Ministério transfere 2 milhões para a Universidade dos Açores
Nesta circunstância, todos os meses a academia açoriana tem de arrecadar cerca de 200 mil euros de receitas próprias para fazer face a todos os seus encargos de funcionamento, pois o Orçamento de Estado prevê a transferência de apenas 1, 1 milhões de euros quando, na realidade, as despesas rondam os 1,3 milhões, mensais. Daí que Avelino Menezes refira que o reforço agora anunciado “não resolve todos os problemas”. Desde logo, especifica, “ há na instituição 25 não-docentes e várias dezenas de docentes a merecerem e a justificarem promoção e que não beneficiam de tal direito há três anos”.“Procuramos, na medida do possível, acorrer a alguns casos mais ‘gritantes’ mas, infelizmente, ainda falta cabimento orçamental para a resolução de todas as situações”.O reitor da UAç faz, por isso, questão de afirmar que “nestas circunstâncias, homens e mulheres que trabalham na UAç são heróis e heroínas de dedicação à instituição já que cumprem cabalmente os seus deveres mesmo na ausência da justa promoção”.Questionado sobre o orçamento para 2009, Avelino Menezes reconhece “que é melhor do que o de 2008 porque, à partida tem um acréscimo de cerca de 11%. Todavia, será de novo necessário negociar pontualmente com o Ministério reforços orçamentais para acorrer a situações mais prementes” (como os meses correspondentes aos pagamentos de subsídios de Férias e de Natal). “Após todas estas incertezas, após todas estas canseiras, garantiu-se - uma vez mais - o funcionamento regular da instituição”, desabafou, por fim, o Reitor da academia açoriana. Etiquetas: Avelino Meneses, Financiamento, Orçamento, Reitor
Todos os meses a academia açoriana tem de arrecadar aproximadamente 200 mil euros de receitas próprias para fazer face a todos os seus encargos de funcionamento, pois o OE prevê a transferência de apenas 1, 1 milhões de euros quando, na realidade, as despesas rondam os 1,3 milhões, mensais. O pedido que agora foi feito, no valor de 2,7 milhões de euros, serviria para “aliviar a pressão”, embora o Reitor considere pouco provável a afectação de todo este montante. “Não admito que não haja reforço, mas não sei de quanto será por isso não me quero pronunciar”, afirmou Avelino de Meneses que se recusa a utilizar verbas afectas à investigação ou à prestação de serviços para pagar despesas correntes. Segundo adiantou, o despacho está “em tramitação” entre os Ministérios da ciência, Tecnologia e Ensino Superior e o das Finanças que será, quem em última instância, irá dar o aval final, durante a próxima semana.
De acordo com Artur Lima, é “inadmissível e grave” esta situação, porque existem funcionários desde 2005 à espera da promoção e já existe verba orçamentada para o efeito”.O CDS/PP, que assumiu ontem a defesa pública destes funcionários, alega que não se pode admitir “esta incúria negligente”. Os funcionários em causa já enviaram várias exposições sobre o assunto, contudo os concursos de promoção ainda não foram abertos. “Em altura de crise, as instituições devem ser as primeiras a dar o exemplo e a fazer tudo para proteger os mais fracos, neste caso os seus funcionários”, alega o líder do PP.Este partido diz mesmo que a Universidade dos Açores deveria, primeiro acautelar os vencimentos e só depois pensar em outros investimentos. “É de inteira justiça que estes funcionários sejam promovidos”. Os centristas apelam aos responsáveis pela Universidade dos Açores que dêem início o procedimento concursal com a devida urgência, antes de Janeiro de 2009.O impacto financeiro, segundo Artur Lima, “é ridículo” no Orçamento da Universidade dos Açores, insignificante para o orçamento deste estabelecimento de ensino superior, mas demasiado importante para o orçamento familiar.“Estamos perante um grave atentado aos direitos dos funcionários com penosas consequências para as suas famílias que se vêem com problemas de aumento generalizado do custo de vida”, explica.Para o CDS/PP a universidade açoriana tem obrigação “ética, moral e social” de rapidamente resolver este assunto. “Não irá à falência com verbas entre 100 e 150 euros”. O CDS-PP Açores manifesta também alguma preocupação pelo facto de os vencimentos da Universidade dos Açores estarem em risco e “lamenta profundamente” que, todos os anos, este estabelecimento de ensino superior passe por este situação orçamental.

Embora as preocupações financeiras estejam centradas no orçamento para 2009, a Universidade dos Açores não sabe ainda se vai ter dinheiro para pagar todos os vencimentos, continuando, portanto, Avelino Menezes à espera de uma resposta do ministério do Ensino Superior para poder pagar os salários de Dezembro, mas confessou à Antena 1 / Açores não ter grandes expectativas em relação à reunião de hoje. Quanto à Comissão criada para definir o saneamento financeiro da Academia açoriana, está a pouco tempo de apresentar as suas conclusões, o que deverá acontecer até final de 2008.
A Universidade dos Açores (UAc) está outra vez a braços com dificuldades financeiras graves, de tal maneira que não garante o pagamento aos seus funcionários dos salários de Dezembro. O "buraco" financeiro na UAc já vai em três milhões de euros só este ano e o Ministério da Ciência e Ensino Superior ainda não concretizou o pedido feito pelo reitor açoriano no sentido de o Estado transferir verbas que permitam liquidar os vencimentos a um universo superior a 250 professores e 200 funcionários. "Estamos a aguardar o reforço orçamental que já havíamos solicitado e que segue a sua tramitação, aparentemente normal, entre o MCES e o Ministério das Finanças", afirma o reitor Avelino Meneses, que faz votos para que o dinheiro chegue a tempo e corresponda às necessidades. O máximo que a tutela conseguiu satisfazer, há poucos dias, foi autorizar a antecipação do duodécimo que permitirá pagar os subsídios de Natal. Os custos com pessoal atingiram, em 2007, quase 18 milhões de euros, sendo que a academia vai receber no próximo ano 14,7 milhões de euros do Orçamento, um valor que continua a ser deficitário. Na sequência dos problemas financeiros que afectam várias universidades públicas, um grupo de 13 ex-reitores já pediu a intervenção do Presidente da República e do primeiro-ministro. Adriano Pimpão faz parte deste grupo e diz ao DN que estarão com problemas cerca de dez universidades. O ministro do Ensino Superior, Mariano Gago, admitiu ontem que existem maus gestores, mas disse que os próprios se corrigirão ou serão substituídos, rejeitando a hipótese de intervir.

“Há um problema, do ponto de vista da reforma e de política do ensino superior em Portugal, que envolve as diversas universidades e que se acentua, no caso dos Açores, mercê dos custos associados à organização tripolar da Universidade”, disse Carlos César, para logo frisar que o Governo Regional apoia aquela instituição, quer nos custos de funcionamento da sua tripolaridade, quer como seu principal cliente na prestação de serviços. “Sem prejuízo das obrigações que ao Estado cabem e da melhoria de tratamento que deve ter por parte do Governo da República, a Universidade também tem de fazer um esforço muito rigoroso e muito cuidadoso para que a sua gestão seja exemplar e um instrumento de persuasão junto do Governo da República”, concluiu.
O Reitor da Universidade dos Açores, Avelino Meneses, já sublinhou publicamente que, mantendo o actual quadro de pessoal, a instituição poderia receber mais mil alunos. Essa situação garantiria - ao abrigo da actual lei de financiamento do Ensino Superior - as verbas suficientes para que a instituição cobrisse com as receitas (financiamento do Estado, propinas e prestação de serviços) os seus custos. Actualmente, a UA conta com perto de 3500 alunos, tendo, entre os anos lectivos de 2006 e 2007, crescido o número de entradas de estudantes em 7,6 por cento. Pelas contas da UA, os custos da tripolaridade (divisão entre Ponta Delgada, Angra e Horta) ascendem a três milhões de euros e os custos da insularidade em meio milhão de euros. Em 2007, o Governo Regional, para minorar os custos da tripolaridade, entregou à UA 350 mil euros. E prometeu entregar este ano com o mesmo objectivo mais 400 mil euros. O executivo também financiou com 700 mil euros a construção do edifício da Acção Social e Apoio ao Estudante, em construção no campus de Angra do Heroísmo. 
