quarta-feira, janeiro 21, 2009

Crítica a Gonçalo Pereira do National Geographic

João Pedro Barreiros

Na revista do DI publicada no passado dia 21 de Dezembro surge, na íntegra, a anunciada entrevista com o insigne Director da National Geographic Portugal, o Sr. Gonçalo Pereira. Umas semanas antes, durante a apresentação dos trabalhos do Sr. Paulo Henrique Silva, o CD-ROM e a inauguração da exposição de fotografias – belíssimo ensaio estético sobre as Ilhas Selvagens – a que assisti na Galeria do IAC, foi com um misto de expectativa e descrença que esperei pelas palavras com que Gonçalo Pereira iria presentear a assistência. Ao fim da primeira frase percebi que o dito Gonçalo Pereira, sob a capa emblemática da National Geographic, apenas teceria algumas banais considerações, nas quais demonstrou não fazer a mínima ideia dos conceitos com que quis “embelezar” a sua fala. De facto, Gonçalo Pereira falou de ambiente sem saber o que isso é, de ecologia pensando em ecologistas, de mudanças climáticas com a leviandade ignara de quem atribui à camada de ozono e ao degelo na Groenlândia a perda de uma colheita de melões porque caiu granizo em Agosto e de biodiversidade quando deveria dizer riqueza, fala de espécies quando nem deve saber lá muito bem o que é, de facto, uma espécie, e debita outros dislates disparatados de quem tenta dissertar sobre algo que, profundamente, desconhece. A culpa não é dele, é de quem o convenceu de que ele até sabe de alguma destas coisas porque um dia foi nomeado Director da NG Portugal.
Mas depois veio a entrevista e aí, Gonçalo Pereira demonstra, preto no branco, que se Chris Johns, o Editor in Chief da revista “Mãe”, o tivesse lido estaria o pobre Gonçalo a estas horas à procura de outro emprego, de preferência um em não fosse autorizado a abrir a boca. Talvez como estátua humana ou mimo na Rua Augusta.
Para além dos sucessivos disparates com que explica os critérios que devem ou não levar à publicação de um artigo sobre este ou aquele tema, às vezes roçando um ou outro absurdo mais mercantilista, atreve-se o pobre Gonçalo a disparatar ainda mais sobre a Universidade dos Açores e o seu Reitor.Começa por se referir à perda de alunos insinuando que a UA está na cauda dos que mais perdem quando é precisamente ao contrário e estamos neste momento no ano lectivo em que há mais alunos na UA. Depois ataca a tripolaridade sem se ter dado ao esforço de fazer um pouco do trabalho de casa e sem sequer imaginar o que é de facto a tripolaridade – futura multipolaridade – da UA. Refere-se ao DOP, às geociências e ao Dpt. de Biologia como aqueles departamentos que “têm investigadores com provas dadas” – aqui tenho mesmo de fazer um parêntesis para tentar deixar bem claro que o Sr. Gonçalo Pereira não faz a mínima ideia nem sequer do que é fazer ciência quanto mais opinar sobre “investigadores com provas dadas” – e culmina com uma crítica ao Reitor, que só pode ser efeito de uma espécie de alucinação, insinuando que o facto de o mesmo não ser da área, como ele diz, das “Ciências da Natureza” lhe dará uma menor percepção para as oportunidades de investigação!O Sr. Gonçalo Pereira, encovando o pedunculado berlinde que lhe serve de apêndice nasal na bojuda papada que lhe prolonga os beiços e o queixo, não tem qualquer tipo de competência e/ou conhecimento, como foi escrito pelo Reitor da UA, para opinar sobre nenhum Reitor de nenhuma Universidade. A este ponto eu acrescentaria que também não a tem para opinar nem sobre um Vice-Reitor, nem sobre um Pró-Reitor, nem sobre o contínuo que distribui o correio.
Sou assinante da National Geographic desde 1980 e, pontualmente, compro um ou outro número da edição portuguesa ou de outras edições por esse mundo fora. É uma revista importante, emblemática e uma referência mundial de divulgação científica. Porém, essa capa não pode nem deve abrigar personagens que debitam boçalidades como as frases que Gonçalo Pereira babou. Gonçalo Pereira mostrou ser indigno de estar associado a uma revista com aquele nome ou então a National Geographic Portugal não sabe (ou não consegue) encontrar um Director digno desse cargo.

(In DI-Revista)

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terça-feira, dezembro 23, 2008

National Geograohic - Ilhas Verdes

Como é que a National Geographic vê os Açores?
O director da edição portuguesa da revista, Gonçalo Pereira, considera que a imagem do arquipélago que “vende” é a de laboratório de projectos pioneiros a nível nacional, e, sobretudo, a de Região em harmonia com o Ambiente. Os leitores não se cansam de nós, garante.
Veio à Terceira dar uma conferência intitulada “Os Açores vistos pela moldura amarela”. Como é que a National Geographic vê o arquipélago?
Eu comecei por preparar essa conferência visitando os arquivos históricos da National Geographic e fiquei intrigado. Desde muito cedo - a revista começa a aparecer em 1888 – os Açores interessam a National Geographic. A primeira reportagem é de 1919. Imagino que o fluxo de emigração tivesse justificado esse interesse e também por ser um ponto no Atlântico de paragem para rotas de barcos e, mais tarde, de hidroaviões. Nos primeiros trabalhos a visão é muito etnográfica. Vem-se cá e fotografa-se as largadas de touros da Terceira, o milho e o chá em São Miguel… Mais tarde começa-se a olhar para os Açores com outros olhos. As peças são menos culturais, muito mais científicas: A primeira grande é sobre os Capelinhos, porque há um pretexto forte. A actividade dos baleeiros começa também a ser tratada. É quando aparece a National Geographic Portugal, em 2001, que começamos a olhar para os Açores de outra maneira. Somos portugueses escrevendo para portugueses, a etnografia perde relevância e procuramos outro tipo de coisas nos Açores. Noventa por cento dos materiais que publicamos sobre os Açores são já de pendor científico. O que nos interessa é a Ciência e o Ambiente, e o que tem sido feito de pioneiro nesta Região. Há cinco, seis áreas às quais temos dedicado especial atenção.
Quais são essas áreas em que considera que os Açores são pioneiros?
A biologia marinha, é de longe um dos ex-líbris. Uma das áreas mais reconhecidas da Universidade dos Açores é o Departamento de Oceanografia e Pescas. Ainda ligada ao mar, uma segunda área à qual temos dedicado especial atenção é a Oceanografia no sentido mais lato, ou seja, fontes hidrotermais, montes submarinos, esse tipo de tema. A terceira área é a vulcanologia/geologia. O Açores são a primeira região do país que tem uma carta de geo-monumentos, do Observatório de Vulcanologia. Isto transmite uma mensagem de que os bens geológicos, embora não tão próximos, justificam atenção. Depois, confesso que temos uma lacuna na área do Património construído e da História. Aí, quem tem feito alguma coisa tem sido o canal National Geographic.
A que se deve essa ausência de tratamento do tema Património/ História?
Estou a falar com uma jornalista e, certamente, vai perceber-me melhor que muitos dos leitores… É difícil encontrar valores noticias, âncoras para trazer outra vez para as notícias esse tema. Os leitores querem saber o que há de novo em termos de Património. Ao apanharmos - e essa é uma das ideias que está em cima da mesa - um número redondo como o dos 25 anos de classificação do centro histórico de Angra, essa é uma solução. Outra serão projectos de recuperação… Mas é difícil arranjar âncoras para ir buscar o que está imóvel há anos e anos. Sei que a maior parte das pessoas, sobretudo as ligadas à área, tem dificuldade em aceitar isso, mas o jornalismo opera com valores diferentes.
Mesmo assim, sentem que existe colaboração das instituições locais no sentido de fazerem chegar informação à vossa revista?
Temos colaborado com várias instituições, quer universitárias, quer ONGs, como é o caso dos Montanheiros. Eu diria que se começámos a publicar um pouco mais de peças sobre Património, também teríamos outro diálogo, outro fluxo de informação com as instituições culturais. Até agora não temos recebido muita informação das instituições locais sobre este tema, mas devo dizer que também não a temos procurado muito. É o velho círculo vicioso… Há áreas com sombra, que estamos a esquecer, a primeira é a do Património, outra será a da exploração e aventura, sobretudo aqui na Terceira. São temas a cobrir no futuro.
Pode-se dizer que os Açores são interessantes?
Os leitores têm uma apetência enorme para esta Região. Não há nenhum tema publicado sobre os Açores em relação ao qual não tenhamos recebido cartas de elogio, não só de pessoas que cá vivem e que se sentem reconhecidas, como de outras, que passaram por cá. Os Açores deixam uma marca muito duradoura.
Porquê essa imagem duradoura?
Porque não há Região no país onde haja tanta oferta de exploração, desde o património histórico, até à biologia e vulcanologia. Talvez vocês aqui não tenham noção de quão especiais são… Era perfeitamente possível, embora exaustivo, fazer uma reportagem por mês sobre uma especificidade dos Açores e chegar ao fim do ano e não ter repetido nenhuma. Há muita coisa aqui que as pessoas gostam de ler.
Qual é a imagem que sente que os leitores têm dos Açores? É a da Região verde?
A questão ambiental é, de longe, a que chama mais atenção. A questão geológica/vulcanológica é para uma minoria. É muito difícil fazer alguém gostar de rochas. O património cultural está no fundo da lista. Ainda haverá alguma etnografia até se chegar à ideia dos Açores como Património.
Isso contraria aquilo que diversos entendidos e personalidades ligadas à política e turismo na Região tem vindo a defender: Que o Património será uma das portas para o turismo…
Até aqui imagino que a aposta no turismo de natureza tenha sido bem sucedida. Provavelmente, haverá alguma aposta a fazer na área do Património, sobretudo quanto a Angra. Mas o que vende é a imagem do arquipélago verde. Surpreenderia muito as pessoas se fizesse uma capa que não estivesse ligada a isso. O que nos transporta para a interrogação sobre se essa imagem corresponde à realidade…
E corresponde?
Criam-se muitos mitos, e depende muito dos óculos com que olhamos para a realidade. Faço um balanço extraordinariamente positivo do mandato que terminou esta secretária regional do Ambiente. Foram feitas duas coisas que o Continente deveria seguir: A nível de classificação e consolidação de áreas protegidas, com a Rede Natura 2000 e o passo mais pujante, que é o das áreas marinhas protegidas. O único exemplo que existe no Continente é polémico e controverso, o da Arrábida. Dizendo isto, falta uma fase tão importante como a primeira, que é a da fiscalização e de garantir que esses bens não são delapidados. Aí há muito trabalho a fazer.
Não se esgota na classificação…
Sim, temos muito a ideia de que o trabalho acaba quando os diplomas são publicados, mas não é assim. Há notícias de abusos nos Açores, como as há do resto do país. É necessário entrar numa segunda fase e fazer um investimento forte em vigilantes. As zonas não podem ser apenas demarcadas, têm de ser fiscalizadas.
“Não faço um balanço positivo deste reitor”
Os Açores têm condições para ser o “laboratório” do país?
Em muitas áreas já o são, com a Oceanografia e Pescas logo à cabeça. Agora, a Universidade dos Açores têm muitos problemas, que conhecem melhor do que eu. Ainda assim, existem duas ou três áreas em que isso já acontece.
Na sua opinião quais são os principais problema da Universidade dos Açores?
Por onde é que eu começo? A perda de alunos é um sintoma enorme. Há várias instituições pelo país fora a perder alunos, fenómeno relacionado com questões demográficas, mas nenhuma com a percentagem com que isso está a acontece na UA. Penso que isto deve fazer tocar a sineta de alarme. E a questão dos pólos é, imagino, muito pouco prática.
Tem-se defendido que os três pólos são uma forma de descentralizar…É claro que sim, obviamente, mas causam problemas de concertação de esforços, de sobrecusto e, muitas vezes, até de duplicação de informação. Os pólos têm também muito pouca autonomia financeira. Esse é o terceiro principal ponto: A questão financeira, que começa, imagino, a reflectir-se na própria produção científica. Uma vez mais o Departamento de Oceanografia e Pescas teve um enorme mérito, sobretudo por se ter conseguido destacar, mas também por se conseguir alhear um pouco do financiamento estatal português e ir buscar financeiro europeu e internacional. Isso tornou este departamento um órgão à parte.
Pode-se dizer que há o Departamento de Oceanografia e Pescas e depois a Universidade dos Açores?
Eu diria que sim. Com todo o respeito pelas geo-ciências ou pela biologia, que têm investigadores com provas dadas.
Como se podiam solucionar esses problemas?
Faz-me alguma confusão que o reitor de uma universidade tão marcada, pelo menos na visão que tenho dela, pelas Ciências da Natureza, não venha dessa área. Acho que isso provoca uma menor percepção para as oportunidades que a investigação em Ciências da Natureza permite. O balanço que faço deste reitor não é particularmente favorável. Não disponho de todos os elementos, e isso é importante que seja frisado, mas acho que há muito pouca sensibilidade para as oportunidades no campo da investigação, nos vários ramos das ciências da natureza.
O que é que a Universidade dos Açores podia ser idealmente? O motor para que os Açores se transformassem no “laboratório” de que falávamos?
Podia estar mais ligada à sociedade civil e ter um relacionamento mais estreito com a comunidade empresarial, dedicando-se a projectos de ciência aplicada mais frequentemente. Há aqui no Departamento de Ciências Agrárias coisas que são muito interessantes. Aí, se calhar, para não ser injusto, são as Ciência Agrárias, no aspecto da ligação com a comunidade empresarial, de longe que dão cartas. São os únicos que parecem integrar essa importância de produzir ciência também em função da sua aplicabilidade. O pólo da Terceira, com exemplos muito evidentes, tem feito essa ponte que outros departamentos não fazem, ou fazem pouco. Embora exista margem para fazer ciência pura, claro... Não estou a sugerir que toda a ciência seja aplicada. Agora, numa universidade que se quer moderna e relativamente recente no contexto português, com umas meras três décadas, é relevante articular-se melhor com a sociedade civil.
O que se pode esperar ver publicado na revista National Geographic, sobre os Açores, num futuro próximo?
Há planos para fazer algo sobre os 25 anos do centro histórico de Angra como Património Mundial e explorar mais a vertente da aventura e actividades de exploração da natureza, no que diz respeito à Terceira. E há os Açores como região científica e ambiental, que estarão sempre presentes.
(In DI Revista)

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quinta-feira, dezembro 18, 2008

Reitor da UA responde a críticas do director da National Geographic

“A área de que vem um reitor é completamente irrelevante”. A frase é do reitor da Universidade dos Açores (UA), Avelino Menezes, em resposta às declarações do director da edição portuguesa da revista National Geographic, que, em entrevista a DI, afirmou que, numa instituição de ensino tão direccionada para as Ciências da Natureza como a UA, é prejudicial que o reitor não tenha formação nesta área.“O importante é que temos sensibilidade para as oportunidades que vão surgindo e penso que a Universidade dos Açores tem apresentado um desenvolvimento sustentado. O Departamento de Oceanografia e Pescas, projectos em ciências agrárias na Terceira e em São Miguel, e o que fizemos na área da Vulcanologia demonstram-no”, responde Avelino Meneses.O reitor da academia açoriana faz questão de frisar que não conhece Gonçalo Pereira e considera que este não dispõe “de certeza, de elementos suficientes para fazer o balanço de um reitor, de qualquer universidade portuguesa”.
TripolaridadeQuanto a uma das principais críticas lançadas pelo director da edição portuguesa da National Geographic, a de que a tripolaridade pode provocar problemas de sobrecusto, má organização e duplicação de informação, Avelino Meneses afirma que “isso apenas vem conformar que este não conhece aquilo sobre o que está a falar”.“A tripolaridade é indispensável e é o sistema que se conjuga com a nossa própria história e o carácter da nossa geografia”, reitera.Avelino Meneses não recua nem um passo na confiança que deposita neste modelo: “Cada vez mais, o nosso objectivo é caminhar da tripolaridade para a multipolaridade, reforçando a nossa presença em várias ilhas”, garante.Já em relação a outra das críticas de Gonçalo Pereira que considerava a perda de alunos da instituição como algo que “devia fazer soar a sineta de alarme”, Avelino Meneses responde que esse decréscimo é “completamente falso”.“Neste último ano, aumentámos o nosso número de alunos para 3900, o valor máximo em toda a nossa história. Em 2003, quando entrei, preenchíamos 55 por cento das vagas na primeira fase, este ano preenchemos 86 por cento”, avança, disponibilizando-se para “esclarecer as dúvidas de Gonçalo Pereira em relação à UA”.
(In Diário Insular)

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quarta-feira, dezembro 17, 2008

Açores são região do país com maior cobertura na National Geographic

O secretário regional do Ambiente e Mar valorizou a circunstância dos Açores serem a região do país com maior cobertura na edição portuguesa da National Geographic, garantindo o apoio do Governo a iniciativas de divulgação do arquipélago. No final da palestra “Os Açores vistos pela moldura amarela” que trouxe sábado à noite, a Angra do Heroísmo, o director da publicação, Álamo Meneses referiu tratar-se de “uma excelente forma de promoção interna e de projecção externa da temática ambiental e geográfica dos Açores”.
“A National Geographic é uma revista de grande expansão a nível nacional, mas com um grande exponencial a nível internacional já que uma parte dos seus artigos são permutados entre as diversas edições internacionais”, disse.
O encontro, promovido pela Ecoteca de Angra do Heroísmo, com o patrocínio da Secretaria Regional do Ambiente e do Mar e de “Os Montanheiros”, reuniu diversos investigadores, especialistas, entidades oficiais e público em geral.
O director da National Geographic,l cuja edição tem portuguesa uma circulação de 60 mil exemplares e 300 mil leitores, destacou que entre os artigos publicados sobre os Açores estão a biologia marinha, a oceanografia, a ornitologia e a vulcanologia/geologia.
Gonçalo Pereira reafirmou o interesse da publicação em artigos científicos, projectos de investigação, ilustrações de qualidade, eventos e efemérides sobre os Açores, apelando, para tal, à divulgação dos mesmos, junto da revista, pelos investigadores regionais, organismos oficiais e Universidade dos Açores.
A primeira referência aos Açores na National Geographic surgiu em 1919 com a cobertura do primeiro voo transatlântico, que retratou os fluxos de emigração, a etnografia, dando posteriormente maior relevo à importância geopolítica da região.
A reportagem sobre a erupção do vulcão dos Capelinhos, no Faial, em 1958, registou o primeiro artigo de carácter científico sobre as ilhas numa edição que, na altura, contava apenas com distribuição nos Estados Unidos, sendo criada em Abril de 2001 a primeira edição portuguesa da revista.
(In Gov.pt)

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Instituto Açoriano de Cultura apresentou Ilhas Selvagens

O mais recente projecto de Paulo Henrique Silva, ILHAS SELVAGENS 30º 08’ N 15º 54’ W, que deu origem a um CD áudio-multimédia (numa co-edição do Instituo Açoriano de Cultura, da Universidade da Madeira e d’Os Montanheiros) e a uma exposição de fotografia (produzida pela Direcção Regional de Cultura, no âmbito do Projecto Mediat), foi apresentado, Sexta-feira passada, pelas 18h30, na Galeria do IAC. A apresentação destes conteúdos culturais (CD áudio-multimédia e exposição de fotografia) foi feita por Gonçalo Pereira, Director da National Geographic Portugal, que tem seguido os trabalhos de Paulo Henrique Silva na área do património cultural e natural e que, inclusivamente, participa com um texto da sua autoria tanto na edição multimédia como na exposição de fotografia.

O CD e a exposição ILHAS SELVAGENS 30º 08’ N 15º 54’ W de Paulo Henrique Silva resultam de uma solitária e prolongada estada do autor nestas ilhas para observação e registo da fauna e flora deste território de grande riqueza no contexto do Património Natural da Macaronésia e integra registos fotográficos, vídeo e áudio, para além de textos diversos. Segundo o autor “este trabalho constitui uma ferramenta importante para o conhecimento, promoção ambiental e monitorização da vida selvagem terrestre dependente dos oceanos. A utilização dos meios tecnológicos actuais ao serviço da multimédia faz deste projecto um documento único e inédito sobre um pequeno grupo de ilhas perdido na imensidão do Atlântico, representando um alerta para a protecção e monitorização de lugares como este.” Para Jorge A. Paulus Bruno, Presidente da Direcção do IAC, que desde logo apoiou o autor na realização deste projecto, “Paulo Henrique Silva tem desenvolvido projectos que têm merecido ao IAC a maior atenção, não só pela responsabilidade com que os realiza, como pela qualidade e interesse dos seus conteúdos e ainda dos temas que são abordados. Desta sua viagem resultaram um CD áudio-multimédia, nos Açores co-editado pelo IAC e pelos Montanheiros, e uma exposição de fotografia da responsabilidade da Direcção Regional da Cultura (Projecto Mediat), que o IAC tem agora a grata oportunidade de apresentar conjuntamente na sua Galeria. ”Paulo Henrique Gomes da Silva nasceu na ilha Terceira, Açores, em 1971. Iniciou a sua actividade profissional como técnico de som em 1987 no Rádio Clube de Angra, e está desde 1988 ao serviço da Antena 1 Açores nos estúdios em Angra do Heroísmo. Desde 2001 tem vindo a dedicar grande parte do seu tempo à pesquisa e recolha das tradições orais dos Açores. Algumas das suas recolhas foram utilizadas por grupos musicais nacionais e estrangeiros. Foi responsável pelas gravações do CD À Viola, editado em memória de José Luís Lourenço, e pelos trabalhos de digitalização e restauro de som do CD José da Lata - O Pastor do Verbo, editado pela Direcção Regional da Cultura. É autor do duplo CD Tradições Orais – Corvo, São Jorge e Terceira, editado pelo IAC-Instituto Açoriano de Cultura. Gravou e ilustrou com som de ambientes naturais dos Açores o CD Horizontes da Tranquilidade, da poetisa da Póvoa do Varzim, Benedita Stingl. Foi responsável pela criação do Ecomuseu-Núcleo Museológico dos Altares, sendo autor da exposição fotográfica permanente e dos documentários em vídeo sobre aquela freguesia rural da ilha Terceira. Foi convidado a participar, com imagens sobre a flora endémica dos Açores e em parceria com Paulo Barcelos e Victor Hugo Forjaz, no Atlas Básico dos Açores, editado pelo Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores. É autor do livro de fotografia O Vulcão de Santa Barbara, editado pelo IAC-Instituto Açoriano de Cultura e pela Associação Os Montanheiros, bem como da Instalação de som e imagem intitulada A Madrugada das Cagarras, que incluiu a publicação de um CD áudio multimédia com edição do Museu de Angra do Heroísmo e da Ecoteca da Ilha Terceira. Passou um mês nas Ilhas Selvagens, entre Maio e Junho de 2008, com objectivos conservacionistas e de promoção ambiental a registar a fauna e flora existente naquele sub-arquipélago.
Paulo Borges e Félix Rodrigues, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, aconselharam o autor do trabalho anteriormente referido, nalguns aspectos científicos.
(in viaoceanica.com)

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terça-feira, dezembro 16, 2008

Opinião do Director da National Geographic sobre a Universidade

Universidade dos Açores não está a aproveitar as oportunidades disponíveis no campo da investigação na área das Ciências da Natureza. Quem o diz é o director da edição portuguesa da revista National Geographic, Gonçalo Pereira, que acredita que muita da responsabilidade passa pelo actual reitor da academia açoriana.
Os Açores têm condições para ser o “laboratório” do país?
Em muitas áreas já o são, com a Oceanografia e Pescas logo à cabeça. Agora, a Universidade dos Açores têm muitos problemas, que conhecem melhor do que eu. Ainda assim, existem duas ou três áreas em que isso já acontece.
Na sua opinião quais são os principais problema da Universidade dos Açores?
Por onde é que eu começo? A perda de alunos é um sintoma enorme. Há várias instituições pelo país fora a perder alunos, fenómeno relacionado com questões demográficas, mas nenhuma com a percentagem com que isso está a acontece na UA. Penso que isto deve fazer tocar a sineta de alarme. E a questão dos pólos é, imagino, muito pouco prática.
Tem-se defendido que os três pólos são uma forma de descentralizar…É claro que sim, obviamente, mas causam problemas de concertação de esforços, de sobrecusto e, muitas vezes, até de duplicação de informação. Os pólos têm também muito pouca autonomia financeira. Esse é o terceiro principal ponto: A questão financeira, que começa, imagino, a reflectir-se na própria produção científica. Uma vez mais o Departamento de Oceanografia e Pescas teve um enorme mérito, sobretudo por se ter conseguido destacar, mas também por se conseguir alhear um pouco do financiamento estatal português e ir buscar financeiro europeu e internacional. Isso tornou este departamento um órgão à parte.
Pode-se dizer que há o Departamento de Oceanografia e Pescas e depois a Universidade dos Açores?
Eu diria que sim. Com todo o respeito pelas geo-ciências ou pela biologia, que têm investigadores com provas dadas.
Como se podiam solucionar esses problemas?
Faz-me alguma confusão que o reitor de uma universidade tão marcada, pelo menos na visão que tenho dela, pelas Ciências da Natureza, não venha dessa área. Acho que isso provoca uma menor percepção para as oportunidades que a investigação em Ciências da Natureza permite. O balanço que faço deste reitor não é particularmente favorável. Não disponho de todos os elementos, e isso é importante que seja frisado, mas acho que há muito pouca sensibilidade para as oportunidades no campo da investigação, nos vários ramos das ciências da natureza.
O que é que a Universidade dos Açores podia ser idealmente? O motor para que os Açores se transformassem no “laboratório” de que falávamos?
Podia estar mais ligada à sociedade civil e ter um relacionamento mais estreito com a comunidade empresarial, dedicando-se a projectos de ciência aplicada mais frequentemente. Há aqui no Departamento de Ciências Agrárias coisas que são muito interessantes. Aí, se calhar, para não ser injusto, são as Ciência Agrárias, no aspecto da ligação com a comunidade empresarial, de longe que dão cartas. São os únicos que parecem integrar essa importância de produzir ciência também em função da sua aplicabilidade. O pólo da Terceira, com exemplos muito evidentes, tem feito essa ponte que outros departamentos não fazem, ou fazem pouco. Embora exista margem para fazer ciência pura, claro... Não estou a sugerir que toda a ciência seja aplicada. Agora, numa universidade que se quer moderna e relativamente recente no contexto português, com umas meras três décadas, é relevante articular-se melhor com a sociedade civil.
(In Diário Insular)

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