terça-feira, novembro 17, 2009

Duas centenas de lixeiras selvagens na Terceira

O número de depósitos ilegais de resíduos (lixeiras a céu aberto) na Terceira ascende às duas centenas. Os tipos de resíduos são variados, sendo que “é preciso ter em conta que vivemos num espaço pequeno, onde não existem grandes industrias e, por isso, também não temos problemas com resíduos químicos”, afirma Ulisses Rosa, autor do estudo que pretendeu quantificar e identificar os depósitos ilegais de resíduos em toda a ilha. Ulisses Rosa desconhece se as Câmaras Municipais têm conhecimento desta situação. Contudo, para o autor do estudo o problema prende-se com a “falta de educação ambiental”.“O que se denota é uma grande falta de civismo e um desrespeito pelo espaço comum”, continua.De facto, “as pessoas continuam a infringir a lei, sendo que a legislação prevê contra-ordenações gravíssimas neste sentido”.Apesar de reconhecer que os jovens começam a mostrar uma mudança de atitude quanto às questões do ambiente, Ulisses Rosa considera que esta situação não é fácil de contornar. “Um dos grandes problemas é o facto destes pontos de depósito funcionarem há dezenas de anos”, disse.“O meu objectivo foi tentar perceber a dinâmica de deposição de resíduos na ilha. Pretento criar um registo que permita uma monitorização e limpeza eficazes destes espaços”, aponta Ulisses Rosa.“Grande parte do interesse desta quantificação prende-se com a sua futura disponibilização para que seja possível limpar estas zonas”, continua.Para minimizar os impactos no ambiente, o guia da natureza pretende divulgar estes dados às Câmaras, à GNR e todas as entidades gestoras de resíduos.Para o autor do estudo, é necessária “uma maior interligação entre as entidades competentes e uma maior focalização na educação ambiental”. “Através de acções de sensibilização como Limpar Portugal, um estímulo à sociedade, através de uma competente gestão integrada de resíduos e do seu posterior encaminhamento, podemos tornar, certamente, a ilha mais limpa”, continua.A aposta na reciclagem é também uma das formas apontadas por Ulisses Rosa para minimizar o problema.O trabalho intitulado “Georeferenciação de depósitos ilegais de resíduos na Terceira” é pioneiro na Região e servirá de mapa da iniciativa “Limpar Portugal - Terceira”.

(in Diário Insular)

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quinta-feira, julho 30, 2009

Depósito de inertes é foco de infestação em Angra

Félix Rodrigues, denunciou a existência ilegal de depósitos de inertes numa futura zona urbanizável e nas imediações das cerca de meio milhar de moradias do Bairro Social da Terra-Chã, em Angra do Heroísmo, sendo que uma grande parte destes inertes são madeiras provenientes de obras de construção civil que estão infestadas de térmitas.
Na zona da futura urbanização de Entre os Muros, a cerca de 200 metros do Bairro Social da Terra-Chã, Félix Rodrigues apontou baterias para a falta de fiscalização das entidades competentes (Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e Direcção Regional do Ambiente) e à falta de civismo de quem colocou no local, ladeado por matas e casas, produtos infestados pela praga.
O principal problema é o facto de não existir na legislação em vigor qualquer tipo de indicação sobre os locais onde as pessoas podem depositar este tipo de inertes infestados por térmitas.
“As pessoas não estão devidamente informadas com o que podem e têm que fazer com estes resíduos, mas, por outro lado, também ninguém consegue dizer o que se deve fazer efectivamente com este tipo de resíduos, porque não existe na legislação a sua classificação nem há referência ao local onde podem ser depositados”, denunciou.
“O que é que se faz nestas ilhas as estes resíduos?
Não existem depósitos legais para eles. O tratamento final a dar-lhes deveria ser a queima, mas queimá-los onde?
Nada disto está clarificado na lei”, acrescentou.
Félix Rodrigues afirmou ser “uma pouca-vergonha” e “uma falta de cidadania atroz” a existência de depósitos ilegais de inertes, mais a mais, contaminados com térmitas, e considerou que tal situação levanta a “pertinência de alterarmos a legislação que temos no que se refer às térmitas”. Isto porque, prosseguiu, “os resíduos aqui estão são inertes, mas as madeiras infestadas por térmitas e caruncho deverão ter um estatuto especial.”
“Estas madeiras são produtos contaminados biologicamente que constituem novos focos de infestação quer das habitações, quer das matas que se encontram nas redondezas”, disse.
Ora, segundo explicou “o caruncho (que também se encontra nestas madeiras) aproveita muito bem a madeira húmida, ou seja, vai instalar-se nas árvores das matas”.
Por outro lado, frisou, “a deposição destes materiais com térmitas constitui um foco de infestação das habitações que aqui estão perto e desta zona que é para uma futura urbanização” o que faz com que “estejamos a colocar em perigo as futuras habitações que aqui hão-de ser construídas”.
(in Diário dos Açores)

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domingo, março 22, 2009

Lixo divide em Angra a Câmara e o Governo

O Aterro Sanitário Intermunicipal da Ilha Terceira começa a apresentar sinais visíveis de lixo a céu aberto, no entanto Andreia Cardoso, presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, explica que o lixo visível está inserido em bolsas de exposição de resíduos.
A autarca acentua que as bolsas são cobertas com tela e acrescenta que os resíduos são frequentemente cobertos com terra, até as bolsas esgotarem as suas capacidades de armazenamento.
A presidente da autarquia angrense explica que neste momento estão em exploração duas bolsas, mas que ambas se encontram “em fase de esgotamento”. Andreia Cardoso revela que a solução a curto prazo passa pela aquisição de uma nova bolsa, orçada em 1 milhão e 700 mil euros. De acordo com a autarca, a Câmara Municipal e os Serviços Municipalizados “estão a aguardar uma estratégia, da Secretaria Regional do Ambiente, de gestão de resíduos na região”. Andreia Cardoso frisa, ainda assim, que o Aterro Sanitário Intermunicipal da Ilha Terceira “é o único aterro licenciado na região”. Já o Secretário Regional do Ambiente e do Mar, Álamo Meneses, afirma que já existe um Plano Estratégico de Gestão de Resíduos dos Açores (PEGRA), mas esclarece que está por definir a “calendarização”.
Segundo Álamo Meneses, a solução do aterro da ilha Terceira passa pela “exportação e valorização de resíduos”, de forma a “minimizar a quantidade de resíduos” que dá entrada no aterro. O secretário regional do ambiente esclarece ainda que o assunto “é da competência das autarquias” e que cabe apenas ao governo a orientação.
Para Félix Rodrigues do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e representante do CDS-PP na Assembleia Municipal de Angra “a quantidade de resíduos sólidos que se produz na Terceira, terá que ter outro destino, pois não é viável económica e ambientalmente continuar a colocá-los em aterro”, uma vez que seria necessária uma área demasiado vasta, um factor que é crítico em ilhas pequenas. A solução, na opinião do centrista passa pela “separação” e “valorização” dos resíduos. Quanto à eficácia do PEGRA, Félix Rodrigues considera que o plano “tentará ser eficaz, mas de imediato tem algumas dificuldades económicas e técnicas associadas para que possa ser rápida a sua implementação”.
Já Aurélio da Fonseca, do PSD, lamenta que exista “falta de coordenação e de “articulação entre a Câmara e o Governo.” De acordo com o social-democrata, o PSD tem vindo a alertar para o facto dos “fundos comunitários serem insuficientes”. “É preciso que o Governo apoie a Câmara, defende.
(In Diário Insular)

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sábado, julho 19, 2008

Reequacionar a gestão de resíduos sólidos nas ilhas

Foi apresentada e defendida a tese de Mestrado em Educação Ambiental da aluna Carla Reis, orientada pelo Professor Félix Rodrigues do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e pela Professora Lia Vasconcelhos da Universidade Nova de Lisboa. O tema investigado recebeu o título: "Gestão de resíduos sólidos e recicláveis em ilhas – O caso da ilha Terceira, Açores. Definição de estratégias para promoção da participação social".
Os problemas relacionados com a gestão de resíduos sólidos na sociedade insular actual são complexos e por vezes de difícil resolução, atendendo sobretudo às quantidades e diversidade dos resíduos produzidos. O elevado índice de consumo verificado nos dias de hoje tem provocado um aumento gradual e significativo na quantidade de resíduos a tratar.
A necessidade de minimizar a produção de resíduos e de assegurar a sua gestão sustentável transformou-se, entretanto, numa questão primordial. Existe uma consciência cada vez mais clara de que a responsabilidade pela gestão dos resíduos deve ser partilhada por todos.
A especificidade dos territórios insulares, atendendo às suas principais características: dimensão reduzida; baixa densidade populacional; distanciamento inter-ilhas e destas ao Continente, importação da maioria dos bens consumidos e dependência económica, agudizam ainda mais esta questão.
Neste estudo procurou-se avaliar o conhecimento da população da ilha Terceira no que se refere à produção, tratamento e destino final dos resíduos sólidos urbanos e resíduos de embalagens. Pretendeu-se ainda analisar, a leitura que os inquiridos fazem do papel que as autoridades com competência na matéria desenvolvem nesta área, assim como a predisposição dos inquiridos para participarem nos processos de gestão de resíduos.
Os Terceirenses, de um modo geral, detêm algum conhecimento sobre esta temática havendo no entanto necessidade de maior clarificação de alguns conceitos e processos. A gestão de resíduos sólidos é vista pelos Terceirenses como um processo de extrema importância, colocando as questões ambientais e de saúde pública entre os aspectos prioritários de desenvolvimento.
De acordo com os resultados obtidos, sugerem-se algumas pistas de actuação por parte das entidades responsáveis pela gestão dos resíduos sólidos urbanos e resíduos de embalagens, nomeadamente:
O estudo da viabilidade de introdução de tarifários PAYT (tarifários variáveis em função da quantidade de resíduos produzidos) de acordo com os serviços de recolha e tratamento de RSU, em detrimento da actual taxa fixa, sem correspondência com a quantidade de resíduos produzidos;
- Estudar a forma como esses tarifários podem contribuir para a alteração de comportamentos, se incentivam ou não a redução e a separação dos resíduos, por parte da população;
-O formato das medidas de educação e sensibilização ambiental devem ser revistas pelas autoridades locais com competência na matéria, assim como o seu processo de difusão. O recurso a outras ferramentas de divulgação da informação, assim como a procura de um maior envolvimento da população deverá ser preconizado;
-O primeiro passo para a Sensibilização/Educação Ambiental será transmitir às populações, de uma forma clara e directa os problemas ambientais existentes no seu concelho, tentando criar uma consciencialização mobilizadora de cidadania activa, traduzida na participação da população nos projectos existentes. Torna-se necessário apresentar soluções e projectos, discutindo a sua importância no desenvolvimento sustentável da ilha bem como, os modos de participação e os progressos verificados, permitindo assim uma adesão voluntária e consciente ao sistema de gestão de resíduos e uma responsabilização individual pela sua hipotética ineficiência;

-Torna-se relevante a implementação da Agenda 21 Local que permita abordar e negociar com a população esta temática;
Conclui-se que a introduzir alterações no actual sistema de gestão, estas estão sobretudo relacionadas com a necessidade de um maior envolvimento da população da ilha Terceira, que parece estar facilitado, uma vez que demonstram vontade em participar nos processos de gestão dos resíduos da ilha. Crê-se que a disponibilidade dos cidadãos em participar nessa gestão poderá ser assegurada, desde que sintam que o seu trabalho é útil e profícuo.
Relativamente às várias fases etárias deste estudo, reconhece-se que é nas camadas mais jovens que se encontra uma maior vontade de participação podendo tal facto produzir a curto e médio prazo resultados positivos, com um sentido de sustentabilidade como o preconizado no relatório de Brutland.
Em termos futuros, a melhoria de alguns aspectos técnicos que poderão permitir à população da ilha Terceira ter uma participação mais activa e responsável, como por exemplo a disponibilização de mais equipamentos (ecopontos), alterações da frequência de recolha dos resíduos (aumento da sua frequência), assim como a implementação de novos serviços: recolha dos óleos alimentares usados ou a implementação de um serviço de recolha porta-a-porta dos resíduos biodegradáveis, são um conjunto de medidas que podem ser equacionadas pelos órgãos responsáveis pela gestão dos resíduos na ilha Terceira, contribuindo para uma melhoria substancial dos problemas ambientais da ilha.

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sábado, maio 03, 2008

Tratamento de resíduos sólidos

A associação ambientalista com sede na Terceira Gê-Questa pretende que o projecto para a construção de um central de tratamento de resíduos na Terceira em 2010 seja objecto de um processo de discussão pública. O dirigente da Gê-Questa, Vasco Silva, também aluno de Doutoramento no Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores disse ao DI que é importante conhecer bem quais os contornos desse projecto que duas empresas privadas pretendem desenvolver com o recurso a fundos da União Europeia. “A única coisa que se conhece desse projecto que está na posse do Governo Regional são os aspectos gerais que estão no anúncio publicado na imprensa para os eventuais interessados apresentarem outras propostas”, referiu. De acordo com Vasco Silva, antes de ser tomada uma decisão final sobre o assunto deverão ser divulgados todos os dados técnicos referentes aos métodos que vão ser utilizados para o tratamento dos resíduos. “Caso o projecto apresente como solução o tratamento dos resíduos através da incineração é preciso ter em conta os danos ambientais decorrentes das escórias que resultam desse processo”, adianta Vasco Silva. Considera que as escórias resultantes da incineração de cerca de 75 toneladas de lixo por dia produzidas na Terceira são “uma espécie de veneno para o ambiente”. Para o dirigente da associação ambientalista “não se percebe porque o projecto continua a não ser do conhecimento público” quando as consequências da sua concretização podem acarretar implicações na qualidade ambiental da Terceira. Vasco Silva defende que a solução para o tratamento de resíduos deve assentar na regra universal dos três “Erres” - Reduzir, Reutilizar e Reciclar.
MEGA INVESTIMENTO
Os grupos empresariais SGC Energia (continente) e Bensaude (São Miguel) manifestaram, em Novembro do ano passado, ao presidente do Governo Regional, Carlos César, a intenção de realizar um investimento de 160 milhões de euros num projecto de instalação de duas centrais de tratamento de resíduos nos Açores (uma na Terceira e outra em São Miguel), que deverão permitir a criação de mais de três centenas de postos de trabalho.No que se refere à Terceira, a central poderá ser instalada junto ao aterro sanitário da ilha, na zona da Achada, num terreno com uma área de cerca de 7.500 metros quadrados.

(In Diário Insular)

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quinta-feira, janeiro 17, 2008

Térmitas desvalorizam parque habitacional

A ciência avisa que o valor do parque habitacional açoriano infestado com térmitas pode entrar em colapso nas ilhas açorianas. A proibição de venda de casas “sujas” deve ser encarada.
A desvalorização do parque imobiliário nos principais centros urbanos dos Açores é uma das principais consequências previsíveis do alegado descontrolo no combate às térmitas nas ilhas. Segundo o cientista Paulo Borges, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores - perito em insectos e principal conhecedor do fenómeno das térmitas nos Açores -, se a situação continuar como se encontra, a crise imobiliária é inevitável. A coordenação entre os vários sectores envolvidos no problema (Governo Regional, câmaras, empresas, população, investigação) é inexistente. Além disso não há legislação para resolver o problema dos resíduos sólidos (madeiras contaminadas). A própria lei de apoio aos proprietários que queiram substituir madeiras infectadas é considerada pelo cientista como “insuficiente”. Paulo Borges adianta que é necessário tomar uma medida urgente, copiada do modelo em vigor em França, no sentido de ser proibida a venda de casas infestadas com térmitas. “Dada a dimensão que se conhece do mercado imobiliário, só isso poderia ser um contributo importante para controlar a praga”, disse.

Síndrome do escaravelho

Paulo Borges está convencido que o Governo Regional está a encarar as térmitas afectado pela síndrome do escaravelho. Entende o cientista que no caso do escaravelho japonês, praga introduzida na Terceira através da Base das Lajes, acabou por se provar que os pastos existentes são suficientes para as vacas e para os escaravelhos, pelo que o que poderia ser uma praga acabou por não ser um problema grave. Como deixou as coisas andar e não se deu mal, o Governo parece agora apostar no mesmo comportamento do caso das térmitas. Só que, avisa Paulo Borges, a situação é muito diferente, uma vez que as térmitas são “altamente destruidoras”. Neste momento a região não tem quadros técnicos formados no combate às térmitas, não havendo - o que é pior ainda - um plano regional com coordenação efectiva.

O que há de bom

Mas nem tudo está mal no reino das térmitas. Segundo Paulo Borges, é possível arrolar passos positivos já dados em diversos sectores. Desde logo, destaca o esforço das pessoas individuais no tratamento das habitações afectadas pela praga. Há também o mundo empresarial, que já respondeu com duas empresas vocacionadas para o combate às térmitas. Também já estão colocadas armadilhas para captura de adultos em edifícios públicos e privados. Outro facto positivo é a acumulação de conhecimento científico, apoiado pela região, sobre as térmitas desde 2002, quando o fenómeno das foi descoberto nos Açores. A criação de legislação, embora com lacunas, é apontada por Paulo Borges como outro facto positivo. Angra do Heroísmo está infestada de térmitas a mais de 50 por cento, prevendo-se que sejam idênticos os números em Ponta Delgada. Na Horta há várias casas infestadas e em Santa Maria já há duas freguesias com térmitas.S egundo Paulo Borges, com o actual nível de descontrolo, o mais provável é a praga alastras pelas ilhas.


(In Diário Insular)

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terça-feira, novembro 27, 2007

Transformar resíduos sólidos urbanos em combustível

Os Açores irão transformar resíduos sólidos urbanos em combustíveis, através de uma tecnologia avançada. A garantia foi dada ontem por João Pereira Coutinho, da empresa SGC Energia, responsável pelo projecto, que será desenvolvido nos Açores em parceria com o Grupo Bensaude.

À saída de uma audiência com o presidente do Governo Regional para apresentação do negócio, em Ponta Delgada, João Pereira Coutinho garantiu que “pelo menos 25 por cento do consumo vai ser assegurado por estas unidades”. “Os Açores vão conseguir produzir energia para a sua mobilidade”, afirmou, sublinhando que “criar independência energética em relação a terceiros é estratégico e fundamental”. O responsável referiu ainda tratar-se de um projecto inovador, amigo do ambiente e que promete colocar o arquipélago no topo da transformação energética.
Por seu lado, o chefe do executivo açoriano considerou que a concretização deste projecto pioneiro a nível nacional só poderia ter lugar na Região, devido a uma legislação adequada. Carlos César salientou, igualmente, que o projecto “contribuirá para a valorização da Região, quer do ponto de vista ambiental, quer do ponto de vista da sua atractividade, em geral, pela qualidade deste investimento.” Acrescentou, contudo, que “constitui uma mais-valia para a Região, mas também uma mais-valia para o país, dado o seu carácter inovador”. No entender do presidente do Governo Regional, “o próprio Governo da República também pode e deve contribui para o seu êxito e para a sua concretização plena”. Carlos César aproveitou ainda para anunciar que o executivo açoriano vai aprovar, em breve, o Plano Estratégico de Gestão de Resíduos dos Açores, na linha já traçada de considerar a gestão dos resíduos uma actividade económica com carácter reprodutivo e, assim, possibilitar o aparecimento de projectos como o agora apresentado. Orçado em 160 milhões de euros, o projecto da SGC Energia, em parceria com o Grupo Bensaude, será desenvolvido nas ilhas Terceira e São Miguel, prevendo a criação de 305 postos de trabalho.
(In Diário Insular)
De acordo com Félix Rodrigues, docente do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, em entrevista à RDP-Açores e RTP-Açores, o projecto agora apresentado é uma mais valia para a região, na medida em que a gestão de resíduos sólidos urbanos nas ilhas, de dimensões reduzidas, como é o caso dos Açores, é difícil e exige estratégias apropriadas. Do ponto de vista do potencial de investigação científica, o projecto também constitui uma mais valia para a Região e comunidade científica local, prevendo-se também impactos económicos positivos. Todavia, essa transformação de resíduos sólidos urbanos em combustível não deve servir de desculpa para a não gestão de resíduos nas ilhas, nem para a não adopção de estratégias e políticas de reciclagem de alguns resíduos como é o caso do papel ou do plástico. Também não poderá servir de desculpa para a não implementação da Educação Ambiental visando uma diminuição da produção de resíduos. Nesse sentido, considera exagerada a previsão de produzir 25% do combustível consumido nas ilhas por esta tecnologia.
Félix Rodrigues defende ainda que a produção de combustível deve reger-se pela mesma lógica da valorização energética de resíduos pelos meios térmicos, ou seja, só deverão ser transformados em combustível aqueles resíduos que seriam inequívocamente depositados em aterro. Afirmou ainda que este anúncio da SGC Energia e do Governo Regional dos Açores carece de mais clareza e menos secretismo para que se possa avaliar correctamente os aspectos positivos e negativos de tal investimento. Partindo do princípio que se trata de uma boa estratégia, conviria esclarecer a partir de que tipo de resíduos se irá produzir o combustível. Dizê-lo que é a partir de resíduos sólidos urbanos, é muito pouco. Interessaria saber em que medida se pensou nos resíduos de origem animal dos matadouros, dos resíduos florestais, ou outros, e se se tem intenção de utilizar ou não, os plásticos.
(In RDP-Açores, RTP-Açores)

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domingo, novembro 25, 2007

Poluição

Realizou-se no Auditório do Centro Cultural das Velas, ilha de São Jorge, uma conferência proferida pelo Professor do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, Félix Rodrigues, subordinada ao tema "Poluição".
Essa conferência foi patrocinada pelo Europe Direct/Açores no âmbito das actividades a desenvolver por este centro sobre a temática do Desenvolvimento Sustentável.

A protecção do ambiente é essencial para a qualidade de vida das gerações actuais e futuras. O desafio consiste em combinar essa protecção com um crescimento económico contínuo, de modo sustentável a longo prazo. A política da União Europeia em matéria de ambiente baseia-se na convicção de que um padrão ambiental elevado estimula a inovação e as oportunidades de investimento. As políticas económica, social e ambiental estão estreitamente integradas.
A essa conferência assistiram cerca de 200 alunos do segundo e terceiro ciclos do ensino básico da Escola Básica e Secundária de Velas, São Jorge, onde lhes foi dada oportunidade de colocar questões sobre o modo de agir e minimizar os impactos ambientais das suas acções e da sua comunidade.


Foram abordados as causas e consequências da poluição atmosférica, poluição das águas e a ausência de um sistema de gestão de resíduos sólidos.
Foi colocada uma tónica especial nas alterações climáticas globais e nos comportamentos pró-ambientais em termos de resíduos sólidos.

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sexta-feira, novembro 23, 2007

Gestão de resíduos em regiões ultra-periféricas

Decorre nos dias 3 e 4 de Dezembro próximos, no Barão Palace, na ilha do Faial um workshop subordinado ao tema “A Gestão de Resíduos em Regiões Ultraperiféricas Insulares: O desafio para os Açores”.
A promoção de uma política de gestão de resíduos eficaz e consentânea com os desafios que a Região Autónoma dos Açores enfrenta, requer a convergência dos interesses da Administração Regional, da Administração Local, das empresas públicas e privadas, das associações e organizações não governamentais. Nesse sentido, foi elaborado o Plano Estratégico de Gestão de Resíduos dos Açores (PEGRA) que constituirá o instrumento normativo de referência para a gestão de resíduos nos Açores. Neste sentido, o Workshop “A gestão de resíduos regiões ultra-periféricas insulares: um desafio para os Açores”, que se realiza no âmbito da Presidência Portuguesa da União Europeia, pretende constituir um fórum de reflexão sobre a temática da gestão de resíduos.Este evento tem como principais objectivos específicos: Discutir a problemática e as políticas da gestão de resíduos no quadro das especificidades das ilhas e particularmente das Regiões Ultra-Periféricas; Debater aspectos económico-financeiros, de regulamentação e regime jurídico associados às actividades de gestão de resíduos; Apresentar conhecimentos e desenvolvimentos científicos, inovações, tecnologias e recursos disponíveis no âmbito da gestão de resíduos e promover o intercâmbio de experiências entre os profissionais do sector. Este workshop destina-se a todos os profissionais do sector dos resíduos bem como a todos os interessados nesta matéria, como por exemplo, Administração Regional e Local, intervenientes ao nível da produção, planeamento, gestão e fiscalização de resíduos, profissionais da agricultura, pesca, indústria, comércio e serviços, professores, estudantes, etc.De acordo com o programa, a primeira sessão será moderada pelo Director Regional do Ambiente, Frederico Cardigos, e intitula-se “A gestão de resíduos: Políticas e estratégias”.De seguida falar-se-á de “A politica nacional para a gestão de resíduos”, pela Eng.ª Lurdes Carreira da Agência Portuguesa de Ambiente.Joana Rodrigues (Valorambiente) apresenta “A gestão de resíduos na Região Autónoma da Madeira” e António Brito, da Universidade do Minho vem mostrar “O Plano Estratégico de Gestão de Resíduos dos Açores”. Depois do intervalo falar-se-á da “A gestão de resíduos na Comunidade Autónoma das Baleares” e “A gestão de resíduos na Comunidade Autónoma das Canárias”O holandês Gé Groenenboom da Gicom - Composting Systems, vem demonstrar “Os sistemas de compostagem”.A segunda sessão é denominada “ A gestão de resíduo: Experiências e perspectivas” e tem início com Dulce Pássaro, do Instituto Regulador de Águas e Resíduos, com a palestra “A defesa do interesse público e o sistema de regulação”.Seguem-se António Branco (EGF) e Fernando Leite (LIPOR) que vem falar da “A experiência dos sistemas multimunicipais”, enquanto João Levy (Ecoserviços) fala sobre “ A experiência dos sistemas privados”. ”As oportunidades para a gestão de resíduos” é o título da terceira sessão deste workshop. Sob a moderação de António Brito, discutir-se-á “O sistema regional de incentivos”.Sobre “O financiamento de projectos” vem falar Nuno Gil (Banco BES) e Pedro Santos (Agencia de Energia do Vale do Sousa) abordará “A aplicação de tarifários progressivos”.O segundo dia de trabalhos será preenchido com “As tecnologias perante os desafios das zonas insulares”, moderado por Margarida Patrão Costa da Direcção Regional do Ambiente.“ Valorização energética de resíduos, hidrogénio e combustíveis renováveis” por Mário Alves do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores; “Inovação e valorização energética por biocombustiveis” por Pablo Kroff (Simbiente-AdP, Universidade do Minho); “Novos sistemas por vermicompostagem” com Pedro Mestre e João Completo (Lavoisier) e “A experiência de gestão de um tecnossistema de resíduos em São Miguel” de Luís Marinheiro (Hidurbe), são alguns dos temas a apresentar, bem como, “A evolução e tendência nos sistemas de contentorização de resíduos” por Rui Mão de Ferro (OTTO); “O Centro de processamento e valorização orgânica da ilha das Flores” de João Levy (Instituto Superior Técnico); “Os tecnossistemas no caso da ilha do Pico” por Paulo Monteiro (Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto).O workshop termina com uma Mesa-redonda e debate: “a implementação nos Açores: oportunidades e desafios”.

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