quinta-feira, setembro 03, 2009

Opogona sacchari (Bojer, 1856)

Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Lepidoptera
Família: Tineidae
Género: Opogona
Nome comum: Traça da bananeira
Nome da espécie: Opogona sacchari (Bojer, 1856)
Endémica dos Açores: Não
(in Portal da Biodiversidade dos Açores)

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quinta-feira, agosto 06, 2009

A papaia

Joaquim Leça
Na Madeira, mas não nos Açores – à semelhança de outras regiões produtoras mundiais – a papaieira frutifica ao longo do ano, em maior quantidade no Verão, até aos 250 metros de altitude na costa sul, em pés dispersos e em pequenas plantações. Prefere zonas abrigadas dos ventos e temperaturas amenas, superiores a 20ºC, tendo a particularidade de produzir a partir do primeiro ano de plantação. Cultiva-se ao ar livre ou em estufa, sendo que a segunda opção possibilita uma maior uniformidade da produção no decorrer do ano, bem como uma maior longevidade da planta. A sua propagação é obtida através de semente, por estaca e mais recentemente por micro-propagação, isto é, plantas produzidas em laboratório pela Direcção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural, a partir de tecidos vegetais seleccionados e que são vendidas na Divisão de Fruticultura. Como é sabido, esta espécie apresenta uma diversidade de tipos diferentes de flores, masculinas, femininas e hermafroditas que se manifestam na mesma papaieira ou em papaieiras diferentes, pelo que é importante adquirir plantas que garantam uma boa produção. No que respeita às doenças que a afectam, a mais prejudicial é a do "vírus-dos-anéis-da-papaieira", que provoca manchas e malformações nas folhas e, manchas em forma de anéis nos frutos e nos "troços" (pecíolos) das folhas. Além disso, a planta atrofia e a qualidade e o tamanho dos frutos diminuem, podendo ocorrer a sua morte. O oídio ou "mangra" como é conhecida entre nós, também surge nas folhas e nos frutos. Quanto às pragas, destacam-se os afídeos ou "piolhos" e os ácaros ou "aranhiços". A papaia que apresenta formas arredondadas ou alongadas, de polpa amarela, laranja ou avermelhada, pode ser saboreada como entrada ou sobremesa. Há quem lhe adicione sumo de limão ou Vinho Madeira, para melhorar o seu paladar. Em alternativa ao seu consumo em fresco, é possível apreciá-la transformada, num apetecível sumo, pudim, gelado ou "doce" (compota). Noutras zonas do mundo, utilizam-se as folhas para envolver uma peça de carne, tornando-a mais tenra. As folhas ao serem amarradas, partem-se e libertam uma seiva leitosa, que contém uma enzima, a papaína, que é responsável por essa tenrura. A papaína, também presente em elevados teores na casca dos frutos verdes, tem inúmeras aplicações na indústria farmacêutica e alimentar. No livro "A Aventura das Plantas e os Descobrimentos Portugueses" do Professor Engenheiro José Mendes Ferrão, atribui-se a origem da papaieira, às regiões andinas de altitudes médias da zona tropical. Nesta obra, aponta-se que “os portugueses, que acabaram por apreciar esta fruta, a introduziram em África e na Índia”. O Brasil é o principal produtor e exportador mundial. No continente americano, o México é outro dos países com uma produção assinalável, enquanto que em África é o Zaire e na Ásia, são a Índia e a Indonésia.
(In Agricultando)

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quarta-feira, agosto 05, 2009

A ginja

Joaquim Leça

É um fruto originário da Europa de Leste e do Sudoeste Asiático. Os gregos e os persas conheciam e apreciavam a ginja, mas foram os romanos que distribuíram esta cultura por vários pontos do continente europeu, aquando do seu império. Segundo dados recentes da FAO, o organismo das Nações Unidas para a agricultura e a alimentação, a Rússia, a Turquia, a Polónia, a Ucrânia e a Sérvia e Montenegro, são responsáveis por quase dois terços da produção mundial. Em diversos países, a ginja ou cereja ácida, pela qual também é conhecida, é utilizada na gastronomia, em sopas, pratos de carne de porco, tartes e na obtenção de bebidas. Em Portugal, este fruto é sobretudo transformado em ginjinha ou licor de ginja. Quem nunca a bebeu em Lisboa, na "Ginjinha" do Largo de São Domingos ou na "Ginjinha sem Rival" da Rua das Portas de Santo Antão, com ou sem "elas", ou seja, com ou sem ginjas. A Região Oeste, é a zona produtora de excelência desta bebida, sendo afamadas, a Ginjinha de Óbidos e a de Alcobaça. Na Madeira, as freguesias do Jardim da Serra e do Curral das Freiras, pertencentes ao concelho de Câmara de Lobos, produzem ginjas e o nosso licor de ginja, que é muito procurado durante todo o ano pelos madeirenses e pelos turistas. Refira-se a título de curiosidade que, no livro "Fomento da Fruticultura na Madeira" de 1947 da autoria do Professor Engenheiro Joaquim Vieira Natividade, a ginjeira é mesmo considerada uma espécie típica do Curral das Freiras. Nos últimos anos, tem-se realizado ali uma Mostra da Ginja, organizada pela respectiva Casa do Povo, onde são divulgados alguns derivados daquele fruto como o bolo, o "doce" (compota), entre outros, estando a edição de 2009, marcada para 12 de Julho. Na Região, esta cultura tem as melhores condições de cultivo a partir dos 500 metros na costa sul. À semelhança da cerejeira – que hoje se celebra no Jardim da Serra em mais uma Festa da Cereja – floresce de uma forma exuberante em Abril e Maio e, a colheita decorre em Junho e Julho. Quanto a pragas e doenças, a ginjeira é mais rústica que a sua "irmã" doce. Uma vez que o aspecto destas duas espécies é muito idêntico, o que as distingue, é o porte da primeira que é mais pequeno e os seus ramos que são mais curtos que a segunda fruteira. Acrescente-se ainda que ao paladar, a ginja é agridoce e a cereja é doce.

(in Agricultando)

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Mirtilo

Engª Ana Silva

Mirtilo O mirtilo é um arbusto pertencente à família Ericaceae, género Vaccinium. Em Portugal existem espécies silvestres do género Vaccinium: o V. myrtillus (mirtilo Europeu) na Serra do Gerês, o V.padifolium na Ilha da Madeira e o V. cylindraceum (também conhecido por uva-da-serra) no arquipélago dos Açores. As cultivares existentes e comercializadas, são, na sua maioria, híbridos de espécies norte americanas e estão divididas em vários grupos entre os quais se encontra o grupo Highbush (Northern e Southern) – V. corymbosum.CaracterísticasO sistema radicular é fasciculado e composto por 2 tipos de raízes, umas mais finas e superficiais responsáveis pela absorção de água e nutrientes, e outras maiores, cuja função é fixar o arbusto ao solo. As raízes do mirtilo apresentam a particularidade de não terem pêlos radiculares, estruturas da raiz cuja função é aumentar a superfície de absorção de água e nutrientes.Os ramos têm origem na coroa (zona de transição entre raízes e ramos), são erectos e podem atingir os 2,5m de altura para a maior parte das cultivares.
As flores encontram-se agrupadas em cachos, são brancas e têm as pétalas soldadas entre si, formando uma campânula invertida. Devido às suas características, as flores do mirtilo favorecem a polinização cruzada assumindo a polinização entomófila (realizada por insectos) uma grande importância na rentabilidade da cultura.FRUTO
fonte: Frutas, Legumes e Flores nº 94
Baga de tamanho e tom de azul variável, dependendo da cultivar, revestida por uma camada cerosa.Quando ocorre a maturação do fruto, dá-se uma diminuição do teor em clorofila e aumenta o teor em antocianinas e açúcares, fazendo com que a cor mude de verde para azul. As antocianinas são pigmentos naturais que têm propriedades antioxidantes e às quais se atribuem uma série de benefícios para a saúde, valendo ao mirtilo denominações tais como “Rei dos Antioxidantes”, “fruto da juventude”, “fruto da saúde” ou “fruto da longevidade”.
Fonte: Correio da ManhãAlém das antocianinas o mirtilo tem também vitaminas e minerais, tais como vit. A, B, C e K, potássio, magnésio, cálcio, fósforo e ferro.O cultivo do mirtilo
O solo ideal para uma plantação
O mirtilo prefere um solo arenoso ou franco-arenoso, bem drenado, rico em matéria orgânica e com pH ácido (4,5 a 5,5).
A preparação do solo
A preparação do solo deve ser iniciada, pelo menos, um ano antes da plantação, começando por se realizar análises ao solo no sentido de averiguar se é necessário efectuar previamente correcções no pH ou incorporar matéria orgânica.As infestantes deverão ser totalmente eliminadas, podendo utilizar-se herbicidas sistémicos não residuais.Em locais em que a drenagem da água possa estar comprometida, após as devidas correcções e operações de preparação do solo, é aconselhável a realização de camalhões onde se irão plantar os mirtilos. A escolha da cultivar
A escolha da cultivar deverá ter em atenção vários factores nomeadamente: o clima, a possibilidade de ocorrência de geadas tardias, a resistência a doenças e pragas e ainda, se se tratar de uma plantação comercial, à produção e à qualidade do fruto.De um modo geral, as cultivares do grupo Northern Highbush, por necessitarem de um maior nº de horas de frio durante o repouso invernal, são mais adequadas para o norte e centro de Portugal e as cultivares do grupo Southern Highbush para o sul.Cultivares Northern Highbush: Bluetta, Earliblue, Patriot, Duke, Bluecrop, Spartan, Bluejay, Brigitta, Lateblue, Darrow.Cultivares Southern Highbush: Sharpblue, O’Neal, Misty, Biloxi, Cape Fear, StarPlantação
Deve ser feita na Primavera ou no Outono. O compasso de plantação deverá ser ajustado ao vigor das cultivares escolhidas e às condições do local, podendo variar de 1m a 1,5m na linha e 3m a 3,5m na entrelinha.Quanto às plantas, sempre que possível, dever-se-á preferir estacas enraizadas com 2 anos de idade, provenientes de um viveiro idóneo.Rega
Existem algumas características do sistema radicular do mirtilo que deverão ser conhecidas, pois condicionam a forma como a rega deverá ser feita:
1) As raízes que asseguram a absorção de água (as raízes mais finas) encontram-se, normalmente, nos primeiros 30 a 40 cm do solo. Este facto, juntamente com a inexistência de pêlos radiculares, torna o mirtilo particularmente susceptível ao stress hídrico.A água deverá então ser distribuída de forma a manter o solo junto às raízes permanentemente húmido mas sem encharcamento, pois a planta de mirtilo também não tolera bem o excesso de água.
2) Ao contrário do que sucede na maior parte das plantas, o movimento de translocação de água e nutrientes através da planta de mirtilo não ocorre de forma uniforme. Se a água e os nutrientes forem distribuídos apenas de um dos lados da raiz da planta, então apenas esse lado da parte aérea do mirtilo se desenvolverá.Temos então necessidade de um sistema de rega capaz de formar um bolbo húmido uniforme em torno da planta.Fertilização
Deverá ser sempre feita com base em análises ao solo e análises foliares, e tendo sempre em atenção que os nutrientes, à semelhança da água de rega, devem ser distribuídos uniformemente em redor da planta.Na escolha dos fertilizantes, não utilizar cloretos nem Azoto sob a forma de nitrato.
Controlo de infestantes

É de primordial importância dado que pelas características do seu sistema radicular (raízes superficiais sem pêlos radiculares), os mirtilos encontram-se em desvantagem em relação às infestantes na competição por água e nutrientes.Na entrelinha pode utilizar-se herbicidas, mobilização do solo (com especial atenção para não danificar as raízes dos mirtilos) ou recorrer à sementeira de um revestimento permanente adequado.Na linha, na largura de um metro, deve efectuar-se o empalhamento da cultura aplicando uma camada de 10-15cm de material vegetal como casca de pinho, serradura, palha, folhas, etc. ou, em alternativa, plástico ou tela.
O empalhamento da cultura cumpre 3 funções importantes:1) Protecção contra infestantes2) Manutenção da humidade do solo.3) Redução da temperatura do solo no Verão, de forma a favorecer a actividade radicular. O desenvolvimento das raízes do mirtilo é influenciado pela temperatura do solo, verificando-se uma maior actividade entre os 6ºC e os 16ºC.
Poda
Feita em Janeiro/Fevereiro, no fim do repouso Invernal.Tem como objectivo remover ramos danificados, doentes ou com pouco vigor, eliminar ramos que frutifiquem muito perto do solo (dificultando a colheita), abrir a copa para permitir o arejamento e a entrada de luz no interior do arbusto e manter a produção e a qualidade dos frutos, controlando eventuais excessos de carga de flor.Em plantas mais velhas, compreende também o corte de ramos com mais de 6 anos para dar lugar a outros mais jovens e produtivos (poda de rejuvenescimento).Nos primeiros três anos após a plantação, recomenda-se a remoção da maior parte dos botões florais para que a planta se “concentre” apenas em crescer e em estabelecer-se correctamente.

(in Horticularidades)

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quarta-feira, abril 08, 2009

O physalis

Joaquim Leça- Licenciado em Engenharia Agrícola pela Universidade dos Açores

Este texto foi publicado no dia 5 de Abril de 2009, na revista "Mais" do Diário de Notícias. O physalis na Madeira é conhecido como tomate lagartixa. Na costa norte é designado por tomate barrela e nos Açores chamam-no tomate capucho, uma vez que o cálice (termo botânico para definir o conjunto das sépalas) envolve uma baga de cor alaranjada, lembrando um capucho. Na Região, é comum vê-lo nas paredes dos poios, por entre as pedras de basalto, considerando-se uma planta herbácea subespontânea, dada a facilidade em propagar-se. Prefere zonas soalheiras, podendo encontrar-se na vertente sul, do litoral até aos 500 metros de altitude e na encosta norte da ilha até aos 180 metros de altitude. Quanto à fitossanidade é uma espécie rústica, isto é, resistente a pragas e doenças, estando ajustada ao modo de produção biológico. A colheita decorre na Primavera e no Verão, conforme a localização geográfica, a altitude e as condições climatéricas locais. Segundo a obra "Fruticultura Tropical – Espécies com frutos comestíveis" do Professor Doutor José Eduardo Mendes Ferrão, o tomate lagartixa é oriundo da América do Sul, mais concretamente da região andina, caracterizada pelo clima subtropical. É muito cultivado na Colômbia e na Bolívia, estando actualmente presente em todos os continentes. A África do Sul é um dos países onde a cultura está ambientada, sendo muito apreciada quer em fresco, quer em transformado. Na Europa, é produzido no sul e em Portugal, nos Açores e na Madeira e, pontualmente no continente. Este fruto tem um potencial enorme, quando é confeccionado como um delicioso "doce" ou compota, um refrescante gelado ou um licor de aroma e sabor ímpares. O "Elucidário Madeirense" do Pe. Fernando Augusto da Silva e Carlos Azevedo de Meneses, já sublinhava as suas qualidades gustativas e de transformação excepcionais, nomeadamente o "doce", por ser “muito saboroso”. O physalis é muitas vezes aproveitado para ornamentar pratos devido ao pormenor do capucho, dando-lhes um toque de requinte. Noutros tempos, era habitual na Madeira, usar-se a baga quando estava verde, esmagando-a e misturando com outras ervas para "corar" (tornar as roupas mais brancas) os lençóis e outra roupa branca, bem como na fiação do linho. Em 1998, realizaram-se ensaios de adaptação de variedades desta espécie com sucesso, na Divisão de Fruticultura da Direcção Regional de Agricultura. Em suma, a Região possui excelentes condições de cultivo para o tomate lagartixa, devendo o seu plantio ser incentivado, por ser rentável para o agricultor. É pois, mais uma oferta exótica de perfume e paladar distintos para o residente e para o visitante, que o podem provar ao natural ou em tentadores derivados.


(In Agricultando)

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domingo, abril 05, 2009

“FOLHAS DIVULGATIVAS” RESULTA DO PROJECTO INTERFRUTA

“Folhas Divulgativas” é o terceiro livro que resulta da investigação dos projectos Interfruta. A obra foi apresentada, no campus de Angra do Heroísmo, da Universidade dos Açores. O livro aborda os diversos problemas fitossanitários que afectam e limitam a produção de fruteiras como bananeiras, pessegueiros, macieiras e laranjeiras, assim como a oliveira, a vinha e a produção de próteas. As conclusões apresentadas tiveram por base um trabalho de investigação das cultivações de 24 produtores, acompanhados quinzenalmente. De acordo com Horta Lopes, coordenador do projecto, as pragas que atacam os produtos estudados são apresentados com o nome comum, em português, castelhano e inglês, assim como fases do ciclo de vida, meses do ano em que a perigosidade é mais importante, zonas da ilha com maior incidência e meios de protecção biológicos, culturais e biotécnicos, para além dos químicos. O livro apresenta ainda fotografias ilustrativas. Características que contribuem para uma maior facilidade de identificação pelos produtores. O coordenador destacou que o trabalho realizado “excedeu as expectativas” do grupo. Para Joaquim Pires, Director Regional do Desenvolvimento Agrário, presente no lançamento, a obra é “a imagem do que o agricultor precisa, para ter mais resultados”. “Estes trabalhos devem continuar a assentar numa base pragmática de chegar ao agricultor”, defendeu. Já o reitor da Universidade dos Açores, Avelino Meneses, apelou à aposta na investigação. “É preciso que no futuro publicações como esta sejam um meio de projecção da Universidade dos Açores”, frisou. O Interfruta é um projecto de cooperação inter-regional entre Açores, Madeira e Canárias. Participaram na elaboração do livro cerca de 30 investigadores dos parceiros das ilhas da Macronésia. Para além dos colaboradores da Universidade dos Açores, da Fruter e dos Serviços de Desenvolvimento Agrário da Terceira, participaram ainda investigadores da Universidade de La Laguna (Canárias); Universidade, Secretaria Regional do Ambiente e Direcção Regional da Agricultura da Madeira; Escola Superior Agrária de Ponte de Lima; Instituto Nacional de Recursos Biológicos; Instituto Superior de Agronomia e Imperial College of London. A Universidade dos Açores tem já agendados mais dois projectos do género.
(In Diário Insular)

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quinta-feira, abril 02, 2009

Lançamento do livro “Folhas Divulgativas”

O livro “Folhas Divulgativas”, uma publicação elaborada no âmbito dos trabalhos de investigação dos projectos Interfruta e Interfruta II, é lançado hoje, quinta-feira, pelas 16H30, no Auditório do Complexo Pedagógico do Pico da Urze, com a presença do Representante da República para os Açores.
No livro, ao longo de cerca de 180 páginas, são abordados os problemas fitossanitários que afectam e limitam a produção de fruteiras, como as bananeiras, pessegueiros, macieiras, laranjeiras, a oliveira e a vinha, bem como a produção das próteas. Com fotos da sintomatologia destes problemas, de modo a facilitar o seu reconhecimento, o livro indica os meios de protecção que podem ser utilizados no seu combate.
A elaboração da publicação envolveu uma equipa de cerca de 30 investigadores dos Açores, Madeira e Canárias. Na Região, o trabalho foi realizado com a participação de técnicos da Fruter e dos Serviços de Desenvolvimento Agrário da Terceira e pela equipa de investigadores do Centro de Biotecnologia dos Açores, coordenadora do projecto Interfruta.
(In Diário Insular)

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quarta-feira, março 18, 2009

O abacate

Joaquim Leça Licenciado em Engenharia Agrícola pela Universidade dos Açores

Este texto foi publicado no dia 8 de Março de 2009, na revista "Mais" do Diário de Notícias. O México, a Guatemala e as Antilhas (antigas Índias Ocidentais) são as três "casas" do abacate, diferindo umas das outras, através de diversas variedades com características próprias. Ao longo dos tempos, a cultura do abacateiro expandiu-se pelos restantes continentes, em especial, a partir da Califórnia (Estados Unidos da América), na década de 20 do século passado. Actualmente, os principais países produtores são o México, EUA, Israel e África do Sul. Na Europa, existem pomares em Espanha, Itália, Grécia e em Portugal, além da Madeira, o abacate é cultivado no Algarve. Entre nós, chamamos a este fruto, pêra abacate, tendo em conta que a sua forma predominante, é o de uma pêra. Podemos encontrar outros formatos como o oval e o esférico. De acordo com o relatório final de curso do Engenheiro Agrónomo Leandro Aguiar Câmara, "Fruticultura Subtropical na Ilha da Madeira" de 1955 – que cita o Tenente Coronel Alberto Sarmento, ilustre investigador madeirense – a introdução do abacateiro nesta Região deu-se em meados do século XIX, quando um morgado regressado do Pará (Brasil), trouxe uma semente desta espécie. Acrescenta-se ainda que nessa época, esta árvore era mais conhecida como "árvore de sombra", do que propriamente como produtora de frutos. Nos nossos dias, esta fruteira encontra as melhores condições de cultivo até aos 400 metros de altitude na costa sul e os 150 metros na vertente norte, achando-se um pouco por todo o lado, em pés dispersos, alguns deles de grande porte ou em pomares. Os concelhos com maior produção são os de Santana, Funchal, Santa Cruz e Calheta. As variedades de abacate melhor adaptadas às nossas condições de solo e clima, são a "Pinkerton", a "Hass" (conhecida localmente por "israelita") e a "Fuerte", havendo ainda uma grande diversidade de variedades propagadas por semente no decorrer do tempo, com interesse produtivo e comercial. A época de colheita sucede de Outubro até Julho, consoante a variedade, a altitude, a localização geográfica e as condições climatéricas locais. As pragas mais habituais são os ácaros (vulgo "aranhiços") e as cochonilhas e, as doenças mais comuns são as podridões das raízes provocadas pelos fungos Armillaria sp. e Phytophtora sp. No que respeita ao seu consumo, o abacate é utilizado como acompanhamento em pratos de peixe, de carne e em saladas, sendo temperado com azeite, sal ou pimenta, havendo quem o use em vez de manteiga, para barrar o pão. Tradicionalmente na Região, come-se como sobremesa, cortando-o em dois, e adicionando açúcar, mel de cana, mel ou Vinho Madeira, existindo também outros deliciosos derivados como o pudim ou o gelado de abacate.
(In Agricultando)

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terça-feira, março 17, 2009

Árvores de Fruto: Saboreie o seu Jardim!

DIOGO RICOU é o responsável técnico da empresa Monteiro & Ricou, lda. Licenciado em Engenharia Agrícola pela Universidade dos Açores. Desde sempre que esteve ligado a esta área. É formador nas áreas da jardinagem, nomeadamente planeamento de jardins e dá aulas ao curso CEF jardinagem no ensino público. A monteiro & Ricou presta serviços de consultadoria, gestão de obras, construção de jardins, implantação e projecto de sistemas de rega, instalação de jardins verticais, agricultura, paisagismo. http://www.monteiroricou.blogspot.com/

Todas as árvores são importantes, mas as que produzem frutos, além de terem todas as vantagens das primeiras tem uma mais valia muito interessante: o fruto.
Se agora se fala muito e está na moda, fundir o jardim com a horta, então porque não complementarmos a produção de legumes com a produção de frutos.
E se o conceito parece simples a realidade ainda mais o é.
Na escolha das espécies em vez de selecionarmos um liquidambar porque não uma cerejeira ou ameixieira.
Comparação: são caducas, as folhas variam do verde claro na Primavera ao amarelo escuro no Outono. Ok ao nível das folhas não há comparação possível, o liquidambar passa de amarelo para um vermelho espectacular, mas a cerejeira fica também com um amarelo muito bonito que contrasta bastante com o tronco que é meio avermelhado. Em relação à flor não há nada que se compare à floração da cerejeira, ainda para mais, atrai um sem número de espécies animais: abelhas, borboletas, aves, etc. e no final ainda recebemos uma bela recompensa: as cerejas. Se pensarmos bem, e pusermos ambas na balança eu diria que a cerejeira no final acaba por ter um peso maior. Poder-se-á dizer que a manutenção das árvores de fruto requer mais mão de obra que as árvores ornamentais. De facto por ser necessário fazer todos os anos a poda, e alguns eventuais tratamentos estas requerem uma maior manutenção, mas se compararmos as necessidades destas com as necessidades que iremos ter ao nível da mão de obra para a realização de uma horta poderemos confirmar que não irá ser pelo trabalho que não avançaremos com essa decisão.
Poderemos ainda idealizar uma outra opção - a conjugação de árvores ornamentais com fruteiras. É tudo uma questão de espaço.
Até os famosos jardins japoneses incluíam quase sempre espécies ornamentais: o Acer, por exemplo, e árvores de fruto como as cerejeiras, principalmente para darem cor ao jardim numa determinada altura do ano, nomeadamente na Primavera. Também nós poderemos recorrer a esta conjugação para termos um jardim com mais cor durante mais tempo.

Espécies com floração abundante:
macieira de jardim (para mim, uma das mais bonitas)
cerejeira
ameixieira
pereira
damasqueiro
pessegueiro

Outras espécies com interesse:
citrinos
diospireiro
marmeleiro
nespereira

Frutos secos:
nogueira
castanheiro
aveleira

Outros frutos:
maracujá
kiwi

Também os chamados frutos vermelhos poderão ser uma opção, pelo menos dão bastante vida ao jardim. E que bom chegarmos ao fim de um dia de trabalho e irmos colher os nossos próprios frutos e ou alimentos. Ou levantarmo-nos pela manhã e colhermos umas laranjas para fazer um belo sumo natural. Estão fresquinhos, são naturais e aliviam qualquer stress.

(In Portal do Jardim)

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segunda-feira, dezembro 17, 2007

Produção de frutos fora de tempo na ilha Terceira

Estão a nascer goiabas e araçás nos pomares da Terceira. É a segunda vez que as árvores produzem frutos este ano.

Algumas espécies de árvores de frutos estão a produzir duas vezes por ano. Um pouco por toda a ilha há árvores com goiabas e araçás quando esse tipo de frutos surge apenas até ao final do Verão. Existem, também, figueiras que estão a florescer quando tal apenas deveria acontecer na próxima Primavera. Em muitos casos é a segunda vez que as árvores produzem frutos este ano, situação que é pouco normal, tal como acontece com outro tipo de florestação, como é o caso da Cryptomeria japonica que também está a produzir novamente pólen. Ainda não existe uma explicação com fundamentação científica para o fenómeno, mas tudo indica que se trata de uma consequência das alterações climáticas.

De acordo com o investigador do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, Félix Rodrigues, as altas temperaturas que se verificam nesta época do ano podem ser a causa do fenómeno. “Estamos em Dezembro e as temperaturas do ar chegam a atingir cerca de 20 graus, situação que não é normal”, refere.

Félix Rodrigues considera que, em alguns casos, as árvores que estão agora a produzir pela segunda vez podem não resistir a esse esforço excessivo por falta de energia. No entanto, reconhece, este é um fenómeno recente e que sem estudos científicos “não será fácil saber o que vai acontecer a essas árvores”. As alterações climáticas estão também a ter consequências nos ciclos de produção da vinha dos Açores, o que tem levado os produtores a efectuar a vindimas antecipadamente. O presidente da Fruter, Fernando Sieuve Meneses, assegura que a irregularidade de produção de fruta acontece noutras épocas do ano, especialmente com os citrinos.

(In Diário Insular)

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