segunda-feira, maio 05, 2008

O Anticiclone dos Açores (The Azores High)

Realizou-se no dia 1 de Maio de 2008, uma palestra proferida pelo Professor Félix Rodrigues do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, com o título "The Anticyclone of the Azores - The Azores High" no Castelo de São João em Angra do Heroísmo, destinada a fotógrafos e cineastas italianos em visita à ilha Terceira.
Nessa palestra foram referidos os principais aspectos físicos do anticiclone dos açores: pressão atmosférica, sentido de circulação e posicionamento. O Anticiclone dos Açores corresponde a um máximo de pressão atmosférico situado na bacia do Atlântico, com um valor médio de inverno cerca de 1024 mbar.
A posição do anticiclone dos Açores, mais a norte ou mais a nordeste é responsável por muitas das situações meteorológicas que se sentem na Europa, como por exemplo vagas de calor no Sudeste ou fortes chuvadas na Grã-Bretanha.
Como define Anthimio de Azevedo no seu livro “O Anticiclone dos Açores”, o "Anticlone é um centro de pressão atmosférica em que o ar atmosférico, mais frio e mais pesado, em cima, desce, aumentando a pressão junto ao solo: é um centro de pressão atmosférica alta, ou ‘uma Alta’, na gíria. Ao contrário, um ciclone é um centro de pressão atmosférica em que o ar atmosférico, mais quente e mais leve, em baixo, junto ao solo, sobe – como o balão de ar quente – baixando a pressão junto ao solo: é um centro de pressão baixa, depressão ou ‘uma Baixa’ “.
Nesta região do globo é possível observar uma vasta variedade de núvens que em parte estão associadas às circulações atmosféricas na Região dos Açores bem como a aspectos orográficos das ilhas.

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quinta-feira, outubro 18, 2007

Térmitas nos Açores

Ainda “existe muito por fazer” no combate à praga das térmitas que tem-se manifestado através de prejuízos em habitações nas ilhas.
Este é um dos principais alertas lançados no “Térmitas dos Açores”, o livro dos investigadores Paulo Borges, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e Timothy Myles da Universidade de Toronto-Canadá, que é lançado no próximo dia 20 de Outubro de 2007.
O livro é lançado no próximo sábado, no anfiteatro do Complexo Pedagógico do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, pelas 21H00, mas o jornal “a União” antecipa o conteúdo da mais recente publicação sobre a praga que tem causados prejuízos vários em habitações nos Açores.

“Térmitas dos Açores” é o nome do livro, fruto da investigação em parceria e do conhecimento dos docentes universitários Paulo Borges, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e de Timothy Myles do Centre for Urban and Community Studies da Universidade de Toronto, no Canadá. Lançado pela “Principia”, a publicação conta com o apoio da Direcção Regional da Ciência e Tecnologia e da Universidade dos Açores – CITA-A, Departamento de Ciências Agrárias. Entre as principais conclusões resultantes de um workshop denominando “Medidas para Gestão e Combate das Térmitas nos Açores”, está a necessidade de mais acção. “Há, de facto, muito por fazer”, apontam os autores.


Legalizar a fumigação
A lista é extensa, aponta a obra. Além da avaliação e caracterização do problema em pormenor “de forma a propor estratégias de controlo a curto, médio e longo prazo” em todas as ilhas, referem, é preciso “avaliar a eficácia das técnicas de TEMPERATURA no extermínio das térmitas, bem como da FUMIGAÇÃO com tendas, dado que a eficácia desta última se depara actualmente com muitos obstáculos logísticos e legais que impedem a sua implementação, ao passo que a primeira parece assegurar muito menores impactos ambientais”. Isto porque, no que toca ao combate, a medida internacionalmente considerada mais eficaz é a fumigação. “No entanto, as regras actualmente em vigor na União Europeia tornam praticamente inviável a sua aplicação nos Açores, dado que o intervalo de segurança estabelecido entre habitações é de 10 m. A grande proximidade entre edifícios nos centros das cidades açorianas inviabiliza a sua aplicação por agora”. Em colaboração com investigadores americanos, a Universidade dos Açores, informa que se encontra “presentemente a testar a viabilidade da alteração do perímetro de segurança de 10 m ou a eventual utilização de uma outra técnica de extermínio por TEMPERATURA”. “Há que investir em pré-testes e legislação adequada”, concluem.
Apoios insuficientes
Segundo os autores, após a análise da legislação específica criada pelo Governo Regional dos Açores, para apoiar a substituição de estruturas e acabamentos em madeira nas habitações das famílias mais carenciadas, o programa aprovado pelo Decreto Legislativo Regional n.º 20/2005/A, de 22 de Julho, que ainda não foi avaliado, não é totalmente satisfatório. “Teme-se que, a manter-se o seu actual formato, este programa dificilmente dê resposta às necessidades concretas da maioria dos agregados familiares afectados”. “Mobilizar informação acerca do modo como os sistemas habitacional, patrimonial e económico podem estar susceptíveis ao risco de infestação” e “facultar informação acerca de estratégias de controlo da propagação da praga a outras ilhas, para que a população compreenda a vulnerabilidade dos sistemas ao risco da praga, e adopte medidas de prevenção” são outras das recomendações deixadas pela obra. Estabelecer parcerias entre investigadores e instâncias políticas, dar formação às empresas que manuseiam madeiras, criar áreas específicas nos aterros o depósito e a eliminação das madeiras infestadas são exemplos de acções que necessitam de ser implementadas.
LNEC e UA na Horta
Além das térmitas de madeira seca, as térmitas subterrâneas são igualmente fonte de preocupação e de tratamento na obra a ser publicamente lançada no próprio sábado. “Felizmente existe tecnologia em Portugal para lidar com esta térmita e esperamos que em breve ela possa estar disponível para aplicação na cidade da Horta”. Em colaboração com o LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil), a Universidade dos Açores, aponta, “está em vias de desenvolver um projecto para controlar e tentar erradicar esta praga na cidade da Horta. Nesta situação, o insecticida mais adequado é o TERMIDOR, que deverá ser injectado no solo”. Ao longo de 128 páginas, o “Térmitas dos Açores” constitui “uma contribuição para o conhecimento da biologia da espécie de térmita de madeira seca Cyptotermes brevis, pretendendo, ainda, disponibilizar vários tipos de informação científica aplicada, úteis para o público em geral, as empresas e os decisores políticos”.
“Estamos cientes de que nos encontramos num estádio inicial de um processo, faltando criar muitos mecanismos para o desenvolvimento de uma relação equilibrada entre os quatro principais actores: pessoas afectadas, empresas, entidades oficiais e investigadores”, finalizam.


(In A União)

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terça-feira, setembro 04, 2007

Trítio na chuva dos Açores na década de 60 pode ajudar a explicar as taxas de cancro no arquipélago

Os açorianos que tem hoje 35 ou mais anos (desde que tenham nascido antes de 1963) apresentam uma maior vulnerabilidade à contracção de cancro devido à ingestão de água com elevados teores de trítio.
Em 1963 choveram isótopos radioactivos de trítio sobre os Açores. As medições feitas então pela Agência Internacional de Energia Atómica revelavem teores desse isótopo próximo das 1400 unidades de tritio em 1963, sendo que no ano seguintea situação nos Açores e mantêm anormal com um dos valores mais elevados registados nas estações de monitorização do Atlântico Norte.
A água da chuva segue nos Açores directamente para as nascentes, através das bacias hidrográficas. Uma vez que a rotação da água nesses aquíferos é de cerca de seis meses, isso significa que as populações beberam trítio radioactivo, uma vez que o período de meia vida do isótopo é de 12,3 anos.
As leituras de trítio na água da chuva nos Açores continuaram altas durante vários anos, sendo agora normais, segundo análises que tem sido realizadas periódicamente.
Os números da Agência Internacional de Energia Atómica, permitem prever a probabilidade de incidência de cancro no arquipélago. O trítio na água da chuva dos Açores resultou, de acordo com Félix Rodrigues, docente do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, do lançamento de bombas atómicas pelos norte-americanos sobre o Japão no fim da II Guerra Mundial, bem como de testes nucleares a céu aberto durante a Guerra Fria.
As contas de Félix Rodrigues apontam para uma potencial incidência de cancro, derivado da ingestão de trítio entre 1963 e 1973, em cerca de 1200 casos na ilha Terceira e cerca de 2600 casos em S. Miguel.


Os açorianos estiveram expostos nesse tempo a doses de radiação por ano elevadas, capazes de produzir sequelas ao nível da composição do sangue e mutações genéticas.
A inexistência de séries fiáveis sobre incidência de cancro nos Açores limita a confirmação destes dados a partir das estatísticas.

(In RDP-Açores, Diário Insular, Correio dos Açores)

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terça-feira, agosto 28, 2007

Influência do Anticiclone dos Açores no tempo da Europa

O Anticiclone dos Açores está posicionado mais a Sul do que o habitual, permitindo que haja mais precipitação e tempestades, explica o especialista em climatologia do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, Eduardo Brito.

O Verão de 2007, nos Açores e na Europa, está mais chuvoso. Os elevados índices de precipitação devem-se à actual posição do Anticiclone dos Açores, a qual está a influenciar determinantemente o estado de tempo na Europa. De acordo com Eduardo Brito, especialista em climatologia da Universidade dos Açores, “o Anticiclone dos Açores está localizado mais a Sul do que é habitual”. Como tal, “fica mais fraco permitindo a deslocação, igualmente para sul, das frentes polares, ou seja, há mais precipitação e tempestades”. Ao invés, quando o Anticiclone dos Açores está posicionado mais a norte, o tempo fica mais quente.

Eduardo Brito explica, ainda, que a monitorização do Anticiclone pode ser feita através do índice NAO – North Atlantic Oscillation, um processo que avalia diariamente, a pressão atmosférica na Islândia e nos Açores. Através desse índice, é possível verificar que o Anticiclone dos Açores está, há vários meses, localizado mais a sul.

(In Jornal Diário)

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