sexta-feira, outubro 03, 2008

Praia da Vitória vulnerável à subida do mar

A Praia da Vitória é uma das zonas litorais açorianas mais vulneráveis à subida das águas do mar, ao lado de Ponta Delgada, algumas fajãs de São Jorge e Lajes do Pico. O alerta foi lançado por Félix Rodrigues, professor do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, no âmbito de uma conferência sobre “Alterações Climáticas e o Litoral”, que teve lugar sábado, em Santa Maria.
Imagem do Google Earth (modelação 14 metros de subida do mar)
Na ocasião, o docente salientou que “o aquecimento global do planeta acarreta, de forma inequívoca, um aumento do nível médio das águas do mar, decorrente do degelo das massas de água congeladas e acumuladas sobre terra, tanto na Antárctida como na Gronelândia ou nas montanhas terrestres”.Segundo Félix Rodrigues, “nos Açores, o litoral tem sofrido pressões elevadas, notando-se alterações muito acentuadas em alguns locais das ilhas de São Miguel e Terceira e em menor grau nas restantes ilhas”. Perante este cenário, o professor universitário recomenda a implementação de “medidas locais de mitigação e adaptação à subida do nível médio da água do mar”, nomeadamente “a gestão eficaz do território, a intervenção capaz e atenta da comunidade científica e do poder local, a divulgação e discussão de diversos cenários de alterações do litoral com ênfase para o nível local, a ampliação sistemática dos conhecimentos e cultura das populações e o exercício de uma cidadania responsável e activa por parte de todos os cidadãos”.

(In Diário Insular)

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quarta-feira, outubro 01, 2008

Alterações climáticas e o litoral (II)

Mais uma vez só perdeu quem não esteve lá!
Realizou-se no dia 27 de Setembro de 2008 uma conferência proferida pelo Professor António Félix Rodrigues do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores.
Conheço o Félix Rodrigues das minhas andanças pela internet e pelo que conheço dele no seu blog "Desambientado" http://www.desambientado.blogspot.com/ era impensável ter conhecimento da realização desta conferência e não estar presente. Tive um dia "corrido" e corri para estar presente. Tomei conhecimento de que se iria realizar esta conferência ao ver uma folha A4 em cima do balcão de uma loja de Vila do Porto. Abençoada a hora em que isso aconteceu. Na sala de Sessões da Câmara Municipal de Vila do Porto estavam cerca de duas mãos cheias de pessoas e foi pena a sala não estar cheia. Félix Rodrigues é fluente e é encantadora a forma em como nos põe os cabelos em pé, ou a puxar-nos os pés para a terra, ou a dar-nos um banho de água fria para que caiamos na realidade do futuro triste do nosso planeta.
Fiz um vídeo da primeira parte da conferência mas por qualquer razão não consigo inseri-lo aqui. Nessa impossibilidade deixo-vos algumas frases que achei significativas.
Sustentabilidade: garantir ás gerações vindouras as mesmas oportunidades que as gerações actuais têm.
As ilhas são extremamente vulneráveis às alterações climáticas globais.
As Portas do Mar não vão ficar alí por mais de 50 anos.
O Ordenamento faz-se com a participação das pessoas.
Os Açores devem ser autosustentáveis em termos energéticos.
Gestão integrada do ordenamento do território.
A nossa Democracia é apática, sem cidadania. Cidadania é participação.

(In Mulheres de Atenas)

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quinta-feira, julho 03, 2008

Potencial Didáctico e Pedagógico da Geodiversidade Mariense na Conceptualização do desenvolvimento Sustentável

Vários autores defendem que a Educação para o Desenvolvimento Sustentável se enquadra na Educação Ambiental. Estas formas de educação pretendem essencialmente levar à mudança de consciências e atitudes; processo este imprescindível na construção de novas formas de desenvolvimento, alternativas aos modelos mais clássicos, que hoje se apresentam claramente em ruptura. Neste âmbito surge a defesa em prol das saídas de campo, como forma de incutir nos alunos os propósitos anteriormente referidos.
Esta tese de Mestrado em Educação Ambiental intitulada de "Potencial Didáctico e Pedagógico da Geodiversidade Mariense na Conceptualização do desenvolvimento Sustentável" realizada por Natália Barbosa de Abreu, orientada pelos Professores Francisco Cota Rodrigues do Departamento de Ciências Agrárias e Francisco José Rodrigues de Sousa do Departamento de Ciências da Educação da Universidade dos Açores pretendeu demonstrar o potencial didáctico e pedagógico da geodiversidade Mariense, considerando as competências essenciais do Currículo Regional e as concepções e práticas que os docentes do Ensino Básico têm acerca do ensino/aprendizagem das Ciências Naturais.
Caracterizaram-se sítios de interesse para o estudo da Geodiversidade Mariense, recorrendo ao estudo da cartografia, à realização de saídas de campo e pesquisas bibliográficas. Esse património possui diversos valores: intrínseco, cultural, estético, ecológico, funcional, social, económico, científico e educacional.
"Entende-se que a paisagem física não é apenas a flora e fauna é também, e sobretudo a do suporte geológico que a condiciona."
As políticas de Conservação da Natureza, normalmente, estão circunscritas à protecção e conservação da biodiversidade, revogando os factores abióticos (geodiversidade) para um plano inferior de protecção, daí a urgência em integrar estratégias de conservação tanto da biodiversidade como da geodiversidade.
Na presente tese, elaborou-se um percurso interpretativo que saindo do Cais/Marina de Vila do Porto, passando pelo Miradouro da Pedra Rija, Poço da Pedreira, Miradouro do Espigão, Miradouro da Vigia da Baleia e Miradouro da Macela, levava os alunos a apreender conceitos de geologia e a valorizar a geodiversidade da ilha de Santa Maria. Os resultados obtidos, de âmbito pedagógico, permitem afirmar que os alunos da turma experimental apresentam evoluções notórias relativamente às concepções subjacentes a conceito de "desenvolvimento sustentável" relativamente aqueles que não foram submetidos a este percurso de interpretativo.

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quinta-feira, janeiro 17, 2008

Térmitas desvalorizam parque habitacional

A ciência avisa que o valor do parque habitacional açoriano infestado com térmitas pode entrar em colapso nas ilhas açorianas. A proibição de venda de casas “sujas” deve ser encarada.
A desvalorização do parque imobiliário nos principais centros urbanos dos Açores é uma das principais consequências previsíveis do alegado descontrolo no combate às térmitas nas ilhas. Segundo o cientista Paulo Borges, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores - perito em insectos e principal conhecedor do fenómeno das térmitas nos Açores -, se a situação continuar como se encontra, a crise imobiliária é inevitável. A coordenação entre os vários sectores envolvidos no problema (Governo Regional, câmaras, empresas, população, investigação) é inexistente. Além disso não há legislação para resolver o problema dos resíduos sólidos (madeiras contaminadas). A própria lei de apoio aos proprietários que queiram substituir madeiras infectadas é considerada pelo cientista como “insuficiente”. Paulo Borges adianta que é necessário tomar uma medida urgente, copiada do modelo em vigor em França, no sentido de ser proibida a venda de casas infestadas com térmitas. “Dada a dimensão que se conhece do mercado imobiliário, só isso poderia ser um contributo importante para controlar a praga”, disse.

Síndrome do escaravelho

Paulo Borges está convencido que o Governo Regional está a encarar as térmitas afectado pela síndrome do escaravelho. Entende o cientista que no caso do escaravelho japonês, praga introduzida na Terceira através da Base das Lajes, acabou por se provar que os pastos existentes são suficientes para as vacas e para os escaravelhos, pelo que o que poderia ser uma praga acabou por não ser um problema grave. Como deixou as coisas andar e não se deu mal, o Governo parece agora apostar no mesmo comportamento do caso das térmitas. Só que, avisa Paulo Borges, a situação é muito diferente, uma vez que as térmitas são “altamente destruidoras”. Neste momento a região não tem quadros técnicos formados no combate às térmitas, não havendo - o que é pior ainda - um plano regional com coordenação efectiva.

O que há de bom

Mas nem tudo está mal no reino das térmitas. Segundo Paulo Borges, é possível arrolar passos positivos já dados em diversos sectores. Desde logo, destaca o esforço das pessoas individuais no tratamento das habitações afectadas pela praga. Há também o mundo empresarial, que já respondeu com duas empresas vocacionadas para o combate às térmitas. Também já estão colocadas armadilhas para captura de adultos em edifícios públicos e privados. Outro facto positivo é a acumulação de conhecimento científico, apoiado pela região, sobre as térmitas desde 2002, quando o fenómeno das foi descoberto nos Açores. A criação de legislação, embora com lacunas, é apontada por Paulo Borges como outro facto positivo. Angra do Heroísmo está infestada de térmitas a mais de 50 por cento, prevendo-se que sejam idênticos os números em Ponta Delgada. Na Horta há várias casas infestadas e em Santa Maria já há duas freguesias com térmitas.S egundo Paulo Borges, com o actual nível de descontrolo, o mais provável é a praga alastras pelas ilhas.


(In Diário Insular)

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segunda-feira, setembro 03, 2007

Mais um ondógrafo nos Açores: Santa Maria

Com o lançamento de mais uma estação ondógrafo ao largo da Ilha de Sta. Maria (dia 30 de Agosto), o projecto CLIMARCOST (INTERREG-IIIB, Açores, Madeira e Canárias) liderado pelo Professor Eduardo Brito de Azevedo do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, na sequência dos projectos CLIMAAT, alarga a monitorização da agitação marítima de um extremo ao outro do arquipélago dos Açores.
Composta actualmente por seis estações ondógrafo, a rede de monitorização da agitação marítima dos Açores permite, para além da produção de informação de natureza operacional em tempo real (www.climaat.angra.uac.pt), fundamental para todos os sectores que se relacionam no seu dia a dia com o mar, caracterizar de uma forma mais realista o clima marítimo costeiro das deferentes ilhas.
Naturalmente sempre limitadas aos condicionalismos resultantes da sua posição geográfica face a cada uma das ilhas, a informação gerada por cada uma das unidades ondógrafo e, no seu conjunto, por todo o dispositivo, permite produzir informação e desenvolvimento científico sobre a dinâmica oceânica costeira, com importância relevante para todas a actividades que se relacionam com o ambiente marítimo.

De entre os diferentes sectores que beneficiam com este tipo de informação meteo-oceanográfica e climatológica destacam-se os relacionados com a segurança no mar, obras portuárias e infraestruturas costeiras (na fase de projecto e na fase de acompanhamento de obras e comportamento de estruturas), com o sector das pescas, navegação comercial e operação portuária, dinâmica sedimentar e erosão costeira, dinâmica e comportamento dos ecossistemas costeiros. Todos estes domínios revelam-se fundamentais para quem vive em ilhas, e depende de uma forma tão preponderante do ambiente marítimo que as interliga.
No seu conjunto, conjugadas as experiências, a informação gerada pelas diferentes unidades e o trabalho produzido por todos os parceiros envolvidos (Açores, Madeira e Canárias), dando, afinal, cumprimento ao espírito da iniciativa INTERREG-IIIB, o projecto contribui para um estreitamento institucional nos domínios da meteo-oceanografia operacional bem como para o aprofundamento do conhecimento científico de uma vasta zona do Atlântico Norte.
Tal como anteriormente já referido o projecto CLIMARCOST, iniciativa financiada e apoiada localmente pelo Fundo Regional de Coesão do Governo Regional dos Açores, conta com uma parceria activa que envolve, para além da Universidade e Observatório do Ambiente dos Açores, entidades das diferente regiões da Macaronésia,
A estação ondógrafo de Santa é composta por uma unidade de recepção e tratamento de dados em terra, localizada nas instalações da Administração dos Portos de Sta. Maria, e por uma bóia ondógrafo fundeada a cerca de uma milha e meia por sul (S) do porto de Vila do Porto, numa posição aproximada de 36º 55,20 N de latitude e 25º 10,00 W de longitude (com um giro de aproximadamente 500 metros).


Oportunamente reportada no rol dos avisos à navegação, a bóia encontra-se devidamente sinalizada produzindo durante a noite um sinal luminoso de cinco relâmpagos amarelos espaçados de dois segundos, seguidos de um período às escuras de 10 segundos.
A operação de mar, coordenada com a autoridade marítima, foi efectuada a bordo do navio “Baía dos Anjos” dos Transportes Marítimos Parece Machado (Lda.), e apoiada pelas embarcações locais da marinha, “Baía dos Reis” (particular) e da APSM.
Nunca será demais salientar que, em todo o projecto CLIMARCOST, iniciativa financiada e apoiada localmente através do Fundo Regional de Coesão do Governo Regional dos Açores, participam e colaboram um conjunto de entidades e de pessoas que, nas respectivas esferas de acção, têm permitido a sua realização. Assim, para além da Universidade e Observatório do Ambiente dos Açores e restantes parceiros da Região da Macaronésia (Universidade de Las Palmas, Instituto Canário de Ciências Marinhas, Administração dos Portos da Madeira), o projecto conta localmente com o apoio fundamental das Administrações dos Portos e Capitanias dos Portos dos Açores.
(In A União)

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