Aposta em clusters de investigação, desenvolvimento e inovação para dinamizar economia do conhecimento
Segundo acrescentou, na Europa estão reconhecidos cerca de 2000 “clusters” em cujo dinamismo assenta o actual processo de renovação económica do velho continente, mas um recente parecer da Comissão Europeia refere que enquanto uns emergem outros estão a perder competitividade por não terem reunido à partida condições essenciais. A existência de recursos humanos qualificados, a verificação de factores regionais de diferenciação e a identificação de interesses empresariais específicos permitiram concluir que a Biotecnologia e a Biomedicina, entre outros, são domínios de excelência para alicerçar um importante vector económico na Região, referiu João Luís Gaspar. Para o director regional estão dados importantes passos para o êxito do projecto, nomeadamente a constituição do Instituto de Biotecnologia e Biomedicina dos Açores, que integra seis centros de investigação científica e envolve quer a Universidade dos Açores, quer entidades hospitalares, mas até à formação concreta do planeado cluster ainda há um difícil percurso a realizar. Neste contexto, é importante aprender com os que já trilharam idêntico caminho, cientes de que esses, apesar de concorrentes, são também os parceiros ideais para cooperar, pois num cluster as empresas não devem competir umas com as outras, mas sim complementar-se, considerou. Segundo acrescentou, o mesmo deve acontecer entre organizações de clusters para se optimizarem os recursos e potenciarem sinergias, pois assim se desenvolverão as regiões, os países e a Europa, no espírito que presidiu à Estratégia de Lisboa e documentos subsequentes. João Luís Gaspar afirmou, também, que no caso concreto dos Açores serão os jovens investigadores que se encontram em programas de formação avançada e outros que o Governo pretende recrutar num futuro próximo que consolidarão os objectivos agora traçados para o desenvolvimento da Biotecnologia e Biomedicina. Nos últimos anos o Governo atribuiu cerca de 50 bolsas de investigação científica em diversas áreas científicas e o objectivo recentemente fixado pelo presidente do Executivo, é o de se garantir um total de 800 investigadores no Sistema Científico e Tecnológico Regional até 2013. Além do Parque Tecnológico da Terceira, dirigido para as áreas da Biotecnologia e da Biomedicina, está em fase final de execução o projecto relativo ao Parque Tecnológico de S. Miguel, destinado ao desenvolvimento das Tecnologias de Informação, Comunicação e Monitorização que abrangerá actividades nos domínios da terra, do espaço e do mar através de uma rede de centros de excelência localizados em várias ilhas.Etiquetas: Biomedicina, Biotecnologia, Congresso, investigação, João Luis Gaspar

Entre as elementos operacionais do IBA figuram equipas de investigação dos centros de Biotecnologia dos Açores, de Investigação de Recursos Naturais, de Investigação em Tecnologias Agrárias e do IMAR/DOP, todos da Universidade dos Açores, além do Serviço Especializado de Epidemiologia e Biologia Molecular, do Hospital Espírito Santo de Angra do Heroísmo.Os projectos candidatados perfazem um investimento da ordem dos 600 mil euros, a conceder pelo Governo dos Açores ao longo de três anos, e abrangem áreas de grande interesse para o desenvolvimento sustentável da Região.A valorização dos produtos lácteos, a identificação de microrganismos com interesse biotecnológico para produtos açorianos, a análise dos factores de controlo de evolução dos embriões de bovinos, a avaliação do potencial biotecnológico de organismos marinhos, o estudo de patologias de elevada prevalência nos Açores e a caracterização genómica de doenças, designadamente do foro oncológico, são alguns dos temas a abordar nos projectos em causa.
Enquanto consórcio de I&D, o IBBA integra grupos de investigação do Serviço Especializado de Epidemiologia e Biologia Molecular do Hospital do Santo Espírito de Angra do Heroísmo, E.P.E.; da Unidade de Genética e Patologia Moleculares, do Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, E.P.E.; do Centro de Biotecnologia dos Açores, da Universidade dos Açores; do Centro Imar, da Universidade dos Açores; do Centro de Investigação e Recursos Naturais, da Universidade dos Açores e do Centro de Investigação e Tecnologias Agrárias, da Universidade dos Açores. São sócios fundadores do IBBA a Secretaria Regional da Educação e Ciência e a Secretaria Regional dos Assuntos Sociais e o Fundo Regional da Ciência e Tecnologia, da Região Autónoma dos Açores, as Entidades Públicas Empresariais «Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, E.P.E.» e o «Hospital do Santo Espírito de Angra do Heroísmo, E.P.E.» e a Universidade dos Açores.
Este projecto enquadra-se na estratégia do Executivo açoriano de consolidar o sistema científico e tecnológico regional em áreas de excelência para o desenvolvimento sustentável dos Açores, potenciando a sua integração no Espaço Europeu da Investigação. O Governo de Carlos César considera que a biotecnologia e a biomedicina são áreas científicas prioritárias para o desenvolvimento e que, nos Açores, encontram, especificidades diferenciadoras, evidenciando, por isso, potencialidades enquanto especialidades de investigação para as políticas públicas regionais e para a dinamização do sector empresarial.
No final de uma reunião de trabalho que juntou responsáveis de entidades interessadas no projecto, o director regional da Ciência e Tecnologia garantiu estarem “reunidas as condições necessárias para que o instituto se constitua no início de 2008”. Para tal, foi criada uma Comissão Científica que integra os responsáveis indicados por cada uma das unidades de investigação parceiras do projecto e que beneficiará de um financiamento da ordem dos 25 mil euros para dar continuidade à iniciativa através da integração de peritos de outras instituições externas à Região, indicou João Luís Gaspar. Segundo acrescentou, “a aposta do Executivo nesta matéria é extremamente clara e visa orientar a aplicação dos investimentos necessários à dinamização da Biotecnologia e da Biomedicina na Região. O Governo dos Açores pretende ter um único interlocutor que congregue os diferentes grupos de especialidade neste domínio, de modo a que se concertem as principais linhas de financiamento e se acompanhe a aplicação de um plano de investimentos específico através da medição rigorosa do impacte de todas as actividades realizadas.” “Trata-se de reunir numa mesma estrutura de gestão os melhores recursos existentes nos Açores, abrindo-se as portas a outros parceiros externos que possam contribuir para o desenvolvimento célere e devidamente organizado daqueles domínios científicos que, como se reconhece, apresentam um elevado potencial quer sob o ponto de vista económico, quer no que respeita à melhoria do bem-estar social dos cidadãos”, precisou.