Natureza revelada
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Este blog é da responsabilidade do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores e pretende dar conta das actividades desenvolvidas ao longo de 2006 - Ano Internacional dos Desertos e da Desertificação, bem como das actividades realizadas na mesma área temática,ou não, nos anos posteriores.
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O que são zonas húmidas?
Que tipos de zonas húmidas naturais existem nos Açores?
Em primeiro lugar queremos salientar a importância destas formações em termos de salvaguarda de recursos hídricos. Estas funcionam como reservatórios naturais constituindo “tanques de armazenamento” das águas das chuvas, libertando de modo gradual (para os aquíferos e ribeiras) a água que recebem. Nesta função realçamos as turfeiras (zonas húmidas que se caracterizam pela capacidade de acumular as plantas que morrem, estas não se decompõem devido ao encharcamento e à acidez das suas água e acumulam-se sob a forma de turfa), capazes de reter, na camada superficial destas formações, cerca de 20 vezes o seu peso em água (como exemplo pode-se mencionar que uma só turfeira com cerca de 300 000 m2 pode reter na sua estrutura mais de 180 000 m3 de água). Também a diminuição de formações naturais florestadas (nomeadamente turfeiras florestadas), tem um grande impacte em termos de recursos hídricos pois a quantidade de água interceptada dos nevoeiros diminui de forma acentuada. Estudos efectuados no GEVA demonstram que a componente florestal acresce de 2 a 4 vezes o valor da precipitação de um dado local.
As zonas húmidas não favorecem apenas a recarga dos aquíferos mas também contribuem para a limpeza das águas, visto servirem de reservatório onde os sedimentos e substâncias tóxicas se depositam. Pode-se assumir que estas formações “consertam” comportamentos abusivos do homem que resultam na poluição das águas, para que a possamos usar nas necessidades mais básicas como a sede. A alteração progressiva da ocupação do solo, transformando zonas de vegetação natural com uma menor capacidade de retenção de água, tem contribuído para a diminuição da quantidade e qualidade das nossas águas. Este fenómeno de desaparecimento de zonas húmidas favorece também a ocorrência de “acidentes” tais como derrocadas de terra e o aumento torrencial do caudal de ribeiras. O aquecimento global é também um tema bastante actual, que se pensa ter como causa primordial o aumento da emissão dos gases de estufa, nomeadamente dióxido de carbono.
No entanto, a sua destruição progressiva, principalmente devido à conversão em áreas agrícolas, tem vindo a contribuir para o agravamento deste problema. Isto porque, quando ocorre a sua destruição, inicia-se um processo de decomposição e de transferência do carbono para a atmosfera. As zonas húmidas são importantes na estabilização das linhas de costa e protecção contra tempestades. As formações costeiras estabilizam as linhas da costa e fortalecem os solos, reduzindo a energia da ondulação e das correntes, enquanto os sistemas radiculares ajudam a fixar os sedimentos. A sua vegetação faz diminuir, por impacto, a velocidade da escorrência de água após grandes chuvadas, funcionando como meio de controlo à erosão. As zonas húmidas de altitude das ilhas açorianas, nomeadamente turfeiras, têm um papel fundamental no controle dos caudais ribeiras e linhas de água. A alteração progressiva da ocupação do solo, transformando zonas de vegetação natural em área agrícola (com uma menor capacidade de retenção de água), tem contribuído para a ocorrência de acidentes com perdas de vidas humanas tais como derrocadas de terra e caudais torrenciais (com transbordo) de ribeiras. As zonas húmidas proporcionam habitat a um amplo conjunto de espécies vegetais e animais aquáticos e muitos outros são dependentes destes habitats. As formações de água doce em termos mundiais, embora ocupem apenas 1% da superfície terrestre, são habitat para mais de 40% das espécies mundiais e 12% de todas as espécies animais.
Estas promovem também a colonização de novos habitats e o intercâmbio genético, garantindo a viabilidade das populações de peixes e de aves aquáticas, pois constituem corredores de dispersão e migração, assim como "pontes de ligação" para muitas espécies. Da flora açoriana pode-se referir, de acordo com estudos efectuados no GEVA que cerca de 50% das espécies protegidas dos Açores desenvolvem-se em zonas húmidas ou estão dependentes destas (em termos de água e nutrientes). Como exemplos temos a Marsilea azorica (trevo muito raro que existe apenas na ilha Terceira) e o Chaerophyllum azoricum, entre outras. Da fauna destacam-se as aves aquáticas incluindo espécies terrestres e marinhas, residentes e visitantes. O papel das aves aquáticas é muito importante para o equilíbrio dos ecossistemas húmidos açorianos. O baixo número de espécies residentes nestes sistemas faz com que várias funções ecológicas dependam da interacção com as aves aquáticas visitantes. A importância destas aves tem vindo a ser reconhecido nos últimos anos, nem só pela sua função ecológica mas também pela importância turística para actividades como a observação de aves.O processo alteração da naturalidade destes ecossistemas, coloca em risco todo o mundo vivo associado às mesmas.
Embora exista ainda grande quantidade de zonas húmidas nos Açores, uma parte considerável destas (senão) desapareceu, encontram-se bastante alteradas, pelo que urge a tomada de atitudes como o seu reconhecimento por todos e a compreensão da sua importância da qual depende a nossa própria qualidade de vida. Urge também a acção directa sobre estas formações. Não é possível desfazer actos, mas é possível refazer (recuperar e restaurar) zonas húmidas. Não queremos deixar de chamar à atenção que as zonas húmidas dos Açores possuem atributos particulares os quais não se resumem à sua diversidade biológica, valor hidrológico ou paisagístico, atributos esses que não se destinam, a serem consumidos de forma directa, mas antes a serem considerados um valor em si mesmos….o prazer de uma pescaria, um passeio à beira-mar e a vista sobre uma lagoa são apenas alguns exemplos.Etiquetas: Cândida Mendes, Cecília Melo, comemorações, Eduardo Dias, RAMSAR, Zonas húmidas

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