quinta-feira, abril 16, 2009

Vulcão em erupção ameaça Galápagos

A erupção do vulcão ‘La Cumbre’ está a ameaçar as Ilhas Galápagos, no Pacífico. A actividade vulcânica começou no domingo e, apesar de ser "normal", deixou os responsáveis do Parque Nacional de Galápagos, património natural da Humanidade, preocupados. O vulcão chegou a ameaçar a fauna da Ilha Fernandina, situada a mil quilómetros da costa do Equador.
As autoridades equatorianas adiantaram que vão proceder à avaliação da magnitude do fenómeno e registo das alterações produzidas no ecossistema. No entanto, João Pedro Barreiros, biólogo da Universidade dos Açores, considera ao CM que se trata de "um fenómeno de pequenas proporções e recuperação rápida". Ainda que o enxofre e o dióxido de carbono libertados sejam prejudiciais à vida nas ilhas, "não há um risco de calamidade para a flora local."
A ilha de Fernandina tem a maior actividade geológica no arquipélago, mas a última erupção aconteceu há quatro anos.

As Ilhas Galápagos são conhecidas pela sua diversidade biológica, chegando mesmo a albergar espécies animais únicas em todo o planeta.
Tartarugas gigantes, iguanas marinhas e terrestres e lobos marinhos formam um agregado populacional de cerca de 2900 espécies.
A ilha foi inicialmente explorada por Charles Darwin, naturalista britânico que catalogou espécies absolutamente novas e que prestaram um contributo decisivo para a elaboração da teoria da Selecção Natural e da evolução das espécies.
APONTAMENTOS
DIVERSIDADE

32% das plantas, 50% das aves, 25% dos peixes e todos os répteis presentes nas ilhas não existem em qualquer outro local do planeta Terra.
PEIXES
Há mais de 40 espécies de peixes, entre elas 12 espécies de tubarões, 18 de moreias e cinco de raias, o que faz com que a área apele à prática do mergulho.
RÉPTEIS
Dos répteis, as iguanas e as tartarugas são as mais procuradas pelos turistas. As visitas, controladas, atingiram o pico em 2006: 150 mil.
(In Valter Anacleto- Correio da Manhã)

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sábado, novembro 03, 2007

Capelinhos foi ilustrado e poetizado em livro

Todo o vulcão é espantoso, dependendo da distância e do tempo a que nos encontramos.
Cinquenta anos têm os Capelinhos. Há cinquenta anos morreram os Capelos.
“Vulcão Aberto” de António Silveira e Maria do Céu Brito, prefaciado pelo Professor Doutor Victor Hugo Forjaz, do Departamento de Geociências da Universidade dos Açores, analisa, pela imagem, pela poesia e pela paixão os 50 anos de um jovem vulcão. É ciência, é arte, é poesia e inegavelmente registo e história.
O livro apresentado pelo Professor Félix Rodrigues, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, durante a semana Cultural "Outono Vivo", na Praia da Vitória, Ilha Terceira-Açores, é uma obra transdisciplinar.
Diz Maria do Céu Brito: “Explosões violentas, jactos de cinza, nuvens de vapor negro, efervescente; repuxos, correntes de lava e deslizamentos de terras, alteraram a geologia da ilha - soterraram as casas e os solos produtivos; destruíram as culturas, as plantas, as árvores e os pastos dos animais; envenenaram as águas, as aves e os peixes. A atmosfera de cinza e de enxofre; os constantes abalos de terra; o mar aceso com descargas eléctricas transformaram a ilha numa paisagem negra e desoladora”. Mas não é disto que o livro trata.
Este ódio é, neste livro, seguido de uma transformação em amor:
O fogo aqui não arde sem se ver,
A não ser,
Por paixão.
O fogo aqui não queima sem razão,
A não ser,
Para se o temer.
A cinza dos Capelinhos que já foi ar,
Depois de massacrar,
É descrita como querendo retornar,
A exalar,
No mesmo lugar,
O aroma da vida.
Perdida.
António Silveira, retrata a face do vulcão como se de um jovem açoriano se tratasse. Regista as cinzas dos Capelinhos ainda impregnadas de bombas vulcânicas como acne na face de um adolescente. Aí, a vida rebenta, explode, agarra-se, respira, transcende-se.
Os autores procuraram olhar a vida nos pequenos musgos e líquenes que nos enfeitam a solidão de ilhéus, depois do local ter sido impregnado com a morte. O Vulcanismo sempre terrificou homens e outros animais (e, sabe quem?, até as plantas que alguns dizem ter “falar” próprio … ), afirma o Prof. Vítor Hugo Forjaz no prefácio.
Os Capelinhos nesta obra quase que são transparentes na essência, quase que são omnipotentes na sobrevivência, como a violência viva, ou a memória de uma ilha, brilhantemente retratada, com palavras cortantes, ilustrada, com encostas recortadas, areias espalhadas e odor a maresia, entre real e fantasia.
“Vulcão Aberto” é uma biblioteca inteira de emoções. Lê-se tantas vezes quantas a nossa necessidade de entender a paisagem e os sentimentos que os Capelinhos nos despertam.
(In Diário Insular)

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