sábado, janeiro 03, 2009

Principais notícias regionais de 2008

Janeiro
Lei do tabaco é bem recebida

O início do ano de 2008 fica marcado pela entrada em vigor da nova lei do tabaco. A maioria dos estabelecimentos de restauração e bebidas da Terceira adere ao regime de não fumador, com os clientes a encararem bem a mudança. No hospital de Angra do Heroísmo, as consultas de desabituação tabágica disparam.A entrada no novo ano é também acompanhada de um aumento dos preços de bens e serviços, como energia, farinha e transportes públicos. Em Janeiro, a Universidade dos Açores vê-se sob ameaça de gestão controlada por parte dos ministérios do Ensino Superior e das Finanças. O estabelecimento de ensino superior açoriano debate-se com um défice previsional de 4,4 milhões de euros para o ano que começa. Uma onda de assaltos varre várias freguesias da ilha Terceira, com o PSD a pedir a reactivação dos conselhos municipais de segurança e o CDS/PP a defender criação de polícias municipais.Ainda em Janeiro, é anunciada a existência de negociações entre Portugal e os EUA para a criação de uma zona de treino aéreo no Atlântico, com base nas Lajes. Carlos César reconfirma a sua candidatura à liderança do PS/Açores e prepara o programa eleitoral que colocará a sufrágio em Outubro. A fechar o mês de Janeiro, é inaugurado o Terminal de Combustíveis da Praia da Vitória.
Fevereiro
César reeleito paraa liderança do PS
O mês de Fevereiro arranca com as danças e bailinhos de Carnaval a animarem os salões terceirenses. Face ao clima de insegurança que se vive na Terceira, o Conselho de Ilha pede o reforço das acções de patrulhamento realizadas pela PSP.O SABCES-Açores ameaça interpor um processo cível contra o Estado português, caso não seja encontrada uma solução para o problema dos aumentos salariais na Base das Lajes.Carlos César vence com 99,6 por cento dos votos as primeiras eleições directas do PS/Açores. A CGTP propõe a criação de uma comissão açoriana que estude a Base das Lajes e garanta informação constante à Região num eventual processo de revisão do Acordo com os EUA. EUA e Portugal confirmam a vontade de Washington em usar as Lajes para o treino de aviões a Norte da Terceira. Os Açores assistem, no mês de Fevereiro, a um eclipse total da Lua. Ainda no segundo mês do ano, os sindicatos que representam os trabalhadores portugueses na Base das Lajes apertam o cerco a Portugal exigindo o cumprimento do Acordo Laboral naquela infra-estrutura militar. As estruturas sindicais confirmam que vão avançar para os tribunais, reivindicando aí que Portugal assuma a factura laboral, já que os EUA não cumprem.
Março
TAP e SATA sob averiguações
O início do mês de Março fica marcado pela decisão da Comissão Nacional de Protecção de Dados de proibir a TAP e a SATA de digitalizar os documentos pessoais dos passageiros residentes nos Açores e na Madeira. A TAP recorre da decisão e a Comissão Nacional de Protecção de Dados abre um processo de averiguações para apurar se as companhias aéreas mantêm essa prática.Dados divulgados no mês de Março revelam que Portugal registou em 2007 uma descida do rendimento agrícola de cinco por cento, contra um aumento de 5,4 por cento da média comunitária. A falta de formação é uma das causas apontadas.O PS apresenta no parlamento açoriano uma ante-proposta de lei que visa a criação de um regime especial das polícias municipais nos Açores e a existência de forças intermunicipais.Um Relatório da Autoridade Marítima Nacional conclui que o acidente do navio “Ilha Azul” na Graciosa, em Agosto de 2007, foi provocado pelo vento.O Comandante americano da Base das Lajes defende a reactivação de um grupo de representantes dos trabalhadores portugueses. Os sindicatos contestam, alegando “ilegalidade gravíssima”.No final do mês, o primeiro-ministro José Sócrates anuncia uma descida da taxa do IVA, que nos Açores passa de 15 para 14 por cento.
Abril
Água em risco de contaminação
O mês de Abril arranca com a aprovação unânime por parte da Assembleia da República da proposta açoriana para a revisão do Estatuto Político-Administrativo dos Açores, na generalidade. O documento baixa à Comissão dos Assuntos Constitucionais para o debate na especialidade.O PSD/Açores pede explicações à SATA e ao Governo Regional sobre os contornos do negócio com a Bombardier para a renovação da frota da transportadora açoriana, na sequência do recurso da ATR, preterida no concurso.Um temporal sentido a meados do mês de Abril provoca estragos no molhe do Porto Comercial da Praia da Vitória.Cota Rodrigues, professor da Universidade dos Açores, alerta para uma mancha de poluição no nível superficial do aquífero das Lajes, que terá sido provocada pelo derrame de combustível. A água consumida no concelho da Praia da Vitória pode estar em risco de contaminação por hidrocarbonetos. A autarquia praiense diz que vai estudar o assunto.Carlos César admite pela primeira vez liberalizar os céus dos Açores, no encerramento do XIII Congresso Regional do PS/Açores.No final do mês, as obras no porto da Graciosa obrigam ao encerramento da infra-estrutura a navios com mais de 60 metros, como é o caso do “Ilha Azul”.
Maio
Tomás de Borba Inaugurada

Maio é marcado pela inauguração da Escola EBS Tomás de Borba, em São Carlos. A escola é considerada uma das melhores do país e promete aliar o ensino regular ao artístico.Este é também o mês em que a nova presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Andreia Cardoso, apresenta o elenco camarário que a irá acompanhar ao longo do mandato. O escândalo da possível contaminação de solos e aquíferos na Praia da Vitória continua na ordem do dia. A um de Maio, DI avança que o aquífero de base da Terceira já foi atingido por hidrocarbonetos e metais pesados na zona da Praia da Vitória e que há grandes áreas de terrenos também contaminados.Este caso teve repercussão em vários órgãos de comunicação social nacional.Depois de este jornal ter apresentado a confirmação de que esta contaminação já existia desde, pelo menos, 1995 e ter avançado dois documentos norte-americanos que a provavam, o presidente do Governo Regional, Carlos César, veio a público garantir que os “responsáveis serão punidos”.A torrente de notícias sobre o caso não deixou de provocar polémica. O general Luís Araújo, responsável máximo pela Força Aérea, veio à Terceira estranhar o tempo e a motivação na divulgação da provável contaminação.
Junho
Patrimónioem festa e debate

Há entrevistas que marcam a opinião pública. É o caso da concedida pelo filósofo Mário Cabral a DI, a encerrar o mês de Junho. Mário Cabral confessava que nada lhe parece verdadeiro em Angra, que mais não é do que “um cenário de bonecas”.“Angra fazia bem em conhecer-se a si própria e, deste modo, continuar aquilo que é a sua essência, em vez de estar a fingir tolamente ser uma cidade contemporânea. O êxtase parolo com que as pessoas referem a hora de ponta (...) Procurar fazer de Angra uma Lisboa em miniatura é kitch. Ninguém minimamente elaborado vem procurar metrópole na província”, afirmou o filósofo, avançando ainda que vê “as elites responsáveis divertirem-se com vulgaridades”.No ano em que se comemora os 25 anos da classificação de Angra do Heroísmo como Património Mundial da Humanidade, a cidade recebeu não só o debate sobre a matéria, mas ainda umas festas Sanjoaninas dedicadas a este tema.Por Angra, multiplicaram-se os restaurantes e actuações vindos de várias cidades portuguesas Património Mundial.Junho é ainda o mês em que a nova presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Andreia Cardoso, apresenta os objectivos para o seu mandato. Um terminal de cruzeiros para a cidade é uma das promessas.
Julho
Lusitânia bate no fundo
Após um longo arrastamento, a crise no Lusitânia atinge um dos seus pontos mais negros, com o dirigente João Orlando Rebelo a admitir, em declarações exclusivas a DI, que “existe o sério risco de o clube não participar na Série Açores de futebol e nas competições nacionais de basquetebol”.Na altura já era público um passivo de cinco milhões de euros, sem soluções à vista. O clube depositava esperança na direcção regional do Turismo disponibilizar as verbas pela utilização da palavra Açores na época finda e no possível êxito de negociações com o Banco Português de Gestão (BPG).A 21 surgiam informações de que o Lusitânia devia ver desbloqueada em pouco tempo, por parte do Governo Regional, a transferência de 400 mil euros, o que viabilizaria a época desportiva de 2008/2009.O certo é que o clube acabaria mesmo por não competir nas competições nacionais de basquetebol.O final do mês é marcado pelo chumbo do Tribunal constitucional a oito normas do Estatuto Político Administrativo dos Açores, obrigando o documento a regressar à Assembleia da República.Impulsionada pela falta de concorrência, a subida do preço dos bens alimentares na Região, a mais alta do país, revela que a crise está a ganhar contornos cada vez mais pesados no arquipélago.
Agosto
Falta de água atinge Angra

Agosto é o mês em que a falta de água começa a atingir o concelho de Angra do Heroísmo, com o inicio do plano de cortes diários em 17 freguesias. Quando anunciou o plano de cortes, a presidente dos Serviços Municipalizados, Sofia Couto, justificou a escassez de água com a falta de chuva, que não cairia abundantemente na ilha desde Junho. Os caudais de água no concelho estavam na altura entre cerca de 15 a 29 por cento do seu máximo de captação. Poucos dias depois do anúncio do inicio do plano de cortes, o PSD de Angra do Heroísmo acusou os serviços municipalizados de falta de investimentos na rede de água, alegando desperdícios e cortes no abastecimento público, críticas que a câmara recusou.Para além dos cortes que prejudicavam a população, também a lavoura se afligia com a situação. No final de Agosto, a Associação Agrícola da Ilha Terceira avançava estar preocupada com a possibilidade de a água se esgotar na Lagoa do Cabrito, quando as previsões não apontavam para chuva.Este foi ainda o mês em que a Praia da Vitória recebeu, em festa, as “Sete Maravilhas de Portugal”. Ficou também marcado pela subida do crime violento nos Açores, sobretudo em contexto familiar, conforme alertava o sociólogo da PSP, Alberto Peixoto.
Setembro
Economia paralela AFECTA EMPRESAS
Com a crise mundial a ecoar pelo mundo, a Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo veio a terreiro, ameados de Setembro, denunciar algo comentado em surdina: a economia paralela estava a afectar, consideravelmente, as empresas açorianas. Segundo a mesma fonte, os negócios para lá da lei já representavam 40 por cento do Produto Interno Bruto regional.O mês começara com a conclusão do relatório da Assembleia Regional sobre o impacto da Base das Lajes na economia açoriana. O documento defendia que os custos pela presença americana na Terceira deviam ser assumidos por Lisboa.Isto quando a falta de água continuava a afectar os angrenses. No meio dessa polémica, que se arrastou por vários meses, vários especialistas defendiam a gestão integrada desse recurso na ilha, actualmente dividida por cinco entidades. O IROA, entretanto, anunciava investimentos para garantir água à Lavoura em 2009.A 12 de Setembro, quantro helicópteros Puma regressavam às Lajes, para safar os EH-101 Merlin, a braços com falta de manutenção.Na recta final do ano, o Governo Regional anunciou a classificação da vasta colecção de arte de Francisco Oliveira Martins e a Assembleia da República, por unanimidade, aprovava uma nova revisão do Estatuto dos Açores, entretanto vetado por Belém.
Outubro
César renova MAIORIA ABSOLUTA
Outubro ficou marcado pelas eleições regionais, que garantiram a Carlos César a reeleição para a Presidência do Governo (o seu quarto e último mandato) e ao PS nova maioria absoluta na Assembleia Legislativa dos Açores.As eleições ocorreram a 19, com o PSD a ficar sem líder: Costa Neves aceitou a derrota e abandonou a liderança do partido e, dias depois, confirmou deixar o parlamento regional.No final do mês, os social-democratas açorianas viram Berta Cabral anunciar a sua candidatura à presidência do PSD/Açores, que veio a ganhar no início de Dezembro.No final de Outubro é anunciado pelo Presidente da República o segundo veto - desta vez, político - ao Estatuto Político-Administrativo dos Açores.Cavaco Silva acusava o documento de atentar contra os seus poderes. Na resposta, César criticou o “dramatismo” do chefe de Estado.O início do mês ficou marcado pelo aviso do presidente da Câmara Municipal da Calheta para o risco de derrocada nas fajãs de São Jorge e pela confirmação de que duas mil empresas açorianas tinham ordenados em atraso, o que mostrava que a crise mundial estava nas ilhas.O Governo Regional, entretanto, anunciava, a meio do mês, que o Orçamento de Estado era simpático para com a Região.
Novembro
Bens do Estado A RUIR OU À VENDA
O mês de Novembro começou com o líder parlamentar do PSD na Assembleia da República a ameaçar o Estatuto dos Açores com um pedido de fiscalização sucessiva do artigo 114º, um dos dois contestados pelo Presidente da República.Dias depois, o ex-presidente do Governo Regional e deputado do PSD no parlamento, Mota Amaral, defendia publicamente uma aliança entre a Madeira e os Açores pelo aprofundamento constitucional da Autonomia.A 04, os Estaleiros de Viana do Castelo confirmavam que o projecto de um dos navios encomendados pela Região tinha defeitos e que a conclusão da embarcação ia atrasar.Na segunda semana de Novembro, a muralha do Castelinho voltada à baía das Águas ruiu, demonstrando a falta de conservação a que estão votados vários bens do Estado na Região. Dias depois, o Ministério da Defesa anunciou a lista de património disponível para venda ou alienação. Nela destacava-se o hospital da Boa Nova, há muito reivindicado pela Região.Nessa semana, o X Governo Regional tomou posse, assim como os deputados na Assembleia Legislativa dos Açores.No final do mês, vários especialistas da Universidade dos Açores, num colóquio no pólo no Pico da Urze, garantiram que a chuva caiu nas quantidades normais na ilha Terceira durante 2008.
Dezembro
Estatuto avançano meio de críticas

Dezembro terminou com a promulgação do Estatuto Político-Administrativo dos Açores pelo Presidente da República.Numa mensagem ao País, Cavaco Silva anunciava a assinatura do documento, mas endereçava duras críticas à Assembleia da República.Esta, a 19, confirmara o documento pela 3ª vez, sem atender aos apelos do chefe de Estado.O mês, na Região, começou com o presidente do Governo Regional, Carlos César, a anunciar menor pressão fiscal sobre os açorianos em 2009, assim como um pacote de medidas para ajudar as empresas insulares a enfrentarem a crise financeira.Em paralelo, o chefe do executivo açoriano foi enviando recados à líder do maior partido da oposição.Berta Cabral, a 16, venceu as eleições internas no PSD/Açores e anunciou que pretende abrir o partido à população. Pelo meio, foi garantindo - em resposta a César - que para ela os Açores estão primeiro.Por essa altura, a Assembleia Municipal de Angra aceitou o Orçamento da autarquia para 2009, com o abastecimento de água no concelho a merecer a maior fatia de verbas.No final do mês, o presidente da Associação Agrícola da Ilha Terceira, Paulo Simões, veio a terreiro avisar que mais descidas no preço do leite punham em risco várias explorações na ilha.

(In Diário Insular)

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segunda-feira, dezembro 15, 2008

Até que os desvinculados se revoltem"

Tomaz Dentinho


A situação económica em Portugal já era grave antes da crise económica e financeira internacional. No entanto, como o combate à crise está a passar pelo aumento dos gastos públicos para salvar bancos e governos, corremos o sério risco de não enfrentar as causas da crise portuguesa e da crise internacional e acabarmos por ficar bastante pior do que poderíamos vir a estar se a verdade fosse perscrutada e enfrentada.
A crise económica portuguesa tem a ver com a falta de produtividade do Estado e com a incapacidade de muitos empresários competirem no mercado global da Europa, da América, da Índia e da China. A crise económica e financeira global é devida ao aumento do preço dos combustíveis que arruinou o sector imobiliário e o sector automóvel, com a crença na economia da sociedade de informação desligada do filtro criterioso e responsabilizável de cada pessoa, e com a falta de regulação coordenada dos preços dos bens e serviços, dos preços do capital e dos preços dos bens imobiliários.
A resolução da crise internacional passa pela criação de cidades mais eficientes, interligadas e concentradas em cada pólo, como já estão a fazer os Holandeses com a ligação por metro entre as principais cidades, aliás como deveriam fazer em Los Angeles, Chicago, Luanda, Grande Lisboa ou Grande Porto, tornando o transporte público efectivamente concorrencial com o transporte privado. Passa também por uma nova regulação das finanças internacionais e certamente, por uma maior regulação interna a cada empresa, se necessário criando mercados internos que responsabilizem cada decisor.
A resolução da crise em Portugal tem de acrescentar àquelas medidas as que têm a ver com a falta de produtividade do Estado e das empresas públicas e a incapacidade dos empresários portugueses em competirem nos mercados globais.
A falta de produtividade do Estado está relacionada com a multidão de trabalhadores – exploradores que nos legaram trinta e tal anos de governos do Bloco Central. São os funcionários das empresas públicas e semi-públicas às quais foram concedidos monopólios como é o caso da TAP, da SATA, da EDP, da EDA e das muitas empresas municipais e nacionais que se foram criando para satisfazer as clientelas laranja e cor-de-rosa. São os funcionários públicos com vínculo laboral nomeadamente aqueles que tem mais capacidade de reivindicação como os profissionais da educação e da saúde. São, finalmente, os ex-políticos que vão recebendo as pensões vitalícias dos tempos de submissão que passaram por parlamentos e gabinetes. São trabalhadores – exploradores porque literalmente exploram todos os outros cidadãos. Na verdade não é nenhuma entidade capitalista que lucra com as concessões monopolísticas desajustadas; quem lucra com as concessões monopolistas são quase sempre os trabalhadores – exploradores que aí são vinculados: - são os funcionários vinculados da TAP, da SATA, da EDP, da EDA que impedem medidas de boa gestão ameaçando greves, são eles também que se opõem à reestruturação do sector e da empresa, são finalmente eles que pouco fazem para defender as centenas e milhares de tarefeiros que são facilmente despedidos embora possam produzir mais. São os funcionários vinculados das empresas municipais que dificultam uma melhor gestão da água, do saneamento básico e dos resíduos sólidos. São os muitos vinculados da função pública que impedem uma gestão eficiente da educação e da saúde ao mesmo tempo que não se importam com o desemprego dos muitos especialistas que ficam incapazes de exercer a sua profissão.
O drama é que os trabalhadores – exploradores têm muitos votos. Até que os desvinculados se revoltem como já está a acontecer na Grécia.
(In A União)

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sábado, novembro 15, 2008

Açorianos continuam descontentes com transportes aéreos

A disponibilidade de voos, o preço excessivo e a descrepância do serviço prestado pelas companhias dentro e fora da região são as principais queixas dos habitantes.
A SATA e a TAP anunciaram recentemente tarifas promocionais para residentes, nos voos entre os Açores e Lisboa e entre o arquipélago e a Madeira. 10% dos lugares serão vendido a metade do preço que é praticado actualmente.
A medida não foi suficiente para calar o descontentamento de passageiros e associações de turismo. Queixam-se da baixa percentagem de passagens promocionais e dos preços praticados dentro da região. A revolta acentua-se quando comparam os preços aplicados pela SATA fora dos Açores. Sem a tarifa promocional, os açorianos pagam 291 euros para se deslocarem a Lisboa. Com o mesmo dinheiro, e na mesma companhia, um habitante de São Miguel pode chegar a Manchester e atravessar o dobro das milhas.
Já a TAP cobra metade do custo de uma passagem Açores-Lisboa, igualmente 291 euros, num voo da capital portuguesa à espanhola.
Se os açorianos se queixam, os madeirenses pelo contrário têm razões para estarem satisfeitos com a SATA. A companhia cobra, por exemplo, mais dinheiro por um voo entre Terceira e São Miguel do que por um entre Funchal e Gran Canaria. São 171 euros entre as ilhas açorianas e 138 na viagem em comparação, que por sinal é mais longa.
O mesmo se regista dentro dos arquipélagos. Um voo entre Funchal e Porto Santo custa 76 euros. Da Terceira para a Graciosa, com a mesma distância, a viagem fica por 107 euros. Os valores distanciam-se ainda mais quando olhamos para as tarifas sem taxa. Na Madeira fica por 20 euros, entre as duas ilhas açorianas são 82 euros.

Turismo interno prejudicado pelos preços das deslocações

No que respeita a desigualdades, são os habitantes das ilhas mais pequenas que têm mais motivos para se queixarem. Quem vive no Pico, por exemplo, chega a precisar de 48 horas para chegar a Bruxelas. É que na maior parte das vezes tem de pernoitar na Terceira para chegar a Lisboa e só depois apanhar o voo para o destino final.
A disponibilidade dos voos é o maior problema das ilhas menos povoadas e os casos caricatos aparecem mesmo nas ligações dentro do arquipélago. Um habitante do Pico que queira chegar à ilha vizinha de São Jorge, precisa muitas vezes de passar primeiro pela Terceira e em muitos casos, é obrigado a permanecer durante a noite na ilha de escala. Aos 139 euros da passagem, juntam-se ainda os custos do alojamento e dos transportes.
Também é complicado viajar entre as Flores a Terceira. Na maior parte dos dias da semana não há voo directo e as alternativas são dispendiosas. Uma das hipóteses é fazer escala no Faial, mas em muitos casos é obrigatório pernoitar. Quem não quiser gastar dinheiro com estadia arrisca-se a pagar dois voos. Primeiro vai até Ponta Delgada e de lá segue para as Lajes. Só que neste último caso uma ida à Terceira fica em 254 euros.

Razões que segundo a Associação Regional de Turismo explicam a fraca adesão ao turismo interno. Liberalização: a melhor opção?

Cada vez mais a liberalização do espaço aéreo aparece com uma solução para a diminuição dos preços das viagens. No entanto, a medida é polémica, porque envolve certos riscos.
Tomaz Dentinho, professor de economia no Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, aponta como solução ideal a liberalização parcial. A ideia é liberalizar apenas as rotas das três ilhas mais habitadas para o continente e estrangeiro e garantir o serviço público nas restantes ilhas.
A Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo também vê vantagens na liberalização parcial do espaço aéreo. Ainda assim, Sandro Paim alerta para a probabilidade da opção provocar desequilíbrio entre as ilhas e acrescenta que para evitar este desfecho o governo teria de adoptar outro mecanismo de equiparação de passagens.
(In Nuno Neves e Francisco Sayal, RTP-RDP Açores)

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sexta-feira, novembro 14, 2008

Tomaz Dentinho propõe liberalização do espaço aéreo açoriano

Cada vez mais se aponta a liberalização do espaço aéreo como a solução mais viável nas passagens para fora dos Açores. Tomaz Dentinho, professor de economia no Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, defenda uma liberalização parcial para evitar que as ilhas mais pequenas saiam prejudicadas.

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segunda-feira, outubro 27, 2008

Apoio a eventos científicos

No âmbito das relações estabelecidas entre a Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa (FEUNL) e o meio empresarial, o Grupo SATA orgulha-se de ter proporcionado aos alunos dos Masters Programs daquela instituição a possibilidade de realizar um estágio e desenvolver o seu trabalho de projecto no seio das suas empresas.
Na sequência deste protocolo estabelecido entre o grupo de transporte aéreo Açoreano, Grupo SATA e a Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, António Gomes de Menezes, Presidente do Conselho de Administração e José Gamboa, Director de Handling da SATA Air Açores, integraram o Comité Académico dos Masters Programs, na qualidade de ‘professores especializados na área do trabalho de projecto’.

Importância da formação

Considerando que o intercâmbio entre empresas e instituições de ensino é benéfico e deve ser incentivado, é com especial satisfação que o Grupo SATA passou não apenas a avaliar os trabalhos de fim de curso, em áreas especializadas, como integra o conjunto de empresas que disponibilizaram os recursos necessários, à troca de experiência e conhecimentos entre meio académico e empresarial, colaborando de forma activa na definição de projectos com temáticas específicas.
No ano lectivo 2007/2008 a Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa contou com um total de dezassete trabalhos de projecto realizados através de programas de estágios em diversas empresas e instituições.
No painel de empresas e instituições que se uniram ao programa de estágios figuram grandes empresas nacionais. Podendo-se destacar a ‘ANACOM’, ‘ATRIUM’, ‘BBDO’, ‘BPI’, ‘BRANDSTORM’, ‘DELOITTE’, ‘ERSE’, ‘GALP’, ‘GEE´, ‘IAPMEI’, ‘IZY’, ‘SATA’ e ‘SONAECOM’.
De salientar ainda que a Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa foi escolhida pela ‘Community of European Business Schools and International Companies’ como a única escola portuguesa apta a oferecer um ‘Master in International Management’ (MIM) classificado como nº 2 no ranking pré experiência pelo ‘Financial Times’.

Apostas em parcerias académicas

De referir também que, no âmbito de iniciativas promovidas pelo Grupo SATA, para estreitar a sua relação com o meio académico, foram estabelecidos protocolos com a Universidade dos Açores, em Fevereiro passado, e com a Universidade da Madeira, em Abril deste ano, no sentido de apoiar a promoção de eventos de interesse académico e científico.

(In A União)

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sábado, dezembro 22, 2007

Gases Poluentes

A maioria dos políticos portugueses consideram uma grande vitória a aceitação por parte da União Europeia do não pagamento das licenças de emissão de gases poluentes para os voos para os Açores que cumpram obrigações de serviço público. É um engano.
O engano é pensar que o não pagamento dessas licenças tem vantagens para os açorianos e consequentemente para a reeleição dos políticos. Não é assim. Na verdade o regulamento que atribui a isenção de pagamento de licenças ao serviço público não é possível de implementar sem a manutenção da concessão de monopólios de transporte. E todos já aprendemos à nossa custa que a concessão de monopólios de transporte conduz a tarifas mais elevadas do que aquelas que resultariam se houvesse concorrência, mesmo se os voos praticados em concorrência fossem obrigados ao pagamento de licenças. Verificamos assim que a isenção de pagamento de licenças de gases poluentes não é um benefício mas um malefício pois cristaliza um sistema que está a prejudicar o desenvolvimento dos Açores há alguns anos, ainda por cima com o argumento maquiavélico de que está a promover o crescimento de economias periféricas. É difícil imaginar maior aldrabice: roubar aos pobres dizendo que os estamos a ajudar.
Mas o mal não termina aí. Na verdade a existência de licenças de poluição transaccionáveis vai ter dois resultados aos quais os açorianos não vão ter acesso. Por um lado não vamos ter acesso a aviões menos poluidores e mais modernos. De facto o que irá acontecer é que os aviões mais poluidores serão transferidos para as rotas dos Açores uma vez que aqui não pagam licença e ganham a renda monopolista, enquanto que os aviões menos poluidores e mais modernos serão utilizados nas rotas mais concorrenciais. Por outro lado perderemos a vantagem de publicidade quando os que nos visitam souberem e verificarem a enorme poluição que os açorianos estão a causar com transportes que, apesar de terem preços altíssimos, são subsidiados, não pagam licenças e provocam muito mais poluição do que os outros.
A culpa desta acção é tanto do Governo como da Oposição. O Ministro do Ambiente, que deveria estar preocupado com aquilo para que foi nomeado, vangloria-se em os Açores terem a possibilidade de poluírem um pouco mais com a concentração nessas rotas de aviões velhos e poluidores. O problema é que esquecem-se todas as consequências daquilo que defenderem pensando que os açorianos também as esquecem. O resultado da sua política é a manutenção das tarifas altas de monopólios concessionados, a cristalização desses monopólios prejudiciais para os Açores, a atracção de aviões obsoletos e poluidores para as rotas das Ilhas, e a criação de uma péssima imagem para uma Região que se diz ser ambientalmente diferenciada.
O problema das políticas regionais é que partem de princípios errados que são cumulativos nos erros de política que criam. O serviço público de transporte para os Açores é traduzível em transporte barato, seguro e frequente. Se esse serviço é melhor provido por um mercado livre de rotas aéreas mesmo quando pagam as taxas de poluição, porque razão se há-de continuar a defender a concessão de monopólios agora mais cristalizados com a isenção de licenças poluidoras?
Só consigo admitir três razões. A primeira é uma teimosia ideológica e nefasta que assume que só é possível alcançar o bem comum com empresas públicas. A segunda razão é admitir que a igualdade nas tarifas para todas as ilhas resulta em maior bem-estar para as ilhas mais remotas; o que é falso pois os preços únicos e iguais são mais altos e concentram os lucros nos monopólios concessionados. A terceira razão é gostarem de gerir empresas grandes e ineficientes.

(Prof. Tomáz Dentinho In A União)

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sábado, setembro 01, 2007

Transportes ineficazes nos Açores são opção legítma do Governo

O Professor Tomaz Dentinho do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, especialista em Desenvolvimento Regional, afirma ao Diário Insular que "os açorianos e o seu governo têm a liberdade de escolha para não serem desenvolvidos".
Diário Insular (DI)- O acidente com o "Ilha Azul" na Graciosa reabriu a discussão sobre o modelo de transportes marítimos nos Açores. Há quem defenda que os portos devem ter dois pontos de atracagem, para precaver a paralisação de uma embarcação, e que só deve haver duas portas de entrada/saída, sendo a carga distribuída por pequenas embarcações de tráfego inter-Ilhas. Tem opinião neste debate?
Tomaz Dentinho (TD)- Não sei das questões técnicas de embarque e desembarque. Nem creio que os responsáveis pela política marítima consigam defini-la para todos os portos dos Açores. Essa decisão cabe aos armadores que operam no mercado e que escolhem as melhores embarcações tendo em atenção os benefícios líquidos e os riscos. O que deveria ser feito era um concurso aberto para todas as rotas; certamente que as empresas já estabelecidas poderiam concorrer com responsabilidade e seria mais fácil entrarem novas empresas.
DI- Querer que a carga chegue a todas as ilhas em contentor é uma necessidade, uma teimosia, Um luxo....ou haverá por detrás disso qualquer intenção inconfessável?
TD- A política de igualdade entre ilhas responde ao objectivo da equidade e de alguma estabilidade, mas minaos objectivos da eficiência e do desenvolvimento. A opção entre equidade e eficiência ou entre a estabilidade e o desenvolvimento é dos açorianos e do seu governo. Não é possível ter tudo. Com a actual solução de igualdade, os preços são mais caros e as empresas açorianas perdem face às de fora. Com a liberalização as ilhas pequenas teriam preços semelhantes ou um pouco mais altos, mas as empresas como a Graciosense, o Augusto das Flores, a Transmaçor de São Jorge ou a Pareceres de Santa Maria começariam a pensar em rotas externas e intergrupos.
DI- Os custos do transporte marítimo de mercadorias entre os Açores e o continente são um escândalo ou uma inevitabilidade?
TD- Os preços em si são um escândalo e só são uma inevitabilidade porque o governo e os açorianos que o apoiam, se recusam a estudar políticas que promovam a eficiência e o desenvolvimento sem pôr em causa, necessáriamente, a equidade existente e a estabilidade.
DI- Justifica-se a liberalização de todo o transporte marítimo quer de passageiros ou cargas, entre as ilhas e nas ligações com o exterior?
TD-Em teoria e na prática, a liberalização dos transportes marítimos e aéreos é um bem. Mas os açorianos e o seu governo têm a liberdade de escolha para não serem desenvolvidos e eficientes. O que não podem querer é ser eficientes e desenvolvidos com políticas que o impedem manifestamente.
(In Diário Insular)

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