sexta-feira, setembro 04, 2009

Inspecção nas vinhas dos Biscoitos

Na companhia de Isabel Alexandra Teixeira de Venido Carvalhais, estudante de doutoramento na área de reprodução animal no Departamento de Ciências Agrárias de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, entraram no território “Da Resistência”, Rosa Maria Jorge Martins, Prof. do 1º Ciclo, e Luís António de Almeida Brandão da Silveira Viegas, Inspector IPO’S. De seguida deslocaram-se ao litoral da freguesia dos Biscoitos, tendo o Inspector Luís Viegas inspeccionado as típicas curraletas, as vinhas e uvas das castas “Verdelho dos Açores” e “Terrantez da Terceira”.

(in Bagos D'Uva)

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quarta-feira, julho 01, 2009

PÓNEI DA TERCEIRA

Quem ainda os recorda chama-os de cavalos médios, mas, de acordo com Artur Machado, professor da Universidade dos Açores, o nome zootécnico correcto é Pónei da Terceira. A verdade é que a olho nu parecem cavalos em ponto pequeno. E é precisamente essa característica que os distingue. Em tamanho são considerados póneis, uma vez que têm menos de 1,48 metros. No entanto, as suas características físicas são em tudo semelhantes às de um cavalo. “Uma das coisas que caracteriza estes póneis é que as suas proporções são muito correctas”, explica Artur Machado. Completamente diferentes dos póneis de origem celta, que apresentam pernas curtas e barrigas grandes, os póneis da Terceira ostentam “todos os pontos morfológicos de um cavalo de sela de grande categoria”. De acordo com o professor da Universidade dos Açores, estes animais distinguem-se pela “definição do garrote”, pela “proporção dos membros” ou mesmo pelas “inclinações das espáduas”. Natural da ilha de São Miguel, Artur Machado aprendeu a montar num pónei da Terceira. No entanto, quando os procurou anos mais tarde na ilha Terceira, ficou surpreendido com o número reduzido de animais que encontrou. “No início foi muito difícil. Fui encontrar para os lados da Serreta, para o Porto Martins e em Vale Linhares”, conta. O professor não tem dúvidas de que os proprietários têm conhecimento de que possuem “cavalos médios”, mas reconhece que muitos não lhes atribuem o devido valor. “Um bom pónei, hoje me dia, em Inglaterra por exemplo, vale mais do que um cavalo”, salienta. Segundo Artur Machado, o Pónei da Terceira surge de uma selecção continuada por parte dos terceirenses. Como estes cavalos de porte mais pequeno se apresentavam como mais lucrativos, os proprietários começaram a seleccioná-los e a cruzá-los entre si. “Há um fenómeno comum nas ilhas que é a selecção de animais de extremos”, aponta. Exemplos dessa tendência são as “vaquinhas do Corvo” de porte pequeno ou as “vacas do Ramo Grande” de porte grande. De acordo com o professor, esta selecção sofreu ainda um reforço no século XX, com a chegada à Terceira de um cavalo de origem berbere chamado Califa, que cobriu várias éguas na ilha e que apresentava as características do actual pónei. Os póneis eram requisitados na altura para transporte de mercadorias e pessoas ou mesmo para o trabalho na terra. Eram mais económicos para os proprietários por necessitarem menos comida do que um cavalo grande. O porte pequeno era procurado também pelo fácil maneio, que o tornava apto para diferentes tarefas. Com o passar do tempo o “cavalo médio” foi perdendo importância na ilha. O aparecimento de máquinas capazes de executar o mesmo trabalho fez com que os proprietários deixassem de seleccionar animais mais pequenos. Muitos cruzaram mesmo os póneis com cavalos maiores e a raça foi desaparecendo. “Cavalos pequenos há muitos, cavalos pequenos com aquelas características é que não”, explica. Artur Machado recorda que noutros tempos o pónei era requisitado até para outras ilhas. “A Terceira mandava póneis para São Jorge, para São Miguel, para a Graciosa…”, enumera. “Eles iam ganhando um nome, que se desvaneceu porque os terceirenses não foram tomando conta dele”, acrescenta. O professor assegura que, ainda hoje, o pónei é reconhecido na sua ilha de origem. “Se chegar a São Miguel no meio dos cavalos, as pessoas dizem: ‘Isso é um cavalinho da Terceira’”, aponta. Ainda que sem dados rigorosos, o professor estima que existissem na Terceira cerca de cinco mil cavalos entre 1930 e 1940. Artur Machado acredita que dois terços desse número fossem póneis. O professor guarda um certificado que prova a importância dos animais no início do século XX. O documento, datado de 1924, dá vitória, num concurso agro-pecuária da ilha, a uma égua preta com 1,11 metros de altura.
ANIMAL DE TRABALHO
Há cerca de dez anos conseguiu reunir três éguas e um garanhão. Começou a fazer criação e hoje conta já com um efectivo de mais de 40 animais. Uma das primeiras éguas pertencia a José Maria, de Vale Linhares. A idade avançada e a falta de tempo não lhe permitem continuar o negócio do pai, hoje em dia, mas José Maria recorda ainda os tempos em que o pai treinava cavalos para trabalhar a terra. Já nesse tempo, o treinador seleccionava os animais mais pequenos. “O meu pai sempre teve mais ou menos naquele estilo. Teve vermelhos lavrados e pretos lavrados”, revela. Para Artur Machado, as pelagens preta e vermelha lavradas são muito antigas, o que “dá uma indicação exactamente da antiguidade destes cavalos”. Quando questionado sobre o porquê da selecção, José Maria responde sem hesitação, como se a resposta fosse demasiado óbvia. “São mais atinados. Ruinzinhos, mas inteligentes”, revela. “A gente explica uma vez e eles atinam”, acrescenta. José Maria compara mesmo os cavalos às pessoas quando diz que os grandes são muito “molengões”. Das memórias da juventude, José Maria lembra um cavalo preto lavrado que o testou. “Ele surrou-me as pernas na parede para ver se me tirava de cima dele, mas eu dei-lhe uma pancada na orelha e ele percebeu que não era para fazer aquilo”, conta. “Eles são muito refinados”, acrescenta. O pai soube aproveitar da melhor forma as características dos póneis. Treinava os animais para trabalhar a terra, em vez de bois. Para José Maria, ainda hoje, os cavalos médios têm utilidade para um lavrador. “Há lugares pequeninos em que o tractor não entra”, defende. No entanto, empresário de restauração lembra que o pai não era o único a seleccionar animais mais pequenos. “Antigamente toda a gente os usava”, sublinha. José Maria recorda mesmo quem os utilizava para transporte de carroças, no tempo em que ainda não existiam carros e assegura que o tamanho dos animais não era um problema. “Aquelas bestas têm muita força. Pequeninos? Eles têm resistência maior do que um grande”, garante. José Maria não sabe explicar, no entanto, o porquê daqueles animais terem mais “rapidez”, “viveza” ou “inteligência”. Artur Machado também não tem uma explicação científica, mas considera que o facto de serem fruto de uma selecção, assim como o maior contacto com o homem de que desfrutaram podem ter contribuído para o assimilar destas características.
RECONHECER A RAÇA
Hoje, o professor acredita que o animal deverá ser utilizado noutras áreas. Artur Machado garante que o Pónei da Terceira tem grandes potencialidades a nível da equitação. Ao contrário do Garrano do Gerês, de origem celta, o Pónei da Terceira apresenta uma morfologia semelhante ao cavalo de sela, características que, de acordo com o professor, o tornam apelativo às escolas de equitação. De acordo com Artur Machado, países como Alemanha e Inglaterra já seguiram este percurso. Na Terceira, contudo, a raça foi desaparecendo. O professor começa já a dar os primeiros passos na introdução dos póneis nas escolas de equitação. Bentley, Nevão e Terrorista já fazem parte do leque de escolhas do Centro Hípico da Terceira. Fazem as delícias dos mais novos, que aprendem a montar em póneis e só depois passam para os cavalos. Segundo Artur Machado, para além da meiguice do animal que dá mais confiança aos alunos, as dimensões do pónei não são prejudiciais à saúde das crianças, ao contrário das do cavalo, que obriga os mais novos a fazerem um esforço reforçado na zona da anca. Para Artur Machado, a Junto com outros cinco investigadores da Universidade dos Açores, Artur Machado tenta não só aumentar o efectivo, mas também ver a raça ser novamente reconhecida. À semelhança do que fizeram para o Burro da Graciosa, os investigadores já realizaram estudos quer a nível biométrico, como genético e morfológico. Falta agora apresentarem uma candidatura à Fundação Alter Real. No entanto, os cerca de 40 póneis que possuem ainda não são suficientes para garantir a certificação. O grupo prende-se agora com outro entrave. O efectivo chega neste momento aos 40 póneis. O ano passado nasceram seis novas crias, este ano estimam-se que nasçam outras doze. De acordo com Artur Machado, tudo indica que o número de novos nascimentos venha sempre a aumentar, mas para manter o número actual os investigadores já têm de fazer um grande esforço. A alimentação só é possível com alguma “ginástica financeira” e o espaço arrendado numa quinta na Terra Chã começa a não ser suficiente. Para Artur Machado é “fundamental” reconhecer o “património genético de grande importância” do Pónei da Terceira. O professor lamenta, no entanto, a falta de reconhecimento do Governo Regional.
NOVAS POTENCIALIDADES
Há quem defenda que os cavalos podem ter uma função terapêutica. Artur Machado acredita que o Pónei da Terceira pode ser utilizado com o mesmo fim em crianças. Dada a sua estatura, o animal apresenta-se mais seguro aos pais e menos assustador para os mais novos. Cristina Romeiro adquiriu recentemente uma égua deste género. Não a conhecia pelo termo defendido por Artur Machado, mas escolheu-a pelas características da raça. Comprou-a para a filha de cinco anos. Na altura esteve indecisa entre o pónei e um cavalo maior, no entanto o mais pequeno transmitiu-lhe mais segurança. “A égua é muito mansa e pequenina”, conta. Cristina Romeiro lembra mesmo que a filha já chegou a passar por trás da égua sem que o animal se tenha assustado. “Não é fácil de ela se espantar”, acrescenta. O pónei come menos do que um cavalo. Um facto que pesa bastante menos na carteira da família e que também influenciou a escolha. Mesmo assim, a proprietária admite que hoje em dia é difícil encontrar animais com estas características na Terceira. No entanto, o motivo principal da compra começa agora a dar lucros. Cristina já nota melhorias na filha, desde que adquiriu a égua. A criança portadora de autismo criou laços com o animal, que a ajuda a desenvolver certas características. “Ela já está a tentar conduzir a égua sozinha”, revela a mãe. Segundo Cristina Romeiro, os cavalos acalmam as crianças autistas. Já o havia experienciado nas aulas de equitação da filha, agora regista-o com mais frequência em casa.

(in DI-Revista)

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domingo, junho 28, 2009

Effect of A-Tocopherol on in Vitro Production of Bovine Embryos

Realizou-se no dia 22 de Junho, pelas 10 horas, no Auditório do Pólo da Terceira da Universidade dos Açores, as provas de Mestrado em Produção Animal, requeridas pela licenciada Carla Andreia Freitas Marques.As provas foram avaliadas por um Júri presidido (por designação do Reitor) pelo doutor Joaquim Fernando Moreira da Silva, professor auxiliar da Universidade dos Açores, sendo vogais os Doutores Rosa Maria Lino Neto Pereira, investigadora auxiliar da Estação Zootécnica Nacional, Célia Costa Gomes da Silva, professora auxiliar da Universidade dos Açores, e António Eduardo Nobre Chaveiro, especialista em Reprodução Animal. As provas constaram da discussão pública, com crítica e defesa, de uma dissertação intitulada Effect of A-Tocopherol on in Vitro Production of Bovine Embryos.

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domingo, junho 14, 2009

Sustentabilidade da produção leiteira nos Açores (2)

José Estevam da Silveira Matos (*)


CAPÍTULO II - A DIMENSÃO ECONÓMICA (EFICIÊNCIA, COMPETITIVIDADE)
Embora os Açores apresentem uma estrutura de produção menos diversificada do que o resto do país, esta assenta nas suas vantagens naturais para a produção animal, através da pastagem. Como a vaca leiteira é o animal que melhor é capaz de transformar erva em alimento para os humanos, leite e carne, não espanta por isso que os Açores produzam cerca de 30% do leite nacional e que nele existam cerca de 100.000 vacas leiteiras e que o número total de bovinos ultrapasse o número de humanos – um caso raro no mundo.
Os ruminantes são capazes de utilizar dietas ricas em componentes fibrosos (forragens e subprodutos), não utilizáveis na alimentação humana. De entre todos os ruminantes o que transforma a erva da pastagem em proteína de elevado valor biológico com maior rentabilidade é, sem dúvida, a vaca leiteira. Este facto situa estas espécies numa posição muito vantajosa dentro dos sistemas de produção animal. Para além disso, existem razões geográficas, orográficas, climatéricas e económicas - diríamos que também culturais - para a opção pecuária e pela especialização na produção de leite nos Açores.
A produtividade da indústria regional de lacticínios representava apenas 61% da média nacional, facto que pode ser explicado em grande pela especialização da região em produtos com baixo valor acrescentado: essencialmente queijo flamengo e leite em pó.
Como factores limitantes à sustentabilidade do sector, na vertente económica, apontamos este facto, o de a maioria dos lacticínios produzidos terem um baixo valor acrescentado, havendo ainda uma insuficiente promoção e valorização nos mercados de consumo das muitas virtudes dos produtos lacticínios regionais. Destas virtudes salientam-se aspectos da composição química do leite influenciados pela dieta natural das vacas criadas nos Açores, em liberdade, num sistema mais de acordo com as novas regras do bem-estar animal.
No entanto velhas debilidades tardam em ser resolvidas: demasiada pulverização da propriedade falta de abastecimento de água potável e energia, refrigeração do leite, qualidade do leite etc.
Os tempos de instabilidadeOs tempos que correm caracterizam-se do ponto de vista económico por uma grande incerteza e instabilidade, fruto em primeiro lugar de uma grave crise financeira, que persiste, e que dá mesmo sinais de poder vir a agravar-se. Esta instabilidade tem vindo a repercutiu-se no mercado do leite, com diminuições acentuadas dos consumos, principalmente do queijo e do leite em pó, com descidas acentuadas do preço do leite ao produtor. Os preços médios do leite pagos ao produtor na União Europeia atingiram mesmo o patamar mais baixo dos últimos 10 anos. Esta situação diminui a margem de competitividade dos lacticínios açorianos face à concorrência europeia e global e a manter-se a tendência verificada nos preços internacionais tal só poderá significar uma baixa acentuada dos preços do leite à produção no futuro mais próximo.
A RESPOSTA POSSÍVEL E DESEJÁVELUM MODELO SUSTENTÁVEL DE PRODUÇÃO A APOSTA NA DIFERENCIAÇÃO E NA DIVERSIFICAÇÃO NA TRANSFORMAÇÃO
Tenho vindo a defender, junto da lavoura açoriana, a necessidade de esta apostar num modelo mais sustentável da produção de leite, baseada principalmente na erva das nossas pastagens, em detrimento de uma produção de leite feita com concentrados, necessariamente importados, cujo preço não controlamos. Uma vez que vaca leiteira entrou hoje em competição directa com os automóveis e a razão preço do leite pago ao produtor, preço do concentrado, e a resposta produtiva esperada em função dos suplementos de cereais, faz com que esta nossa defesa ganhe hoje mais força ainda.
A vaca é um ruminante (por vezes esquecemos este pequeno grande detalhe!), uma máquina de 4 estômagos perfeita para transformar aquilo que não conseguimos comer, erva, em alimentos ricos e saborosos, leite e carne, aproveitando assim, indirectamente a energia solar captada pelas plantas através da fotossíntese.
Para que se disponibilize aos animais o máximo de erva possível e ao preço mais baixo, há que manejar melhor a pastagem, escolhendo-se as cultivares melhor adaptadas, mais ricas do ponto de vista energético (com mais açúcares), em pastagem consociada com leguminosas, garantindo-se o máximo de fixação natural de azoto, usando-se bactérias melhor adaptadas aos nossos solos ácidos.
Mas a produtividade e o rendimento são o produto de uma trilogia:PRODUTIVIDADE = GENÉTICA X ALIMENTAÇÃO X MANEIO
A exploração de animais melhor adaptados à produção de leite a partir da erva deve condicionar as opções genéticas, numa lógica de maximização da produção de sólidos por hectare em detrimento da produção individual, maximizando-se o encabeçamento. A opção por raças produtoras de maior quantidade de sólidos, ou de cruzamentos destas com a raça "holstein", garantem não só uma maior produção por hectare, através de um maior encabeçamento, mas também, no caso dos animais híbridos, a avaliar pelo exemplo da Nova Zelândia, um maior rendimento, fruto também de uma maior longevidade dos animais, maior resistência às doenças, maior fertilidade, maior rusticidade, maior eficiência económica.
Vender melhor ou produzir mais?Mais do procurar aumentar o rendimento dos agricultores incentivando-os a produzir mais, numa lógica produtivista, feita à custa de imputes importados, cujos preços não controlamos e nem sempre geradores de maiores rendimentos para o agricultor, importa vender melhor, produtos de elevada qualidade e de maior valor acrescentado, aumentando a rentabilidade dos sistemas mais sustentáveis de produção, através de mais conhecimento e de tecnologias apropriadas, numa lógica de sustentabilidade. Mais que a produção física, o sector precisa de intensificar o seu valor, apostando na diferenciação, na inovação ao nível da oferta e na comercialização dos produtos, na qualificação dos recursos e na sustentabilidade.
Os produtos com selo, com garantia de uma origem controlada, ilustram a formalização de novo paradigma na produção alimentar. Em nossa opinião os produtos da nossa agricultura e da nossa pesca, deveriam ser comercializados com a identificação de “Produzido nos Açores” defendendo-se a todo o custo que este rótulo esteja sempre ligado a uma imagem de qualidade, de mais natural, de segurança, de mais nutritivo. Mas, com maior agressividade, fazendo uso de técnicas de marketing modernas, explorando bem os mercados que nos ficam mais à mão: Lisboa; Madeira; Canárias e o mercado da saudade.
E porque estamos em ilhas, forçoso será pensar em transportes a preços mais acessíveis, bem organizados, pensados também numa lógica de exportação dos nossos produtos e não apenas da importação dos bens de consumo. Mais do que subsidiar a importação de cereais e adubo de outras paragens, importará mais fazer o inverso, subsidiando o transporte dos bens a exportar. Este é o grande desafio a colocar à comunidade europeia na negociação do POSEIMA.
E SEMPRE A QUALIDADE DA MATÉRIA-PRIMA
Os indicadores de qualidade apontam para níveis de cumprimento relativamente aos parâmetros de higiene do leite satisfatórios, embora em algumas das ilhas haja que fazer um maior esforço nesta vertente. Destacamos pela positiva o caso da Ilha de S. Jorge, que produz um leite de excelente qualidade, talvez o melhor leite do país, graças ao esforço efectuado pelas cooperativas locais, produtoras do queijo DOP S. Jorge. Este deveria ser claramente um exemplo a seguir pelas restantes ilhas.
O POTENCIAL DE DIVERSIFICAÇÃO PELA INOVAÇÃO
Como referimos anteriormente os lacticínios açorianos tem baixo valor acrescentado, havendo ainda uma insuficiente promoção e valorização dos seus produtos de referência com qualidade diferenciada, como os 2 queijos regionais DOP, a manteiga e o leite líquido UHT. O queijo S. Jorge representa, em quantidade, cerca de 60% da produção total nacional de queijos DOP, mas é aquele que apresenta a menor cotação no mercado, ao que não será alheio o facto de ser um queijo de vaca, tradicionalmente menos valorizado que os queijos fabricados com leites de cabra e ovelha. O “Queijo do Pico”, não tem registado, infelizmente, produção e comercialização, o que o coloca à beira da extinção, justificando-se um esforço especial e urgente no sentido de o preservar.
Um dos dramas da comercialização dos lacticínios dos Açores é - uma vez que cerca de 87% do leite é constituído por água - fazer face aos custos de transporte para os seus principais mercados, sobretudo para Lisboa. Daí que a opção seja a concentração em matéria sólida e que não seja de espantar que mais 80% dos lacticínios dos Açores sejam constituídos por sólidos do leite: queijo (52,6%), essencialmente queijo flamengo, e leite em pó (27,5%), o mais pobre dos lacticínios em termos de valor acrescentado e o mais dependente de energia fóssil. Será isto sustentável? Claro que não! Aumentos bruscos do preço da energia, como recentemente aconteceu, poderão colocar em causa de um dia para o outro a sustentabilidade económica desta indústria.


Ora, uma forma de absorver no produto os custos de transporte será acrescentar-lhe mais valor, inovando, diversificando, fraccionando-o. Existe certamente um grande potencial para produzir novas variedades de queijo, produtos fermentados do leite, sobremesas, leites modificados, gelados, lacticínios destinados a grupos específicos de consumidores: pediátricos, geriátricos, para grávidas, jovens em crescimento, atletas, etc.
Os gelados, considerados em alguns países um produto “dairy”, são o lacticínio com maior taxa de crescimentos no seu consumo e maior valor acrescentado Dada a preocupação com o fenómeno da obesidade e com as doenças nutricionais, há a necessidade de desenvolver novas variedades “light”, por exemplo, a partir do iogurte, do soro em pó, com incorporação de frutos locais, com flora activa - mais adequados a uma nutrição equilibrada, em particular dos jovens, sem lhe retirar o prazer no momento de consumo.
O consumo de leites suplementados ou modificados, pela adição de minerais (Cálcio); ácidos gordos (omega3; CLA); vitaminas (Ex.:vitamina D); com flora activa (Por ex. Lactobacillus acidophilus, no leite dito acidófilo); extracto de plantas (aloés); leite achocolatado, rico em proteínas do soro (lactoalbumina; lactoglobulina; lactoferrina) tem vindo aumentar nos últimos anos. Estes processamentos tendem a acrescentar muito valor à matéria-prima, viabilizando o suporte dos custos a grandes distâncias.
Outra forma de acrescentar valor será através de novas embalagens, mais apelativas, fraccionando-se o produto, em doses individuais, adequadas à confecção de pratos rápidos. São exemplos o queijo fatiado; ripado; ralado; os iogurtes bicompartimentados; o leite chocolatado enriquecido, em embalagem em dose individual e de fácil consumo.
Os produtos com selo DOP ou IGP (Indicação Geográfica Protegida) acrescentam valor comercial aos alimentos, pois o consumidor relaciona facilmente estes produtos com a imagem cultural e ambiental de uma determinada região, garantia de virtudes relacionadas com as origens, as raízes, uma certa forma de fazer mais natural, por isso mais genuína! O conceito, recente, de Indicação Geográfica Protegida (IGP) denominada “Carne dos Açores”, deveria, com mais propriedade, ser aplicado ao “Leite dos Açores”, o que daria um contributo importante para uma maior valorização do nosso leite possibilitando níveis de organização e integração destas duas fileiras- de si intimamente relacionadas ao nível da produção - essenciais à afirmação de uma imagem no mercado que permita a qualificação e valorização destes produtos ao nível do seu próprio mérito. A este respeito a recente abertura na baixa lisboeta de uma loja gourmet de produtos açorianos é de louvar e incentivar.
(*) Professor Catedrático da Universidade dos Açores
Síntese baseada numa comunicação apresentada ao 9º Encontro de Química dos Alimentos QUALIDADE E SUSTENTABILIDADE - UMA ABORDAGEM INTEGRADA. Angra do Heroísmo. 29 de Abril a 2 de Maio 2009

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sábado, junho 13, 2009

Bolsa de Integração na Investigação

Bolsa de Integração na Investigação
Referência: CITA-A/FCT - 2009/RA
Área científica genérica: Animal Science and Veterinarian Sciences
Resumo do anúncio:
1. O presente concurso destina-se à apresentação de candidaturas para a atribuição de 1 bolsa de Integração à Investigação, financiada pale FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia. 2. A bolsa a atribuir destina-se a integrar um Bolseiro no projecto de I&D subordinado ao tema “Avaliação da viabilidade de embriões bovinos após criopreservação através de técnicas convencionais e de vitrificação”
Texto do anúncio

Objectivos do trabalho:
Avaliar qual o melhor método de criopreservação de embriões bovinos (convencional ou vitrificação)
Comparar a viabilidade dos embriões vitrificados com OPS ou HS
Determinar qual a taxa de gestação após transferência de embriões criopreservados

Local do trabalho:
Os trabalhos serão desenvolvidos no Centro de Investigação e Tecnologias Agrárias dos Açores (CITA-A), sediado na ilha Terceira, Açores, Portugal (madruga@uac.pt). e coordenados pelo Prof. Doutor Joaquim Fernando Moreira da Silva (jsilva@uac.pt).

Período do Concurso:
O período para apresentação de candidaturas decorre entre 12 de Junho e 21 de Junho de 2009, não sendo aceites para avaliação as candidaturas recebidas para além do dia 21 de Junho de 2009.

Destinatários e perfil dos candidatos:
Podem candidatar-se alunos do primeiro ciclo de Ciências Agrárias ou afins.

Candidatura e Requisitos:
A apresentação de candidaturas deverá ser efectuada através da submissão por correio electrónico para o seguinte endereço: jsilva@uac.pt
No formulário de candidatura o interessado terá de anexar uma cópia do certificado comprovativo das suas habilitações literárias.
Os processos de candidatura que não se encontrem completos à data do fecho do concurso serão automaticamente excluídos.

Avaliação das candidaturas:
Os critérios de avaliação terão em conta as habilitações literárias e outras apetências de relevância para o desempenho da actividade em causa.

Qualquer informação adicional poderá ser solicitada através do email: jsilva@uac.pt

Número de vagas: 1
Tipo de contrato: Outro
País: Portugal
Localidade: Terceira, Açores
Instituição de acolhimento: Universidade dos Açores
Data limite de candidatura: 21 June 2009

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sexta-feira, junho 12, 2009

Sustentabilidade da Produção Leiteira nos Açores

José Estevam da Silveira Matos(*)


A noção de sustentabilidade, aplicada aos processos de produção agrícola, tem vindo a impor novos desafios ao desenvolvimento da pecuária, tornando-se mesmo determinante das estratégias do seu desenvolvimento. Importará então saber – com base numa noção de sustentabilidade construída a partir de 3 diferentes dimensões: social (Capital Humano, cultural e a política); económica (eficiência, competitividade); ambiental (solo, água, qualidade do ar; biodiversidade, paisagem) - se o actual modelo de produção leiteira praticado nos Açores é, ou não, sustentável a médio-longo prazo - face às mudanças de paradigma associadas à globalização dos mercados, à grande instabilidade económica, à emergência de novos mercados, às novas energias, etc.Abordaremos cada uma destas dimensões em capítulos separados.
CAPÍTULO I - A DIMENSÃO SOCIALO CAPITAL HUMANOAs práticas da agricultura, em particular a produção leiteira, são mão-de-obra intensiva, exigentes em mão-de-obra jovem e saudável, dada a exigência de uma actividade física intensa, 365 dias por ano, quase sempre sobre condições adversas no caso dos Açores.Um dos factores de instabilidade no sector é representado pelo franco envelhecimento da população agrícola e a diminuição drástica do número de agricultores, com a eventual deslocação das explorações para zonas mais populosas, “mais favoráveis”, com a consequente desertificação das regiões mais remotas. Embora a diminuição do número de produtores de leite tenha sido acompanhado pelo aumento da dimensão média das explorações e o aumento da produção de leite por exploração, há que garantir que as explorações leiteiras do futuro sejam geridas por profissionais agricultores mais jovens e mais qualificados e que os recursos disponíveis, nomeadamente os solos e as pastagens, sejam explorados de forma sustentável , quer o sejam através da vaca leiteira quer da dos bovinos de carne ou através dos pequenos ruminantes: a cabra e a ovelha.
Comparativamente com o todo Nacional, os Açores têm uma maior percentagem de jovens; e uma menor percentagem de idosos mas com uma menor percentagem de indivíduos em idade activa (dos 15 aos 64 anos). Mas, as médias podem ser enganadoras uma vez que os Açores são, também neste aspecto, 9 realidades territoriais diferentes.
Os dados do Instituto Nacional de Estatística (Estimativas da População Residente, de 2006) indicam que entre 2005 e 2006, o Índice de Envelhecimento da população açoriana voltou a aumentar, passando de 63,4 para 64,4, mesmo assim, este indicador é inferior ao do país, que é de 111,7. Mas analisando o que se passa nas diversas ilhas, a perspectiva é bastante menos animadora, pois, algumas ilhas estão a envelhecer acentuadamente (Quadro 1). A média Regional é claramente influenciada pela população da Ilha de S. Miguel, que constitui a maior percentagem da população das ilhas.
QUADRO 1. População residente nos Açores e seu envelhecimento – comparação com o todo Nacional TOTAL 2001 Índice de envelhecimento1991-2001
PORTUGAL 10,5 milhões 111,7AÇORES 243.018 64,4Corvo 468 193,2Lajes das Flores 1.513 133,3Santa Cruz das Flores 2.546 113,0Lajes do Pico 4.772 148,5São Roque do Pico 3.776 136,4Madalena 6.258 135,2Calheta 3.906 126,9Velas 5.598 108,1Santa Cruz da Graciosa 4.838 137,2Horta 15.426 86,4Angra do Heroísmo 35.115 78,3Vila da Praia da Vitória 20.582 72,4Povoação 6.771 72,5Nordeste 5.276 96,4Vila Franca do Campo 11.089 50,2Ponta Delgada 64.384 49,2Lagoa 15.139 41,3Ribeira Grande 30.012 34,6Vila do Porto 5.549 68,0FONTE: INE, Estimativas da População Residente - 2006
Mais preocupante ainda se torna se analisarmos a variação percentual da população por grupos etários (Quadro 2). Destacamos aqui nesta análise o grupo dos mais jovens (0-14 anos), acentuando o facto da variação ocorrida entre o censos de 1991 e 2001 ser negativa em todas as ilhas, mais acentuadamente em S. Jorge (-28,5%); Flores (-28,3%); Santa Maria (-27,3%); Graciosa (-23,5%); Corvo (-22,9%); Faial (-22,6%). Apenas S. Miguel apresenta uma evolução percentual um pouco melhor do que a Nacional (-16%), embora também negativa (-15%).
QUADRO 2. Variação Percentual da População Residente por grupos etários (1991/2001)
GRUPOS ETÁRIOS 0-14 15-24 25-64 >=65PORTUGAL -16 -8,1 11,8 26,1AÇORES -17,6 2,9 11,6 5,5CORVO -22,9 47,9 22,3 15,6FLORES -28,3 -1,7 1,5 -11,0PICO -20,9 0,2 3,5 -0,6S.JORGE -28,5 -2,0 0,5 9,3GRACIOSA -23,5 1,3 -5,6 -3,2FAIAL -22,6 7,2 13,1 -5,4TERCEIRA -18,4 5,5 6,3 6,6S.MIGUEL -15 2 18 9,7SANTA MARIA -27,3 8,1 -0,8 5,9
Este envelhecimento da população tem levado algumas das ilhas a optarem por sistemas de produção pecuária muito extensivos, por exemplo por produção de carne, com produtividades menores - diríamos que mesmo por sistemas de semi-abandono das terras.
Apesar do número de explorações leiteiras não ter cessado de diminuir nos últimos anos nos Açores, passando de 9712, em 1985, para 3.537, em 2007/08, a produção de leite aumentou substancialmente, de cerca de 381.000 toneladas, em 1996/97, para 538.000, em 2007/08 (+41,2%), concentrando-se esta produção essencialmente nas Ilhas de S. Miguel e da Terceira (87%).
Acresce ao problema da desertificação e do envelhecimento dos agricultores o baixo nível de instrução e da sua formação profissional, embora exista nas ilhas de S. Miguel e Terceira uma franja importante de agricultura profissionalizada, com lavouras prósperas, tecnicamente evoluídas.
CONSEQUÊNCIAS AMBIENTAiS DA DESERTIFICAÇÃO

O nosso ambiente, dito “natural”, não passa de um imenso jardim, amanhado por várias gerações, que levantaram paredes, muitas vezes à luz do luar, roçaram silvados e outras ervas daninhas. Sem estes amanhos constantes as tão admiradas hortênsias (Hidrangea macrophyla), o incenso (Pittosporum undulatum) e a roca-de-velha (Hedychium gardnerarum) - que são plantas exóticas, mas que por cá se dão excepcionalmente bem - seriam pragas ainda mais generalizadas. A multiplicação, desgovernada destas espécies, estranhas, é responsável pela extinção de espécies endémicas, já hoje raras, e que fazem parte do nosso património natural.
A diminuição da população agrícola, conjugada com o seu relativo envelhecimento, a continuar nos próximos anos, inviabilizará, por exemplo, qualquer política da recuperação das vinhas da Ilha do Pico, classificadas como Património Mundial pela UNESCO. A recuperação destas vinhas só será então possível com o recurso a mão de obra imigrante.
CONSEQUÊNCIAS CULTURAISA forte ruralidade da RAA está bem patente na identidade cultural do povo açoriano, na ocupação do território e nas paisagens características das ilhas – aspecto também relevante para o desenvolvimento do emergente sector do turismo.
As grandes referências cultura açoriana, como as festas do Divino Espírito Santo (a grande festa da partilha da abundância gerada pela terra), o Carnaval da Terceira, o folclore, a tourada à corda, tradições cuja matriz é profundamente rural, terão a perder com a desertificação humana da agricultura de algumas das nossas ilhas.
Também, por isso mesmo, o turismo que queremos tanto desenvolver será também prejudicado pois, quer os aspectos ambientais, quer os culturais, lhe dizem respeito.
Há portanto que entender que a actividade agrícola é mais do que simplesmente um sector económico, percebendo-se a riqueza do conceito da sua multifuncionalidade, a importância que ela tem para potenciar o desenvolvimento de outros sectores da actividade económica; como o turismo, a preservação da paisagem, enquanto valor cultural, a conservação dos recursos naturais (água, solo, biodiversidade e outros), a segurança alimentar, das próprias famílias e da sociedade. Para que o sector continue a desempenhar estas diversas funções, todas igualmente úteis e importantes, existem grandes desafios para a sua continuidade, na busca de um equilíbrio entre a tradição e a constante necessidade de inovação e que os fenómenos de desertificação e envelhecimento demográfico de algumas das ilhas acarretarão consigo mais do que a perca de produção de uns milhares de litros de leite ou toneladas de carne.
OS DESAFIOS POLÍTICOSAS INCERTEZAS DA PAC A possibilidade de as quotas acabarem em 2015, ou mesmo antes (?!!!), a demora na definição de um prazo exacto, a indefinição no regime de transição, na maior ou menor “suavidade na aterragem”, coloca os produtores de leite europeus perante uma grande dificuldade de planeamento das suas explorações a médio/longo prazo, uma vez que estes se adaptam com grande dificuldade a mudanças súbitas de rumo, dada o grande compasso dos ciclos naturais com que tem que lidar. Certo é que o fim da quota leiteira, num quadro de maior competição global, e de retracção dos consumos, terá como consequência previsível um aumento da produção de leite na União Europeia, um aumento da dimensão das explorações e obviamente a uma diminuição substancial dos preços do leite ao produtor. Este sector é, por tradição, muito dinâmico nas respostas, ou na exploração de novas oportunidades, tendo mesmo sido vítima no passado do seu próprio dinamismo.
(*) Professor Catedrático da Universidade dos Açores
Síntese baseada numa comunicação apresentada ao 9º Encontro de Química dos Alimentos QUALIDADE E SUSTENTABILIDADE - UMA ABORDAGEM INTEGRADA. Angra do Heroísmo. 29 de Abril a 2 de Maio 2009

(in Diário Insular)

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sexta-feira, maio 22, 2009

Influências Genéticas e Ambientais na Produção Leiteira em Vacas Frísia nos Açores

Realizaram-se no dia 18 de Maio, pelas 10 horas, no Auditório do pólo da Terceira da Universidade dos Açores, as provas de Mestrado em Produção Animal, requeridas pela licenciada Ana Luísa Mendes Pavão. As provas serão avaliadas por um Júri presidido (por designação do Reitor) pelo doutor José Estevam da Silveira Matos, professor catedrático da Universidade dos Açores, sendo vogais os Doutores Luís Lavadinho Telo da Gama, professor catedrático da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Técnica de Lisboa, e Jorge António Colaço, professor catedrático da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. As provas constaram da discussão pública, com crítica e defesa, de uma dissertação intitulada Influências Genéticas e Ambientais na Produção Leiteira em Vacas Frísia nos Açores.

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Estudo da Acção de Taninos Condensados provenientes de Vacas Leiteiras em Pastoreio

Realizaram-se no dia 7 de Maio, pelas 14h30m, no Departamento de Ciências Agrárias, as provas de Mestrado em Produção Animal, requeridas pela licenciada Sandrine Cascais Vieira. As provas foram avaliadas por um Júri presidido (por designação do Reitor) pelo doutor Alfredo Emílio Silveira de Borba, professor catedrático da Universidade dos Açores, sendo vogais os Doutores João Manuel de Carvalho Ramalho Ribeiro, investigador auxiliar da Estação Zootécnica Nacional, e Oldemiro Aguiar do Rego, professor auxiliar da Universidade dos Açores. As provas constaram da discussão pública, com crítica e defesa, de uma dissertação intitulada Estudo da Acção de Taninos Condensados provenientes de Vacas Leiteiras em Pastoreio.

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quinta-feira, maio 21, 2009

Genética da vaca leiteira

Encontram-se na ilha Terceira os Professores Catedráticos Aura Antunes Colaço e Jorge A. Colaço, MVet, DCVet da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. A sua estada na Terceira teve como objectivo fazerem parte do júri de mestrado, Genética do Melhoramento Animal, vaca leiteira, da Eng.ª Luísa Pavão, que teve lugar no Departamento de Cências Agrárias de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores. Na companhia do Prof. José Matos e da Eng.ª Laura Matos, visitaram o Museu do Vinho dos Biscoitos da Casa Agrícola Brum Lda.
(in Bagos D'Uva)

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Efeito da Administração de Oligoelementos nas Performances da Vaca Leiteira. Validação do Método do NIR para Análise de Forragens

Realizaram-se no dia 28 de Abril, pelas 14h30m, no Auditório do Complexo Pedagógico do pólo de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, as provas de Mestrado em Produção Animal, requeridas pela licenciada Maria Margarida Teixeira Andrade.As provas foram avaliadas por um Júri presidido (por designação do Reitor) pelo doutor Alfredo Emílio Silveira de Borba, professor catedrático da Universidade dos Açores, sendo vogais os Doutores Olga Mafalda Salvador Conde Moreira, investigadora auxiliar da Estação Zootécnica Nacional, e Oldemiro Aguiar do Rego, professor auxiliar da Universidade dos Açores. As provas constaram da discussão pública, com crítica e defesa, de uma dissertação intitulada Efeito da Administração de Oligoelementos nas Performances da Vaca Leiteira. Validação do Método do NIR (Near Infrared Reflectance Spectroscopy) para Análise de Forragens.

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Aspectos da Epidemiologia da Infecção do Virus da Diarreia Viral Bovina nas Ilhas Flores e Corvo e Efeito da Idade na Resposta Imunitária à Vacinação

Realizaram-se no dia 17 de Abril, pelas 10 horas, no Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, as provas de Mestrado em Produção Animal, requeridas pela licenciada Alice Correia da Rocha. As provas foram avaliadas por um Júri presidido (por designação do Reitor) pelo Doutor Joaquim Fernando Moreira da Silva, professor auxiliar da Universidade dos Açores, sendo vogais os Doutores João José Rato Nisa Ribeiro, professor auxiliar convidado do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto, Fernando Jorge da Rocha Pires, professor auxiliar da Universidade dos Açores, e António Eduardo Nobre Chaveiro, especialista em Reprodução Animal. As provas constaram da discussão pública, com crítica e defesa, de uma dissertação intitulada Aspectos da Epidemiologia da Infecção do Virus da Diarreia Viral Bovina nas Ilhas Flores e Corvo e Efeito da Idade na Resposta Imunitária à Vacinação.

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quarta-feira, maio 06, 2009

Clonagem humana

Clonagem de animais vai ser comum

segunda-feira, março 30, 2009

Primeira vaca clonada em Portugal nasce nos Açores

O primeiro bovino clonado em Portugal nasceu na passada terça-feira em Angra do Heroísmo, é fêmea, chama-se Cloneta e está de perfeita saúde disse esta sexta-feira o professor universitário Moreira da Silva.
Em declarações à Agência Lusa, Moreira da Silva disse que «o animal nasceu de um parto prematuro com oito meses quando o normal é nascerem com nove meses de gestação, mas que correu bem».

A Cloneta é fruto de um embrião produzido in vitro nos laboratórios do Grupo de Reprodução Animal do Departamento de Ciências Agrárias - Centro de Investigação e Tecnologia Agrária da Universidade dos Açores (CITA), da Universidade dos Açores.
O processo «foi inovador» no sentido de que «é realizado a partir de uma célula de um embrião com sete dias produzido in vitro», explicou o investigador.
Segundo Moreira da Silva, responsável pelo laboratório e Isabel Carvalhais, doutoranda que acompanhou o processo, o clone foi realizado através do conjunto «citoplasma (interior da célula) e blástomero (célula interior do embrião)».
O embrião levou duas semanas a ser produzido em laboratório, tendo o processo começado no final do mês de Julho do ano passado, e transferido para a vaca receptora no mês de Agosto.
Moreira da Silva e Isabel Carvalhais «têm expectativa» quanto ao período de vida que o clone poderá ter uma vez que «todos os embriões produzidos in vitro são frágeis o que pode levar à morte prematura dos clones», explicaram.
O objectivo do grupo de investigadores que trabalharam nesta clonagem foi «testar e aperfeiçoar a técnica para que o Laboratório de Reprodução Animal não ficasse à margem das técnicas e tecnologias mais actualizadas».
No futuro este trabalho que incluiu também António Nobre, Sofia Pires e Ana Santos, pode ter utilidade na produção de animais de elevados valores genéticos o que pode ser uma mais valia para a região.
Pode, também, ser útil «na recuperação de espécies animais que se encontrem em vias de extinção».
As investigações e os resultados conseguidos pela Universidade dos Açores deverão ter continuidade internacional uma vez que assistiram à sua conclusão Marwa Faheem, egípcia doutoranda em embriologia, e Afrooz Habibi, médica iraniana, doutoranda em anatomia humana.
O projecto foi financiado pelo governo regional e pelo Centro de Investigação e Tecnologia Agrária da Universidade dos Açores (CITA).
(In LUSA)

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quarta-feira, março 11, 2009

Comercialização de carne e leite preocupa produtores da Terceira

Os agricultores da ilha Terceira estão preocupados com a comercialização, certificação, qualidade dos produtos e a eficiência da gestão agro-pecuária, alertou esta segunda-feira o presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória.
Roberto Monteiro, que falava numa conferência de imprensa para apresentar o programa das 2/as Jornadas Agrícolas da Praia da Vitória, sustentou que “hoje coloca-se o problema da sobrevivência para uns e da expansão para outros”.
Segundo o autarca, “a situação actual é reflexo da situação mundial do sector do leite, lacticínios e da carne que somado ao problema da crise mundial faz com que a eficiência a todos os níveis seja a chave para o sucesso”.
As jornadas, que decorrem entre 19 e 21 de Março na freguesia dos Biscoitos na Praia da Vitória (Ilha Terceira), vão debater a “Actividade Agrícola na Economia Regional” e “Os Sectores do Leite e da Carne”.
A iniciativa inclui intervenções do Presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, do presidente da Associação Agrícola da Ilha Terceira (AAIT), Paulo Simões Ferreira e de diversos técnicos do governo regional e investigadores do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.
Como convidados intervêm Dora Pereira (SATIVA - Controlo e Certificação de Produtos que aborda a produção biológica de leite e carne) de Fernando Carvalho (director Comercial da Lactaçores), que vai falar da dificuldade dos mercados nacionais e internacionais, e de João Alberto Catalão (Instituto de Negociação de Vendas), que vai perspectivar as “Tendências Futuras do Mercado dos Produtos Lácteos”.
Para o director regional do Desenvolvimento Agrário dos Açores, Joaquim Pires, “é fundamental transmitir as actualizações sobre a evolução dos sectores, promovendo uma reflexão sobre as melhores soluções num mercado global cada vez mais competitivo”.
Paulo Simões Ferreira, presidente da AAIT, “todas as mudanças estão a ocorrer demasiado depressa e que torna constantemente desactualizadas as soluções”.
Os produtores de leite debatem-se com diversas dificuldades originadas pelo agravamento dos custos dos factores de produção associados à descida do preço do leite.
O presidente da AAIT revelou recentemente que a redução em 4,5 cêntimos por litro de leite decidida pela indústria impôs um prejuízo de 6 milhões de euros anuais aos produtores locais.
As 2/as Jornadas Agrícolas da Praia da Vitória são financiadas pela autarquia da Praia da Vitória, governo regional e promovidas pela Associação Agrícola da Ilha Terceira e Associação de Jovens Agricultores Terceirenses.
Na ilha Terceira existem 1.200 produtores agro-pecuários, dos quais 800 da produção de leite e os restantes do sector da carne de bovino.
No ano passado, produziram-se nos Açores 515 milhões de litros de leite dos quais 126,5 milhões na ilha Terceira.
No sector da carne, a região produziu 1 milhão de quilos de carne de bovino dos quais 378 mil na ilha.

(In Lusa)

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segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Estimate minimal request of N for microbial growth using in vitro gas production technique

Realizaram-se no dia 30 de Janeiro, pelas 15 horas, no Instituto Politécnico de Castelo Branco, as provas de Mestrado em Produção Animal do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, requeridas pelo licenciado Sérgio Oliveira Dias Souto Freire.
As provas foram avaliadas por um Júri presidido (por designação do Reitor) pelo Doutor Alfredo Emílio Silveira de Borba, professor catedrático da Universidade dos Açores, sendo vogais os Doutores Miguel António Machado Rodrigues, professor associado da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, e António Manuel Moitinho Nogueira Rodrigues, professor adjunto da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Castelo Branco. As provas constaram da discussão pública, com crítica e defesa, de uma dissertação intitulada Estimate minimal request of N for microbial growth using in vitro gas production technique.

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Avaliação da Fertilidade de Varrascos por Citometria de Fluxo

Realizaram-se no dia 30 de Janeiro, pelas 11h30m, no Instituto Politécnico de Castelo Branco, as provas de Mestrado em Produção Animal do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, requeridas pela licenciada Marilene Kamassa Lemos de Lucas.As provas foram avaliadas por um Júri presidido (por designação do Reitor) pelo Doutor Alfredo Emílio Silveira de Borba, professor catedrático da Universidade dos Açores, sendo vogais os Doutores Joaquim Fernando Moreira da Silva, professor auxiliar da Universidade dos Açores, António Manuel Moitinho Nogueira Rodrigues, professor adjunto da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Castelo Branco, António Alicerces Chicinda Eduardo, vice-decano da Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Agostinho Neto, e António Eduardo Nobre Chaveiro, especialista em Reprodução Animal. As provas constaram da discussão pública, com crítica e defesa, de uma dissertação intitulada Avaliação da Fertilidade de Varrascos por Citometria de Fluxo.

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domingo, fevereiro 01, 2009

Importância da Paratuberculose em Ovinos Serra da Estrela

Realizaram-se no dia 30 de Janeiro, pelas 9 horas, no Instituto Politécnico de Castelo Branco, as provas de Mestrado em Produção Animal do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, requeridas pelo licenciado Fernando Alexandre de Almeida Esteves. As provas foram avaliadas por um Júri presidido (por designação do Reitor) pelo Doutor José Estevam da Silveira Matos, professor catedrático da Universidade dos Açores, sendo vogais os Doutores António Manuel Moitinho Nogueira Rodrigues e Manuel Vicente Freitas Martins, ambos professores adjuntos da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Castelo Branco. As provas constarão da discussão pública, com crítica e defesa, de uma dissertação intitulada Importância da Paratuberculose em Ovinos Serra da Estrela.

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quarta-feira, janeiro 14, 2009

Clenbuterol Storage Stability in the Bovine Urine and Liver Samples Used for European Official Control in the Azores Islands (Portugal)

Isabel Pinheiro, Bruno Jesuino, Jorge Barbosa, Humberto Ferreira, Fernando Ramos, José Matos and Maria Irene Noronha da Silveira.

Clenbuterol is a well-known growth promoter, illegally used in farm animals, especially in cattle. Samples collected for the screening of β2-agonist residues in Portuguese Azores Islands must travel through all the nine islands until they reach Azores Central Laboratory. If any suspicious sample is detected, it must be further transported to the National Reference Laboratory in Lisbon for confirmation. As a consequence of these circumstances, samples are submitted to different transport and storage times, as well as different temperature conditions and in some cases successive freezing and thawing cycles. As clenbuterol is the most detected β2-agonist growth promoter in the Portuguese Residue Monitoring Plan, studies were conducted on the stability of this compound in incurred samples (bovine liver and urine) at +4, −20 and −60 °C over time. Samples kept at −20 °C were also analyzed over time after successive freezing and thawing cycles. The analyses of clenbuterol over time were performed by gas chromatography−mass spectrometry (GC−MS) with selected ion monitoring (SIM). Clenbuterol in incurred urine and liver samples was significantly stable up to 20 weeks at −20 and −60 °C and after, at least, six consecutive freezings and thawings. At +4 °C, clenbuterol remained stable, at least until 12 weeks in urine and up to 20 weeks in liver.

(In J. Agric. Food Chem.)

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segunda-feira, janeiro 12, 2009

Leite indexado

Uma fórmula indexante para o preço do leite ao produtor é urgente para que sejam tratadas as questões verdadeiramente importantes para o sector, defende o professor do Departamento de Ciências Agrárias do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, José Matos, numa entrevista em que alerta para a necessidade de “falar verdade” à lavoura e para a ameaça vinda de Espanha.

Já defende uma fórmula indexante para o preço do leite ao produtor há vários anos. Recentemente foi anunciado que Governo Regional, associações agrícolas e indústria vão entrar em negociações para esse efeito. Espera que a fórmula vá de facto em frente?
Para mim essa não é uma grande questão, há outras bem mais importantes no sector. A minha sugestão foi sempre no sentido de afastar no caminho das questões importantes a discussão do preço, que é mais do que anual, é bianual. Essa discussão dos preços tem o condão, muitas vezes, de azedar o debate de temas importantes, que exigem que lavoura, Governo, indústria e até a Universidade dos Açores, estejam coesos na defesa de interesses comuns. Veja-se o que tem acontecido com o Centro do Leite e dos Lacticínios. Tem sido esta questão que tem azedado aquilo que é importante fazer no âmbito deste centro.
Este é um problema quase eterno. Porque é que não se deu o passo para o resolver mais cedo?
É verdade. A questão do preço entre o comprador e o vendedor é uma questão eterna. O que vende quer receber mais. O que paga quer pagar menos. É o funcionamento do mercado, sempre foi assim. Nasci numa exploração leiteira, o meu pai era produtor de leite e também assisti desde pequeno a este debate. Não é nada de novo a guerra dos preços. O que há de anormal é que não se procure encontrar uma fórmula matemática de resolver este problema. Se é um problema que tem a ver sistematicamente com a flutuação dos preços no mercado, obviamente é possível através de uma equação matemática que essa flutuação de preços se repercuta no preço pago ao produtor. Umas vezes para bem, outras para mal, obviamente.
A lavoura pode cair em alguma armadilha nesta negociação de uma fórmula indexante?
Como tudo na vida e também nesta questão, há sempre um lado positivo e negativo. Com uma indexação, existirão também aspectos menos positivos. Há que garantir, quer para a indústria, como para o produtor, que os aspectos negativos não sejam muito pesados. Não queremos a indústria nem a produção falidas. É necessário que à volta desta questão da fórmula haja um debate muito sério.
A Universidade dos Açores tem um papel neste debate?
Alguns especialistas da UA, nomeadamente na área da matemática, podem tê-lo. Mas a intervenção dos investigadores da área agrícola até seria contraproducente.
Porquê?
É a velha questão que tem também a ver com o Centro do Leite e dos Lacticínios. Os investigadores, os técnicos que podem dar apoio quer à produção como à indústria não devem estar envolvidos nesta questão do debate do preço. Isso é trazer algum elemento de desconfiança em relação a pessoas com as quais quer a lavoura como a indústria têm de manter uma relação de confiança absoluta.
Um representante da UNICOL já avançou que existe uma posição de princípio contra a fixação administrativa de preços…
Sei que há esse cepticismo e que isto é de certa forma julgado como uma fixação administrativa do preço do leite. Não é o que defendo. Cada fábrica pode defender a sua própria fórmula e garantir a concorrência. O que é certo é que nas nossas ilhas, muitas vezes, ou há monopólio ou não há possibilidade de fazer funcionar as regras do mercado. Seria bom que as regras do mercado funcionassem.
O que é exactamente esta fórmula indexante? Como funcionaria?
Pode funcionar em função de diversos factores, que podem contribuir para uma fórmula única. Mas essa fórmula seria depois ajustada em função da produção e transformação de cada indústria. Admito que numa indústria que tenha como transformação leite em pó a fórmula deva ter isso em consideração, como no caso de outra que produza leite líquido ou iogurtes. Não é isso que está em questão. São permitidas nuances quanto a ilhas e fábricas… Não é difícil, os matemáticos encarregar-se-ão disso.
Com esta fórmula a lavoura açoriana seria muito diferente?
Não. A fórmula é um factor menor. A lavoura açoriana seria muito mais beneficiada pela resolução de heranças do passado. A montante, a nível da produção há a questão da discussão da propriedade, a dispersão das explorações… Ainda mais tendo em conta que há uma dinâmica que leva à diminuição do número de produtores, o que ajuda a resolver estes problemas. Neste momento é mais necessário e mais fácil encará-los do que nunca, porque o número de produtores decresceu incomparavelmente e será mais fácil negociar, não há laços afectivos tão grandes à propriedade... Desde que temos quotas leiteiras, o número de produtores caiu para metade. Existem hoje perto de 800 produtores de leite na Terceira. Eu presumo que nos próximos 10 anos fiquemos apenas com metade dos que temos actualmente.
Este decréscimo é assustador ou pode, pelo contrário, ser positivo?
Não é nada assustador! No espaço de 15 anos a lavoura quintuplicou a produção de leite nos Açores, embora o número de produtores tenha baixado para metade. Existem explorações maiores, mais eficientes, mais empresariais, com outros tipos de tecnologias. A qualidade do leite tem melhorado e presumo que melhore ainda mais. O que é preocupante é que nalgumas ilhas, por problemas demográficos, de envelhecimento da população, a produção de leite esteja a desaparecer. É o caso do Pico, Flores, Faial. É pena que não existam políticas que tentem contornar este fenómeno, que é muito forte.
Mesmo com o esvaziamento destas ilhas, a produção de leite vai ser sempre o grande sector da economia açoriana?
Sem dúvida nenhuma. Acima de determinada altitude, a produção de pastagem, valorizada pela produção de leite, é a melhor aposta. Tendo isto em atenção, percebe-se que em algumas ilhas não haverá agricultura sem vaca leiteira. E sem agricultura não me parece muito fácil sustentar um determinado número populacional que justifique outras actividades económicas. É o caso do turismo. Não é possível ter turismo sem famílias. Os picarotos dedicavam-se à agricultura e à caça à baleia. Hoje, muitos dividem-se entre a agricultura e alguns serviços ao turismo. Não colocam os ovos todos no mesmo cesto… A agricultura é a base, a raiz do sustento da população. Agora, nalgumas ilhas, com o envelhecimento das populações, encaro com preocupação se, sem agricultura, vai ser possível manter outros serviços e actividades. Veja-se o que aconteceu no Continente. À medida que a agricultura foi desaparecendo do país, as populações migraram para os grandes centros. Nos Açores ainda se vai a tempo de se tentar travar este processo. Um dos aspectos importantes é garantir que a agricultura se mantenha viável.
O cenário que a lavoura traça nesta altura é muito negro. A Associação Agrícola da Ilha Terceira avisa que muitas explorações poderão entrar em falência. É mesmo assim ou trata-se apenas de uma fase?
Gostaria de prever que é apenas uma fase muito transitória. Há uma grande instabilidade dos mercados a nível mundial e os lacticínios estão nesse contexto. Em 2007 essa instabilidade fez com que os preços disparassem, com uma maior procura da China e Índia e menor produção da Nova Zelândia e a Austrália. Dessa euforia passou-se para a vaga de retorno. Há menor consumo nos mercados asiáticos e este ano a Austrália e Nova Zelândia já recuperaram. O ano de 2007 foi eufórico, mas o preço do leite em pó já desceu para metade. Isto tem impacto a nível global e local. O consumo diminuiu também…
Mas esta é uma fase ou é mesmo o cenário com que a lavoura tem de lidar?
Da mesma forma que 2007 foi eufórico, 2008 teve um dinamismo muito negativo. Penso que a meados deste ano as circunstâncias melhorem. Nunca veremos preços como os de 2007. Há no entanto outro elemento de instabilidade, que é a Política Agrícola Comum e o fim das quotas leiteiras em 2015. Achei sempre muito estranho que se defendesse que a quota acabasse, mas parece que agora todos acham que a quota é importante. Isto porque é fácil perceber que o nosso principal concorrente em termos de mercado é a Espanha que, quando negociou as suas quotas, negociou abaixo das suas necessidades. Os Açores fizeram o contrário, foram claramente beneficiados, o que permitiu o crescimento do sector. Espanha é agora obrigada a comprar leite em Portugal. No momento em que a quota acabar, os espanhóis vão tornar-se excedentários na produção de leite e vão invadir o mercado português, nomeadamente o mercado de Lisboa, que é o mais importante para os lacticínios dos Açores. Logo a seguir a esta crise deveremos ter outro embate e temos de cuidar muito da competitividade do nosso sector.
Está-se a fazer o suficiente?
O fim das quotas do espaço da União Europeia é já em 2015…Está-se a fazer algumas coisas. Os próprios produtores estão, por exemplo, a cuidar da rentabilidade do seu processo produtivo, tratando, assim, também da competitividade do sector. Agora, com a entrada de Espanha no jogo, os produtores açorianos terão de produzir mais barato, é preciso dizer isso desde já.
Essa é uma mensagem dura para a lavoura…
Certo que sim, mas estamos numa altura em que há necessidade de falar com verdade, não dourar a pílula. É preferíveis termos uma pílula amarga e defendermos o nosso sector, desde o Governo, lavoura, políticos e universitários, sabendo que vêm dias maus. Temos muitos problemas, nomeadamente a nível de transformação e inovação.
Os produtos transformados dos Açores não são aliciantes neste mercado que se avizinha?
Têm sido o garante do crescimento do sector nos Açores, mas penso que não o continuarão a ser. Na Nova Zelândia, que tem muitas características semelhantes às dos Açores, a maior cooperativa de produção de lacticínios do país invadia o mercado mundial com um queijo. Neste momento tem 10. Oferece bebidas, produtos fermentados, com vários aspectos. Muitas vezes é o mesmo produto, com outra imagem. Temos de diversificar e aproveitar tecnologias de marketing.
Que peso tem a marca Açores?
Tem um peso enorme. É conhecida a qualidade do nosso processo produtivo. Sabe-se que as vacas andam livres, em pastagem, que têm uma alimentação natural. Todos no Continente conhecem essa imagem. Falta jogar totalmente esse grande trunfo. Todos nós conhecemos os anúncios de uma empresa do Continente que vende leite líquido como sendo natural, com animais em pastagem, até se vêem algumas imagens que parecem filmadas nos Açores. Fomos claramente ultrapassados por essa campanha de marketing. Agora, se surgirmos com algo semelhante, será sempre uma imitação. Devíamos ter feito isto há uns cinco anos atrás. Há claramente aqui uma corrida atrás do tempo. Que é preciso fazer.
(In DI-Revista)

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