sábado, novembro 14, 2009

Investigadores açorianos avaliam riscos de extinção


O Grupo da Biodiversidade dos Açores (GBA) vai lançar no início do próximo ano dois novos projectos destinados a avaliar “o risco de extinção de diversas espécies em ilhas”, revelou ontem o investigador Paulo Borges.“A crise da biodiversidade em mais nenhum lugar é tão notória como nas ilhas oceânicas pelo que estudar as melhores soluções para a sua conservação é fundamental”, considera Paulo Borges que vai contar com um apoio de 320 mil euros da Fundação da Ciência e Tecnologia.No caso dos Açores, “os estudos de campo e genética orientam-se no sentido de perceber se nas diferentes ilhas, que têm florestas mais pequenas, se as espécies estão a perder diversidade e em risco de extinção devido ao aumento das pastagens”.Segundo Paulo Borges “a ideia é posteriormente aumentar a florestação recorrendo a essas espécies”.
Riscos
As ilhas com maior risco de extinção de espécies, de acordo com o investigador, são Santa Maria, São Miguel, Faial e São Jorge porque “possuem manchas florestai pequenas e espécies únicas (endémicas) em risco”.Adianta que os Açores perderam mais de 90 por cento da sua floresta original durante cinco séculos de ocupação humana e que, sendo um dos arquipélagos mais isolados na Terra, suportam um número significativo de espécies endémicas de uma só ilha.A investigação (que envolvem mais de uma dezenas de investigadores) vai ainda procurar determinar o efeito da perda de habitats e da fragmentação da floresta nativa dos Açores nas espécies de artrópodes endémicos especialistas de floresta.Um dos projectos denomina-se “Previsão de extinção em ilhas: uma avaliação em várias escalas” e o outro “O que é que as ilhas da Macaronésia nos podem ensinar sobre especiação?”.Segundo o investigador da Universidade dos Açores, os projectos (a começar em Março de 2010) “são inovadores” porque “a avaliação a vários níveis do risco de extinção que é devida à destruição e fragmentação dramática dos habitats”.Por outro lado, explica, porque serão feitas, também, “avaliações de previsões teóricas de extinções futuras, com avaliações à escala da espécie do tamanho das suas populações e diversidade genética”.Finalmente, Paulo Borges acredita que o projecto “irá estabelecer ligações cruciais entre a teoria ecológica e a prática de conservação avançando na compreensão e protecção de uma parte única da herança Europeia em termos de biodiversidade”.
Ampla divulgação
Os resultados destes estudos, segundo Paulo Borges, serão apresentados à comunidade científica internacional através de artigos em revistas da especialidade e da apresentação em congressos internacionais.Além disso, para promover a divulgação do conhecimento adquirido junto da população açoriana, o GBA pretende organizar uma exposição itinerante, assim como produzir material educacional.O GBA orienta estes dois projectos, que contam com a participação da Universidade de Oxford (The Oxford University Centre for the Environment), da Universidade de Atenas (Departament of Ecology and Taxonomy – Faculty of Biology) e da Universidade de East Anglia (Centre for Ecology, Evolution and Conservation).Na última semana, a União Internacional para a Conservação da Natureza anunciou a lista actualizada das espécies mundiais em risco de extinção, onde se encontram alguns exemplares açorianos.Segundo o documento, uma das espécies em risco na Região é o trevo de quatro folhas “Marsilea azorica” (protegida pela Convenção de Berna e Directiva Habitats), do qual só existem meia centena de exemplares num charco no interior da ilha Terceira.O morcego endémico dos Açores e algumas espécies de moluscos terrestres também preocupam também os biólogos açorianos.

(in Diário Insular)

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quinta-feira, agosto 06, 2009

Espécies endémicas em risco de extinção

Metade das plantas endémicas dos Açores correm risco de extinção. Trata-se de uma situação poderá ter implicações no ciclo da água de algumas ilhas.
Cerca de metade das 32 espécies endémicas dos Açores em risco de extinção podem desaparecer em pouco tempo se não forem tomadas medidas para as proteger. De acordo com estudos científicos, essa possibilidade de extinção é cada vez mais evidente devido a alterações verificadas nas áreas onde as espécies endémicas ainda existem. “Houve uma alteração profunda da ocupação do solo com o aumento progressivo das áreas de pastagem e com situação das águas superficiais das lagoas e ribeiras, que tem levado a uma quebra profunda da extensão dos habitats naturais”, refere o investigador da Universidade dos Açores, Eduardo Dias. Assegura que algumas das plantas endémicas que estão referenciadas como estando em perigo estão tecnicamente extintas porque apenas restam alguns exemplares. Entre as plantas que correm grande perigo de extinção estão a Marsilea azorica, Prunus azorica, Euphasia grandiflora e Ammi trifoliatum. Eduardo Dias manifesta a sua apreensão com o facto de não haver planos de recuperação das espécies em risco de extinção, uma vez que não existe nenhum impedimento técnico para que isso aconteça. “Existe capacidade para se criar planos para restaurar espécies que estão em alto risco de extinção”, afirma. Caso perca algumas das suas plantas endémicas, a Região fica a perder não só no que se refere à preservação da sua flora, como também nos recursos hídricos. De acordo com Eduardo Dias, “uma parte importante dessas espécies estão relacionadas com a manutenção dos aquíferos superficiais e da regularização da água. A sua extinção implica perca de capacidade de controlar o meio ambiente e obriga a investimentos avultados para podermos ter água”.
Medidas em curso
Por seu turno, o secretário regional do Ambiente e do Mar, Álamo Meneses, garante que estão a ser tomadas medidas para proteger a flora endémica. Álamo Meneses reconhece que “é necessário fazer mais”, mas assegura que está a ser feito “um grande esforço” para repor a vegetação endémica em algumas ilhas. “Estamos a criar reservas naturais em todas as ilhas que envolvem acções que vão no sentido de proteger as espécies endémicas”, acrescentou.
(in Diário Insular)

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sábado, julho 18, 2009

Contributo para a conservação da espécie Azorina vidalii (Wats.) Feer

Glória Monteiro e Eduardo Dias apresentaram, no 2º Congresso Lusófono de Ciência Regional, realizado na Cidade da Praia, em Cabo Verde, de 6 a 11 de Julho de 2009, uma comunicação intitulada "Contributo para a conservação da espécie Azorina vidalii (Wats.) Feer".
Azorina vidalii, espécie alvo deste estudo, trata-se de um género monoespecífico da família Campanulaceae, considerada em perigo crítico pelos critérios da IUCN (2001), protegida pela Convenção de Berna (revisão de 2002) – Anexo I e pela da Directiva dos Habitats DL 49/2005 de 24 de Fevereiro – Anexo II sendo considerada espécie prioritária.
O objectivo geral deste estudo é contribuir para a integração da conservação desta espécie no desenvolvimento local, utilizando como instrumento o conhecimento das suas populações. Efectuou-se durante este estudo uma avaliação da distribuição, da ecologia e da biologia das populações existentes na ilha Terceira (de acordo com estudos do GEVA, existente em oito das nove ilhas).
Numa primeira fase foi efectuada uma análise da informação histórica existente acerca da distribuição desta espécie nas ilhas seguida de uma confirmação das mesmas efectuando uma caracterização das áreas onde foram confirmadas as populações nomeadamente em termos climáticos, localização de linhas de água e análises de solos.
Para os estudos demográficos e foram realizados mais de 70 círculos, com o objectivo de nestes assinalar dados relativos à a classe de idade, ao número dos espécimes situados a partir de uma fonte de dispersão, bem como analisar ameaças existentes.
Continuadamente procedeu-se ao estudo da biologia desta espécie assinalando aspectos relevantes na germinação das suas sementes. Os dados obtidos demonstram a existência de 3 grandes populações na ilha são nas Quatro Ribeiras, Porto Martins e Monte Brasil.
A maior das populações em termos de área é a referente ao Porto Martins. No que se refere à demografia, as populações do Monte Brasil são as que apresentam maiores números de plântulas, demonstrando que em termos potenciais é a população que mais pode crescer. Em termos de ameaças a esta espécie pode-se realçar a presença de espécies invasoras tais como o Carpobrotus edulis, a presença de lixos e a pressão urbana para construção de infra-estruturas e presença de zonas balneares.
Trata-se então de uma espécie rara com populações tendencialmente alteradas mas em relativo bom estado de conservação. A sua resiliência estará dependente da criação de um plano para a espécie em estudo, integrado nas POOC (Plano de Ordenamento da Orla Costeira) e no PDM (Plano Director Municipal) é, uma vez que grande parte das suas populações encontra-se fora de áreas protegidas e das áreas da Rede Natura 2000.
Duma forma geral os POOC tomam em consideração a protecção e integridade biofísica do espaço, com a valorização dos recursos existentes e a conservação dos valores ambientais e paisagísticos. Assim por norma deveria integrar propostas e medidas de conservação para esta a espécie endémica. A conservação desta espécie deve ser uma prioridade das políticas conservações regionais, já que esta constitui um género endémico da flora vascular dos Açores.

(In Cabo Verde - Redes de Desenvolvimento Regional)

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terça-feira, dezembro 02, 2008

Flora e Vegetação da Macaronésia

sábado, agosto 30, 2008

Contribute to the management of the relationship between cherry orchard management and the conservation of an endemism (Asphodelus bento-rainhae)

Foi apresentado no 48th Congress of the European Regional Science Association, ERSA 2008, em Liverpool o trabalho de Isabel Maria Rodrigues da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Castelo Branco, Fabíola Sabino Gil e Tomaz Dentinho do Departamento de Ciências Agrárias (Grupo de Gestão e conservação da Natureza -Angra do Heroísmo) da Universidade dos Açores.
De seguida resume-se a intrevenção efectuada, com o título: "Contribute to the management of the relationship between cherry orchard management and the conservation of an endemism (Asphodelus bento-rainhae P. Silva) in the Serra da Gardunha.
As cherry production increases in the northern slope of Serra da Gardunha (Beira Interior region, Portugal) conflicts arise between farmers and environmentalists. The expansion of the orchards promises enhanced income and a considerable socioeconomic impact on the region, but it also threatens the endemism Asphodelus bento-rainhae P. Silva. This study aims at finding the trade-off between cherry yields (tonne/hectares) and the area covered by Asphodelus bento rainhae (%) for a given plot of land, thus generating the needed information to find and promote a suitable and sustainable equilibrium between economic development and natural resource conservation.
The data was collected in orchards of the Fundão municipality where the Asphodelus bento-rainhae populations are located. These orchards receive technical support from the local integrated pest management service. Cluster analyses, multiple linear regression and neural networks were used to identify the variables that influence cherry yields and the presence of Asphodelus bento-rainhae.
The method of removal of spontaneous vegetation from the slopes between terraces, stood out in the analyses: when cutting was used, the area covered by Asphodelus bento-rainhae increased and the cherry yields decreased. However, when other methods were used to remove slope cover such as applying herbicides per se or accompanied by cutting, the cherry yields increased and the Asphodelus bento-rainhae diminished. The remaining management and environmental variables were not linked to significant effects either on cherry yields or on the Asphodelus bento rainhae distribution. The results suggest that it is possible to increase cherry yields without decreasing the endemism distribution as long as slope management is not carried out with herbicides.

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segunda-feira, agosto 18, 2008

"Cumplicidade" na extracção "ilegal" de inertes

"É lamentável que durante semanas tenham saído, diariamente, da zona dos Biscoitos, duzentos camiões carregados de pedra e ninguém no governo, com responsabilidades de inspecção na área do ambiente, desse por isso", afirmou o líder social-democrata Costa Neves, muma conferência de imprensa no local, em que alertou para a "cumplicidade do governo regional com as empresas de construção civil na extracção ilegal de inertes". Em causa está um local no interior da ilha Terceira, na freguesia dos Biscoitos, onde proprietários dos terrenos - a quem as empresas pagam - e governo permitiram a extracção de pedra, para o que foi necessário derrubar parte de um coberto vegetal com plantas endémicas. Das espécies endémicas afectadas, os especialistas salientam a urze, o cedro do mato, o louro, a faia da terra e algumas espécies de fetos. A situação foi denunciada às autoridades, incluindo as policiais, por Adalberto Couto, licenciado em Conservação e Gestão da Natureza no Departamento de Ciências Agrárias do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores", mas a suspensão da extracção só foi determinada depois de divulgada pelos órgãos de comunicação social. Costa Neves referiu que "mais do que as queixas junto das autoridades judiciais", que o PSD/Açores pondera efectuar, "é importante mobilizar a opinião pública que numa democracia é mais rápida a actuar do que os tribunais". "O certo é que passados quatro meses sobre a suspensão da extracção de pedra, o local está na mesma como se tivesse acabado apenas ontem", disse. O líder do maior partido da oposição açoriana interrogou-se sobre quais "as multas e penas que sofreram as empresas e os proprietários dos terrenos" e sobre quais "as consequências para o governo depois destas incúrias". Costa Neves frisou que "na ilha Terceira o governo não dispõe de vigilantes ambientais" acusando, também, o Inspector Regional do Ambiente de "não estar preparado para o cargo que exerce". Costa Neves manifestou-se favorável à requalificação da via rápida Angra do Heroísmo-Praia da Vitória, nomeadamente "a reparação do piso, a colocação de um separador central e soluções de segurança para as saídas à esquerda". "Sou contra a colocação das nove passagens aéreas e caminhos laterais para os animais", disse o líder social-democrata açoriano. Costa Neves sustentou que "esta obra, além de resolver alguns problemas de segurança, só resolve os problemas dos empreiteiros", realçando que "para a circulação dos efectivos animais existiam melhores soluções". Por outro lado, mostrou-se surpreendido pelo facto "de uma obra que custa 25 milhões de euros não ter um estudo de impacto ambiental". Com esse estudo, acrescentou, teria sido possível conciliar as obras com a preservação do ambiente em particular prever os locais para extracção de pedra e bagacina. Costa Neves fez ainda alusão a um outro local de onde está a ser extraída bagacina e que também não tem licenciamento de extracção, existindo apenas autorização para a sua posterior reflorestação, o que, na sua opinião, “significa tornear a lei”. Na ocasião disse ainda que "este tipo de situações acontecem em outras ilhas" dando como exemplo Santa Maria, São Miguel e Flores.
(In Açoriano Oriental)

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segunda-feira, agosto 11, 2008

Herbário do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores incluído no Index Herbariorum

Os autores do Index Herbariorum (HOLMGREN & al., 1990), publicam regularmente notas de adição de novos herbáriosna revista Taxon.
O Herbário do departamento de ciências Agrárias da Universidade dos Açores encontra-se nessa lista referenciado como Azores (AZU).

Herbarium Departamento de Ciências Agrárias Universidade dos Açores
Direcção: 9700 Angra do Heroísmo, Açores.
PORTUGAL
Telefone: [351] 295/ 331 491.
Fax : [351] 295/ 332 605.
Responsável: Eduardo Dias edias@uac.pt
N.º especímes: 12.254
Herbario : Flora da Macaronesia, sobretudo dos Açores.

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segunda-feira, julho 14, 2008

Racionalizar técnicas para garantir a biodiversidade, na óptica do desenvolvimento sustentável

Foi apresentado na Conferência: “Society for Conservation Biology 2008 Annual Meeting” o trabalho de Fabíola Gil, Isabel Maria Rodrigues e Tomaz Dentinho, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Castelo Branco sobre “Contribute to the Understanding of the Relation Between Cherry Orchard Management and the Conservation of an Endemism (Asphodelus bento-rainhae”.
O aumento da produção de cereja na vertente norte da Serra da Gardunha (Beira Interior) cria conflitos entre os agricultores e os defensores do ambiente. A expansão dos pomares têm contribuído para o aumento do rendimento e tem tido um grande impacto socioeconómico na região, mas também ameaça o endemismo Asphodelus bento-rainhae P. Silva. Este estudo pretende encontrar o trade-off entre a produção de cereja e a área coberta por Asphodelus bento-rainhae (%) para cada parcela, gerando assim a informação necessária para encontrar e promover um equilíbrio sustentável entre o desenvolvimento económico e a conservação dos recursos naturais. Para identificar as diversas variáveis que influenciam a produção de cereja e a presença de Asphodelus bento-rainhae foram usadas análises de clusters, regressão linear múltipla e redes neuronais artificiais.
Nestas análises destacou-se o método de remoção da vegetação espontânea entre socalcos: o recurso ao corte aumentava a presença de Asphodelus bento-rainhae mas paralelamente a produção de cereja diminuía. Contudo, quando eram aplicados outros métodos como a aplicação de herbicidas per se ou acompanhada por corte, a produção de cereja aumentava e a área com Asphodelus bento-rainhae diminuía. As restantes variáveis ambientais não apresentavam efeitos significativos sobre a produção de cereja ou a distribuição de Asphodelus bento-rainhae. Os resultados sugerem que é possível aumentar a produção de cereja sem diminuir a distribuição do endemismo desde que a gestão dos declives entre socalcos não seja feita com herbicidas.
Pode concluir-se assim que a gestão e exploração de um recurso tem que ser racional, estudado, pensado de forma sustentável para garantir a preservação da biodiversidade.

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quinta-feira, junho 19, 2008

Gap dynamics and regeneration strategies in Juniperus-Laurus forests of the Azores Islands

Rui Bento Elias & Eduardo Dias

We asked the following questions regarding gap dynamics and regeneration strategies in Juniperus-Laurus forests: How important are gaps for the maintenance of tree diversity? What are the regeneration strategies of the tree species? Thirty canopy openings were randomly selected in the forest and in each the expanded gap area was delimited. Inside expanded gaps the distinction was made between gap and transition zone. In the 30 expanded gaps a plot, enclosing the gap and transition zone, was placed. In order to evaluate the differences in regeneration and size structure of tree species between forest and expanded gaps, 30 control plots were also delimited in the forest, near each expanded gap. In the 60 plots the number of seedlings, saplings, basal sprouts and adults of tree species were registered. Canopy height and width of adult individuals were also measured. The areas of the 30 gaps and expanded gaps were measured and the gap-maker identified. Juniperus-Laurus forests have a gap dynamic associated with small scale disturbances that cause the death, on average, of two trees, mainly of Juniperus brevifolia. Gap and expanded gap average dimensions are 8 and 25 m2, respectively.
Gaps are of major importance for the maintenance of tree diversity since they are fundamental for the regeneration of all species, with the exception of Ilex azorica. Three types of regeneration behaviour and five regeneration strategies were identified: (1) Juniperus brevifolia and Erica azorica are pioneer species that regenerate in gaps from seedlings recruited after gap formation. However, Juniperus brevifolia is a pioneer persistent species capable of maintaining it self in the forest due to a high longevity and biomass; (2) Laurus azorica and Frangula azorica are primary
species that regenerate in gaps from seedlings or saplings recruited before gap formation but Laurus azorica is able to maintain it self in the forest through asexual regeneration thus being considered a primary persistent species; (3) Ilex azorica is a mature species that regenerates in the forest.

(In Plant Ecology)

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terça-feira, abril 22, 2008

Habitats dos Biscoitos são irrecuperáveis

Diário Insular (DI)- A alegada extracção ilegal de inertes na zona dos Biscoitos estará a destruir uma série de espécies endémicas, algumas das quais protegidas, como Urse, Louro da Terra, Cedro do Mato e Tamujo. Qual a importância destas espécies?Eduardo Dias (ED)- Este agrupamento de espécies é típico da colonização de lavas recentes, e, dado que se trata de extracção de inertes, creio poder apontar para as escoadas lávicas históricas dos Biscoitos. Isto torna-se importante dado que este tipo de habitat possui variedades das espécies naturais específicas. Por isso, são estes habitats - lavas recentes - protegidos pela Directiva Habitats. Assim, embora a lista das espécies compreenda espécies não raras dos Açores, estaremos perante variedades específicas, já muito raras nos Açores. No caso particular do Cedro do Mato, está mesmo provado serem estas populações de características particulares. Por outro lado, estas espécies são especialistas em restauro ambiental, em aumento da biodiversidade e na formação do solo. A sua destruição sobre as lavas é um recuo nos processos ecológicos que aqui se desenvolvem. Esta é igualmente a razão porque algumas delas se encontram protegidas e por que é importante manter estas espécies na paisagem, como forma de estabilizar, ecologicamente, o ambiente. Por outro lado, é bom de rever que se trata de um habitat protegido, sujeito às condições de Protecção da Directiva Habitats. É igualmente importante assinalar que o local, e na falta de uma localização precisa, se encontra dentro ou no limite da Rede Natura na Terceira, o SIC Santa Bárbara - Pico Alto, que desce nesta zona da sua linha central, para abarcar estas lavas, a vegetação associada e as grutas próximas. Na revisão da RN2000 para o seu plano sectorial, está proposto um alargamento da Rede Natura 2000, que provavelmente irá incluir esta zona, bem como o Futuro Parque Natural da Ilha. Está ainda assinalado, em estudos recentes, a importância destas lavas como forma de estruturar a rede de águas superficiais que alimenta os campos de fruta e vinhas dos biscoitos, pelo que a alteração da sua estrutura ou a abertura de descontinuidades tem grandes consequências a jusante.Que mecanismos existem para a protecção destas espécies?As espécies referidas como classificadas encontram-se sob protecção e a sua destruição ou mesmo a alteração directa ou indirecta do seu habitat é considerada crime ambiental, se não devidamente autorizado pela instância responsável, a secretaria regional do Ambiente. Para além das espécies, a confirmar que se encontra sobre as lavas históricas, também o próprio habitat está sobre o mesmo regime de protecção. Sobre as espécies referidas como protegidas pela Convenção de Berna, a destruição de indivíduos também carece de autorização superior, de acordo com o Decreto-Lei n.º 316/89 e os actos de revisão subsequentes.É possível recuperar esse património?Este habitat é muito específico e depende das lavas. No acto extractivo são retiradas os tapetes de lava, pelo que se torna irrecuperável na sua forma original. Em muitos casos semelhantes, a exploração vai até ao solo fóssil por baixo das lavas, que depois é convertido em área agrícola, com perdas importantes de biodiversidade e de paisagens, como tem vindo a acontecer nas próprias bocas vulcânicas desta escoada (Bocas de Fogo), mais a montante. Por isso parece-me difícil a sua recuperação ou restauro, bem como das funções que presta á ilha, como paisagística, habitat de espécies especificas de lavas, núcleo de biodiversidade, ou distribuidor de águas.

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domingo, abril 20, 2008

Pedreira destroi espécies protegidas

Cinco camiões carregados de pedra cruzam-se com o grupo de cerca de uma dezena de pessoas, nos poucos minutos que demoram a percorrer a pé o trajecto entre os automóveis e uma alegada pedreira ilegal, na zona dos Biscoitos. Ao longo do caminho de terra batida, é visível a destruição de diversas espécies endémicas protegidas, atropeladas pelas viaturas pesadas que todos os dias fazem aquele percurso. Mas a imagem pior escondia-se mais à frente. A visita de estudo, na qual participam pessoas ligadas à área do ambiente, representantes de associações ambientalistas e o BE/Açores, foi organizada por Adalberto Couto, licenciado em Gestão e Conservação da Natureza, e Mestrando também em Gestão e Conservação da Natureza do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, para denunciar uma situação que o “entristece”: a alegada extracção ilegal de inertes pelo Consórcio Mota-Engil, Zagope e Marques, SA, responsável pela obra da via-rápida Vitorino Nemésio. “Trata-se de uma extracção ilegal, sem qualquer licença e, como tal, sem qualquer estudo de impacto ambiental positivo ou negativo”, afirma, sublinhando que, sendo assim, “as pessoas fazem o que lhes apetece, sem a preocupação com a recuperação paisagística e com os cuidados a ter com o ambiente”. “É uma exploração selvagem”, acrescenta, tendo como ruído de fundo o roncar do motor de três camiões e de dois caterpillars, que escavam incessantemente a paisagem de pedra emoldurada pelo verde de diversas espécies protegidas. A Erica scoparia ssp. azorica (Urse), a Laurus azorica (Louro da Terra), a Juniperus brevifolia (Cedro do Mato) e a Myrsine retusa (Tamujo) são algumas das plantas endémicas alegadamente em perigo. “Existem aqui algumas espécies endémicas com estatuto de protecção, algumas nativas, e nada disso está a ser tido em conta”, refere. Depois de alertar diversas entidades com competência na matéria e de fazer uma queixa na GNR, sem qualquer sucesso, Adalberto Couto decidiu denunciar publicamente a situação. “Fui alertando algumas pessoas que poderiam ter alguma influência no sentido de parar a obra, fiz uma denúncia na GNR, pedi que me acompanhassem, mostrei o local, mas nada se passou e, como podem ver, as máquinas continuam a trabalhar a um ritmo deveras preocupante”, conta. “Não queria que as coisas tomassem estas proporções, mas visto que a obra continua decidi alertar os órgãos de comunicação social”, continua. Para além desta visita de estudo, Adalberto Couto decidiu promover também um abaixo-assinado dirigido a diversas entidades ligadas à área ambiental, exigindo a suspensão imediata da alegada extracção ilegal de inertes. “Estamos a recolher algumas assinaturas, para demonstrar a nossa preocupação e fazer avançar o processo de paragem das máquinas”, adianta. Sem esconder a tristeza no olhar perante o cenário de destruição à sua volta, Adalberto Couto admite, no entanto, não saber o que fazer mais para parar aquilo que considera ser um “crime ambiental”. “A partir daqui só se convocar uma manifestação e bloquear a entrada e saída dos camiões”, diz, com um visível sentimento de impotência. Contactado por DI, António Cardoso, responsável pela obra da via-rápida, preferiu não prestar declarações sobre esta matéria.

O que diz a lei

A extracção de inertes na zona dos Biscoitos pelo Consórcio Mota-Engil, Zagope e Marques, SA, responsável pela obra da via-rápida Vitorino Nemésio, viola, segundo Adalberto Couto, “todas as leis possíveis no que se refere à exploração de pedreiras”, nomeadamente o Decreto Lei n.º 270/2001, de 6 de Outubro. Adalberto Couto acrescenta, por outro lado, que “de acordo com uma leitura conjugada da alínea 1, do artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 316/89, de 22 de Setembro, alterado pelo Decreto-Lei n.º 196/90, de 18 de Junho, que procedeu à publicação da Convenção de Berna, e do disposto nos avisos n.º 74/92, de 7 de Março, e no Aviso n.º 205/95, de 8 de Agosto, são proibidas a colheita, apanha, corte ou arranque intencionais de espécies protegidas, assim como a deterioração intencional dos respectivos habitats”.

Gê-Questa apresenta queixa ao Provedor de Justiça

A Gê-Questa vai avançar com uma queixa ao Provedor de Justiça sobre a alegada extracção ilegal de inertes na zona dos Biscoitos pelo Consórcio Mota-Engil, Zagope e Marques, SA, responsável pela obra da via-rápida Vitorino Nemésio, garantiu quinta-feira o presidente da associação ambientalista terceirense. Durante uma visita de estudo ao local, Vasco Silva, doutorando do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e Presidente da Gê-Questa, adiantou que a associação vai também alertar a secretaria regional do Ambiente e do Mar e a Câmara Municipal da Praia da Vitória para o assunto.“Esperamos que esta situação melhore, nem que seja através da sua legalização”, afirmou o responsável, defendendo que “já que estão a extrair pelo menos tomem a iniciativa de fazer depois um plano de restauro ambiental desta área, para não ficar como muitas outras da nossa ilha e do arquipélago, que se encontram completamente ao abandono, com o chão nu, o que é propício à invasão de infestantes e outras situações problemáticas”.No entender do presidente da Gê-Questa, “há claramente questões ilegais aqui, o que não acontece por falta de conhecimento das autoridades”.“Sendo uma extracção de bagacina, tem de ter um plano de pedreira, que não tem, um plano de restauro ambiental, que não tem, e um estudo de impacto ambiental, que não tem, para além de não estar a cumprir questões de segurança laboral”, enumera.“Temos conhecimento de casos em que pequenos agricultores extraem pequenas quantidades nos seus terrenos e são penalizados fortemente por isso, o que achamos bem, mas depois grandes construtoras, por qualquer razão que não percebemos muito bem, fazem-no à vista de toda a gente e não são penalizadas”, acrescenta.Vasco Silva salienta que “ a lei é feita por alguma razão, é para todos e tem de ser cumprida”.


(In Diário Insular)

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domingo, agosto 26, 2007

"Calçadão" do Porto Martins reduziu a população de Azorinas na ilha Terceira

Na última década, as populações de Azorina vidallii existentes na freguesia do Porto Martins na ilha Terceira-Açores ficaram reduzidas a metade, afirma o Professor Eduardo Dias do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.

O investigador afirma que a construção do parque de estacionamento nas imediações da zona balnear da freguesia e do passeio pedestre entre o mesmo local e o porto de São Fernando aconteceu no local onde existiam as maiores populações desta espécie endémica rara naquela freguesia.
Além disso, segundo Eduardo Dias, também foi construída uma zona de campismo (situada no Pocinho, na saída da freguesia pelo Cabo da Praia) num local onde existe esta espécie.

"Na altura dessas obras, alertei para o facto, explicando mesmo que a Azorina está protegida pela Convenção de Berna e pela Directiva Habitats da União Europeia. Mas as obras seguiram e as colónias que ali existiam acabaram reduzidas" explica do director do Gabinete de Ecologia Vegetal Aplicada, afecto à Universidade dos Açores.

A Azorina vidallii é considerada por Eduardo Dias como a "mais endémica" das plantas encontradas nos Açores.
"Deveria ser o símbolo da Região" assume mesmo.
Actualmente no arquipélago existem perto de 50 populações de Azorina vidalli. Só na Graciosa não há registos dessa espécie.

"Na Terceira, São Jorge e São Miguel, ela encontra-se em elevado grau de raridade" assume Eduardo Dias.

(In Diário Insular)

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quinta-feira, agosto 23, 2007

Plantas endémicas dos Açores estão a recolonizar o Monte Brasil na ilha Terceira

Foram encontradas duas populações de plantas endémicas raras no Monte Brasil, na ilha Terceira, pelo Gabinete de Ecologia Vegetal Aplicada (GEVA) do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.
Ambas as espécies - a Tolpis suculenta e a Azorina vidalii - há muito que não eram vistas por aquelas paragens, afirma o Professor Eduardo Dias responsável do GEVA. "Conseguimos confirmar a existência de diversos indivíduos destas espécies este ano, depois de, há algum tempo, termos começado a detectar a sua presença".
Segundo este investigador, as últimas referências documentais à existência destas espécies no Monte Brasil datavam do início do século XX, sendo encontradas em textos do Tenente Coronel José Agostinho e do professor Palhinha (nome sonante da botânica portuguesa, nascido na ilha Terceira).
Para Eduardo Dias, a descoberta destas duas espécies vem confirmar as referências bibliográficas. Além disso, "assume particular importância porque surgem junto a uma zona urbana, o que permitirá, se se quiser, o estudo e a visitação destas espécies, assim como o estudo das características que lhes permitem surgir nessas condições, já que as poucas populações destas espécies se encontram em zonas mais selvagens".
A popuação de Tolpis suculenta encontrada no Monte Brasil é única na ilha Terceira, não estando identificada a sua existência em outro qualquer ponto da ilha. "Esta espécie é endémica dos Açores e da Madeira, sendo abundante neste último arquipélago, mas rara cá". No Arquipélago açoriano, não existem mais do que dez populações identificadas, e todas elas são muito reduzidas.

Relativamente à Azorina vidalii, a população do Monte Brasil é a terceira identificada na ilha. Existem outras duas: uma no Porto Martins, que tem vindo a desaparecer, e outra, na costa das Quatro Ribeiras.

A Azorina é a planta mais endémica do arquipélago dos Açores, sendo um fóssil vivo, que deveria ser o símbolo do arquipélago, defende Eduardo Dias.
No arquipélago existem cerca de 50 populações de Azorina vidalii identificadas pelo GEVA, mas todas elas, como as da Tolpis, são reduzidas.

(In Diário Insular)

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