segunda-feira, novembro 16, 2009

Investigador universitário diz que há louro tóxico à venda e sugere a certificação do produto

Há louro com elevado grau de toxicidade a ser comercializado nos Açores, alerta o botânico e investigador universitário, Eduardo Dias.Este louro, que resulta do cruzamento do louro endémico com o louro trazido pelos povoadores (designado popularmente por louro fino), e que possui a toxicidade do louro açoriano, é de difícil detecção para um olhar destreinado.“O louro híbrido pode ser muito semelhante ao louro fino [Laurus nobilis], aquele que deve ser usado na cozinha. O problema é que, ao resultar do cruzamento deste com o louro endémico [Laurus azórica], passa a possuir os elementos tóxicos que caracterizam o louro endémico açoriano. E é por causa disso que a sua ingestão, por via da sua utilização como condimento, não é aconselhável. Obviamente que é difícil dizer qual a gravidade da sua ingestão. Há quem fume toda a vida e não tenha complicações, como há quem fuma pouco e tem um cancro. Para prevenir, a opção deve ser não utilizar este louro”, sublinha o académico, em declarações, ontem, ao DI.“O problema é que este louro está a ser comercializado em locais de venda livre, como os mercados das cidades, sem qualquer controlo de qualidade. E um olhar destreinado pode enganar-se”, afirma.Eduardo Dias revelou ainda que “já foi encontrado louro híbrido ensacado (para ser comercializado) nos Açores que não é adequado para qualquer uso devido à sua elevada toxicidade, nomeadamente por provocar o cancro, em particular o do intestino”.De acordo com o investigador, o louro fino de cozinha tem apenas substâncias tóxicas no caule, o que leva cozinheiras, conhecedoras a usar apenas a folhas, enquanto o louro endémico é tóxico não só no caule mas também em toda a folha”.“Muitas pessoas vão ao mato buscar louro e ou conhecem o que estão a colher ou então, se não sabem, mais vale comprar de importação e ensacado com certificação”, aconselha Eduardo Dias.Como é difícil distinguir o louro fino do louro híbrido, o director do Gabinete de Ecologia Vegetal Aplicada da Universidade dos Açores defende que a sua comercialização seja certificada.“Os serviços de inspecção económica deviam exigir que o louro fosse primeiramente verificado quanto à sua qualidade e, depois, comercializado com uma certificação”, sublinhou.
(In Diário Insular)

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sábado, julho 18, 2009

Etnobotânica e Desenvolvimento sustentável - Recordar o Passado para Sustentar o Futuro

Félix Rodrigues, Marco Botelho, Cristina Mendonça, Ana Vilela e Maria Angeles Mendiola apresentaram, no 2º Congresso Lusófono de Ciência Regional, realizado na Cidade da Praia, em Cabo Verde, de 6 a 11 de Julho de 2009, uma comunicação intitulada "Etnobotânica e Desenvolvimento sustentável - Recordar o Passado para Sustentar o Futuro".

A etnobotânica é a ciência que ligada à botânica e antropologia estuda as interacções entre os indivíduos e as plantas, em sistemas dinâmicos. Estuda as aplicações e os usos tradicionais das plantas pelo ser humano. É uma ciência multidisciplinar que envolve indivíduos de vários extractos sociais, desde o simples agricultor aos botânicos, antropólogos, médicos, engenheiros, e físicos entre outros.
É a transdisciplinaridade desta área que poderá levar a redefinir e a reequacionar conceitos de crescimento e desenvolvimento que se quer sustentável.
Nesse trabalho apresentaram-se e discutiramm-se as utilidades dadas às plantas em três ilhas do Arquipélago dos Açores: São Jorge, São Miguel e Terceira.
(In Cabo Verde-Redes de Desenvolvimento Regional)

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quarta-feira, junho 03, 2009

O brigalhó

Joaquim Leça

Este texto foi publicado no dia 17 de Maio de 2009, na revista "Mais" do Diário de Notícias.
O seu nome desperta curiosidade, mesmo entre nós. É um tubérculo que cresce espontaneamente na freguesia do Curral das Freiras, concelho de Câmara de Lobos. O seu aspecto lembra um inhame pequeno, embora em termos botânicos, sejam espécies distintas. Habitualmente, é colhido nos meses de Abril, Maio e Junho. Em tempos, dada a dificuldade da população daquela localidade em obter alimentos, o brigalhó era por vezes a única alternativa para saciar a fome. Até ao presente, desconhece-se como é que se descobriu a utilidade culinária desta planta. É caso para dizer que, a necessidade despertou a criatividade humana, tal como sucedeu com outras iguarias da gastronomia regional e nacional. Este tubérculo só é comestível depois de cozer 24 horas com "azedas" e bastante água. Essa água é reposta durante a longa cozedura. No passado, cozinhava-se uma determinada quantidade, que era suficiente para uma semana, guardando-se na "loja" (arrecadação), para melhor conservação. Hoje em dia, o brigalhó é cozido ou frito e serve de acompanhamento ao atum de escabeche, sendo ainda aproveitado para a confecção de bolos. Quem quiser provar e saber mais sobre este tubérculo peculiar, tem uma excelente oportunidade para fazê-lo. No último domingo deste mês, irá realizar-se no Curral das Freiras, a VII Mostra do Brigalhó, organizada pela Casa do Povo local, pelo que se aconselha uma visita até lá. De ano para ano, este certame tem contribuído para a diversidade agrícola e gastronómica da nossa Região, pelo interesse que tem suscitado, quer por parte dos madeirenses, quer por parte de muitos turistas. Constata-se também que, ao longo das edições, a população local em geral e os agricultores em particular, têm correspondido a esse entusiasmo. A terminar, uma justa referência para a fundadora deste evento, a D. Arsénia Silva, a quem agradeço, por ter-me facultado informações sobre este produto.

(in Agricultando)

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quarta-feira, novembro 26, 2008

Património Vegetal e Etnobotânico no Planalto Mirandês. O Caso da Freguesia de Ifanes

Realizam-se no dia 27 de Novembro, pelas 10 horas, no Instituto Politécnico de Bragança, as provas de Mestrado em Gestão e Conservação da Natureza, requeridas pela licenciada Margarida de Lurdes Telo Ramos.
As provas serão avaliadas por um Júri presidido (por designação do Reitor) pelo Doutor Eduardo Manuel Ferreira Dias, professor auxiliar da Universidade dos Açores, sendo vogais os Doutores Ana Maria Pinto Carvalho e Carlos Francisco Gonçalves Aguiar, ambos professores adjuntos da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Bragança.
As provas constarão da discussão pública, com crítica e defesa, de uma dissertação intitulada Património Vegetal e Etnobotânico no Planalto Mirandês. O Caso da Freguesia de Ifanes

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sexta-feira, dezembro 21, 2007

Fitoterapia


CARLOS CARVALHO, FITOTERAPEUTA foi entrevistado pelo Diário Insular na sequência da apresentação da Tese de Mestrado em Educação Ambiental da Universidade dos Açores de Cristina Mendonça com o tema "Etnobotânica da ilha Terceira". Afirma que sempre houve interesse pelas medicinas naturais.

Diário Insular (DI)- Depois de um grande impulso da medicina convencional e da indústria farmacêutica, o que significa, na sua opinião, este regresso à medicina natural que se vem verificando nos últimos anos nas sociedade ocidentais?
Carlos Carvalho (CC) -Penso que não há um retorno, porque nunca deixou de haver uma busca. Sempre houve um interesse geral da população pelas medicinas ditas naturais, porque esta é uma medicina tradicional, vem de uma tradição antiga. A medicina dita convencional, estatal e oficial impôs-se depois do período pós-guerra, sobretudo pelo uso dos químicos. Porque antes já as farmácias manipulavam e preparavam produtos a partir de plantas. É uma busca de algo que sempre existiu. Essa tentativa poderá, no entanto, representar uma não resposta da medicina química.
DI - Quais são as vantagens destas medicinas naturais em comparação com a medicina convencional?
CC- Quando devidamente aplicadas podem ajudar bastante a recuperação dos doentes, podem complementar o trabalho da medicina convencional e, sozinhas, podem curar casos graves ou até dar resposta a situações que não se conseguem resolver na outra medicina. A medicina dita não convencional está já legalizada, através do Decreto-Lei n.º 45/2003 com publicação no Diário da República de 22 de Agosto.
DI - Muitos terceirenses recorrem, no seu dia-a-dia, ao uso de plantas para fins medicinais, com base em conhecimentos ancestrais que passam de geração em geração. Essa utilização é positiva ou deveria ser acompanhada de um conhecimento mais científico?
CC -As pessoas que buscam essas plantas fazem-no, com certeza, com alguma base. Portanto, essa utilização deve ser incrementada. Mas é preciso cuidado com as plantas. Tem de se saber que tipo de plantas são, como estão e se estão ou não contaminadas por poluição. Porque uma planta não é só por ser planta que nos serve.
DI -Que tipo de cuidados é que aconselha então às pessoas que recorrem a essas plantas com propriedade medicinais?
CC -Para haver uma maior garantia, as plantas deveriam ser colhidas em ponto biológico seguro, onde houvesse um cultivo limpo e livre do aspecto contaminante. Tem de ser feita uma selecção de plantas em que não haja contaminação.
DI- A que tipo de contaminação estão sujeitas essas plantas?
CC- De aditivos agrícolas poluentes, de outros aditivos pesticidas até outros tóxicos.

(In Diário Insular)

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terça-feira, dezembro 18, 2007

Terceirenses acreditam no poder das plantas

Há necessidade de recolha e registo do potencial medicinal de várias plantas utilizadas pelos terceirenses no seu dia-a-dia. Esta foi uma das principais conclusões de uma tese de mestrado em Educação Ambiental, orientada pelo Prof. Félix Rodrigues do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e pela Profª Maria de los Angeles Mendiola Ubillos da Universidad Técnica de Madrid, defendida recentemente por Cristina de Fátima Sousa Mendonça, no campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores. Intitulado “Etnobotânica da Ilha Terceira: Recordar o Passado para Sustentar o Futuro”, o trabalho pretendeu registar os conhecimentos dos terceirenses sobre os múltiplos benefícios do uso das plantas, bem como as suas práticas quotidianas no que se refere à sua utilização medicinal, quer do ponto de vista da profilaxia quer da prevenção de doenças. Através de entrevistas a indivíduos de ambos os sexos, com mais de 65 anos de idade, Cristina Mendonça concluiu que “existem pessoas detentoras de conhecimentos ancestrais acerca das propriedades, sobretudo medicinais, de algumas plantas, e usufruem das mesmas, no seu quotidiano”. “Esses conhecimentos, muitos deles com séculos de existência, não figuram, contudo, em fontes escritas, sendo normalmente transmitidos por via oral, de pais para filhos”, lamenta, defendendo que “educar passa pela inovação, mas também pela recuperação de conhecimentos, ainda mais tratando-se de conhecimentos tão antigos, que já deram provas da sua validação”. Neste trabalho, foram recolhidas informações sobre 44 espécies de plantas utilizadas na Terceira para fins medicinais, designadamente agrião, alecrim, arruda, bálsamo da parede, camarão, cidreira, erva de São Roberto, eucalipto, amor-de-hortelão, louro das ilhas, cedro do mato, erva-cavalinha e saramago, entre muitas outras. Este é o terceiro estudo realizado no arquipélago dos Açores e o quarto no país sobre etnobotânica - ciência que, ligada à botânica e à antropologia, estuda as interacções entre os indivíduos e as plantas, nomeadamente as suas aplicações e usos tradicionais.

(In Diário Insular)

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quarta-feira, agosto 08, 2007

Preservação do conhecimento empírico das populações açorianas

Quase duas centenas de plantas das ilhas Terceira, São Jorge e São Miguel estão a ser alvo de estudos para permitir «preservar os conhecimentos empíricos da sua utilização» medicinal, alimentar e etnográfica nos Açores.
Félix Rodrigues, investigador do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, sustentou hoje «fazer sentido preservar o conhecimento empírico das populações sobre as plantas medicinais, e as de interesse alimentar e etnográfico». O estudo que resulta de três teses de mestrado sobre Etnobotânica são orientadas por este docente e pela professora Maria de Los Angeles Mendiola da Universidade Politécnica de Madrid, que esperam compilar em livro os resultados obtidos.

Uma das primeiras conclusões aponta para que «muitas das aplicações daquelas plantas dadas no arquipélago também se verificarem no continente português e na América no Sul, o que resulta de uma ligação ao povoamento das ilhas e à época dos Descobrimentos», revelou o professor universitário.
Félix Rodrigues realça que as teses de mestrado confirmam «o desaparecimento de muitos desses conhecimentos empíricos, uma vez que a sua transmissão era apenas oral o que, com a urbanização dos espaços rurais, está a perder-se». Nesse sentido, acrescentou, a Etnobotânica permite a recolha dos hábitos e costumes tradicionalmente usados com diversas espécies de plantas. Estas tradições poderão estar, agora, ameaçadas «pela massificação de uma cultura predominante», pelo que «é fundamental preservar o que é nosso e diferente num mundo cada vez mais igual», defendeu Félix Rodrigues.
As teses de mestrado realizadas por Ana Vilela, em São Jorge, Marco Botelho, em São Miguel, e Cristina Mendonça, na ilha Terceira, aludem ainda «ao diverso vocabulário das plantas usados pelas diferentes comunidades das ilhas». Os trabalhos, que se inserem nas áreas da Educação Ambiental e Saúde, Ambiente e Segurança, alertam para «os riscos associados» ao consumo das espécies medicinais, uma vez que é necessário «conhecer o grau de toxicidade de cada planta». Segundo Félix Rodrigues, «as doses, regras de segurança e a parte da planta que se utiliza» são importantes para «a sua aplicação terapêutica». O investigador adianta ser já possível concluir, também, que «para a generalidade dos tratamentos utilizados pelas populações das ilhas de São Miguel e São Jorge, existem suportes científicos que validam o conhecimento empírico». No entanto, chama a atenção para outras aplicações, que não especificou, «sobre as quais é necessário aprofundar os estudos para que se possa recomendar o seu uso adequado e não de forma indiscriminada».
Quanto às plantas com interesse alimentar, Félix Rodrigues preconiza a sua recuperação, nomeadamente do Jarro e da Serpentina, cujas raízes «eram usadas para fazer farinha em tempos de crise alimentar». Já a Uva da Serra, cujos frutos se destinavam à confecção de doces e aguardentes, é uma planta protegida mas que, segundo Félix Rodrigues, tem possibilidades de «expansão e cultivo com sustentabilidade».

Os estudos sobre estas áreas de investigação poderão ser alargados às restantes seis ilhas do arquipélago.
(In Lusa/Sol/Açoriano Oriental/A União/Diário Insular)

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