sábado, julho 18, 2009

Contributo para a conservação da espécie Azorina vidalii (Wats.) Feer

Glória Monteiro e Eduardo Dias apresentaram, no 2º Congresso Lusófono de Ciência Regional, realizado na Cidade da Praia, em Cabo Verde, de 6 a 11 de Julho de 2009, uma comunicação intitulada "Contributo para a conservação da espécie Azorina vidalii (Wats.) Feer".
Azorina vidalii, espécie alvo deste estudo, trata-se de um género monoespecífico da família Campanulaceae, considerada em perigo crítico pelos critérios da IUCN (2001), protegida pela Convenção de Berna (revisão de 2002) – Anexo I e pela da Directiva dos Habitats DL 49/2005 de 24 de Fevereiro – Anexo II sendo considerada espécie prioritária.
O objectivo geral deste estudo é contribuir para a integração da conservação desta espécie no desenvolvimento local, utilizando como instrumento o conhecimento das suas populações. Efectuou-se durante este estudo uma avaliação da distribuição, da ecologia e da biologia das populações existentes na ilha Terceira (de acordo com estudos do GEVA, existente em oito das nove ilhas).
Numa primeira fase foi efectuada uma análise da informação histórica existente acerca da distribuição desta espécie nas ilhas seguida de uma confirmação das mesmas efectuando uma caracterização das áreas onde foram confirmadas as populações nomeadamente em termos climáticos, localização de linhas de água e análises de solos.
Para os estudos demográficos e foram realizados mais de 70 círculos, com o objectivo de nestes assinalar dados relativos à a classe de idade, ao número dos espécimes situados a partir de uma fonte de dispersão, bem como analisar ameaças existentes.
Continuadamente procedeu-se ao estudo da biologia desta espécie assinalando aspectos relevantes na germinação das suas sementes. Os dados obtidos demonstram a existência de 3 grandes populações na ilha são nas Quatro Ribeiras, Porto Martins e Monte Brasil.
A maior das populações em termos de área é a referente ao Porto Martins. No que se refere à demografia, as populações do Monte Brasil são as que apresentam maiores números de plântulas, demonstrando que em termos potenciais é a população que mais pode crescer. Em termos de ameaças a esta espécie pode-se realçar a presença de espécies invasoras tais como o Carpobrotus edulis, a presença de lixos e a pressão urbana para construção de infra-estruturas e presença de zonas balneares.
Trata-se então de uma espécie rara com populações tendencialmente alteradas mas em relativo bom estado de conservação. A sua resiliência estará dependente da criação de um plano para a espécie em estudo, integrado nas POOC (Plano de Ordenamento da Orla Costeira) e no PDM (Plano Director Municipal) é, uma vez que grande parte das suas populações encontra-se fora de áreas protegidas e das áreas da Rede Natura 2000.
Duma forma geral os POOC tomam em consideração a protecção e integridade biofísica do espaço, com a valorização dos recursos existentes e a conservação dos valores ambientais e paisagísticos. Assim por norma deveria integrar propostas e medidas de conservação para esta a espécie endémica. A conservação desta espécie deve ser uma prioridade das políticas conservações regionais, já que esta constitui um género endémico da flora vascular dos Açores.

(In Cabo Verde - Redes de Desenvolvimento Regional)

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terça-feira, março 25, 2008

NO PORTO MARTINS - Intervenção ambiental gera convívio

Limpar, sensibilizar e preservar. Foram estas as três palavras que motivaram cerca de 30 pessoas a participar numa acção de sensibilização ambiental, na marginal do Porto Martins, no passado sábado, promovida pelo movimento cívico SOS Terceira.
Entretanto, educar poderia ser a quarta palavra para caracterizar a acção, uma vez que esta iniciativa insere-se no trabalho “Projecto de Intervenção Ambiental”, no âmbito do Mestrado em Educação Ambiental da Universidade dos Açores. “Muitas vezes os problemas da orla costeira começam em terra ou nos barcos, mas o mar acaba por devolver esses problemas à terra”, argumenta Carlos Leal, da organização, a propósito da importância da limpeza e valorização da orla costeira, um dos principais objectivos do encontro sócio-ambiental do Porto Martins.De acordo com Carlos Leal este encontro “constitui a primeira de três etapas que integram o projecto do grupo, além de que pretende realçar o papel social do SOS Terceira, não só no sentido de apontar os aspectos negativos mas também destacar o lado positivo, neste caso da freguesia do Porto Martins”, considera. A iniciativa contou com a presença de 10 jovens, alguns vindos de uma instituição de Angra do Heroísmo, com idades compreendidas entre os 14 e os 20 anos, que tiveram oportunidade de observar e conhecer de perto a importância das plantas endémicas, através da realização de um percurso guiado. “Conseguimos envolver não só jovens da freguesia do Porto Martins, mas também de um orfanato de Angra, pessoal do SOS Terceira e da Universidade”, diz o promotor, satisfeito, acrescentando que o valor a nível de biodiversidade e a parte desportiva foram dois dos aspectos da marginal do Porto Martins que estiveram na base da escolha daquela zona. “Temos aqui um dos maiores redutos da ‘Azorina vidalii’, uma das plantas endémicas mais caracterizadoras dos Açores. Na parte desportiva, muitas são as pessoas que utilizam a zona para correr, andar de skate e bicicleta, além da prática do surf”, concretiza Carlos Leal. Ao todo, num espírito de convívio e aprendizagem, foram reunidas numa tarde cerca de 30 sacas de lixo retirado da marginal do Porto Martins. Quanto à segunda etapa do projecto, segundo Carlos Leal, “será realizada nos Biscoitos, no próximo mês de Maio”. Junta de freguesia mostra “agrado”“Com muito agrado…”. É assim que Rita Branco, presidente da Junta de Freguesia do Porto Martins, recebe esta acção de sensibilização ambiental, no sentido em que os futuros homens serão sensíveis a questões ambientais. Entretanto, a autarca realça que “o lixo que se encontra na Orla é vindo do mar e não colocado pelas pessoas na encosta”, sendo que a Junta de Freguesia do Porto Martins manifesta preocupação constante em manter a limpeza da Orla Costeira.
É de referir que para além da Junta de Freguesia do Porto Martins, a iniciativa contou com o apoio da Irmandade de Nossa Senhora do Livramento, Cruz Vermelha Portuguesa, Protecção Civil, Montanheiros, Ecoteca e Universidade dos Açores.
(In A União)

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domingo, setembro 02, 2007

Azorina como símbolo dos Açores

As suas campânulas ondulam ao vento. As cores rosáceas, brancas ou em tons violeta fazem-se ver. Mas encontrá-la é descobrir uma planta rara na ilha Terceira. Só no Porto Martins, nas Quatro Ribeiras e, recentemente, no Monte Brasil, em Angra, é possível observar a Azorina vidalli, a espécie do único género endémico dos Açores.

A planta é rara nos Açores, e mais rara na Terceira. Recentemento, elementos da equipa do Gabinete de Ecologia Vegetal Aplicada (GEVA), afecto ao Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, descobriu exemplares da espécie no Monte Brasil. O último encontro com aquela planta naquelas paragens datava do início do século XX.
No entanto, mesmo tratando-se de uma espécie rara, o director do GEVA, Professor Eduardo Dias, defende a sua utilização como símbolo da região, em vez das tradicionais hortênsias, uma espécie que não é endémica do arquipélago, mas sim oriunda do Japão e da Coreia.
"Estamos a falar de uma espécie que pertence ao único género endémico dos Açores. É a única planta que tem o nome da região, é um fóssil vivo (tem mais de 300 milhões de anos), e é uma espécie que se encontra na raiz de muitas espécies no mundo", explica Eduardo Dias.
O biólogo assume que a espécie é originária do actual Cabo, na África do Sul, mas que acabou por se fixar na região, depois de séculos de evolução. "Os endemismos açorianos são fósseis das espécies perdidas no mundo", explica.
"Nesta terra, onde a natureza é tão rica e tem vindo a ser defendida como mais valia para o turismo, fazia sentido apostar num símbolo que recorresse a uma espécie única nas ilhas. Tem mais sentido essa opção do que usar as hortênsias, que são uma espécie invasora e não uma espécie endémica" argumenta o responsável do GEVA.
"A Azorina é uma planta muito bonita", sublinha Eduardo Dias, assumindo que a sua estilização (para fins gráficos) é fácil.
A Azorina vidalli, anteriormente conhecida como Campanula vidalli é - segundo a Wikipédia- a "única espécie do género Azorina, um género endémico dos Açores. Trata-se de uma planta pertencente à família das Campanulaceae, localmente chamada por Vidália. Pode atingir cerca de um metro de altura e produz flores em forma de sino de cor esbranquiçada".
Muitas vezes é comercializada como planta ornamental. No entanto, tendo em conta tratar-se de uma espécie protegida por lei (Convenção de Berna e Directiva Habitats, da União Europeia), não é possível recolher exemplares do seu local de origem, só podendo ser comercializadas as plantas domésticas.
A Azorina vidalli vive "normalmente em reentrâncias rochosas de falésias costeiras".
O seu nome foi atribuído pelo botânico Hewet Cottrell Watson em honra do capitão Alexander Thomas Emeric Vidal, responsável pelo levantamento hidrográfico das ilhas entre 1841 e 1845.


Não é a primeira vez que o Professor Eduardo Dias sugere o uso de determinadas características da Flora Açoriana para fins turísticos.
Em 2006, ao Diário Insular, o académico defendia o uso da "segunda Primavera" insular como cartaz turístico, num sector que as autoridades locais querem desenvolver cada vez mais.
"A falta de conhecimento tem gerado uma percepção errada da ecologia açoriana. Assumimos que no Outono açoriano caem as folhas e tudo fica amarelo e castanho. Mas o que, de facto, acontece é uma segunda Primavera. Devido ao clima subtropical, o interior das nossas ilhas apresenta-se florido, já que a Natureza responde ao Sol e ao calor", explicava Eduardo Dias na altura.
A imagem típica do Outono (árvores despidas, folhas caídas, paisagem triste) não se aplica, assim, aos Açores. O arquipélago, fruto do clima subtropical, vive uma excepção da natureza: duas Primaveras num ano, florindo a vegetação de Setembro a Novembro. O especialista em botânica da Universidade dos Açores garante que este erro tem provocado algumas situações que não deviam acontecer. "Ao assumir-se que o nosso Outono é id~entico ao Outono de Portugal continental ou da Europa do Norte, os nossos responsáveis entendem que nas zonas a embelezardevem ali ser colocadas árvores e plantas que, no Outono, ficam sem folhas. Quando o que deveriam era ali plantar organismos vegetais endémicos, que ficam floridos nesses três meses" explica o responsável do GEVA.
Segundo Eduardo Dias, o facto da Natureza florescer uma segunda vez no arquipélago, deveria ser explorado turísticamente. "Não faz sentido mantermos uma promoção com hortênsias ou álamos, castanhos, amarelos e sem folhas. Faz sim sentido promover uma natureza verdejante, florescida pela segunda vez ao ano. Ou seja, temos cá a oportunidade de assistir a duas Primaveras. Isso sim é uma característica única da paisagem açoriana, garante Eduardo Dias. Por isso, o especialista apela ao uso desta realidade, uma mais valia para o turismo insular que, actualmente, procura diferenças do turismo mundial para se colocar no mercado mundial.
Esta nova concepção de natureza açoriana surge na sequência dos estudos que têm vindo a ser realizados sobre a flora dos Açores. Este trabalho, a cargo do GEVA prepara-se para. dentrode alguns anos, colocar nas bancas uma "Flor dos Açores", uma versão completa e revista das plantas endémicas do Arquipélago.
Em paralelo, e nos próximos anos, os investigadores esperam colocar no exterior uma série de registos com pormenores deste trabalho, material que, segundo eles, será útil para quem promove o arquipélago.
"Este novo conhecimento vai permitir corrigir alguns erros e algumas falhas da informação actual sobre a flora açoriana, um trabalho indespensável até para questões que se prendem com o ordenamento do território e a protecção de espécies, assim como para o turismo", explica Eduardo Dias.
O professor do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores garante, com esta informação, os mais novos poderão começar a ter contacto directo com a verdadeira imagem da natureza açoriana.

(In Diário Insular)

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domingo, agosto 26, 2007

"Calçadão" do Porto Martins reduziu a população de Azorinas na ilha Terceira

Na última década, as populações de Azorina vidallii existentes na freguesia do Porto Martins na ilha Terceira-Açores ficaram reduzidas a metade, afirma o Professor Eduardo Dias do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.

O investigador afirma que a construção do parque de estacionamento nas imediações da zona balnear da freguesia e do passeio pedestre entre o mesmo local e o porto de São Fernando aconteceu no local onde existiam as maiores populações desta espécie endémica rara naquela freguesia.
Além disso, segundo Eduardo Dias, também foi construída uma zona de campismo (situada no Pocinho, na saída da freguesia pelo Cabo da Praia) num local onde existe esta espécie.

"Na altura dessas obras, alertei para o facto, explicando mesmo que a Azorina está protegida pela Convenção de Berna e pela Directiva Habitats da União Europeia. Mas as obras seguiram e as colónias que ali existiam acabaram reduzidas" explica do director do Gabinete de Ecologia Vegetal Aplicada, afecto à Universidade dos Açores.

A Azorina vidallii é considerada por Eduardo Dias como a "mais endémica" das plantas encontradas nos Açores.
"Deveria ser o símbolo da Região" assume mesmo.
Actualmente no arquipélago existem perto de 50 populações de Azorina vidalli. Só na Graciosa não há registos dessa espécie.

"Na Terceira, São Jorge e São Miguel, ela encontra-se em elevado grau de raridade" assume Eduardo Dias.

(In Diário Insular)

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quinta-feira, agosto 23, 2007

Plantas endémicas dos Açores estão a recolonizar o Monte Brasil na ilha Terceira

Foram encontradas duas populações de plantas endémicas raras no Monte Brasil, na ilha Terceira, pelo Gabinete de Ecologia Vegetal Aplicada (GEVA) do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.
Ambas as espécies - a Tolpis suculenta e a Azorina vidalii - há muito que não eram vistas por aquelas paragens, afirma o Professor Eduardo Dias responsável do GEVA. "Conseguimos confirmar a existência de diversos indivíduos destas espécies este ano, depois de, há algum tempo, termos começado a detectar a sua presença".
Segundo este investigador, as últimas referências documentais à existência destas espécies no Monte Brasil datavam do início do século XX, sendo encontradas em textos do Tenente Coronel José Agostinho e do professor Palhinha (nome sonante da botânica portuguesa, nascido na ilha Terceira).
Para Eduardo Dias, a descoberta destas duas espécies vem confirmar as referências bibliográficas. Além disso, "assume particular importância porque surgem junto a uma zona urbana, o que permitirá, se se quiser, o estudo e a visitação destas espécies, assim como o estudo das características que lhes permitem surgir nessas condições, já que as poucas populações destas espécies se encontram em zonas mais selvagens".
A popuação de Tolpis suculenta encontrada no Monte Brasil é única na ilha Terceira, não estando identificada a sua existência em outro qualquer ponto da ilha. "Esta espécie é endémica dos Açores e da Madeira, sendo abundante neste último arquipélago, mas rara cá". No Arquipélago açoriano, não existem mais do que dez populações identificadas, e todas elas são muito reduzidas.

Relativamente à Azorina vidalii, a população do Monte Brasil é a terceira identificada na ilha. Existem outras duas: uma no Porto Martins, que tem vindo a desaparecer, e outra, na costa das Quatro Ribeiras.

A Azorina é a planta mais endémica do arquipélago dos Açores, sendo um fóssil vivo, que deveria ser o símbolo do arquipélago, defende Eduardo Dias.
No arquipélago existem cerca de 50 populações de Azorina vidalii identificadas pelo GEVA, mas todas elas, como as da Tolpis, são reduzidas.

(In Diário Insular)

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