quinta-feira, abril 23, 2009

São as pequenas fábricas que produzem gourmet

ANABELA GOMES: “Não se pode continuar a permitir que o leite (…) (sem qualidade) contamine o leite dos lavradores que o produzem com qualidade”

Considera oportuno o aparecimento de uma nova marca de lacticínios nos Açores (em particular na Terceira)?

Todas as iniciativas que tenham por finalidade criar uma maior diversificação de produtos e de maior valor acrescentados são bem vindas. São as pequenas fábricas que realmente podem criar produtos gourmet para nichos de mercado mais exigentes.

Considera então que os produtores que aderirem a esta nova linha de lacticínios têm perspectivas de ver o seu leite melhor pago?

Para me poder pronunciar sobre o sucesso de uma iniciativa deste género teria que saber qual o nível de tecnologia da nova unidade e qual o plano de projecção nos mercados. Não se fazem produtos de elevada qualidade sem que toda a cadeia de produção esteja altamente sensibilizada para o conceito de qualidade e sem que haja pessoas muito competentes a apoiar o processo, cujas opiniões sejam respeitadas.

Do que tem ouvido na comunicação social, que conclusões pode tirar sobre as características da nova unidade?

Que quer produzir produtos de elevado valor acrescentado para poder pagar melhor aos produtores. Mas querer não é poder… A grelha de classificação do leite em vigor tem uma particularidade, só os produtores que produzem leite de qualidade, com elevada quantidade de sólidos e elevados padrões de higiene têm o leite bem pago, os outros nem por isso. Sei de um produtor que o ano passado recebeu leite a 32,76 cêntimos, se incluirmos o subsídio de refrigeração e adicional, chegou a 36,16 cêntimos. Este é um bom preço. Agora baixou cerca de 4,5 cêntimos, mas também o gasóleo e as rações baixaram de preço, embora outros produtos, como por exemplo os adubos, continuem muito caros e vão ter que ser usados com maior critério.

Podemos concluir o quê?

Que os promotores da nova linha de produção estão descontentes com o preço do leite e que de alguma forma esperam melhorá-lo. Mas uma coisa é certa, lacticínios de qualidade só se fazem se o leite chegar à fábrica com qualidade. Dentro da fábrica não há nenhum processo que melhore a qualidade do leite.

Que recomendações faria aos lavradores?

Que ter o leite melhor pago está nas suas mãos. Se não conseguem produzi-lo com a qualidade adequada devem pedir ajuda urgentemente ou pensar numa saída. Não se pode continuar a permitir que o leite destes contamine o leite dos lavradores que o produzem com qualidade. E que contribua para a menor qualidade dos nossos produtos. Hoje em dia a segurança alimentar é fundamental.

(in Diário Insular)

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segunda-feira, janeiro 12, 2009

Leite indexado

Uma fórmula indexante para o preço do leite ao produtor é urgente para que sejam tratadas as questões verdadeiramente importantes para o sector, defende o professor do Departamento de Ciências Agrárias do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, José Matos, numa entrevista em que alerta para a necessidade de “falar verdade” à lavoura e para a ameaça vinda de Espanha.

Já defende uma fórmula indexante para o preço do leite ao produtor há vários anos. Recentemente foi anunciado que Governo Regional, associações agrícolas e indústria vão entrar em negociações para esse efeito. Espera que a fórmula vá de facto em frente?
Para mim essa não é uma grande questão, há outras bem mais importantes no sector. A minha sugestão foi sempre no sentido de afastar no caminho das questões importantes a discussão do preço, que é mais do que anual, é bianual. Essa discussão dos preços tem o condão, muitas vezes, de azedar o debate de temas importantes, que exigem que lavoura, Governo, indústria e até a Universidade dos Açores, estejam coesos na defesa de interesses comuns. Veja-se o que tem acontecido com o Centro do Leite e dos Lacticínios. Tem sido esta questão que tem azedado aquilo que é importante fazer no âmbito deste centro.
Este é um problema quase eterno. Porque é que não se deu o passo para o resolver mais cedo?
É verdade. A questão do preço entre o comprador e o vendedor é uma questão eterna. O que vende quer receber mais. O que paga quer pagar menos. É o funcionamento do mercado, sempre foi assim. Nasci numa exploração leiteira, o meu pai era produtor de leite e também assisti desde pequeno a este debate. Não é nada de novo a guerra dos preços. O que há de anormal é que não se procure encontrar uma fórmula matemática de resolver este problema. Se é um problema que tem a ver sistematicamente com a flutuação dos preços no mercado, obviamente é possível através de uma equação matemática que essa flutuação de preços se repercuta no preço pago ao produtor. Umas vezes para bem, outras para mal, obviamente.
A lavoura pode cair em alguma armadilha nesta negociação de uma fórmula indexante?
Como tudo na vida e também nesta questão, há sempre um lado positivo e negativo. Com uma indexação, existirão também aspectos menos positivos. Há que garantir, quer para a indústria, como para o produtor, que os aspectos negativos não sejam muito pesados. Não queremos a indústria nem a produção falidas. É necessário que à volta desta questão da fórmula haja um debate muito sério.
A Universidade dos Açores tem um papel neste debate?
Alguns especialistas da UA, nomeadamente na área da matemática, podem tê-lo. Mas a intervenção dos investigadores da área agrícola até seria contraproducente.
Porquê?
É a velha questão que tem também a ver com o Centro do Leite e dos Lacticínios. Os investigadores, os técnicos que podem dar apoio quer à produção como à indústria não devem estar envolvidos nesta questão do debate do preço. Isso é trazer algum elemento de desconfiança em relação a pessoas com as quais quer a lavoura como a indústria têm de manter uma relação de confiança absoluta.
Um representante da UNICOL já avançou que existe uma posição de princípio contra a fixação administrativa de preços…
Sei que há esse cepticismo e que isto é de certa forma julgado como uma fixação administrativa do preço do leite. Não é o que defendo. Cada fábrica pode defender a sua própria fórmula e garantir a concorrência. O que é certo é que nas nossas ilhas, muitas vezes, ou há monopólio ou não há possibilidade de fazer funcionar as regras do mercado. Seria bom que as regras do mercado funcionassem.
O que é exactamente esta fórmula indexante? Como funcionaria?
Pode funcionar em função de diversos factores, que podem contribuir para uma fórmula única. Mas essa fórmula seria depois ajustada em função da produção e transformação de cada indústria. Admito que numa indústria que tenha como transformação leite em pó a fórmula deva ter isso em consideração, como no caso de outra que produza leite líquido ou iogurtes. Não é isso que está em questão. São permitidas nuances quanto a ilhas e fábricas… Não é difícil, os matemáticos encarregar-se-ão disso.
Com esta fórmula a lavoura açoriana seria muito diferente?
Não. A fórmula é um factor menor. A lavoura açoriana seria muito mais beneficiada pela resolução de heranças do passado. A montante, a nível da produção há a questão da discussão da propriedade, a dispersão das explorações… Ainda mais tendo em conta que há uma dinâmica que leva à diminuição do número de produtores, o que ajuda a resolver estes problemas. Neste momento é mais necessário e mais fácil encará-los do que nunca, porque o número de produtores decresceu incomparavelmente e será mais fácil negociar, não há laços afectivos tão grandes à propriedade... Desde que temos quotas leiteiras, o número de produtores caiu para metade. Existem hoje perto de 800 produtores de leite na Terceira. Eu presumo que nos próximos 10 anos fiquemos apenas com metade dos que temos actualmente.
Este decréscimo é assustador ou pode, pelo contrário, ser positivo?
Não é nada assustador! No espaço de 15 anos a lavoura quintuplicou a produção de leite nos Açores, embora o número de produtores tenha baixado para metade. Existem explorações maiores, mais eficientes, mais empresariais, com outros tipos de tecnologias. A qualidade do leite tem melhorado e presumo que melhore ainda mais. O que é preocupante é que nalgumas ilhas, por problemas demográficos, de envelhecimento da população, a produção de leite esteja a desaparecer. É o caso do Pico, Flores, Faial. É pena que não existam políticas que tentem contornar este fenómeno, que é muito forte.
Mesmo com o esvaziamento destas ilhas, a produção de leite vai ser sempre o grande sector da economia açoriana?
Sem dúvida nenhuma. Acima de determinada altitude, a produção de pastagem, valorizada pela produção de leite, é a melhor aposta. Tendo isto em atenção, percebe-se que em algumas ilhas não haverá agricultura sem vaca leiteira. E sem agricultura não me parece muito fácil sustentar um determinado número populacional que justifique outras actividades económicas. É o caso do turismo. Não é possível ter turismo sem famílias. Os picarotos dedicavam-se à agricultura e à caça à baleia. Hoje, muitos dividem-se entre a agricultura e alguns serviços ao turismo. Não colocam os ovos todos no mesmo cesto… A agricultura é a base, a raiz do sustento da população. Agora, nalgumas ilhas, com o envelhecimento das populações, encaro com preocupação se, sem agricultura, vai ser possível manter outros serviços e actividades. Veja-se o que aconteceu no Continente. À medida que a agricultura foi desaparecendo do país, as populações migraram para os grandes centros. Nos Açores ainda se vai a tempo de se tentar travar este processo. Um dos aspectos importantes é garantir que a agricultura se mantenha viável.
O cenário que a lavoura traça nesta altura é muito negro. A Associação Agrícola da Ilha Terceira avisa que muitas explorações poderão entrar em falência. É mesmo assim ou trata-se apenas de uma fase?
Gostaria de prever que é apenas uma fase muito transitória. Há uma grande instabilidade dos mercados a nível mundial e os lacticínios estão nesse contexto. Em 2007 essa instabilidade fez com que os preços disparassem, com uma maior procura da China e Índia e menor produção da Nova Zelândia e a Austrália. Dessa euforia passou-se para a vaga de retorno. Há menor consumo nos mercados asiáticos e este ano a Austrália e Nova Zelândia já recuperaram. O ano de 2007 foi eufórico, mas o preço do leite em pó já desceu para metade. Isto tem impacto a nível global e local. O consumo diminuiu também…
Mas esta é uma fase ou é mesmo o cenário com que a lavoura tem de lidar?
Da mesma forma que 2007 foi eufórico, 2008 teve um dinamismo muito negativo. Penso que a meados deste ano as circunstâncias melhorem. Nunca veremos preços como os de 2007. Há no entanto outro elemento de instabilidade, que é a Política Agrícola Comum e o fim das quotas leiteiras em 2015. Achei sempre muito estranho que se defendesse que a quota acabasse, mas parece que agora todos acham que a quota é importante. Isto porque é fácil perceber que o nosso principal concorrente em termos de mercado é a Espanha que, quando negociou as suas quotas, negociou abaixo das suas necessidades. Os Açores fizeram o contrário, foram claramente beneficiados, o que permitiu o crescimento do sector. Espanha é agora obrigada a comprar leite em Portugal. No momento em que a quota acabar, os espanhóis vão tornar-se excedentários na produção de leite e vão invadir o mercado português, nomeadamente o mercado de Lisboa, que é o mais importante para os lacticínios dos Açores. Logo a seguir a esta crise deveremos ter outro embate e temos de cuidar muito da competitividade do nosso sector.
Está-se a fazer o suficiente?
O fim das quotas do espaço da União Europeia é já em 2015…Está-se a fazer algumas coisas. Os próprios produtores estão, por exemplo, a cuidar da rentabilidade do seu processo produtivo, tratando, assim, também da competitividade do sector. Agora, com a entrada de Espanha no jogo, os produtores açorianos terão de produzir mais barato, é preciso dizer isso desde já.
Essa é uma mensagem dura para a lavoura…
Certo que sim, mas estamos numa altura em que há necessidade de falar com verdade, não dourar a pílula. É preferíveis termos uma pílula amarga e defendermos o nosso sector, desde o Governo, lavoura, políticos e universitários, sabendo que vêm dias maus. Temos muitos problemas, nomeadamente a nível de transformação e inovação.
Os produtos transformados dos Açores não são aliciantes neste mercado que se avizinha?
Têm sido o garante do crescimento do sector nos Açores, mas penso que não o continuarão a ser. Na Nova Zelândia, que tem muitas características semelhantes às dos Açores, a maior cooperativa de produção de lacticínios do país invadia o mercado mundial com um queijo. Neste momento tem 10. Oferece bebidas, produtos fermentados, com vários aspectos. Muitas vezes é o mesmo produto, com outra imagem. Temos de diversificar e aproveitar tecnologias de marketing.
Que peso tem a marca Açores?
Tem um peso enorme. É conhecida a qualidade do nosso processo produtivo. Sabe-se que as vacas andam livres, em pastagem, que têm uma alimentação natural. Todos no Continente conhecem essa imagem. Falta jogar totalmente esse grande trunfo. Todos nós conhecemos os anúncios de uma empresa do Continente que vende leite líquido como sendo natural, com animais em pastagem, até se vêem algumas imagens que parecem filmadas nos Açores. Fomos claramente ultrapassados por essa campanha de marketing. Agora, se surgirmos com algo semelhante, será sempre uma imitação. Devíamos ter feito isto há uns cinco anos atrás. Há claramente aqui uma corrida atrás do tempo. Que é preciso fazer.
(In DI-Revista)

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sexta-feira, janeiro 02, 2009

Preço do leite vai ter “fórmula indexante”

Associações agrícolas, industriais, e Governo Regional vão arrancar, “em breve”, com negociações para a criação de uma fórmula indexante ao preço do leite pago ao produtor na Região. A informação foi tornada pública em nota publicada pelo Gabinete de Apoio à Comunicação Social do Governo Regional, onde se avança que o objectivo é que os preços pagos aos produtores de leite evoluam em conformidade com o mercado do Continente e Europeu. A notícia foi bem acolhida no seio da lavoura terceirense. O presidente da Associação Agrícola da Ilha Terceira, Paulo Simões Ferreira, avança que esta medida pode ser o princípio do fim da desconfiança da lavoura em relação à indústria.“O Governo Regional tem de intervir para dar alguma moralidade ao mercado do leite. Esta medida pode vir a fazer com que os agricultores não se sintam enganados. Existem sempre dúvidas em relação ao facto de os industriais poderem ou não praticar determinado preço ao produtor. Com uma fórmula matemática, acabam-se as dúvidas. Perceber-se-ão os contornos reais que levam o preço do leite a subir ou a baixar”, adianta, em declarações prestadas ontem ao Rádio Clube de Angra. Opinião semelhante tem o professor do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, José Estevam de Matos, que tem vindo a defender a criação desta fórmula indexante. “Finalmente acordou-se para o facto desta medida ser muito positiva para o sector”, disse, em declarações ao DI, considerando que pode ser o fim “ da guerra a que se assiste todos os anos em torno do preço do leite”.
A fórmula
Na opinião do professor da UA, são vários os indicadores que podem ser utilizados para indexar o preço do leite ao produtor praticado no arquipélago. “O preço do leite nos Açores poderá entrar em linha de conta com os preços médios praticados na Europa. Por exemplo, a LTO, uma organização holandesa, disponibiliza todos os meses, inclusive na Internet, os preços pagos pelas principais empresas aos produtores”, explica. Outros indicadores, adianta José Matos, podem ser os preços praticados no mercado em relação a produtos como o queijo ou leite em pó ou de venda ao público de produtos que são produzidos em quantidade considerável “como o queijo de bola- o flamengo- ou a manteiga”. Para José Matos importa também encontrar uma “margem de manobra” que tenha em conta o factor do custo de transporte e mantenha o leite açoriano competitivo, sobretudo num cenário em que se aproxima cada vez mais o fim das quotas leiteiras no espaço comunitário. Paulo Simões Ferreira concorda, mas afirma não querer voltar a assistir a “absurdos, como no ano passado em que o leite no Continente era pago ao produtor 30 escudos acima do de cá”. “Isso tem um nome que prefiro nem dizer”, lança. Já o líder da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, que falava à RDP, acredita na adopção desta fórmula indexante, mas desconfia que a indústria a aceite de “braços abertos”.
Os industriais
A suspeita do líder da Federação Agrícola dos Açores pode vir a confirmar-se. Por agora, Mancebo Soares, da UNICOL, recusa-se a prestar declarações aprofundadas até conhecer a proposta que irá às negociações entre lavoura, Governo e indústria, mas adianta que, “a este respeito, a UNICOL tem uma posição de princípio”. “Não acreditamos em preços administrativos, pensamos que são coisas do passado. A economia actual não se compadece com preços fixados de forma administrativa, que se revelam depois prejudiciais para os utilizadores”, afirma. Já Costa Leite, da Insular, em declarações à RDP/Açores, afirma que esta fórmula dificilmente se poderia aplicar a todas as empresas das várias ilhas, visto que estas diferem muito no tipo de produtos que fabricam.
(In Diário Insular)

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domingo, novembro 23, 2008

Só o leite com erva garante sustentabilidade nos Açores

Está confirmado que as quotas leiteiras acabam na União Europeia em 2015. É um desastre ou uma oportunidade para os Açores? Sempre fui contrário ao aumento das quotas, mesmo quando muitos - e foram quase todos - achavam que a solução dos problemas da nossa pecuária passavam por aí! Sempre achei que um quadro de liberalização da produção nos poderia ser prejudicial, porque os países com grande capacidade de expansão da sua produção, como por exemplo a Espanha, poderiam passar rapidamente de uma situação de produtores deficitários - por lhes haver sido fixado uma quota inferior às necessidades do seu próprio mercado - para a de produtores excedentários, com a possibilidade de invadirem o mercado do Continente, dada a sua maior proximidade, mercado esse que tem sido fundamental para os lacticínios dos Açores. O segredo da sobrevivência da produção leiteira açoriana, neste novo quadro, necessariamente mais competitivo, passará pela maior valorização desse nosso grande recurso natural, a erva, produzindo-se leite de uma forma mais sustentável, fazendo-se menor recurso a imputes externos - a única forma de garantir a produção de leite e de lacticínios mais baratos e de uma qualidade diferenciada.
O fim das quotas leiteiras poderá, também, implicar o fim do modelo de produção e transformação de leite vigente nos Açores?
Não necessariamente, mas estou certo que implicará ajustes no actual modelo de produção, tornando-o mais auto-sustentável, o que passa por maximizar e optimizar o binómio pastagem/ vaca leiteira. Em alternativa a produzir mais, numa lógica produtivista, mais e mais, teremos de produzir melhor, com uma preocupação crescente de aumentar a rentabilidade do processo produtivo. No que respeita à transformação deveríamos apostar numa maior diversificação, em particular em produtos de maior valor acrescentado, nomeadamente em novas variedades de queijo.
Com a produção aberta, regiões como os Açores ver-se-ão obrigadas a procurar outros modelos económicas, designadamente virando-se para as produções agrícolas e eventualmente de auto-subsistência?
As condicionantes orográficas (a altitude) e climatéricas (o vento) dos Açores são mais favoráveis à pastagem e à sua transformação em leite, mas, existem de facto algumas oportunidades de diversificação que não devemos desperdiçar, nomeadamente hortaliças, alguns frutos e especialmente algumas flores exóticas. Há que garantir no entanto transportes a preços competitivos para o necessário escoamento deste tipo de produções, para que elas sejam competitivas.
Quem vai dominar o mundo do leite, à escala global, após 2015?
Os países que melhor se posicionam, neste momento, para dominarem o Mercado global dos lacticínios são a Nova Zelândia e os Estados Unidos, por uma razão muito simples - preços de produção de leite mais baixos. Segundo os últimos dados da LTO, Holanda, o preço médio de pagamento de leite à produção, nos últimos 12 meses, foi de 36.37 na Europa, 30.04 na Nova Zelândia, e 30.01 (preços em Euro/100Kg, para leite com, 4.2% de gordura, 3.4% proteína e 249,999 células somáticas). Por outro lado, o aumento de consumo de lacticínios, em particular na China e na Índia está muito ligado às cadeias de “Fast Food” que, como sabemos, são na sua maioria pertença de multinacionais americanas.

(In Diário Insular)

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segunda-feira, maio 05, 2008

Certificação de produtos Açorianos

O secretário regional da Agricultura e Florestas acusou, hoje, o deputado do PSD no Parlamento açoriano António Ventura de “total desconhecimento” dos processos de certificação dos produtos agro-alimentares da Região.Questionado pelos jornalistas sobre um requerimento parlamentar do PSD sobre um alegado “não avanço da certificação dos produtos regionais”, Noé Rodrigues sustentou que António Ventura “não sabe do que fala”, uma vez que o processo de certificação dos produtos está a avançar de uma forma consolidada.O governante explicou que quando se trata da certificação de produtos regionais é preciso ter em conta questões diferentes que passam, por um lado, pela vontade do Governo, sobre a qual não existem dúvidas de que tem trabalhado insistentemente no sentido de se desenvolverem estes processos, pela existência de organizações de produtores que são os titulares dos processos de certificação e pela existência de organismos de controlo e fiscalização dos procedimentos.“O Governo dos Açores tem desenvolvido um conjunto de esforços ao nível das produções, nomeadamente na valorização de várias cadeias de valor, no sentido de se conseguir uma dimensão mínima e crítica de mercado para melhorar as suas capacidades de acesso aos mercados, bem como no que respeita à elaboração dos cadernos de especificações para cada tipo de produtos, como são os casos da meloa de Santa Maria e do alho e meloa da ilha Graciosa, em alguns casos em colaboração com o Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores”, acrescentou.

(In Jornal da Rádio Graciosa)

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domingo, março 02, 2008

Agricultura Açoriana discutida na Praia da Vitória

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

EM LISBOA - Especialistas açorianos discutem futuro do leite

Vários investigadores da Universidade dos Açores vão participar num seminário organizado pelo Comité Nacional do Leite sobre o estado actual do sector e eventuais desafios futuros.Esta iniciativa, na oitava edição, conta com a participação de José Matos, investigador Universidade dos Açores (UA); de Maria Cabral, do IAMA; de Oldemiro Rego (UA) e Félix Rodrigues, também da universidade açoriana. Este encontro, que se realiza em Lisboa, nos dias 14 e 15 de Março, vai proporcionar uma discussão técnica sobre temáticas como: “a economia e políticas”; “higiene e segurança alimentar” e “produção de leite, ambiente e licenciamento”. No primeiro dia de trabalhos, Arlindo Cunha, antigo ministro da agricultura e docente da Universidade Católica, vai proferir uma conferência sobre “o Sector Leiteiro na Encruzilhada do Debate sobre a PAC após 2013 e das Negociações da Ronda de Doha da Organização Mundial do Comércio”. A segunda conferência será sobre “a Produção de Leite Perante a Mudança de Paradigma Energético” e será apresentada por José Matos do Departamento de Ciências Agrárias de Angra do Heroísmo (DCA).A “Estrutura e Inovação na Produção Primária – Aplicação de Metodologia Prospectiva” (Susana Beira); a “Segurança Alimentar na Produção Primária” (João Niza Ribeiro) e os “Perigos Químicos no Leite e Repercussões na Segurança Alimentar” (Berta São Braz) são outros temas do primeiro dia de trabalhos, que termina com dois açorianos Maria Cabral do IAMA, que versará sobre “Evolução da Qualidade do Leite nos Açores” e Oldemiro Rego do DCA abordará a “Influência da Dieta sobre a Composição de Ácidos Gordos da Gordura do Leite. A “Gestão dos Nutrientes nas Explorações Leiteiras e o Ambiente” (Nuno Moreira) e o “Bem-estar Animal das Explorações de Leite - critérios e Factores de Risco” ( George Stilwell) são as duas conferências que vão abrir o segundo dia de trabalhos. O terceirense Félix Rodrigues, do DCA, com uma conferência sobre o “Regime Jurídico do Licenciamento das Explorações Bovinas da Região Autónoma dos Açores - Teoria, Prática e Legislação” encerra os trabalhos deste seminário do Comité Nacional do Leite.
(In A União)

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sábado, fevereiro 16, 2008

Qualidade do leite português

sábado, fevereiro 09, 2008

A produção de trigo nos Açores: impactos sócio-económicos e ambientais

Embora o trigo tenha sido uma das culturas mais fortes no arquipélago durante a primeira metade do século XX e o preço deste cereal tenha praticamente duplicado no espaço de menos de um ano, a possibilidade da produção ser retomada nos Açores está colocada de parte.
De acordo com o secretário regional da Agricultura e Florestas, Noé Rodrigues, mesmo tendo em conta que o preço do alqueire (perto de 14 quilos) de trigo subiu de pouco mais de cinco dólares em Junho de 2007, para 10,33 dólares na passada quarta-feira, os Açores não conseguiriam ser competitivos face a outras regiões do globo.
“Estamos a falar de uma cultura que já não se pratica nos Açores há perto de quatro décadas. A cultura do trigo exige uma forte mecanização e deve ser extensiva, necessitando de grandes porções de terreno, o que, no arquipélago, devido às nossas condições geográficas, de relevo, não existe”, avança, acrescentando que as condições climatéricas da Região não são as ideais para a produção deste cereal.
Apesar de salientar que não existem, nos Açores, quaisquer regras que impeçam uma agricultor de optar pela produção de trigo, Noé Rodrigues não a recomenda. “A cultura de trigo nos Açores foi importante numa época de subsistência, em que existiam dificuldades nos transportes e toda uma outra série de condicionalismos. Creio que, mesmo tendo em conta a subida de preços, não conseguiríamos ser competitivos. Não acredito que fosse uma cultura rentável para o agricultor”.
A opinião é partilhada pelo professor do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, Jorge Pinheiro, especialista em solos.
“É preciso ter em conta que não estão em causa apenas os custos de produção, mas também os de colheita, por exemplo, o que exige o recurso a tecnologia avançada e extremamente dispendiosa. Não creio que actualmente, mesmo com a evolução do mercado, essa fosse uma boa opção, porque implicaria um investimento muito grande, sem uma grande rentabilidade”, considera.
Jorge Pinheiro afirma que existem “algumas áreas” no arquipélago que possuem extensão suficiente para a produção de trigo, mas avisa que isso implicaria sacrificar outras produções que, entretanto, são desenvolvidas nesses terrenos. “Estamos a falar sobretudo da vaca e do milho, que é um importante complemento à produção de leite. Seria necessário que essas produções fossem eliminadas para que o trigo pudesse ser cultivado nessas áreas, o que não me parece razoável”, reitera.
Outro aspecto contra é o impacte ambiental que a produção de trigo poderia ter sobre os solos dos Açores. José Matos, também professor da Universidade dos Açores, salienta o facto de grande parte do solo ser íngreme, o que implicaria grandes arroteias. “Sabemos que a produção de trigo foi abandonada nos Açores há várias décadas porque os solos deixaram de ser férteis, o que tem a ver exactamente com esta questão da erosão”, lembra.
O trigo foi, durante séculos, uma das culturas agrícolas com maior peso no arquipélago. Durante o século XVI, o trigo produzido na Região era exportado em grande quantidade para abastecer as guarnições portuguesas no norte de África.

AUMENTO DO PÃO
Face ao disparar do valor do trigo parece ser inevitável a subida do preço do pão e de outros alimentos que tem o cereal na sua composição. Em Portugal, o preço do pão deve aumentar já este mês.
O valor recorde de 10,33 dólares por alqueire de trigo na bolsa de Chicago nos Estados Unidos da América, está relacionado com a quebra significativa dos stocks do Canadá, o segundo maior exportador a nível mundial. Entretanto, também o milho registou um aumento de 1,3 na bolsa de Chicago.
Tendo em conta este cenário, o professor da Universidade dos Açores, Jorge Pinheiro, alerta para o impacte negativo que a consequente subida do preço das rações terá no rendimento dos agricultores, sobretudo no sector do leite: “A indústria e as grandes superfícies continuam a ter grandes lucros, mas os produtores vêm os seus rendimentos desequilibrados”.

(In Diário Insular)

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quarta-feira, fevereiro 06, 2008

A opção por produtos biológicos

É um fim de manhã numa tarde chuvosa de sábado. Descemos as escadas molhadas do Mercado Duque de Bragança, seguimos pela peixaria, onde os vendedores já arrumam as bancas, e viramos à esquerda. É fácil identificar o novo espaço. As letras estão pintadas na parede, entre bocados de verde e uns ramos escuros: “Produtos biológicos”. Além, disso, presos nos cestos de verga, alguns já quase vazios, bocados de papel tiram as dúvidas: “Kiwi biológico”, “Laranja Biológica”, “Repolho biológico”... Todos os produtos são certificados, garante Francisco Dinis, investigador do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e empresário que se encontra à frente do novo estabelecimento. Explica que tudo começou em 2005, com um grupo de pessoas, que se “preocupava com o assunto”. “Começámos a trabalhar umas terras nas Doze Ribeiras, mas de uma forma esporádica. No Verão fazia-se algumas coisas... Mas, aos poucos, fomo-nos organizando e as ideias foram-se definindo. Além disso, trabalho já desde 2005 com a BioFontinhas. Ia lá todos os sábados e aprendia sempre alguma coisa”. Muitos membros desse primeiro grupo eram estudantes universitários, que depois se foram embora, mas os alicerces para o projecto estavam lançados. Francisco Dinis explica o que se pretende: “A nossa ideia é pôr as coisas a andar na Terceira. Depois, vamos contactando os diferentes agricultores. Com alguns produtos de cada, já conseguimos alguma variedade. E isso é o que as pessoas querem. Existem já a BioFontinhas, a BioBiscoitos, uma senhora em São Mateus também tem produtos certificados e há a Quinta do Martelo, que é mais para consumo interno. Mas, agora que começámos neste espaço, apareceram pessoas jovens que têm terrenos da família e que estão interessadas em desenvolver agricultura biológica. Vêem que há esta banca e que existem consumidores e acreditam que é possível apostar neste ramo. Esse é um dos nossos grandes objectivos e as coisas estão-se a mexer”. O próximo passo para pôr as “coisas a mexer” é a reactivação de uma cooperativa dedicada à agricultura biológica, a BioAzorica. “É uma cooperativa que já existia, mas que nunca avançou. Tínhamos duas hipóteses, ou formávamos uma cooperativa de raiz ou aproveitávamos a estrutura que já existia. Estamos em contacto com os sócios e, em princípio, a maior parte mostrou-se interessada em prosseguir. Para o fim do mês existirá uma Assembleia Geral”. Um dos aspectos inovadores desta cooperativa é o objectivo de unir produtores e consumidores num único organismo. “Queremos fazer uma espécie de registo de todos os potenciais consumidores e estes, ao fazerem parte da cooperativa, terão regalias, como preços especiais. Por outro lado, existindo consumidores, isso é também um estímulo para os agricultores, que têm uma garantia de que vão escoar os produtos”. Outro ideal é estabelecer uma espécie de “economia democrática”. “Podíamos apenas avançar com uma loja, mas, numa cooperativa, todos os produtores, dos mais pequenos aos maiores, têm dividendos e todos têm uma palavra a dizer”. Não têm faltado palavras às pessoas que passam pela banca de produtos biológicos. Muitas já sabem do que se trata, mas bastantes fazem perguntas. “Tiramos sempre todas as dúvidas. Explicamos que se tratam de coisas simples, naturais e saudáveis sem adubos químicos”, explica Francisco Dinis, já há anos ligado ao yoga e à meditação, e para quem a boa alimentação é um elemento muito importante. “As pessoas já sabem os benefícios. Começam normalmente por adquirir produtos biológicos para fazer a sopa para o bebé, ou levam a fruta para os filhos. Pensam sempre primeiro nas crianças. Depois, acabam por consumir também e o hábito estende-se a toda a família. Já muita gente ouviu falar de produtos biológicos”.

AGRICULTURA SAUDÁVEL

Não é difícil saber exactamente o que é agricultura biológica. Uma rápida pesquisa pela Internet esclarece as dúvidas. Em causa está uma cultura saudável: Para o ser humano e para o próprio planeta, visto que a produção de alimentos e produtos animais e vegetais não assenta na utilização de produtos químicos sintéticos, não aceita os alimentos geneticamente modificados e costuma caracterizar-se por um tipo de agricultura sustentável. A atenção é colocada sobre o solo, para aproveitá-lo e fazê-lo produzir eficientemente sem fertilizantes e pesticidas artificiais. Daí resulta outra vantagem, explica Francisco Dinis: “São alimentos saudáveis, com um sabor mais puro. Têm uma qualidade superior aos convencionais, aos simples vegetais ou frutas que se vendem nas prateleiras dos hipermercados”. Em países como o Brasil, Estados Unidos da América, Suíça ou Japão, a agricultura biológica é já regulamentada por lei. O mesmo sucede no seio da União Europeia, o que limita as desconfianças que possam existir em relação a este tipo de produtos. Um argumento contra costuma ser o preço mais elevado, mas Francisco Dinis afasta-o. “O que queremos com esta cooperativa é garantir também preços razoáveis. Pode-se estar a falar de uma ligeira subida em relação aos produtos convencionais, mas não é muito significativa. O poder de compra das pessoas da ilha foi tido em conta”, garante. Naturais e de sabor genuíno, os produtos estão na banca. Cestos de vime claro com laranjas pálidas e ligeiramente mais pequenas, mas de paladar forte, batata-doce, repolho, cenouras, cebola, ovos, compotas de uva e de kiwi... A opção biológica já existe no mercado de Angra.
(In DI - Revista)

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quarta-feira, janeiro 30, 2008

O Roubo do Leite

Os protestos são frequentes: as associações agrícolas acusam a indústria de absorver uma esmagadora parte do preço final do leite, enquanto os produtores obtém retorno reduzido. Mas, e se existir um terceiro elemento que aumenta todos os anos a sua fracção de lucro, com investimento quase nulo?
A ideia é defendida pelo professor da Universidade dos Açores, José Matos, que lembra um debate aceso, já há alguns anos, no Reino Unido. No site “The Great Milk Robbery”, que pode ser consultado no endereço “http://www.thegreatmilkrobbery.co.uk/” e que, à letra, se traduz como “O Grande Roubo do Leite”, o sector da distribuição, especialmente as grandes superfícies, é culpado pela cada vez mais escassa margem de lucro dos produtores. “Os supermercados usam o seu poder de compra para pressionar os fornecedores. Os agricultores não têm qualquer influência sobre os supermercados e acabam por ter de aceitar preços miseráveis pelo seu leite, que permitem à indústria de lacticínios e às grandes superfícies obterem lucros”, pode ler-se no site. José Matos, do Departamento de Ciências Agrárias estima que, nos últimos 10 anos, a fracção do preço final do leite que é arrecadada pela distribuição tenha aumentado, de cinco, para perto de 30 por cento. “É necessária legislação que imponha limites à margem de lucro que o sector da distribuição pode ter. Actualmente, existe um verdadeiro monopólio das grandes superfícies. A indústria coloca o seu produto à venda em duas ou três cadeias de super e hipermercados, que representa perto de 80 por cento do mercado. Isto significa um grande poder. É este sector de distribuição que impõe preços à indústria. Se a indústria recusar determinado preço, estas grandes cadeias podem simplesmente dizer que vão comprar a outro sítio”. Na opinião de José Matos, os protestos que se ouvem por parte dos produtores podem estar deslocados: “ouvem-se muitos argumentos, contra a indústria, que são baseados em dados antigos, sem aplicação nos dias que correm. Pensa-se sempre a questão do mercado do leite como tendo dois grandes intervenientes: a indústria e os produtores. A verdade é que surgiu um terceiro elemento neste diálogo: a distribuição. É esta que tem a faca e o queijo na mão”. O presidente da Associação Agrícola da Ilha Terceira, Paulo Simões Ferreira, concorda: “os agricultores trabalham e investem para conseguirem um bom produto e a indústria faz o mesmo, apostando na modernização. No meio disto tudo, a distribuição é quem consegue mais lucros sem grande investimento”.“As grandes superfícies, conseguem fixar preços junto da indústria e, como detêm o monopólio, não existe grande margem para negociação. Não se consegue fazer nada frente a um poder desta dimensão”, desabafa. Embora não existam dados a nível nacional, o exemplo do Reino Unido é claro: em 2005, por litro de leite, a indústria e os produtores recebiam perto de 12 cêntimos cada, enquanto a distribuição recebia 11 cêntimos. No espaço de uma década, estima-se que o lucro do sector de distribuição tenha aumentado 4 000 por cento, enquanto o dos produtores terá descido oito por cento.


(In Diário Insular)

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sexta-feira, janeiro 18, 2008

Agricultura biológica está a ganhar espaço

A agricultura biológica está lentamente a conquistar interessados na Terceira.Trata-se de uma agricultura que não faz uso de produtos químicos sintéticos, nem de pesticidas artificiais, para a produção de todo o tipo de frutas, vegetais, incluindo ervas aromáticas e ovos. Com uma nova loja a comercializar produtos biológicos no mercado de Angra do Heroísmo, a suscitar a curiosidade da população, nomeadamente dos jovens e dos idosos, Francisco Diniz, investigador do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e responsável por este projecto, refere que com a abertura do novo espaço pretende-se «por em contacto os consumidores e ao mesmo tempo incentivar os produtores deste género de agricultura», uma vez que a realidade do mercado dos produtos biológicos é «praticamente inexistente» na ilha Terceira. O empresário acrescenta que havia uma faixa etária interessada, mas que não encontrava os produtos com regularidade. Neste sentido Francisco Diniz considera que há «poucos produtores e pouco produzem», não existindo mesmo mais do que meia dúzia. Embora destes apenas três ou quatro estão a produzir com uma certa dimensão, e refere a «Bio Fontinhas e a "Bio Biscoitos". Questionado sobre os incentivos governamentais existentes sobre esta matéria, o empresário defende «o trabalho independente», sendo que em termos de economia «as coisas devem existir porque há consumidores». Contudo, acrescenta, «no arranque do negócio faz sentido os apoios financeiros, mas não criando qualquer tipo de dependência». Aliás, diz ainda Francisco Diniz, as pessoas envolvidas na agricultura biológica tentam sempre ser o mais auto-suficientes possíveis em relação ao exterior «reduzindo os “in-puts”, menos adubos, menos pesticidas» e tentando arranjar soluções «dentro do nosso espaço e da nossa parcela». Desde há dois anos para cá Francisco Diniz diz que a curiosidade das pessoas aumentou em relação aos produtos biológicos, mas quanto a perspectivas futuras nada poderá adiantar. No que concerne a preços, adianta o empresário, a tendência «é para que os produtos biológicos sejam mais caros», sendo que no Continente atingem «valores exorbitantes». Em contrapartida, aqui na ilha, «tentamos que os preços sejam acessíveis» dado que as pessoas não possuem muito poder de compra, acrescenta.
A cooperativa de produtos biológicos foi criada em 2001 e envolveu na altura 17 pessoas. Mas na prática «adormeceu» e nenhum projecto acabou por ser desenvolvido. Actualmente com este novo projecto, explicou Francisco Diniz, havia duas hipóteses, em que uma consistia em «criar uma cooperativa nova e a outra em activar a já existente». O empresário adiantou que no final do mês de Janeiro está previsto uma reunião com a assembleia-geral, no sentido de dar continuidade ao projecto inicial. Esta cooperativa é ao mesmo tempo de consumidores e de produtores, o que nas palavras de Francisco Diniz, trata-se de um modo «perfeito» para o funcionamento do projecto.
Intuitivamente percebemos que um produto que não leva adubos nem pesticidas, para ter uma velocidade de crescimento mais rápido, só poderá ser mais saudável, refere Francisco Diniz. Geralmente dentro da família, explica o empresário, o padrão observado são os bebés, «porque os pais querem o melhor para os filhos». A partir dali seguem os hábitos e o consumo de alimentos mais benéficos. Pelas mesmas razões o impacto da utilização da agricultura biológica será menor para o ambiente do que a convencional.


(In A União)

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sábado, dezembro 15, 2007

Qualidade do Leite Açoriano

A Associação Agrícola da Ilha Terceira (AAIT) quer mais empenho dos lavradores para melhorar a qualidade do leite. Os dados revelados esta semana, na reunião da Comissão de Acompanhamento do Leite na Terceira, apontam que os valores médios dos parâmetros qualidade não evoluíram no decorrer deste ano, como era esperado. Após alguns investimentos nas áreas da formação profissional e do maneio das máquinas de ordenha, os representantes do sector aguardavam uma melhoria significativa dos parâmetros da qualidade do leite. A Associação Agrícola da Terceira criou mesmo um Gabinete Técnico para dar formação, sobre o maneio das máquinas de ordenha, nas explorações leiteiras com dificuldades. Contudo, a tendência evolutiva dos parâmetros da qualidade teima em não aparecer, explicam os dirigentes.Segundo conseguimos apurar, os grandes problemas detectados pelos serviços de fiscalização de leite prendem-se, em grande parte, com as mamites e a falta de maneio adequado das máquinas de ordenha. Paulo Simões, presidente da AAIT, após a reunião da Comissão de Acompanhamento do Leite, que se realizou na passada segunda-feira, resolveu pedir mais “empenho” dos produtores. “Não estamos a dizer que o leite da Terceira não tem qualidade, queremos é mais qualidade”, esclarece. Para este dirigente, da lavoura terceirense, existe margem para aumentar a qualidade e criar um produto de excelência, capaz de concorrer com os grandes mercados (em termos qualitativos). O contraste Leiteiro é realizado por cinco técnicos da AAIT, desde há oito anos, e abrange cinco mil animais de 115 das cerca de 880 explorações leiteiras existentes na ilha Terceira.Com o desenvolvimento do contraste leiteiro, os produtores ficam a saber o que produz cada animal analisado, bem como a quantidade de gordura e proteína que possui o leite produzido por cada bovino. A AAIT realiza, ainda, a contagem das células somáticas, o que permite ao produtor prevenir eventuais mamites nos animais que, a existirem, desvalorizam o leite.Segundo os dados divulgados, apenas meia centena de explorações leiteiras demonstram dificuldades em acompanhar os parâmetros de qualidade propostos, porém este número faz diminuir, significativamente, as médias pretendidas pelo sector leiteiro da ilha. O próximo resgate poderá mesmo afastar alguns destes produtores, apurou o nosso jornal junto de fonte ligada ao sector. A estatística da classificação da ilha Terceira demonstra que os valores médios pioraram nos últimos meses. Por exemplo, e aleatoriamente, em Maio deste ano, os valores médios (gordura, proteína, células somáticas, contagem microbiana total) têm uma pontuação de 1,97. Em Setembro esta pontuação está no -1, 23 e com um aumento significativo das células somáticas. Medidas para melhorar
Actualmente a indústria já paga consoante a qualidade, no entanto, para a Associação Agrícola, é necessário haver um maior incentivo às explorações que têm um sistema de frio para armazenar o leite (o que melhora alguns parâmetros de qualidade). Para José Matos, docente do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, os prémios à qualidade são fundamentais para motivar a produção. Os investigadores alertam também para a necessidade de se continuar a apostar na formação. “É um meio essencial para manter e aumentar a qualidade do produto”. José Matos assegura ainda que é necessário e urgente que os produtores comecem a fazer contas, para terem a noção do que estão a perder, em termos financeiros. A máquina de ordenha, se não estiver correctamente montada, afinada e calibrada, poderá estar na origem de uma série de problemas, com resultados catastróficos e que só uma pessoa atenta poderá identificar.Para chamar a atenção deste “problema real”, os serviços de classificação de leite da Terceira, no seu sítio da Internet disponibilizam vários conselhos e exemplos. “Uma máquina descalibrada é meio caminho para provocar pequenas lesões no úbere, que regularmente degeneram em mamites. Normalmente, as vacas mais susceptíveis de contrair esta doença são, quase sempre, as melhores produtoras”. Segundo os técnicos deste serviço, uma vaca com uma mamite, na melhor das hipóteses, pode provocar perdas na ordem dos 30% da produção. “Se num rebanho de 60 vacas, as mamites afectarem 25% dos animais, com uma média de produção de 5 mil litros por ano, (30% x 5000 litros x 15 vacas = 22.500 litros x 50$00 =1.125.000$00) poderá causar, mais de 1.000 contos (5 mil euros) de leite que não foi produzido. Isto, sem contabilizar as despesas do veterinário e os medicamentos” – exemplificam.
(In A União)

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segunda-feira, novembro 12, 2007

Alimentos ditos saudaveis têm novas regras

A União Europeia prepara novas regras para evitar a publicidade enganosa nos produtos alimentares.
Caso não se provem cientificamente que alguns produtos não estão, de facto, a contribuir para que os consumidores vivam mais, poderá ser considerada publicidade enganosa. Por outro lado, prevê-se a impossibilidade de figuras públicas ou médicos poderem promover benefícios para a saúde de determinado alimento.
A base desta legislação foi lançada por um regulamento da Comissão Europeia no final de 2006, que entrou em vigor este ano. Este documento vai agora dar origem a uma série de regras para um sector em expansão mas que se ressentia, até aqui, de um vazio legal.
Questionado sobre os impactos que tais medidas poderiam ter na comercialização dos produtos Açorianos, o Professor Félix Rodrigues do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores afirma que apesar de, por exemplo, terem sido determinados níveis elevados de ácidos gordos essenciais na carne e no leite açorianos, que se crêem ser benéficos para a saúde, podendo ter efeitos em termos de prevenção do cancro, pela investigação de docentes do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, como é o caso dos trabalhos dos Professores Oldemiro Rego, Henrique Rosa, Alfredo Borba, Célia Silva e Carlos Vouzela, tal lógica nunca foi aproveitada pela indústria de laticínios local. Neste contexto o impacto de tal legislação reveste-se de contornos positivos em vez de aspectos negativos para a agro-indústria açoriana. A ausência de publicidade aos produtos açorianos, nessa perspectiva, será transformada numa mais valia se em detrimento de se publicitar aquilo que efectivamente não se tem certezas científicas, se passar a indicar a composição média dos produtos, num mercado cada vez mais esclarecido, onde as conclusões sobre a qualidade de um produto serão tiradas pelos próprios consumidores.
De acordo com o Diário de Notícias, poderão continuar a observar-se nos rótulos frases como: "o cálcio faz bem aos ossos". Neste caso, a ciência comprova e a ideia é de fácil entendimento para o consumidor comum. Mas qualquer expressão adicional a esta lista vai ser alvo de uma aprovação prévia antes de ser lançada no mercado. E terá de ser validada cientificamente. Um processo que é mais exigente sempre que as alegações sejam em relação ao risco de doença - "evita o aparecimento de cancro", por exemplo. Ou quando se dirigem especificamente às crianças. As regulação estende-se também às alegações feitas através de "representação pictórica, gráfica ou simbólica".
(In RDP-Açores)

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segunda-feira, outubro 15, 2007

A valorização do leite açoriano

A Mestre Anabela Gomes, docente do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores em entrevista ao Diário Insular defende uma valorização do leite açoriano.

Diário Insular (DI)- O Presidente da República veio aos Açores dizer que o leite tem futuro (além de dizer que a Autonomia já tem poderes que cheguem, mas isso não vem agora para o caso…). Referia-se, certamente, ao valor económico do produto. Concorda?
Anabela Gomes (AG)- Concordo, porque a alimentação e a mão de obra são os parâmetros mais importantes da despesa de uma exploração leiteira. Nos Açores a mão de obra é maioritariamente familiar e as nossas condições de solo e clima são favoráveis ao pastoreio, que é uma forma barata de alimentar o gado. Para ser mais rentável a lavoura deve pedir ajuda para reduzir os custos de produção. A indústria tem que investir para aumentar o valor dos lacticínios em vez de ganhar dinheiro só à custa do aperto no preço de compra do leite. A lavoura açoriana continua a queixar-se de pouca valorização do seu leite, apesar dos aumentos recentes pressionados pelo mercado, onde o leite já começa a valer ouro, sobretudo devido à conjugação da explosão do consumo em mercados emergentes e na baixa produção em países tradicionais de grande produção (Austrália, Nova Zelândia, Brasil, entre outros).
DI- A lavoura tem razão?
AG- Pois tem, mas parte da valorização depende da qualidade do leite entregue na fábrica e isso é também da responsabilidade dos lavradores. A outra parte compete à indústria, que não tem sabido ou querido fazer um bom marketing, para valorizar as especificidades do leite quanto à origem e aos componentes.
DI- O leite açoriano e os lacticínios estão, em boa parte, em mãos externas, com particular destaque para a ilha Terceira, onde se vive uma situação de monopólio. O que motiva tais entidades a “abafarem” o sector nos Açores?
AG- Estamos a ser usados para satisfazer as necessidades das empresas do continente sem ter em atenção os interesses dos nossos lavradores e da Região. Mas como o dinheiro para construir e “modernizar” essas fábricas vem do nosso orçamento, é justo que se imponham as condições necessárias para acautelar a nossa economia e valorizar os lacticínios. Não se pense que é só a lavoura que perde dinheiro. O leite açoriano é pouco transformado em produtos de alto valor acrescentado, alguns deles vendidos hoje a altos preços e como produtos da linha de saúde. Sabe-se que o nosso leite é rico em componente úteis a tais segmentos.
DI- O que se passa?
AG- A investigação feita no Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores prova cientificamente esse facto. A modernização dos lacticínios não é só betão e aço inox, mas é principalmente tecnologia alimentar...
(In Diário Insular)

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quarta-feira, outubro 10, 2007

Qualidade da Carne Açoriana

O professor Henrique Rosa, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, apresentou no III Congresso da Carne Regional dos Açores, que decorreu na ilha de Santa Maria, uma comunicação com o título "Parâmetros produtivos e qualidade da carne e da carcaça de novilhos Holstein criados nas pastagens açorianas" em co-autoria com os professores e investigadores Oldemiro Rego, Célia Silva, L. Evangelho, E. Simões e R. Bessa.
A investigação prévia realizada no DCA da Universidade dos Açores, em colaboração com a Estação Zootécnica Nacional, demonstrou que a carne de bovino produzida nos Açores, em condições de pastoreio exclusivo, possui gordura com qualidade dietético/nutricional superior à produzida em sistemas mais intensivos. Contudo, as carcaças dos novilhos Holstein obtidas naquelas condições revelaram-se muito magras e mal conformadas o que é incompatível com o actual sistema de certificação "carne dos Açores IGP". Uma vez que uma parte muito substancial da carne produzida nos Açores provém daqueles animais, fruto da orientação para a produção leiteira da região (85% das vacas existentes são leiteiras), justificou-se investigação adicional nesta área. O objectivo principal do estudo que foi apresentado foi determinar até que ponto seria possível melhorar as características da carcaça sem deteriorar substancialmente a qualidade dietética da carne. Adicionalmente fez-se um estudo dos desempenhos produtivos e da qualidade sensorial (determinação indirecta da tenrura através do teor em colagénio). Em 3 músculos estudados, o teor de colagénio aumentou quando se adicionaram 8 kg/dia de milho na dieta. Colectivamente estes dados sugerem que um período de acabamento de novilhos Holstein em pastagem suplementada com 4kg de farinha de milho/animal/dia não deteriora a qualidade dietética da gordura e melhora alguns parâmetros produtivos e o teor de gordura da carcaça. Contudo, nem a conformação da carcaça nem a tenrura da carne são beneficiados. A suplementação com 8kg milho/animal/dia permite melhorar estes parâmetros mas com deterioração da qualidade dietética da gordura. Do ponto de vista económico e no contexto actual do mercado, esta última opção é totalmente desaconselhável.
(In Azores Digital, A União)

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segunda-feira, setembro 24, 2007

Preço do leite ao produtor no mercado internacional

O preço do leite ao produtor não pára de subir, no mercado português, até ao início de Agosto, a produção já tinha registado aumentos de 10 por cento.
A lavoura terceirense diz estar satisfeita com os aumentos verificados no último semestre, nomeadamente, com a subida no início de Setembro, três cêntimos por litro de leite. Contudo, os dirigentes associativos do sector asseguram que a indústria na ilha Terceira está a acompanhar a evolução dos mercados. “Houve um compromisso. A direcção da União das Cooperativas da Ilha Terceira está atenta e poderá voltar a aumentar o preço, caso os mercados continuem a evoluir”, afirmou fonte da Associação Agrícola da Ilha Terceira.
Em S. Miguel, recentemente, a empresa de lacticínios Bel anunciou um aumento do preço base do leite pago aos produtores de um cêntimo por litro. Com este aumento esta fábrica de lacticínios dos Açores "procedeu à quarta actualização" do preço do leite à produção de São Miguel desde o início de 2007, como forma de "manter a competitividade e acompanhar a evolução do mercado".

Segundo a Bel, os novos preços têm efeitos retroactivos desde 1 de Agosto, sendo determinados pela evolução do mercado e pela necessidade de reforçar a liderança da companhia na região. Também a união de cooperativas, Unileite anunciou reajustamentos no preço base do leite fornecido pelos seus produtores "no valor de um euro por cem litros" (também referente ao passado mês e Agostos, refere o sítio da Associação Nacional dos Industriais de Lacticínios (ANIL/, na Internet). Esta subida do preço do leite à produção está relacionada com a falta de matéria-prima a nível mundial e em Portugal continental, que na campanha 2005/2006 produziu um total de 1,33 milhões de toneladas, menos 5 por cento face à campanha anterior. Segundo a ANIL a escassez em Portugal era contrabalançada com compras externas, no entanto existe um cenário de escassez mundial. Em Espanha, a subida dos preços do leite parece, apesar de tudo, estar ainda longe de tocar no seu ponto mais alto. Às subidas relativamente moderadas ocorridas em Junho e Julho, seguiu-se o forte incremento verificado em Agosto, onde foram batidos máximos históricos, com um crescimento de 20 por cento em apenas um mês os preços a ultrapassarem os 42 cêntimos. O preço ao produtor do leite na Holanda aumentou quarenta por cento desde o início do ano. Em finais do ano passado, o preço por quilo rondava os trinta cêntimos, para um leite como 4,4 por cento de gordura e 3,5 por cento de proteína. Nos primeiros dias deste mês de Setembro, as duas mais importantes empresas lácteas holandesas - Campina e Friesland - colocaram os respectivos preços sobre a fasquia dos quarenta e dois cêntimos. A Alemanha acompanha a tendência.
Segundo o economista Tomáz Dentinho, docente do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, o aumento do preço dos produtos lácteos “nos mercados internacionais é impressionante”. Desde o ano passado a manteiga subiu de 2500 Euros por tonelada para 3800 Euros, um aumento de mais de 50 por cento. No mesmo período o Leite em Pó aumentou 100%, de 2000 Euros por tonelada, em 2006, para 4000 Euros em 2007. O soro lácteo, no mesmo período subiu de 700 Euros por tonelada para 1100 indicando um crescimento de cerca de 60%. As razões deste aumento generalizado no preço do leite já foram explicadas pela ANIL: “um aumento impressionante da procura por parte da Índia e da China e a incapacidade de aumentar a oferta com o mesmo ritmo, também porque o aumento do preço dos cereais condicionou as produções mais artificiais. Estas tendências também vão provocar, a curto prazo, novas subidas de preço ao consumidor.
(In A União)

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quarta-feira, setembro 19, 2007

As quotas leiteiras na Europa podem ser abolidas em 2012

O Professor Tomaz Dentinho, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, explica porque razão em 2012, as quotas leiteiras na Europa podem ser abolidas.
“As quotas leiteiras podem ser abolidas em 2012”. É esta a frase da página 13 do Folha nº 7/2007 da Associação Nacional de Industriais de Lacticínios (ANIL). A informação terá sido impressa no Jornal de Notícias e faz todo o sentido. Na verdade se há um aumento generalizado da procura de leite a nível mundial, a que se associa um aumento acentuado do preço do leite, então não faz qualquer sentido limitar a produção para assegurar o nível de preços ao produtor.
Na página 3 da mesma Folha refere-se que o aumento do preço dos produtos lácteos nos mercados internacionais é impressionante. Desde o ano passado a manteiga subiu de 2500 Euros por tonelada para 3800 Euros por tonelada num aumento de mais de 50%. No mesmo período o Leite em Pó aumentou 100%, passando de 2000 Euros por tonelada em 2006 para 4000 Euros por tonelada em 2007. O soro lácteo, no mesmo período subiu de 700 Euros por tonelada para 1100 euros indicando um crescimento de cerca de 60%. As razões desde aumento generalizado no preço do leite já foram explicadas: um aumento impressionante da procura por parte da Índia e da China e a incapacidade de aumentar a oferta com o mesmo ritmo, também porque o aumento do preço dos cereais condicionou as produções mais artificializadas.
A ANIL também dá a sua explicação para os aumentos do preço do leite ao produtor, que se espera venham a aumentar ainda mais. Primeiro registou-se um recuo da produção no Continente Europeu motivado pelo aumento do preço dos factores produtivos não compensado imediatamente por um aumento do preço do leite. Segundo verifica-se uma falta de matéria-prima ao nível global havendo anúncios de mais aumentos do preço na Alemanha e na Espanha. Em terceiro lugar não tem sido possível transferir animais das zonas menos competitivas para as zonas mais competitivas devido a restrições de ordem sanitária e, finalmente, a indefinição da política comunitária está a condicionar os investimentos na produção nas zonas com mais aptidão produtiva.

Estas notícias são muito boas para os Açores. Por um lado porque é uma das regiões com mais aptidão para a produção de leite no mundo e ainda existe muita capacidade para aumentar a produção em qualidade e em quantidade. Por outro lado porque havendo falta de matéria prima na Índia e na China, e sendo o meio de transporte para esses destinos o marítimo, então os Açores passam a ser mais acessíveis do que muitas zonas do interior europeu ou americano, isto se houver sabedoria para modificar a política marítima. Finalmente porque o peso da produção de leite dos Açores face ao país passa de 25% há uns anos para 40% ou 50% dentro de pouco tempo, o que pode fazer transferir para a Região grande parte do poder da Cadeia de Valor do Leite. Isto se houver capacidade empresarial e política para o fazer.
No entanto há-de também haver aqueles que perdem poder e que se apressarão a restringir os benefícios que se podem vislumbrar para todos. Com a abolição da quota o Governo Regional perde a possibilidade da redistribuir com proveitos políticos para além de ficar com a culpa de não ter implementado o mercado da quota que facilitaria agora a transição para o fim da quota. Porque não existe mercado institucional da quota há lavradores que compraram a quota a um preço elevado e outros que a obtiveram das mãos do Governo. O que vão pensar os primeiros quando, depois de a comprarem por um preço elevado, verificarem que a sua quota não vale nada? Se tivesse havido um mercado organizado o Governo saberia quanto é que teria de compensar quando viesse o anúncio oficial da abolição da quota e esse seria uma compensação justa. Também me dá uma certa satisfação o fim da quota leiteira com o aumento do preço. Por um lado porque sempre disse que a quota era uma aberração embora estivesse muitas vezes sozinho. Mas sobretudo porque vai ser muito melhor para o desenvolvimento dos Açores.

(In A União)

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quarta-feira, setembro 05, 2007

Produção Animal açoriana discutida em Dublin na Irlanda

O Encontro Anual da Associação Europeia de Produção Animal representa uma oportunidade para apresentar e discutir resultados científicos de trabalhos realizados durante o ano. Reveste-se de particular importância na medida em que abarca um vasto número de áreas da produção animal e congrega especialistas de todo o mundo. Vários docentes do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores apresentaram trabalhos no " 58th Annual Meeting of the European Association for Animal Production", que decorreu até 29 de Agosto em Dublin na Irlanda. Nesse Encontro foi apresentado um trabalho sobre a influência da dieta dos bovinos nos óleos que entram na composição dos ácidos gordos do leite açoriano, da autoria de Oldemiro Rego, L. Antunes, Henrique Rosa, Alfredo Borba, Célia Silva e R. Bessa. Particularmente, foi estudado o efeito da silagem na alimentação de bovinos e a sua consequente influência nos níveis de ácidos gordos do leite açoriano, que resultou num trabalho da autoria de Carlos Vouzela, Oldemiro Rego, Susana Regalo, Henrique Rosa, Alfredo Borba e R. Bessa. O efeito do tempo de gestação dos bovinos na qualidade e peso da carcaça foi estudado por O. Abaurrea, Alfredo Borba e Fernando Moreira da Silva, que apresentaram um trabalho que permite identificar alguns comportamentos atípicos na produção animal regional. Ainda relativamente à qualidade da carne, Célia Silva, E. Simões, Oldemiro Rego e Henrique Rosa levaram uma comunicação sobre o elevado grau de solubilização de cologénio nos músculos de touros da raça Holstein, alimentados com dietas muito energéticas. A qualidade da carcaça de bovinos Holstein também foi estudada do ponto de vista da composição intramuscular de ácidos gordos por Henrique Rosa, S. Mendes, Oldemiro Rego, Célia Silva e R. Bessa.


(In Azores Digital, Diário Insular, A União))

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domingo, agosto 19, 2007

Queijo de São Jorge



Queijo de São Jorge foi impedido mais uma vez, de entrar nos Estados Unidos da América. Segundo uma nota da U.S. Food and Drug Administration, o queijo em causa “aparentava ter sido fabricado, processado ou embalado sem condições sanitárias”. O documento refere ainda que o produto não apresentava o exigido rótulo em inglês.

Será que esses critérios não poderiam ser aplicados aos produtos americanos que dão entrada em Portugal?

O que é aparentar ter sido fabricado sem condições sanitárias? Porque razão os rótulos dos produtos americanos só estão escritos em inglês, mesmo sendo enviados para outros Países?

O Professor José Matos, docente do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, defendeu, faz precisamente um ano atrás, em declarações à Antena 1-Açores, a criação de um rótulo de qualidade para os produtos genuinamente açorianos, com vista a dinamizar a sua comercialização no continente português. Segundo este investigador, “a criação de um rótulo Açores garantiria a qualidade do produto, valorizando-o também em termos de marketing”. Na opinião do Professor José Matos, esse rótulo deveria ser aplicado a todos os produtos bandeira do arquipélago, como é o caso do queijo de São Jorge. Recorde-se que os Açores detêm mais de metade da produção nacional de queijo, mas o queijo açoriano continua a não ser líder de mercado.

O professor universitário defende ainda que “a batalha da qualidade não tem uma meta fixa, mas volátil”. “O nosso objectivo deve ser sempre conquistar patamares de mais elevada qualidade, nas suas várias vertentes”.
(Adaptado de RDP-Açores)

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