quarta-feira, outubro 10, 2007

Qualidade da Carne Açoriana

O professor Henrique Rosa, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, apresentou no III Congresso da Carne Regional dos Açores, que decorreu na ilha de Santa Maria, uma comunicação com o título "Parâmetros produtivos e qualidade da carne e da carcaça de novilhos Holstein criados nas pastagens açorianas" em co-autoria com os professores e investigadores Oldemiro Rego, Célia Silva, L. Evangelho, E. Simões e R. Bessa.
A investigação prévia realizada no DCA da Universidade dos Açores, em colaboração com a Estação Zootécnica Nacional, demonstrou que a carne de bovino produzida nos Açores, em condições de pastoreio exclusivo, possui gordura com qualidade dietético/nutricional superior à produzida em sistemas mais intensivos. Contudo, as carcaças dos novilhos Holstein obtidas naquelas condições revelaram-se muito magras e mal conformadas o que é incompatível com o actual sistema de certificação "carne dos Açores IGP". Uma vez que uma parte muito substancial da carne produzida nos Açores provém daqueles animais, fruto da orientação para a produção leiteira da região (85% das vacas existentes são leiteiras), justificou-se investigação adicional nesta área. O objectivo principal do estudo que foi apresentado foi determinar até que ponto seria possível melhorar as características da carcaça sem deteriorar substancialmente a qualidade dietética da carne. Adicionalmente fez-se um estudo dos desempenhos produtivos e da qualidade sensorial (determinação indirecta da tenrura através do teor em colagénio). Em 3 músculos estudados, o teor de colagénio aumentou quando se adicionaram 8 kg/dia de milho na dieta. Colectivamente estes dados sugerem que um período de acabamento de novilhos Holstein em pastagem suplementada com 4kg de farinha de milho/animal/dia não deteriora a qualidade dietética da gordura e melhora alguns parâmetros produtivos e o teor de gordura da carcaça. Contudo, nem a conformação da carcaça nem a tenrura da carne são beneficiados. A suplementação com 8kg milho/animal/dia permite melhorar estes parâmetros mas com deterioração da qualidade dietética da gordura. Do ponto de vista económico e no contexto actual do mercado, esta última opção é totalmente desaconselhável.
(In Azores Digital, A União)

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