domingo, fevereiro 01, 2009

A torre histórica de Angra do Heroísmo

Desempenhou um papel central na história da meteorologia dos Açores e fazia parte do património científico e arquitectónico da Região. A primeira torre de lançamento de balões meteorológicos dos Açores, que se encontrava junto do Observatório José Agostinho, em Angra do Heroísmo, foi demolida por decisão da direcção do Instituto de Meteorologia, em Lisboa. O professor da Universidade dos Açores (UA) e especialista em meteorologia, Eduardo Brito de Azevedo, já classificou, em declarações à RDP- Açores, a demolição como um ataque à cultura científica da ilha e do arquipélago: “Está-se a demolir, ou pelo menos a não considerar, uma parte substancial da nossa cultura, que também é a nossa cultura científica”. De acordo com o professor da UA esta é uma torre que desempenhou um importante papel histórico. “Quando começaram os voos relacionados com a presença americana e inglesa nos Açores foi necessário fazer-se aerosondagens, com balões sonda. Essas aerosondagens começaram por ser feitas exactamente no Observatório José Agostinho, nessa mesma torre”, lembra. O mesmo professor defende que se perdeu um dos símbolos da cidade Património Mundial da Humanidade. “Tornou-se, apesar de tudo, um ícone, um ex-líbris da cidade, ficava no cimo da cidade, por trás do Observatório e, para quem tem memória, era uma estrutura com interesse, nem que fosse paisagístico e mesmo arquitectónico. A decisão de demolir a torre veio de Lisboa, mesmo depois de os Açores terem apresentada uma proposta para a requalificação do edifício. Essa hipótese foi considerada demasiado dispendiosa, explicou a DI o director da delegação do Instituto de Meteorologia nos Açores, Diamantino Henriques, que adianta ainda que a demolição teve por base uma questão de segurança. “Na base dessa decisão esteve garantir a segurança, visto que a torre representava um perigo para as pessoas que passavam por lá. Era um edifício que estava danificado desde o sismo de 1980. Houve uma proposta para reconstruir a torre, aproveitar o seu esqueleto, mas isso foi considerado demasiado dispendioso”, explica. Diamantino Henriques concorda que se perdeu um edifício representativo em termos históricos e científicos, mas garante que o Instituto de Meteorologia não tomou a decisão de demolir de “ânimo leve”. Segundo a mesma fonte, existem actualmente projectos para construir outro edifício com aplicações científicas, no local.

(In Açores.com)

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sexta-feira, janeiro 16, 2009

Torre Meteorológica

O Instituto de Meteorologia (IM) garante ter já concluído um ante-projecto para a reconstrução de um edifício com a mesma traça arquitectónica da torre do Observatório Meteorológico José Agostinho, demolida sem autorização. Porém, as entidades locais garantem que o processo encontra-se parado. De acordo com a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, a última informação recebida pelo município, após o escândalo da demolição da torre histórica, está numa carta de 28 de Outubro em que o Instituo lamentava a demolição e se comprometia a reconstruir o edifício, com novas valências, pedindo o necessário para apresentar o projecto em termos formais. Depois dessa carta, o diálogo entre as duas instituições terá cessado, encontrando-se a câmara a aguardar que seja apresentado o projecto. Também a direcção regional da Cultura (DRAC), a entidade da qual está dependente a autorização para o inicio da obra, garante não existirem avanços no processo. Segundo a directora regional da Cultura, Gabriela Canavilhas, apenas existe um ofício deste organismo governamental “a informar que a demolição decorrera sem parecer prévio e, portanto, em incumprimento da lei, sendo que a obra não podia continuar sem parecer da DRAC”. Segundo Gabriela Canavilhas este ofício foi enviado para o delegado regional do IM, em São Miguel, mas a DRAC permanece até agora sem resposta. Posição diferente tem o IM, que avança já ter enviado o ante-projecto para a DRAC, com fim de obter autorização para prosseguir com a obra, mas sem resposta até ao momento. A directora regional afirma não querer criar uma “relação de tensão” entre a DRAC e o IM, “até porque este processo pode ter ficado atrasado pela mudança de cargos governamentais”, mas adianta que “muito em breve teremos diálogo com o IM, de certeza”.Quanto à data em que se pode esperar ver a construção arrancar, o IM responde que só será preciso avançar datas e prazos quando for emitida uma autorização pela DRAC. O IM admite que a demolição foi efectuada sem parecer da DRAC, mas lembra que a torre do Observatório José Agostinho se encontrava em avançado estado de degradação, representando um perigo para os transeuntes.Recorde-se que nos termos do n.º 1 do artigo 35.º do Decreto Legislativo Regional n.º 29/2004/A, de 24 de Agosto, “Quaisquer trabalhos de obras públicas, incluindo os promovidos por entidades concessionárias de obras ou serviços públicos, a realizar em imóveis e conjuntos classificados e sua zona de protecção, independentemente da sua natureza ou extensão, apenas poderão ser executados após despacho favorável do membro do Governo Regional com competência em matéria de cultura”
Radiação
Em Outubro o IM anunciou a intenção, após a polémica demolição ter vindo a público, de construir uma nova infra-estrutura, no mesmo local onde foi demolida a torre do Observatório José Agostinho, em Angra, para integrar a BSRN (Baseline Surface Radiation Network), a rede de referência mundial para estudos de radiação. A nova infra-estrutura poderá desempenhar um papel importante noutros tipos de medições remotas, complementando as medições do programa ARM da Graciosa, que arranca 2009.A demolição da torre histórica motivou um voto de protesto, apresentado por Félix Rodrigues e aprovado por unanimidade pela Assembleia Municipal de Angra do Heroísmo.

(In Diário Insular)

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domingo, dezembro 14, 2008

Indústria e Património Industrial

De onde vem o Néctar dos deuses?
Visita efectuada na cadeira de Industria e Património Industrial do Curso de Guias da Natureza.
(In Guias da Natureza)

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sexta-feira, novembro 28, 2008

História da Arte e Património Construído II

terça-feira, novembro 25, 2008

ANGRA Equipamentos culturais e lugares

Francisco Maduro-Dias

O assunto não é novo, mas merece ser tratado outra vez, na sequência do desmoronamento de parte da muralha da fortaleza de S. Sebastião, do estado a que chegou – como se ainda fosse possível chegar muito mais adiante... – o antigo Hospital Militar da Boa Nova, do que aconteceu à torre de balões meteorológicos do Observatório José Agostinho, do que se passa com salas como a Recreio e o Teatro Angrense, do que nos prometem com a nova Biblioteca, do que aconteceu com o afastamento do ex-conservatório, da lenta aproximação do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores do centro histórico da cidade, das ruínas – ainda – dos antigos conventos das concepcionistas e dos capuchos, e por aí fora.
E perguntam porque é que a cidade – esta e as outras, porque não é só esta – se desertificam, perdem habitantes, ficam estranhas à noite!
É especial a responsabilidade que temos relativamente a Angra do Heroísmo, enquanto lugar do Mundo onde o Património Cultural deve se especialmente protegido como recurso não renovável e património a usar em benefício do desenvolvimento sustentável da comunidade humana que aqui habita ou nos visita.E essa responsabilidade deve fazer pensar no que se tem feito e não se tem feito em prol de um desenvolvimento harmónico dos equipamentos culturais.
Em tempos escrevi que era interessante notar a forma como, nos tempos idos de há uns dois ou três séculos, quem orientava e vivia nesta cidade colocou os edifícios “âncora” devidamente espalhados, para abraçarem a cidade, serem acedidos confortavelmente, não complicarem a vida uns aos outros e serem complementares quando necessário.
Se a gente vir os Impérios do Espírito Santo estão assim, espalhados mas com a lógica das comunidades que servem, se a gente olhar para as igrejas, capelas e ermidas é o mesmo; se a gente pensar nos diversos assentos do poder de então temos um na Praça Velha (a Câmara), outro no Corpo Santo (o Provedor das Armadas), outro ao cimo da Rua Direita (o Capitão do Donatário) outro no Monte Brasil (os militares), outro a meio da Rua da Sé (a Catedral).
A nobreza fazia o mesmo. Basta ver os solares e casas grandes de família, desde o Corpo Santo até S. Pedro e arredores e vê-los, convenientemente distribuídos por essas ruas para, não fazendo sombra uns aos outros, aproveitarem o espaço total.
Nós, nestes tempos de agora, parece que nos divertimos a preencher os espaços ditos disponíveis ao calhas, conforme a oportunidade e a possibilidade, afastando até equipamentos e funções absolutamente necessárias numa cidade que depende estruturalmente disso.
Não é o mesmo ter uma biblioteca descentrada ou alinhada com o Centro Cultural e o Bailão, aproveitando sinergias e criando centralidades novas;Não é o mesmo esperar por ter a Boa Nova na perspectiva de mais um museu – espaço de custos – ou uma fundação que tenha custos mas dinamize benefícios;Não é o mesmo ter o Observatório Meteorológico ali em cima e o Observatório de Ambiente cá em baixo, cada um puxando por si (e Deus por todos);Não é o mesmo ter o Centro Cultural sozinho a produzir e a disponibilizar, ou ter Recreio, Fanfarra, Alpendre, apenas para falar em alguns dos mais antigos, a colaborarem na dinamização da sua e nossa cidade.Não é o mesmo aceitar a lentidão da Universidade em aproximar-se ou tomar em mãos a necessidade, urgente, de a entrosar com a cidade, com mais residências (belo exemplo o da Rua do Morrão) ou gabinetes de trabalho e outros “metidos” no tecido urbano.E, depois, há a questão da divulgação e do atravancamento de actividades umas por cima das outras, velha de trinta anos, gerando e considerando públicos de costas voltadas, quando poderiam apoiar-se mutuamente (visitantes e habitantes).
Angra precisa de se completar no construído; evitar mais derrocadas como a do Castelinho e garantir que o tecido urbano edificado corresponde a uma vida urbana com pés e cabeça.
(In DI-Revista)

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segunda-feira, novembro 17, 2008

Liquidação

Alvaro Monjardino
O Diário da República de 12 deste mês publicou o decreto-lei 219/2008, com um artigo único e um anexo. O artigo único diz que os imóveis abrangidos pelo disposto na lei orgânica 3/2008 de 8 de Setembro constam desse anexo – uma lista de 192 bens que vão desde o «prédio na Avenida Ilha da Madeira» (será a sede do ministério da Defesa?) até ao «antigo hospital militar de Angra»; só em Elvas eles são 37, incluindo o belo forte da Graça. Ora a lei orgânica 3/2008, que remete para outro diploma – o decreto-lei 208/2007 de 7 de Agosto, um longo texto com 129 artigos sobre o regime do património imobiliário público, substituindo legislação avulsa vinda desde 1863 – diz, no seu artigo 8º, que a gestão desses imóveis «desponibilizáveis para rentabilização» pode assumir várias modalidades, enunciadas em nove alíneas (alienação, arrendamento, constituição de direitos reais menores, concessão de uso privativo do domínio público, permuta, parcerias com promotores imobiliários, titularização pela constituição de fundos de investimento imobiliário, venda com possibilidade da utilização onerosa dos bens e «outros instrumentos jurídicos adequados aos fins a prosseguir através da mesma lei»: o que, abrangendo tudo o mais, parece tornar este artigo 8º simplesmente… dispensável).
Pelo relativo alarme que o decreto-lei 219/2008 suscitou na nossa comunicação social, com reflexo na administração regional, gostaria de deixar aqui três breves notas.
A primeira é que tudo isto são (só…) mais três diplomas legais, todos muito recentes e cuja tradução na prática, a julgar por antecedentes, vai tardar bastante – isto não obstante se ter agudizado este ano a crise identitária, financeira e de segurança social que lavra nas forças armadas após a última revolução que fizeram, em 1974. A segunda é que os respectivos preceitos terão de conjugar-se com o que (ainda – e desde 1980) dispõe o Estatuto da Região nos seus artigos 104º e 105º sobre a passagem para ela dos bens do Estado; e, depois, com o que irá dispor, sobre a mesma matéria, o Estatuto revisto – mal acabe a quezília (que já não é mais do que isso) entre a presidência da República e o Partido Socialista. A terceira, mais comezinha, é a dúvida sobre o que será o «antigo hospital militar de Angra». É que existem dois. Um, o da Boa Nova, feito pelos espanhóis no século XVII, sem qualquer uso há longos anos e incluído na Zona Classificada de Angra. Outro, o da Terra-Chã, que lhe sucedeu em 1943 e, também desactivado, vem servindo desde 1976 de «campus» para a Universidade dos Açores na ilha Terceira.
(In A União)

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sexta-feira, outubro 03, 2008

Torre gera voto de protesto

A Assembleia Municipal da Câmara de Angra do Heroísmo aprovou, segunda-feira, por unanimidade, um voto de protesto contra a demolição da torre do observatório Meteorológico José Agostinho, numa “atitude unilateral” do instituto de Meteorologia (IM), em Lisboa, sem a autorização obrigatória da direcção regional da Cultura.“Toda a gente esteve contra a atitude do IM e sabemos que este já apresentou um pedido de desculpas formal à câmara. Quanto ao voto de protesto, foi unanimidade perfeita”, adiantou o presidente da assembleia Municipal, ricardo Barros.O voto de protesto foi proposto pelo deputado municipal do CDS/PP, Félix Rodrigues. No texto do também professor da universidade dos açores, pode-se ler que “a torre em questão era um símbolo da ciência de qualidade realizada na ilha Terceira e inequivocamente ligada à figura proeminente do tenente-coronel José Agostinho”.“Fazia parte da nossa cultura, do nosso contributo científico internacional e esforço para a navegação aérea no atlântico”, prossegue o documento, que lembra que a torre “não era, assim, um monte de pedras prontas a desmoronar-se, mas um marco único no território nacional”.Quanto aos planos do IM de reconstruir uma nova torre e incorporá-la numa rede Mundial de observação do ozono, o voto de protesto deixa clara a posição da assembleia: “um fóssil é sempre um fóssil, uma réplica é, na maioria das vezes, um plágio”.
Demolição “prepotente”O presidente do grupo do PS na assembleia Municipal, Francisco Barros, avançou que os socialistas subscrevem na totalidade o voto de protesto, desde já porque em causa está uma “atitude prepotente” do IM: “o próprio voto fala por si, trata-se de uma atitude prepotente, pouco ponderada, uma mistura entre desrespeito pelos órgãos regionais com competência na matéria e o desconhecimento e insensibilidade face a um elemento arquitectónico que era já património”. O líder do grupo do PSD, Aurélio da Fonseca, explicou também o porquê do voto laranja:“foi uma demolição intempestiva, em que não foram consultadas nem a direcção regional da Cultura nem a câmara municipal. Votámos a favor deste gesto de protesto porque este era um edifício que já fazia parte do nosso imaginário, da cultura científica, e que agora está deitado por terra. Isso demonstra também que Lisboa não sabia o que estava a fazer”.

(In Diário Insular)

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quinta-feira, outubro 02, 2008

Torre abaixo no meio das negociações

A torre do Observatório José Agostinho, em Angra, foi demolida pelo Instituto de Meteorologia (IM), mesmo apesar de estarem a decorrer negociações entre a secretaria regional da educação e Ciência e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior para a recuperação do observatório e instalação do Centro de Climatologia, Meteorologia e Mudanças Globais (CCMMG). A revelação foi feita pelo próprio Governo Regional, em nota divulgada ontem pelo Gabinete de Apoio à Comunicação Social do executivo açoriano (GACs). É nessa nota que o director regional da Ciência e Tecnologia, João Luís Gaspar, adianta que, além de não terem sido requeridas as autorizações necessárias, a demolição por ordem do IM aconteceu numa altura em que o Governo Regional se havia disponibilizado a garantir a recuperação do Observatório José Agostinho, para receber o CCMMG. Centro pode avançar
Ainda de acordo com o responsável pela pasta da Ciência e Tecnologia na Região, “apesar da irreversibilidade da acção do Instituto de Meteorologia, o Governo Regional mantém-se disponível para garantir que o Observatório de Angra do Heroísmo recupere a dimensão científica que José Agostinho lhe conferiu, assumindo-se como centro de referência do Atlântico nas áreas da Climatologia e Meteorologia”. O Centro de Climatologia, Meteorologia e Mudanças Globais foi criado pela Universidade dos Açores por proposta da Direcção Regional da Ciência e Tecnologia. O objectivo era implementar no arquipélago um núcleo de investigação coerente e de dimensão internacional, "numa área científica estratégica e prioritária". As declarações de João Luís Gaspar surgem cerca de uma semana depois da notícia da demolição da torre do Observatório ter sido levada a público por DI. Na altura, o professor do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e especialista em meteorologia, Eduardo Brito de Azevedo, classificou a demolição como um ataque à cultura científica da ilha e do arquipélago: “Está-se a demolir, ou pelo menos a não considerar, uma parte substancial da nossa cultura, que também é a nossa cultura científica”. Em causa está, recorde-se, uma primeira torre de lançamento de balões meteorológicos a dos Açores, um edifício que fazia parte do património científico e arquitectónico da Região. A direcção regional da Cultura veio depois afirmar que a demolição da torre foi executada pelo IM sem a sua autorização prévia, que teria carácter vinculativo. O director regional da Cultura adiantou estar a estudar juridicamente o caso, não deixando a possibilidade de avançar com um processo judicial contra o IM de parte. Também a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo disse não ter tido conhecimento prévio da demolição da torre.
A Assembleia Municipal de Angra do Heroísmo, aprovou, na passada Segunda-feira, por unanimidade, um voto de protesto apresentado por Félix Rodrigues do CDS-PP, contra a actuação do Instituto de Meteorologia que provocou perda de património na cidade Património Mundial de Angra do Heroísmo, com os mesmos pressupostos daqueles que foram levantados pelo Professor Eduardo Brito de Azevedo. O IM continua a manter o argumento de que a torre foi demolida por razões de segurança e que não seria viável “reabilitar” o edifício.

(In Diário Insular)

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terça-feira, setembro 30, 2008

Governo disponível para transformar Observatório José Agostinho em centro de excelência científica

O Governo dos Açores continua diponível para promover a recuperação do Observatório José Agostinho para aí instalar o Centro de Climatologia, Meteorologia e Mudanças Globais (CCMMG), mas lamenta a decisão do Instituto de Meteorologia (IM) que conduziu à destruição da torre do respectivo edifício.
Além de não terem sido requeridas as autorizações necessárias, a inciativa do IM surgiu numa altura em que o Governo Regional se havia disponibilizado a garantir a recuperação do Observatório José Agostinho para receber o CCMMG, referiu o director regional da Ciência e Tecnologia.
Segundo João Luís Gaspar, o assunto estava a ser tratado directamente entre a Secretaria Regional da Educação e Ciência e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.
O Centro de Climatologia, Meteorologia e Mudanças Globais foi criado pela Universidade dos Açores por proposta da Direcção Regional da Ciência e Tecnologia face à necessidade de se constituir na Região um núcleo de investigação coerente e de dimensão internacional, numa área científica estratégica e prioritária. O centro tem beneficiado dos apoios plurianuais concedidos pelo Executivo ao abrigo do Plano Integrado para a Ciência, Tecnologia e Inovação quer para efeitos de funcionamento, quer para a contratação de bolseiros de doutoramento.
De acordo com João Luís Gaspar, apesar da irreversibilidade da acção do Instituto de Meteorologia, o Governo Regional mantém-se disponível para garantir que o Observatório de Angra do Heroísmo “recupere a dimensão científica que José Agostinho lhe conferiu, assumindo-se como centro de referência do Atlântico nas áreas da Climatologia e Meteorologia”.

(In Governo dos Açores)

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domingo, setembro 28, 2008

Torre histórica destruída em Angra (II)

O desenrolar da investigação jornalística à volta da destruição da torre de lançamento de balões anexa ao edifício principal do Observatório José Agostinho, em Angra do Heroísmo, está a levantar lebres que dão que pensar. Por exemplo, só ontem é que a entidade regional responsável pela tutela da Cultura deu pelo sucedido, vindo dizer as únicas coisas que pode dizer depois de ser ultrapassada por todos os lados: que não foi ouvida e que a demolição é ilegal e que os juristas estão a ser consultados.O problema é que a demolição já está consumada - jazendo no chão, feita em entulho, uma das referências fundamentais da evolução da ciência meteorológica nos Açores, que é antiga, consistente e muito bem referenciada.Se a Comunicação Social não dá pelo crime cultural, aparentemente ninguém dava por ele. Só agora, espicaçadas pelo nosso jornal, é que entidade atrás de entidade (públicas e outras, como os institutos), todas quantas deveriam ter defendido a torre com unhas e dentes começam a movimentar-se. E sem saberem o que hão-de fazer, diga-se em abono da verdade. Exceptua-se aqui a Universidade dos Açores, que foi quem deu o alerta. Mas um dado ainda mais preocupante do que todos os outros é que o crime cultural que nos ocupa ocorreu em plena cidade património da humanidade, que em tempos teve um gabinete dedicado a esses assuntos (fê-lo, quiçá, com algum fundamentalismo e alguma falta de jeito... mas fê-lo) e que hoje, sem gabinete de facto, parece literalmente à procura não se sabe de quê no que toca à defesa e valorização do património. Ao decidir demolir por ser caro reparar, se calhar o Instituto de Meteorologia, a partir de um gabinete em Lisboa, interpretou bem o espírito que se vive em Angra. Isso seria lamentável!

(IN Diário Insular)

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sábado, setembro 27, 2008

Torre histórica demolida em Angra

Desempenhou um papel central na história da meteorologia dos Açores e fazia parte do património científico e arquitectónico da Região. A primeira torre de lançamento de balões meteorológicos dos Açores, que se encontrava junto do Observatório José Agostinho, em Angra do Heroísmo, foi demolida por decisão da direcção do Instituto de Meteorologia, em Lisboa.O professor da Universidade dos Açores (UA) e especialista em meteorologia, Eduardo Brito de Azevedo, já classificou, em declarações à RDP- Açores, a demolição como um ataque à cultura científica da ilha e do arquipélago: “Está-se a demolir, ou pelo menos a não considerar, uma parte substancial da nossa cultura, que também é a nossa cultura científica”.De acordo com o professor da UA esta é uma torre que desempenhou um importante papel histórico. “Quando começaram os voos relacionados com a presença americana e inglesa nos Açores foi necessário fazer-se aerosondagens, com balões sonda. Essas aerosondagens começaram por ser feitas exactamente no Observatório José Agostinho, nessa mesma torre”, lembra.O mesmo professor defende que se perdeu um dos símbolos da cidade Património Mundial da Humanidade. “Tornou-se, apesar de tudo, um ícone, um ex-líbris da cidade, ficava no cimo da cidade, por trás do Observatório e, para quem tem memória, era uma estrutura com interesse, nem que fosse paisagístico e mesmo arquitectónico.
Dinheiro e segurançaA decisão de demolir a torre veio de Lisboa, mesmo depois de os Açores terem apresentada uma proposta para a requalificação do edifício. Essa hipótese foi considerada demasiado dispendiosa, explicou a DI o director da delegação do Instituto de Meteorologia nos Açores, Diamantino Henriques, que adianta ainda que a demolição teve por base uma questão de segurança. “Na base dessa decisão esteve garantir a segurança, visto que a torre representava um perigo para as pessoas que passavam por lá. Era um edifício que estava danificado desde o sismo de 1980. Houve uma proposta para reconstruir a torre, aproveitar o seu esqueleto, mas isso foi considerado demasiado dispendioso”, explica.Diamantino Henriques concorda que se perdeu um edifício representativo em termos históricos e científicos, mas garante que o Instituto de Meteorologia não tomou a decisão de demolir de “ânimo leve”. Segundo a mesma fonte, existem actualmente projectos para construir outro edifício com aplicações científicas, no local.
(In Diário Insular)

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quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Turismo e valorização patrimonial

Quem o diz é Susana Costa, directora do curso de Património Cultural da Universidade dos Açores, a propósito de um colóquio sobre “As Ilhas do Vinho”, que terá lugar de 6 a 8 de Março, na Madalena do Pico. “Temos, na Região, um património cultural riquíssimo com mais de 500 anos - desde a gastronomia à arquitectura, passando pelas devoções -, que não é único mas complementar ao nosso património natural”, sublinha a docente universitária. No entender de Susana Costa, há ainda “muito trabalho a fazer” no que diz respeito à valorização desse património. “Apesar dos principais bens de cada ilha estarem classificado pela direcção regional da Cultura, temos o problema da degradação das propriedades privadas e do património militar”, refere. “Por outro lado, o investimento público muitas vezes é direccionado para outras coisas consideradas mais prioritárias”, acrescenta, sustentando que, “se o turismo é considerado uma das grandes áreas de desenvolvimento da Região, não basta construir hotéis e assegurar viagens”. “É preciso desenvolver o turismo cultural, a par do turismo de natureza, porque temos muitas histórias para contar”, defende. A este respeito, lembrou ainda que a Universidade dos Açores dispõe já de cursos nas áreas do Turismo, Património Cultural no Campus de Ponta Delgada e Guias da Natureza, no Campus de Angra do Heroísmo na ilha Terceira que permitem formar recursos humanos para o sector. Organizado pelo Centro de Estudos Gaspar Frutuoso, em parceria com o Centro de História de Além-Mar, o colóquio “As Ilhas do Vinho” visa debater questões relacionadas com o património das ilhas do vinho, a vinha e o vinho nos Açores, o alcoolismo e o impacto das zonas classificadas do Pico na projecção do arquipélago. A iniciativa decorrerá no salão nobre da Câmara Municipal da Madalena do Pico.

(In Diário Insular)

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