Investigador universitário diz que há louro tóxico à venda e sugere a certificação do produto
“O problema é que este louro está a ser comercializado em locais de venda livre, como os mercados das cidades, sem qualquer controlo de qualidade. E um olhar destreinado pode enganar-se”, afirma.Eduardo Dias revelou ainda que “já foi encontrado louro híbrido ensacado (para ser comercializado) nos Açores que não é adequado para qualquer uso devido à sua elevada toxicidade, nomeadamente por provocar o cancro, em particular o do intestino”.De acordo com o investigador, o louro fino de cozinha tem apenas substâncias tóxicas no caule, o que leva cozinheiras, conhecedoras a usar apenas a folhas, enquanto o louro endémico é tóxico não só no caule mas também em toda a folha”.“Muitas pessoas vão ao mato buscar louro e ou conhecem o que estão a colher ou então, se não sabem, mais vale comprar de importação e ensacado com certificação”, aconselha Eduardo Dias.Como é difícil distinguir o louro fino do louro híbrido, o director do Gabinete de Ecologia Vegetal Aplicada da Universidade dos Açores defende que a sua comercialização seja certificada.“Os serviços de inspecção económica deviam exigir que o louro fosse primeiramente verificado quanto à sua qualidade e, depois, comercializado com uma certificação”, sublinhou. Etiquetas: Eduardo Dias, Etnobotânica, Laurus azorica, toxicidade

É um tubérculo que cresce espontaneamente na freguesia do Curral das Freiras, concelho de Câmara de Lobos. O seu aspecto lembra um inhame pequeno, embora em termos botânicos, sejam espécies distintas. Habitualmente, é colhido nos meses de Abril, Maio e Junho. Em tempos, dada a dificuldade da população daquela localidade em obter alimentos, o brigalhó era por vezes a única alternativa para saciar a fome. Até ao presente, desconhece-se como é que se descobriu a utilidade culinária desta planta. É caso para dizer que, a necessidade despertou a criatividade humana, tal como sucedeu com outras iguarias da gastronomia regional e nacional. Este tubérculo só é comestível depois de cozer 24 horas com "azedas" e bastante água. Essa água é reposta durante a longa cozedura. No passado, cozinhava-se uma determinada quantidade, que era suficiente para uma semana, guardando-se na "loja" (arrecadação), para melhor conservação. Hoje em dia, o brigalhó é cozido ou frito e serve de acompanhamento ao atum de escabeche, sendo ainda aproveitado para a confecção de bolos. Quem quiser provar e saber mais sobre este tubérculo peculiar, tem uma excelente oportunidade para fazê-lo. No último domingo deste mês, irá realizar-se no Curral das Freiras, a VII Mostra do Brigalhó, organizada pela Casa do Povo local, pelo que se aconselha uma visita até lá. De ano para ano, este certame tem contribuído para a diversidade agrícola e gastronómica da nossa Região, pelo interesse que tem suscitado, quer por parte dos madeirenses, quer por parte de muitos turistas. Constata-se também que, ao longo das edições, a população local em geral e os agricultores em particular, têm correspondido a esse entusiasmo. A terminar, uma justa referência para a fundadora deste evento, a D. Arsénia Silva, a quem agradeço, por ter-me facultado informações sobre este produto. 

Através de entrevistas a indivíduos de ambos os sexos, com mais de 65 anos de idade, Cristina Mendonça concluiu que “existem pessoas detentoras de conhecimentos ancestrais acerca das propriedades, sobretudo medicinais, de algumas plantas, e usufruem das mesmas, no seu quotidiano”. “Esses conhecimentos, muitos deles com séculos de existência, não figuram, contudo, em fontes escritas, sendo normalmente transmitidos por via oral, de pais para filhos”, lamenta, defendendo que “educar passa pela inovação, mas também pela recuperação de conhecimentos, ainda mais tratando-se de conhecimentos tão antigos, que já deram provas da sua validação”.
Neste trabalho, foram recolhidas informações sobre 44 espécies de plantas utilizadas na Terceira para fins medicinais, designadamente agrião, alecrim, arruda, bálsamo da parede, camarão, cidreira, erva de São Roberto, eucalipto, amor-de-hortelão, louro das ilhas, cedro do mato, erva-cavalinha e saramago, entre muitas outras. Este é o terceiro estudo realizado no arquipélago dos Açores e o quarto no país sobre etnobotânica - ciência que, ligada à botânica e à antropologia, estuda as interacções entre os indivíduos e as plantas, nomeadamente as suas aplicações e usos tradicionais.

