria e na relação que estabeleceu com diferentes universidades”, afirmou o governante.
Segundo Álamo Meneses, Dalberto Pombo, fez importantes estudos do ponto de vista das migrações das tartarugas marinhas, área em que foi pioneiro no Atlântico, além de ter apoiados diversos cientistas que passaram pela mais antiga ilha açoriana.
A palestra de homenagem ao cientista amador, falecido em 2007, esteve a cargo do professor Paulo Borges, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.

(in Açores Net)

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sábado, setembro 05, 2009

Térmitas podem já estar também no Pico e Graciosa

O que significa para a luta contra as térmitas o aparecimento da espécie em S. Jorge? É um fracasso?
O aparecimento da térmita de madeira seca (Cryptotermes brevis) em São Jorge é perfeitamente natural, tal como o foi o aparecimento desta espécie recentemente em Lisboa. O transporte de mobílias e madeiras entre países e no caso concreto, entre as ilhas tem como consequência a dispersão das térmitas. Não se pode falar em fracasso, porque a chegada das térmitas a São Jorge terá ocorrido há mais de 10-15 anos altura em que estas não tinham ainda sido detectadas nos Açores pelos cientistas.
A carga de térmitas eventualmente existente em S. Jorge permitirá pensar, ainda, na erradicação ou a situação é irreversível a partir do momento em que as térmitas são detectadas?
Esta é uma possibilidade interessante que terá de ser avaliada com estudos de campo durante os próximos meses. Estes estudos vão ser possíveis devido ao provável financiamento de um projecto para estudo e monitorização da térmita de madeira seca (Cryptotermes brevis) nas nove ilhas dos Açores. Assim, pensamos que durante o próximo ano o financiamento da Direcção Regional da Ciência e Tecnologia à Universidade dos Açores irá permitir a determinação da possibilidade de erradicação desta térmita em São Jorge. Considero, no entanto, esta possibilidade de erradicação como remota!
Cinco ilhas já têm térmitas. A expansão às nove ilhas será inevitável ou haverá alguma estratégia que possa constituir uma espécie de tampão á expansão da espécie?
A melhor pergunta será: “A expansão às nove ilhas terá já ocorrido?”. Não sabemos. Como disse acima, só o estudo das nove ilhas poderá responder a esta questão. Na minha opinião existem elevadas probabilidades de que a térmita de madeira seca (Cryptotermes brevis) já esteja estabelecida nas ilhas do Pico e Graciosa.
A erradicação da praga, na globalidade da regional, ainda é possível ou não vale a pena pensar nisso?
Impossível! E segundo os especialistas que nos têm visitado, serão necessários pelo menos 20 anos de trabalho coordenado entre Governo, Empresas, Universidade e os proprietários das habitações para que se possa atingir uma situação satisfatória!

(in Diário Insular)

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quinta-feira, setembro 03, 2009

TRABALHOS ARRANCAM EM 2010 Grupo da Biodiversidade promove estudos sobre floresta e especiação

O Grupo da Biodiversidade dos Açores CITA-A (GBA) prepara-se para dar início a dois novos projectos científicos recentemente aprovados pela Fundação ad Ciência e Tecnologia (FCT). Enquanto o primeiro trata da floresta nativa dos Açores, o outro pretende abordar a especiação das ilhas da Macaronésia.

Denominam-se aos temas a “Previsão de extinções em Ilhas: uma avaliação em várias escalas” e “O que é que as ilhas da Macaronésia nos podem ensinar sobre especiação? Estudo de Tarphius (Coleoptera) e Hipparchia (Lepidoptera) de vários arquipélagos da Macaronésia”. Apesar de diferentes, os novos projectos científicos do GBA, cujo estudo de investigação deve arrancar no mês de Março do próximo ano, incidem ambos sobre a conservação da biodiversidade em ilhas oceânicas.
Em declarações ao nosso jornal, o responsável pelo GBA menciona as particularidades dos ecossistemas insulares, sublinhando que a “‘crise da biodiversidade’ em mais nenhum lugar é tão notória” como nas ilhas oceânicas. Paulo Borges revela que este projecto é inovador em dois aspectos. “A avaliação a vários níveis do risco de extinção que é devido à destruição e fragmentação dramática dos habitats; e a avaliação de previsões teóricas de extinções futuras, com avaliações à escala da espécie do tamanho das suas populações e diversidade genética”, explica.
Sobre as razões que fazem do arquipélago dos Açores o “sistema ideal” para levar avante deste projecto, o especialista aponta que essas ilhas perderam mais de 90 por cento da sua floresta original durante cinco séculos de ocupação humana; e sendo um dos arquipélagos mais isolados na Terra suportam um número significativos de espécies endémicas de uma só ilha. Aponta ainda o bom conhecimento da história da ocupação humana e da desflorestação é bem conhecida e os dados biogeográficos de qualidade existentes para muitas espécies de artrópodes. “Estamos particularmente interessados em determinar o efeito da perca extrema de habitats e fragmentação da floresta nativa dos Açores nas espécies de artrópodes endémicos especialistas de floresta”, sustenta.
Em termos de resultados práticos, o projecto a “Previsão de extinções em Ilhas: uma avaliação em várias escalas”, segundo Paulo Borges, “irá estabelecer ligações cruciais entre a teoria ecológica e a prática de conservação avançando na compreensão e protecção de uma parte única da herança Europeia em termos de biodiversidade, as Florestas Nativas dos Açores”.
Açores entre os ‘hot spot’ de especiação

Neste contexto, mas já no que concerne ao trabalho sobre a especiação, o coordenador revela que as ilhas da Macaronésia se revelaram recentemente também um “sistema ideal” para a realização de estudos evolutivos, além das ilhas do Pacífico. “Devido à sua localização geográfica, intervalo de idades geológicas e elevados níveis de endemismo, foram também reconhecidas como um sistema adequado para a investigação de múltiplas de questões evolutivas”, justifica. E acrescenta: “Os insectos estão entre os organismos que mais diversificaram nas ilhas da Macaronésia, contribuindo assim para o reconhecimento deste grupo de arquipélagos como um "hot spot" de especiação. Os escaravelhos do género Tarphius e as borboletas do género Hipparchia são exemplos de insectos com distintas capacidades de dispersão que colonizaram estas ilhas Atlânticas e que posteriormente sofreram extensa especiação”.
Paulo Borges revela que serão utilizadas técnicas moleculares e abordagens filogenéticas e de genética de populações para estudar colonização e diversificação em ilhas oceânicas, e adianta a finalidade dos resultados. “Serão apresentados à comunidade científica via submissão a reconhecidas revistas científicas e apresentações em congressos. De modo a colmatar a recorrente falta de partilha de conclusões de estudos científicos com o público em geral, iremos produzir material educacional atractivo e uma exposição itinerante”. E remata: “Estas iniciativas incidirão sobre a conservação da biodiversidade em ilhas oceânicas e, em particular, de espécies de artrópodes endémicos”. Participam nestes projectos, cujo orçamento ronda 330 mil euros na totalidade, os centros europeus University of Oxford -The Oxford University Centre for the Environment (OUCE) e University Athens, Departament of Ecology and Taxonomy – Faculty of Biology (DET), e University of East Anglia (UEA) - Centre for Ecology, Evolution and Conservation.
(in A União)

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São Jorge é quinta ilha afectada por térmitas

Está confirmada a presença de térmitas em São Jorge. É agora a quinta ilha afectada pela praga, que se junta, assim, à Terceira, São Miguel, Faial e Santa Maria. De acordo com o especialista em térmitas da Universidade dos Açores, Paulo Borges, trata-se da térmita de madeira seca Cryptotermes brevis, a espécie que tem provocado mais danos no arquipélago. A Cryptotermes brevis afecta várias habitações da Calheta. A espécie foi identificada durante uma visita de vistoria realizada pela especialista em Entomologia Urbana, Teresa Ferreira, a S. Jorge, Pico e Faial.Segundo o portal “SOS TÉRMITAS”, que cita Teresa Ferreira, o foco da praga nesta vila encontra-se ainda num nível de propagação inicial, sendo que apenas algumas casas na zona central da vila se encontram atingidas. Já Paulo Borges considera que o facto da presença de térmitas ter sido identificada com uma vistoria curta e não intensiva pode indicar que a praga já está “bem instalada”.Apesar de a praga não estar espalhada por toda a localidade, afecta algumas habitações há cerca de 15 a 20 anos, acredita ainda Teresa Ferreira. Tal como Paulo Borges, Teresa Ferreira defende agora a realização de mais estudos e vistorias completas à ilha, para obtenção do cenário real do problema.Teresa Ferreira realizou esta visita às ilhas do triângulo no âmbito do seu trabalho de mestrado, na área do estudo genético da praga.A presença de térmitas em São Jorge já tinha sido referida, há vários anos, por uma empresa de restauro de mobiliário e antiguidades. Agora está confirmada.
Açores estudados
Entretanto, o especialista em térmitas Paulo Borges já adiantou a DI que foi submetido a aprovação pelo Governo Regional um projecto que propõe uma vistoria geral às nove ilhas dos Açores, de modo a avaliar a dimensão total da praga no arquipélago.“Se for financiado, o projecto arranca em Novembro”, adianta Paulo Borges, para quem a necessidade de avançar com o estudo ganha agora ainda mais uma justificação.O especialista recomenda à população da Calheta que se informe sobre a praga, nomeadamente através do portal “http://sostermitas.angra.uac.pt”. Deve existir extrema cautela na movimentação e transporte de madeiras entre habitações, localidades, bem como para outras ilhas.
Relatório vai identificar zonas mais problemáticas da cidade
Angra com mapa da praga concluído em Outubro
Deve estar concluído, em Outubro, um relatório que traça o mapa da presença de térmitas na cidade de Angra do Heroísmo. De acordo com o especialista na praga, Paulo Borges, da Universidade dos Açores, o relatório vai ser entregue à Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e ao Governo Regional. Paulo Borges explica que o protocolo estabelecido com o município angrense, que permitiu a colocação de armadilhas em dez ruas da cidade, lançou assim a possibilidade de identificar quais as zonas em que a praga está mais presente.“Até agora tivemos bastante sucesso e apanhámos muitas térmitas, até na zona do Corpo Santo, onde se pensava que não existissem muitas. Isto permitiu-nos perceber que as térmitas existem por toda a cidade e saber a situação real, para que as entidades responsáveis possam tomar medidas”, explica, a DI.“Para além de serem colocadas armadilhas na rua foram-no também no interior de várias habitações, o que permite ter uma noção, ainda, do que se passa nas casas”, conclui. Paulo Borges adianta também que já foi entregue o relatório das empresas que estiveram, em Julho, na Terceira, a Thermo Lignum, da Áustria, e a Therma Pure, dos Estados Unidos, que apresentam “soluções interessantes” para a erradicação da praga no arquipélago. Ambas as empresas usam o método de combate pela temperatura“Há abertura do Governo Regional para a realização de testes e para a formação de empresas açorianas nesta área. É um tempo de viragem”, acredita Paulo Borges.

(in Diário Insular)

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sexta-feira, agosto 07, 2009

Biodiversidade dos Açores na Enciclopédia das Ilhas

Os Açores marcam presença na Enciclopédia das Ilhas, com um capítulo sobre a sua biodiversidade. A publicação da prestigiada Califórnia University Press, apresenta vários capítulos sobre ilhas de todo o mundo. A editora escolheu diversos cientistas de vários países para escrever sobre o tema. Nos Açores a responsabilidade ficou a cargo do professor da Universidade dos Açores, Paulo Borges. Para o investigador a publicação de um capítulo na Enciclopédia das Ilhas dá projecção ao arquipélago. “É mais uma forma de dar a conhecer os Açores”, defende. Paulo Borges salienta que a Região ainda é pouco conhecida no estrangeiro e dá como exemplo o caso de três alunos da Universidade de Oxford, a fazer mestrado na Universidade dos Açores, que contam que os amigos e familiares nem sabiam a localização exacta do arquipélago. “Conheciam as Canárias, alguns até a Madeira, mas não conheciam os Açores”, revela. “Existe ainda muito desconhecimento sobre os Açores”, frisa.
Promoção da RegiãoSegundo o investigador, a colaboração com a Califórnia University Press surge como consequência dos trabalhos desenvolvidos pela Universidade dos Açores. Paulo Borges defende que é graças à investigação desenvolvida pela entidade e ao empenhamento do Governo Regional em proteger áreas naturais que os Açores são agora colocados no mapa, pela sua biodiversidade.Para o professor da Universidade dos Açores, o arquipélago passa a ser um exemplo, no campo da biodiversidade, à semelhança de outras ilhas mais conhecidas, como o Havai ou as Galápagos. Paulo Borges destaca ainda a importância do Portal da Biodiversidade da Universidade dos Açores em termos de promoção do arquipélago. “Os documentos são muito acedidos e pensamos que muitas vezes por turistas”, realça. O artigo escrito no inicio de 2008, que é agora publicado, é da autoria de Paulo Borges, em colaboração com Isabel Amorim, Rosalina Gabriel, Regina Cunha, António Frias Martins, Luís Silva, Ana Costa e Virgílio Vieira, todos eles investigadores da Universidade dos Açores
Biodiversidade
Para além da localização geográfica do arquipélago, o capítulo mostra a biodiversidade dos Açores de uma forma “clara e concisa”. Começa por dar a conhecer a geologia do arquipélago, “fundamental para perceber como é que a biodiversidade se formou”. O artigo descreve ainda as diferentes espécies existentes nos Açores, com um quadro que enumera a fauna e flora do arquipélago. Das 4467 espécies e subespécies de plantas terrestres e animais conhecidas, 420 são endémicas. Por esse motivo, Paulo Borges diz que há um ênfase para as espécies endémicas. Também aparecem descritos no artigo os processos evolutivos da formação das espécies endémicas. A evolução é figurada através de quatro gráficos que dão a conhecer o padrão de riqueza de quatro grupos, indígenas briófitas, plantas vasculares, moluscos terrestres e artrópodes.
Conservação
No final, os investigadores apresentam um conjunto de aspectos que devem ser tidos em consideração para a conservação das espécies na Região..“A fragmentação e a degradação de habitats, juntamente com a propagação de espécies não indígenas são as maiores ameaças à biodiversidade terrestre nos Açores”, refere o artigo. “O progresso da conservação da biodiversidade dos Açores depende predominantemente de estudos a longo prazo sobre a distribuição e abundância de espécies focais e do controlo de espécies invasoras”, defendem. Uma investigação para a qual dizem ser necessário um “compromisso sério de cientistas, políticos e público em geral”.
(in Diário Insular)

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segunda-feira, julho 27, 2009

Projecto de monitorização financiado pela edilidade angrense

A Câmara Municipal de Angra do Heroísmo vai financiar com 15 mil euros um projecto de monitorização da praga de térmitas da madeira seca que está assolar a zona histórica da cidade.A iniciativa que se desenrola até ao final do Verão, envolve uma equipa da Universidade dos Açores com um supervisor científico, uma aluna de doutoramento e dois técnicos de campo que vão usar duas centenas de armadilhas colocadas em dez artérias e habitações da cidade. Andreia Cardoso, presidente da autarquia angrense, sublinhou que “o projecto assenta em três prioridades: programa agressivo de controlo, monitorização a partir de 2009 como ano zero e sensibilização da população para medidas de controlo e combate”.Por outro lado, salientou a importância da cooperação entre a autarquia e a Universidade dos Açores que vai coordenar e monitorizar o projecto. Paulo Borges, professor e investigador da Universidade dos Açores, que tem apresentado diversos planos para controlo e combate a esta praga disse que “é preciso conhecer a situação cinco anos depois da primeira avaliação feita em 2004”. Por isso, acrescentou, “a monitorização é fundamental para se ter uma ideia da sua densidade e encontrar os melhores métodos para controlo e combate”.Um dos projectos, a implementar “visa conhecer a situação das térmitas em todas as ilhas” e outro “sobre como lidar com os resíduos das térmitas” e são apoiados, respectivamente pela direcção regional da Ciência e Tecnologia e secretaria regional do Ambiente. Segundo o investigador da Universidade dos Açores vão adoptadas em breve novas técnicas de combate às térmitas que resultam do trabalho realizado por uma empresa americana e outra austríaca.Referiu que no caso da empresa norte-americana existe disponibilidade para a cedência dos direitos comerciais da nova técnica a empresas açorianas interessadas enquanto que os austríacos preferem testar no terreno as técnicas de combate às térmitas que estão a desenvolver.De acordo com Paulo Borges estão, até ao momento, inventariados três tipos de térmitas: as que atacam a madeira seca (uma espécie com origem nas Índias Ocidentais), as que atacam videiras e pomares e uma espécie subterrânea (de origem europeia).

(In Diário Insular)

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domingo, julho 26, 2009

ATRAVÉS DE ARMADILHAS Universidade monitoriza térmitas em Angra

A Câmara Municipal de Angra do Heroísmo irá financiar um projecto de monitorização da praga das térmitas a cargo do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores (UAç) em conjunto com a Fundação Gaspar Frutuoso, que estará no terreno até ao fim do Verão.
Orçado em 15 mil euros, este projecto visa a instalação de 110 armadilhas de cola em 11 ruas seleccionadas do centro histórico de Angra, e no mesmo número em habitações particulares, de forma a que a equipa de especialistas da UAç, formada por um supervisor científico, uma aluna de doutoramento e dois técnicos de campo, possa criar um mapa actualizado do estado da praga e, ao mesmo tempo, sensibilizar a população sobre o problema.
Paulo Borges, professor e investigador da UAç, responsável científico do projecto, referiu na sua apresentação que as armadilhas são instaladas em postes de iluminação pública e em casas, sendo substituídas ao fim de 15 dias para auferir a quantidade de térmitas capturadas. O especialista admitiu que esta “não sendo a solução total para o problema” vai permitir conhecer a situação cinco anos depois da primeira avaliação feita em 2004, que indica que 50% dos edifícios do centro de Angra do Heroísmo estão infectados com térmitas e metade destes já apresentam valores elevados de infestação.
Andreia Cardoso, presidente da Câmara, destacou na sua intervenção a importância desta iniciativa pelo facto de permitir criar “ condições e meios para um combate mais efectivo às térmitas”, classificando 2009 como “ano zero da monitorização”. A autarca lembrou que a CMAH “tem dado o seu aval aos casos em que somo solicitados pela população”, considerando, no entanto, que esta abordagem se revela insuficiente para fazer face ao problema das térmitas da madeira seca.

Aferir a praga nos Açores

Paulo Borges referiu ainda que a UAç tem em mãos dois projectos de combate às térmitas solicitados pelo Governo Regional.
Um deles, a pedido da Direcção Regional da Ciência e Tecnologia, visa realizar um levantamento da situação das térmitas nas nove ilhas dos Açores, de maneira a que as autoridades tenham uma visão geral do problema em todo o arquipélago, trabalho que deverá arrancar em Novembro, adiantou o professor universitário.
De acordo com Paulo Borges estão, até ao momento, inventariados três tipos de térmitas: as que atacam a madeira seca (uma espécie com origem nas Índias Ocidentais), as que atacam videiras e pomares e uma espécie subterrânea (de origem europeia).
Outro projecto prende-se com a implementação da Região da técnica da temperatura, método utilizado para a exterminação das térmitas em larga escala.
Segundo Paulo Borges, a Secretaria Regional do Ambiente requisitou a duas empresas internacionais relatórios sobre a viabilidade da utilização desta técnica nos Açores, sendo que o processo está neste momento parado, dependendo da chegada desses documentos.

(in A União)

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sábado, julho 25, 2009

Monitorizar térmitas em Angra

sexta-feira, julho 24, 2009

Especialistas vão apresentar novas técnicas de combate às térmitas que estão a dar cabo das casas açorianas

Na Terceira, na próxima semana, novas técnicas de combate às térmitas vão estar em debate numa reunião em que estarão presentes vários especialistas internacionais.
O evento vais servir também para que os investigadores apresentem em Angra do Heroísmo, as novas técnicas de combate à praga, revelou o investigador Paulo Borges, da Universidade dos Açores, que revela ainda que este é uma assunto que tem ainda muito para ser estudado.
Paulo Borges é um dos especialistas que se tem dedicado ao estudo das térmitas, uma praga que tem vindo a aumentar no arquipélago, tendo sido ouvido esta semana pela Comissão Política do Parlamento açoriano, tendo dito que a situação é grave, sublinhando que sem estudos científicos, todas as acções representarão dinheiro mal gasto, sendo necessário que o combate a estes insectos surja de uma acção conjunta do Governo, autarquias, proprietários e investigadores.
Já este ano o especialista em insectos admitiu que “a infestação de térmitas estava sem controlo nas quatro ilhas afectadas, admitindo a possibilidade de S. Jorge já estar a ser atingido pela praga.
Paulo Borges é também autor do livro “Térmitas dos Açores - Contributo para a sua Gestão” no qual preconiza que para combater o problema é necessário implementar um plano de “ataque às térmitas adultas nos meses de Maio, Junho e Julho, com o uso de armadilhas”. Para que isso seja funcional, admite “o recurso a jovens em férias de Verão, a que se dará formação adequada, para andarem junto da população a ensinar a montar as armadilhas” para “controlar a população de adultos e evitar o seu alastramento a outras habitações”, mas até hoje essa é apenas uma possibilidade em cima da mesa.
Refira-se que as térmitas, na Região, são responsáveis por graves danos em edifícios habitacionais e patrimoniais, originado inclusive situações de colapso nas estruturas de madeiras afectadas.
Em 2002, foram detectadas colónias de térmitas na zona histórica de Angra do Heroísmo, classificada como Património Mundial, e, mais tarde, nas cidades de Ponta Delgada, Horta e Vila do Porto.
Dada a gravidade da situação, o Governo Regional dos Açores decretou os termos de regime específico para apoios financeiros nas modalidades de comparticipação a fundo perdido ou financiamento com juros bonificados a atribuir às populações (Decreto Legislativo Regional nº 5/2008/A).
Nos Açores estão inventariadas três tipos de térmitas, as que atacam a madeira seca, as que atacam videiras e pomares e uma espécie subterrânea, de origem europeia. No arquipélago, a totalidade das habitações afectadas encontra-se na zona urbana, já que nas freguesias rurais mais húmidas não foi localizada qualquer espécie de térmitas, pelo facto de as madeiras possuírem diversos fungos e serem bastante húmidas.
Estes dados constam de um estudo feito recentemente pela Universidade dos Açores Intitulado “Envolvimento dos Cidadãos no Controlo das Térmitas Urbanas nos Açores”, e comparticipado financeiramente pelo Governo Regional. O estudo recomenda a aplicação de Xylophene SOR40 nas madeiras com a finalidade de as proteger contra a praga. O estudo elaborado pela Universidade dos Açores, liderado pelo investigador Paulo Borges, apresenta soluções, técnicas de tratamento e medidas de prevenção no combate às térmitas.
No que concerne ao tratamento e de acordo com o estudo da universidade açoriana, o Xylophene SOR40 e o “Wocasene” como sendo os produtos ideais para o combate às térmitas. O Xylophene SOR40 é um insecticida e fungicida para ser usado em madeiras, quer exteriores quer interiores. É um produto destinado ao tratamento preventivo e curativo da madeira de construção e imobiliário. Este produto da Dyrup tem uma acção infalível contra térmitas e insectos xilófagos, adianta o estudo da Universidade dos Açores.
Nas zonas urbanas, as térmitas encontram melhores condições climatéricas para o seu desenvolvimento, nomeadamente madeiras mais secas. Os casos mais graves são os de Angra do Heroísmo, Horta e Ponta Delgada, mas estão já a surgir problemas também na ilha de Santa Maria.

(In Diário dos Açores)

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