sábado, janeiro 31, 2009

Esclerotínia

Jorge Carvalho
Licenciado em Engenharia Agrícola pela Universidade dos Açores.

A cultura da alface, pela sua importância económica e agronómica, merece um relevo especial e, no que toca aos problemas fitossanitários (pragas, doenças, infestantes), há um que particularmente nesta época do ano se manifesta com uma incidência elevada em alguns terrenos e sob determinadas condições de cultura – a Esclerotínia.Esta doença é provocada por um fungo da classe dos Ascomyceta e da família Sclerotiniaceae, onde podemos ter duas espécies causadoras da doença - Sclerotinia minor Jagger e Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) de Bary.O nome comum dado a esta doença é Podridão branca alface.
Bioecologia
A podridão do colo da alface é provocada por duas espécies de Sclerotinia: S. minor e S. sclerotiorum. Ambas as espécies sobrevivem nas camadas superficiais do solo (2-3cm), durante a estação desfavorável, em estruturas de resistência denominadas esclerotos (tamanho compreendido entre 0,5 – 3 mm e cor escura) sendo a sua viabilidade bastante longa (8-10 anos). O escleroto forma-se por compactação massiva de micélio cujo exterior endurece com uma camada quitinizada. Diferem entre si nas condições óptimas e no modo de infecção. Assim, os esclerotos da S. sclerotiorum germinam, carpogeneticamente quando a humidade do solo se mantém próximo da saturação durante 2 semanas e a temperatura do ar se situa entre os 11-15º C. Ocorre então a emissão de apotecas (órgão de frutificação - estruturas assexuadas de reprodução) e a libertação de milhões de ascósporos que em presença de água livre, infectam as folhas senescentes (período de incubação de 48 horas). Os esclerotos da S. minor, por sua vez, germinam eruptivamente, produzindo hifas que entram em contacto directo com as raízes e folhas senescentes, ocorrendo desta maneira as infecções primárias. Dados os requisitos específicos de produção e libertação de ascósporos da S. sclerotiorum os seus ataques são esporádicos.Os solos rico em matéria orgânica também favorecem o desenvolvimento da doença.
(Fotos: Jorge Carvalho)

Sintomatologia
A Sclerotinia é um fungo de solo, pelo que as infecções se dão, preferencialmente, ao nível do colo da planta, onde começa por se notar uma podridão húmida de aspecto esbranquiçado. As folhas da base também são atacadas em simultâneo ou numa fase ligeiramente subsequente. À medida que a doença progride a planta pára o seu crescimento, as folhas da base tombam (sintoma característico) e aparece um micélio branco acompanhado de uns orgãos escuros (esclerotos). Os tecidos atacados tornam-se deliquescentes, em virtude de invasões secundárias de bactérias e fungos (podridão cinzenta). Ao ser arrancada não oferece qualquer resistência.É próximo da colheita que a doença progride mais, no entanto a doença pode atacar em todos os estado fenológicos.
Estragos provocados
As folhas atacadas param o seu crescimento, tombam e são invadidas por podridões moles perdendo todo o seu valor comercial. Para além disso, atendendo à grande persistência das suas estruturas de perpetuação é difícil a realização desta cultura, com resultados económicos positivos, em solos em que se tenham verificado ataques anteriores, principalmente em cultivos realizados na época InvernalEstratégia de protecção:A estratégia de luta passará essencialmente pela actuação preventiva reduzindo-se ao mínimo, pela correcta aplicação de medidas culturais, as condições favoráveis ao aparecimento/desenvolvimento do agente causal e não se correndo riscos quando se julgarem criadas as condições para o desenvolvimento da doença.a) estimativa de riscoA estimativa de risco, apesar de muito díficil e de pouco ou nenhuma aplicabilidade em termos práticos, baseia-se no risco potencial de infecção e tem por base a avaliação de três parâmetros fundamentais:
1) bioecologia do agente causal;2) monitorização dos principais parâmetros climáticos (temperatura, humidade);3) observação visual de plantas e órgãos (as consideradas para as pragas) para detecção precoce de sintomas.b) Meios de protecção: É, sem dúvida, o ponto chave e mais complexo, porque não temos produtos homologados para a finalidade. Assim, a luta cultural, é a única forma que temos de controlar a doença e impedir que futuras plantações venham a estar comprometidas.

Luta Cultural

Utilizar plantas em motte (afasta as folhas basais do solo);. armação do terreno em camalhões;. cobertura do solo com plástico;. arranque e destruição de folhas afectadas;. desinfecção do solo (solarização, vapor de água);. densidades de plantação mais pequenas;. evitar fortes adubações azotadas e garantir o equilíbrio químico do solo;. utilizar variedades resistentes a esta doença;. destruir os detritos da cultura precedente;. evitar fazer culturas após uma outra que tenha sofrido ataque desta doença;. Lavouras mais profundas contribuem para enterrar os esclerotos.

Luta Química
Não temos em Portugal substâncias activas homologadas para o binómio doença/cultura.
Há, todavia, produtos fitofarmacêuticos que exercem alguma acção secundária sobre esta doença tais como sejam o metame de sódio, Iprodiona, ciprodinil+fludioxonil... (homologados para a cultura e para outras finalidades).
(In Horticularidades)

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terça-feira, outubro 21, 2008

BOAS CONDIÇÕES CLIMATÉRICAS - Colheita das azeitonas superior ao ano passado

A mosca-da-azeitona, a lagarta, o caruncho, o musgo, o líquen, as térmitas e o cancro da oliveira são algumas das pragas que atacaram os frutos na zona do Porto Martins na ilha Terceira.
Porém, as condições climatéricas verificadas este ano favoreceram o desenvolvimento das oliveiras, aumentando a produção para 40 por cento em comparação com 2007.
À semelhança dos últimos seis anos, a colheita das azeitonas, no Porto Martins, começou na primeira semana de Setembro, um mês mais cedo do que o habitual, consequência das condições climatéricas que provocaram um avanço no desenvolvimento dos diferentes estados fenológicos da cultura da oliveira. As condições climatéricas contribuíram ainda para o aumento da produção deste ano.

Por outro lado, segundo Francisco Branco, a mosca-da-azeitona mostrou-se uma das pragas mais preocupantes para a sua produção. “Este ano perdemos um pouco por causa da mosca-da-azeitona. Além disso, outras pragas manifestaram-se como o caruncho, a lagarta, as térmitas e o cancro da oliveira”, revela ao nosso jornal. E continua: “A minha colheita foi feita até finais de Setembro, o que não acontecia antigamente, era muito mais tarde, em Outubro”.
Em números, o produtor do Porto Martins, no ramo desde a década de 80, revela que a quantidade de azeitonas sofreu uma diminuição na ordem dos 10 por cento, embora este ano tenha havido um acréscimo de 40 por cento na produção comparando ao ano anterior. Um número que no seu entender poderia ter sido muito superior. “Infelizmente é necessário a utilização dos pesticidas, caso contrário seria difícil colher azeitonas em bom estado. Precisávamos de um químico que afastasse a mosca em definitivo”, sugere.
Na área de cultivo de Francisco Branco, chamada “O Mato do Ti’ Manuel Branco”, existem três variedades de oliveiras, a cobrançosa, a cordovil e, atingindo a maioria, a galega, que originam a azeitona preta, escoada na ilha Terceira. A sua quinta, localizada na freguesia do Porto Martins, recebe com frequência a visita de alunos das escolas básicas para conhecer e aprender o cultivo, a história e a produção das azeitonas. Práticas desenvolvidas entre as crianças que o olivicultor considera determinantes para dar continuidade à tradição.
“As escrituras desta propriedade remontam a 1932 e 1934, pois era dividida em duas. Herdei esta actividade do meu pai e espero que os meus filhos e netos prossigam com o trabalho até agora desenvolvido”, confessa.
Recuando no tempo, desde 1985 que não se verifica uma grande produção de azeitonas idêntica às que haviam na década de 50, considerado o período áureo no Porto Martins. Mas mais antigas revelam-se algumas árvores, que segundo Francisco Branco se situam entre os 150 e 170 anos de idade.
O cultivo da oliveira, introduzida nos Açores pelos primeiros povoadores, requer trabalho e dedicação, durante todo o ano, que para este olivicultor significam “vida” e “amor”.
Actualmente existem cerca de 35 olivicultores no Porto Martins com produções para venda e auto-consumo.
Novas pragas
Contactado pelo nosso jornal, David Horta Lopes, do Departamento de Ciências Agrárias do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores revela que para além destas pragas existe o algodão-da-oliveira, uma outra nova que apareceu este ano. “Trata-se de uma psila que é muito abundante no Continente mas que apenas foi identificada no Porto Martins este ano, em Junho, afectando a mancha de oliveiras que ali existe”.
A origem da mosca-da-oliveira e o seu aparecimento anual, por vezes com níveis populacionais elevados, segundo o professor da Universidade -Centro de Biotecnologia dos Açores, surge como consequência dos frutos infestados que caem no solo.
“Este ano, em Setembro, foram capturados perto dos 2000 adultos em apenas seis parcelas que estamos a monitorizar. Estas populações provem do facto de parte dos frutos caírem para o solo infestados com larvas desta mosca no seu interior, e servirem de material para assegurar da existência e viabilidade de populações futuras desta praga”, sustenta.
No Continente os maiores problemas da oliveira são causados pela praga da “traça-da-oliveira” e a “gafa”, esta última uma doença que não existe nos Açores.
Este ano as condições climatéricas foram “óptimas” para o desenvolvimento da oliveira, razão pela qual a produção tenha aumentado e para que se registe um adiantamento nas colheitas da azeitona. “Isso leva a um avanço no desenvolvimento dos diferentes estados fenológicos da cultura, diferentes fases desde o aparecimento de novas folhas e gomos florais até à floração e formação do fruto”, explica David Horta Lopes, acrescentando que “Já em 2003, como o nosso clima tem um Inverno ameno e a temperatura é mais ou menos constante ao longo do ano, se registava um adiantamento de cerca de um mês em relação à colheita no continente”.
Estudos da UA
Segundo David Horta Lopes, a Universidade dos Açores (UA) realizou, em 2003, um trabalho de estágio em oliveiras “pioneiro na identificação e monitorização dos problemas fitossanitários que afectam a produção da mancha olivícola do Porto Martins”. Esse trabalho, retomado em 2008, em colaboração com os Serviços de Desenvolvimento Agrário da Terceira (SDAT), consiste no “acompanhamento de seis parcelas seleccionadas dentro de toda a mancha, a diferentes cotas altimétricas, onde foram observados e monitorizados a traça, mosca, algodão, tripes e cochonilhas, quinzenalmente, através da colocação de armadilhas com atractivo alimentar e feromona sexual”, especifica o professor.
Na monitorização da mosca foram inclusive realizados testes de diferentes tipos de armadilha e atractivos alimentares, sendo que foram também avaliados os prejuízos causados pela mosca através da recolha de frutos no início e maior altura da colheita. Dados que, de acordo com David Horta Lopes, permitiram já determinar a curva de voo da mosca para este ano e definir o mês de Setembro como a altura de registo do maior pico populacional da mosca. “Pretendemos com este estudo ajudar o olivicultor do Porto Martins na definição da oportunidade de tratamento desta praga e mostrar-lhe que existem outros meios de protecção capazes de lhe dar essa informação e limitar esta praga para além dos químicos numa perspectiva de trabalho que se denomina de protecção integrada”, conclui.

(In Sónia Bettencourt - A União)

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quinta-feira, março 06, 2008

I Congresso Regional Interfruta II - FRUTICULTURA E VITICULTURA

Irá realizar-se na Universidade dos Açores - Pico da Urze - Ilha Terceira- de 17 a 19 de Abril de 2008 o I Congresso Regional - Interfruta- Fruticultura e Viticultura.


O projecto INTERFRUTA II é um projecto de cooperação inter-regional entre três regiões insulares (Açores, Madeira e Canárias), destinado a contribuir para a promoção de fruticultura e viticultura nas três regiões parceiras, particularmente nas culturas do castanheiro e da vinha, procurando uma melhoria dos conhecimentos sobre estas culturas, aplicando técnicas que contribuam decisivamente para a sua melhoria e que elevem o rendimento extraído delas, procurando soluções para os principais problemas e melhorando significativamente quer a formação quer a difusão das informações da investigação e dos técnicos para o produtor. Com esta parceria entre as três regiões pretende-se potenciar todos os conhecimentos e metodologias de investigação utilizadas em cada uma das três regiões através da sua aplicabilidade prática em cada das três ilhas onde de desenvolverá o projecto (Madeira, Tenerife e Açores) com a implementação de campos de demonstração junto dos produtores.
Para potenciar ainda mais esta cooperação inter-regional pretende-se com toda a investigação que se propõe desenvolver, e com a recolha de toda a informação e dados já obtidos em outros projectos, construir uma base de dados fitossanitários de diagnóstico da Macaronésia, como ferramenta essencial para técnicos e produtores na identificação de todos os problemas que afectem estas culturas. Prevê-se ainda a realização de jornadas temáticas para a abordagem de cada uma das culturas para técnicos e produtores aproximando e divulgando os resultados de todo o trabalho de investigação junto de quem a utiliza no campo.

Assim, o Congresso referido irá decorrer no novo Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores-Departamento de Ciências Agrárias localizado no Pico da Urze.
As inscrições já se encontram abertas quer para assitir, quer para participar activamente no evento. As inscrições são gratuitas. Para participar activamente no Congresso poderá inscrever-se para apresentar no máximo uma comunicação oral e/ou no máximo dois posters. As normas para apresentação de resumos estão disponiveis na ficha de inscrição.
Faça download da ficha de inscrição e realize a inscrição remetendo-a para o seguinte endereço electrónico: dlopes@uac.pt com o seguinte texto no campo Assunto: Congresso Interfruta.
NOTA: É importante inserir o referido texto no campo Assunto da mensagem, pois caso contrário a mensagem poderá ser eliminada à entrada pelos filtros de segurança.

Até 31 de Janeiro de 2008 - Data limite de envio de inscrições para apresentação de posters e/ou de artigos para comunicação oral.
Até 2 de Fevereiro 2008 - 2ª Circular com o programa definitivo
Até 17 de Fevereiro 2008 - envio de Resumos.
Até 17 de Março 2008 - Envio dos artigos completos
Até 12 de Abril de 2008 - Data limite de inscrição para assistir ao Congresso para ter direito a uma capa com material de apoio e a um livro das actas do Congresso.
17 de Abril 2008 - Sessão de Abertura, Fenologia, Produção e Fertilização.
18 de Abril 2008 - Problemas Fitossanitários das culturas.
19 de Abril 2008 - Outros temas relacionados com a Fruticultura e Viticultura. Visita a pomares no período da tarde.Local: Universidade dos Açores, Pico da Urze

(In Site Interfruta)

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