BICHADO E MAU TEMPO ASSOCIADOS Produção de Castanha Viana regista pouca quantidade

A Festa da Castanha Viana cumpre mais um ano de tradição na Terra Chã. O fruto típico dessa freguesia do concelho de Angra do Heroísmo regista pouca quantidade na produção de 2009. Em causa estão a doença do bichado e as más condições meteorológicas.
À semelhança das edições anteriores, o Largo de Belém, na Terra Chã, vai ser palco da Festa da Castanha Viana, uma obra que, segundo o presidente da Junta de Freguesia, “foi precisamente inspirada” nesse tradicional evento.
Este ano, para além da doença do bichado, que está a infestar a castanha no decorrer dos últimos cinco anos, afectando a sua produção e qualidade, as más condições meteorológicas que se fizeram sentir no passado mês de Setembro, início de produção, provocou uma perda de 50 por cento da quantidade inicialmente estimada pelos produtores. ArmandoBraga classifica o facto de “peculiar”.
“As chuvas e os ventos fizeram cair as folhas e os ouriços antes do tempo. Este ano foi peculiar, fazendo surgir mais uma situação para os especialistas dedicarem os seus estudos e trabalho de investigação”, explica o autarca, em declarações à “a União”. E continua: “Não se verifica tanto bichado como em 2008, um ano que, aliás, registou menos castanheiros doentes face aos anos anteriores”.
Com efeito, refere, estes factores têm vindo a contribuir para o desânimo de muitos produtores que não têm visto o seu trabalho compensado, pese embora o empenho de técnicos da Universidade dos Açores e dos Serviços de Desenvolvimento Agrário, no estudo de soluções de combate eficaz às doenças da castanha viana.
Questionado sobre a qualidade desse fruto na colheita de 2009, o presidente diz verificar-se castanhas “miudinhas”, isto é, de tamanho inferior ao considerado “normal”, adiantando, no entanto, que apesar disso e da “pouca quantidade”, estes não serão motivos para considerar haver “falta de castanhas”.
“A maioria das castanhas são miúdas, portanto não encheram completamente o ouriço. Mas haverá para todos”, sublinha.
Estima-se que cerca de 800 pessoas possam marcar presença na décima nona edição de um festejo popular, entre produtores e comunidade em geral, no próximo sábado, 31 de Outubro, a partir das 20h00.
“Esta festa foi criada para promover a castanha viana como fruto típico da Terra Chã e também para defender a preservação do seu património natural visível nas suas quintas onde predominam os antigos castanheiros viana, que se têm mantido durante longos anos e que são ex-líbris da freguesia”, reforça Armando Braga.
Assim, contando com o habitual convívio e animação musical pelas tunas académicas do Departamento de Ciências Agrárias e da Real Extudantina, da Universidade dos Açores, a Junta de Freguesia reforça o seu apelo à preservação da castanha viana.
Actualmente, o número de quintas com castanheiros viana na freguesia de Terra Chã ronda centena e meia, sendo 70 produtores.
(in A União)
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Veja-se o exemplo de 2006 em que os prejuízos foram baixos e no ano seguinte (2007) o grande aumento a que se assistiu como registo de níveis de infestação, que em situações pontuais, atingiram os 70%. Em relação à contenção da praga em níveis mínimos isso depende em muito, como disse atrás, das condições climatéricas de cada ano e da actuação dos produtores, principalmente na recolha e destruição dos frutos “bichados” desde o início da sua queda no terreno até ao fim da colheita para que assim se possa interromper o ciclo de vida desta praga não permitindo a introdução da sua lagarta no terreno onde vai formar um casulo e de onde no ano seguinte, no Verão, sairão os adultos da geração seguinte. A utilização de armadilhas com feromona sexual que captura os adultos aliada a recolha dos frutos das parcelas será a estratégia mais adequada para tentar diminuir as populações desta praga para níveis mínimos. Nesse sentido este ano pelo Centro de Biotecnologia dos Açores em colaboração como SDAT, foram testados dois tipos diferentes de armadilhas e cinco feromonas sexuais de diferente proveniência de modo a encontrar as mais eficazes na captura do maior número de adultos do bichado-da-castanha.
Quanto à praga do bichado, Armando Braga sublinha que “ainda é cedo” para uma análise, uma vez que “as castanhas ainda não estão a cair”.“Alguns produtores dizem que as primeiras castanhas não têm trazido bichado, mas isso sente-se mais a meio da produção”, explica. Segundo o autarca, a praga do bichado da castanha é um fenómeno que atinge as quintas da Terra Chã há seis anos, tendo atingido em 2007 um nível “alarmante e desanimador”.“Tenho esperança de que vamos atravessar este ciclo, embora reconhecendo que é um combate muito difícil e que talvez só possa ser ganho com tratamento químico”, afirma. A direcção regional do Desenvolvimento Agrário e o Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores têm desenvolvido, em conjunto com os produtores, um programa de combate ao bichado da castanha, no âmbito do projecto Interfruta II. De acordo com David Horta Lopes, da Universidade dos Açores, estão a ser monitorizados, através da colocação de armadilhas, 10 pomares da Terra Chã e dois dos Biscoitos. Quanto aos resultados, em 2005, verificou-se uma densidade muito elevada do bichado, seguindo-se um decréscimo em 2006, e novamente uma infestação muito elevada, que atingiu quase 70 por cento da produção, em 2007, referiu. A avaliação dos prejuízos deste ano só deverá ser conhecida dentro de duas semanas, acrescentou. Segundo David Horta Lopes, os factores climatéricos e o interesse dos produtores na intervenção são os principais factores que contribuem ou não para o desenvolvimento da praga. A Junta de Freguesia da Terra Chã comemora, no próximo dia 31, os 18 anos da Festa da Castanha. O evento terá lugar no Largo da Igreja, a partir das 21h00, com o tradicional convívio onde será servida a castanha viana e animação musical pelas tunas Sons do Mar e Tusa e pelo grupo Belaurora, da ilha de São Miguel.

