Ainda “existe muito por fazer” no combate à praga das térmitas que tem-se manifestado através de prejuízos em habitações nas ilhas.
Este é um dos principais alertas lançados no “Térmitas dos Açores”, o livro dos investigadores Paulo Borges, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e Timothy Myles da Universidade de Toronto-Canadá, que é lançado no próximo dia 20 de Outubro de 2007.
O livro é lançado no próximo sábado, no anfiteatro do Complexo Pedagógico do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, pelas 21H00, mas o jornal “a União” antecipa o conteúdo da mais recente publicação sobre a praga que tem causados prejuízos vários em habitações nos Açores.

“Térmitas dos Açores” é o nome do livro, fruto da investigação em parceria e do conhecimento dos docentes universitários Paulo Borges, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e de Timothy Myles do Centre for Urban and Community Studies da Universidade de Toronto, no Canadá. Lançado pela “Principia”, a publicação conta com o apoio da Direcção Regional da Ciência e Tecnologia e da Universidade dos Açores – CITA-A, Departamento de Ciências Agrárias. Entre as principais conclusões resultantes de um workshop denominando “Medidas para Gestão e Combate das Térmitas nos Açores”, está a necessidade de mais acção. “Há, de facto, muito por fazer”, apontam os autores.

Legalizar a fumigação
A lista é extensa, aponta a obra. Além da avaliação e caracterização do problema em pormenor “de forma a propor estratégias de controlo a curto, médio e longo prazo” em todas as ilhas, referem, é preciso “avaliar a eficácia das técnicas de TEMPERATURA no extermínio das térmitas, bem como da FUMIGAÇÃO com tendas, dado que a eficácia desta última se depara actualmente com muitos obstáculos logísticos e legais que impedem a sua implementação, ao passo que a primeira parece assegurar muito menores impactos ambientais”. Isto porque, no que toca ao combate, a medida internacionalmente considerada mais eficaz é a fumigação. “No entanto, as regras actualmente em vigor na União Europeia tornam praticamente inviável a sua aplicação nos Açores, dado que o intervalo de segurança estabelecido entre habitações é de 10 m. A grande proximidade entre edifícios nos centros das cidades açorianas inviabiliza a sua aplicação por agora”. Em colaboração com investigadores americanos, a Universidade dos Açores, informa que se encontra “presentemente a testar a viabilidade da alteração do perímetro de segurança de 10 m ou a eventual utilização de uma outra técnica de extermínio por TEMPERATURA”. “Há que investir em pré-testes e legislação adequada”, concluem.
Apoios insuficientes
Segundo os autores, após a análise da legislação específica criada pelo Governo Regional dos Açores, para apoiar a substituição de estruturas e acabamentos em madeira nas habitações das famílias mais carenciadas, o programa aprovado pelo Decreto Legislativo Regional n.º 20/2005/A, de 22 de Julho, que ainda não foi avaliado, não é totalmente satisfatório. “Teme-se que, a manter-se o seu actual formato, este programa dificilmente dê resposta às necessidades concretas da maioria dos agregados familiares afectados”. “Mobilizar informação acerca do modo como os sistemas habitacional, patrimonial e económico podem estar susceptíveis ao risco de infestação” e “facultar informação acerca de estratégias de controlo da propagação da praga a outras ilhas, para que a população compreenda a vulnerabilidade dos sistemas ao risco da praga, e adopte medidas de prevenção” são outras das recomendações deixadas pela obra. Estabelecer parcerias entre investigadores e instâncias políticas, dar formação às empresas que manuseiam madeiras, criar áreas específicas nos aterros o depósito e a eliminação das madeiras infestadas são exemplos de acções que necessitam de ser implementadas.
LNEC e UA na Horta
Além das térmitas de madeira seca, as térmitas subterrâneas são igualmente fonte de preocupação e de tratamento na obra a ser publicamente lançada no próprio sábado. “Felizmente existe tecnologia em Portugal para lidar com esta térmita e esperamos que em breve ela possa estar disponível para aplicação na cidade da Horta”. Em colaboração com o LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil), a Universidade dos Açores, aponta, “está em vias de desenvolver um projecto para controlar e tentar erradicar esta praga na cidade da Horta. Nesta situação, o insecticida mais adequado é o TERMIDOR, que deverá ser injectado no solo”. Ao longo de 128 páginas, o “Térmitas dos Açores” constitui “uma contribuição para o conhecimento da biologia da espécie de térmita de madeira seca Cyptotermes brevis, pretendendo, ainda, disponibilizar vários tipos de informação científica aplicada, úteis para o público em geral, as empresas e os decisores políticos”.
“Estamos cientes de que nos encontramos num estádio inicial de um processo, faltando criar muitos mecanismos para o desenvolvimento de uma relação equilibrada entre os quatro principais actores: pessoas afectadas, empresas, entidades oficiais e investigadores”, finalizam.
(In A União)
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