quarta-feira, setembro 23, 2009

Natureza revelada


Da Serra de Santa Bárbara ao caracol da Fonte da Telha, passando pelo Pico Matias Simão, são 13 os aspectos em destaque no CD multimédia “Ícones ambientais do concelho de Angra do Heroísmo”. Características naturais únicas ou de grande raridade, que o município quer salientar aos olhos de turistas e residentes. Não há terceirense que não conheça o Monte Brasil. Ponto de paragem obrigatória para quem visita a ilha, o espaço é procurado durante todo o ano pelos locais, quer para desfrute da vista sobre Angra do Heroísmo, quer pelo contacto com a natureza. Ainda assim, poucos são os que conhecem os fósseis do Monte Brasil. “Grandes orifícios, antes ocupados por troncos de árvores são bem visíveis nas cinzas vulcânicas das falésias do Fanal, em plena Angra do Heroísmo. Esses fósseis são relíquias do passado natural da Terceira, e um património que interessa preservar, porque conta a história de uma ilha em evolução, e porque neles é visível a violência deste ambiente, construído a partir do fundo do mar. Os fósseis do Monte Brasil são uma raridade a nível nacional mas também a nível internacional, não pela sua idade, mas pela juventude e génese”.Foi o Tenente-coronel José Agostinho, o primeiro a referir-se aos fósseis vulcânicos do Monte Brasil. Hoje, alguns fazem parte do espólio d’ “Os Montanheiros”. Esses fósseis têm particular importância por se referirem à flora de ilhas ainda não ocupadas por mamíferos. O estudo dos fósseis do Monte Brasil, anteriores à ocupação dos Açores pelos portugueses, permite perceber o real impacto do homem em ilhas virgens ou espaços ainda não intervencionados. Este é apenas um exemplo das riquezas naturais que Angra possui e que continuam desconhecidas para a maioria dos seus habitantes. Foi para captar a atenção de turistas e residentes para estes pormenores que escapam ao primeiro olhar que a Câmara Municipal de Angra lançou o CD multimédia “Ícones ambientais do concelho de Angra do Heroísmo”. Apresentado no passado dia 11, o CD reúne fotos, textos e vídeos sobre 13 aspectos do património natural do concelho, únicos ou muito raros. A par dos fósseis do Monte Brasil também o caracol da Fonte da Telha é realçado, uma espécie com 6 milímetros que é um endemismo da freguesia do Posto Santo. Outra espécie endémica em destaque é a aranha cavernícola do Algar do Carvão. Existente unicamente naquela zona, tem apenas 3 milímetros. As Furnas do Enxofre são uma raridade do ponto de vista biológico. É pela quantidade de plantas, briófitos, líquenes, algas e de alguma fauna adaptadas a condições específicas que se distingue a nível mundial. É também nas Furnas do Enxofre que encontramos a usnia krogiana, uma espécie de líquenes ou usneas, endémica dos Açores, rica em beleza natural e raridade.No Porto Judeu, a Gruta das Agulhas salienta-se pela sua importância biológica, dada a quantidade, variedade e qualidade de biofilmes decolónias de bactérias, que servem de investigação à Universidade dos Açores. Na mesma freguesia podemos encontrar os maiores ilhéus dos Açores. Os Ilhéus das Cabras apresentam uma fauna e flora marinha de interesse relevante não só para cientistas, mas também para mergulhadores recreativos e curiosos.Com uma grande quantidade de vegetação luxuriante, sobretudo endémica na Região, a Ribeira do Além é uma das ribeiras mais bonitas dos Açores. Situa-se na freguesia da Serreta. Mais acima, os Altares apresentam um cone vulcânico, de escórias soldadas, com características únicas no contexto da geodiversidade do planeta. O Pico Matias Simão assemelha-se apenas a formações vulcânicas existentes na Sicília, em Espanha e o arquipélago do Havai, no Oceano Pacífico. A serra de Santa Bárbara é um dos lugares com maior riqueza natural do país. A sua caldeira é o local com mais endemismos por unidade de terreno dos Açores e de Portugal. Na apresentação do CD multimédia, o professor catedrático António Firas Martins disse mesmo que se Darwin tivesse visitado a serra de Santa Bárbara, quando esteve na Terceira, não teria necessitado de ir às Galápagos para descobrir a teoria da evolução. É também na Serra de Santa Bárbara que se encontra a Lagoa Funda, uma das lagoas da ilha e dos Açores que não apresenta qualquer tipo de intervenção humana mantendo os seus habitats inalteráveis desde a formação das ilhas. O trevo de quatro folhas “marsilea azorica” é uma das plantas mais raras e ameaçadas do mundo. O feto endémico só existe no charco temporário da zona do Pico da Bagacina. Também o musgo “echinodium renauldii” é um dos mais raros da Europa. Fica na zona da Matéla, na freguesia da Terra Chã. O trabalho contou com a colaboração a título individual de vários professores da Universidade dos Açores. Francisco Cota Rodrigues, Eduardo Dias, Álamo Meneses, Félix Rodrigues, Maria de Lurdes Enes, Cecília Melo, João Pedro Barreiros, Rosalina Gabriel, Paulo Borges, Victor Hugo Forjaz e António Frias Martins deram testemunhos em vídeo sobre as diferentes espécies e locais salientados. A coordenação ficou a cargo de Félix Rodrigues, a nível de textos, e de Paulo Henrique Silva, que recolheu fotografias e vídeo. Rosalina Gabriel falou sobre o musgo neste trabalho. Para a professora da Universidade dos Açores, o trabalho serve para dar a conhecer o que existe de bonito no concelho. “Eu penso que qualquer pessoa que conhece as florestas naturais tem a certeza que elas seriam muito diferentes se não houvesse musgos. A biomassa que ali está é muito grande, eles estão em todo o lado, desde as rochas até aos troncos, até às folhinhas mais lá em cima, onde há menos quantidade de água. É importante que as pessoas comecem a olhar para eles. É bonito”, refere.Já Eduardo Dias, acredita que a divulgação destas espécies pode promover a sua protecção, mas pode também provocar o oposto. “É verdade que se não divulgarmos as pessoas não gostam, não apreciam e consequentemente não vão justificar a sua conservação, mas por outro lado o conhecimento leva a um maior interesse, que por vezes pode levar à destruição”, defende.Segundo o professor, os Açores começam já a dar os primeiros passos na conservação das espécies endémicas. “As medidas de conservação nos Açores são muito recentes e acho que ainda se está a fazer um percurso neste sentido. Estão a sair os parques de ilha e uma série de medidas de conservação básicas e estruturantes, que a Região não tinha. A gente tem de esperar que, de facto, este surto de interesse que a população e a comunidade estão a ter sobre a natureza dos Açores corresponda a uma devida proporção em termos da conservação, que no passado não era muito fundamentado, porque as pessoas desconheciam e não se interessavam e que agora começa a ser dramático, porque as duas coisas têm de andar a par e passo, divulgação/ promoção e conservação da natureza”, revela.

(in Diário Insular)

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domingo, junho 07, 2009

Açorianos têm fraca consciência ambiental

A fraca consciência ambiental dos açorianos, foi um dos pontos em destaque, ontem, na sessão de abertura do seminário “Ambiente e Desenvolvimento Sustentável”, no Dia Mundial do Ambiente.O inspector regional do Ambiente, Francisco Vaz de Medeiros, fez na sua apresentação um balanço, a partir dos números anunciados, que indica que “há uma fraca consciência ambiental, um desconhecimento da lei em vigor e ainda uma frágil situação económica que impossibilita os investimentos para os agentes se legalizarem”.Francisco Vaz de Medeiros sublinhou ainda o contributo da Inspecção Regional do Ambiente (IRA) para o desenvolvimento sustentável, na medida em que, “após um primeiro contacto, as pessoas têm acordado para os problemas”, desta forma há um “efeito dissuasor, a partir de uma prevenção e de punição”, desta forma afirma que tem “regulado os mercados, de maneira a evitar a concorrência desleal”, comparando a acção da IRA com a da Inspecção Regional das Actividades Económicas.O inspector do Ambiente termina enunciando os desafios que a IRA tem pela frente, que considera serem: a diminuição do número de infracções e o aumento da consciência ambiental nas populações”, para que se “melhore a qualidade ambiental e para que haja um equilíbrio entre o crescimento económico e a qualidade ambiental”.No Dia Mundial do Ambiente, o professor da Universidade dos Açores, Félix Rodrigues, falou sobre a Educação Ambiental e sobre o Desenvolvimento Sustentável.“Estes são conceitos discutíveis, que têm se ser pensados. O primeiro passo para a educção ambiental é a sensibilização, de forma a que se discutam e se alterem atitudes”, explicou Félix Rodrigues.“A educação ambiental deve ser para todos e sempre”, porque “estamos todos preocupados com o ambiente porque o alterámos”, avança.O professor salientou a ideia que o desenvolvimento sustentável é “a fusão entre o natural e o social” e para que isso aconteça é necessário que “cada indivíduo dê o seu contributo, porque o que cada um dá tem um impacto no global”.Conclui que se devem aproveitar “as mais valias de cada elemento da sociedade” e “encontrar soluções regionais para os problemas locais, em vez de importá-las”.Outro dos professores da Universidade dos Açores que interveio no seminário foi Francisco Cota Rodrigues, que falou sobre a água subterrânea na Terceira. Após explicações sobre escoamentos, infiltrações, retenções, aquíferos basais e suspensos, bem como as vantagens e desvantagens de cada um, concluiu que no futuro se “deve aumentar a exploração dos aquíferos de base e simultaneamente explorar os aquíferos suspensos, fazendo uma mistura, de forma a obter água de melhor qualidade”.O presidente da empresa municipal Praia Ambiente, Paulo Messias, evidenciou no, seu discurso, as iniciativas da empresa, nomeadamente na área dos resíduos sólidos, “ a implementação do canal HORECA, a recolha de recicláveis junto de hotéis, restaurantes e cafés e a recolha porta a porta de materiais recicláveis no centro urbano, serviços já expandidos a áreas periféricas, que “têm tido os melhores resultados”.Paulo Messias salientou ainda o Plano de Valorização dos Óleos Alimentares Usados com a principal intenção de os transformar em bio-combustível. “As acções tomadas actualmente, para além dos efeitos imediatos, devem ter efeitos que subsistam no tempo para que aqueles que nos seguem sejam herdeiros de um planeta mais limpo ”, destacou o presidente da Praia Ambiente.

(in Diário Insular)

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sexta-feira, junho 05, 2009

Problemáticas ambientais em debate na Praia

“Ambiente e Desenvolvimento Sustentável” é o tema de um seminário decorre hoje, a partir das 09H15, no Salão Nobre da Câmara Municipal da Praia da Vitória.


Promovido pela Praia Ambiente, no âmbito do programa de Educação Ambiental, o seminário destina-se a assinalar o Dia Mundial do Ambiente, alertando para as problemáticas ambientais, nomeadamente no que se refere às questões relacionadas com o desenvolvimento sustentável, dando enfoque ao caso concreto do concelho da Praia da Vitória. De acordo com a Praia Ambiente, a escolha desta temática enquadra-se na comemoração da “Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (2005-2014), estabelecida pelas Nações Unidas, com o intuito de promover a sensibilização e informação ambiental da população, dado que esta assume um papel fulcral na construção do desenvolvimento sustentável. “Água subterrânea na ilha Terceira”, “Ambiente e economia”, “Educação ambiental e desenvolvimento sustentável” e a “A actividade dos Serviços de Inspecção do Ambiente na ilha Terceira” são os temas que serão abordados no seminário. Paulo Messias, presidente da Praia Ambiente, intervém na sessão de abertura, marcada para as 09H15, após o que Francisco Medeiros, Inspector Regional do Ambiente, aborda o tema “A Inspecção Regional do Ambiente - Contributos e desafios para a qualidade ambiental e desenvolvimento sustentável”. Cota Rodrigues, docente Universidade dos Açores, vai falar, a partir das 10H15, sobre a “Água subterrânea na ilha Terceira”. Félix Rodrigues, também docente da Universidade dos Açores, aborda, pelas 11H00, o tema “Educação ambiental e desenvolvimento sustentável”. Outra docente da Universidade dos Açores, Emiliana Silva, vai falar sobre “Ambiente e economia”, a partir das 11H30. Para as 12H00 está agendado um debate, seguindo-se a sessão de encerramento.

(in Diário Insular)

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quinta-feira, junho 04, 2009

Seminário Dia Mundial do Ambiente


A Praia Ambiente, em colaboração com o Município da Praia da Vitória, organiza, no âmbito do programa de Educação Ambiental, um seminário dedicado à temática “Ambiente e Desenvolvimento Sustentável”, no próximo dia 5 de Junho, nos Paços do Concelho, Salão Nobre e com início às 9h15.
Deste modo, serão abordadas as seguintes temáticas: “Água Subterrânea na ilha Terceira”, “Ambiente e Economia”, “Educação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável” e “A Actividade dos Serviços de Inspecção do Ambiente na Ilha Terceira”.
O programa é o seguinte:
09h15
Sessão de Abertura – Paulo Ávila Messias, Presidente da Praia Ambiente, E.M.
09h45
A Inspecção Regional do Ambiente - Contributos e desa­fios para a qualidade ambiental e desenvolvimento sustentável – Francisco Vaz de Medeiros, Inspector Regional do Ambiente.
10h15
Água Subterrânea na ilha Terceira – Francisco Cota Rodrigues, Docente Universidade dos Açores - Angra do Heroísmo.
10h45
Pausa-Café
11h00
Educação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável – António Félix Rodrigues, Docente Universidade dos Açores - Angra do Heroísmo.
11h30
Ambiente e Economia - Emiliana Soares da Silva, Docente Universidade dos Açores – Angra do Heroísmo
12h00
Debate
12h30
Sessão de Encerramento – Representante do Secretário Regional do Ambiente e do Mar.

Inscrições até ao dia 3 de Junho
295 545 530 telma.oliveira@praiaambiente.pt

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terça-feira, junho 02, 2009

Aprender em saídas de campo é possível: Relatos de uma experiência em Santa Maria

Autores: Natália Abreu; Francisco Sousa e Francisco Cota Rodrigues
As questões relacionadas com a educação ambiental e com a educação para o desenvolvimento sustentável surgem como mote para o incremento de práticas pedagógicas inovadoras nas mais diversas áreas curriculares, incluindo as Ciências Naturais. Das várias metodologias a empregar na promoção de aprendizagens relacionadas com o património natural e com o desenvolvimento sustentável, a saída de campo constitui-se como uma estratégia que rompe com a didáctica expositiva e contribui para a compreensão destas temáticas, além de promover a mudança de valores, atitudes e responsabilidades dos alunos em relação ao Ambiente.
Esta comunicação é centrada numa forma de abordar a problemática das saídas de campo, recentemente experimentada na Escola Básica e Secundária de Santa Maria. Discutiremos as vantagens e desvantagens da abordagem realizada à luz do modelo adoptado. De seguida, reflectiremos sobre os efeitos da implementação desta metodologia no estudo da geodiversidade da ilha de Santa Maria, envolvendo uma amostra constituída por 27 alunos da referida escola. Os resultados obtidos revelaram que a implementação da saída de campo pode enriquecer os conhecimentos científicos dos alunos, ajudá-los a consolidar o conceito de desenvolvimento sustentável e a desempenhar um papel investigativo, centrado em realidades concretas e locais, levando-os a conceptualizações globalizantes. A saída de campo aparece como uma ferramenta ao dispor dos educadores que potencia acções de Educação Ambiental, através das quais se ambiciona sensibilizar os alunos a conhecer e compreender as diversas temáticas, levando-os ao envolvimento, responsabilização e participação individual e colectiva na solução de problemas ambientais, fomentando o exercício de uma cidadania activa.

(In Encontro de Inovação Educacional)

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sábado, maio 30, 2009

CURSO DE VERÃO da Universidade dos Açores (Campus de Angra do Heroísmo) Julho/2009

Dia 27, das 10-12 h
Biodiversidade Animal, pelo Prof. Doutor Paulo Borges.
14-16 h Caracterização da agro-pecuária Açoriana, pelo Prof. Doutor Alfredo Borba.

Dia 28, das 10-12 h
O clima e a agricultura, pelo Prof. Doutor Eduardo Brito de Azevedo.
14-16 h A história da cloneta, pelo Prof. Doutor Joaquim Moreira da Silva.

Dia 29 das 10-12 h
A agro-pecuária na economia Açoriana, pela Prof.ª Doutora Emiliana Silva.
14-16 h Agricultura biológica, pelo Prof. Doutor João Batista.

Dia 30, das 10-12 h
Os produtos tradicionais Açorianos, pela Profª. Doutora Maria da Graça Silveira.
14-16 h Bioversidade Vegetal nos Açores pela Prof.ª Rosalina Gabriel.

Dia 31, das 10-12h
A vida nas profundezas da Terceira, pelo Prof. Doutor Félix Rodrigues.
14-16h Hidrogeologia dos Açores, pelo Prof. Doutor Cota Rodrigues.

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sexta-feira, maio 29, 2009

Furos e nascentes “misturados” para aumentar qualidade

Arranca este Verão, na Praia da Vitória, um processo de “mistura” de águas, que pretende equilibrar os níveis de salinidade, bem como de fluoretos. De acordo com o administrador da empresa municipal Praia Ambiente, Cota Rodrigues, existem furos que apresentam níveis de salinidade elevada, pelo que a “solução, havendo outros tipos de água com pouco sal, é misturá-los, obtendo mais qualidade”. Na prática, a água captada em algumas nascentes da zona da Agualva vai ser transportada e misturada, nos reservatórios, com a água dos furos. Esta solução faz frente também ao problema de elevados níveis de fluoretos que se verificam na água da Agualva. “Conseguimos assim equilibrar os níveis de cloretos e de fluoretos”, conclui Cota Rodrigues. Recorde-se que esta mesma solução já tinha sido apresentada no “9º Encontro de Química dos Alimentos”, que decorreu, este mês, no pólo universitário do Pico da Urze, por Félix Rodrigues, num trabalho conjunto com Cota Rodrigues e Vanda Bettencourt. Foi proposta uma mistura de águas dos furos de captação e nascentes, melhorando a qualidade organoléptica, através da diminuição do teor de cloretos e obtendo-se um nível equilibrado de fluoretos. Concluiu-se também que água proveniente de furos no concelho da Praia da Vitória, que abastecem maioritariamente a zona urbana, pode provocar cáries, enquanto a das nascentes pode criar fluorose dentária (manchas nos dentes). A mistura destes dois tipos de água, um com níveis demasiado elevados de cloretos, e outro com presença excessiva de fluoretos, pode reduzir a incidência das doenças na população.

(in Diário Insular)

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domingo, maio 10, 2009

Água em risco nos Açores- Entrevista a Cota Rodrigues e queima das fitas em São Miguel

sexta-feira, maio 08, 2009

Falta de água em Angra do Heroísmo preocupa autoridades e população

A falta de água no concelho de Angra do Heroísmo pode agravar-se, segundo alertas recentes, apesar da situação ocorrida no ano passado ter servido para chamar a atenção dos responsáveis públicos para este problema. Os últimos dados disponíveis indicam que a pluviosidade nos primeiros meses deste ano é 75% inferior à registada em igual período do ano passado, o que originou uma quebra de 30% nos caudais das nascentes. Esta situação obrigou os serviços responsáveis a abrir novos furos de captação, para evitar a necessidade de cortes no abastecimento de água como os que ocorreram no ano passado. Na última metade de 2008, segundo dados dos serviços municipalizados, o concelho de Angra do Heroísmo teve “menos 30% de água disponível para distribuir”. Na altura, os especialistas justificaram a falta de água com diversos factores, como os sucessivos rebentamentos em pedreiras ou os furos geotérmicos que poderão ter aberto fissuras nos aquíferos, nomeadamente o da zona do Cabrito. Para além disso, outras situações, como falhas eléctricas nos sistemas de bombagem ou obras na via rápida entre Angra do Heroísmo e Praia da Vitória, que provocaram rupturas nas condutas, terão levado ao desequilíbrio do sistema e à necessidade de efectuar cortes no abastecimento em várias freguesias do concelho. Na mesma altura, Cota Rodrigues, investigador da Universidade dos Açores, doutorado em Hidrogeologia, surgiu a defender que a falta de água “se deveu ao prolongamento da época estival” e que, por isso, “seria pontual e não devia ser excessivamente empolada”. Na perspectiva da oposição, este problema resultou da "falta de investimento" do executivo municipal socialista, segundo o PSD, ou do "desleixo e falta de fiscalização e planeamento", na opinião do CDS/PP. Para enfrentar o problema, foi implementado um plano de cortes no abastecimento, aplicado por períodos de 24 horas alternados nas várias freguesias, tendo em vista equilibrar o abastecimento de água. A pressão política e popular, que exige respostas concretas para o problema, levou os responsáveis camarários a procurar respostas junto de Lopo Mendonça, considerado um dos principais especialistas em Portugal na área dos recursos hídricos e lençóis de água. Para este especialista, a situação resulta de factores um ano hidrológico muito seco, aliado a arroteamentos de terras junto das nascentes de água. Concluiu o especialista que os arroteamentos junto da Caldeira de Guilherme Moniz-Pico Alto “são uma prática indesejável e prejudicial ao regime de águas”. Perante estas preocupações, o secretário regional do Ambiente, Álamo Meneses, assegurou que seriam "proibidas" junto à caldeira as arroteias de terras, garantindo ainda a reposição da vegetação natural e, "tanto quanto possível", o fim das pastagens. Nesse sentido, Álamo Menezes apresentou um plano de medidas para a correcta gestão do abastecimento de água na ilha Terceira, destinado a evitar rupturas e perdas de qualidade. O plano assenta na “redução do risco de ruptura, no ordenamento do território, na protecção das origens da água e no fomento da gestão integrada dos recursos hídricos”. Para o efeito, vai-se proceder à “abertura de novos furos de captação e ao aumento da capacidade de armazenamento, através de dois novos reservatórios", estando ainda previsto o "aumento da capacidade de tratamento de água e a melhoria da qualidade da água armazenada”. Quanto à gestão integrada dos recursos hídricos da ilha, o executivo pretende efectuar a monitorização contínua das nascentes, além de construir duas novas lagoas artificiais e coordenar a captação de água entre os municípios de Angra do Heroísmo e Praia da Vitória e o Instituto Regional de Ordenamento Agrário (IROA). Álamo Meneses garantiu ainda que a Câmara de Angra do Heroísmo tem a totalidade da sua rede operacional.

(in Diário de Notícias)

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quinta-feira, maio 07, 2009

Água da Praia pode provocar cáries e manchas

A água proveniente de furos no concelho da Praia da Vitória, que abastecem maioritariamente a zona urbana, pode provocar cáries, enquanto a das nascentes da Agualva pode criar fluorose dentária (manchas nos dentes).
A informação está num estudo desenvolvido pelo professor da Universidade dos Açores, Félix Rodrigues, e por Cota Rodrigues e Vanda Bettencourt, da empresa municipal Praia Ambiente, apresentado no “9º Encontro de Química dos Alimentos”, que decorreu, no Pico da Urze em Angra do Heroísmo.

De acordo com Félix Rodrigues, foi feita uma previsão probabilística do risco de contracção de cárie e fluorose dentária no concelho da Praia. “Concluímos que essa probabilidade está ligada ao facto de as águas dos furos terem uma baixa presença de fluoretos, enquanto as das nascentes da zona da Agualva, que abastecem também a Vila Nova, tem um teor alto em fluoretos e baixo em cloretos. A presença de fluoretos demasiado baixa provoca cáries e o elevado teor de fluoretos, fluorose dentária, isto é, manchas nos dentes”, explicou.
Os especialistas propuseram uma mistura de águas dos furos de captação e nascentes, de forma a melhorar a qualidade organoléptica, através da diminuição do teor de cloretos e obtendo-se um nível equilibrado de fluoretos.
Esta “mistura” deverá reduzir a incidência destas doenças na população do Concelho da Praia da Vitória.
(in Diário Insular)

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domingo, abril 05, 2009

Praia Ambiente abre dois novos furos

A Praia Ambiente, empresa municipal da Praia que gere a recolha de resíduos e o abastecimento de água no concelho, vai abrir dois novos furos de captação de água para, com um, reforçar o abastecimento domiciliário nas freguesias do Cabo da Praia, Fonte do Bastardo e Porto Martins e, com o outro, melhorar a qualidade da água fornecida no concelho.A empreitada foi anunciada ontem pelo presidente da empresa municipal, Paulo Messias, na assinatura de um protocolo com a Universidade dos Açores, cujos especialistas vão apurar as melhores zonas para a realização dos dois furos.“Apesar de não existir falta de água no concelho, esta iniciativa visa precaver o futuro dos praienses”, explicou Paulo Messias. Os trabalhos de prospecção dos investigadores da Universidade dos Açores vão incidir sobre as águas subterrâneas na Fonte do Bastardo, na zona das Fajãs e nos lados Este e Norte da Caldeira dos Cinco Picos.Segundo Cota Rodrigues, presidente executivo da Praia Ambiente, um dos dois novos furos será aberto na Fonte do Bastardo e o outro na zona das Fajãs, nas imediações do Campo de Golfe da ilha. Neste caso, segundo a mesma fonte, a captação nesta zona permitirá a obtenção de água com melhor qualidade físico-química, para juntar à água captada em outros furos na área da Praia da Vitória. No caso do furo da Fonte do Bastardo, este visa garantir maior capacidade de resposta ao consumo nas freguesias da Fonte do Bastardo, Porto Martins e Cabo da Praia, que, actualmente, são abastecidas parcialmente pelo sistema de abastecimento de Angra. A Praia Ambiente vai também reactivar um outro furo na Fonte do Bastardo.“Este, em conjunto com o outro, vai permitir reforçar o abastecimento, tendo em vista o previsível aumento do consumo da zona industrial”, explicou Cota Rodrigues. Até ao final do mês, será assinado o contrato com o Laboratório Nacional de Engenharia Civil, que vai apurar a extensão da contaminação dos solos por combustíveis derramados de instalações norte-americanas na Praia da Vitória.

(In Diário Insular)

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Protocolo entre Universidade dos Açores e Praia Ambiente para captação de água

segunda-feira, março 16, 2009

Acordo Antigo - Câmara da Praia pode vender água aos americanos

Paulo Messias, vereador na Câmara Municipal da Praia da Vitória, revelou ontem, em conferência de imprensa, que existe um protocolo antigo que permite a venda de água aos americanos estacionados nas Lajes. O documento, assinado nos primeiros mandatos de José Fernando Gomes (ex-presidente da autarquia), prevê o licenciamento dos furos abertos pelos militares no concelho e em contrapartida os americanos comprometem-se a comprar uma certa quantidade de água à autarquia.Este acordo, com assinaturas da Força Aérea Portuguesa e dos americanos, era desconhecido dos actuais autarcas praienses. Quanto ao facto da câmara nunca ter vendido água às forças americanos nas Lajes, Paulo Messias explicou que “provavelmente” nunca houve água disponível com abundância para poder vender à base. Situação que, segundo o autarca, com os caudais actuais, ainda é impossível”. A informação foi dada aos jornalistas num encontro em que a Praia Ambiente anunciou que este ano pretende melhorar significativamente a quantidade e a qualidade da água no concelho. Com um plano de investimentos superior a dois milhões de euros, esta empresa municipal pretende “aperfeiçoar o sistema de desinfecção e tratamento de água captada e abrir novos furos”. O reforço dos caudais disponibilizados para as freguesias abastecidas pelo sistema Ribeirinha/Cabo Praia (que fornece água às freguesias de Porto Martins, Fonte do Bastardo e Cabo da Praia) é uma prioridade.No ano transacto algumas destas localidades foram prejudicadas com o plano de cortes de água implementado pelo concelho de Angra. A autarquia praiense pretende agora resolver o problema com a realização de um furo no início da freguesia da Fonte do Bastardo e a ligação à rede de outro que existe no Pico da Favas. Nos Biscoitos também estão previstos investimentos.A Praia Ambiente vai ligar à rede um furo existente, na zona alta da freguesia, para reforçar os caudais que servem a localidade e as freguesias de Altares e Raminho. “Esta captação intercepta uma aquífero suspenso, bastante produtivo e com água de boa qualidade”, revelou Paulo Messias.Para melhorar a qualidade de água no centro da cidade da Praia da Vitória, que é captada em furos e (alguns meses) em pequenas nascentes da Casa da Ribeira, a empresa municipal vai canalizar água das nascentes da Ribeira da Agualva.De acordo com os responsáveis pela Praia Ambiente a mistura da água da Agualva no sistema da Praia vai “melhorar significativamente a qualidade da água captada nos furos (à qual estão associados fenómenos de intrusão marinha).A Praia Ambiente divulgou ainda que vai proceder, em parceria com a Universidade dos Açores, à abertura de um furo para identificação de aquíferos nas Fajãs (junto ao Clube do Golfe). “Suspeita-se que existe água de qualidade naquela zona”, explicaram.LNEC na Praia em Abril O Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) deverá começar o estudo sobre a eventual contaminação dos solos e aquíferos da Terceira na primeira semana de Abril.Paulo Messias, responsável pela Praia Ambiente, revelou ontem que este Laboratório será a única entidade responsável por este estudo para evitar especulações e diminuir a morosidade dos concursos públicos parcelares em tarefas, que numa fase inicial, estavam definidas como sendo da responsabilidade da autarquia.O vereador garantiu que a inclusão destes pormenores no acordo com o LNEC, bem como a inserção de algumas tarefas solicitadas pelo governo e a aprovação do Plano e Orçamento da Região (que permite o financiamento previsto no contrato ARAAL) foram as causas do atraso na assinatura do contrato com o LNEC. “Estas questões já estão ultrapassadas”, disse.Paulo Messias assegura que a água para consumo na Praia da Vitória tem sido monitorizada com rigor e regularidade e, por isso, pode afiançar que não há qualquer suspeita de contaminação. Contudo, o estudo é fundamental para perceber se no futuro existe, ou não, perigo de contaminação dos aquíferos.O principal objectivo do estudo é a avaliação ambiental da qualidade dos recursos hídricos subterrâneos, onde existam captações, “que estejam a ser ou possam vir a ser afectadas por situações de poluição associadas às infra-estruturas da Base das Lajes”. Incluindo instalações militares fora do perímetro da militar.A equipa responsável por este estudo propõe a execução de 14 furos de ensaio (dois por perímetro) e de sete sondagens de amostragem (uma por perímetro).O LNEC, na proposta apresentada, definiu como perímetros: “ Areeiro, Pico Celeiro; Vale Farto; Canada da Saúde; Juncal; Fontinhas e nascente da Caldeiras das Lajes”. Contudo o Laboratório admite alterações das localizações em função dos dados “que venham a ser obtidos nas campanhas de campo”. Este estudo, intitulado “análise e parecer sobre a situação ambiental nas áreas de captação dos furos de abastecimento do concelho da Praia da Vitória”, deverá estar concluído num prazo de 9 meses.

(In A União)

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Praia Ambiente investe 2 Milhões

A Praia Ambiente vai investir dois milhões na captação de água.O presidente da empresa explicou, também hoje, os atraso no estudo do LNEC sobre a alegada contaminação do aquífero base da Terceira.

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sexta-feira, março 06, 2009

Aquecimento global afecta mais as ilhas

“As ilhas são mais afectadas do que os continentes pelas alterações globais”, explicou Félix Rodrigues.As alterações climáticas, nomeadamente o aquecimento global e as respectivas consequências deste no ciclo hidrológico da ilha Terceira, foram, ontem, o tema de uma conferência, na Escola Secundária Vitorino Nemésio, intitulada: “Alterações climáticas globais - Impactos no ciclo hidrológico da ilha Terceira”, dada pelos professores da Universidade dos Açores Félix Rodrigues e Francisco Cota Rodrigues. “Cada açoriano contribui para o aquecimento global tanto com emissões de dióxido de carbono associadas à queima de combustíveis fósseis, como com emissões de metano associadas à produção agro-pecuária das ilhas”, sustenta Félix Rodrigues.O previsível aumento da temperatura média da Terra provoca um acréscimo do nível médio das águas do mar e aumenta a quantidade de vapor de água na atmosfera. O vapor de água também é um gás de estufa. A sua condensação produzirá inundações, nos períodos mais frios, e secas, nos períodos mais quentes.Análises isotópicas da água da chuva dos Açores fazem concluir que a chuva que aqui chega tem origem em ambientes quentes marítimos, ou seja, dependente da corrente do Golfo. Alterações nessa corrente têm implicações na precipitação e no ciclo hidrológico açoriano.Cota Rodrigues, após uma sucinta explicação da hidrogeologia da Terceira, referiu que a qualidade da água captada para consumo está muito dependente do tipo de aquífero: suspenso ou basal. A importância do coberto vegetal para a recarga dos aquíferos nas ilhas açorianas, foi outro dos pontos falados.Ambos os investigadores apontam a necessidade de um correcto ordenamento do território, para garantir a sustentabilidade dos recursos hídricos insulares, e uma aposta forte nas energias alternativas como contributo da região para o combate às alterações climáticas globais.“Tentámos explicar os efeitos locais e globais do ciclo hidrológico”, conclui Félix Rodrigues.
(In Diário Insular)

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quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Falta de água

Falta de água em seis ilhas do arquipélago açoriano : Terceira, São Jorge, Graciosa, Pico, São Miguel e Santa Maria. O secretário regional do Ambiente e do Mar, Álamo Meneses, tem já o problema diagnosticado, mas os especilistas consideram um problema de difícil resolução, devido às características geológicas de algumas ilhas.

Para o especialista em hidrologia, Cota Rodrigues, a falta de água é um problema difícil, devido à estrutura geológica de algumas das ilhas açorianas.

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(In Armando Mendes- RDP Açores)

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quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Uma turfeira de esperança

O ciclo da água esteve à beira de ser interrompido na Terceira. Leis visionárias que ficaram por cumprir; análises erradas e erros de previsão; uma ideia maligna de desenvolvimento – são causas da destruição do principal sistema natural de armazenamento de água da ilha. Um plano para recuperar o ciclo da água aposta na capacidade de regeneração da natureza entregue a si própria. Todas as esperanças têm agora um nome: chamam-se turfeiras.
Em Agosto de 1977, a então Assembleia Regional dos Açores aprovava a primeira legislação no tempo autonómico sobre a protecção de ribeiras, lagoas e nascentes de água e respectivas bacias hidrográficas. Um documento inovador para a altura, sobretudo em Portugal, mas também ao nível internacional, conforme reconhece o secretário regional do Ambiente, Álamo Meneses, especialista académico na área. Cerca de 31 anos depois, em Janeiro de 2008, a secretário do Ambiente declara o falhanço do aparelho normativo açoriano de protecção dos recursos hídricos e das sucessivas políticas regionais para o sector (ou ausência delas), ao reconhecer que o colapso na produção, captação e distribuição de água na ilha Terceira só pode ser evitado através do regresso à natureza na única zona fiável de produção hídrica, que é constituída pelo complexo Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto, sujeito a arroteias (desde 1976 e até ao presente) e consequente destruição da vegetação endémica, em particular as turfeiras, responsáveis pelo armazenamento natural de água e que praticamente desapareceram em vastas extensões da zona.A comunidade científica ligada à Universidade dos Açores na Terceira vinha denunciando a degradação das condições naturais de armazenamento de água desde há vários anos, aparentemente sem ser ouvida. Até que no Verão passado a água faltou nas torneiras dos consumidores do concelho de Angra do Heroísmo, relançando o debate sobre as causas da escassez. Ficou claro no debate que, entre muitas causas – incluindo erros de previsão e de gestão e até diminuição da pluviosidade -, a principal estava na destruição do tecido vegetal natural na zona de recarga dos aquíferos principais (Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto). Ou seja, os cientistas da Universidade dos Açores tinham razão.Álamo Meneses não só veio dar razão aos cientistas da Terra-Chã/Pico da Urze, como agiu no sentido por eles já várias vezes preconizado, ao anunciar o início de um vasto plano de recuperação das condições de recarga natural dos aquíferos, confirmando ser essa a única solução sustentável para garantir o abastecimento de água à ilha Terceira. O plano teve de imediato o apoio, expresso à nossa reportagem, de cientistas como Cota Rodrigues, Félix Rodrigues, Eduardo Brito de Azevedo e Eduardo Dias, os mesmos que desde há vários anos vinham analisando a situação e apontando caminhos até agora não trilhados.Mas o apoio unânime não quer dizer que a medida seja a solução garantida só por si. Eduardo Dias, por exemplo, chama a atenção para o facto de a desarborização em altitude poder influenciar de forma significativa a capacidade de armazenamento de água, mesmo depois de as turfeiras recuperarem. É que as árvores em altitude são auxiliares indispensáveis à precipitação significativa de água nas turfeiras. Quer isto dizer que pode-se chegar a um ponto em que as turfeiras tenham recuperado, mas não estejam a receber água suficiente. É por isso que Eduardo Dias chama a atenção para a necessidade de rearborizar zonas de altitude que comprovadamente interfiram no processo de precipitação na zona Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto.
Colapso do sistema
O complexo Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto, situado no centro da Terceira, é a zona principal e mais fiável de produção de água na ilha Terceira. A parte Oeste da ilha é demasiado jovem para produzir água em quantidade e qualidade aceitáveis e a zona da Praia da Vitória, sendo embora antiga, está demasiado fissurada para permitir aproveitamentos significativos de água. Esta análise é partilhada por Álamo Meneses, que neste caso presta declarações enquanto especialista académico, e Cota Rodrigues, especialista em hidráulica.O complexo alimenta três grandes fontes e cerca de uma dezena de outras fontes de menor dimensão, que, em conjunto, garantem a parte de leão do abastecimento de água à ilha Terceira canalizado sem ser a partir de furos. Para mais, trata-se de água que as análises comprovam ser de boa qualidade, ao contrário da água dos furos que se alimentam no aquífero-base (o principal aquífero da ilha, que está em contacto com o mar), sempre sujeita a processos de salinização (mistura entre água doce e água do mar) e susceptível de depositar a poluição que se gera à superfície, em particular os metais pesados, conforme chamam a atenção os especialistas e o próprio secretário Álamo Meneses. A pressão sobre a água da Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto tem várias origens. Desde logo, segundo dados citados por Álamo Meneses, o consumo de água por habitante subiu na Terceira, nos últimos trinta anos, de 100 litros por dia para mais de um metro cúbico, ou seja, subiu mais de dez vezes. Também subiu significativamente o consumo de água pela lavoura. Para além do consumo próprio dos animais, novas regras de higiene e salubridade nas explorações induziram consumos ainda mal calculados. Por outro lado, a pluviosidade tem descido. Dados dos últimos sete meses de 2008 (Centro de Estudos do Clima, Meteorologia e Mudanças Globais da Universidade dos Açores) indicam descidas, em Angra do Heroísmo, Cabrito e Pico da Bagacina, superiores a sessenta por cento à média dos anos 1970/99. A subida do consumo e a descida da pluviosidade - que dados difusos, que não conseguimos confirmar com rigor, remontam há cerca de dois anos, pelo menos no interior da ilha - precipitaram a escassez de água devido às arroteias e à destruição do coberto vegetal na Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto. O ciclo da água foi quebrado nessa zona, conforme explica Cota Rodrigues. A precipitação, independentemente da quantidade, passou a infiltrar-se com rapidez e a água a sair também com rapidez nas nascentes. Perdeu-se o ciclo lento, garantido pelas turfeiras, que armazenavam água no Inverno e continuavam a infiltração para os aquíferos durante a Primavera e o Verão. Conforme explica Álamo Meneses, quanto mais chovesse no Inverno, maiores seriam os caudais nas nascentes nessa estação. Mas, em qualquer caso, as nascentes desceriam sempre para níveis críticos na época de menos chuvas. Conforme reconhece o secretário, a escassez de chuva pode ter precipitado a situação, mas o colapso do sistema era uma questão de tempo, mesmo que chovesse em abundância.
Os “inocentes” do costume
As arroteias começam a ser realizadas na zona crítica de infiltração de água na segunda metade dos anos setenta do século XX, com o então Plano Pecuário dos Açores (PPA). Este plano, lembra Álamo Meneses, acabou por concretizar nos Açores um sonho antigo, já do século XIX, de arrotear e disponibilizar para a produção pecuária vastas zonas que estavam entregues à natureza e que se consideravam, à base do senso-comum da época, desaproveitadas.No entanto, o PPA avança contra a lei, uma vez que o Decreto Regional nº 12/77, de 20 de Agosto – a tal lei inovadora que se refere no início deste trabalho – já chamava a atenção para aspectos de protecção das nascentes que ainda hoje são considerados actualizados. Por exemplo, os efeitos da actividade humana na degradação da água são referidos, tal como é referida a necessidade de preservar os aquíferos. As bacias hidrográficas são consideradas zonas a proteger e são definidas áreas e medidas de protecção. A lei prevê coimas para os prevaricadores.Ao que tudo indica, a lei regional inovadora, que, aliás, permanece em vigor, não foi aplicada e o mesmo tem acontecido com todas as leis subsequentes, incluindo as directivas europeias. Eduardo Dias lembra que as turfeiras destruídas com as arroteias são protegidas por directivas comunitárias “desrespeitadas sistematicamente”. O resultado desta tábua rasa legal é a transformação do solo em pastagens. O processo que começou há trinta anos na Caldeira Guilherme Moniz continua ainda hoje, conforme a nossa reportagem observou e fotografou. Álamo Meneses entende que não é útil abrir uma caça às bruxas neste processo, mas sim “resolver o problema”. Há arroteias públicas e arroteias privadas autorizadas por organismos públicos. O mais comum foi “uma ideia de desenvolvimento sobrepor-se a outra, que hoje sabemos não ser a mais correcta”. A solução do secretário do Ambiente é aprovar, “com urgência”, legislação que concentre as autorizações para intervir em zonas que devem estar protegidas. “Assim evita-se a dispersão e uniformizam-se os critérios”, disse.No caso da Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto, a solução vai passar, “onde se revelar necessário”, por intervir depois do facto consumado, o que significa que a Região deverá avançar para limitações ao uso do solo e expropriações de zonas que sejam indicadas para ficarem entregues à natureza, em nome do interesse público. E do mal feito não haverá procura de culpados.
Turfeiras recuperam depressa e bem
As turfeiras da ilha Terceira são endémicas, o que quer dizer que os estudos realizados em outras áreas podem não se adaptar às turfeiras locais. O que interessa apurar é o modo como as turfeiras recuperam quando um terreno é devolvido à natureza, para assim se tirarem conclusões sobre o tempo que é preciso esperar para que o ciclo da água normalize no complexo Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto. Segundo Eduardo Dias, que tem trabalhado com as turfeiras locais, um bom exemplo pode ser recolhido na Lagoa do Negro. A zona deixou de servir de pastagem para gado há cerca de quinze anos e as turfeiras já têm hoje uma dimensão significativa. Eduardo Dias acredita que em duas décadas poderá ser possível recuperar zonas de turfeiras pré-existentes, tendo mais dúvidas sobre o tempo necessário para reintroduzir turfeiras em zonas onde hoje existem pastos suportados à base de adubação.A reportagem de DI conseguiu observar a recuperação de uma turfeira numa zona do Cabrito onde foi removido um tanque de combustíveis norte-americano há cerca de oito anos. A turfa ainda é pequena, mas já ocupa o solo duma forme significativa. Melhor recuperação evidenciam turfeiras localizadas em pastos abandonados numa zona mais alta, também no Cabrito, situação que a reportagem do DI também observou.Uma turfeira adulta retém cerca de sete litros de água por cada quilo da sua massa e drena essa água lentamente para o interior dos aquíferos sobre os quais se situa. Os especialistas afirmam que, além de ser um método natural, é o melhor método que se conhece de armazenamento de água, sendo que a drenagem acontece normalmente, sem necessidade de intervenção humana.
Soluções engenhosase erros de previsão
As crises de água não são desconhecidas na ilha Terceira. Por exemplo, a literatura refere uma crise significativa na segunda metade do século XIX e a memória colectiva ainda guarda bem viva a crise do início dos anos noventa do século XX, que antecedeu a crise agora em curso.Em cada crise o homem encontra uma solução, melhor ou pior. Na crise do início dos anos noventa do século XX a solução passou pela abertura de furos. Sabe-se hoje que a solução não foi a melhor a médio e longo prazo, sobretudo porque essa crise já anunciava o colapso do complexo Caldeira Guilherme Moniz/Maciço do Pico Alto, que, no entanto, ninguém à altura foi capaz de identificar.O próprio secretário Álamo Meneses, que, à altura, como perito da Universidade dos Açores, estudou a situação e escreveu sobre a crise, confessa hoje que também ele não foi capaz de identificar a situação. “Penso que ninguém à altura identificou o verdadeiro problema, que hoje sabemos ser de ordenamento do território”, enfatizou Meneses.Antes, no século XIX, a falta de água afectou de forma dramática a freguesia de Santa Bárbara, obrigando a população e as autoridades a serem engenhosas. A solução foi a construção de um reservatório de enormes dimensões para a altura e considerado muito dispendioso para as finanças públicas da época.Tal reservatório, inspirado nas cisternas que sempre abasteceram a zona – de fracos recursos hídricos, note-se -, cumpriu a sua missão desde a época em que foi construído até ao sismo de um de Janeiro de 1980, altura em que foi instalada uma rede domiciliária de distribuição de água.O “Reservatório de Santa Bárbara”, como é conhecido, implantado nas margens da Ribeira das Sete, na encosta da Serra de Santa Bárbara, está hoje envolvido por uma zona de lazer e é considerado uma notável construção em alvenaria de pedra, podendo ser visitado pelo público.
(In DI-Revista)

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terça-feira, janeiro 27, 2009

Governo encerra estrada na Terceira

O Governo dos Açores encerrou a estrada do Cabrito por falta de segurança.
A estrada passa sobre a abobada da Furna de água que corre o risco de desabar.

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sexta-feira, janeiro 16, 2009

Detonações e Falta de Água

O rebentamento de explosivos numa pedreira localizada a cerca de um quilómetro da Furna da Água não terá sido a causa dos danos detectados na estrutura daquela nascente do concelho de Angra do Heroísmo.Essa é a convicção de Cota Rodrigues, especialista em recursos hídricos, que argumenta que nenhuma das estruturas que ficam perto da pedreira (escritórios, armazéns, paredes com pedra solta e uma ermida) apresenta sinais de danos provocados pelas vibrações dos rebentamentos de explosivos.“Não é fisicamente possível que as vibrações da pedreira se tivessem apenas dirigido para as nascentes e aquíferos”, afirmou. Cota Rodrigues aponta como causa mais provável para o desabamento de parte de um túnel da Furna da Água da nascente as vibrações provocadas pelo trânsito de veículos. O túnel artificial está localizado por debaixo de uma estrada.No entanto, o especialista em recursos hídricos fez questão de frisar que as suas convicções não assentam “em registos sísmicos” mas na análise dos dados disponíveisReferiu, ainda, que as arroteias que estão a ser efectuadas na Caldeira Guilherme Moniz estão a ter um impacto negativo na retenção e infiltração de água nos aquíferos.Quanto à diminuição dos caudais, assegura que o facto de se ter registado menos 50 por cento de precipitação entre Agosto e Dezembro do ano passado pode ser o motivo porque há escassez de água nas nascentes.

(In Diário Insular)

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sábado, janeiro 10, 2009

Contaminação na Praia da Vitória ainda sem estudo

A Câmara Municipal da Praia da Vitória não avança uma data para a adjudicação ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) do estudo sobre a eventual contaminação de solos e aquíferos no concelho.De acordo com informação adiantada pelo chefe de gabinete do município, Osório Silva, “a câmara municipal não tem nada a acrescentar e o processo está a decorrer na normalidade”, sendo que “em breve se irá pronunciar sobre o contrato e o projecto”.Segundo a mesma fonte, aquando da assinatura do contrato viajarão até à Terceira responsáveis pelo LNEC, sendo, nessa altura, revelados mais detalhes sobre o estudo em si.Recorde-se que a 26 de Novembro do ano passado o presidente da câmara praiense afirmava esperar ter, em Dezembro, as condições para adjudicar ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) o estudo sobre a eventual contaminação de solos e aquíferos do concelho. Na altura, a câmara municipal aguardava a aprovação do orçamento necessário, ao que se seguiria a assinatura do contrato que daria ao município os meios para adjudicar o estudo ao LNEC. Só depois seria feita a adjudicação.Roberto Monteiro adiantava que, apesar dos atrasos na adjudicação, a demora seria compensada. “Tudo está reunido para que, até ao final de 2009, se conheçam os resultados”, concluiu.Mais de meio milhão de euros, cerca de 180 mil para o trabalho do LNEC e mais 350 mil para processos que o laboratório de engenharia contratará com outras empresas, é quanto se prevê que custe o estudo.Contactado por DI, o professor da Universidade dos Açores, Cota Rodrigues, que esteve na origem da denúncia da eventual contaminação, recusou comentar os atrasos no arranque do estudo do LNEC, afirmando que o seu dever está cumprido e que resta agora às autoridades responsáveis conduzirem bem o processo.Na origem desta eventual contaminação de solos e aquíferos estará o facto de os norte-americanos estacionados na Base das Lajes terem depositado no solo da ilha Terceira, entre os anos cinquenta e meados dos anos noventa do século passado, lamas compostas por hidrocarbonetos, metais pesados e água, que resultam da lavagem dos tanques de combustível, do Tank Farm.

(In Diário Insular)

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