sexta-feira, agosto 07, 2009

Biodiversidade dos Açores na Enciclopédia das Ilhas

Os Açores marcam presença na Enciclopédia das Ilhas, com um capítulo sobre a sua biodiversidade. A publicação da prestigiada Califórnia University Press, apresenta vários capítulos sobre ilhas de todo o mundo. A editora escolheu diversos cientistas de vários países para escrever sobre o tema. Nos Açores a responsabilidade ficou a cargo do professor da Universidade dos Açores, Paulo Borges. Para o investigador a publicação de um capítulo na Enciclopédia das Ilhas dá projecção ao arquipélago. “É mais uma forma de dar a conhecer os Açores”, defende. Paulo Borges salienta que a Região ainda é pouco conhecida no estrangeiro e dá como exemplo o caso de três alunos da Universidade de Oxford, a fazer mestrado na Universidade dos Açores, que contam que os amigos e familiares nem sabiam a localização exacta do arquipélago. “Conheciam as Canárias, alguns até a Madeira, mas não conheciam os Açores”, revela. “Existe ainda muito desconhecimento sobre os Açores”, frisa.
Promoção da RegiãoSegundo o investigador, a colaboração com a Califórnia University Press surge como consequência dos trabalhos desenvolvidos pela Universidade dos Açores. Paulo Borges defende que é graças à investigação desenvolvida pela entidade e ao empenhamento do Governo Regional em proteger áreas naturais que os Açores são agora colocados no mapa, pela sua biodiversidade.Para o professor da Universidade dos Açores, o arquipélago passa a ser um exemplo, no campo da biodiversidade, à semelhança de outras ilhas mais conhecidas, como o Havai ou as Galápagos. Paulo Borges destaca ainda a importância do Portal da Biodiversidade da Universidade dos Açores em termos de promoção do arquipélago. “Os documentos são muito acedidos e pensamos que muitas vezes por turistas”, realça. O artigo escrito no inicio de 2008, que é agora publicado, é da autoria de Paulo Borges, em colaboração com Isabel Amorim, Rosalina Gabriel, Regina Cunha, António Frias Martins, Luís Silva, Ana Costa e Virgílio Vieira, todos eles investigadores da Universidade dos Açores
Biodiversidade
Para além da localização geográfica do arquipélago, o capítulo mostra a biodiversidade dos Açores de uma forma “clara e concisa”. Começa por dar a conhecer a geologia do arquipélago, “fundamental para perceber como é que a biodiversidade se formou”. O artigo descreve ainda as diferentes espécies existentes nos Açores, com um quadro que enumera a fauna e flora do arquipélago. Das 4467 espécies e subespécies de plantas terrestres e animais conhecidas, 420 são endémicas. Por esse motivo, Paulo Borges diz que há um ênfase para as espécies endémicas. Também aparecem descritos no artigo os processos evolutivos da formação das espécies endémicas. A evolução é figurada através de quatro gráficos que dão a conhecer o padrão de riqueza de quatro grupos, indígenas briófitas, plantas vasculares, moluscos terrestres e artrópodes.
Conservação
No final, os investigadores apresentam um conjunto de aspectos que devem ser tidos em consideração para a conservação das espécies na Região..“A fragmentação e a degradação de habitats, juntamente com a propagação de espécies não indígenas são as maiores ameaças à biodiversidade terrestre nos Açores”, refere o artigo. “O progresso da conservação da biodiversidade dos Açores depende predominantemente de estudos a longo prazo sobre a distribuição e abundância de espécies focais e do controlo de espécies invasoras”, defendem. Uma investigação para a qual dizem ser necessário um “compromisso sério de cientistas, políticos e público em geral”.
(in Diário Insular)

Etiquetas: , , , , ,

sábado, julho 18, 2009

Contributo para a conservação da espécie Azorina vidalii (Wats.) Feer

Glória Monteiro e Eduardo Dias apresentaram, no 2º Congresso Lusófono de Ciência Regional, realizado na Cidade da Praia, em Cabo Verde, de 6 a 11 de Julho de 2009, uma comunicação intitulada "Contributo para a conservação da espécie Azorina vidalii (Wats.) Feer".
Azorina vidalii, espécie alvo deste estudo, trata-se de um género monoespecífico da família Campanulaceae, considerada em perigo crítico pelos critérios da IUCN (2001), protegida pela Convenção de Berna (revisão de 2002) – Anexo I e pela da Directiva dos Habitats DL 49/2005 de 24 de Fevereiro – Anexo II sendo considerada espécie prioritária.
O objectivo geral deste estudo é contribuir para a integração da conservação desta espécie no desenvolvimento local, utilizando como instrumento o conhecimento das suas populações. Efectuou-se durante este estudo uma avaliação da distribuição, da ecologia e da biologia das populações existentes na ilha Terceira (de acordo com estudos do GEVA, existente em oito das nove ilhas).
Numa primeira fase foi efectuada uma análise da informação histórica existente acerca da distribuição desta espécie nas ilhas seguida de uma confirmação das mesmas efectuando uma caracterização das áreas onde foram confirmadas as populações nomeadamente em termos climáticos, localização de linhas de água e análises de solos.
Para os estudos demográficos e foram realizados mais de 70 círculos, com o objectivo de nestes assinalar dados relativos à a classe de idade, ao número dos espécimes situados a partir de uma fonte de dispersão, bem como analisar ameaças existentes.
Continuadamente procedeu-se ao estudo da biologia desta espécie assinalando aspectos relevantes na germinação das suas sementes. Os dados obtidos demonstram a existência de 3 grandes populações na ilha são nas Quatro Ribeiras, Porto Martins e Monte Brasil.
A maior das populações em termos de área é a referente ao Porto Martins. No que se refere à demografia, as populações do Monte Brasil são as que apresentam maiores números de plântulas, demonstrando que em termos potenciais é a população que mais pode crescer. Em termos de ameaças a esta espécie pode-se realçar a presença de espécies invasoras tais como o Carpobrotus edulis, a presença de lixos e a pressão urbana para construção de infra-estruturas e presença de zonas balneares.
Trata-se então de uma espécie rara com populações tendencialmente alteradas mas em relativo bom estado de conservação. A sua resiliência estará dependente da criação de um plano para a espécie em estudo, integrado nas POOC (Plano de Ordenamento da Orla Costeira) e no PDM (Plano Director Municipal) é, uma vez que grande parte das suas populações encontra-se fora de áreas protegidas e das áreas da Rede Natura 2000.
Duma forma geral os POOC tomam em consideração a protecção e integridade biofísica do espaço, com a valorização dos recursos existentes e a conservação dos valores ambientais e paisagísticos. Assim por norma deveria integrar propostas e medidas de conservação para esta a espécie endémica. A conservação desta espécie deve ser uma prioridade das políticas conservações regionais, já que esta constitui um género endémico da flora vascular dos Açores.

(In Cabo Verde - Redes de Desenvolvimento Regional)

Etiquetas: , , , , ,

domingo, fevereiro 22, 2009

Nota da Secretaria do Ambiente e do Mar sobre protecção ambiental nos Açores

Os Sítios da região biogeográfica da Macaronésia (Açores, Madeira e Canárias) foram reconhecidos como de Importância Comunitária (SIC) em Dezembro de 2001. Estes foram os primeiros sítios da Europa a serem oficialmente designados. De acordo com a Directiva Habitats, a partir do momento em que um Sítio tenha sido reconhecido como de Importância Comunitária, o Estado-membro deve, o mais rapidamente possível, designar esses SIC como Zonas Especiais de Conservação (ZEC), logo que tenha reunido os instrumentos necessários para a sua salvaguarda ou, quando aplicável, a sua recuperação. Em 2006, a Região Autónoma dos Açores publicou em Jornal Oficial o Plano Sectorial para a Rede Natura 2000. Neste documento legal são aglutinadas as medidas de protecção e conservação dos locais classificados como SIC dos Açores e resultam de estudo de diversos anos e posterior proposta efectuado por dois departamentos da Universidade dos Açores.
Apesar de considerar que estão reunidos os critérios de suficiência para a transformação de SIC em ZEC, a Região Autónoma dos Açores apenas avançará com o seu processo de designação oficial quando forem publicados os Planos de Ordenamento dos diversos Parques Naturais de Ilha. Esta postura é consequente ao elevado grau de exigência que a Região sempre imprimiu às suas zonas classificadas. Desta forma, os Açores estarão na vanguarda da Conservação da Natureza Europeia.
A postura da Região Autónoma dos Açores a este respeito tem sido exemplar. Para além de pertencer ao grupo que primeiro apresentou locais para serem classificados ao abrigo da Directiva Habitats (Macaronésia), os Açores foram a primeira Região da Europa a propor para classificação uma área fora do Mar Territorial (D. João de Castro) e os primeiros a apresentar candidaturas do mar profundo. De facto, por iniciativa da Região Autónoma, Portugal apresentou na Comissão a candidatura a SIC de duas fontes hidrotermais de grande profundidade (Menez Gwen e Lucky Strike) a 15 de Outubro de 2008.
No entanto, a excelência do arquipélago a este nível não se limita à Rede Natura 2000. Ao abrigo da rede de áreas marinhas classificadas pela Convenção Oslo-Paris (OSPAR), a Região já propôs a classificação de sete locais incluindo um local fora da Zona Económica Exclusiva, o Rainbow. Aguarda-se, neste momento, a aceitação da classificação da zona denominada por Sedlo, um monte submarino do alto-mar. Para além de tudo o referido, no arquipélago há duas áreas classificadas como Reserva da Biosfera (Corvo e Graciosa) e uma terceira está em via de classificação (Flores). Apenas a título comparativo, refira-se que, no resto do país, apenas há uma área com este estatuto. Nos Açores, há ainda 12 áreas classificadas ao abrigo da Convenção Ramsar. Prepara-se também a candidatura dos Açores a GeoParque o que, se for aceite, irá incluir a designação de mais de cem locais como geossítios.
É também por estas razões que a Região foi considerada o segundo melhor arquipélago do mundo em termos de turismo sustentável (National Geographic Traveler) e a Ilha do Pico uma das vinte melhores do mundo para se viver (Revista Islands).
(In GaGS)

Etiquetas: , , , ,

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Estudo dos Efeitos das Políticas de Conservação da Natureza e Agro-Florestais na Evolução da Paisagem e Desenvolvimento Rural de Monforte da Beira

Realizaram-se no dia 9 de Fevereiro, pelas 14 horas, na Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Castelo Branco, as provas de Mestrado em Gestão e Conservação da Natureza, requeridas pelo licenciado Romeu Filipe Gonçalves Fazenda. As provas foram avaliadas por um Júri presidido (por designação do Reitor) pelo Doutor Tomaz Lopes Cavalheiro Ponce Dentinho, professor auxiliar da Universidade dos Açores, sendo vogais os Doutores Maria Teresa Amado Pinto Correia, professora auxiliar com agregação da Universidade de Évora, Celestino António Morais de Almeida, professor adjunto da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Castelo Branco, e Luís Cláudio de Brito Brandão Guerreiro Quinta-Nova, equiparado a professor adjunto da mesma escola.
As provas constaram da discussão pública, com crítica e defesa, de uma dissertação intitulada Estudo dos Efeitos das Políticas de Conservação da Natureza e Agro-Florestais na Evolução da Paisagem e Desenvolvimento Rural de Monforte da Beira e Malpica do Tejo (1986-2007).

Etiquetas: , , , ,

sábado, janeiro 03, 2009

DALBERTO POMBO E O CENTRO DE JOVENS NATURALISTAS DE SANTA MARIA

Dalberto Teixeira Pombo, escriturário de profissão e naturalista por vocação, criou na ilha de Santa Maria o Centro de Jovens Naturalistas que teve uma actividade mais intensa nas décadas de 70 e 80 do século passado, altura em que editou o interessante “Boletim dos Jovens Naturalistas”.
O Centro de Jovens Naturalistas, organização que nunca se chegou a transformar numa associação formal, por falta de adultos interessados, teve como objectivo principal “iniciar os jovens nas colecções ou preparações com elementos diversos da História Natural, para melhor poderem apreciar, entender e resolver os problemas que se lhes apresentam hoje, como a poluição, defesa do património natural, ecologia, todos interdependentes afinal”. De acordo com o Professor Paulo Borges, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, um dos jovens que com ele trabalhou à cerca de trinta anos, o maior contributo para a ciência do Sr. Pombo, foi “a exploração da fauna do Pico Alto de Santa Maria, um fragmento de vegetação natural pequeno mas de elevado valor em termos de riqueza de artrópodes e moluscos endémicos desta ilha e dos Açores”.

Quanto a nós, que tivemos a oportunidade de o conhecer, destacamos o seu pioneirismo e exemplo em termos de contributos para a sensibilização para a conservação da natureza. Mas mais importante do que tudo, destacaria o seu trabalho voluntário e desinteressado em prol da formação dos mais jovens.
O sr. Pombo, embora indirectamente, foi também responsável pelo que é hoje a maior associação de defesa do ambiente do arquipélago, “Os Amigos dos Açores - Associação Ecológica” e por parte da minha formação como activista da causa ambiental e social.
Com o seu falecimento, em 11 de Dezembro de 2007, o Centro de Jovens Naturalistas terá terminado a sua nobre missão. Como melhor forma de o homenagear, todos os que o conheceram deverão empenhar-se cada vez mais, quer individualmente quer nas associações existentes ou noutras que venham a surgir, em actividades que conduzam à construção de uns Açores mais justos, limpos e pacíficos. Por último deixava um alerta, não se deixem ludibriar por quem acha que as associações devem ser empurradas para “dentro do sistema” quando o que pretendem é que as mesmas sejam dóceis, colocadas ao serviço de interesses conjunturais de alguns governantes e percam a sua independência.

(In O Bode do Piné)

Etiquetas: , , , ,

quinta-feira, novembro 20, 2008

Geomonumentos nos Açores

No âmbito do ciclo de conferências da disciplina de Ecoturismo da Licenciatura de Guias da Natureza, O Professor João Carlos Nunes do Departamento de Geociências da Universidade dos Açores proferiu uma palestra sobre o tema “Geomonumentos”, no Anfiteatro do Pico da Urze do Campus de Angra do Heroísmo, na Terceira. A comunicação procurou fazer passar a mensagem de que o Património Natural da Região Autónoma dos Açores é entendido, cada vez mais, não apenas como sendo constituído pela sua flora e fauna (com particular realce para as suas espécies endémicas e indígenas) mas também pelo suporte geológico que as suporta e condiciona. Até porque dada a natureza arquipelágica dos Açores e as limitações impostas pela dimensão e distribuição das diferentes ilhas, tanto componentes da biodiversidade como da geodiversidade assumem relevância acrescida. Como se realça em nota do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, a geodiversidade das ilhas dos Açores, juntamente com outros factores determinantes, como o isolamento insular e o clima, são responsáveis por condições ecológicas distintas e distintivas, que traduzem, de forma singular, a estreita relação entre a geodiversidade e a biodiversidade do arquipélago. Em resumo, foi preocupação do orador transmitir a ideia de que nas questões relacionadas com a Conservação da Natureza as componentes da biodiversidade e da geodiversidade adquirem uma importância acrescida, na medida em que constituem acções promotoras de um desenvolvimento sustentável, que a par da biodiversidade das ilhas dos Açores importa catalogar, conhecer e proteger a geodiversidade da Região.
(In Paula Gouveia - Açoriano Oriental)

Etiquetas: , , , ,

quinta-feira, outubro 09, 2008

Caracois em risco de desaparecer

Em Portugal existem 159 espécies em risco de extinção, entre as quais o lince ibérico e caracóis da Madeira e dos Açores, segundo a Lista Vermelha divulgada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Na edição de 2008 da Lista Vermelha das espécies ameaçadas, Portugal aparece com 159 espécies em risco de extinção. A maior parte refere-se a 67 espécies de caracóis da Madeira e dos Açores. A seguir vêm 38 espécies de peixes e um total de onze mamíferos, onde está incluído o lince ibérico.O estudo adianta que metade das espécies de mamíferos em todo o Mundo está em declínio e uma em cada três encontra-se ameaçada de extinção. Segundo a Lista Vermelha da UICN, há 1.141 mamíferos em risco de extinção, o que equivale a cerca de 21% das 5.487 espécies conhecidas.

(In A União)

Etiquetas: , ,

quinta-feira, agosto 28, 2008

Solos dos Açores com adubos em excesso

Os terrenos dos Açores têm adubos em excesso; as ilhas de São Miguel e do Pico são os casos mais graves.
Este é um dado revelado, com base num estudo efectuado pela Universidade dos Açores. Os prejuízos são elevados para os agricultores e também para o meio-ambiente, até porque os adubos em demasia podem colocar em risco as águas de consumo público. Para o professor da Academia açoriana, Jorge Pinheiro, especialista em solos, e numa interpretação do referido estudo, considera que os adubos em excesso são uma consequência lógica da falta de extensão rural do arquipélago açoriano. Para o perito da Universidade dos Açores, essa utilização não só se traduz num perigo para o meio-ambiente e até para lençóis de água mais profundos e aquíferos, como também se trata de lançar dinheiro fora.

(In Armando Mendes / Carlos Tavares RTP-RDP Açores)

Etiquetas: , , ,

domingo, julho 13, 2008

Açores são exemplo de preservação do meio ambiente

Os Açores são um exemplo de preservação do meio ambiente. Quem o disse foi o Presidente do Governo dos Açores na inauguração da Ambitech Açores 2008 – uma expoconferência que decorre até amanhã, no Pavilhão do Mar, em Ponta Delgada.
“Duas ilhas da Região passarão, a médio prazo, a ser autónomas em relação à utilização de combustíveis fósseis na produção de energia eléctrica”, indicou o Presidente do Governo Regional. Carlos César realçou que isso é consequência das preocupações ambientalistas que o seu Governo tem reflectido nas políticas adoptadas, a ponto de os Açores estarem já a atingir metas traçadas pela União Europeia com prazo de execução previsto para daqui a alguns anos. “Dentro de algumas semanas vamos ter concluída a identificação e a programação de medidas destinadas a ampliar a nossa autonomia e a nossa eficiência energética, no que vamos à frente de outras regiões do país, ou do país no seu conjunto”, afirmou o Presidente do Governo. O governante indicou que estão a ser criados o Geoparque dos Açores, a reserva da biosfera das Flores e as onze novas áreas classificadas, no âmbito da Convenção RMASAR. “Tem sido um esforço partilhado, também, com outras instituições que são essenciais ao desenvolvimento da nossa Região e ao reforço desse capital tão necessário para urdir o nosso modelo de desenvolvimento”, disse, para logo acrescentar que, nesse aspecto, realçava o papel da Universidade dos Açores que já identificou cerca de 100 espécies ameaçadas nos Açores, o que vai permitir desenvolver planos especiais de preservação.

Etiquetas: , , ,

sábado, julho 12, 2008

Novo Parque Natural da Terceira põe em causa trilhos turísticos

O novo Parque Natural da Ilha Terceira está a provocar discusão entre o ambiente e o turismo.
Um quarto da ilha passa a ser área protegida, o que condiciona trilhos turísticos muito utilizados actualmente.
O Parque Natural traça as regras de preservação ambiental, tal como acontece nas restantes ilhas.
Zonas como a Serra e Santa Bárbara, os Mistérios Negros e a Lagoínha estão dentro do perímetro do parque.

É precisamente nessas zonas que se encontram alguns dos mais frequentados trilhos turísticos da ilha.


Etiquetas: , ,

segunda-feira, junho 09, 2008

Jornadas do projecto BIONATURA reúnem 120 especialistas e estudantes em Angra

Cerca de 120 técnicos, especialistas e estudantes reúnem-se a 13 e 14 de Junho, em Angra do Heroísmo, no Campus Universitário da Universidade dos Açores, nas Jornadas Técnicas do Projecto BIONATURA, uma iniciativa que prentende melhorar o estado do conhecimento dos elementos específicos da biodiversidade da Macaronésia para estabelecer critérios de avaliação da fauna e flora dos Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde.
Integrado na iniciativa comunitária INTERREG III B, o BIONATURA é implementado na Região pela Universidade dos Açores, Agência Regional da Energia e Ambiente dos Açores (ARENA), com o apoio da Secretaria Regional do Ambiente e do Mar.
A sua execução visa, também, o estabelecimento das bases metodológicas de planeamento e gestão da Rede Natura 2000 da Região da Macaronésia, permitindo a troca de conhecimentos e experiências neste campo entre as administrações competentes e a promoção e e divulgação do conjunto de áreas protegidas junto da população.
As jornadas desta semana, que decorrem no Campus de Angra da Universidade dos Açores, são promovidas pela ARENA, com o apoio do Centro de Investigação de Tecnologias Agrárias da academia açoriana.
Os interessados nas áreas da Educação Ambiental, Biodiversidade e Conservação da Natureza constituem o público alvo da iniciativa.

(In Página do Governo dos Açores)

Etiquetas: , , , , ,

quarta-feira, abril 23, 2008

Máquinas já pararam nos Biscoitos


A extracção ilegal de inertes numa pedreira na zona dos Biscoitos, onde se encontram diversas espécies protegidas, foi cessada por ordem da direcção regional do Ambiente, que instaurou um processo de contra-ordenação ao Consórcio Mota-Engil, Zagope e Marques, SA, responsável pela obra da Via-rápida Vitorino Nemésio.Recorde-se que na última quinta-feira um grupo de cerca de uma dezena de cidadãos ligados à área do ambiente realizou uma visita de estudo ao local, com a presença da comunicação social.A denúncia pública surgiu na sequência de diversos alertas lançados às entidades competentes e da apresentação de uma queixa na GNR, sem qualquer sucesso, explicou na ocasião Adalberto Couto, promotor da iniciativa.Contactado por DI, o director regional do Ambiente, Francisco Cardigos, garantiu que na sequência dessa denúncia, “na própria sexta-feira, foi levantado um processo de contra-ordenação ao consórcio em causa pela extracção ilegal de inertes, cujo processo judicial seguirá agora os trâmites habituais”. Francisco Cardigos assegurou também que, “no mesmo dia, foram dadas ordem para a cessação imediata da extracção, que foi confirmada também na sexta-feira”. “Foram ainda dadas indicações aos vigilantes da natureza para que estejam atentos a esta situação, no sentido de evitar o reiniciar da extracção, uma vez que se trata de um local onde estamos na presença de diversas espécies classificadas, algumas das quais pela Convenção de Berna”, acrescentou.Francisco Cardigos lamentou, no entanto, que os promotores da referida visita de estudo “tenham decidido fazer uma denúncia pública, antes de se dirigirem primeiro à direcção regional do Ambiente”.

“MINIMIZAR OS DANOS”

Em declarações ao DI, o promotor da denúncia pública, Adalberto Couto, manifestou-se satisfeito com a decisão da direcção regional do Ambiente de cessar a extracção, mas defendeu a necessidade de realizar agora uma recuperação daquele local.“Pelo menos, já pararam as máquinas, mas há muitos danos que deveriam ser tidos em conta numa possível recuperação ambiental”, sustentou.No entender de Adalberto Couto, licenciado em Gestão e Conservação da Natureza, no Departamento de Ciências Agrárias e Mestrando do mesmo curso “é preciso dar uma recompensa ao ambiente pelos danos causados”.“Repor a situação inicial é complicado, mas é possível minimizar os danos”, explicou.Adalberto Couto garantiu, por outro lado, que apesar de não ter recebido uma queixa formal, “a direcção regional do Ambiente tinha conhecimento da extracção de inertes naquele local e sabia que estava ilegal”.Em causa está o abate e a destruição do habitat de diversas espécies endémicas, como a Erica scoparia ssp. azorica (Urse), a Laurus azorica (Louro da Terra), a Juniperus brevifolia (Cedro do Mato) e a Myrsine retusa (Tamujo). Algumas destas espécies estão classificadas pela Convenção de Berna e o seu habitat - lavas recentes - está também protegida pela Directiva Habitats. De acordo com a legislação em vigor, são proibidas a colheita, apanha, corte ou arranque intencionais de espécies protegidas, assim como a deterioração intencional dos respectivos habitats. A infracção ao disposto na lei sobre esta matéria constitui contra-ordenação punível com coima no valor máximo de 2.493,99 euros para pessoas singulares ou até 29.927,88 euros para pessoas colectivas. Poderá ser ainda alvo de sanções acessórias, como a interdição do exercício da profissão ou da actividade, a apreensão do equipamento utilizado, a privação do direito a subsídio ou benefício outorgado por entidades ou serviços públicos e a privação do direito de participação ou arrematações a concursos promovidos por entidades ou serviços públicos ou de concessão de serviços, licenças ou alvarás.
(In Diário Insular)

Etiquetas: , ,

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Briófitos dos Açores

Rosalina Gabriel começou a estudar aquilo que vulgarmente designamos de musgos – os briófitos, que incluem os musgos, as hepáticas e as antocerotas – em 1990. Sentada no seu pequeno gabinete, forrado de livros e imagens da natureza, do Departamento de Ciências
Agrárias da Universidade dos Açores, a investigadora fala com paixão de um mundo ainda bastante desconhecido para a maioria dos açorianos.


“Na altura, comecei a interessar-me pelas florestas naturais dos Açores que são sítios muito interessantes e importantes por muitas razões”, diz, para início de conversa. “As florestas naturais dos Açores têm um regime de precipitação que se assemelha ao das florestas tropicais, mas as temperaturas não são tão elevadas, o que as torna florestas temperadas, onde há uma grande abundância de briófitos”. Ao todo são mais de 400 espécies nos Açores na sua maioria musgos – 282 na Região, contra 1292 na Europa e 12 mil em todo o mundo. Seguem-se as hepáticas folhosas – 151 nos Açores, 453 no continente europeu e oito mil à escala planetária – e as antocerotas – cinco na Região, oito na Europa e 200 em todo o mundo. Segundo Rosalina Gabriel, os musgos servem para muito mais do que apenas para o presépio de Natal. “Os briófitos desempenham funções tão importantes como a retenção de água e nutrientes, a intersecção de nevoeiros, interacção com outros organismos, formação de solo e minimização da erosão”. Outro dos mitos associados aos musgos é o de que são todos iguais. Mas como se distinguem afinal os musgos das hepáticas e das antocerotas? “Os musgos quando olhados de cima parecem o raio de uma roda de bicicleta, enquanto as hepáticas têm um eixo a partir da qual são simétricas e as antocerotas são cápsulas de crescimento indeterminado e assemelham-se a vagens de feijão verde”, explica a investigadora. Uma ideia errónea igualmente enraizada é a de que os musgos são parasitas das plantas ou a de que a sua presença numa árvore indica que ela não está bem de saúde. “Os musgos fazem parte do reino vegetal”, sublinha Rosalina Gabriel, referindo que “libertam oxigénio e consomem dióxido de carbono tal como as plantas grandes”. Os musgos são também um “indicador de bom ar”. “A sua presença nas árvores não faz mal, ao contrário do que muita gente pensa, mas é sim um indício de que não há poluição atmosférica naquele local”, adianta a investigadora, salientando que “a sua presença abundante nos não só nas florestas, como nos telhados e nos pátios, é, por conseguinte, um bom sinal”.
Outro mito sobre os musgos é o de que quando estão castanhos é porque estão mortos. Tal como as sementes, os musgos conseguem suspender a vida. “Os musgos têm uma relação muito importante com a água, de que necessitam para a sua sobrevivência”, explica Rosalina Gabriel. “No entanto, se não há humidade, deixam de crescer mas não morrem”, continua, destacando que “conseguem ficar mais de 50 anos secos e depois retomar a actividade metabólica”, “uma característica notável, que pode ser útil, por exemplo, em viagens espaciais”, realça, com orgulho, enquanto nos mostra uma apresentação em power­point sobre a biodiversidade e o valor patrimonial dos musgos dos Açores.


A investigadora refuta também a tese segundo a qual os musgos são perigosos porque fazem escorregar. “As pessoas gostam de os ver no interior das cavida­des vulcânicas, mas depois dizem que fazem escorre­gar se estiver húmido”.
No entender de Rosalina Gabriel, “os musgos têm tão mau nome porque muitas vezes são confundidos com as algas, que têm paredes mais gelatinosas”. Apesar de não terem vantagens económicas imedia­tas e dos golfistas não gostarem de os ver nos seus “greens”, a presença de musgos em pastagens ou ou­tros terrenos não significa que estes tenham imper­meabilizado ou que precisem de ser cavados. Outra ideia errada é a de que o gado não come musgos, acrescenta.

Lista vermelha

Ninguém estuda musgos é outro dos mitos. Nos Aço­res são, aliás, muitos os investigadores que se dedi­cam a esta área, designadamente Eva Sousa, Sandra Câmara, Nídia Homem, Cecília Sérgio, René Schuma­cker, Erik Sjögren, Jan-Peter Frahm, Berta Martins, Kjell Flatberg, Elisabete Maciel e Jeffrey W. Bates, para além de Rosalina Gabriel. Para além disso, Nídia homem e Rosalina Gabriel pre­param-se para lançar, no início de Fevereiro, o livro “Briófitos Raros dos Açores”. A obra pretende divulgar
as 60 espécies existentes nos Açores que se encontram na lista vermelha da Europa, ou seja, que estão classificadas como raras ou vulneráveis. O Grupo da Biodiversidade dos Açores do Centro de Investigação de Tecnologias Agrárias dos Açores (CITA-A), instalado no Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores terá também, até Março, disponível na Internet um site onde será possível pesquisar a distribuição por freguesia de todas as espécies vegetais e animais terrestres das nove ilhas dos Açores. “O objectivo é fomentar o gosto pelo que as pessoas têm na sua freguesia e ajudar a ligar as pessoas ao local”, destaca Rosalina Gabriel. “Esta iniciativa visa também perceber padrões e motivarmo-nos a melhorar os nossos dados, que são baseados em toda a bibliografia disponível sobre espécies do arquipélago” . Entre mãos, o Grupo da Biodiversidade dos Açores tem também, actualmente, o projecto Top 100 das 100 espécies mais fáceis de gerir da Macaronésia. “Trata-se de um Livro Verde das espécies que pragmaticamente conseguimos proteger, porque com um mínimo de custos podemos fazer qualquer coisa por inúmeras espécies, enquanto se realizam estudos sobre as outras”, sustenta a investigadora. “Claro que é importante proteger o Priôlo, por exemplo, mas se nos preocuparmos apenas com esta ave podemos perder outras 40 espécies”, alerta, sublinhando que o intuito da iniciativa é “tentar não deixar essas outras espécies que são mais fáceis de proteger para trás”. Um outro projecto relacionado com os musgos que está a ser desenvolvido pela equipa de Rosalina Gabriel visa avaliar a quantidade de materiais pesados nas turfeiras do interior da ilha Terceira. “Os musgos são muito resistentes a várias coisas, como a herbivoria, porque poucos animais os comem, mas são muito sensíveis à poluição aquática e atmosférica”, refere, adiantando que “como não têm raízes dependem das correntes aéreas e acabam por acumular alguma quantidade de metais”. Até agora, os dados analisados não são reveladores de uma grande concentração de metais no interior da ilha, mas o grupo pretende estender o estudo à zona litoral da ilha, onde a situação poderá ser diferente. Rosalina Gabriel destaca ainda a publicação recente, pela Secretaria Regional do Ambiente, de blocos de notas com briófitos, que considera “importante para divulgar estas espécies junto das pessoas”.


O Grupo da Biodiversidade dos Açores foi igualmente distinguido recentemente com um dos prémios BES-Biodiversidade, pelo seu estudo dos processos envolvidos na extinção potencial de insectos, aranhas e musgos nas florestas nativas da Região. Intitulado “ Predicting extinctions on oceanic islands: The Azorean paradigm”, o trabalho proposto por Paulo Borges, docente do Departamento de Ciências Agrárias da universidade açoriana, mereceu uma Menção Honrosa, ex-aequo com outros dois projectos, num total de quatro premiados de entre os 34 projectos concorrentes ao nível do país. A cerimónia de entrega dos prémios teve lugar na sede do BES, em Lisboa, com a presença de Ricardo Salgado, presidente do banco, Francisco Nunes Correia, Ministro do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, Lígia Amâncio, vice-presidente da FCT, Teresa Andresen, do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto, e João Meneses, presidente do ICN. A distinção veio, assim, valorizar o importante trabalho na área da biodiversidade que a equipa liderada por Paulo Borges tem vindo a desenvolver, ao longo dos últimos 10 anos. “Desde 1998, temos vindo a editar uma série de publicações científicas sobre a biodiversidade açoriana e a emitir pareceres para o Governo Regional sobre as zonas do arquipélago que necessitam de ser protegidas, contribuindo, assim, para a já anunciada criação de vários parques naturais”, referiu Paulo Borges, em declarações ao DI. Para o investigador, este prémio é o “reconhecimento de toda a informação científica produzida pelo grupo e publicada em revistas internacionais e da sua aplicação prática na conservação da natureza nos Açores, através da ajuda à tomada de decisão pelo Governo Regional”. “É um prémio que muito honra não só a Universidade dos Açores como todos aqueles que trabalham na área da biodiversidade e que connosco têm colaborado”, afirmou. A distinção irá permitir ainda a publicação de um livro sobre a biodiversidade dos artrópodes baseado em fotos de grande qualidade. O projecto conta com o apoio da Secretaria Regional do Ambiente.
(In DI-Revista)

Etiquetas: , , , , ,

sábado, fevereiro 16, 2008

Urbanização vertical da Praia Brava em Itajaí (Santa Catarina-Brasil)

Entidades que compõem o movimento sócio-ambientalista de Itajaí e região questionam o Projeto de Lei que propõe o aumento no número de andares permitidos em construções na orla marítima da Praia Brava. O projecto foi encaminhado à Câmara de Vereadores no último dia 23 de novembro, pelo Prefeito Volnei Morastoni, e prevê a liberação para a construção de edifícios com até seis andares na avenida da praia, com até nove andares na segunda quadra, chegando a doze andares na terceira. De acordo com integrantes de diversas entidades de proteção ambiental da região, a aprovação do projeto transformaria completamente o cenário da Praia Brava, hoje caracterizada por conservar resquícios de Mata Atlântica que garantem um ambiente natural diferenciado, com dunas e restinga em processo de recuperação, incluindo áreas classificadas como de proteção permanente. Um oásis em meio à ocupação urbana ao redor. A localização da Praia Brava desperta interesses diversos, inclusive do setor imobiliário e de construção civil, que enxerga no local a possibilidade de total verticalização.
O principal problema do projeto é que ele já esteja indo para votação na Câmara de Vereadores sem qualquer estudo de impacto ambiental e sem uma discussão mais ampla junto à comunidade? aponta Cláudia Severo, presidente da Unibrava, uma das entidades não governamentais que apresentou um parecer técnico e jurídico indicando irregularidades no projeto apresentado pelo executivo municipal. Também assinam o documento as ONGS V Ambiental - Voluntários pela Verdade Ambiental e Associação de Surf Praias de Itajaí (ASPI). As entidades também questionam a legalidade da proposta frente ao Estatuto da Cidade e ao Plano Diretor, já que nenhum estudo ambiental foi feito, nem mesmo estudo de impacto de vizinhança. O documento indica ainda que existe uma completa inobservância do projeto de lei quanto à utilização dos institutos jurídicos adequados para implementar o modelo do PLANDETURES-L, uma vez que desrespeita por completo as observações dispostas no Plano Diretor de Gestão e Desenvolvimento Territorial de Itajaí (Lei Complementar n° 94 de 22 de dezembro de 2006) e conseqüentemente as diretrizes presentes na Lei Federal 10.257/ 2001 (Estatuto da Cidade) e os princípios previstos no artigo 182 da Constituição da República Federativa do Brasil.
Para Caio Floriano dos Santos, da V Ambiental, que acompanha há anos os impactos ambientais sobre a Praia Brava e realizou um estudo sobre o uso e ocupação do local, é preciso que a comunidade decida o destino da Praia Brava considerando outras possibilidades para o local, além da proposta urbanística do projeto de lei municipal. São os moradores, turistas, visitantes e empreendedores (os investidores privados, como aparece no texto do projeto de lei encaminhado pelo prefeito) que devem decidir em conjunto que tipo de atividade deverá ser implementada no local, qual será o uso mais adequado para a praia. Já que o modelo proposto pelo executivo municipal está vinculado ao Plandetures - Plano de Desenvolvimento Turístico, Econômico, Ecológico e Socialmente Sustentável, é preciso que a comunidade local defina inclusive que tipo de turismo se deseja praticar ali, comenta Floriano. Estudos realizados pela UNIVALI em parceria com o Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores em Angra do Heroísmo, Portugal e também pela V Ambiental indicam que mais de 90% dos freqüentadores da Praia Brava querem sua conservação e a valorizam justamente por esse diferencial, que a coloca como uma das raras praias do litoral catarinense que ainda não foi totalmente verticalizada. Este tem sido o maior atrativo para os turistas que procuram a Praia Brava, e que têm gerado renda e trabalho para muitos itajaienses.
Não entendemos porque tanta pressa em votar um projeto que pode alterar definitivamente o modo de vida de uma das últimas localidades com características agrestes, capaz de atrair a atenção de apreciadores diversos, comenta Cláudia Severo. A problemática envolvendo a Praia Brava é tão complexa que já reúne um processo de degradação ambiental e outro de perturbação do sossego contra o Warung. A Prefeitura também é ré neste último; uma ação criminal de degradação ambiental contra o empreendimento Praia Brava Internacional, que estava sendo proposto para o Canto do Morcego; uma ação civil pública pedindo o embargo na obra do empreendimento chamado Ecovila, no morro cortado; e ainda o cumprimento da sentença que determina a demolição do Forte da Brava. Cláudia lembra que a Prefeitura também é ré em um outro processo e foi condenada a realizar obras de reubarnização na Praia Brava, incluindo recuperação das dunas, estacionamento e saneamento básico. Somos contra a votação desta lei sem uma maior discussão comunitária e estudos ambientais e sem que a Prefeitura cumpra a sentença já determinada para a Praia Brava, incluindo saneamento básico e recuperação da vegetação e dunas, afirma.
As entidades sócio-ambientais exigem que se cumpra a lei e se realize uma audiência pública para informar e discutir com outros representantes da comunidade e autoridades os impactos deste projeto sobre o meio ambiente local. Paralelamente, um abaixo-assinado está circulando entre moradores e freqüentadores da praia, dizendo não ao projeto que permite a construção de prédios de até 12 andares na Brava. V Ambiental, Unibrava e ASPI recomendam pedido de vistas ao projeto e solicitam mais informações sobre a proposta do executivo municipal antes que seja votado na Câmara de Vereadores. Caso a matéria seja votada nesta quarta-feira, dia 19, em caráter emergencial, integrantes do movimento sócio-ambientalista prometem organizar pela manhã, uma manifestação popular contra a aprovação do projeto em frente à Câmara de Vereadores.
(In Pirula da Cultura)

Etiquetas: , , , ,