sexta-feira, junho 19, 2009

Sustentabilidade da produção leiteira nos Açores (3)

José Estevam da Silveira Matos (*)



CAPÍTULO III – A SUSTENTABILIDADE AMBIENTALO LICENCIAMENTO DAS EXPLORAÇÕES E OS CONDICIONAMENTOS AMBIENTAIS
No futuro a principal limitação à expansão das explorações leiteiras será certamente o problema ambiental, sendo já disso exemplo o actual regime de licenciamento das explorações leiteiras.
A sustentabilidade ecológica só poderá ser alcançada pela limitação no uso dos recursos não renováveis e a valorização dos produtos gerados em processos que contribuem para o equilíbrio ambiental, o que implicará ajustes ao actual sistema de produção, privilegiando-se práticas que combinam qualidades essenciais para a sustentabilidade, como sejam o baixo consumo de energia fóssil, quer directa, quer indirectamente – menor consumo de adubos, valorizando-se a fixação simbiótica de azoto; menor consumo de cereais importados, valorizando-se a produtividade da pastagem, através de práticas agrícolas mais adequadas, selecção de cultivares de forrageiras mais eficientes na captação da energia solar; e a cria de animais melhor adaptados ao pastoreio e à produção de sólidos do leite (Por ex. Jersey, Normanda, SRB). Nesta perspectiva lança-se a questão para debate se os produtores de leite dos Açores poderão vir a ser contribuintes positivos para o mercado global do carbono e também actores na produção de energias renováveis?

Por outro lado perguntamo-nos até que ponto os nossos produtores pecuários podem também contribuir para a produção de energia, minimizando o impacto ambiental das suas explorações, aproveitando a vantagem da sua localização no terreno. Afinal eles estão lá todos os dias, no sítio do vento; estão habituados a manter máquinas; são eles próprios utilizadores de energia, para a ordenha e para a refrigeração do leite. Haveria que garantir apenas um preço justo e ajudas à instalação de geradores eólicos!
Regime jurídico de licenciamento das explorações bovinas da Região Autónoma dos AçoresEncontra-se em vigor na Região o Decreto Legislativo Regional nº 16/2007/A que cria o regime de licenciamento das explorações bovinas dos Açores. Neste Decreto dispõem-se orientações de ordenamento do território que obrigam a respeitar e a criar condicionalismos em relação a questões ambientais importantes como seja, por exemplo, a protecção dos recursos hídricos superficiais. Também o Decreto-Lei nº 235/97 transpõe para o direito nacional a Directiva Comunitária nº 91/676/CC ( do Conselho de 12 de Dezembro de 1991), conhecida como a “Directiva dos Nitratos”, que diz respeito à protecção das águas contra a poluição causada por nitratos de origem agrícola. Esta directiva originou a elaboração do “Código de Boas Práticas Agrícolas”, a delimitação das Zonas Vulneráveis e a criação dos respectivos “Programas de Acção”. Como se depreende desta legislação, o licenciamento das explorações leiteiras encontra-se condicionado não só ao cumprimento de regras relativas à higiene e sanidade dos rebanhos (brucelose, tuberculose, mamites, etc.) e do bem-estar animal, mas também a normas que procuram minimizar os impactos ambientais da pecuária (eco-condicionalidade).
Mas, enquanto que a monitorização das Boas Práticas, relativas à higiene e sanidade animal e ao bem-estar animal, se encontram consolidadas por rotinas mais antigas, não se passa o mesmo com monitorização dos impactos ambientais. Importa também neste aspecto definir muito claramente que parâmetros devem ser monitorizados e quais os seus limites críticos, devendo ser estes quantificáveis e de simples determinação.

VIABILIDADE DA PRODUÇÃO DE LEITE BIOLÓGICO NOS AÇORES

De há muito que a agricultura biológica deixou de ser um sistema alternativo de produção apenas defendido por meia dúzia de líricos idealistas paladinos de utopias.
O mercado dos lacticínios bio, na Europa, ultrapassou já os 2 biliões de euros, manifestando um crescimento de 26,2% ao ano. A sua importância varia consideravelmente entre os vários países, sendo líder do sector a Dinamarca, onde 65% do mercado dos produtos biológicos cabe aos lacticínios. O leite é o produto mais procurado (50%), seguido do iogurte (30%) e o queijo (10%).
São várias as motivações que podem levar o agricultor a reconverter o seu tipo de exploração, bem como os factores que fazem aderir o retalhista e o consumidor, ou que o inibem. Por exemplo, os factores relacionados com o grande aumento da produção biológica na Áustria, Alemanha e Dinamarca, são 5: 1. Incentivo financeiro aos produtores por parte dos governos2. Informação dos produtores e consumidores – existência de institutos de investigação exclusivamente dedicados à investigação e promoção dos produtos biológicos3. Acesso e disponibilidade de produtos biológicos no mercado4. Marketing (Logomarca) e protecção legal – serviços de inspecção eficazes5. Existência de planos de desenvolvimento para o sector.
Ora, porque razão os nossos produtores não aderem a este modelo, uma vez que até o sistema de produção praticado nos Açores lhe está muito próximo?! Essencialmente, porque a quebra de rendimento nos primeiros três anos de conversão ao modelo de produção biológico - período em que o produtor ainda não beneficia das mais-valias associadas ao rótulo “bio” - é substancial: cerca de 25% e não há qualquer apoio para que o produtor possa fazer frente a tal quebra no seu rendimento. Torna-se assim necessário o apoio financeiro no período de transição à semelhança do que acontece a Alemanha, Áustria e Dinamarca, bem como, também agora, no Continente (MADRP – pacote de apoio ao leite biológco – artigo 68º); com apoio científico e técnico, necessário a um maneio diferente do solo e da pastagem, sem o uso de fertilizantes sintéticos, e ao maneio sanitário dos animais sem o uso de antibióticos e pesticidas, para que o modo de produção “BIO” seja encarado como uma alternativa pelos nosso produtores de leite.
Sistemas integrados de produção de leite, “grass fed”, ou leite da ervinha verde dos Açores, permitiriam uma evolução por etapas, no sentido de uma produção mais sustentável, com produção de um leite mais rico em sólidos, com menos água, com menor impacte ambiental, com custos de produção mais baixos, sem que as margens brutas sejam afectadas. O segredo estará em gerir diminuindo os imputes e maximizando os outputs, à custa dos recursos próprios – da erva. Um leite mais competitivo.
INOVAÇÃO: EXTENSÃO RURAL, INVESTIGAÇÃO E EXPERIMENTAÇÃO AGRÍCOLA

O que dizer da extensão, da investigação e experimentação agrícola, ou melhor, da sua falta?! Seguro é que não possível competir no mercado global do leite, em igualdade com países como, por exemplo, os EUA, a Nova Zelândia, o Canadá, ou, ainda mais próximo de nós, a Holanda, sem que se aposte na inovação e, para que esta seja conseguida, é fundamental o investimento na formação profissional e na extensão rural, através de uma maior ligação da Universidade dos Açores ao mundo rural e no caso, à produção de leite e à indústria de lacticínios. Certo é que o tão propalado “divórcio” , o isolamento em “torre de marfim”, das universidades, de que muitas vezes se fala, resulta mais da falta de recursos, do que da exiguidade das vontades dos universitários!
CONCLUSÕES

Os grandes desafios da pecuária açoriana passam em grande parte pelo melhoramento qualitativo dos sistemas já praticados, maximizando-se a utilização dos recursos locais, o que não significa atingir necessariamente uma maior produtividade biológica, mas, produzir em respeito pelas limitações do meio ambiente e das condições estruturais, culturais e sociais existentes - sustentabilidade. Produzir bem, com qualidade, transformando-se localmente os produtos da agricultura; exportando-se produtos de maior valor acrescentado; privilegiando-se os procedimentos biológicos, em detrimento de tecnologias esbanjadoras em energia fóssil, que a Região não possui, enfim, uma Produção Natural. Vender melhor, melhor distribuindo o que se produz, reequacionando-se o custo dos transportes e a comercialização do produto acabado com recurso a técnicas de “marketing”, mas, fidelizando-se o consumidor ao produto “Produzido nos Açores” através de uma imagem que corresponda à verdade, a elevada qualidade e com selo de garantia de origem.
A ultrapassagem destes desafios exigirá um esforço no sentido de serem vencidas algumas das limitações que contribuem para uma menor competitividade do sector. A saber: EMPRESÁRIO: Impõem-se medidas que ajudem a rejuvenescer o tecido empresarial agrícola e contribuam para a sua formação e valorização profissional; EMPRESA AGRÍCOLA: O emparcelamento da propriedade, apoiada em nova legislação sobre a propriedade da terra; INDÚSTRIA: Diversificação e mais inovação produtos transformados; QUALIDADE: Implementação de medidas de controlo de qualidade, em todas as suas vertentes, construindo-a da produção ao consumo (“do prado ao prato”), reforçando-se a fiscalização e só certificando o que realmente possui qualidade; INVESTIGAÇÃO-EXTENSÃO-FORMAÇÃO: O apoio a projectos que optimizem o binómio animal-pastagem e que contribuam para um melhor conhecimento dos produtos tradicionais e melhoria da sua qualidade e ainda para a introdução de novas tecnologias; na agricultura e nas pescas. MARKETING – COMERCIALIZAÇÃO: Comercialização dos produtos lácteos regionais, mormente, o queijo, a manteiga e o leite, com Indicação Geográfica Protegida (IGP), à semelhança do que acontece com o produto denominado “Carne dos Açores” , fazendo-se valer a imagem do sistema natural de produção, à base de erva, com animais em liberdade, que resulta na produção de um leite e em produtos transformados com características químicas e organolépticas beneficiadas por este modo de produção.
(*) Professor Catedrático da Universidade dos AçoresSíntese da comunicação apresentada no 9º Encontro de Química dos AlimentosQualidade e Sustentabilidade - Uma abordagem integrada. Angra do Heroísmo. 29 de Abril a 2 de Maio 2009.

(In Diário Insular)

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domingo, junho 14, 2009

Sustentabilidade da produção leiteira nos Açores (2)

José Estevam da Silveira Matos (*)


CAPÍTULO II - A DIMENSÃO ECONÓMICA (EFICIÊNCIA, COMPETITIVIDADE)
Embora os Açores apresentem uma estrutura de produção menos diversificada do que o resto do país, esta assenta nas suas vantagens naturais para a produção animal, através da pastagem. Como a vaca leiteira é o animal que melhor é capaz de transformar erva em alimento para os humanos, leite e carne, não espanta por isso que os Açores produzam cerca de 30% do leite nacional e que nele existam cerca de 100.000 vacas leiteiras e que o número total de bovinos ultrapasse o número de humanos – um caso raro no mundo.
Os ruminantes são capazes de utilizar dietas ricas em componentes fibrosos (forragens e subprodutos), não utilizáveis na alimentação humana. De entre todos os ruminantes o que transforma a erva da pastagem em proteína de elevado valor biológico com maior rentabilidade é, sem dúvida, a vaca leiteira. Este facto situa estas espécies numa posição muito vantajosa dentro dos sistemas de produção animal. Para além disso, existem razões geográficas, orográficas, climatéricas e económicas - diríamos que também culturais - para a opção pecuária e pela especialização na produção de leite nos Açores.
A produtividade da indústria regional de lacticínios representava apenas 61% da média nacional, facto que pode ser explicado em grande pela especialização da região em produtos com baixo valor acrescentado: essencialmente queijo flamengo e leite em pó.
Como factores limitantes à sustentabilidade do sector, na vertente económica, apontamos este facto, o de a maioria dos lacticínios produzidos terem um baixo valor acrescentado, havendo ainda uma insuficiente promoção e valorização nos mercados de consumo das muitas virtudes dos produtos lacticínios regionais. Destas virtudes salientam-se aspectos da composição química do leite influenciados pela dieta natural das vacas criadas nos Açores, em liberdade, num sistema mais de acordo com as novas regras do bem-estar animal.
No entanto velhas debilidades tardam em ser resolvidas: demasiada pulverização da propriedade falta de abastecimento de água potável e energia, refrigeração do leite, qualidade do leite etc.
Os tempos de instabilidadeOs tempos que correm caracterizam-se do ponto de vista económico por uma grande incerteza e instabilidade, fruto em primeiro lugar de uma grave crise financeira, que persiste, e que dá mesmo sinais de poder vir a agravar-se. Esta instabilidade tem vindo a repercutiu-se no mercado do leite, com diminuições acentuadas dos consumos, principalmente do queijo e do leite em pó, com descidas acentuadas do preço do leite ao produtor. Os preços médios do leite pagos ao produtor na União Europeia atingiram mesmo o patamar mais baixo dos últimos 10 anos. Esta situação diminui a margem de competitividade dos lacticínios açorianos face à concorrência europeia e global e a manter-se a tendência verificada nos preços internacionais tal só poderá significar uma baixa acentuada dos preços do leite à produção no futuro mais próximo.
A RESPOSTA POSSÍVEL E DESEJÁVELUM MODELO SUSTENTÁVEL DE PRODUÇÃO A APOSTA NA DIFERENCIAÇÃO E NA DIVERSIFICAÇÃO NA TRANSFORMAÇÃO
Tenho vindo a defender, junto da lavoura açoriana, a necessidade de esta apostar num modelo mais sustentável da produção de leite, baseada principalmente na erva das nossas pastagens, em detrimento de uma produção de leite feita com concentrados, necessariamente importados, cujo preço não controlamos. Uma vez que vaca leiteira entrou hoje em competição directa com os automóveis e a razão preço do leite pago ao produtor, preço do concentrado, e a resposta produtiva esperada em função dos suplementos de cereais, faz com que esta nossa defesa ganhe hoje mais força ainda.
A vaca é um ruminante (por vezes esquecemos este pequeno grande detalhe!), uma máquina de 4 estômagos perfeita para transformar aquilo que não conseguimos comer, erva, em alimentos ricos e saborosos, leite e carne, aproveitando assim, indirectamente a energia solar captada pelas plantas através da fotossíntese.
Para que se disponibilize aos animais o máximo de erva possível e ao preço mais baixo, há que manejar melhor a pastagem, escolhendo-se as cultivares melhor adaptadas, mais ricas do ponto de vista energético (com mais açúcares), em pastagem consociada com leguminosas, garantindo-se o máximo de fixação natural de azoto, usando-se bactérias melhor adaptadas aos nossos solos ácidos.
Mas a produtividade e o rendimento são o produto de uma trilogia:PRODUTIVIDADE = GENÉTICA X ALIMENTAÇÃO X MANEIO
A exploração de animais melhor adaptados à produção de leite a partir da erva deve condicionar as opções genéticas, numa lógica de maximização da produção de sólidos por hectare em detrimento da produção individual, maximizando-se o encabeçamento. A opção por raças produtoras de maior quantidade de sólidos, ou de cruzamentos destas com a raça "holstein", garantem não só uma maior produção por hectare, através de um maior encabeçamento, mas também, no caso dos animais híbridos, a avaliar pelo exemplo da Nova Zelândia, um maior rendimento, fruto também de uma maior longevidade dos animais, maior resistência às doenças, maior fertilidade, maior rusticidade, maior eficiência económica.
Vender melhor ou produzir mais?Mais do procurar aumentar o rendimento dos agricultores incentivando-os a produzir mais, numa lógica produtivista, feita à custa de imputes importados, cujos preços não controlamos e nem sempre geradores de maiores rendimentos para o agricultor, importa vender melhor, produtos de elevada qualidade e de maior valor acrescentado, aumentando a rentabilidade dos sistemas mais sustentáveis de produção, através de mais conhecimento e de tecnologias apropriadas, numa lógica de sustentabilidade. Mais que a produção física, o sector precisa de intensificar o seu valor, apostando na diferenciação, na inovação ao nível da oferta e na comercialização dos produtos, na qualificação dos recursos e na sustentabilidade.
Os produtos com selo, com garantia de uma origem controlada, ilustram a formalização de novo paradigma na produção alimentar. Em nossa opinião os produtos da nossa agricultura e da nossa pesca, deveriam ser comercializados com a identificação de “Produzido nos Açores” defendendo-se a todo o custo que este rótulo esteja sempre ligado a uma imagem de qualidade, de mais natural, de segurança, de mais nutritivo. Mas, com maior agressividade, fazendo uso de técnicas de marketing modernas, explorando bem os mercados que nos ficam mais à mão: Lisboa; Madeira; Canárias e o mercado da saudade.
E porque estamos em ilhas, forçoso será pensar em transportes a preços mais acessíveis, bem organizados, pensados também numa lógica de exportação dos nossos produtos e não apenas da importação dos bens de consumo. Mais do que subsidiar a importação de cereais e adubo de outras paragens, importará mais fazer o inverso, subsidiando o transporte dos bens a exportar. Este é o grande desafio a colocar à comunidade europeia na negociação do POSEIMA.
E SEMPRE A QUALIDADE DA MATÉRIA-PRIMA
Os indicadores de qualidade apontam para níveis de cumprimento relativamente aos parâmetros de higiene do leite satisfatórios, embora em algumas das ilhas haja que fazer um maior esforço nesta vertente. Destacamos pela positiva o caso da Ilha de S. Jorge, que produz um leite de excelente qualidade, talvez o melhor leite do país, graças ao esforço efectuado pelas cooperativas locais, produtoras do queijo DOP S. Jorge. Este deveria ser claramente um exemplo a seguir pelas restantes ilhas.
O POTENCIAL DE DIVERSIFICAÇÃO PELA INOVAÇÃO
Como referimos anteriormente os lacticínios açorianos tem baixo valor acrescentado, havendo ainda uma insuficiente promoção e valorização dos seus produtos de referência com qualidade diferenciada, como os 2 queijos regionais DOP, a manteiga e o leite líquido UHT. O queijo S. Jorge representa, em quantidade, cerca de 60% da produção total nacional de queijos DOP, mas é aquele que apresenta a menor cotação no mercado, ao que não será alheio o facto de ser um queijo de vaca, tradicionalmente menos valorizado que os queijos fabricados com leites de cabra e ovelha. O “Queijo do Pico”, não tem registado, infelizmente, produção e comercialização, o que o coloca à beira da extinção, justificando-se um esforço especial e urgente no sentido de o preservar.
Um dos dramas da comercialização dos lacticínios dos Açores é - uma vez que cerca de 87% do leite é constituído por água - fazer face aos custos de transporte para os seus principais mercados, sobretudo para Lisboa. Daí que a opção seja a concentração em matéria sólida e que não seja de espantar que mais 80% dos lacticínios dos Açores sejam constituídos por sólidos do leite: queijo (52,6%), essencialmente queijo flamengo, e leite em pó (27,5%), o mais pobre dos lacticínios em termos de valor acrescentado e o mais dependente de energia fóssil. Será isto sustentável? Claro que não! Aumentos bruscos do preço da energia, como recentemente aconteceu, poderão colocar em causa de um dia para o outro a sustentabilidade económica desta indústria.


Ora, uma forma de absorver no produto os custos de transporte será acrescentar-lhe mais valor, inovando, diversificando, fraccionando-o. Existe certamente um grande potencial para produzir novas variedades de queijo, produtos fermentados do leite, sobremesas, leites modificados, gelados, lacticínios destinados a grupos específicos de consumidores: pediátricos, geriátricos, para grávidas, jovens em crescimento, atletas, etc.
Os gelados, considerados em alguns países um produto “dairy”, são o lacticínio com maior taxa de crescimentos no seu consumo e maior valor acrescentado Dada a preocupação com o fenómeno da obesidade e com as doenças nutricionais, há a necessidade de desenvolver novas variedades “light”, por exemplo, a partir do iogurte, do soro em pó, com incorporação de frutos locais, com flora activa - mais adequados a uma nutrição equilibrada, em particular dos jovens, sem lhe retirar o prazer no momento de consumo.
O consumo de leites suplementados ou modificados, pela adição de minerais (Cálcio); ácidos gordos (omega3; CLA); vitaminas (Ex.:vitamina D); com flora activa (Por ex. Lactobacillus acidophilus, no leite dito acidófilo); extracto de plantas (aloés); leite achocolatado, rico em proteínas do soro (lactoalbumina; lactoglobulina; lactoferrina) tem vindo aumentar nos últimos anos. Estes processamentos tendem a acrescentar muito valor à matéria-prima, viabilizando o suporte dos custos a grandes distâncias.
Outra forma de acrescentar valor será através de novas embalagens, mais apelativas, fraccionando-se o produto, em doses individuais, adequadas à confecção de pratos rápidos. São exemplos o queijo fatiado; ripado; ralado; os iogurtes bicompartimentados; o leite chocolatado enriquecido, em embalagem em dose individual e de fácil consumo.
Os produtos com selo DOP ou IGP (Indicação Geográfica Protegida) acrescentam valor comercial aos alimentos, pois o consumidor relaciona facilmente estes produtos com a imagem cultural e ambiental de uma determinada região, garantia de virtudes relacionadas com as origens, as raízes, uma certa forma de fazer mais natural, por isso mais genuína! O conceito, recente, de Indicação Geográfica Protegida (IGP) denominada “Carne dos Açores”, deveria, com mais propriedade, ser aplicado ao “Leite dos Açores”, o que daria um contributo importante para uma maior valorização do nosso leite possibilitando níveis de organização e integração destas duas fileiras- de si intimamente relacionadas ao nível da produção - essenciais à afirmação de uma imagem no mercado que permita a qualificação e valorização destes produtos ao nível do seu próprio mérito. A este respeito a recente abertura na baixa lisboeta de uma loja gourmet de produtos açorianos é de louvar e incentivar.
(*) Professor Catedrático da Universidade dos Açores
Síntese baseada numa comunicação apresentada ao 9º Encontro de Química dos Alimentos QUALIDADE E SUSTENTABILIDADE - UMA ABORDAGEM INTEGRADA. Angra do Heroísmo. 29 de Abril a 2 de Maio 2009

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sexta-feira, junho 12, 2009

Sustentabilidade da Produção Leiteira nos Açores

José Estevam da Silveira Matos(*)


A noção de sustentabilidade, aplicada aos processos de produção agrícola, tem vindo a impor novos desafios ao desenvolvimento da pecuária, tornando-se mesmo determinante das estratégias do seu desenvolvimento. Importará então saber – com base numa noção de sustentabilidade construída a partir de 3 diferentes dimensões: social (Capital Humano, cultural e a política); económica (eficiência, competitividade); ambiental (solo, água, qualidade do ar; biodiversidade, paisagem) - se o actual modelo de produção leiteira praticado nos Açores é, ou não, sustentável a médio-longo prazo - face às mudanças de paradigma associadas à globalização dos mercados, à grande instabilidade económica, à emergência de novos mercados, às novas energias, etc.Abordaremos cada uma destas dimensões em capítulos separados.
CAPÍTULO I - A DIMENSÃO SOCIALO CAPITAL HUMANOAs práticas da agricultura, em particular a produção leiteira, são mão-de-obra intensiva, exigentes em mão-de-obra jovem e saudável, dada a exigência de uma actividade física intensa, 365 dias por ano, quase sempre sobre condições adversas no caso dos Açores.Um dos factores de instabilidade no sector é representado pelo franco envelhecimento da população agrícola e a diminuição drástica do número de agricultores, com a eventual deslocação das explorações para zonas mais populosas, “mais favoráveis”, com a consequente desertificação das regiões mais remotas. Embora a diminuição do número de produtores de leite tenha sido acompanhado pelo aumento da dimensão média das explorações e o aumento da produção de leite por exploração, há que garantir que as explorações leiteiras do futuro sejam geridas por profissionais agricultores mais jovens e mais qualificados e que os recursos disponíveis, nomeadamente os solos e as pastagens, sejam explorados de forma sustentável , quer o sejam através da vaca leiteira quer da dos bovinos de carne ou através dos pequenos ruminantes: a cabra e a ovelha.
Comparativamente com o todo Nacional, os Açores têm uma maior percentagem de jovens; e uma menor percentagem de idosos mas com uma menor percentagem de indivíduos em idade activa (dos 15 aos 64 anos). Mas, as médias podem ser enganadoras uma vez que os Açores são, também neste aspecto, 9 realidades territoriais diferentes.
Os dados do Instituto Nacional de Estatística (Estimativas da População Residente, de 2006) indicam que entre 2005 e 2006, o Índice de Envelhecimento da população açoriana voltou a aumentar, passando de 63,4 para 64,4, mesmo assim, este indicador é inferior ao do país, que é de 111,7. Mas analisando o que se passa nas diversas ilhas, a perspectiva é bastante menos animadora, pois, algumas ilhas estão a envelhecer acentuadamente (Quadro 1). A média Regional é claramente influenciada pela população da Ilha de S. Miguel, que constitui a maior percentagem da população das ilhas.
QUADRO 1. População residente nos Açores e seu envelhecimento – comparação com o todo Nacional TOTAL 2001 Índice de envelhecimento1991-2001
PORTUGAL 10,5 milhões 111,7AÇORES 243.018 64,4Corvo 468 193,2Lajes das Flores 1.513 133,3Santa Cruz das Flores 2.546 113,0Lajes do Pico 4.772 148,5São Roque do Pico 3.776 136,4Madalena 6.258 135,2Calheta 3.906 126,9Velas 5.598 108,1Santa Cruz da Graciosa 4.838 137,2Horta 15.426 86,4Angra do Heroísmo 35.115 78,3Vila da Praia da Vitória 20.582 72,4Povoação 6.771 72,5Nordeste 5.276 96,4Vila Franca do Campo 11.089 50,2Ponta Delgada 64.384 49,2Lagoa 15.139 41,3Ribeira Grande 30.012 34,6Vila do Porto 5.549 68,0FONTE: INE, Estimativas da População Residente - 2006
Mais preocupante ainda se torna se analisarmos a variação percentual da população por grupos etários (Quadro 2). Destacamos aqui nesta análise o grupo dos mais jovens (0-14 anos), acentuando o facto da variação ocorrida entre o censos de 1991 e 2001 ser negativa em todas as ilhas, mais acentuadamente em S. Jorge (-28,5%); Flores (-28,3%); Santa Maria (-27,3%); Graciosa (-23,5%); Corvo (-22,9%); Faial (-22,6%). Apenas S. Miguel apresenta uma evolução percentual um pouco melhor do que a Nacional (-16%), embora também negativa (-15%).
QUADRO 2. Variação Percentual da População Residente por grupos etários (1991/2001)
GRUPOS ETÁRIOS 0-14 15-24 25-64 >=65PORTUGAL -16 -8,1 11,8 26,1AÇORES -17,6 2,9 11,6 5,5CORVO -22,9 47,9 22,3 15,6FLORES -28,3 -1,7 1,5 -11,0PICO -20,9 0,2 3,5 -0,6S.JORGE -28,5 -2,0 0,5 9,3GRACIOSA -23,5 1,3 -5,6 -3,2FAIAL -22,6 7,2 13,1 -5,4TERCEIRA -18,4 5,5 6,3 6,6S.MIGUEL -15 2 18 9,7SANTA MARIA -27,3 8,1 -0,8 5,9
Este envelhecimento da população tem levado algumas das ilhas a optarem por sistemas de produção pecuária muito extensivos, por exemplo por produção de carne, com produtividades menores - diríamos que mesmo por sistemas de semi-abandono das terras.
Apesar do número de explorações leiteiras não ter cessado de diminuir nos últimos anos nos Açores, passando de 9712, em 1985, para 3.537, em 2007/08, a produção de leite aumentou substancialmente, de cerca de 381.000 toneladas, em 1996/97, para 538.000, em 2007/08 (+41,2%), concentrando-se esta produção essencialmente nas Ilhas de S. Miguel e da Terceira (87%).
Acresce ao problema da desertificação e do envelhecimento dos agricultores o baixo nível de instrução e da sua formação profissional, embora exista nas ilhas de S. Miguel e Terceira uma franja importante de agricultura profissionalizada, com lavouras prósperas, tecnicamente evoluídas.
CONSEQUÊNCIAS AMBIENTAiS DA DESERTIFICAÇÃO

O nosso ambiente, dito “natural”, não passa de um imenso jardim, amanhado por várias gerações, que levantaram paredes, muitas vezes à luz do luar, roçaram silvados e outras ervas daninhas. Sem estes amanhos constantes as tão admiradas hortênsias (Hidrangea macrophyla), o incenso (Pittosporum undulatum) e a roca-de-velha (Hedychium gardnerarum) - que são plantas exóticas, mas que por cá se dão excepcionalmente bem - seriam pragas ainda mais generalizadas. A multiplicação, desgovernada destas espécies, estranhas, é responsável pela extinção de espécies endémicas, já hoje raras, e que fazem parte do nosso património natural.
A diminuição da população agrícola, conjugada com o seu relativo envelhecimento, a continuar nos próximos anos, inviabilizará, por exemplo, qualquer política da recuperação das vinhas da Ilha do Pico, classificadas como Património Mundial pela UNESCO. A recuperação destas vinhas só será então possível com o recurso a mão de obra imigrante.
CONSEQUÊNCIAS CULTURAISA forte ruralidade da RAA está bem patente na identidade cultural do povo açoriano, na ocupação do território e nas paisagens características das ilhas – aspecto também relevante para o desenvolvimento do emergente sector do turismo.
As grandes referências cultura açoriana, como as festas do Divino Espírito Santo (a grande festa da partilha da abundância gerada pela terra), o Carnaval da Terceira, o folclore, a tourada à corda, tradições cuja matriz é profundamente rural, terão a perder com a desertificação humana da agricultura de algumas das nossas ilhas.
Também, por isso mesmo, o turismo que queremos tanto desenvolver será também prejudicado pois, quer os aspectos ambientais, quer os culturais, lhe dizem respeito.
Há portanto que entender que a actividade agrícola é mais do que simplesmente um sector económico, percebendo-se a riqueza do conceito da sua multifuncionalidade, a importância que ela tem para potenciar o desenvolvimento de outros sectores da actividade económica; como o turismo, a preservação da paisagem, enquanto valor cultural, a conservação dos recursos naturais (água, solo, biodiversidade e outros), a segurança alimentar, das próprias famílias e da sociedade. Para que o sector continue a desempenhar estas diversas funções, todas igualmente úteis e importantes, existem grandes desafios para a sua continuidade, na busca de um equilíbrio entre a tradição e a constante necessidade de inovação e que os fenómenos de desertificação e envelhecimento demográfico de algumas das ilhas acarretarão consigo mais do que a perca de produção de uns milhares de litros de leite ou toneladas de carne.
OS DESAFIOS POLÍTICOSAS INCERTEZAS DA PAC A possibilidade de as quotas acabarem em 2015, ou mesmo antes (?!!!), a demora na definição de um prazo exacto, a indefinição no regime de transição, na maior ou menor “suavidade na aterragem”, coloca os produtores de leite europeus perante uma grande dificuldade de planeamento das suas explorações a médio/longo prazo, uma vez que estes se adaptam com grande dificuldade a mudanças súbitas de rumo, dada o grande compasso dos ciclos naturais com que tem que lidar. Certo é que o fim da quota leiteira, num quadro de maior competição global, e de retracção dos consumos, terá como consequência previsível um aumento da produção de leite na União Europeia, um aumento da dimensão das explorações e obviamente a uma diminuição substancial dos preços do leite ao produtor. Este sector é, por tradição, muito dinâmico nas respostas, ou na exploração de novas oportunidades, tendo mesmo sido vítima no passado do seu próprio dinamismo.
(*) Professor Catedrático da Universidade dos Açores
Síntese baseada numa comunicação apresentada ao 9º Encontro de Química dos Alimentos QUALIDADE E SUSTENTABILIDADE - UMA ABORDAGEM INTEGRADA. Angra do Heroísmo. 29 de Abril a 2 de Maio 2009

(in Diário Insular)

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sexta-feira, maio 22, 2009

Influências Genéticas e Ambientais na Produção Leiteira em Vacas Frísia nos Açores

Realizaram-se no dia 18 de Maio, pelas 10 horas, no Auditório do pólo da Terceira da Universidade dos Açores, as provas de Mestrado em Produção Animal, requeridas pela licenciada Ana Luísa Mendes Pavão. As provas serão avaliadas por um Júri presidido (por designação do Reitor) pelo doutor José Estevam da Silveira Matos, professor catedrático da Universidade dos Açores, sendo vogais os Doutores Luís Lavadinho Telo da Gama, professor catedrático da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Técnica de Lisboa, e Jorge António Colaço, professor catedrático da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. As provas constaram da discussão pública, com crítica e defesa, de uma dissertação intitulada Influências Genéticas e Ambientais na Produção Leiteira em Vacas Frísia nos Açores.

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quinta-feira, maio 21, 2009

Genética da vaca leiteira

Encontram-se na ilha Terceira os Professores Catedráticos Aura Antunes Colaço e Jorge A. Colaço, MVet, DCVet da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. A sua estada na Terceira teve como objectivo fazerem parte do júri de mestrado, Genética do Melhoramento Animal, vaca leiteira, da Eng.ª Luísa Pavão, que teve lugar no Departamento de Cências Agrárias de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores. Na companhia do Prof. José Matos e da Eng.ª Laura Matos, visitaram o Museu do Vinho dos Biscoitos da Casa Agrícola Brum Lda.
(in Bagos D'Uva)

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sábado, maio 09, 2009

Crise na Lavoura é ultrapassável considera investigador da Universidade dos Açores

Momento preocupante é como o Professor universitário José Matos analisa a nova descida do preço do leite aos produtores, na Região Autónoma dos Açores.
Para o investigador açoriano, a crise não se pode isolar do contexto mundial e, há muito, que vinha a alertar para a crise na Lavoura do arquipélago.
José Matos está em crer que se possa evitar um cenário de falências, no sector da produção leiteira e espera que a União Europeia venha a adiar a decisão de acabar com as quotas leiteiras, uma decisão tomada, aliás, há já alguns anos, quando a situação no sector dos lacticínios era ainda estável.

O Professor universitário defende que o Governo Regional devia conceder mais apoios aos produtores açorianos, mas acredita que a mediação e o entendimento entre a Indústria e a Lavoura não é fácil.
Como medida para se ultrapassar a actual crise, José Matos defende também a aposta na criação de um leite de identificação Geográfica Protegida e também a comercialização de leite biológico, pois que, à semelhança do que já se faz com a carne do arquipélago, afirma que a aposta deve estar na marca " Açores ", e não deixa de acreditar que os lavradores açorianos são capazes de fazer frente a estes novos desafios.
(In Carlos Tavares com Redacção da Antena 1 / Açores)

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segunda-feira, maio 04, 2009

O vinho dos Biscoitos por António Espínola

António Espínola Godinho (aqui), Mestre-adegueiro da Casa Agrícola Brum Lda. (Museu do Vinho dos Biscoitos), falando do vinho desta centenária casa com o Professores José Matos do Departamento de Ciências Agrárias de Angra do Heroísmo da universidade dos Açores, João Canadas, Politécnico de Beja e Nuno Alvarenga, individualidades que participaram no 9º Encontro de Química dos Alimentos.

(in Bagos D'Uva)

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domingo, maio 03, 2009

Abandono da agricultura enfraquece o turismo

O cada vez maior abandono da actividade agrícola não tem apenas impacte neste sector, mas também noutras áreas, como o turismo.A ideia foi defendida ontem, no “9º Encontro de Química dos Alimentos”, pelo professor da Universidade dos Açores, José Matos, que deu o exemplo da paisagem das vinhas no Pico, com forte interesse turístico. “Este trata-se de um património único, construído ao longo de anos, que facilmente e rapidamente se está a deteriorar. Com o abandono da agricultura, estamos num ponto em que, se não existir imigração e até movimentação de trabalhadores entre as ilhas do arquipélago, não será possível jamais recuperar este património”, alertou.Na opinião de José Matos, o enfraquecimento do sector agrícola tem impacto no turismo porque os agricultores são os “jardineiros do Ambiente”, que cuidam, naturalmente, das paisagens que os turistas visitam. José Matos lembrou ainda, na comunicação intitulada “Sustentabilidade da produção Leiteira nos Açores”, que os valores da açorianidade estão profundamente ligados à ruralidade.“É o caso das touradas à corda, do Espírito Santo. Se não houver mais agricultores, perdem-se esses valores culturais que enriquecem a nossa Região”, defendeu.Quanto ao sector do leite, para além de avisar para possíveis descidas do preço ao produtor ao longo deste ano, José Matos afirmou que uma das melhores formas para manter a sustentabilidade é apostar na alimentação do gado à base de pastagem.Outra ideia defendida por José Matos foi a de os agricultores passarem a produzir energia eólica. “Neste campo, os agricultores açorianos estão em vantagem. Temos muito vento. Seriam precisos, claro, incentivos para que os equipamentos fossem adquiridos e instalados a um preço justo, à semelhança do que já existe para empresas”, sustentou.No prazo de 16 anos, a produção de leite nos Açores duplicou, “um fenómeno único a nível nacional”, lembrou o investigador.
(In Diário Insular)

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“Vêm aí coisas más” para o sector do leite

“Cem quilos de leite padrão são pagos, nos Açores, a 28 euros e 23 cêntimos, enquanto o preço médio praticado na Europa é de 28 euros e 84 cêntimos. Com preços bastante mais baixos praticados nos Estados Unidos e na Nova Zelândia, vêm aí coisas más para o nosso sector do leite. Esperam-se mais baixas de preço, para manter a competitividade, ao longo deste ano”. As palavras são do professor da Universidade dos Açores, José Matos, que falava, ontem, no “9º Encontro de Química dos Alimentos”. De acordo com o especialista em matérias ligadas ao sector do leite, os produtores podem mesmo esperar “descidas de preço ainda mais graves” que as verificadas até ao momento.Na comunicação que apresentou no encontro, José Matos defendeu várias medidas para fortalecer o sector de leite nos Açores, nomeadamente a aposta na criação de um leite de Identificação Geográfica Protegida e até a comercialização de leite biológico. Matos lembra que o modelo de produção em vigor nos Açores já se “aproxima muito do biológico”. Para a implementação deste tipo de leite no mercado português, seria necessário, segundo o especialista, investir em estratégias de marketing, criar incentivos financeiros e serviços de inspecção eficazes, entre outras medidas.Além disso, o professor universitário defende a transformação do leite em produtos com valor acrescentado, direccionados para mercados específicos, como o geriátrico ou o pediátrico.

(in Diário Insular)

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sexta-feira, abril 17, 2009

9º Encontro de Química dos Alimentos - Angra do Heroísmo, Programa Completo

Quarta-feira, 29/2009
Entrega de documentação/Afixação dos painéis
Cerimónia de abertura
Sessão I – Produção de alimentos e sustentabilidade
Moderador: Jorge Justino, Instituto Politécnico de Santarém
Palestra inaugural
“Food Quality and Sustainability: a question of balance”
Martinus A.J.S. van Boekel, Wageningen University
Pausa para café
Comunicação oral I - “Valorização dos produtos da pesca: aplicação de novas tecnologias de conservação e preparação de novos produtos”
Maria Leonor Nunes, IPIMAR, Lisboa
Comunicação oral II – “Sustentabilidade no sector dos óleos vegetais”
Beatriz Oliveira, REQUIMTE, Serv. Bromatologia, Fac. Farm., Univ. Porto
Comunicação oral III – “Utilização do resíduo de café como fonte de ingredientes alimentares com actividade imunoestimuladora”
Manuel A. Coimbra, QOPNA, Dep. Química, Universidade de Aveiro
Almoço
Sessão I (cont.) – Produção de alimentos e sustentabilidade
Moderador: F. Xavier Malcata, ESB, Universidade Católica Portuguesa
Plenária I – “Sustentabilidade da produção Leiteira nos Açores”
José Matos, Universidade dos Açores
Comunicação oral IV – “Biodiversidade do queijo do Pico. Bactérias lácticas”
M. Lurdes N.E Dapkevicius, CITAA, Dep. Ciências Agrárias, Univ. Açores
Comunicação oral V – “Obtenção de farinha mista, para alimentação de crianças com deficiência nutricional, a partir de banana e milho”, Ana Luisa Fernando,
Fac. Ciências e Tecnologia, Univ. Nova de Lisboa
Comunicação oral VI – “Premium” Microalgae: aplicações biotecnológicas na alimentação humana”, Paula Coutinho, UDI-IPG, Inst. Politécnico da Guarda
Pausa para café
Sessão de Posters (Temas I e II)
Visita ao Museu de Angra do Heroísmo
“Whale watching”
Prova/Feira de produtos regionais (Museu de Angra do Heroísmo)
Quinta-feira, 30/4/2009
Entrega de documentação/Afixação dos painéis
Sessão II – Qualidade dos Alimentos
Moderador: Ivonne Delgadillo, Universidade de Aveiro
Plenária II – “Qualidade, sustentabilidade e valorização lipídica dos alimentos de origem animal”, José Mestre Prates, FMV, Univ. Técnica de Lisboa
Comunicação oral I – “Produtos de aquacultura: efeito da composição das rações e do maneio na qualidade”, Maria Leonor Nunes, IPIMAR, Lisboa
Comunicação oral II - “Characterization of three types of certified meat commercialized in Portugal”, Ana Cristina Monteiro, FMV, Univ. Técnica de Lisboa
Pausa para café
Comunicação oral III – “Quantification of adulterated oil samples using a triangular experimental design”, Alexandra Nunes, Dep. Química, Universidade de Aveiro
Comunicação oral IV – “Transformações químicas das antocianinas da uva: compostos derivados das antocianinas responsáveis pela evolução da cor dos vinhos tintos”, Nuno Mateus, Dep. Química, Fac. Ciências, Universidade do Porto
Comunicação oral V – “Composição em ácidos orgânicos de méis provenientes de diferentes regiões”, Marina Domingos-Lopes, CITAA, Universidade dos Açores
Comunicação oral VI –“ Development of a head-space solid-phase microextraction procedure for analysis of volatile composition of umbu (Spondias tuberosa Arruda Camara)”, Maria Cristina Antun Maia, Dep. Eng. Bioquímica, Escola de Química, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Almoço
Sessão III – Nutrição e Saúde
Moderador: Amélia Rauter, Fac. Ciências, Universidade de Lisboa
Plenária III – “Alimentação, nutrição e saúde”, Pedro Moreira, Fac. Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto
Comunicação oral I – “Perfil químico da Pêra Rocha e sua valorização em termos das actividades antioxidante e anticolinesterásica”, Amélia P. Rauter, Dep. Química e Bioquímica, Fac. Ciências, Universidade de Lisboa
Comunicação oral II – “New insight into traditional Portuguese leafy vegetables as food source of compounds for human health”, Maria da Graça Dias, Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge
Pausa para café
Comunicação oral III – “Nutritional quality of turkey breast meat from conventional and organic production system”, Mário Quaresma, FMV, Univ. Técnica de Lisboa
Comunicação oral IV – “Cyclodextrins as Food Additives and Ingredients: Nutraceutical applications”, Aida Moreira da Silva, Esc. Sup. Agrária de Coimbra
Comunicação oral V – “Reformulação de receitas de pastelaria com incorporação de ingredientes hipocalóricos”, Cristiana Nunes, Instituto Piaget, ISEIT de Almada
Comunicação oral VI – “Azorean Hypericum foliosum Aiton as a functional food. Antioxidant and total phenolics determination in comparison with other Hypericum members”, Nuno Rainha, DCTD, Universidade dos Açores
Sessão de Posters (Temas III e IV)
“Whale watching”
Reunião da Divisão de Química dos Alimentos da SPQ
Jantar livre
Sexta-feira
Entrega de documentação
Sessão IV – Alimentos Tradicionais
Moderador: Silvina Ferro Palma, ESA, Instituto Politécnico de Beja
Plenária IV - “Alimentos Tradicionais Açorianos com Propriedades Funcionais”
José Baptista, DCTD, Universidade dos Açores
Comunicação oral I – “New trends in the establishment of vegetable metabolic patterns”, Sílvia M. Rocha, Dep. Química, Universidade de Aveiro
Pausa para café
Comunicação oral II – “Avaliação do potencial da utilização do nitrito de sódio, ácido ascórbico, sorbato de potássio e metabissulfito de sódio nos Maranhos”,
João J. Salavessa, FMV, Universidade Técnica de Lisboa
Comunicação oral III – “Envelhecimento acelerado de aguardentes vínicas na presença de fragmentos de madeira. Influência nos compostos odorantes”, Ilda Caldeira, ex-Est. Vitivinícola Nacional—EVN, Lab. Inv. Agr. (L-INIA) - Instituto Nacional de Recursos Biológicos
Comunicação oral IV – “Composição glicosídica e actividade antioxidante de extractos de infusões de folhas de freixo (Fraxinus angustifolia)”, Vitor M.R. Martins, Instituto Politécnico de Bragança
Comunicação oral V – “Effects upon microstructure and texture arising from the dynamics of potential food pathogens in model cheese”, F. Xavier Malcata, Escola Superior de Biotecnologia, Universidade Católica Portuguesa
Almoço (Regional)
Visitas técnicas
“Whale watching”
Tourada à Corda
Jantar livre
Sábado
Entrega de documentação/Afixação dos painéis
Sessão V – Segurança e Toxicologia
Moderador: Maria Leonor Nunes, IPIMAR, Lisboa
Plenária V – “Food safety in the United States: an integrated approach”
Catherine N. Cutter, Pennsylvania State University
Comunicação oral I – “Evaluation of OTA exposure through bread consumption and urine occurrence in Coimbra population: winter 2007”, Celeste Lino, Group of Bromatology, Centre of Pharmaceutical Studies, University of Coimbra
Comunicação oral II – “Simultaneous determination of mycotoxins zearalenone and deoxynivalenol in cereals products using QuEChERS extraction and GCxGC/MS”,
José Fernandes, REQUIMTE, Serviço de Bromatologia, F.F., Universidade do Porto
Pausa para café
Comunicação oral III – “Detection of seven genetically modified maize events in food products on the Portuguese market”, Isabel Mafra, REQUIMTE, Serviço de Bromatologia, F.F., Universidade do Porto/ ESB-UCP
Comunicação oral IV – “Transgenes monitoring in an industrial soybean oil processing by conventional and real-time polymerase chain reaction”, Joana Costa, REQUIMTE, Serviço de Bromatologia, F.F., Universidade do Porto
Comunicação oral V – “Characterization of pediocin-like bacteriocin produced by Enterococcus faecium ST5HA isolated from smoked salmon”, Manuela Vaz-Velho, Esc. Sup. de Tecnologia e Gestão, Instituto Politécnico de Viana do Castelo
Comunicação oral VI – “Estudo das potenciais fontes de contaminação de dioxinas em amostras de frango, por comparação de perfis cromatográficos e rastreio alimentar”, Sandra Lucas, Instituto Nacional de Engenharia Tecnologia e Inovação
Almoço
Sessão VI – Processamento e Tecnologias de Produção
Moderador: José Empis, Universidade Técnica de Lisboa
Plenária VI – “Non conventional processing technologies for food applications”
José Teixeira, Universidade do Minho
Comunicação oral I – “Avaliação da vida útil de refeições “cook-chill” e “cook-freeze”: indicadores microbiológicos, físico-químicos e sensoriais”, Ana Rita Henriques, FMV, Universidade Técnica de Lisboa
Comunicação oral II – “Incorporação de biomassa de microalgas em massas alimentícias como fonte natural de ácidos gordos polinsaturados do tipo ω3”,
Narcisa Bandarra, IPIMAR, Lisboa
Pausa para café
Comunicação oral III – “Gelificação de proteínas do soro do leite na presença de ácidos orgânicos fracos – um novo mecanismo de gelificação realmente “a frio”?”,
José António Lopes da Silva, Dep. Química, Universidade de Aveiro
Comunicação oral IV – “Heterocyclic Aromatic Amines Formation in Barbecued Sardines (Sardina pilchardus) and Atlantic salmon (Salmo salar)”, Olivia Pinho,
Fac. Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto
Comunicação oral V - “Efeito combinado de tratamento químico e/ou revestimento comestível e/ou atmosfera controlada na qualidade de banana fresca cortada”,
Alcina Morais, Escola Superior de Biotecnologia, Universidade Católica Portuguesa
Comunicação oral VI – “Efeito de tratamentos de alta pressão na cinética e inactivação térmica e reactivação da peroxidase”, Jorge Saraiva, Dep.Química, Universidade Aveiro
Sessão de Posters (Temas V e VI)
Palestra de encerramento
“Development of functional foods, based on beneficial microorganisms and the bioactives they produce”, Catherine Stanton, Teagasc, Ireland
Sessão de Encerramento
Jantar de Encerramento

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quarta-feira, março 25, 2009

9º Encontro de Química dos Alimentos, Angra do Heroísmo - 29 de Abril a 2 de Maio 2009

Programa

Terça-Feira 28/4/2009
20H00 – Chegada ao Hotel
Biscoito de Honra (Câmara Municipal)
Quarta-Feira 29/4/2009
Entrega de documentação/Afixação dos painéis
Cerimónia de abertura
Palestra inaugural
“Food Quality and Sustainability: a question of balance” por Martinus A.J.S. van Boekel, Wageningen University.
Pausa para café
Comunicação oral I
Comunicação oral II
Comunicação oral III
Almoço
Sessão Plenária I – Produção de alimentos e sustentabilidade
“Sustentabilidade da produção Leiteira nos Açores” por José Matos, Universidade dos Açores.
Comunicação oral IV
Comunicação oral V
Comunicação oral VI
Pausa para café
Sessão de Posters (Temas I e II)
Visita ao Museu de Angra do Heroísmo
“Whale watching”
Prova/Feira de produtos regionais.

Quinta-feira

Entrega de documentação/Afixação dos painéis
Sessão Plenária II – Qualidade dos Alimentos “Qualidade, sustentabilidade e valorização lipídica dos alimentos de origem animal ”, José Mestre Prates – Universidade Técnica de Lisboa.
Comunicação oral I
Comunicação oral II
Pausa para café
Comunicação oral III
Comunicação oral IV
Comunicação oral V
Comunicação oral VI
Almoço
Sessão Plenária III – Nutrição e Saúde “Alimentação, nutrição e saúde” - Pedro Moreira, Universidade do Porto.
Comunicação oral I
Comunicação oral II
Pausa para café
Comunicação oral III
Comunicação oral IV
Comunicação oral V
Comunicação oral VI
Sessão de Posters (Temas III e IV)
“Whale watching”
Reunião da SPQ
Jantar livre.

Sexta-feira

Entrega de documentação
Saída para Auditório do Ramo Grande – Praia da Vitória
Sessão Plenária IV – Alimentos Tradicionais “Alimentos Tradicionais Açorianos com Propriedades Funcionais” José Baptista – Universidade dos Açores.
Comunicação oral I
Pausa para café
Comunicação oral II
Comunicação oral III
Comunicação oral IV
Comunicação oral V
Almoço (Churrasco Regional)
Visitas técnicas
“Whale watching”
Tourada à Corda
Jantar livre
Sábado

Entrega de documentação/Afixação dos painéis
Sessão Plenária V – Segurança e Toxicologia “Food safety in the United States: an integrated approach” Catherine N. Cutter - Pennsylvania State University.
Comunicação oral I
Comunicação oral II
Pausa para café
Comunicação oral III
Comunicação oral IV
Comunicação oral V
Comunicação oral VI
Almoço
Sessão Plenária VI – Processamento e Tecnologias de Produção “Non conventional processing technologies for food applications”. José Teixeira – Universidade do Minho.
Comunicação oral I
Comunicação oral II
Pausa para café
Comunicação oral III
Comunicação oral IV
Comunicação oral V
Comunicação oral VI
Sessão de Posters (Temas V e VI)
Palestra de encerramento “Development of functional foods, based on beneficial microorganisms and the bioactives they produce ” Catherine Stanton, Teagasc, Ireland.
Jantar de Encerramento.

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sexta-feira, fevereiro 06, 2009

ENCONTRO - Química dos Alimentos estreia-se na ilha Terceira

A Divisão de Química Alimentar da Sociedade Portuguesa de Química, em colaboração com a Universidade dos Açores, através do Departamento de Ciências Agrárias e do Centro de Investigação em Tecnologias Agrárias dos Açores (CITAA), vai organizar o 9º Encontro de Química dos Alimentos.
Trata-se de uma das mais importantes iniciativas que se realiza em Portugal sobre a matéria e que se estreia nos Açores, mais precisamente na ilha Terceira, entre 29 de Abril e 2 de Maio.
Ao longo de quatro dias a nova edição do encontro, de carácter bianual, tendo a última decorrido em Beja, vai ter o seguinte tema: “Qualidade e Sustentabilidade”.
As inscrições para o 9º Encontro de Química dos Alimentos deverão ser formalizadas até ao dia 28 de Fevereiro de 2009, podendo os interessados obter mais informações através do correio electrónico: 9eqa2009@uac.pt.
Além de sessões plenárias com oradores convidados, o programa científico incluirá comunicações orais e em poster em torno das seguintes áreas temáticas: “Produção de alimentos e sustentabilidade”, “Qualidade dos Alimentos”, “Nutrição e Saúde”, “Segurança e Toxicologia”, “Alimentos Tradicionais” e “Processamento e Tecnologias de Produção”.
Especialistas locais e internacionais
Após a chegada dos participantes, no dia 28 de Abril, a cerimónia de abertura está marcada para o dia seguinte, à qual se segue a palestra inaugural “Food Quality and Sustainability: a question of balance” (“Qualidade Alimentar e Sustentabilidade: uma questão de equilíbrio”) por Martinus A.J.S. van Boekel, Wageningen University e pela Sessão Plenária I – Produção de alimentos e sustentabilidade: “Sustentabilidade da produção Leiteira nos Açores” por José Matos, Universidade dos Açores. No dia seguinte, a Sessão Plenária II – Qualidade dos Alimentos vai contar com a presença de José Mestre Prates, da Universidade Técnica de Lisboa e a Sessão Plenária III – Nutrição e Saúde, sob o tema “Alimentação, nutrição e saúde” com Pedro Moreira, da Universidade do Porto. Na sexta-feira, dia 1 de Maio, os trabalhos decorrem no Auditório do Ramo Grande, na Praia da Vitória, com a Sessão Plenária IV sobre Alimentos Tradicionais com José Baptista, da Universidade dos Açores.
No último dia do encontro a “Segurança e Toxicologia” ocupará a quinta Sessão Plenária, trazendo a especialista Catherine N. Cutter, da Pennsylvania State University, para falar sobre “Food safety in the United States: an integrated approach” (“Segurança Alimentar nos E.U.A.: uma abordagem integrada”) a sexta sessão plenária sobre “Processamento e Tecnologias de Produção” pela mão de José Teixeira, da Universidade do Minho.
(In A União)

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domingo, fevereiro 01, 2009

Importância da Paratuberculose em Ovinos Serra da Estrela

Realizaram-se no dia 30 de Janeiro, pelas 9 horas, no Instituto Politécnico de Castelo Branco, as provas de Mestrado em Produção Animal do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, requeridas pelo licenciado Fernando Alexandre de Almeida Esteves. As provas foram avaliadas por um Júri presidido (por designação do Reitor) pelo Doutor José Estevam da Silveira Matos, professor catedrático da Universidade dos Açores, sendo vogais os Doutores António Manuel Moitinho Nogueira Rodrigues e Manuel Vicente Freitas Martins, ambos professores adjuntos da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Castelo Branco. As provas constarão da discussão pública, com crítica e defesa, de uma dissertação intitulada Importância da Paratuberculose em Ovinos Serra da Estrela.

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quarta-feira, janeiro 14, 2009

Clenbuterol Storage Stability in the Bovine Urine and Liver Samples Used for European Official Control in the Azores Islands (Portugal)

Isabel Pinheiro, Bruno Jesuino, Jorge Barbosa, Humberto Ferreira, Fernando Ramos, José Matos and Maria Irene Noronha da Silveira.

Clenbuterol is a well-known growth promoter, illegally used in farm animals, especially in cattle. Samples collected for the screening of β2-agonist residues in Portuguese Azores Islands must travel through all the nine islands until they reach Azores Central Laboratory. If any suspicious sample is detected, it must be further transported to the National Reference Laboratory in Lisbon for confirmation. As a consequence of these circumstances, samples are submitted to different transport and storage times, as well as different temperature conditions and in some cases successive freezing and thawing cycles. As clenbuterol is the most detected β2-agonist growth promoter in the Portuguese Residue Monitoring Plan, studies were conducted on the stability of this compound in incurred samples (bovine liver and urine) at +4, −20 and −60 °C over time. Samples kept at −20 °C were also analyzed over time after successive freezing and thawing cycles. The analyses of clenbuterol over time were performed by gas chromatography−mass spectrometry (GC−MS) with selected ion monitoring (SIM). Clenbuterol in incurred urine and liver samples was significantly stable up to 20 weeks at −20 and −60 °C and after, at least, six consecutive freezings and thawings. At +4 °C, clenbuterol remained stable, at least until 12 weeks in urine and up to 20 weeks in liver.

(In J. Agric. Food Chem.)

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segunda-feira, janeiro 12, 2009

Leite indexado

Uma fórmula indexante para o preço do leite ao produtor é urgente para que sejam tratadas as questões verdadeiramente importantes para o sector, defende o professor do Departamento de Ciências Agrárias do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, José Matos, numa entrevista em que alerta para a necessidade de “falar verdade” à lavoura e para a ameaça vinda de Espanha.

Já defende uma fórmula indexante para o preço do leite ao produtor há vários anos. Recentemente foi anunciado que Governo Regional, associações agrícolas e indústria vão entrar em negociações para esse efeito. Espera que a fórmula vá de facto em frente?
Para mim essa não é uma grande questão, há outras bem mais importantes no sector. A minha sugestão foi sempre no sentido de afastar no caminho das questões importantes a discussão do preço, que é mais do que anual, é bianual. Essa discussão dos preços tem o condão, muitas vezes, de azedar o debate de temas importantes, que exigem que lavoura, Governo, indústria e até a Universidade dos Açores, estejam coesos na defesa de interesses comuns. Veja-se o que tem acontecido com o Centro do Leite e dos Lacticínios. Tem sido esta questão que tem azedado aquilo que é importante fazer no âmbito deste centro.
Este é um problema quase eterno. Porque é que não se deu o passo para o resolver mais cedo?
É verdade. A questão do preço entre o comprador e o vendedor é uma questão eterna. O que vende quer receber mais. O que paga quer pagar menos. É o funcionamento do mercado, sempre foi assim. Nasci numa exploração leiteira, o meu pai era produtor de leite e também assisti desde pequeno a este debate. Não é nada de novo a guerra dos preços. O que há de anormal é que não se procure encontrar uma fórmula matemática de resolver este problema. Se é um problema que tem a ver sistematicamente com a flutuação dos preços no mercado, obviamente é possível através de uma equação matemática que essa flutuação de preços se repercuta no preço pago ao produtor. Umas vezes para bem, outras para mal, obviamente.
A lavoura pode cair em alguma armadilha nesta negociação de uma fórmula indexante?
Como tudo na vida e também nesta questão, há sempre um lado positivo e negativo. Com uma indexação, existirão também aspectos menos positivos. Há que garantir, quer para a indústria, como para o produtor, que os aspectos negativos não sejam muito pesados. Não queremos a indústria nem a produção falidas. É necessário que à volta desta questão da fórmula haja um debate muito sério.
A Universidade dos Açores tem um papel neste debate?
Alguns especialistas da UA, nomeadamente na área da matemática, podem tê-lo. Mas a intervenção dos investigadores da área agrícola até seria contraproducente.
Porquê?
É a velha questão que tem também a ver com o Centro do Leite e dos Lacticínios. Os investigadores, os técnicos que podem dar apoio quer à produção como à indústria não devem estar envolvidos nesta questão do debate do preço. Isso é trazer algum elemento de desconfiança em relação a pessoas com as quais quer a lavoura como a indústria têm de manter uma relação de confiança absoluta.
Um representante da UNICOL já avançou que existe uma posição de princípio contra a fixação administrativa de preços…
Sei que há esse cepticismo e que isto é de certa forma julgado como uma fixação administrativa do preço do leite. Não é o que defendo. Cada fábrica pode defender a sua própria fórmula e garantir a concorrência. O que é certo é que nas nossas ilhas, muitas vezes, ou há monopólio ou não há possibilidade de fazer funcionar as regras do mercado. Seria bom que as regras do mercado funcionassem.
O que é exactamente esta fórmula indexante? Como funcionaria?
Pode funcionar em função de diversos factores, que podem contribuir para uma fórmula única. Mas essa fórmula seria depois ajustada em função da produção e transformação de cada indústria. Admito que numa indústria que tenha como transformação leite em pó a fórmula deva ter isso em consideração, como no caso de outra que produza leite líquido ou iogurtes. Não é isso que está em questão. São permitidas nuances quanto a ilhas e fábricas… Não é difícil, os matemáticos encarregar-se-ão disso.
Com esta fórmula a lavoura açoriana seria muito diferente?
Não. A fórmula é um factor menor. A lavoura açoriana seria muito mais beneficiada pela resolução de heranças do passado. A montante, a nível da produção há a questão da discussão da propriedade, a dispersão das explorações… Ainda mais tendo em conta que há uma dinâmica que leva à diminuição do número de produtores, o que ajuda a resolver estes problemas. Neste momento é mais necessário e mais fácil encará-los do que nunca, porque o número de produtores decresceu incomparavelmente e será mais fácil negociar, não há laços afectivos tão grandes à propriedade... Desde que temos quotas leiteiras, o número de produtores caiu para metade. Existem hoje perto de 800 produtores de leite na Terceira. Eu presumo que nos próximos 10 anos fiquemos apenas com metade dos que temos actualmente.
Este decréscimo é assustador ou pode, pelo contrário, ser positivo?
Não é nada assustador! No espaço de 15 anos a lavoura quintuplicou a produção de leite nos Açores, embora o número de produtores tenha baixado para metade. Existem explorações maiores, mais eficientes, mais empresariais, com outros tipos de tecnologias. A qualidade do leite tem melhorado e presumo que melhore ainda mais. O que é preocupante é que nalgumas ilhas, por problemas demográficos, de envelhecimento da população, a produção de leite esteja a desaparecer. É o caso do Pico, Flores, Faial. É pena que não existam políticas que tentem contornar este fenómeno, que é muito forte.
Mesmo com o esvaziamento destas ilhas, a produção de leite vai ser sempre o grande sector da economia açoriana?
Sem dúvida nenhuma. Acima de determinada altitude, a produção de pastagem, valorizada pela produção de leite, é a melhor aposta. Tendo isto em atenção, percebe-se que em algumas ilhas não haverá agricultura sem vaca leiteira. E sem agricultura não me parece muito fácil sustentar um determinado número populacional que justifique outras actividades económicas. É o caso do turismo. Não é possível ter turismo sem famílias. Os picarotos dedicavam-se à agricultura e à caça à baleia. Hoje, muitos dividem-se entre a agricultura e alguns serviços ao turismo. Não colocam os ovos todos no mesmo cesto… A agricultura é a base, a raiz do sustento da população. Agora, nalgumas ilhas, com o envelhecimento das populações, encaro com preocupação se, sem agricultura, vai ser possível manter outros serviços e actividades. Veja-se o que aconteceu no Continente. À medida que a agricultura foi desaparecendo do país, as populações migraram para os grandes centros. Nos Açores ainda se vai a tempo de se tentar travar este processo. Um dos aspectos importantes é garantir que a agricultura se mantenha viável.
O cenário que a lavoura traça nesta altura é muito negro. A Associação Agrícola da Ilha Terceira avisa que muitas explorações poderão entrar em falência. É mesmo assim ou trata-se apenas de uma fase?
Gostaria de prever que é apenas uma fase muito transitória. Há uma grande instabilidade dos mercados a nível mundial e os lacticínios estão nesse contexto. Em 2007 essa instabilidade fez com que os preços disparassem, com uma maior procura da China e Índia e menor produção da Nova Zelândia e a Austrália. Dessa euforia passou-se para a vaga de retorno. Há menor consumo nos mercados asiáticos e este ano a Austrália e Nova Zelândia já recuperaram. O ano de 2007 foi eufórico, mas o preço do leite em pó já desceu para metade. Isto tem impacto a nível global e local. O consumo diminuiu também…
Mas esta é uma fase ou é mesmo o cenário com que a lavoura tem de lidar?
Da mesma forma que 2007 foi eufórico, 2008 teve um dinamismo muito negativo. Penso que a meados deste ano as circunstâncias melhorem. Nunca veremos preços como os de 2007. Há no entanto outro elemento de instabilidade, que é a Política Agrícola Comum e o fim das quotas leiteiras em 2015. Achei sempre muito estranho que se defendesse que a quota acabasse, mas parece que agora todos acham que a quota é importante. Isto porque é fácil perceber que o nosso principal concorrente em termos de mercado é a Espanha que, quando negociou as suas quotas, negociou abaixo das suas necessidades. Os Açores fizeram o contrário, foram claramente beneficiados, o que permitiu o crescimento do sector. Espanha é agora obrigada a comprar leite em Portugal. No momento em que a quota acabar, os espanhóis vão tornar-se excedentários na produção de leite e vão invadir o mercado português, nomeadamente o mercado de Lisboa, que é o mais importante para os lacticínios dos Açores. Logo a seguir a esta crise deveremos ter outro embate e temos de cuidar muito da competitividade do nosso sector.
Está-se a fazer o suficiente?
O fim das quotas do espaço da União Europeia é já em 2015…Está-se a fazer algumas coisas. Os próprios produtores estão, por exemplo, a cuidar da rentabilidade do seu processo produtivo, tratando, assim, também da competitividade do sector. Agora, com a entrada de Espanha no jogo, os produtores açorianos terão de produzir mais barato, é preciso dizer isso desde já.
Essa é uma mensagem dura para a lavoura…
Certo que sim, mas estamos numa altura em que há necessidade de falar com verdade, não dourar a pílula. É preferíveis termos uma pílula amarga e defendermos o nosso sector, desde o Governo, lavoura, políticos e universitários, sabendo que vêm dias maus. Temos muitos problemas, nomeadamente a nível de transformação e inovação.
Os produtos transformados dos Açores não são aliciantes neste mercado que se avizinha?
Têm sido o garante do crescimento do sector nos Açores, mas penso que não o continuarão a ser. Na Nova Zelândia, que tem muitas características semelhantes às dos Açores, a maior cooperativa de produção de lacticínios do país invadia o mercado mundial com um queijo. Neste momento tem 10. Oferece bebidas, produtos fermentados, com vários aspectos. Muitas vezes é o mesmo produto, com outra imagem. Temos de diversificar e aproveitar tecnologias de marketing.
Que peso tem a marca Açores?
Tem um peso enorme. É conhecida a qualidade do nosso processo produtivo. Sabe-se que as vacas andam livres, em pastagem, que têm uma alimentação natural. Todos no Continente conhecem essa imagem. Falta jogar totalmente esse grande trunfo. Todos nós conhecemos os anúncios de uma empresa do Continente que vende leite líquido como sendo natural, com animais em pastagem, até se vêem algumas imagens que parecem filmadas nos Açores. Fomos claramente ultrapassados por essa campanha de marketing. Agora, se surgirmos com algo semelhante, será sempre uma imitação. Devíamos ter feito isto há uns cinco anos atrás. Há claramente aqui uma corrida atrás do tempo. Que é preciso fazer.
(In DI-Revista)

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sexta-feira, janeiro 02, 2009

Preço do leite vai ter “fórmula indexante”

Associações agrícolas, industriais, e Governo Regional vão arrancar, “em breve”, com negociações para a criação de uma fórmula indexante ao preço do leite pago ao produtor na Região. A informação foi tornada pública em nota publicada pelo Gabinete de Apoio à Comunicação Social do Governo Regional, onde se avança que o objectivo é que os preços pagos aos produtores de leite evoluam em conformidade com o mercado do Continente e Europeu. A notícia foi bem acolhida no seio da lavoura terceirense. O presidente da Associação Agrícola da Ilha Terceira, Paulo Simões Ferreira, avança que esta medida pode ser o princípio do fim da desconfiança da lavoura em relação à indústria.“O Governo Regional tem de intervir para dar alguma moralidade ao mercado do leite. Esta medida pode vir a fazer com que os agricultores não se sintam enganados. Existem sempre dúvidas em relação ao facto de os industriais poderem ou não praticar determinado preço ao produtor. Com uma fórmula matemática, acabam-se as dúvidas. Perceber-se-ão os contornos reais que levam o preço do leite a subir ou a baixar”, adianta, em declarações prestadas ontem ao Rádio Clube de Angra. Opinião semelhante tem o professor do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, José Estevam de Matos, que tem vindo a defender a criação desta fórmula indexante. “Finalmente acordou-se para o facto desta medida ser muito positiva para o sector”, disse, em declarações ao DI, considerando que pode ser o fim “ da guerra a que se assiste todos os anos em torno do preço do leite”.
A fórmula
Na opinião do professor da UA, são vários os indicadores que podem ser utilizados para indexar o preço do leite ao produtor praticado no arquipélago. “O preço do leite nos Açores poderá entrar em linha de conta com os preços médios praticados na Europa. Por exemplo, a LTO, uma organização holandesa, disponibiliza todos os meses, inclusive na Internet, os preços pagos pelas principais empresas aos produtores”, explica. Outros indicadores, adianta José Matos, podem ser os preços praticados no mercado em relação a produtos como o queijo ou leite em pó ou de venda ao público de produtos que são produzidos em quantidade considerável “como o queijo de bola- o flamengo- ou a manteiga”. Para José Matos importa também encontrar uma “margem de manobra” que tenha em conta o factor do custo de transporte e mantenha o leite açoriano competitivo, sobretudo num cenário em que se aproxima cada vez mais o fim das quotas leiteiras no espaço comunitário. Paulo Simões Ferreira concorda, mas afirma não querer voltar a assistir a “absurdos, como no ano passado em que o leite no Continente era pago ao produtor 30 escudos acima do de cá”. “Isso tem um nome que prefiro nem dizer”, lança. Já o líder da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, que falava à RDP, acredita na adopção desta fórmula indexante, mas desconfia que a indústria a aceite de “braços abertos”.
Os industriais
A suspeita do líder da Federação Agrícola dos Açores pode vir a confirmar-se. Por agora, Mancebo Soares, da UNICOL, recusa-se a prestar declarações aprofundadas até conhecer a proposta que irá às negociações entre lavoura, Governo e indústria, mas adianta que, “a este respeito, a UNICOL tem uma posição de princípio”. “Não acreditamos em preços administrativos, pensamos que são coisas do passado. A economia actual não se compadece com preços fixados de forma administrativa, que se revelam depois prejudiciais para os utilizadores”, afirma. Já Costa Leite, da Insular, em declarações à RDP/Açores, afirma que esta fórmula dificilmente se poderia aplicar a todas as empresas das várias ilhas, visto que estas diferem muito no tipo de produtos que fabricam.
(In Diário Insular)

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quarta-feira, dezembro 31, 2008

Projectos aprovados pela Direcção Regional da Ciência e Tecnologia

A Direcção Regional da Ciência e Tecnologia aprovou, em 2008, os projectos seguintes do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores:

M2.1.2/F/028/2008 - Valorização dos produtos lácteos dos Açores – Bioactividade, sob a responsabilidade do Professor Oldemiro Aguiar do Rego do Centro de Investigação e Tecnologias Agrárias dos Açores (CITA-A).

M2.1.2/I/027/2008- Identificação Molecular de Microrganismos com interesse biotecnológico de Produtos Açorianos sob a responsabilidade dp Professor José Estevam da Silveira Matos do Centro de Biotecnologia dos Açores (CBA).

M2.1.2/F/022/2008 -Variação do perfil dos ácidos gordos de embriões bovinos produzidos in vitro/in vivo e seu efeito na sua qualidade e na actividade metabólica após criopreservação, sob a responsabilidade do Professor Joaquim Moreira da Silva do Centro de Investigação e Tecnologias Agrárias dos Açores (CITA-A).

M2.1.2/F/021/2008 - Valorização dos produtos lácteos dos Açores – Bioactividade sob a responsabilidade do Professor Oldemiro Rego, do Centro de Investigação e Tecnologias Agrárias dos Açores (CITA-A).

M2.1.2/I/003/2008 - Consequências das alterações de uso de solo na fauna de artrópodes dos Açores - Objectivo 2010, sob a responsabilidade do Doutor Pedro Miguel Bondoso Cardoso do Centro de Investigação e Tecnologias Agrárias dos Açores (CITA-A).

M2.1.2/I/007/2008 - Perspectivas sobre o mar e a vida marinha: Cetáceos e turismo nos Açores, Portugal e Newfoundland, Canadá sob a responsabilidade da Doutora Alison Neilson do Centro de Investigação e Tecnologias Agrárias dos Açores (CITA-A).

M2.1.2/I/012/2008 - Isolamento de sequencias analogas a genes de resistência em Olea europea sob a responsabilidade da Doutora Iris Foroni do Centro de Biotecnologia dos Açores (CBA).

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domingo, novembro 23, 2008

Só o leite com erva garante sustentabilidade nos Açores

Está confirmado que as quotas leiteiras acabam na União Europeia em 2015. É um desastre ou uma oportunidade para os Açores? Sempre fui contrário ao aumento das quotas, mesmo quando muitos - e foram quase todos - achavam que a solução dos problemas da nossa pecuária passavam por aí! Sempre achei que um quadro de liberalização da produção nos poderia ser prejudicial, porque os países com grande capacidade de expansão da sua produção, como por exemplo a Espanha, poderiam passar rapidamente de uma situação de produtores deficitários - por lhes haver sido fixado uma quota inferior às necessidades do seu próprio mercado - para a de produtores excedentários, com a possibilidade de invadirem o mercado do Continente, dada a sua maior proximidade, mercado esse que tem sido fundamental para os lacticínios dos Açores. O segredo da sobrevivência da produção leiteira açoriana, neste novo quadro, necessariamente mais competitivo, passará pela maior valorização desse nosso grande recurso natural, a erva, produzindo-se leite de uma forma mais sustentável, fazendo-se menor recurso a imputes externos - a única forma de garantir a produção de leite e de lacticínios mais baratos e de uma qualidade diferenciada.
O fim das quotas leiteiras poderá, também, implicar o fim do modelo de produção e transformação de leite vigente nos Açores?
Não necessariamente, mas estou certo que implicará ajustes no actual modelo de produção, tornando-o mais auto-sustentável, o que passa por maximizar e optimizar o binómio pastagem/ vaca leiteira. Em alternativa a produzir mais, numa lógica produtivista, mais e mais, teremos de produzir melhor, com uma preocupação crescente de aumentar a rentabilidade do processo produtivo. No que respeita à transformação deveríamos apostar numa maior diversificação, em particular em produtos de maior valor acrescentado, nomeadamente em novas variedades de queijo.
Com a produção aberta, regiões como os Açores ver-se-ão obrigadas a procurar outros modelos económicas, designadamente virando-se para as produções agrícolas e eventualmente de auto-subsistência?
As condicionantes orográficas (a altitude) e climatéricas (o vento) dos Açores são mais favoráveis à pastagem e à sua transformação em leite, mas, existem de facto algumas oportunidades de diversificação que não devemos desperdiçar, nomeadamente hortaliças, alguns frutos e especialmente algumas flores exóticas. Há que garantir no entanto transportes a preços competitivos para o necessário escoamento deste tipo de produções, para que elas sejam competitivas.
Quem vai dominar o mundo do leite, à escala global, após 2015?
Os países que melhor se posicionam, neste momento, para dominarem o Mercado global dos lacticínios são a Nova Zelândia e os Estados Unidos, por uma razão muito simples - preços de produção de leite mais baixos. Segundo os últimos dados da LTO, Holanda, o preço médio de pagamento de leite à produção, nos últimos 12 meses, foi de 36.37 na Europa, 30.04 na Nova Zelândia, e 30.01 (preços em Euro/100Kg, para leite com, 4.2% de gordura, 3.4% proteína e 249,999 células somáticas). Por outro lado, o aumento de consumo de lacticínios, em particular na China e na Índia está muito ligado às cadeias de “Fast Food” que, como sabemos, são na sua maioria pertença de multinacionais americanas.

(In Diário Insular)

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quarta-feira, novembro 12, 2008

Provas de Agregação do Professor Moreira da Silva

Realizam-se, nos dias 13 e 14 de Novembro, a partir das 14h30, no Anfiteatro do Complexo Pedagógico do campus de Angra do Heroísmo (Pico da Urze), da Universidade dos Açores, as provas para obtenção do título de agregado, na especialidade de reprodução animal, requeridas pelo Prof. Doutor Joaquim Fernando Moreira da Silva.
As provas serão avaliadas por um júri presidido pelo Magnífico Reitor da Universidade dos Açores, Prof. Doutor Avelino de Freitas de Meneses, sendo vogais o Doutor José Robalo da silva, professor catedrático da Faculdade de medicina Veterinária da Universidade Técnica de Lisboa; o Doutor Luís Filipe Lopes da Costa, professor catedrático da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Técnica de Lisboa; o Doutor António Luís Mittermayer Madureira Rodrigues Rocha, professor catedrático do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, da Universidade do Porto; o Doutor António Eduardo Monteiro Horta, investigador-coordenador da Estação Zootécnica Nacional; o Doutor José Estevam da Silveira Matos, professor catedrático da Universidade dos Açores; e o Doutor Alfredo Emílio Silveira de Borba, professor catedrático da Universidade dos Açores.
As provas constarão, no primeiro dia, da discussão pública, com crítica e defesa, do Curriculum Vitae e de um relatório intitulado Unidade Curricular de Reprodução Animal, e de uma lição de síntese sobre a Unidade Curricular de Reprodução Animal, no segundo dia.

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terça-feira, junho 24, 2008

Indicadores de sustentabilidade em agricultura

No próximo dia 25 de Junho realizar-se-á no auditório das instalações do Pico da Urze, um workshop acerca do tema "Indicadores de sustentabilidade em agricultura". A acção enquadra-se num projecto conjunto das universidades dos Açores, Tuscia e Florença (Itália) e Wageningen (Holanda), financiado pelo governo italiano. Durante o período da manhã, discutir-se-á a eficiência da utilização directa ou indirecta de combustíveis fósseis na produção de leite, comparando os resultados obtidos na ilha Terceira, com os da região italiana de Tuscia. Resultados adicionais de uma equipa de investigadores das universidades de Florença e Wageningen serão também apresentados. Durante o período da tarde discutir-se-ão outros aspectos ligados à sustentabilidade do sector, recorrendo ao conhecimento acumulado por professores e investigadores do Departamento de Ciências Agrárias do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores.

Programa

Dia 25 de JunhoManhã

9:30 – Sessão de abertura do workshop. Discurso de boas vindas do Magnífico Reitor da Universidade dos Açores.

10:00 – Introdução ao workshop – Prof. João Guilherme Batista (UA).

10:10 – Descrição do projecto e metodologia de estudo – Prof. Fábio Caporali (UT).

10:30 – Estrutura e maneio das explorações leiteiras estudadas nos casos da região de Tuscia, Viterbo (Itália) e da ilha Terceira (Açores) – Prof. Enio Campiglia (UT), Prof. João Guilherme Batista (UA).

11:00 – Intervalo para café.

11:15 – Resultados do estudo em termos energéticos e económicos, ao nível das explorações estudadas em Itália e nos Açores – Dr. Roberto Mancinelli (UT), Eng. Edite Batista (UA).

11:30 – Comparação entre os sistemas de produção italiano e açoriano, em termos energéticos e económicos – Dr. Vincenzo Di Felice (UT), Prof. João Guilherme Batista (UA).

12:00 – Conclusões – Prof. Fábio Caporali (UT), Prof. João Guilherme Batista (UA).

Tarde

14:30 – 14:40 - “Contribution to the evaluation of milk production sustainability at the Azores” – Prof. José Estevam Silveira Matos (UA).

14:40 – 14:50 - “Environment and Animal Production: the efficiency in converting nitrogen from the pasture to nitrogen in the diet” – Prof. Alfredo Silveira Borba (UA).

15:00 – 15:10 - “ Influence of diet on conjugated linoleic acid (CLA), omega-3 and other fatty acids in milk fat from dairy cows” – Prof. Oldemiro Aguiar Rego (UA).

15:10 – 15:20 - “Efficiency and sustainability on the use of grass by grazing dairy cows in Azores” – Prof. Luís Souto (UA).

15:20 – 15:30 - "Towards a more sustainable animal production in Azores" – Eng. Anabela Gomes (UA).

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