UNIVERSIDADE DOS AÇORES EXPORTA MESTRADO PARA ANGOLA, VENEZUELA E BRASIL
A Universidade de Caracas, na Venezuela, a Universidade Federal de Minas Gerais, no Brasil e a Universidade Agostinho Neto, em Angola, já demonstraram interesse no mestrado açoriano.
“Os contactos nasceram da relação com alunos que vêm desses países para os Açores precisamente para fazerem o mestrado. A ideia ainda é muito recente, mas existe vontade por parte de alguns desses professores estrangeiros em importar o mestrado”, admite ao Canal UP, Tomaz Dentinho do Departamento de Ciências Agrárias.
“As teses de mestrado têm vindo a responder a problemas locais”, sublinha o investigador. Nos Açores, as ilhas têm de recorrer a soluções interdisciplinares para questões relacionadas com a actividade agro-pecuária e a gestão das lamas residuais urbanas.
Em Angola há falta de água canalizada e dificuldades com o transporte do recurso até às explorações agrícolas. No Brasil e na Venezuela, as cheias frequentes representam uma dor de cabeça para os governantes. Por outro lado, a criação de infra-estruturas para aproveitamento de água é considerada fundamental.
O programa do Mestrado em Gestão e Conservação da Natureza atrai arquitectos, economistas e alunos de Letras estrangeiros. O grau já lançou para o exterior mais de uma centena de teses e já foi frequentado por cerca de 250 alunos. O intercâmbio faz-se também ao nível do corpo docente. “O segredo está na interdisciplinaridade. As bases são a Economia, Agronomia e Ecologia”, sustenta Tomaz Dentinho.
O docente da Universidade dos Açores acredita que “é preciso criar uma função mais ecológica na administração da água”, ao mesmo tempo que defende que a “a água deve deixar de ser pertença do Estado e passar a ser um bem gerido pelos proprietários dos solos”.
Etiquetas: agricultura, Água, Ecologia, Economia, Mestrado em Gestão e Conservação da Natureza
O programa de cortes já começou esta semana e afecta 40 por cento da população de Angra. Sofia Couto, da Câmara Municipal, explica que há falta de água nas nascentes, devido ao facto de não ter chuvido o suficiente, adiantando que, sem um programa de interrupções de fornecimento, é impossível resolver o problema este Verão. A Universidade dos Açores vai estudar mais em pormenor o que está a causar este fenómeno, ou seja, a redução de caudais de água no concelho de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.
Cota Rodrigues ressalvou que a poluição não afecta ainda o nível mais profundo do aquífero, não interferindo com a qualidade da água que consomem os habitantes do concelho da Praia da Vitória, mas reiterou que “ninguém pode garantir que essa poluição não chegue aos níveis mais profundos”. Depois de determinada a extensão do problema, existem técnicas para descontaminação da água. “Essas medidas existem, porque este não é um problema exclusivo da Terceira, mas algo observado em vários locais onde há bases militares”, afirmou. As consequências desta contaminação são claras: “A consequência é surgirem hidrocarbonetos, o que inviabiliza a exploração da água”. Face a este cenário, o delegado de Saúde da Praia da Vitória já se manifestou, defendendo que as entidades governamentais responsáveis pelo Ambiente devem mover uma investigação e aplicar a devida multa ao prevaricador, obrigando-o ainda a pagar os procedimentos necessários para a descontaminação do aquífero. Esta é uma matéria em que o Governo Regional, nomeadamente o Ambiente, tem uma clara responsabilidade de agir” sustentou, adiantando que apoia a opinião de Cota Rodrigues, de que deve ser feito um estudo sobre que determine a extensão da “pluma de combustível”. “Não é do nosso conhecimento que exista qualquer risco, nomeadamente através das análises que são feitas à água que é consumida no concelho. Mas penso que essa mesma água deve começar a ser alvo de análises mais pormenorizada”, acrescentou.
Pelos vistos ninguém as levou a sério, até agora que pode estar em perigo efectivo a contaminação dos efluentes. Mas, à frente que se faz tarde! A questão que se põe agora é apurar a origem, imputar responsabilidades e pôr os autores a pagar as medidas para debelar os perigos, antes que sejam irreversíveis, se é que não são já.É que nestas matérias deveríamos ser implacáveis, porque é a saúde pública que está em jogo e porque pode ser comprometida a qualidade de vida de gerações. Hoje existem recursos técnicos simples que controlam estas situações e não faz sentido que só agora é que damos conta dessas ocorrências, quando elas deveriam estar controladas à partida. Quase nos atreveríamos a dizer que as autoridades portuguesas (camarárias, por exemplo) têm acesso vedado às instalações militares, mormente à zona de tancagem de combustíveis, quando essa inspecção deveria ser periódica e sendo-o derrames continuados seriam detectados, prevenidos e responsabilidades assacadas. Se o acesso é livre e essas inspecções são feitas com regularidade, então a culpa estará do lado de quem as faz e não dá conta.


