domingo, janeiro 18, 2009

DEFENDE TOMAZ PONCE DENTINHO - "Para gerir a água é preciso olhá-la como um todo"

Humberta Augusto (texto e fotos)

Os problemas na gestão da água estão, sobretudo, numa concepção limitada da engenharia da sua captação e distribuição, esquecendo o impacto da actividade humana no ecossistema.
“Olhá-la como um todo” é o que defende Tomaz Dentinho, director do mestrado em Gestão e Conservação da Natureza, que lançou, anteontem, em livro cinco teses sobre “Gestão Integrada da Água”.
A reconversão de uma pastagem para um solo com cobertura natural trará um aumento de 30 por cento dos recursos hídricos.
Esta é uma das conclusões das cinco teses de mestrado que, foram anteontem apresentadas no pólo de Angra da Universidade dos Açores (UA), Pico da Urze, e que compõem o livro “Gestão Integrada da Água” editado pelo curso de Mestrado em Gestão e Conservação da Natureza, iniciativa conjunta do Departamento de Ciências Agrárias da UA e da Faculdade de Ciências do Mar e do Ambiente da Universidade do Algarve.
Desde o cimo da montanha até às emissões dos sistemas de saneamento, passando pelos aquíferos, captação, tratamento e distribuição e consumo doméstico, a publicação apresenta ordenadamente os estudos sobre os ciclos da água dos cinco mestrandos: Maria da Conceição Rodrigues, Luísa Calado, Zita Benguela, Paula Mendes e Maria do Anjo Ekstrom.
Eduardo Dias, Leonor Cancela, Luís Fonseca, Pedro Beja e Tomaz Ponce Dentinho coordenaram os estudos.
“Recado” à gestão autárquica
Segundo o director do mestrado, Tomaz Dentinho, “é preciso olhar a água como um todo” e não cometer o erro de encarar a sua gestão com uma “lógica de engenharia” somente ao nível da captação e distribuição da mesma.
Para o responsável, o livro representa “um bom recado” para a forma como os gestores públicos, como as autarquias, têm lidado com a gestão da água, relembrando os recentes problemas de falta de água verificado na ilha Terceira e não só.
Segundo o investigador, é preciso criar uma “função mais ecológica” na administração da água.
Como bem escasso, o problema da água resida da sua preservação, defende, de forma eficaz para o bem colectivo.
Tomaz Dentinho relembra, por exemplo, a conclusões da primeira tese do livro: “se mudarmos o uso do solo, e transformarmos uma zona de floresta e mato em pastagem haverá uma redução do caudal de água nessa zona”.
Cinco teses, cinco explicações
No estudo “Recursos hídricos e Património Natural em Territórios Insulares - Aplicação de uma metodologia de suporte ao ordenamento do sítio de interesse comunitário da zona do complexo central na ilha Terceira” os resultados demonstram que no interior da ilha, a passagem de uso do solo de pastagem para produção de leite para coberto natural representa um aumento de recursos hídricos de cerca de 30%.
Ou seja, comprova-se que a alteração, há muito implementada e em curso devido à pressão das explorações agropecuárias, do coberto vegetal actual em benefício do avanço da pastagem altera a quantidade de excedentes de água para a recarga aquífera insular.
A segunda tese, “Aplicação de um Modelo de Programação Linear às Lagoas dos Açores”, avaliou o impacto da actividade agro-pecuária na qualidade da água através da avaliação de 29 bacias hidrográficas de lagoas nas ilhas de São Miguel, Pico, Flores e Corvo e aponta para a aplicação de quota de leite, restrição de encabeçamento e alteração do uso do solo, concluindo que o cenário mais eficiente para a redução da carga de fósforo nas lagoas é a alteração do uso do solo.
Aqui, Tomaz Dentinho destaca a importância de a água deixar de ser pertença do Estado e passar a ser um bem gerido pelos proprietários dos solos, numa lógica de venda de água.
A optimização da recolha, tratamento e distribuição de água através da “Implementação de um sistema de indicadores de desempenho em serviços municipais de abastecimento de água”, com o estudo do caso de Loulé, é o tema da terceira tese que define um conjunto de ferramentas de forma a determinar o custo limite de reparação e manutenção, acima do qual o sistema não é rentável, dados os custos económicos, de saúde pública, ambientais e sociais.
Na quarta tese, foram avaliados os diferentes cenários possíveis para a gestão integrada das lamas resultantes dos processos de tratamento de águas residuais produzidas na ilha Terceira, estimando-se que o seu aproveitamento pode ser usado na valorização agrícola, bem como noutras soluções integradas, como a valorização energética, e na quinta tese conclui-se que existe vontade em pagar por um serviço de abastecimento de água público eficiente, tendo por base a realidade de Huambo.

Livros temáticos e mestrados além-ilhas
O grupo de trabalho de Gestão e Conservação da Natureza vai manter a publicação de livros temáticos nos próximos tempos.
Outra das actividades centra-se nos cursos de mestrado em gestão e conservação da natureza e de engenharia do ambiente em Angra do Heroísmo e Ponta Delgada via videoconferência.
Mais ambicioso é a preparação de semelhantes formações no Huambo e na Venezuela.

(In A UNião)

Etiquetas: , , , , , , , , , ,

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Financiamento actual do Ensino Superior

A diminuição do esforço financeiro do Governo no Ensino Superior “vai aumentar o fosso” entre as instituições nacionais e as congéneres europeias. O alerta foi dado pelo presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), à entrada para a reunião do Conselho de Reitores que decorreu no Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, em Angra do Heroísmo. Seabra Santos acrescentou que “estamos a distanciar-nos cada vez mais do nível europeu de desenvolvimento, aumentando o fosso da relação directa entre a população activa e o número de licenciados, mestres e doutorados, contrariando a tendência europeia”. O presidente do CRUP sublinhou que “o financiamento do Ensino Superior atravessa uma fase crítica” referindo que “não estamos a acompanhar o esforço concertado que a Europa, de uma forma geral, está a efectuar neste domínio”. Para além disso, explicou que “o financiamento transversal é negativo”, sendo necessário adoptar “uma fórmula por concurso”, respondendo as universidades a objectivos e metas específicas que “compete ao Governo definir e contratualizar”. Relativamente ao novo regime jurídico, Seabra Santos manifestou-se contra “a fragmentação do sistema”, alegando que a “adopção do modelo fundacional pertence a cada instituição”, ao qual o Conselho de Reitores nunca se opôs. O presidente do Conselho de Reitores acrescentou “ser prematuro quantificar quantas quererão seguir esse caminho” de passagem a fundação, mas admitiu que “uma ou outra possa segui-lo”. O novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior, aprovado pelo Parlamento em 2007, estabelece que "as instituições do ensino superior públicas são pessoas colectivas de direito público, podendo revestir também a forma de fundações públicas com regime de direito privado". As instituições universitárias portuguesas podem decidir até quinta-feira se pretendem, ou não, iniciar negociações para a sua transformação em fundações.
Novos mestrados
Arrancam no próximo dia 7 de Fevereiro os cursos de Mestrado em Gestão e Conservação da Natureza e em Engenharia do Ambiente, na Universidade dos Açores, no Departamento de Ciências Agrárias, em Angra do Heroísmo. Estes cursos de Mestrado, em que o primeiro conta já com a sua décima quinta edição e o segundo com a segunda edição, estão enquadrados pelo Protocolo de Bolonha e visam complementar a formação de licenciados, nomeadamente engenheiros, agrónomos, biólogos, planeadores, economistas, entre outros preparando os formandos para a abordagem de problemas de gestão e desenvolvimento sustentável dando resposta à necessidade crescente de recursos humanos nestes domínios.
Para efectuar a devida inscrição deverá enviar currículo e cópia do certificado de habilitações literárias para o Departamento de Ciências Agrárias, da Universidade dos Açores. Cada edição de mestrado será leccionada em horário pós-laboral, com o mínimo de 12 alunos, sendo que as propinas somam 2750 euros, na parte escolar e 500 euros, na dissertação. No que concerne ao calendário, prevêem-se três etapas, a começar pela parte curricular que decorre de 07 de Fevereiro a 19 de Julho de 2008, incluindo visita de estudo de 24 a 26 de Julho de 2008. Quanto à proposta de tese as datas situam-se entre 28 de Julho de 2008 a 28 de Janeiro de 2009. Em relação à tese as apresentações serão levadas a cabo de 29 de Janeiro de 2009 a 07 de Fevereiro de 2010.
São responsáveis pelo Mestrado de Gestão e Conservação da Natureza os docentes Tomaz Ponce Dentinho, Leonor Cancela, Eduardo Dias e Luís Fonseca. No que respeita ao Mestrado de Engenharia do Ambiente contam nomes como Félix Rodrigues, José Carlos Fontes, Alfredo Silveira Borba. Os cursos de Mestrado consistem numa organização da Universidade dos Açores, Departamento de Ciências Agrárias, Gabinete de Gestão e Conservação da Natureza e Universidade do Algarve.

(In A União)

Etiquetas: , , , , , , , , ,