domingo, dezembro 07, 2008

Transporte Aéreo - explorar conterrâneos ou competir com o mundo

Tomaz Dentinho.

A estratégia das empresas com concessões monopolistas no transporte aéreo em Portugal é explorar os portugueses com tarifas aéreas e taxas aeroportuárias significativamente mais elevadas do que as que se verificam em mercados concorrenciais.
A estratégia das empresas similares em Espanha é competirem no mundo com tarifas e taxas baixas mesmo quando estas são sub-repticiamente apoiadas pelo estado espanhol. Na verdade, a comparação entre as tarifas aéreas e taxas aeroportuárias portuguesas e espanholas permite concluir que em Portugal são sistematicamente mais elevadas tornando as rotas espanholas efectivamente mais competitivas que as rotas que passam por Portugal.
Isto para além de haver um custo extra para os residentes que queiram utilizar o transporte aéreo pois têm de suportar as ineficiências de gestão nos aeroportos e nas companhias aéreas monopolistas. Tudo isto porque os Governos da Região Autónoma dos Açores e de Portugal entendem que a política aérea se faz pela gestão de empresas, estatais ou privatizadas com antigos membros do governo, a quem se concedem monopólios e não pela regulação de mercados procurando assegurar a concorrência e a eficiência.
Esta foi uma das lições que aprendi no workshop que decorreu no Instituto Superior Técnico na passada sexta-feira por iniciativa da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional (APDR) e do Grupo de Transportes.
Ainda sobre regulação consequente de companhias aéreas e de aeroportos o bom exemplo parece vir da Madeira onde se percebeu que não bastava a liberalização dos transportes aéreos mantendo as práticas monopolistas das empresas gestoras de aeroportos e se adoptou uma estratégia negocial com as empresas low-cost para que pudessem voar para aquele arquipélago reduzindo as tarifas aéreas e aumentando o fluxo de tráfego.
Na verdade, como também pudemos perceber pelo testemunho dos madeirenses no workshop, de pouco serviu o aumento da pista conseguido por volta do ano 2000, pois o tráfego não aumenta pelo crescimento da pista mas sim pela redução das tarifas aéreas e taxas aeroportuárias.
O workshop abordou outros temas como low costs, taxas e organização de aeroportos. O impacto das low-cost na alteração do mapa aeroportuário Europeu consubstancia-se na substituição dos voos charter por voos low-cost, na redução da sazonalidade turística e na potenciação das segundas residências no sul da Europa. Sobre taxas provou-se, como acima é dito, que as taxas aeroportuárias portuguesas são sempre mais caras que as espanholas e que isso é permitido pela intervenção activa dos governos que objectivamente nos exploram. Sobre a organização de aeroportos defendeu-se que não basta construir as pistas e as aerogares mas que é necessário atender às acessibilidades complementares, ao ordenamento estratégico, participado e flexível do espaço e, manifestamente, ao sistema de regulação dos aeroportos e das companhias aéreas.
Neste sentido vale a pena reflectir se a rede de transportes aéreos deve ser desenhada centralmente, como até agora, ou pode resultar da iniciativa de cada cidade ou ilha na sua tentativa de se ligar ao exterior para promoção da sua competitividade e desenvolvimento.
Uma coisa é certa: um Aeroporto na Região Centro não se justifica numa óptica nacional se forem criadas acessibilidades rodo - ferroviárias mas pode-se justificar numa óptica regional se os vários interessados em Coimbra, Figueira, Leiria, e Fátima assim quiserem investigar e, eventualmente, investir. Igualmente, o alargamento do aeroporto do Pico ou do Faial pode não fazer sentido na perspectiva do Governo de São Miguel mas fazer todo o sentido na estratégia de desenvolvimento turístico destas ilhas. Para isso o paradigma do planeamento centralizado tem de ser mudado para um sistema em que os aeroportos e as suas ilhas competem entre si para melhorar a eficiência de todos e o desenvolvimento das pessoas em todos os sítios.

(In A União)

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sábado, novembro 15, 2008

Açorianos continuam descontentes com transportes aéreos

A disponibilidade de voos, o preço excessivo e a descrepância do serviço prestado pelas companhias dentro e fora da região são as principais queixas dos habitantes.
A SATA e a TAP anunciaram recentemente tarifas promocionais para residentes, nos voos entre os Açores e Lisboa e entre o arquipélago e a Madeira. 10% dos lugares serão vendido a metade do preço que é praticado actualmente.
A medida não foi suficiente para calar o descontentamento de passageiros e associações de turismo. Queixam-se da baixa percentagem de passagens promocionais e dos preços praticados dentro da região. A revolta acentua-se quando comparam os preços aplicados pela SATA fora dos Açores. Sem a tarifa promocional, os açorianos pagam 291 euros para se deslocarem a Lisboa. Com o mesmo dinheiro, e na mesma companhia, um habitante de São Miguel pode chegar a Manchester e atravessar o dobro das milhas.
Já a TAP cobra metade do custo de uma passagem Açores-Lisboa, igualmente 291 euros, num voo da capital portuguesa à espanhola.
Se os açorianos se queixam, os madeirenses pelo contrário têm razões para estarem satisfeitos com a SATA. A companhia cobra, por exemplo, mais dinheiro por um voo entre Terceira e São Miguel do que por um entre Funchal e Gran Canaria. São 171 euros entre as ilhas açorianas e 138 na viagem em comparação, que por sinal é mais longa.
O mesmo se regista dentro dos arquipélagos. Um voo entre Funchal e Porto Santo custa 76 euros. Da Terceira para a Graciosa, com a mesma distância, a viagem fica por 107 euros. Os valores distanciam-se ainda mais quando olhamos para as tarifas sem taxa. Na Madeira fica por 20 euros, entre as duas ilhas açorianas são 82 euros.

Turismo interno prejudicado pelos preços das deslocações

No que respeita a desigualdades, são os habitantes das ilhas mais pequenas que têm mais motivos para se queixarem. Quem vive no Pico, por exemplo, chega a precisar de 48 horas para chegar a Bruxelas. É que na maior parte das vezes tem de pernoitar na Terceira para chegar a Lisboa e só depois apanhar o voo para o destino final.
A disponibilidade dos voos é o maior problema das ilhas menos povoadas e os casos caricatos aparecem mesmo nas ligações dentro do arquipélago. Um habitante do Pico que queira chegar à ilha vizinha de São Jorge, precisa muitas vezes de passar primeiro pela Terceira e em muitos casos, é obrigado a permanecer durante a noite na ilha de escala. Aos 139 euros da passagem, juntam-se ainda os custos do alojamento e dos transportes.
Também é complicado viajar entre as Flores a Terceira. Na maior parte dos dias da semana não há voo directo e as alternativas são dispendiosas. Uma das hipóteses é fazer escala no Faial, mas em muitos casos é obrigatório pernoitar. Quem não quiser gastar dinheiro com estadia arrisca-se a pagar dois voos. Primeiro vai até Ponta Delgada e de lá segue para as Lajes. Só que neste último caso uma ida à Terceira fica em 254 euros.

Razões que segundo a Associação Regional de Turismo explicam a fraca adesão ao turismo interno. Liberalização: a melhor opção?

Cada vez mais a liberalização do espaço aéreo aparece com uma solução para a diminuição dos preços das viagens. No entanto, a medida é polémica, porque envolve certos riscos.
Tomaz Dentinho, professor de economia no Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, aponta como solução ideal a liberalização parcial. A ideia é liberalizar apenas as rotas das três ilhas mais habitadas para o continente e estrangeiro e garantir o serviço público nas restantes ilhas.
A Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo também vê vantagens na liberalização parcial do espaço aéreo. Ainda assim, Sandro Paim alerta para a probabilidade da opção provocar desequilíbrio entre as ilhas e acrescenta que para evitar este desfecho o governo teria de adoptar outro mecanismo de equiparação de passagens.
(In Nuno Neves e Francisco Sayal, RTP-RDP Açores)

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sexta-feira, novembro 14, 2008

Tomaz Dentinho propõe liberalização do espaço aéreo açoriano

Cada vez mais se aponta a liberalização do espaço aéreo como a solução mais viável nas passagens para fora dos Açores. Tomaz Dentinho, professor de economia no Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, defenda uma liberalização parcial para evitar que as ilhas mais pequenas saiam prejudicadas.

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Workshop analisa impacto dos aeroportos no desenvolvimento regional

O workshop decorrerá no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, a 28 de Novembro e conta com a palestra do professor Tomaz Dentinho, do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores.
A iniciativa é da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional, sendo que o workshop se intitula “O impacto dos aeroportos no desenvolvimento regional”.Um dos objectivos será analisar o impacto das companhias que voam em “low cost”, no desenvolvimento de aeroportos e das economias regionais. Os aeroportos complementam e estimulam processos sustentáveis de desenvolvimento, suscitando progressos rápidos. Essa particularidade torna-os importantes para o desenvolvimento dos Açores, ajudando a reduzir o efeito da insularidade. Contudo, será sempre necessário analisar os impactos ambientais, sociais, económicos e institucionais relevantes, para um desenvolvimento equilibrado.Numa altura em que se anunciam tarifas promocionais em voos para a Região, esta discussão ganha particular relevância. Assim, Tomaz Dentinho irá falar sobre o caso específico da Região dos Açores.

(In Jornal Diario)

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domingo, novembro 09, 2008

O Impacto dos Aeroportos no Desenvolvimento Regional - 1º Workshop APDR

Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional em associação com o Instituto Superior Técnico e o Grupo de Estudos em Transportes das Universidades Portuguesas pretende criar um momento para aprofundar esta reflexão sobre o impacto dos aeroportos no desenvolvimento regional. Para isso mobilizaram especialistas sobre o tema para apresentarem as questões mais relevantes do ponto de vista das infra-estruturas aeroportuárias, dos transportadores aéreos e do desenvolvimento regional; desafiaram os investigadores portugueses a apresentarem os seus trabalhos sobre aeroportos e desenvolvimento regional; e convidaram os comunicadores, os agentes, os políticos e o público a participarem nos trabalhos e no debate final do encontro.
Este Encontro realiza-se no dia 28 de Novembro de 2008, Sexta-feira, no Anfiteatro do Complexo Interdisciplinar do Instituto Superior Técnico, Lisboa.

Recorde-se que a APDR, presidida pelo Professor Tomaz Dentinho, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, tem a sua sede transferida temporariamente para Angra do Heroísmo.
Inscrições
Enviar e-mail para apdr@mail.telepac.pt com assunto "Inscrição – O Impacto dos Aeroportos no Desenvolvimento Regional" + nome, morada completa, contacto telefónico, n.º de contribuinte e instituição.
Preço de inscrição: 50 € (preço para estudantes: 10 €)
Pagamento: no local ou prévio.

Programa
08:30 – 09:30 Inscrições
09:30 – 11:00 Sessão Plenária

José Manuel Viegas (Instituto Superior Técnico) António Pais Antunes (Universidade de Coimbra) e António Menezes (SATA).
11:30 - 12:50 - 1º Sessão de Comunicações Livres: Impacto de Aeroportos no Desenvolvimento Regional. Presidente da Mesa: José Manuel Viegas
- Adriano Pimpão, António Correia e Manuel Tão - Integração de aeroportos e redes terrestres: a experiência europeia e potencial impacto em Portugal.

- Jorge Silva e Rosário Macário - Regional Airports and Local Development: are there any pitfalls?

- Regina Salvador - O NAL, o desenvolvimento regional e o ordenamento do território na península de Setúbal.

- João Craveiro, Margarida Rebelo, Marluci Menezes e Paulo Machado - Proximidade aeroportuária: contributos para uma leitura sócio-ecológica.
12:50 - 14:30 – Intervalo para almoço.
14:30 – 15:50 - 2ª Sessão de Comunicações Livres: Impacto das Low Costs no Desenvolvimento Regional. Presidente da Mesa: António Pais Antunes.
- Rosário Macário, José Manuel Viegas e Vasco Reis -Impacto da operação das low cost no desenvolvimento dos aeroportos e das economias regionais.

- Cláudia Almeida, Ana Maria Ferreira e Carlos Costa - A importância da operação das companhias áreas de baixo custo no desenvolvimento de segmentos de mercado turístico. O caso do turismo residencial no Algarve.

- Adriano Pimpão, Antónia Correia e Nuno Oliveira - The Impact of Low Cost Traffic on Algarve Tourism.

- Rui d’Orey - Portuguese airports charges (a benchmark exercise)
16:00 – 17:30 - 3ª Sessão de Comunicações Livres: Aeroportos e Desenvolvimento Regional. Presidente da Mesa: António Menezes.
- João Fernandes e Tomaz Dentinho - Impacto dos Aeroportos no Desenvolvimento Regional do Arquipélago dos Açores.

- Francisco Carballo-Cruz - Taxas ambientais sobre o tráfego aéreo baseadas na valoração de externalidades: o caso do Aeroporto da Portela.

- Amândio Antunes, António Costa e Fernando Gaspar - A importância dos Aeroportos no Desenvolvimento Regional.

- António Almeida - O papel do Aeroporto da Madeira na estratégia de desenvolvimento local: uma revisão de 7 anos de operação após o alargamento de 2001.
17:30 – 19:00 - Mesa Redonda sobre Aeroportos e Desenvolvimento Regional.
(In APDR)

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