domingo, fevereiro 17, 2008

Crise em Enfermagem nos Açores

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Contestação dos estudantes de enfermagem

Os finalistas da Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo exigiram ontem que a secretaria o da regional dos Assuntos Sociais reveja a política de contratação de enfermeiros para os quadros do Serviço Regional de Saúde.
Segundo os estudantes, a região tem falta de pessoal de enfermagem nas unidades de saúde, contudo as vagas estão congeladas e quem termina o curso não tem emprego. Mais de duas dezenas de finalistas fizeram questão de se deslocarem ao Solar dos Remédios (sede da tutela da saúde regional) para exprimirem os seus argumentos junto de Domingos Cunha, secretário da tutela.
Catarina Borges, finalista de enfermagem, garante que são perto de uma centena de estudantes (em Angra do Heroísmo e Ponta Delgada) que terminam o curso no final deste semestre (Julho) e que, “provavelmente, nenhum terá emprego na região”. “Ou vamos para o desemprego ou temos de emigrar para as Canárias”, sintetiza, revoltada com o sistema.
Os futuros enfermeiros fizeram questão de se aglomerarem junto à tutela para demonstrarem o “descontentamento” pelo cenário sombrio da falta de emprego na região. Segundo eles, tudo porque existe uma gestão “incorrecta das políticas de saúde”.
“Nós estamos à porta do desemprego”, assegura a estudante Ana Neves, lembrando que os colegas do ano anterior estão no desemprego.
Os jovens, que aguardavam no átrio dos Remédios pelos três colegas que foram recebidos pelo secretário, foram unânimes em afirmar que há uma tentativa de transformar os hospitais em empresas e “uma clara falta” de gestão no sector.

Secretário promete soluções

Domingos Cunha, secretário regional dos Assuntos Sociais, após ouvir os estudantes garantiu que o governo está “sensível e percebe a inquietação dos jovens enfermeiros”.
A tutela assume que está a criar condições para que estes jovens se possam fixar na região e lembra que nos últimos anos foram recrutados 419 novos enfermeiros para as unidades de saúde das ilhas.
Este ano, afirmou Domingos Cunha, o sistema regional volta a descongelar vagas para absorver mais “50 enfermeiros para os Centros de Saúde e para as Unidades de Saúde de Ilha”.
Em relação aos hospitais da região – transformados em Entidades Públicas Empresariais (EPE) – de acordo com a tutela, não necessitam de descongelar vagas para contratar enfermeiros.
O governante afiança que antes do final desta legislatura serão contratados mais 52 enfermeiros para o Hospital de Ponta Delgada e 23 para o de Angra do Heroísmo.
“A Rede de Cuidados Continuados também vai necessitar de enfermeiros”, alerta o secretário, recordando que existe ao dispor dos jovens enfermeiros vários incentivos para criarem empresas na área dos cuidados de saúde.
Porém, o responsável pelo sector da saúde admite que - a saírem das escolas de enfermagem a uma média de 100 profissionais por ano - dentro de quatro ou cinco anos os quadros públicos da região deixarão de ter condições para absorver todos os jovens enfermeiros.

Esperança no emprego

A representante da Ordem dos Enfermeiros na região já tinha confirmado que, dos enfermeiros que acabaram o curso em Julho de 2007, “existia ainda um grande número que não tinha sido colocado”.Contudo, assumiu que esta falta de colocação se deveu a um atraso no início da contratação dos enfermeiros devido, em parte, à recente passagem dos hospitais dos Açores a entidades públicas empresariais. “Foi um ano de transição em que as metodologias de contratação não estavam muito clarificadas”, reconheceu, recentemente, a representante da Ordem, ao adiantar que os hospitais têm pedidos de contratação de 120 enfermeiros.A Ordem dos Enfermeiros também afirma que muitas unidades de saúde da região têm falta de enfermeiros para responder às necessidades.
Os partidos da oposição também já fizeram saber que não percebem como é que uma região que necessita de enfermeiros nos serviços de saúde tem profissionais no desemprego.

(In A União)

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Finalistas de Enfermagem manifestam-se contra a precaridade de emprego na Região

Um grupo de finalistas do curso de Enfermagem da Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo (ESEAH) do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores, manifestou-se, em frente à secretaria regional dos Assuntos Sociais, o seu descontentamento em relação às perspectivas de emprego na Região. “No último ano, saíram das duas escolas de enfermagem da Universidade dos Açores cerca de 90 enfermeiros e os poucos que conseguiram emprego ficaram colocados nas Canárias ou no continente”, sublinhou um dos manifestantes.“Estamos a quatro meses de terminar o curso e queremos saber que planos tem o Governo Regional para nós”, acrescentou. O dia escolhido para o protesto coincidiu com uma audiência concedida pelo secretário regional dos Assuntos Sociais, Domingos Cunha, a três representantes dos finalistas de Enfermagens da ESEAH.
“INCONCLUSIVO”
À saída, a porta-voz dos estudantes, Ana Grilo, considerou o encontro “inconclusivo”.“As respostas do secretário regional não foram de encontro ao que esperávamos”, afirmou, considerando que “não foi transmitida nenhuma expectativa de melhoria da empregabilidade nos Açores”.“Saímos, assim, mais desiludidos desta reunião”, afirmou.Ana Grilo adiantou ainda que os finalistas do curso de Enfermagem das duas escolas da Região vão agora enviar uma carta aberta ao presidente do Governo Regional, transmitindo as suas preocupações.“O nosso objectivo é reunir os alunos de Enfermagem de Angra do Heroísmo e Ponta Delgada, no sentido de reivindicar não só mais emprego, como também melhorias na prestação de cuidados de saúde na Região, que irão reflectir-se na criação de emprego”, destacou.
“TODO O EMPENHO”
Por seu lado, o secretário regional dos Assuntos Sociais garantiu, em declarações ao DI, que “sempre que se justifique a contratação de mais enfermeiros, no sentido de melhorar a prestação de cuidados de saúde na Região, essas contratações serão autorizadas”. Domingos Cunha salientou, no entanto, que “tem de haver a consciência de que o Serviço Regional de Saúde nem sempre tem necessidade ou capacidade para absorver a totalidade dos enfermeiros formados no arquipélago”. O governante lembrou, por outro lado, a existência de “incentivos para a criação de empresas prestadoras de cuidados de saúde”, que podem constituir uma oportunidade de emprego para os recém-licenciados.“Temos todo o empenho em apoiar o ingresso dos novos licenciados no mercado de trabalho, tendo em conta, todavia, as nossas condicionantes”, assegurou.O secretário regional referiu igualmente que, na actual legislatura, foram integrados mais 419 enfermeiros no Serviço Regional de Saúde, que totaliza assim 1.238 enfermeiros. “Temos um rácio de 5,6 enfermeiros por mil habitantes, muito superior ao rácio do continente de 4,6 enfermeiros por mil habitantes”, sublinhou.Lembrou ainda que, no final de 2007, foram descongeladas mais 50 vagas para os centros de saúde e unidades de saúde e autorizada a contratação de mais 87 enfermeiros para os hospitais do arquipélago.“Neste momento, está autorizada a contratação de mais 52 enfermeiros para Ponta Delgada e mais 26 para Angra do Heroísmo”, disse. Em 2008, deverão sair da ESEAH e da Escola Superior de Enfermagem de Ponta Delgada cerca de 90 enfermeiros.
(In Diário Insular)

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