sexta-feira, outubro 10, 2008

Em homenagem a Veríssimo Borges

O texto que aqui se publica, extraído do Correio dos Açores (27 de Setembro de 2008) e também publicado no blog "Educar para a Energia", pretende ser uma homemagem à memória de Veríssimo Borges, aluno de Mestrado em Educação Ambiental na Universidade dos Açores. Trata-se de uma das últimas intervenções públicas deste grande ambientalista açoriano.



Texto de Veríssimo Borges
Dada a incontornável importância da produção e uso energético nas Ilhas Açorianas, que começando por melhorar a gestão dos recursos tem especial impacto na dependência actualmente existente dos combustíveis fósseis surge a proposta e criação de um fórum técnico parlamentar que permita perceber que o principal obstáculo para uns Açores quase a 100 % independentes de combustíveis fósseis, é o conservadorismo da EDA contaminada pelos lobbies petrolíferos, pois soluções já testadas por todo o mundo e de fácil recurso, são extremamente facilitadas em ilhas pequenas com fraca população. Ora, nestas quase “aldeias-ilhas”, as necessidades energéticas são correspondentemente pequenas e resolúveis com a produção de energia hídrica quanto baste para, de forma reactiva ao consumo (produção não contínua), é fácil produzir energia suficiente para as actuais e futuras necessidades. Tornando-se obsoletas, não defendemos o desmantelamento dos potenciais térmicos já instalados, que entretanto permitem a gradual substituição por energias alternativas, mas lamentamos que a EDA, ao contrário do seu discurso e em sentido oposto às bases de qualquer ERDSA (Estratégia Regional para o Desenvolvimento Sustentável dos Açores), e das políticas energéticas já assumidas pelo nosso País e pela Europa, continue a investir em centrais térmicas, criminoso atentado contra a economia e ambiente regional agudizada pelas alterações climáticas de que somos co-responsáveis. É sabido que a energia eólica é inconstante, flutuante e por conseguinte de “má qualidade”, mas também não é novidade a sua capacidade de armazenagem de água a altitudes que permitam a sua utilização com qualidade e de acordo com as necessidades, transformando-a em energia hídrica sempre disponível. Para tal, nas ilhas pequenas não são necessários recursos hídricos adequados, nem é necessário que a água seja doce nem que tenha qualidades especiais. Todas estas ilhas têm “à mão de semear” em todo o seu perímetro o lençol de água inferior aos 2 níveis que definem o bipolo de qualquer hídrica: trata-se do mar. Em todas as ilhas existem variadas plataformas onde uma lagoa artificial de água salgada pode ser instalada. Trata-se simplesmente de escolher a melhor localização em termos geológicos, paisagísticos e ambientais, o que pode não ser fácil dada a profusão de alternativas. Basicamente esta lagoa artificial deverá ser instalada em local de fraco interesse agrícola e ecológico, podendo até ter efeitos ecológicos (aumento da biodiversidade) ou económicos (aquacultura) positivos. Próximo, embora não necessariamente, haverá um vale escavado por uma linha de água que adaptou o relevo para a fácil instalação da tubagem ascendente (do mar para a lagoa consumindo energia eólica), que provavelmente terá percurso semelhante à tubagem descendente (água de volta ao mar deixando na Hídrica parte do seu potencial energético armazenado). O Parque Eólico acoplado, deverá ficar próximo mas não necessariamente. Novamente contam os factores de localização ideal (regime de ventos locais) e os estudos de minimização de impactes ecológicos e ambientais e o impacte paisagístico, a ter em conta, é marginal porque a necessidade dos parques eólicos são um imperativo que vai “contaminar” quase toda a paisagem terrestre, gerando pelo hábito e pela necessidade efeitos de percepção paisagística cada vez mais tolerados e aceites pelas populações. Obviamente que as lagoas artificiais de água salgada serão herméticas, sem fuga de água com contaminação dos solos e aquíferos inferiores, apesar do sal ser dos menores dos poluentes, sendo por acréscimo facilmente lavável e monitorizáveis quaisquer fugas. E pronto, com uma (que pode ser mais) lagoa artificial de água do mar, suficientemente grande para armazenar água suficiente para satisfazer com folga as necessidades energéticas da população e enfrentar as flutuações do vento, venham os técnicos da especialidade definir as características das centrais hídricas consideradas necessárias para cada ilha. Depois é acrescentar optimizações, tais como, por exemplo na Graciosa, produzir energia em excesso que permita a dessalinização de parte da água da lagoa para suprir as carências hídricas desta ilha, ou pela mesma via tornar sustentável o Campo de Golfe que o Governo deseja para Santa Maria, mas que é insustentável por insuficiência de recursos hídricos, e façam-se esforços de optimização do padrão diurno do consumo de energia, canalizando energia barata para as horas de vazio com tachas atraentes para a instalação de indústrias nocturnas, como instalações de frio que, sendo sobre estimadas poderão acumular de noite frio suficiente para ultrapassar o dia. E já agora penetrar nos combustíveis líquidos com a substituição da frota por veículos eléctricos cujas baterias carregam durante o sono. Nesta vertente temos mais uma facilidade para sermos pioneiros dado que as ainda limitações dos actuais veículos eléctricos se prendem com raio de acção limitado que aguarda avanços tecnológicos na eficácia das baterias. Ora sendo as ilhas pequenas, já estão dentro do raio de acção dos veículos já comercializados. E, por esta via, conquistada a independência energética das nossas ilhas, podemos fazê-lo mais depressa e melhor do que os continentes, recordistas na penetração de renováveis nos Açores, conquistamos mais um galardão de visibilidade e justo orgulho da imagem verde que desejamos melhorando inclusive a imagem turística. A suficiência deste modelo de produção de energia, para as actuais necessidades pode sempre ser ampliada e diversificada. Nas ilhas grandes, a eventual insuficiência deste esquema está felizmente colmatado pela energia geotérmica disponível, o que não impede que, os aproveitamentos tipo pequena ilha, nomeadamente em zonas excêntricas (Nordeste, Mosteiros). E que não venham os Srs da EDA dizer que não sabem, nem que não sabiam.

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Morreu o defensor do Ambiente: Veríssimo Borges

Veríssimo de Freitas da Silva Borges, de 60 anos, biólogo, ex-Presidente e membro do Núcleo de S. Miguel da Associação Nacional de Conservação da Natureza - QUERCUS, e empresário, faleceu anteontem de manhã no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada. Vítima de doença prolongada, a sua morte apanhou de surpresa muita gente e quem o conhecia é unânime em afirmar que o ambientalista sempre teve o Ambiente como primeira força de trabalho. Pensava na sua terra e na defesa do património ambiental, quer seja das lagoas [foi um crítico feroz das soluções apresentadas pelos vários governos], quer seja pela separação do lixo e/ou limpeza da orla marítima. Em todas as causas ambientais, Veríssimo Borges teve sempre uma palavra a dizer, e as Portas do Mar, por exemplo, não escaparam à sua intervenção, principalmente por temer que com a subida da água do mar aquela zona seja uma das que possa conhecer as consequências e submergir, tal como Al Gore o prognostica para outros pontos do globo. Certo é que o reconhecido ambientalista, além das fronteiras das ilhas, foi um defensor acérrimo das belezas naturais deste arquipélago e uma voz persistente e insistente na defesa do Ambiente desta terra. Foi também membro dos Amigos dos Açores e do SOS-Lagoas. Querendo sempre estar na vanguarda do saber na área ambiental, Veríssimo Borges estava a fazer Mestrado em Educação Ambiental do Departamento de Ciências Agrárias/Departamento de Ciências da Educação do Campus de Angra do Heroísmo, na Universidade dos Açores, sendo colega de Teófilo Braga, dos Amigos dos Açores, que sobre a morte do ambientalista referiu no Blogue "Terra": "o movimento ambientalista dos Açores perdeu uma das suas vozes mais importantes", esperando que "outros se levantem e não se deixem silenciar pelos poderes instalados". Pedro Carteiro, da QUERCUS, por sua vez, destaca o óptimo profissional que era Veríssimo Borges. "Era um ser humano dedicado e empenhado". Recordando os tempos em que conviveu com o colega, sublinha a força de vontade e de querer do mesmo. "Só posso classificá-lo como uma excelente pessoa" afirma ao DA, acrescentando, "era uma pessoa determinada e um trabalhador incansável, com uma capacidade de trabalho indescritível". Acima de tudo, no entender de Pedro Carteiro, Veríssimo Borges foi em vida uma pessoa que acreditava no seu trabalho e que depositava muitas expectativas naqueles com quem trabalhava e com quem convivia diariamente. Também o Bloco de Esquerda, partido que o ambientalista se apresentava a estas eleições legislativas regionais, como independente, cancelou a sua campanha, por 24 horas. A coordenadora do BE /Açores, Zuraida Soares, adiantou à agência Lusa que Veríssimo Borges, "era acima de tudo um grande amigo", acrescentando que o partido decidiu suspender toda a actividade política programada para anteontem. Segundo Zuraida Soares, Veríssimo Borges estava na lista do partido como independente, com o objectivo de "contribuir para a eleição de uma representação bloquista" para o parlamento açoriano. Também Carlos César ao Diário dos Açores lamentou "a perda de um amigo". O candidato do PS às eleições regionais afirmou que conhecia Veríssimo Borges desde a infância. Como tal, o seu falecimento representa, para o líder "rosa", "em primeiro lugar, a perda de um amigo com quem partilhei muitas lutas e com quem estabeleci muitas cumplicidades". O presidente do Governo Regional, actualmente em suspensão de funções, sublinhou mesmo que Veríssimo Borges foi um militante por muitas causas, todas elas desenvolvidas com muita paixão, no sentido interventivo. No entender de Carlos César, Veríssimo Borges é alguém que faz falta nos Açores, tendo endereçado palavras de solidariedade e pesar à família do extinto. Também Berta Cabral destacou ao nosso jornal a autenticidade de Veríssimo Borges. "Tive a oportunidade de privar com Veríssimo Borges. Ele exerceu funções como representante da QUERCUS. Foi uma pessoa autêntica." De acordo com a autarca da Câmara Municipal de Ponta Delgada, em suspensão de mandato, Veríssimo Borges era "uma pessoa que defendia com toda a convicção os valores ambientais da nossa Região". Um aspecto que tinham em comum, refere Berta Cabral ao "Diário dos Açores". A agora candidata a deputada pelo PSD afirma que "sempre nos entendemos muito bem porque consideramos que é fundamental defender o nosso ambiente, que tem um valor inestimável e que é uma mais-valia enorme do ponto de vista turístico e do ponto de vista do desenvolvimento sustentável dos Açores". Berta Cabral diz mesmo que o falecido "foi um homem que morreu de pé”, e como tal presta-lhe homenagem. Nas palavras de Berta Cabral, "até à última, até quando pôde e conseguiu raciocinar e lutar, ele defendeu sempre os seus ideais". E finaliza a autarca, "presto-lhe a minha homenagem. Ele ficará para sempre na nossa memória".
(In Diário dos Açores)

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quinta-feira, outubro 09, 2008

Faleceu Veríssimo Borges

Faleceu ontem, no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, Veríssimo Borges.
Veríssimo Borges era dirigente regional da Quercus, um cidadão defensor das questões ambientais açorianas como poucos. Também era aluno do Mestrado em Educação Ambiental do Departamento de Ciências Agrárias e Departamento de Ciências da Educação do Campus de Angra do Heroísmo.
É uma grande perda para a Região e para o Ambiente dos Açores.
Os docentes do Curso de Mestrado em Educação Ambiental apresentam desta forma as condolências à família enlutada e elogiam o trabalho de Veríssimo Borges a favor da sustentabilidade do Arquipélago dos Açores.

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domingo, junho 22, 2008

Educar para a Energia - Visita de Estudo

segunda-feira, junho 16, 2008

Feira do Ambiente em Vila Franca do Campo

O Projecto "Educar para a Energia", esteve em Vila Franca do Campo, onde aproveitou para contactar com os visitantes da Feira do Ambiente e oferecer às crianças moinhos de vento.

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Educar para a Energia - Poupar para o ambiente

Educar para a Energia - Aspectos da sessão de 23 de Maio

segunda-feira, junho 09, 2008

Projecto "Educar para a Energia" nas comemorações do dia Mundial do Ambiente

No dia 5 de Junho, Dia Mundial do Ambiente, o projecto "Educar para a Energia" esteve presente na Feira do Ambiente, iniciativa da Coordenação Concelhia de Vila Franca do Campo do Projecto Eco-escolas que contou com a presença de mais de um milhar de crianças das escolas do concelho.


(In Educar para a Energia)

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domingo, junho 01, 2008

Projecto Educar para a Energia (Dia Nacional da Energia)

A Agência Regional da Energia e Ambiente (ARENA) da Região Autónoma dos Açores, em conjunto com os alunos do mestrado de Educação Ambiental, comemorou ontem o Dia Nacional da Energia nas Portas da Cidade de Ponta Delgada, através da exposição de protótipos solares realizados pelas escolas.De acordo com o presidente da ARENA e director regional do Comércio, Indústria e Energia, José Luís Amaral, o objectivo da comemoração foi consciencializar e sensibilizar as pessoas para o uso das energias renováveis, pois “há uma crise energética”. No evento o presidente realçou que é “preciso dar uma palavra de reconhecimento às escolas, aos alunos e aos professores” pela forma como se envolvem nas questões das energias renováveis. Deste modo, realçou a participação das escolas na Mini Olimpíada Solar Regional, que se realizou a dia 17 de Março, na qual a Escola Básica Integrada das Capelas e a Escola Cardeal Costa Nunes, do Pico, ficaram em primeiro lugar.Escolas estas que voltaram vencer a medalha de ouro no concurso internacional realizado nas Canárias, Espanha. José Luís Amaral mencionou igualmente o projecto solar (painel fotovoltaico) da Escola Secundária Domingos Rebelo e a importância deste estabelecimento ter ficado em segundo lugar, a nível nacional, no “Rock in Rio Escola Solar”.TS"
(In Açoriano Oriental e Correio dos Açores)


"Relógio solar da Escola dos Altares exposto em Ponta Delgada

"Um relógio solar produzido pelos alunos do 4º ano da EB1/JI dos Altares estesteve exposto na Praça Gonçalo Velho Cabral (Portas da Cidade), em Ponta Delgada, no âmbito de uma actividade de comemoração deste Dia da Energia. Além desta exposição que também conta com outros protótipos, decorrem em simultâneo ateliers de construção de fornos solares e carrinhos fotovoltaicos, uma exposição subordinada ao tema "Energias Renováveise Utilizações Racionais de Energia" e uma campanha de troca delâmpadas incandescentes por lâmpadas economizadoras. O protótico altarense foi desenvolvido inicialmente para participar no concurso "Mini-Olimpíada Solar 2007/08", realizado a meados de Março, também em Ponta Delgada, onde arrecadou um belíssim classificação na respectiva categoria. Lucília Borges, uma das alunas implicadas mais directamente neste trabalho afirma: "Senti-me muito feliz por o nosso relógio ter ganho o terceiro lugar e por o terem escolhido para esta exposição." "São trabalhos e projectos como este que incutem nos nossos alunos amotivação e para as investigações, descobertas e aprendizagens, importantíssimas no contexto escolar", conclui José Aurélio Almeida, professor do 3º e 4º ano neste estabelecimento de ensino altarense, em Mestrando em Educação Ambiental do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores que faz parte da EBI dos Biscoitos. Tanto o referido concurso como a actividade deste dia 29 de Maio sãoda iniciativa e responsabilidade da ARENA - Agência Regional para a Energia e Ambiente da Região Autónoma dos Açores e do Projecto "Educar para a Energia""

(In Correio Insular)

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sexta-feira, maio 30, 2008

Projecto "Educar para a Energia" comemorou o dia Nacional da Energia

Ontem, 29 de Maio, os elementos do projecto Educar para a Energia estiveram nas Portas da Cidade de Ponta Delgada, toda a manhã, com o objectivo de divulgarem esse projecto, através de um poster e do diálogo com os transeuntes. Na mesma ocasião, dinamizaram ateliers de construção de moinhos de vento e de carrinhos solares fotovoltaicos. Da parte da tarde, participaram no Seminário “Ambiente e Inovação- Alterações Climáticas, Energias Renováveis e Como Poupar Energia”, organizado pelos professores de Educação Tecnológica da Escola Secundária das Laranjeiras, onde fizeram uma intervenção sobre eficiência energética.

(in Educar para a Energia)

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terça-feira, maio 27, 2008

Despertar a sociedade para as energias renováveis

O projecto "Educar para a Energia" prevê a realização de um relatório sobre a análise dos programas escolares e uma caracterização da situação energética regional.
A Associação Ecológica Amigos dos Açores anunciou um projecto de intervenção ambiental, no âmbito do Mestrado em Educação Ambiental que tem por título: Educar para a Energia.
A Associação entende que a produção/consumo de energia "é um factor indispensável para a vida das sociedades industrializadas, mas é também responsável pela degradação ambiental".
"Conscientes deste facto, no âmbito da disciplina de Projectos de Intervenção Ambiental, do mestrado de Educação Ambiental da Universidade dos Açores, um grupo de alunos decidiu apresentar um projecto de intervenção com vista a tentar colmatar algumas lacunas na área da Educação para a Energia", diz o comunicado.
Para os ecológicos, ao "longo das últimas décadas, a utilização racional dos recursos naturais e a preservação da qualidade do ambiente assumiram-se como preocupações fundamentais nas políticas de desenvolvimento sustentável de todas as regiões, inclusive da Região Autónoma dos Açores, com especial ênfase no que se refere à produção de energia".
A Associação critica o facto de não haver, de uma forma sistematizada e em linguagem acessível, informação sobre a história e a situação actual do aproveitamento das energias renováveis nos Açores.
Por outro lado, os intervenientes no projecto alegam que "os manuais escolares adoptados nos Açores, sendo de âmbito nacional, não contêm referências pormenorizadas à realidade local".
A Associação frisa ainda que "embora os conteúdos programáticos do ensino básico e ensino secundário já abordem as aplicações das energias renováveis e apresentem recomendações para o uso eficiente de energia, não evidenciam a complementaridade disciplinar, nem exploram suficientemente actividades em contexto de projecto escolar ou clube de ciência".
Para os Amigos dos Açores: "não tem existido formação contínua com vista ao desenvolvimento de competências científicas por parte de todos os professores, nomeadamente dos do primeiro ciclo do ensino – básico". Neste sentido, consideram que esta situação "é preocupante quando tudo leva a crer que a maioria destes professores é oriunda do então designado agrupamento 4 (Humanísticas)".
Por este motivo, o comunicado dá conta de um levantamento que foi elaborado no ano lectivo 1999/2000, tendo a Associação concluído que "a percentagem de alunos que estava a frequentar o Curso de "Ensino Básico- 1º Ciclo" que não tinha frequentado no secundário disciplinas na área das ciências era de 88,8%".
A Associação Amigos dos Açores critica ainda o facto de haver um atraso a nível nacional e designadamente nos Açores, por parte da sociedade em despertar para o potencial de aplicação das energias renováveis.
De modo a alterar o modo como a sociedade açoriana encara as energias renováveis, o projecto "Educar para a Energia" visa sobretudo "transmitir e consolidar ideias fundamentais relativas ao enquadramento do sector energético mundial, europeu, nacional e regional, num contexto de políticas, bem como de conceitos científicos fundamentais à sua correcta interpretação". Pretende igualmente sensibilizar para a necessidade de "se racionalizar os consumos de energia, com principal destaque para a redução dos consumos de energia eléctrica; enquadrar as noções transmitidas na perspectiva ambiental, social e económica e, transmitir a noção da responsabilidade colectiva, objectivando a racionalização de consumos energéticos, onde se enquadra a redução dos consumos de energia eléctrica".
Como público-alvo do projecto, os intervenientes do projecto escolheram em primeiro lugar as crianças e jovens.
Para além das crianças e jovens, o projecto pretende incidir nos professores, porque como refere o comunicado, "a sua motivação é condição necessária para a transmissão de novos conhecimentos e para a aceitação de novos valores".
O projecto "Educar para a Energia" pretende ir mais longe, chegando à sociedade em geral através da concretização de um " Minuto pelos Açores", numa das rádios locais.
Entre as acções e produtos a realizar destaque ainda para um folheto de apresentação do projecto; acções de sensibilização para professores e a criação de material didáctico para alunos (fichas de trabalho, jogo da energia, guia de auditoria energética, simuladores de poupança de energia, etc.);
O projecto prevê também a realização de um relatório final, onde se incluirá uma análise a alguns programas e manuais escolares, uma caracterização da situação energética regional, bem como todos os materiais produzidos no decurso do projecto.
Conforme refere o comunicado, todos os recursos necessários para a implementação do projecto serão solicitados aos parceiros e colaboradores.
Encontra-se desde já assegurada uma verba de 1 500 euros por parte dos Amigos dos Açores.
São parceiros do Projecto as associações Amigos dos Açores e Quercus e a equipa será coordenada cientificamente por António Félix Rodrigues e por Pedro González, da Universidade dos Açores.

(In Diário dos Açores)

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domingo, maio 18, 2008

Contaminação nas Lajes

Quanto às certezas:É certo que a Base das Lajes, sobre administração americana, existe há mais de 50 anos (desde a 2ª Guerra Mundial) e que esta grande base aéria requer amplos armazens de combustíveis líquidos (jet fuel mais sabe-se lá o quê). É certo que que a Força Aérrea Portuguesa (FAP) ao afirmar que "seria de esperar de uma estrutura com estas características, nalguns locais muito específicos, onde estiveram ou estão instalados tanques de combustível ou linhas de abastecimento, que existam solos contaminados com hidrocarbonetos". É certo que a Quercus desde a década de 90 denuncia esta situação.É certo que o Governo Regional dos Açores desde há muito que está alertado para o assunto como grave, tendo há 10 anos criado uma Comissão Técnica (com elementos da Universidade dos Açores), assim como é certo que os americanos tentaram oferecer à região os seus antigos depósitos, o que foi recusado por saber tratar-se de uma "prenda envenenada".É certo que o governo sabia da gravidade da situação, com consciência tão profunda que desactivou de imediato a Comissão que o ia estudar. É certo que na última vez que o assunto veio a público, agarrado pela comunicação social, ganhou foros de crise irreversível ao finalmente, aberta a "caixa de pandora", originar uma sucessão de esclarecimentos públicos que ganhou dimenção tal que as anteriores forças de bloqueio já não conseguem travar.É certo que em 2005 foram executados furos de monotirização a montante das prováveis fontes de poluição. Cita-se a FAP: "O estudo hidrogeológico, realizado em 11 de Fevereiro, mostra que o sentido de escoamento do aquífero basal das zonas supostamente contaminadas, se dirige para Nordeste, na direcção exactamente oposta dos furos de captação de água localizados no concelho da Praia da Vitória". É certo que o actual Presidente da Câmara da Câmara local, por maior literacia, responsabilização e (ou) independência, assumiu a gravidade desta situação "herdada", escolheu (e bem) o LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil), para "efectuar um estudo hidro-geológico nas zonas suspeitas de contaminação com hidrocarbonetos e metais pesados". É público que o GRA assumiu as suas culpas por acção e omissão no passado recente e vai custear estes estudos e que o seu Presidente assumiu as suas responsabilidades. É certo que os americanos têm competência suficiente para conhecerem os efeitos deste tipo de poluição, dinheiro suficiente para lhes ser aplicado o Princípio do Poluidor-Pagador e tecnologia suficiente para a sua minimização, mas também é certo que "esconder o lixo debaixo do tapete" é a sua prática comum, no mundo inteiro tal como nos Açores (1). Assim, reconhecendo-lhes a competência e como parte interessado no viciamento de dados não lhes podemos admitir o direito de insultuosamente duvidar das competências do LNEC nestas matérias.É certo que, se mais uma vez não houver sensura, vamos saber quais são as actuais incertezas e verificar grande parte das actuais lacunas de informação.Esperamos que o LNEC, o Governo Regional e a Autarquia não se esqueçam de envolver nestes estudos quem, por maioria de razão e proximidade, deve não só participar como assumir a futura monitorização, a Universidade dos Açores, que desde o primeiro momento devem partilhar os trabalhos e estudos do LNEC, aprendendo uns com os outros e aumentando a capacidade científica e operacional da e na Região Autónoma dos Açores. Quanto à parte americana, toda a informação lhes deve ser facultada sem esquecer que são réus neste processo.

Quanto às ambiguidades: Não é seguro que as águas de abastecimento público não estejam poluidas, visto haver fortes interesses em jogo, mas temos de admitir que, se o estivessem, isto seria detectado pelas análises dos serviços municipalizados. A relação entre as fontes poluidoras com antigos depósitos desactivados é falaciosa e demonstra mau comportamento ambiental, pois os velhos depósitos já foram novos e os novos virão a ser velhos. Existem responsáveis pela monitorização quer dos velhos quer dos novos depósitos (Princípio do Utilizador-Pagador) e o Princípio da Precaução exige às autoridades locais uma fiscalização eficaz, neste caso intensa e com recurso a entidades independentes.Sabemos que a situação é gravíssima mas não sabemos, por enquanto, a gravidade, extenção e intensidade da poluição já ocorrida e acumulada, nem até que ponto e a que custo pode ser minimizada e revertida. Se fosse este o caso, seria uma boa oportunidade para evitar que os americanos transformem os Açores numa base militar, conforme a proposta de utilização do nosso espaço aéreo para treino militar de caças e outras naves. MAS ATÉ ISSO NÃO SE APLICA como compensação pelos danos provocados pois é competência do Governo Regional (e da República) não lhes dar autorização para tal (2). Já somos responsáveis por ficar na História com os Açores e as Lages ligadas à Cimeira da Guerra do Iraque.É certo que o pior dos cegos é o que não quer ver!(1) – Já na década passada foi denunciado o escândalo dos americanos da Base das Lajes terem adjudicado a empresas privadas o destino de resíduos perigosos de demolição (Fibrocimento ou Asbestos com Amianto comprovadamente cancerígenos) que os abandonaram inclusive junto a uma escola. O assunto chegou a ir a tribunal, mas estes resíduos continuam na Terceira, escondidos com terra. (2) – É no mínimo duvidosa a utilidade da Base das Lages para os Açores, nomeadamente quando comandam a nossa própria vontade política. Nada temos contra o Povo Americano nem contra os seus dólares, mas um dolar ($ US) até vale menos do que um Euro açoriano.

Opinião (Veríssimo Borges, Membro da Quercus e Mestrando em Educação Ambiental da Universidade dos Açores)
(In Diário dos Açores)

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quinta-feira, maio 15, 2008

Amigos dos Açores apoiam Projecto “EDUCAR PARA A ENERGIA”

O dia 3 de Maio, Dia do Sol, foi o escolhido pela equipa que vai implementar o projecto para fazer a primeira apresentação pública do mesmo.
A constituição da equipa é a seguinte:
- Cláudia Tavares - professora do 1º Ciclo do Ensino Básico da Escola Básica Integrada de Rabo de Peixe
- Helena Primo – professora do 2º Ciclo do Ensino Básico da Escola Básica Integrada Canto da Maia
- Teófilo Braga – professor do 3º Ciclo e Ensino Secundário da Escola Secundária das Laranjeiras
- Veríssimo Borges – empresário
Esta equipa é coordenada cientificamente pelo Prof. Doutor António Félix Rodrigues e pelo Prof. Doutor Pedro González, da Universidade dos Açores.
Apresentação
A produção/consumo de energia é um factor indispensável para a vida das sociedades industrializadas, mas é também responsável pela degradação ambiental. Conscientes deste facto, no âmbito da disciplina de Projectos de Intervenção Ambiental, do mestrado de Educação Ambiental da Universidade dos Açores, um grupo de alunos decidiu apresentar um projecto de intervenção com vista a tentar colmatar algumas lacunas na área da Educação para a Energia.
O Cenário Actual
A energia é um recurso indispensável para a vida, ao bem-estar dos cidadãos e ao desenvolvimento socioeconómico, de todas as sociedades, sendo de realçar o facto de ter ocorrido um crescimento exponencial do consumo de energia total e por pessoa desde os primeiros tempos da sociedade industrial até aos nossos dias. Mas, para além de um recurso indispensável ao desenvolvimento socioeconómico, a energia é também um forte factor de pressão ambiental.
Ao longo das últimas décadas, a utilização racional dos recursos naturais e a preservação da qualidade do ambiente assumiram-se como preocupações fundamentais nas políticas de desenvolvimento sustentável de todas as regiões, inclusive da Região Autónoma dos Açores, com especial ênfase no que se refere à produção de energia.
Não existe, de forma sistematizada e em linguagem acessível, informação sobre a história e a situação actual do aproveitamento das energias renováveis no arquipélago dos Açores. Os mesmos autores referem que os manuais escolares adoptados nos Açores, sendo de âmbito nacional, não contêm referências pormenorizadas à realidade local.
Por outro lado, embora os conteúdos programáticos do ensino básico e ensino secundário, já abordem as aplicações das energias renováveis e apresentem recomendações para o uso eficiente de energia, não evidenciam a complementaridade disciplinar, nem exploram suficientemente actividades em contexto de projecto escolar ou clube de ciência (não formal). Não tem existido formação contínua com vista ao desenvolvimento de competências científicas por parte de todos os professores, nomeadamente dos do primeiro ciclo do ensino - básico. Esta situação é preocupante quando tudo leva a crer que a maioria destes professores é oriunda do então designado agrupamento 4 (Humanísticas). Com efeito, num levantamento efectuado no ano lectivo 1999/2000 chegou-se à conclusão que a percentagem de alunos que estava a frequentar o Curso de “Ensino Básico- 1º Ciclo” que não tinha frequentado no secundário disciplinas na área das ciências era de 88,8%.
Por último, tal como acontece a nível nacional, nos Açores há um atraso por parte da sociedade em despertar para o potencial de aplicação das energias renováveis.
Objectivos
São objectivos do projecto:
- Transmitir e consolidar ideias fundamentais relativas ao enquadramento do sector energético mundial, europeu, nacional e regional, num contexto de políticas, bem como de conceitos científicos fundamentais à sua correcta interpretação; - Sensibilizar para a necessidade de se racionalizar os consumos de energia, com principal enfoque para a redução dos consumos de energia eléctrica. - Enquadrar as noções transmitidas na perspectiva ambiental, social e económica. - Transmitir a noção da responsabilidade colectiva, objectivando a racionalização de consumos energéticos, onde se enquadra a redução dos consumos de energia eléctrica. Produtos/Acções
De entre os produtos/acções destacam-se:
- Folheto de apresentação do projecto;
- Acções de sensibilização para professores;
- Criação de material didáctico para alunos (fichas de trabalho, jogo da energia, guia de auditoria energética, simuladores de poupança de energia, etc.);
- Minuto energético verde (conselhos sobre eficiência energética) a propor a uma rádio local;
- Elaboração de um guião de uma visita de estudo à central geotérmica da Ribeira Grande, destinado a alunos dos 1º/2º ciclos, e visita à mesma.
- Relatório final, onde para além do estado da arte, nos Açores, se incluirá uma análise a alguns programas e manuais escolares, uma caracterização da situação energética regional, bem como todos os materiais produzidos no decurso do projecto.
Público-alvo
Como público-alvo directo escolhemos, em primeiro lugar, as crianças e jovens, tendo em consideração, entre outros aspectos, a sua idade e nível de escolaridade.
Para além daqueles, destacamos os professores, pois a sua motivação é condição necessária para a transmissão de novos conhecimentos e para a aceitação de novos valores. Além disso, os professores, serão nossos parceiros no ajustamento e aperfeiçoamento de alguns dos materiais que iremos preparar.
Por último, pretendemos chegar ao público em geral, nomeadamente se for possível a concretização de um “ Minuto pelos Açores”, numa das rádios locais.
Blog do Projecto
Desde o passado dia 11 de Abril, o projecto possui um blog (http://www.educarparaaenergia.blogspot.com/) onde divulga as actividades, os materiais elaborados e reflexões sobre a temática energética.

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sexta-feira, maio 02, 2008

Base das Lajes polui ilha Terceira

Governo Regional dos Açores vai solicitar às autoridades norte-americanas toda a documentação que permita esclarecer este caso.
Uma investigação da Antena 1 revela que a ilha está a ser contaminada por hidrocarbonetos e metais pesados com origem na base militar norte-americana. Uma das áreas mais afectadas é a do aquífero base da Terceira, que abastece a rede pública.
A Antena 1 teve acesso a documentos, analisados por peritos, que permitiram apurar que são quatro as grandes zonas de poluição, às quais se juntam outras 34 áreas de menor incidência, espalhadas por toda a ilha Terceira. A contaminação do meio ambiente é feita por hidrocarbonetos e metais pesados com origem na base militar norte-americana. Uma das áreas mais afectadas é a do aquífero base da Terceira, que abastece a rede pública. Um dos especialistas em Ambiente contactados pela Antena 1, Félix Rodrigues, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, fala em níveis “extremamente preocupantes” de manganésio, alumínio, substâncias cancerígenas e desreguladores endócrinos que podem ter efeitos nefastos não só na próxima geração, mas também nas seguintes.

O Governo açoriano vai pedir esclarecimentos às autoridades norte-americanas. Confrontado com esta notícia, o Governo Regional dos Açores garante não ter elementos que permitam confirmar que a saúde pública está a ser comprometida pela actividade da Base das Lajes. André Bradford, representante do governo na comissão de acompanhamento da Base das Lajes, promete solicitar às autoridades norte-americanas toda a documentação que permita esclarecer este caso.

A Quercus surpresa com as conclusões da investigação da Antena 1 A envergadura da poluição causada pela Base das Lajes apanhou de surpresa a delegação açoreana da Quercus. O ambientalista Veríssimo Borges também aluno de Mestrado em Educação Ambiental da Universidade dos Açores ressalva que o problema da poluição provocada pela base militar norte-americana é há muito conhecido, mas não com as consequências para a saúde publica hoje reveladas.

(Armando Mendes, Antena 1)

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