terça-feira, abril 14, 2009

Mini Curso HORTA BIOLÓGICA

Terá início o Mini Curso HORTA BIOLÓGICA no próximo dia 18 de Abril de 2009 das 10 ás 18h com 1h de almoço, e domingo dia 19 das 10 ás 13h.
Conhecimentos para implantação de uma horta familiar serão transmitidos pelo Eng. Victor Gomes ligado á Biofrade (http://biofrade.com/).
Inscrição: 60€ contactar 295402245
Nota: o local do curso será nas instalações da Universidade na Terra-Chã, sala 3, e não no Pico da Urze como havia sido divulgado.

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domingo, abril 12, 2009

Amêndoa - A Justa Homenagem


Licenciado em Engenharia Agrícola pela Universidade dos Açores
Estamos na época pascal, e porque este blog pretende ir muito para além da horticultura, é da mais elementar justiça falar da planta que nós dá um dos frutos mais consumidos nesta altura. A Amêndoa e a amendoeira, a amendoeira e a amêndoa, tanto faz a ordem, porque falar de uma é realçar a outra e vice versa.Oriunda da Ásia Central, chega à Europa através da bacia mediterrânica, através dos Fenícios. Fonte: A Amendoeira (António Monteiro, Vitor Cordeiro, José Laranjo)
Em portugal encontra-se no Alto Douro, Nordeste Transmontano (Terra Quente) e Algarve e faz parte de um cartaz turístico na altura da floração.
CLASSIFICAÇÃO BOTÂNICA
Família : RosaceaeGénero: Prunus L.Espécie: P. dulcis (Miller) D.A. Webb
Há no entanto alguma discrepância entre a classificação botânica e alguns autores referem-se à amendoeira como Amygdalus communis L. (Vasconcelos, 1984).
A este género pertencem 77 espécies de entre as quais se encontram a cerejeira, a ameixeira, o pessegueiro e o damasqueiro entre outras, pelo que a amendoeira, tal como as restantes do mesmo género é incluida na subfamilia das prunóideas, isto é, todas aquelas que sendo da mesma familia produzem um fruto com caroço!
RAIZ
Sistema radicular profundo, podendo atingir os 4 m de profundidade se bem que cerca de 80% do seu raizame se encontre a uma profundidade até 1 metro. Na horizontal poderá atingir os 12 metros.É um sistema radicular poderoso o que lhe permite asseguar os mínimos indispensáveis ao seu desenvolvimento (água e nutrientes) daí se poder perceber a sua boa adaptabilidade a solos pobres e mal estruturados.
CAULE
É o suporte dos ramos principais (pernadas) nos quais se inserem as ramificações secundárias (frutíferas). É uma planta que tem uma altura média de 4 a 6 m podendo em alguns casos chegar aos 10-12 metros.O porte da planta depende muito das variedades, das técnicas culturais, do solo e do clima, pelo que de uma região para outra, e até mesmo dentro da mesma região, é possivel encontrar plantas com diferentes volumetrias.
FLOR
As flores surgem nos lançamentos de Maio (ramalhetes de maio), nos ramos mistos ou em ramos curtos. O número de flores é variável e só apenas 40 a 45% são polinizadas e destas apenas 25 a 35% dão fruto.

imagem web - flor

Fonte: A Amendoeira (António Monteiro, Vitor Cordeiro, José Laranjo)

As flores são completas, isto é, apresentam órgãos masculinos (entre 20 a 40 estames) e femininos (1 ovário).O pedúnculo é curto e apresenta a forma característica das rosáceas (5 sépalas e 5 pétalas), branco-rosadas o que lhe confere as tonalidades que tanto deslumbram os nossos olhos aquando da floração.
FRUTO
O Fruto é uma drupa (amêndoa) de forma ovóife-oblonga, constituído por exocarpo (camada externa), mesocarpo e endocarpo (casca ou caroço) o qual encerra o miolo ou grão.


imagem web - fruto (exocarpo)


imagem web - fruto (endocarpo)

É de facto o fruto que nos interessa nesta cultura e existem várias utilidades para as diferentes partes do mesmo.O mesocarpo era muito utilizado como alimento para os animais (ovinos) por ser muito rico em hidratos de carbono e fibra.A casca (endocarpo) é hoje em dia muito utilizada como subproduto e as suas características muito apreciadas como bombustível devido à sua grande capacidade energética, onde encontra uma forte utilização no aquecimento doméstico. Tem também outras utilidades menos intensas como por exemplo em aglomerados e para obtenção de carvão activado que depois é utilizado para tratamento de águas residuais. A semente é utilizada na obtenção de óleo, na colinária e para consumo. A sua forma é muito importante e é ela que em parte determina a sua utilizaçãp final, pelo menos no que concerne ao consumo humano, pois as achatadas são cobertas com açúcar e as esféricas com chocolate.
ESTADOS FENOLÓGICOS


VARIEDADES
Variedades de zona fria (floração tardia): Antoñeta, Ayles, Ferralise, Ferrastar, Ferragnès, Francoli, Glorieta, Guara, Lauranne, Mandaline, Marta, Masbovera, etc.
Variedades de Zonas intermédias (Florações médias) : Bonita, Casanova, Desmaio, Ferraduel, Garrigues, Marcona, Parada, rumbeta, etc.Variedades de zonas quentes - inclui todas as variedades e também as precoces, tais como: Boas Casta, Gama, José Dias, Marcelina Grada, mourisca, Pegarinhos, Romeira, Verdeal, etc.
TÉCNICAS CULTURAIS
Existem muitas variedades e cada uma delas terá um tratamento próprio mas, como orientação poderemos referir as seguites generalidades.
Desidade de plantação - 333 plantas/ha - regadio238 plantas/ha - sequeiro
Plantação - Enxertos prontos ou porta enxertos.
Podas - esta operação determina e condiciona o futuro do pomar, pelo que ou é bem executada desde inicio ou se poderá comprometer de futuro tanto produções como intervenções culturais.Poda de formação - 3/4 primeiros anos;Poda de Frutificação - anos seguintes;Poda de reestruturação - em fase de envelhecimento.
Rega Tem grande resistência à seca, em que a perda de folhagem durante a fase de crescimento é um mecanismo adoptado pela árvore para se adaptar a situações de seca extrema, claro que com baixas produções.Em regadio responde favoravelmente e os rendimentos são elevados quer em número de frutos quer em peso dos frutos.
Fertilização

Fonte: LQARS

Depende muito da fertilidade do solo o que só se consegue avaliar mediante recolha de terra para análise.
FITOSSANIDADE
Os problemas fitossanitários mais frequentes são:
Cancro da amendoeira (Fusicoccum amygdali) - ataca ramos e troco e apresenta-se como uma necrose acastanhada oval.Meios de luta cultural, como sejam eliminar lenhas de poda e elimanar partes infectadas. A luta química limita-se a aplicações de cobre no período invernal.
Crivado (Coryneum beijerinckii ou Stigmina carpophila) - ataca folhas e frutos e os sintomas são pequenas machas arroxeadas que encortiçam (fruto). As folhas acabam por perfurar e cair.Luta química - substâncias activas homologadas para o efeito.
Cancro Bacteriano (Pseudomonas syringae) - ataca ramos e tronco.luta química limita-se a aplicações de cobre no período outono/inverno.
ACIDENTES FISIOLÓGICOS
As geadas são as que mais afligem os produtores de amêndoa que, em determinados anos, podem causar prejuízos de 60 a 90%.
PRODUÇÃO


CURIOSIDADES
A amêndoa é referencaida no Génesis (cap.III, versículo II) como sendo um objecto oferecido por Jacob ao perfeito do Egipto, dois mil anos antes de Cristo.
COMPOSIÇÃO MÉDIA (Verdeal)
Água - 6,6%
Gordura - 49%
Proteínas - 31,2%
Açúcares totais - 6%
Cinzas - 3,9%
Valor energético - 584,4 kcal
Cálcio - 330 mg/100g
Fósforo - 572 mg/100g
Potássio - 880 mg/100g.

(In Horticularidades)

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sábado, janeiro 31, 2009

Esclerotínia

Jorge Carvalho
Licenciado em Engenharia Agrícola pela Universidade dos Açores.

A cultura da alface, pela sua importância económica e agronómica, merece um relevo especial e, no que toca aos problemas fitossanitários (pragas, doenças, infestantes), há um que particularmente nesta época do ano se manifesta com uma incidência elevada em alguns terrenos e sob determinadas condições de cultura – a Esclerotínia.Esta doença é provocada por um fungo da classe dos Ascomyceta e da família Sclerotiniaceae, onde podemos ter duas espécies causadoras da doença - Sclerotinia minor Jagger e Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) de Bary.O nome comum dado a esta doença é Podridão branca alface.
Bioecologia
A podridão do colo da alface é provocada por duas espécies de Sclerotinia: S. minor e S. sclerotiorum. Ambas as espécies sobrevivem nas camadas superficiais do solo (2-3cm), durante a estação desfavorável, em estruturas de resistência denominadas esclerotos (tamanho compreendido entre 0,5 – 3 mm e cor escura) sendo a sua viabilidade bastante longa (8-10 anos). O escleroto forma-se por compactação massiva de micélio cujo exterior endurece com uma camada quitinizada. Diferem entre si nas condições óptimas e no modo de infecção. Assim, os esclerotos da S. sclerotiorum germinam, carpogeneticamente quando a humidade do solo se mantém próximo da saturação durante 2 semanas e a temperatura do ar se situa entre os 11-15º C. Ocorre então a emissão de apotecas (órgão de frutificação - estruturas assexuadas de reprodução) e a libertação de milhões de ascósporos que em presença de água livre, infectam as folhas senescentes (período de incubação de 48 horas). Os esclerotos da S. minor, por sua vez, germinam eruptivamente, produzindo hifas que entram em contacto directo com as raízes e folhas senescentes, ocorrendo desta maneira as infecções primárias. Dados os requisitos específicos de produção e libertação de ascósporos da S. sclerotiorum os seus ataques são esporádicos.Os solos rico em matéria orgânica também favorecem o desenvolvimento da doença.
(Fotos: Jorge Carvalho)

Sintomatologia
A Sclerotinia é um fungo de solo, pelo que as infecções se dão, preferencialmente, ao nível do colo da planta, onde começa por se notar uma podridão húmida de aspecto esbranquiçado. As folhas da base também são atacadas em simultâneo ou numa fase ligeiramente subsequente. À medida que a doença progride a planta pára o seu crescimento, as folhas da base tombam (sintoma característico) e aparece um micélio branco acompanhado de uns orgãos escuros (esclerotos). Os tecidos atacados tornam-se deliquescentes, em virtude de invasões secundárias de bactérias e fungos (podridão cinzenta). Ao ser arrancada não oferece qualquer resistência.É próximo da colheita que a doença progride mais, no entanto a doença pode atacar em todos os estado fenológicos.
Estragos provocados
As folhas atacadas param o seu crescimento, tombam e são invadidas por podridões moles perdendo todo o seu valor comercial. Para além disso, atendendo à grande persistência das suas estruturas de perpetuação é difícil a realização desta cultura, com resultados económicos positivos, em solos em que se tenham verificado ataques anteriores, principalmente em cultivos realizados na época InvernalEstratégia de protecção:A estratégia de luta passará essencialmente pela actuação preventiva reduzindo-se ao mínimo, pela correcta aplicação de medidas culturais, as condições favoráveis ao aparecimento/desenvolvimento do agente causal e não se correndo riscos quando se julgarem criadas as condições para o desenvolvimento da doença.a) estimativa de riscoA estimativa de risco, apesar de muito díficil e de pouco ou nenhuma aplicabilidade em termos práticos, baseia-se no risco potencial de infecção e tem por base a avaliação de três parâmetros fundamentais:
1) bioecologia do agente causal;2) monitorização dos principais parâmetros climáticos (temperatura, humidade);3) observação visual de plantas e órgãos (as consideradas para as pragas) para detecção precoce de sintomas.b) Meios de protecção: É, sem dúvida, o ponto chave e mais complexo, porque não temos produtos homologados para a finalidade. Assim, a luta cultural, é a única forma que temos de controlar a doença e impedir que futuras plantações venham a estar comprometidas.

Luta Cultural

Utilizar plantas em motte (afasta as folhas basais do solo);. armação do terreno em camalhões;. cobertura do solo com plástico;. arranque e destruição de folhas afectadas;. desinfecção do solo (solarização, vapor de água);. densidades de plantação mais pequenas;. evitar fortes adubações azotadas e garantir o equilíbrio químico do solo;. utilizar variedades resistentes a esta doença;. destruir os detritos da cultura precedente;. evitar fazer culturas após uma outra que tenha sofrido ataque desta doença;. Lavouras mais profundas contribuem para enterrar os esclerotos.

Luta Química
Não temos em Portugal substâncias activas homologadas para o binómio doença/cultura.
Há, todavia, produtos fitofarmacêuticos que exercem alguma acção secundária sobre esta doença tais como sejam o metame de sódio, Iprodiona, ciprodinil+fludioxonil... (homologados para a cultura e para outras finalidades).
(In Horticularidades)

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segunda-feira, janeiro 12, 2009

Limite Máximo de Resíduos Fitofarmacêuticos

Jorge Carvalho, Licenciado em Engenharia Agrícola pela Universidade dos Açores, Horticultor e Formador na área agrícola.

USOS MENORES - O QUE SÃO E PARA QUE SERVEM!
Com as regras apertadas sobre a utilização de produtos fitofarmacêuticos e a comercialização dos produtos agrícolas que cumpram os LMR (limite máximo de resíduos), por vezes surgem problemas ao nível da protecção fitossanitária que deixa os agricultores de mãos atadas, por falta de produtos homologados para determinadas culturas! Assim, surge uma figura que é os usos menores.

O que são usos menores?

São todos os usos que representam pequenos consumos de determinados produtos fitofarmacêuticos, ou porque as culturas em que se verificam têm pequena expressão, ou porque correspondem a finalidades de pequena incidência em culturas importantes. Estes usos induzem pequenos consumos de produtos fitofarmacêuticos, o que, frequentemente, desmotiva as empresas de produtos fitofarmacêuticos para o investimento necessário para manter ou obter a homologação para essas finalidades.

Em Portugal, os usos menores concentram-se maioritariamente na horticultura, mas também se encontram, com frequência, em fruticultura, culturas ornamentais e culturas arbóreas.

Que consequências para a falta de produtos que cubram os usos menores?

A existência em Portugal de muitos usos menores sem cobertura de produtos fitofarmacêuticos autorizados para esse fim especialmente na horticultura e na fruticultura, reduz ainda mais a competitividade destes sectores face à agressividade comercial de outros produtores da Europa do Sul.

Podem os agricultores, associações e entidades técnicas e científicas contribuir para a redução do problema da falta de cobertura dos usos menores?

De facto, estas entidades podem intervir no processo de redução do número de finalidades não cobertas no âmbito dos usos menores.

Como?

Requerendo, o alargamento de espectro de utilização de um produto fitofarmacêutico homologado em Portugal para finalidades em culturas menores, nos termos definidos nos números 2 e 3 do Artigo 9º do Dec.-Lei 94/98 sobre a colocação no mercado de produtos fitofarmacêuticos.

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domingo, janeiro 11, 2009

Penca o ex-líbris do bacalhau

Jorge Carvalho, Licenciado em Engenharia Agrícola pela Universidade dos Açores, Horticultor e Formador na área agrícola.

Todos os anos pelo Natal o bacalhau é um dos pratos mais consumidos e confecciona-se de toda maneira e feitio e vai com qualquer um, com o Brás, o Narciso, cozido, frito, assado, com cebolada, cru e até uma bela punheta de bacalhau é uma delicia! Pois, mas será que o acompanhamento não será também responsável pelo toque de classe que transforma o mais lânguido bacalhau num dos pratos gastronómicos mais apreciados em Portugal? Pois, se assim é ou não, fica a cargo da avaliação fidedigna dos mestres da culinária, mas, o que da minha parte vos posso afiançar é que um belo bacalhau vale muito mais se acompanhado com a bela couve. E da mesma forma que digo que “gostando muito de bacalhau não me serve qualquer rabo”, também afirmo que “gostando muito de couve mas não me serve qualquer talo”. Aqui, a penca desempenha um papel único e singular e, de entre todas as couves, é a que mais se destaca nesta época natalícia, como tal, é justo que se fale um pouco desta cultura.
Todas as couves, a penca incluída, pertencem à família das brassicáceas (crucíferas), família que engloba também outras espécies com interesse agronómico como é o caso do nabo, agriões, rabanete, rúcula e também não menos importante, nem sempre por boas razões, já que se trata de uma infestante, o Saramago. As couves que se cultivam em Portugal pertencem à espécie Brassica oleracea L, que engloba diversas variedades, nas quais se encontra a couve penca que é uma variedade acephala, isto é, não produz cabeça. A penca, também conhecida por couve Portuguesa ou tronchuda, tem várias origens e cada um “puxa a couve ao seu bacalhau”, acabando por se dizer que a penca de Chaves é a melhor, mas, outros vêm, e logo dizem que a penca de Mirandela é que é saborosa e, como se não bastasse, logo aparece quem bem diz da penca da Póvoa. Umas e outras, têm naturalmente características muito próprias devido às condições edáfo-climáticas o que lhes confere sabores particulares e igualmente apetitosos, pelo que, sendo de Chaves, Mirandela ou da Póvoa, o importante é perceber as características morfológicas comuns a todas e as exigências edáfo-climáticas, para que se possa tirar partido de uma cultura que economicamente tem uma expressão muito grande na horticultura nacional, principalmente nesta época do ano.

Produções relativas aos anos de 2000 nas diversas regiões (Fonte: INE, estatísticas da horticultura 1995-2001).
Regiões:
Entre Douro e Minho (EDM) área cultivada - 437 ha produção total - 5158 toneladas
Trás-os-Montes (TM) área cultivada - 100 ha, produção total - 2500 toneladas
Beira Litoral (BL) área cultivada - 82 ha, produção total - 1446 toneladas
Beira Interior (BI) área cultivada - 15 ha, produção total - 288 toneladas
Ribatejo-Oeste (RO) área cultivada - 389 ha, produção total - 6617 toneladas
Alentejo (ALE) área cultivada - 11 ha, produção total - 165 toneladas
Algarve (ALG) área cultivada - 10 ha, produção total - 250 toneladas
Características Botânicas
• Raiz - aprumada na qual crescem grande número de raízes mais pequenas, podendo considerar-se que possuem um sistema radicular superficial (aproximadamente 30cm).
• Folhas - tal como na maioria das brássicas, possuem uma cerosidade típica que dificulta a permanência de gotículas de água e têm uma cor verde escura a verde clara consoante a variedade. Tem folhas grossas e talos carnudos e pode alcançar os 50 cm de altura e um peso de 2 kg.
• Flores – hermafroditas, com auto polinização e polinização entomófila (insectos).
• Fruto – é uma silíqua
Exigências edafo-climáticas
As couves são, de um modo geral, plantas adaptáveis às mais diversas condições de clima e de solo.Temperaturas baixas e terrenos férteis e frescos conjugam as condições ideais para a sua produção.Em termos de solos interessam, em especial, os franco argilosos ou todos os que tenham boa capacidade de retenção de água mas, simultaneamente, drenagem suficiente para evitar excessos. As terras arenosas são consideradas as melhores para variedades precoces e as mais compactas para as variedades tardias. As couves desenvolvem-se mal em terrenos demasiado ácidos, nos quais estão sujeitas ao ataque mais frequente de certas doenças como a potra e a falsa potra. De uma forma geral pode dizer-se que as pencas são plantas que produzem melhor em condições de clima frio-temperado (7º-22ºC), suportam mais ou menos bem as geadas e exigem uma precipitação (rega) escalonada.O clima de influência atlântica do litoral português reúne condições óptimas para a produção destas hortícolas. De todos os parâmetros do clima é a temperatura aquele que mais influência tem no êxito do cultivo.
Práticas Culturais
Devem utilizar-se plantas provenientes de viveiros certificados (raiz nua ou alvéolos), mas também poderemos semear em alfobres e depois transplantar. Na plantação manual (aconchegar bem a raiz da planta ao solo) ou recorrendo a plantadores (ar livre); A plantação pode ser feita em linhas simples (terreno armado à rasa) ou linhas pareadas (terreno armado em camalhões), e a densidade deve andar entre as 50.000 a 65.000 plts/ha.
Plantação mecânica em linhas simples
Máquina de plantar com três linhas
Operadores da máquina
Fevereiro-Novembro é a época de plantação. As regas pós plantação devem ser frequentes pois a planta desidrata com facilidade.
Relativamente às fertilizções, estas deverão ser realizadas em função dos niveis de fertilidade do solo, e para isso há que proceder à colheita de amostras de solo para análise.
Como valores meramente indicativos, e considerando os niveis de fertilidade de 1 a 5 (LQARS), temos:
Azoto: 80 a 120 unidades/ha
Fósforo: 60 a 200 unidades/ha
Potássio: 60 a 200 unidades/ha
Magnésio: 20 a 60 unidades/ha
Boro: 0,5 a 3 unidades/ha
Molibdénio: 0,50 a 0,15 unidades/ha
Dever-se-á proceder ao controlo das infestantes mediante a aplicação de herbicidas homologados para o efeito e/ou realizar sachas durante o seu ciclo cultural. A monda térmica também é uma solução, bastanto para o efeito ponderar os custos da mesma, pois nem sempre esta cultura paga esta operação!
Estados Fenológicos
A colheita deverá ser feita no estado fenológico
Problemas Fitossanitários


Pragas – lagartas (Pieris brassicae),
Mosca Branca da couve (Aleyrodes proletella L.);
Outras Pragas
Mosca da couve ou bicho arroz (Delia radicum L.); Áltica (Phyllotreta nemorum L.); Nemátodos (Meloidogyne Spp.); Lesmas e caracóis.
Substâncias activas homologadas:
Lagartas - Bacillus thuringiensis; deltametrina; lambda-cialotrina;
Mosca Branca da couve – Cipermetrina; lambda-cialotrina;
Mosca da raiz- Diazinão;
Áltica- Não há substâncias axctivas homologadas para a finalidade
Nemátodos- 1,3-dicloropropeno;
Lesmas e caracóis - metiocarbe, tiodicarbe
Doenças:
Míldio (Peronospora parasítica)
Substâncias activas homologadas : Mancozebe,
Potra (Plasmodiophora brassicae) Substâncias activas homologadas – não existem.
Meios de luta cultural, com rotações de pelo menos 7 anos e corrigir o pH.
Alternariose (Alternaria brassicae) Substâncias activas homologadas: Mancozebeferrugem branca
(Abugo cândida) Substâncias activas homologadas: Mancozebe
Podridão negra das crucíferas ( Xanthomonas campestris) Substâncias activas homologadas: hidróxido de cobre.
Em qualquer dos casos, quer se trate de pragas ou doenças, antes do recurso ao uso de produtos fitofarmacêuticos (luta química), deveremos recorrer aos outros meios de luta, tais como luta cultural, luta biológica, biotécnica e genética.
Acidentes Fisiológicos
Espigamento: devido a condições de stress - encharcamento, seca, elevadas temperaturas. Tip-Burn - Carência de cálcio e/ou excesso de salinidade no solo. Outras carência - boro e molibdénio.
Informação nutricional
Composição por 100g (Fonte: /www.diabetes.org.br)
Calorias 27kcal
Glicídios-4g, Proteínas-3g, Lipídios-1g, Cálcio-203mg, Fósforo-63mg, Ferro-1mg, Potássio-403mg e Fibra- 3,1g.
Utilização:
Muito ricas em carotenóides, vitamina A e cálcio. Sopas e cozidos e claro está, com o belo do bacalhau que com um azeite extra virgem e um vinho verde por exemplo Quinta do Tapadinho…. Bem, bem, que delicia!
(In Horticularidades)

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segunda-feira, maio 05, 2008

Certificação de produtos Açorianos

O secretário regional da Agricultura e Florestas acusou, hoje, o deputado do PSD no Parlamento açoriano António Ventura de “total desconhecimento” dos processos de certificação dos produtos agro-alimentares da Região.Questionado pelos jornalistas sobre um requerimento parlamentar do PSD sobre um alegado “não avanço da certificação dos produtos regionais”, Noé Rodrigues sustentou que António Ventura “não sabe do que fala”, uma vez que o processo de certificação dos produtos está a avançar de uma forma consolidada.O governante explicou que quando se trata da certificação de produtos regionais é preciso ter em conta questões diferentes que passam, por um lado, pela vontade do Governo, sobre a qual não existem dúvidas de que tem trabalhado insistentemente no sentido de se desenvolverem estes processos, pela existência de organizações de produtores que são os titulares dos processos de certificação e pela existência de organismos de controlo e fiscalização dos procedimentos.“O Governo dos Açores tem desenvolvido um conjunto de esforços ao nível das produções, nomeadamente na valorização de várias cadeias de valor, no sentido de se conseguir uma dimensão mínima e crítica de mercado para melhorar as suas capacidades de acesso aos mercados, bem como no que respeita à elaboração dos cadernos de especificações para cada tipo de produtos, como são os casos da meloa de Santa Maria e do alho e meloa da ilha Graciosa, em alguns casos em colaboração com o Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores”, acrescentou.

(In Jornal da Rádio Graciosa)

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