domingo, dezembro 09, 2007

Térmitas nos Açores

A Região Açores não tem nenhum programa para monitorizar ou controlar as térmitas nas ilhas. Os investigadores da Universidade dos Açores desconhecem por completo se a praga está controlada, a aumentar ou a expandir-se para outras ilhas. Actualmente, a praga está a ser combatida por privados e pelas autarquias, contudo, ninguém tem conhecimento se os tratamentos estão a surtir efeito, se houve um aumento das colónias ou expansão das áreas infectadas. As térmitas já foram detectadas em quatro ilhas (Terceira, S. Miguel, Santa Maria e Faial), todavia, apenas se realizou um estudo exaustivo na ilha Terceira. Os investigadores alertam para a necessidade urgente de monitorizar a praga, para perceber se existe necessidade de intensificar o controlo ou encontrar outros métodos de tratamento. Também é importante investigar se as térmitas estão em outras ilhas. “Podem estar numa fase pouco avançada o que permite o extermínio das espécies” – reconhece Paulo Borges, investigador do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores. Durante o corrente ano não se conhece nenhuma iniciativa oficial no sentido de se aprofundar o estudo deste problema. Ainda “existe muito por fazer” no combate à praga das térmitas que se tem manifestado através de prejuízos em habitações nas ilhas, o alerta está preto no branco no livro de dos investigadores Paulo Borges e Timothy Myles, “Térmitas dos Açores”, lançado no passado mês Outubro. Os autores, após a análise da legislação específica criada pelo Governo Regional dos Açores, para apoiar a substituição de estruturas e acabamentos em madeira nas habitações das famílias mais carenciadas, o programa aprovado pelo Decreto Legislativo Regional n.º 20/2005/A, de 22 de Julho, que ainda não foi avaliado, não é totalmente satisfatório. ”Teme-se que, a manter-se o seu actual formato, este programa dificilmente dê resposta às necessidades concretas da maioria dos agregados familiares afectados” – referem. No livro, “Térmitas dos Açores”, os investigadores, alertam para a necessidade de se mobilizar informação acerca do modo como os sistemas habitacional, patrimonial e económico podem estar susceptíveis ao risco de infestação e facultar informação acerca de estratégias de controlo da propagação da praga a outras ilhas, para que a população compreenda a vulnerabilidade dos sistemas ao risco da praga, e adopte medidas de prevenção. Existem regras definidas por lei para os resíduos resultantes de obras de reparação de imóveis infestados por térmitas que beneficiem de apoios. O dono da habitação está, ainda, obrigado a remeter ao executivo um documento indicando a identificação e quantificação dos resíduos efectivamente produzidos. Porém, que não tem conhecimento da legislação continua a realizar as obras como pode e sabe.Os investigadores da Universidade dos Açores vão mesmo propor ao executivo e às autarquias a colocação de armadilhas em locais públicos para matar os adultos. O problema das térmitas, que danifica a estrutura de madeira dos edifícios, colocando em causa a sua segurança, foi detectado em 2002 na zona histórica de Angra do Heroísmo. Já foram inventariadas três tipos de térmitas na região, as que atacam a madeira seca, as que atacam videiras e pomares e uma espécie subterrânea, de origem europeia. A totalidade das habitações afectadas encontra-se na zona urbana, já que nas freguesias rurais mais húmidas não foi localizada qualquer espécie de térmitas, pelo facto de as madeiras possuírem diversos fungos e serem bastante húmidas. Nas zonas urbanas, as térmitas encontram melhores condições climatéricas para o seu desenvolvimento, nomeadamente madeiras mais secas. Os prejuízos provocados por esta praga já são avultados.
(In A União)

Etiquetas: , , , , ,

terça-feira, outubro 23, 2007

Lançamento do livro "Térmitas dos Açores"

Foi lançado no dia 20 de Setembro de 2007, o livro "Térmitas dos Açores" coordenado pelo Professor Paulo Borges do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e do Professor Timothy Myles da Universidade de Toronto-Canadá.
Contando com uma grande variedade de artigos dos coordenadores e muitos outros investigadores, o livro tenta responder a um vasto conjunto de questões, como por exemplo:
-Quantas espécies de térmitas existem no Arquipélago dos Açores?

Kalotermes flavicollis

-O que são térmitas e como podemos identificá-las?

-Como poderemos ter a certeza que existem térmitas nas nossas habitações e como devemos proceder para o confirmar?

-Confirmando-se a presença de térmitas, o que devemos fazer?
-Que madeiras são mais afectadas?

Cryptotermes brevis

-No caso de pequenas infestações, quais são o grau de sucesso e a margem de segurança da aplicação de insecticida nas madeiras?

-Além dos insecticidas mais comuns, que alternativas existem?


Reticulitermes grassei

-O que devemos fazer se tivermos térmitas subterrâneas?
-O que devemos fazer se tivermos móveis com térmitas?
-Se houver térmitas, como devemos controlar a sua expansão em casa?
-O que devemos fazer com as madeiras infestadas depois de as remover da habitação?
-Existem apoios financeiros para combater esta praga?
-Quais os principais avanços no controlo e na gestão das térmitas nos Açores?
-O que está ainda por fazer?
O livro, apresenta os resultados do Workshop "Medidas para a Gestão e Combate das Térmitas nos Açores" e é um instrumento essencial na divulgação desse problema, constituindo-se neste momento o instrumento de comunicação mais eficaz para lidar com a praga das térmitas nos Açores.
Existem neste momento três espécies de térmitas no Arquipélago: a Kalotermes flavicollis (térmita da madeira húmida europeia), a Cryptotermes brevis (térmita da madeira seca das Índias Ocidentais) e a Reticulitermes grassei (térmita subterrânea europeia).

(In Térmitas dos Açores e Azores Digital)

Etiquetas: , , , , , ,

quinta-feira, outubro 18, 2007

Térmitas nos Açores

Ainda “existe muito por fazer” no combate à praga das térmitas que tem-se manifestado através de prejuízos em habitações nas ilhas.
Este é um dos principais alertas lançados no “Térmitas dos Açores”, o livro dos investigadores Paulo Borges, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e Timothy Myles da Universidade de Toronto-Canadá, que é lançado no próximo dia 20 de Outubro de 2007.
O livro é lançado no próximo sábado, no anfiteatro do Complexo Pedagógico do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, pelas 21H00, mas o jornal “a União” antecipa o conteúdo da mais recente publicação sobre a praga que tem causados prejuízos vários em habitações nos Açores.

“Térmitas dos Açores” é o nome do livro, fruto da investigação em parceria e do conhecimento dos docentes universitários Paulo Borges, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e de Timothy Myles do Centre for Urban and Community Studies da Universidade de Toronto, no Canadá. Lançado pela “Principia”, a publicação conta com o apoio da Direcção Regional da Ciência e Tecnologia e da Universidade dos Açores – CITA-A, Departamento de Ciências Agrárias. Entre as principais conclusões resultantes de um workshop denominando “Medidas para Gestão e Combate das Térmitas nos Açores”, está a necessidade de mais acção. “Há, de facto, muito por fazer”, apontam os autores.


Legalizar a fumigação
A lista é extensa, aponta a obra. Além da avaliação e caracterização do problema em pormenor “de forma a propor estratégias de controlo a curto, médio e longo prazo” em todas as ilhas, referem, é preciso “avaliar a eficácia das técnicas de TEMPERATURA no extermínio das térmitas, bem como da FUMIGAÇÃO com tendas, dado que a eficácia desta última se depara actualmente com muitos obstáculos logísticos e legais que impedem a sua implementação, ao passo que a primeira parece assegurar muito menores impactos ambientais”. Isto porque, no que toca ao combate, a medida internacionalmente considerada mais eficaz é a fumigação. “No entanto, as regras actualmente em vigor na União Europeia tornam praticamente inviável a sua aplicação nos Açores, dado que o intervalo de segurança estabelecido entre habitações é de 10 m. A grande proximidade entre edifícios nos centros das cidades açorianas inviabiliza a sua aplicação por agora”. Em colaboração com investigadores americanos, a Universidade dos Açores, informa que se encontra “presentemente a testar a viabilidade da alteração do perímetro de segurança de 10 m ou a eventual utilização de uma outra técnica de extermínio por TEMPERATURA”. “Há que investir em pré-testes e legislação adequada”, concluem.
Apoios insuficientes
Segundo os autores, após a análise da legislação específica criada pelo Governo Regional dos Açores, para apoiar a substituição de estruturas e acabamentos em madeira nas habitações das famílias mais carenciadas, o programa aprovado pelo Decreto Legislativo Regional n.º 20/2005/A, de 22 de Julho, que ainda não foi avaliado, não é totalmente satisfatório. “Teme-se que, a manter-se o seu actual formato, este programa dificilmente dê resposta às necessidades concretas da maioria dos agregados familiares afectados”. “Mobilizar informação acerca do modo como os sistemas habitacional, patrimonial e económico podem estar susceptíveis ao risco de infestação” e “facultar informação acerca de estratégias de controlo da propagação da praga a outras ilhas, para que a população compreenda a vulnerabilidade dos sistemas ao risco da praga, e adopte medidas de prevenção” são outras das recomendações deixadas pela obra. Estabelecer parcerias entre investigadores e instâncias políticas, dar formação às empresas que manuseiam madeiras, criar áreas específicas nos aterros o depósito e a eliminação das madeiras infestadas são exemplos de acções que necessitam de ser implementadas.
LNEC e UA na Horta
Além das térmitas de madeira seca, as térmitas subterrâneas são igualmente fonte de preocupação e de tratamento na obra a ser publicamente lançada no próprio sábado. “Felizmente existe tecnologia em Portugal para lidar com esta térmita e esperamos que em breve ela possa estar disponível para aplicação na cidade da Horta”. Em colaboração com o LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil), a Universidade dos Açores, aponta, “está em vias de desenvolver um projecto para controlar e tentar erradicar esta praga na cidade da Horta. Nesta situação, o insecticida mais adequado é o TERMIDOR, que deverá ser injectado no solo”. Ao longo de 128 páginas, o “Térmitas dos Açores” constitui “uma contribuição para o conhecimento da biologia da espécie de térmita de madeira seca Cyptotermes brevis, pretendendo, ainda, disponibilizar vários tipos de informação científica aplicada, úteis para o público em geral, as empresas e os decisores políticos”.
“Estamos cientes de que nos encontramos num estádio inicial de um processo, faltando criar muitos mecanismos para o desenvolvimento de uma relação equilibrada entre os quatro principais actores: pessoas afectadas, empresas, entidades oficiais e investigadores”, finalizam.


(In A União)

Etiquetas: , , , , , , ,