sábado, setembro 12, 2009

Identificado nos Açores elemento radioactivo em quantidade assustadora

Estrôncio 90 - é assim que que se chama o elemento radioactivo identificado nos Açores em ossos humanos e no queijo, em quantidades consideradas "assustadoras" - revelam dados de um estudo norte-americano.
A presença de estrôncio radioactivo nos Açores não surprende os cientistas porque já tinham sido detectadas altas concentrações de trítio, proveniente de actividade nuclear: as causas possíveis têm a ver com a deposição nas ilhas de radioactividade, proveniente de experiências nucleares, por via da circulação dos ventos e das chuvas. O que se pode fazer agora é estudar bem esses fenómenos para se tentar minimizar os efeitos na saúde humana e na gestão ambiental - afirma o cientista Félix Rodrigues, da Universidade dos Açores, especialista em Ambiente.
Este investigador tem acompanhado os fenómenos de poluição das ilhas por elementos radioactivos e outros contaminantes, e é por essa razão que não fica surpreendido com as descobertas de altas concentrações de estrôncio 90, num estudo que envolve a Região Autónoma dos Açores.

(in Armando Mendes / Carlos Tavares- RDP Açores)

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quarta-feira, outubro 22, 2008

Ogivas nucleares nos Açores?

Nos últimos anos têm surgido novas investigações que reforçam a tese de que os Estados Unidos mantiveram – ou, pelo menos, fizeram passar – armamento nuclear na ilha Terceira.
Os vários estudos assumem que essa eventual presença não seria permanente, mas são vários os indicadores que dão sustento a essa teoria, nem confirmada nem desmentida oficialmente, nem por Portugal nem pelos Estados Unidos da América.

Um dos últimos documentos a admitir essa possibilidade é o livro do jornalista português Nuno Simas, que revela documentos oficiais americanos, entretanto desclassificados.
“A 29 de Julho de 1957, um avião C-124 carregado com duas bombas nucleares «em rota para os Açores» teve problemas mecânicos e a tripulação optou por lançar a carga ao mar, ao largo de New Jersey. «As implicações são óbvias: se não tivessem havido problemas, o avião teria aterrado nos Açores com as duas bombas nucleares», afirma Hans Kristensen [director do projecto de informação nuclear da Federação dos Cientistas Nucleares, autor de várias investigações académicas sobre o arsenal nuclear dos Estados Unidos e da NATO ao longo da Guerra-fria, e que, em 2007, recebeu um documento desclassificado intitulado “Broken Arrow”, o nome de código dos acidentes com material atómico], admitindo que as Lajes tenham sido utilizadas, ao longo dos anos da Guerra-fria, para trânsito de aviões com carga idêntica”, escreve o jornalista Nuno Simas, autor do livro “Portugal Classificado - documentos secretos norte-americanos, 1974-1975” (2008).
Admite, contudo, segundo a mesma fonte, que “as bombas teriam como destino final, para armazenamento permanente, bases norte-americanas no Norte de África e não os Açores”.
O investigador afirma que Portugal autorizou nos anos cinquenta o depósito de armas nucleares na ilha Terceira, pelos norte-americanos, em caso de necessidade, o que, em seu entender, significa que a Base das Lajes terá sido, pelo menos, preparada para receber tais armamentos.
Adianta também que estudos independentes norte-americanos permitem concluir pela presença na ilha Terceira de cargas nucleares de luta anti-submarina utilizadas pelos aviões P3-Orion que patrulhavam o Atlântico a partir das Lajes até ao início dos anos noventa.
«Os Açores estavam reservados a ser uma base de armamento nuclear em situação de crise, emergência ou guerra. Autorizações foram válidas desde os anos 60 até à década de 80», refere William Arkin, ex-analista do exército norte-americano, citado por Nuno Simas.
O responsável, aliás, segundo a mesma fonte, revelou, em 1985, que a “base açoriana estava nos planos norte-americanos para «instalação condicional» de armamento nuclear, o que causou manifesto mal-estar no Governo português.
Da parte governamental portuguesa, qualquer um destes dados nunca foi confirmado. Quando, em 1985, três investigadores (ver abaixo) revelaram que os Açores estavam incluídos nas localizações onde os norte-americanos poderiam manter ou fazer passar material nuclear, responsáveis portugueses alegaram que “tudo não passava de especulações”, logo não merecedoras de comentários.
“Um antigo chefe das Forças Armadas portuguesas” – escreve Nuno Simas – afirma que «não há registo de terem passado pelas Lajes armas nucleares». Os acordos entre os Estados Unidos e Portugal não são, de todo, exaustivos nessa matéria, mas o mesmo ex-chefe militar, com funções na hierarquia das Forças Armadas nas décadas de 70 e 80, afirma que a tese prevalecente, entre os militares, era que «preferencialmente por lá não passassem». Um comandante português da base açoriana descreveu as preocupações dos militares portugueses: «Colocámos a questão da existência das armas nucleares na base. A resposta: montadas não há. Se calhar os americanos têm os componentes. Mas é preciso notar que os Estados Unidos colocam [na base] todo o material necessário em 12 horas”, afirma Nuno Simas, na página 205 do “Portugal Classificado - documentos secretos norte-americanos, 1974-1975”.

Revelações

William Arkin, Robert Norris e William Burr, autores de um artigo sobre o uso de armas atómicas por parte dos militares americanos, publicado, em 1999, no Bulletin of the Atomic Scientists, revelaram, baseando-se em autorizações presidenciais, que armamento nuclear norte-americano “deveria ser depositado em Espanha, Filipinas, Açores, e na ilha de Diego Garcia, no Oceano Índico.
“Robert Norris, perito em armamento nuclear, é da opinião de que «nada aponta para a existência, na Base das Lajes, de armazenamento permanente» de armas nucleares. Mas significa isto que, ao longo dos anos da Guerra-fria, as Lajes nunca armazenaram armamento nuclear?”, pergunta Nuno Simas.
“Não” – responde de seguida – “William Arkin admite que armas deste tipo tenham sido depositadas nos paióis da Base da ilha Terceira, «ainda que temporariamente», devido à avaria de um avião, por exemplo, ou a uma situação de emergência.
Certa era a utilização da base terceirense no “Chrome Dome Program”, o programa americano de utilização de armamento nuclear para um contra-ataque contra a União Soviética, em que uma das rotas passava a 300 quilómetros a Norte dos Açores.
O “Chrome Dome Program” envolvia 12 super-bombadeiros B-52, que levavam nos seus porões bombas termo-nucleares, que seriam atiradas sobre alvos soviéticos ou países integrados no Pacto de Varsóvia, caso a URSS atacasse os Estados Unidos.
Estas aeronaves permaneceram no ar constantemente nas décadas 50, 60 e 70.
“Neste programa “Chrome Dome”, a base das Lajes (…) ao serviço dos Estados Unidos e da NATO, serviria como ponto de apoio, em caso de avaria ou acidente”, revela Nuno Simas, citando a investigação de Hans Kristensen.

Episódios

Há poucos anos, um antigo trabalhador português ao serviço dos militares na base das Lajes, em declarações ao DI, embora pedindo o anonimato, revelou ter visto “homens vestindo fatos semelhantes aos que se usa para retirar o mel das colmeias nos paióis do Cabrito”, envoltos em enorme secretismo e grandes cuidados de segurança.
“Quando esses homens ali estavam, os seguranças portugueses eram mandados sair do local, e eram substituídos por militares armados”, recorda, embora desconhecendo se se tratava de armamento nuclear.
Nessa zona da ilha, os militares norte-americanos mantiveram, durante vários anos, um vasto campo de paióis, hoje abandonado.
Entre esse campo e um outro, hoje propriedade da Força Aérea Portuguesa, situa-se o “Pico Careca”, uma pequena elevação sem vegetação no seu cimo.
Foi nessa área, aliás, rezam as descrições populares, que, em Janeiro de 1968, um segurança português – Serafim Viera Sebastião – terá avistado um Objecto Voador Não Identificado (OVNI).
Vários académicos assumem que a inexistência de vegetação no topo do “Pico Careca” indicia a presença de substâncias que poderão resultar de radioactividade, ou outra qualquer actividade “secreta” que tenha destruído a vida vegetal ali existente.
O professor Félix Rodrigues, do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, confirma – em declarações recentes ao DI - a presença na Terceira de vestígios de urânio, tório e água com níveis de trítio ligeiramente superiores aos níveis ambientais, que não indiciam uma origem geológica, mas não confirmam nem desmentem a hipótese de armas nucleares na ilha. Preconiza, por isso, mais investigações de pormenor e em larga escala.

Investigações

No início deste mês, uma notícia publicada pelo DI dava conta de que, nos anos 90, uma comissão do Senado norte-americano investigou uma queixa de militares americanos, à altura doentes com cancro, onde alegavam terem estado expostos a radiações nucleares na Base das Lajes.
A informação foi confirmada ao jornalista Armando Mendes por Orlando Lima, hoje empresário na ilha Terceira e à altura um dos responsáveis pela segurança ambiental das Feusaçores (era funcionário dos norte-americanos nas Lajes).
Segundo esta fonte, a comissão do Senado deslocou-se à Terceira com secretismo, mas a sua presença nas Lajes foi bem notória. Na altura soube-se que a deslocação teve a ver com a alegada exposição de militares a radiação.
O próprio Orlando Lima adiantou que o dossier foi considerado secreto, informação confirmada por altas patentes militares portuguesas que pediram o anonimato e garantiram nunca ter tido conhecimento dos resultados da investigação.
Os documentos relativos a esta visita, segundo as mesmas fontes, estarão classificados por um período de trinta anos.
Todos estes indícios têm servido para vários investigadores e comentadores da presença americana na ilha Terceira advogarem a necessidade de um estudo aprofundado desta situação. Nem que seja para sossegar as populações, argumentam.
(In DI-Revista)

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sábado, setembro 13, 2008

Indícios da Presença de armas nucleares na Terceira

Os indícios da presença de armas nucleares na Terceira são cada vez mais densos. O Senado mandou mesmo investigar acusações de contacto com radiações.
Uma comissão do Senado norte-americano investigou a meados dos anos noventa do século XX (1995, provavelmente) uma queixa de militares norte-americanos à altura doentes com cancro e que alegaram ter estado expostos a radiações nucleares na Base das Lajes/ilha Terceira. A informação é de Orlando Lima, hoje empresário na ilha Terceira e à altura um dos responsáveis pela segurança ambiental das Feusaçores (era funcionário dos norte-americanos nas Lajes).Segundo Lima, a comissão do Senado deslocou-se à Terceira com secretismo, mas a sua presença nas Lajes foi bem notória. Na altura soube-se que a deslocação teve a ver com a alegada exposição de militares a radiação.O próprio Orlando Lima adiantou que o dossier foi considerado secreto, informação confirmada por altas patentes militares portuguesas que pediram o anonimato e garantiram nunca ter tido conhecimento dos resultados da investigação.DI também não conseguiu encontrar na documentação pública do Senado qualquer indício da visita da comissão aos Açores. Uma das fontes militares portuguesas disse ser natural que documentos do género permaneçam classificados durante trinta anos.
APROXIMAÇÕESA presença de armas nucleares na ilha Terceira, pelo menos entre as décadas de cinquenta e setenta do século XX, é também considerada muito provável pelo investigador e jornalista Nuno Simas.Autor do livro “Portugal Classificado - documentos secretos norte-americanos, 1974-1975” (2008), Simas disse ao DI que Portugal autorizou nos anos cinquenta o depósito de armas nucleares na ilha Terceira, pelos norte-americanos, em caso de necessidade, o que, em seu entender, significa que a Base das Lajes terá sido, pelo menos, preparada para receber tais armamentos.Adianta também o investigador que estudos independentes norte-americanos permitem concluir pela presença na ilha Terceira de cargas nucleares de luta anti-submarina utilizadas pelos aviões P3-Orion que patrulhavam o Atlântico a partir das Lajes até ao início dos anos noventa. Por seu lado, o professor Félix Rodrigues, especialista em ambiente da Universidade dos Açores, admite que há registos de metais pesados na Terceira que não excluem actividades de origem nuclear, mas também não as confirmam em definitivo. Preconiza mais investigações de pormenor e em larga escala.

(In Diário Insular)

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sexta-feira, setembro 12, 2008

Base das Lajes pode ter tido armas nucleares

Uma comissão do Senado dos Estados Unidos terá estado nos anos 90 a investigar armas nucleares nos Açores.
(In Notícias TVNET)

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quinta-feira, setembro 11, 2008

Armas nucleares na Base das Lajes?

Uma comissão do Senado dos Estados Unidos terá estado nos anos noventa na Base das Lajes a investigar a passagem pelos Açores de armas nucleares. A vinda da comissão foi despoletada por militares americanos doentes que se queixaram de terem sido expostos a radiações.
Não foi possível encontrar documentos sobre o assunto, mas fontes militares portuguesas, que preferiram manter o anonimato, e antigos trabalhadores civis da base confirmam os factos. É normal que se trate de um dossier classificado por trinta anos, conforme as normas americanas. No livro "Portugal Classificado - documentos secretos norteamericanos, 1974-1975", o investigador Nuno Simas revela que o governo português autorizou a passagem de armas nucleares pelos Açores nos anos cinquenta. Estudos americanos independentes confirmam, por outro lado, que alguns aviões P3 Orion, de luta anti-submarina estavam equipados com armas nucleares.

A Base das Lajes foi, até ao fim da guerra fria, um ponto de apoio a esses aviões que vigiavam a presença de submarinos soviéticos no Atlântico. O investigador Félix Rodrigues, do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, confirma a presença na Terceira de vestígios de urânio, tório e água com níveis de trítio ligeiramente superiores aos níveis ambientais, que não indiciam uma origem geológica, mas não confirmam nem desmentem a hipótese de armas nucleares na ilha.

Para ouvir a notícia aceda aqui.
(In Armando Mendes, Antena 1-Açores)

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terça-feira, setembro 04, 2007

Trítio na chuva dos Açores na década de 60 pode ajudar a explicar as taxas de cancro no arquipélago

Os açorianos que tem hoje 35 ou mais anos (desde que tenham nascido antes de 1963) apresentam uma maior vulnerabilidade à contracção de cancro devido à ingestão de água com elevados teores de trítio.
Em 1963 choveram isótopos radioactivos de trítio sobre os Açores. As medições feitas então pela Agência Internacional de Energia Atómica revelavem teores desse isótopo próximo das 1400 unidades de tritio em 1963, sendo que no ano seguintea situação nos Açores e mantêm anormal com um dos valores mais elevados registados nas estações de monitorização do Atlântico Norte.
A água da chuva segue nos Açores directamente para as nascentes, através das bacias hidrográficas. Uma vez que a rotação da água nesses aquíferos é de cerca de seis meses, isso significa que as populações beberam trítio radioactivo, uma vez que o período de meia vida do isótopo é de 12,3 anos.
As leituras de trítio na água da chuva nos Açores continuaram altas durante vários anos, sendo agora normais, segundo análises que tem sido realizadas periódicamente.
Os números da Agência Internacional de Energia Atómica, permitem prever a probabilidade de incidência de cancro no arquipélago. O trítio na água da chuva dos Açores resultou, de acordo com Félix Rodrigues, docente do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, do lançamento de bombas atómicas pelos norte-americanos sobre o Japão no fim da II Guerra Mundial, bem como de testes nucleares a céu aberto durante a Guerra Fria.
As contas de Félix Rodrigues apontam para uma potencial incidência de cancro, derivado da ingestão de trítio entre 1963 e 1973, em cerca de 1200 casos na ilha Terceira e cerca de 2600 casos em S. Miguel.


Os açorianos estiveram expostos nesse tempo a doses de radiação por ano elevadas, capazes de produzir sequelas ao nível da composição do sangue e mutações genéticas.
A inexistência de séries fiáveis sobre incidência de cancro nos Açores limita a confirmação destes dados a partir das estatísticas.

(In RDP-Açores, Diário Insular, Correio dos Açores)

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