quarta-feira, setembro 23, 2009

Natureza revelada


Da Serra de Santa Bárbara ao caracol da Fonte da Telha, passando pelo Pico Matias Simão, são 13 os aspectos em destaque no CD multimédia “Ícones ambientais do concelho de Angra do Heroísmo”. Características naturais únicas ou de grande raridade, que o município quer salientar aos olhos de turistas e residentes. Não há terceirense que não conheça o Monte Brasil. Ponto de paragem obrigatória para quem visita a ilha, o espaço é procurado durante todo o ano pelos locais, quer para desfrute da vista sobre Angra do Heroísmo, quer pelo contacto com a natureza. Ainda assim, poucos são os que conhecem os fósseis do Monte Brasil. “Grandes orifícios, antes ocupados por troncos de árvores são bem visíveis nas cinzas vulcânicas das falésias do Fanal, em plena Angra do Heroísmo. Esses fósseis são relíquias do passado natural da Terceira, e um património que interessa preservar, porque conta a história de uma ilha em evolução, e porque neles é visível a violência deste ambiente, construído a partir do fundo do mar. Os fósseis do Monte Brasil são uma raridade a nível nacional mas também a nível internacional, não pela sua idade, mas pela juventude e génese”.Foi o Tenente-coronel José Agostinho, o primeiro a referir-se aos fósseis vulcânicos do Monte Brasil. Hoje, alguns fazem parte do espólio d’ “Os Montanheiros”. Esses fósseis têm particular importância por se referirem à flora de ilhas ainda não ocupadas por mamíferos. O estudo dos fósseis do Monte Brasil, anteriores à ocupação dos Açores pelos portugueses, permite perceber o real impacto do homem em ilhas virgens ou espaços ainda não intervencionados. Este é apenas um exemplo das riquezas naturais que Angra possui e que continuam desconhecidas para a maioria dos seus habitantes. Foi para captar a atenção de turistas e residentes para estes pormenores que escapam ao primeiro olhar que a Câmara Municipal de Angra lançou o CD multimédia “Ícones ambientais do concelho de Angra do Heroísmo”. Apresentado no passado dia 11, o CD reúne fotos, textos e vídeos sobre 13 aspectos do património natural do concelho, únicos ou muito raros. A par dos fósseis do Monte Brasil também o caracol da Fonte da Telha é realçado, uma espécie com 6 milímetros que é um endemismo da freguesia do Posto Santo. Outra espécie endémica em destaque é a aranha cavernícola do Algar do Carvão. Existente unicamente naquela zona, tem apenas 3 milímetros. As Furnas do Enxofre são uma raridade do ponto de vista biológico. É pela quantidade de plantas, briófitos, líquenes, algas e de alguma fauna adaptadas a condições específicas que se distingue a nível mundial. É também nas Furnas do Enxofre que encontramos a usnia krogiana, uma espécie de líquenes ou usneas, endémica dos Açores, rica em beleza natural e raridade.No Porto Judeu, a Gruta das Agulhas salienta-se pela sua importância biológica, dada a quantidade, variedade e qualidade de biofilmes decolónias de bactérias, que servem de investigação à Universidade dos Açores. Na mesma freguesia podemos encontrar os maiores ilhéus dos Açores. Os Ilhéus das Cabras apresentam uma fauna e flora marinha de interesse relevante não só para cientistas, mas também para mergulhadores recreativos e curiosos.Com uma grande quantidade de vegetação luxuriante, sobretudo endémica na Região, a Ribeira do Além é uma das ribeiras mais bonitas dos Açores. Situa-se na freguesia da Serreta. Mais acima, os Altares apresentam um cone vulcânico, de escórias soldadas, com características únicas no contexto da geodiversidade do planeta. O Pico Matias Simão assemelha-se apenas a formações vulcânicas existentes na Sicília, em Espanha e o arquipélago do Havai, no Oceano Pacífico. A serra de Santa Bárbara é um dos lugares com maior riqueza natural do país. A sua caldeira é o local com mais endemismos por unidade de terreno dos Açores e de Portugal. Na apresentação do CD multimédia, o professor catedrático António Firas Martins disse mesmo que se Darwin tivesse visitado a serra de Santa Bárbara, quando esteve na Terceira, não teria necessitado de ir às Galápagos para descobrir a teoria da evolução. É também na Serra de Santa Bárbara que se encontra a Lagoa Funda, uma das lagoas da ilha e dos Açores que não apresenta qualquer tipo de intervenção humana mantendo os seus habitats inalteráveis desde a formação das ilhas. O trevo de quatro folhas “marsilea azorica” é uma das plantas mais raras e ameaçadas do mundo. O feto endémico só existe no charco temporário da zona do Pico da Bagacina. Também o musgo “echinodium renauldii” é um dos mais raros da Europa. Fica na zona da Matéla, na freguesia da Terra Chã. O trabalho contou com a colaboração a título individual de vários professores da Universidade dos Açores. Francisco Cota Rodrigues, Eduardo Dias, Álamo Meneses, Félix Rodrigues, Maria de Lurdes Enes, Cecília Melo, João Pedro Barreiros, Rosalina Gabriel, Paulo Borges, Victor Hugo Forjaz e António Frias Martins deram testemunhos em vídeo sobre as diferentes espécies e locais salientados. A coordenação ficou a cargo de Félix Rodrigues, a nível de textos, e de Paulo Henrique Silva, que recolheu fotografias e vídeo. Rosalina Gabriel falou sobre o musgo neste trabalho. Para a professora da Universidade dos Açores, o trabalho serve para dar a conhecer o que existe de bonito no concelho. “Eu penso que qualquer pessoa que conhece as florestas naturais tem a certeza que elas seriam muito diferentes se não houvesse musgos. A biomassa que ali está é muito grande, eles estão em todo o lado, desde as rochas até aos troncos, até às folhinhas mais lá em cima, onde há menos quantidade de água. É importante que as pessoas comecem a olhar para eles. É bonito”, refere.Já Eduardo Dias, acredita que a divulgação destas espécies pode promover a sua protecção, mas pode também provocar o oposto. “É verdade que se não divulgarmos as pessoas não gostam, não apreciam e consequentemente não vão justificar a sua conservação, mas por outro lado o conhecimento leva a um maior interesse, que por vezes pode levar à destruição”, defende.Segundo o professor, os Açores começam já a dar os primeiros passos na conservação das espécies endémicas. “As medidas de conservação nos Açores são muito recentes e acho que ainda se está a fazer um percurso neste sentido. Estão a sair os parques de ilha e uma série de medidas de conservação básicas e estruturantes, que a Região não tinha. A gente tem de esperar que, de facto, este surto de interesse que a população e a comunidade estão a ter sobre a natureza dos Açores corresponda a uma devida proporção em termos da conservação, que no passado não era muito fundamentado, porque as pessoas desconheciam e não se interessavam e que agora começa a ser dramático, porque as duas coisas têm de andar a par e passo, divulgação/ promoção e conservação da natureza”, revela.

(in Diário Insular)

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quinta-feira, junho 04, 2009

Comemoração do Dia do Ambiente

No âmbito das comemorações do Dia Mundial do Ambiente, estão agendadas as seguintes palestras temáticas na Escola Secundária Vitorino de Nemésio, para as quais está convidada a comunidade escolar:

29-05-2009 (sexta-feira)

10:45-Energia Eólica – Eng. Miguel Martins (Grupo EDA)

03-06-09 (Quarta-feira)

10:45-Aves Migratórias na rota dos Açores – Mestre Cecília Melo – Universidade dos Açores

05-06-09 – (sexta-feira)

14:15 A biologia marinha numa espécie emblemática dos Açores –Doutor Leonardo Machado – Universidade dos Açores

12:15 Entrega dos Prémios e Certificados de Participação aos alunos participantes na actividade “Quiz Energia”

15-06-09 – (Segunda - feira)

14:15 Aves Marinhas nos Açores – Paulo Henrique – Assessor Técnico do Gabinete do S.R.A.M.


(in ESVN uma EcoEscola)

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segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Dia Mundial das Zonas Húmidas

Cândida Mendes, Eduardo Dias e Cecília Melo

Este dia comemora-se internacionalmente desde 1997, 16 anos depois de ter sido assinada a convenção de RAMSAR que tem como grande objectivo a conservação de zonas húmidas. Em Portugal desde 1998, as iniciativas para assinalar este dia passam pela organização de campanhas de sensibilização e divulgação sobre a importância destes ecossistemas incidindo em temáticas diversificadas como avifauna, flora e recursos hídricos. Numa fase em que tanto se fala e escreve sobre a falta de água e as inúmeras causas para a mesma, e aproveitando este dia internacional, pretende-se contribuir para o re(conhecimento) destes ecossistemas nas nossas ilhas descrevendo genericamente a sua importância. O que são zonas húmidas?
Existem de facto muitas definições para o termo «Zonas Húmidas», algumas baseadas em critérios principalmente ecológicos e outras orientadas para questões associadas à sua gestão. A Convenção RAMSAR adoptou uma definição extremamente ampla: «áreas de sapal, paúl, turfeira ou água, sejam naturais ou artificiais, permanentes ou temporários, com água que está estagnada ou corrente, doce, salobra ou salgada, incluindo águas marinhas cuja profundidade na maré baixa não exceda os seis metros», à qual se acrescenta, com a última revisão, que as zonas húmidas «podem incluir zonas ribeirinhas ou costeiras a elas adjacentes, assim como ilhéus ou massas de água marinha com uma profundidade superior a seis metros em maré baixa, integradas dentro dos limites da zona húmida». Esta definição inclui, assim, todos os ambientes aquáticos do interior e a zona costeira marinha.
Porque há tantas zonas húmidas nos Açores?A primeira razão pela qual existe grande quantidade de zonas húmidas nos Açores começa pelo facto de serem ilhas, ou seja rodeadas por mar, em que as zonas de transição entre o mar e a terra, correspondem a ecossistemas de natureza húmida (neste caso costeiras), correspondendo a uma imensa área, considerando as 9 ilhas e os seus ilhéus. Além das zonas húmidas associadas ao mar, existe grande quantidade de outras, designadas de terrestres. De facto, as zonas altas da grande maioria das ilhas apresentam elevados níveis de precipitação (directa e oculta - esta última é a correspondente à que as plantas retém por intercepção dos nevoeiros, os dois tipos de precipitação podem atingir valores de 13.000 mm em zonas como a Serra de Sta. Barbara). Associado à entrada de grandes volumes de água surge a formação de um horizonte (camada de solo) de ferro e magnésio (formação típica em solos de ilhas vulcânicas com elevados níveis de precipitação) que dificulta a drenagem das águas dando origem a uma quantidade considerável de água à superfície, condição base para o desenvolvimento de formações “encharcadas”.
Que tipos de zonas húmidas naturais existem nos Açores?
As ilhas açorianas, frequentemente descritas como ilhas míticas de verde exuberante, se observadas com detalhe por entre as árvores do meio natural ou mesmo por entre meios humanizados, assumem um tom azul inesperado fruto da água que (ainda) existe à superfície do nosso solo “negro”. Em termos de formações de zonas húmidas que esta água faz desenvolver, estas são tão ou mais diversas como são as 9 ilhas. A principal distinção pode ser feita entre zonas húmidas costeiras (com influência marinha) e zonas húmidas terrestres (sem influência marinha directa). Exemplos da tipologia costeira são baías e a costa dos ilhéus. Em relação às terrestres três grandes grupos: (1) os chamados corpos de águas livres, desde grandes lagoas como por exemplo a das Sete Cidades a pequenos charcos que ninguém viu ou conhece; (2) zonas apauladas desde turfeiras de musgão (Sphagnum) a florestas húmidas; (3) o terceiro grande grupo é chamado o de águas correntes, onde as nossas ribeiras estão incluídas.
Genericamente tratam-se de um mundo bastante diverso e amplamente distribuído nas nossas ilhas. Os ecossistemas de zonas húmidas foram durante séculos, e segundo a crença popular, zonas que deviam ser drenadas por serem considerados sem valor, sendo apenas fonte de maus cheiros, mosquitos e doenças. Um maior interesse e conhecimento científico das zonas húmidas tem vindo a identificar valores e funções para a biodiversidade e qualidade de vida das populações aumentando o interesse dos cidadãos por estes habitats.
Importância das zonas húmidas naturais nos Açores:
Em primeiro lugar queremos salientar a importância destas formações em termos de salvaguarda de recursos hídricos. Estas funcionam como reservatórios naturais constituindo “tanques de armazenamento” das águas das chuvas, libertando de modo gradual (para os aquíferos e ribeiras) a água que recebem. Nesta função realçamos as turfeiras (zonas húmidas que se caracterizam pela capacidade de acumular as plantas que morrem, estas não se decompõem devido ao encharcamento e à acidez das suas água e acumulam-se sob a forma de turfa), capazes de reter, na camada superficial destas formações, cerca de 20 vezes o seu peso em água (como exemplo pode-se mencionar que uma só turfeira com cerca de 300 000 m2 pode reter na sua estrutura mais de 180 000 m3 de água). Também a diminuição de formações naturais florestadas (nomeadamente turfeiras florestadas), tem um grande impacte em termos de recursos hídricos pois a quantidade de água interceptada dos nevoeiros diminui de forma acentuada. Estudos efectuados no GEVA demonstram que a componente florestal acresce de 2 a 4 vezes o valor da precipitação de um dado local.As zonas húmidas não favorecem apenas a recarga dos aquíferos mas também contribuem para a limpeza das águas, visto servirem de reservatório onde os sedimentos e substâncias tóxicas se depositam. Pode-se assumir que estas formações “consertam” comportamentos abusivos do homem que resultam na poluição das águas, para que a possamos usar nas necessidades mais básicas como a sede. A alteração progressiva da ocupação do solo, transformando zonas de vegetação natural com uma menor capacidade de retenção de água, tem contribuído para a diminuição da quantidade e qualidade das nossas águas. Este fenómeno de desaparecimento de zonas húmidas favorece também a ocorrência de “acidentes” tais como derrocadas de terra e o aumento torrencial do caudal de ribeiras. O aquecimento global é também um tema bastante actual, que se pensa ter como causa primordial o aumento da emissão dos gases de estufa, nomeadamente dióxido de carbono.
Acumulação de carbono sob a forma de turfa, Terceira.
Estes habitats, particularmente as turfeiras, têm capacidade de reter grandes quantidades de carbono sob a forma de turfa (as plantas não decompostas são formadas predominantemente por carbono), um facto que contribui, quando estas formações estão activas e no seu estado natural para minimizar este problema.Estes habitats cobrem cerca de 6% da superfície terrestre mas contém cerca de 14% do total de carbono. No entanto, a sua destruição progressiva, principalmente devido à conversão em áreas agrícolas, tem vindo a contribuir para o agravamento deste problema. Isto porque, quando ocorre a sua destruição, inicia-se um processo de decomposição e de transferência do carbono para a atmosfera. As zonas húmidas são importantes na estabilização das linhas de costa e protecção contra tempestades. As formações costeiras estabilizam as linhas da costa e fortalecem os solos, reduzindo a energia da ondulação e das correntes, enquanto os sistemas radiculares ajudam a fixar os sedimentos. A sua vegetação faz diminuir, por impacto, a velocidade da escorrência de água após grandes chuvadas, funcionando como meio de controlo à erosão. As zonas húmidas de altitude das ilhas açorianas, nomeadamente turfeiras, têm um papel fundamental no controle dos caudais ribeiras e linhas de água. A alteração progressiva da ocupação do solo, transformando zonas de vegetação natural em área agrícola (com uma menor capacidade de retenção de água), tem contribuído para a ocorrência de acidentes com perdas de vidas humanas tais como derrocadas de terra e caudais torrenciais (com transbordo) de ribeiras. As zonas húmidas proporcionam habitat a um amplo conjunto de espécies vegetais e animais aquáticos e muitos outros são dependentes destes habitats. As formações de água doce em termos mundiais, embora ocupem apenas 1% da superfície terrestre, são habitat para mais de 40% das espécies mundiais e 12% de todas as espécies animais. Estas promovem também a colonização de novos habitats e o intercâmbio genético, garantindo a viabilidade das populações de peixes e de aves aquáticas, pois constituem corredores de dispersão e migração, assim como "pontes de ligação" para muitas espécies. Da flora açoriana pode-se referir, de acordo com estudos efectuados no GEVA que cerca de 50% das espécies protegidas dos Açores desenvolvem-se em zonas húmidas ou estão dependentes destas (em termos de água e nutrientes). Como exemplos temos a Marsilea azorica (trevo muito raro que existe apenas na ilha Terceira) e o Chaerophyllum azoricum, entre outras. Da fauna destacam-se as aves aquáticas incluindo espécies terrestres e marinhas, residentes e visitantes. O papel das aves aquáticas é muito importante para o equilíbrio dos ecossistemas húmidos açorianos. O baixo número de espécies residentes nestes sistemas faz com que várias funções ecológicas dependam da interacção com as aves aquáticas visitantes. A importância destas aves tem vindo a ser reconhecido nos últimos anos, nem só pela sua função ecológica mas também pela importância turística para actividades como a observação de aves.O processo alteração da naturalidade destes ecossistemas, coloca em risco todo o mundo vivo associado às mesmas. Embora exista ainda grande quantidade de zonas húmidas nos Açores, uma parte considerável destas (senão) desapareceu, encontram-se bastante alteradas, pelo que urge a tomada de atitudes como o seu reconhecimento por todos e a compreensão da sua importância da qual depende a nossa própria qualidade de vida. Urge também a acção directa sobre estas formações. Não é possível desfazer actos, mas é possível refazer (recuperar e restaurar) zonas húmidas. Não queremos deixar de chamar à atenção que as zonas húmidas dos Açores possuem atributos particulares os quais não se resumem à sua diversidade biológica, valor hidrológico ou paisagístico, atributos esses que não se destinam, a serem consumidos de forma directa, mas antes a serem considerados um valor em si mesmos….o prazer de uma pescaria, um passeio à beira-mar e a vista sobre uma lagoa são apenas alguns exemplos.
(In Diário Insular)

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terça-feira, agosto 05, 2008

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DA INTEGRIDADE ECOLÓGICA DAS ÁREAS DA REDE NATURA 2000

Foi apresentada e defendida no Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, a tese de Mestrado em Gestão e Conservação da Natureza de Cecília de Sousa Melo, orientada pelo Professor Eduardo Dias do Departamento de Ciências Agrárias, com o título " CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DA INTEGRIDADE ECOLÓGICA DAS ÁREAS DA REDE NATURA 2000: CASO ESTUDO DA SERRA DE SANTA BÁRBARA"
O futuro dos espaços da Rede Natura 2000 na Europa depende em parte do desenvolvimento de metodologias que avaliem os factores determinantes da distribuição e manutenção dos valores patrimoniais e a inserção destes conhecimentos ao nível dos planos de gestão territorial.
Tendo em consideração os aspectos ecológicos, a gestão da paisagem necessita de uma compreensão dos processos e dinâmicas que criam essas mesmas paisagens.
Para atingir este conhecimento o trabalho proposto nesta tese teve como objectivo desenvolver uma metodologia de análise integrada do território, assumindo-o como uma realidade biofísica e social que se estabelece ao longo do tempo.
O trabalho utilizou como modelo de estudo a Serra de Santa Bárbara e fundamentou-se em duas abordagens complementares: (1) Análise ecológica das comunidades naturais, assumindo a vegetação como unidade ecológica da paisagem; (2) Análise dos factores de evolução da paisagem.
Na primeira parte do trabalho foi elaborada uma carta detalhada de vegetação com determinação dos factores abióticos modeladores da mesma, através de análise estatística. A cartografia da vegetação mostrou-se como uma ferramenta crucial para identificar áreas importantes para a conservação, permitindo a sua caracterização e avaliação. Esta possibilita reunir um elevado conjunto de informação sobre a distribuição e abundância dos tipos de vegetação naturais e das espécies da flora associadas aos mesmos.
Foram identificados vinte oito tipos de vegetação de uma elevada variabilidade estrutural e florística: vegetação de zonas húmidas (9); prados naturais (5); matos (8), florestas (6).
Os resultados da ordenação mostram que os principais factores que afectam a variância da vegetação são: a exposição e o encharcamento (factores naturais) e pastoreio passado (factores antrópicos) no caso das formações lenhosas e no caso dos prados o declive, exposição e encharcamento (factores naturais). Todas as comunidades estão protegidas pela Directiva Habitats (EC/92/43) e a sua maioria é endémica dos Açores, apresentando um elevado grau de naturalidade.
A análise da evolução da paisagem e avaliação do grau de naturalidade e ameaça dos habitats, permitiu verificar que as grandes alterações na paisagem estão relacionadas com factores biológicos e socioeconómicos, desempenhando estes últimos um papel mais preponderante na sua modelação. Os resultados indicam que a mudança do modelo socioeconómico da ilha assente na implementação de um sistema silvo-pastoril a partir dos anos 60 associado à evolução tecnológica, levarem a uma alteração da estrutura da paisagem, a qual sofreu um processo de afunilamento, tendendo para a monoculturização do sistema e a criação de dois grandes mosaicos; um de elevada naturalidade e sujeito a um crescente grau de pressão expressa no avanço dos factores de ameaça para o interior do núcleo natural, e um mosaico antrópico intensificado de baixo grau de naturalidade.
Estes resultados levaram à elaboração de um conjunto de sugestões que se julgam importantes para o plano gestão da serra de Santa Bárbara. Estas incluem dois grandes grupos de medidas: (1) Medidas Preventivas (zonamento, diminuição processos fragmentação e regulação turismo natureza), (2) Medidas Activas (Interacção com as comunidades locais, valorização económica elementos naturais, promover a criatividade e diversificação económica, recuperação áreas sensíveis, promover ampliação área natural).

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domingo, fevereiro 10, 2008

Dia Mundial das Zonas Húmidas

A comemoração do dia mundial das zonas húmidas na ilha Terceira foi um sucesso por diversas razões, a começar pelo número de participantes, mais de vinte, e pela grande diversidade que formava o entusiasmante grupo de visita ao Paúl da pedreira do Cabo da Praia do Concelho da Praia da Vitória. Para além dos ilustres convidados que permitiram uma maior elucidação acerca das zonas húmidas e da sua fauna e flora em geral, aprendemos também muito acerca da zona em questão e sua importância.
O passeio, à beira-mar, foi bastante interessante e funcionou perfeitamente como icebreaker permitindo ao grupo um maior entrosamentoe e descontracção, como também uma maior afinidade para com o lugar e para a fase seguinte, a observação das aves.
Observamos durante alguns minutos as espécies mais abundantes, nesta altura do ano no Paúl, e ouvimos atentamente os nossos convidados.
A Bióloga investigadora do Departamento de Ciências Agrárias do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores Cecília Melo falou-nos acerca da avifauna, prestando um importante auxilio na identificação das espécies observadas; O Dr. Adalberto, mestrando em Gestão e Conservação da Natureza da Universidade dos Açores mencionou as espécies da flora e possibilidades de recuperação do habitat; O Eng.º Vasco (Presidente da Gê-Questa e investigador do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores) falou da importância das zonas húmidas, contextualizando historicamente a relação do Homem com estas zonas, referindo também aspectos importantes acerca destas zonas na ilha Terceira; O Vereador da Câmara Municipal da Praia da Vitoria, o Sr. Paulo Messias falou da evolução do Paúl da Praia, mostrando algumas fotos que cronologicamente possibilitam entender as diferentes fases: pouco alterado, destruído (aterrado), inicio de sua recuperação e situação presente.
Todos os presentes participaram activamente em uma interessante e construtiva conversa acerca da situação do Paúl da pedreira do Cabo da Praia e foi combinado uma acção de limpeza a ter lugar num futuro próximo.
Uma parte do grupo realizou um almoço muito interessante (na tasca do André) onde a discussão acerca de um eventual projecto de recuperação da faixa costeira entre a ribeira de S. Antão e o Paúl da pedreira do Cabo da Praia foi o tema dominante. Depois almoço fomos premiados com um passeio ao longo da praia do Belo Jardim e do Paúl com o mesmo nome, acompanhados pelo propietario das terras que se mostrou muito interessado na cooperação e parceria com a Gê-Questa. Adivinham-se novos projectos para a associação.
Por último, ficam os agradecimentos a todos os participantes, em particular ao movimento cívico SOS Terceira que contou com a presença de três elementos de grande destaque: Carlos Leal (Biólogo Mestrando em Educação Ambiental na Universidade dos Açores) e Leonardo Machado (Ictiólogo, Dourando da Universidade dos Açores).
(In Gê-Questa)

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