Invasoras de elevado impacto nas formações naturais da ilha Terceira
Após a colonização das ilhas Açorianas pelo Homem, acerca de 550 anos atrás, deu-se início a um processo gradual de ocupação do território que teve como consequência uma alteração substancial da cobertura original, então dominada por florestas variadas e por zonas húmidas diversas. Assim, a área actual de ecossistemas nativos inalterados pelo homem nos Açores corresponde a uma fracção reduzida da área de cada ilha estando mesmo quase ausente na Graciosa e Corvo e muito fragmentados em várias outras das ilhas Açorianas.

Acompanhando a destruição do coberto original decorreu a introdução de uma grande quantidade de espécies com fins variados, desde culturas para a agricultura (as mais diversas hortícolas, frutícolas, forrageiras e mesmo sebes), para jardins e para fins comerciais diversos, madeiras, tinturaria etc. Algumas destas espécies introduzidas, após terem escapado dos locais onde foram introduzidas, tornaram-se pelo menos sub espontâneas (fixam-se naturalmente para além do seu local de introdução inicial formando populações que se mantêm a si próprias, sem a intervenção do Homem), em habitats naturais ou semi-naturais. Muitas delas propagaram-se de tal modo, em número e em área de extensão, que passaram a dominar algumas comunidades vegetais naturais, tornando-se uma ameaça, ou seja assumiram o carácter invasor substituindo, pelo menos parcialmente, as formações nativas. Ainda assim, é possível encontrar nas ilhas áreas relativamente extensas, dessas comunidades naturais únicas, relíquias daquelas que desde há muito desapareceram dos continentes de onde provieram, mas que nestas ilhas foram poupadas às glaciações. Razões biológicas, genéticas, éticas, estéticas e culturais cuja importância ultrapassa as fronteiras regionais, têm justificado a tomada de medidas diversas para o reconhecimento da sua importância e conservação, levantando a questão da necessidade de controlar a introdução de novas espécies e conter o avanço das já presentes.
A flora vascular da Terceira inclui, de acordo com Hansen & Sunding (1993), 1016 espécies. Embora uma parte considerável destas sejam exóticas, esta ilha apresenta ainda importantes áreas naturais onde as introduzidas praticamente não se fizeram sentir, como é o caso do interior da Serra de Santa Bárbara. A expansão das espécies exóticas avassalando e destruindo a flora nativa é sem dúvida um dos grandes problemas ambientais da actualidade mundial. No entanto, e embora seja uma linha de estudo explorada na região (lista de referência da flora Açoriana de Dias et al. 2006 pode ser consultada em http://www.angra.uac.pt/GEVA/WEBGEVA/Scheklistacores/ ScheklistAcoresstart.htm) existem para inúmeras espécies muitas dúvidas acerca da sua naturalidade. Ainda assim e independentemente das incertezas, é de consenso geral que de facto existem no Arquipélago áreas extensas completamente descaracterizadas por espécies introduzidas.
Assumindo assim incertezas mas assumindo também as inúmeras espécies reconhecidamente invasoras, segue-se uma breve descrição de algumas das mais problemáticas e causadoras de uma intensa descaracterização nas formações naturais desta ilha. Assinala-se que algumas destas invasoras são comuns a várias ilhas, eventualmente mais agressivas numa determinada ilha que noutra. Existem espécies que sendo extremamente graves estão confinadas a uma só ilha, como por exemplo a Clethra arborea que existe apenas na ilha de S. Miguel.
(In Quercus)
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Na edição deste jornal de 21 de Março de 2009, é referido como sendo palavras do Secretário do Ambiente, que o Incenso já foi utilizado em tempos como combustível mas “hoje não tem utilidade nenhuma”.Como responsável técnico pelo sector apícola da Fruter, sinto-me na obrigação de humildemente comentar esta frase e tentar pelo menos dar a conhecer ao Secretário do Ambiente e aos criadores do PRECEFIAS (Plano Regional de Erradicação e Controlo de Espécies de Flora Invasora em Áreas Sensíveis) que o Incenso de facto tem afinal alguma utilidade. Como sabemos, a entrada em vigor do plano implicará um investimento de centenas de milhares de euros que terá como objectivo a manutenção do património genético endémico dos Açores e também, segundo elementos do governo, trará benefícios económicos à região nomeadamente no que concerne ao turismo ecológico.Sabe-se também, que as plantas exóticas, caso não sejam controladas e se tornem invasoras, reduzem a biodiversidade e afectam o equilíbrio ecológico. O que é necessário fazer é prevenir e evitar ou impedir a sua introdução, que até está regulamentada. O Incenso, que segundo o Centro Interdisciplinar da Universidade de Coimbra tem como estatuto legal em Portugal de planta invasora, apresenta uma enorme capacidade de atrair polinizadores, nomeadamente a espécie Apis melífera L. (abelha doméstica) calculando-se que seja responsável por cerca de 80% de toda a polinização entomófila (polinização efectuada por insectos). É óbvio, que o Pittosporum é uma espécie que deverá ser controlada de modo a permitir o desenvolvimento de outra vegetação, não comprometendo a biodiversidade, mas de forma alguma ser erradicada.Uma vez que o Incenso possui uma enorme capacidade para atrair polinizadores, as abelhas são seguramente os visitantes mais assíduos das suas flores que produzem um néctar maravilhoso que dá origem ao internacionalmente conhecido “Mel de Incenso”. É muito importante que se saiba que existe uma Denominação de Origem Protegida – “Mel dos Açores”, cuja origem floral é o Incenso e o Multiflora. Caso o Incenso seja erradicado, perder-se-á um produto açoriano certificado e enquadrado no universo dos produtos agro-alimentares açorianos de excelência. Segundo a empresa “Go To Market” (Food Bsiness Consulting), especialista em mercados alimentares, a D. O. P – “Mel dos Açores”, é hoje um “activo” alimentar de indiscutível interesse e potencial de inovação e valorização do mercado.O Incenso é uma planta cuja floração ocorre entre Janeiro e Março, altura em que a abundância de néctar é reduzida. É uma altura do ano em que as abelhas passam por um período crítico onde as fontes de néctar e pólen são escassas. Na necessidade de se alimentarem, aproveitam o Incenso e “fabricam” um dos méis mais apetecíveis de todo o mundo, sendo este quase um ex-líbris dos Açores, O MEL DE INCENSO.Seria muito importante que os nossos governantes dessem mais uma oportunidade à apicultura e condições para que os nossos apicultores não abandonem esta arte de criar abelhas. Não gostaria de terminar sem primeiro deixar mais um alerta: “Se as abelhas desaparecerem da face da Terra, ao homem apenas restam quatro anos de vida. Não há abelhas, não há polinização, não há plantas, não há animais, não há homem." Esta célebre e apocalíptica frase é atribuída ao grande cientista Albert Einstein. Também o grande Engenheiro e apicultor Vasco Correia Paixão disse que um sábio norte-americano declarou que a riqueza em mel e cera, produzida pelas abelhas nos E.U.A, nada é em comparação com os serviços que elas prestam na fecundação das plantas, indispensável à formação dos frutos. As abelhas são, na realidade, responsáveis pela polinização de milhares de espécies de flores, garantindo o sucesso de um sem-número de colheitas agrícolas essenciais para a alimentação humana.