quarta-feira, julho 15, 2009

Escolas e empresas preparam-se para a Gripe A

À semelhança do que vai acontecer no continente, a gripe A não vai ditar o adiamento do início das aulas na Região. Já o rastreio dos alunos é ainda incerto
Numa altura em que se discutem as medidas que devem ser tomadas nas escolas de todo o país no arranque do próximo ano lectivo, face à ameaça do vírus da gripe A, a directora regional da Educação e Formação afasta o adiamento do início das aulas, e o secretário regional da Saúde remete a decisão sobre um eventual rastreio a todos os alunos para mais tarde, depois de "observar o que vai ser feito a nível nacional e internacional".
Esta foi a reacção do Governo às duas propostas feitas ontem por associações de pais e encarregados de educação do continente.
Este ano lectivo, os professores já divulgaram junto dos alunos as recomendações gerais da Secretaria Regional da Saúde, e novos procedimentos a adoptar pelas escolas vão ser estabelecidos antes do início das aulas.
"As informações sobre o que fazer, quando fazer, e como fazer vão ser disponibilizadas de forma bem mais concreta aos órgãos executivos das escolas, antes do dia 1 de Setembro", garante Fabíola Cardoso.
Vão ser feitas recomendações às escolas no que diz respeito quer à higiene pessoal dos alunos, docentes e funcionários, quer à higienização do ambiente escolar, que a Direcção Regional da Educação vai exigir que sejam "seguidas à risca".
Cada escola terá, no entanto, autonomia para operacionalizar o seu plano "consoante as suas necessidades e características, porque cada contexto escolar tem uma realidade muito específica", justifica a directora regional.
Deverá haver um cuidado especial com materiais didácticos utilizados nos jardins de infância, "uma vez que passam de mão em mão e podem entrar em contacto com a boca", assim como com o arejamento e limpeza das salas.
No caso de se verificarem casos suspeitos ou confirmados de gripe A nos estabelecimentos de ensino da Região, a directora regional da Educação e Formação explica que "deverá haver uma articulação entre os órgãos executivos das escolas e a autoridade de saúde do respectivo concelho, que será responsável por tomar decisões sobre as medidas a tomar, incluindo a hipótese de encerramento do estabelecimento".
No que diz respeito à Universidade dos Açores, a reitoria já elaborou o seu próprio plano de contingência, que será implementado no início do ano lectivo e que se prende essencialmente com o controlo da higiene das mãos das pessoas que frequentem os edifícios da academia.
O plano contempla ainda duas outras fases - que serão accionadas apenas se a evolução da situação o exigir -, que consistem, primeiro, na prestação de serviços mínimos e implementação de aulas à distância, através da internet, e numa última fase, o encerramento da instituição, como explicou o vice-reitor Jorge Medeiros à Antena1 Açores.
Empresas previnem propagação
Algumas das empresas regionais de maior dimensão têm também planos de contingência em curso para prevenir a propagação do vírus da gripe A.
É o caso da SATA, cujo plano contém também três fases: a primeira foi colocada em marcha em Maio, e consistia na disponibilização de material de protecção pessoal pelos funcionários que contactassem com passageiros provenientes da América do Norte e o reforço da limpeza das aeronaves com produtos com maior teor alcoólico. A segunda fase do plano entrou em vigor no passado dia três de Julho e caracteriza-se pelo reforço da comunicação interna sobre as medidas a adoptar caso se verifiquem suspeitas de gripe a bordo dos aviões da companhia. A terceira fase do plano, que será accionada apenas se houver a propagação do vírus através dos trabalhadores da empresa, implica uma série de medidas pode levar ao cancelamento de alguns voos - situação que a empresa afasta por agora.
Nos hotéis da Bensaude Turismo estão a ser implementadas medidas de prevenção desde Abril, que foram reforçadas quando ocorreu o primeiro caso nos Açores. A higienização de diversos objectos (como as maçanetas de portas, por exemplo) é uma das preocupações, assim como a distribuição de um panfleto de informação pelos quartos das unidades hoteleiras, como explicou o director-geral dos hotéis Bensaude, António José Silva, que garante que a empresa mantém um contacto estreito com a delegação de saúde.

(in João Cordeiro -Açoriano Oriental)

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segunda-feira, novembro 05, 2007

Prémio e castigo dos professores

As escolas secundárias foram classificadas a nível nacional. Genericamente as escolas dos Açores continuam a meio da tabela. Também é verdade que dos dez estabelecimentos de ensino melhor classificados, nove são escolas privadas e apenas uma é escola pública. A classificação das escolas foi feita de acordo com as notas obtidas pelos alunos nos exames nacionais. Sendo assim não há muitos argumentos a opor quanto aos critérios de classificação. As melhores notas significam a possibilidade dos alunos terem uma carreira melhor. As melhores notas representam também uma maior probabilidade do país ser mais produtivo e competitivo.
De acordo com o Professor Tomaz Dentinho do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, a primeira ilação a tirar tem a ver com o tipo de escola. As escolas privadas são normalmente melhores do que as escolas públicas. E, se assim é, parece fazer todo o sentido que os nossos impostos sejam canalizados para que existam mais escolas privadas, para que produzam um ensino de qualidade para todos, em vez de servirem para manter um sistema de ensino público caro e ineficiente. Nesta perspectiva, porque é que o Governo não privatiza a gestão da nova escola de São Carlos, na ilha Terceira-Açores? Porque razão não faz um concurso de concessão pública da Escola Vitorino Nemésio na Praia da Vitória, Terceira, ou da Escola Antero de Quental em São Miguel? Estou certo de que apareceriam compradores desde que não tivessem de herdar os muitos docentes com vínculo que leccionam actualmente naquelas escolas.
A segunda ilação que podemos tirar é que ao longo dos anos a diferença entre as escolas melhores e piores aumenta. Dá a impressão que o Governo não tem em atenção a classificação das escolas. De facto, embora a Constituição diga que deve haver ensino de qualidade para todos, a verdade é que o sistema montado acaba por beneficiar sempre os alunos de umas cidades face ao de outras. Porque não fazer concursos especiais para professores em escolas que têm problemas crónicos, transferindo para lá os melhores professores, mesmo que pagando um pouco mais? Na verdade, a classificação é tão precisa que não é difícil identificar os professores associados aos melhores e piores desempenhos. Assim, bastaria que uma parte do ordenado fosse indexada ao desempenho dos alunos e à sua evolução para que, imediatamente, se notassem melhorias na prestação dos docentes e, necessariamente, dos alunos. E é assim que, os professores de matemática da Escola Vitorino Nemésio e Padre Emiliano de Andrade poderiam continuar a ganhar o seu ordenado base e ter nota baixa na sua classificação, enquanto que os professores de biologia da escola da Praia e os de Desenho da Escola de Angra poderiam ter um acréscimo de ordenado de, por exemplo, 5% durante o ano 2007/2008 devido à sua boa prestação relativa. Quem mereceria um acréscimo especial nos ordenados é a escola secundária de São Roque do Pico que é a melhor a nível regional.
O desempenho do sistema de ensino depende de muitos factores. Da parte dos alunos é bom ter condições de estudo, é benéfico ter o testemunho e o exemplo dos que são mais próximos, é importante ter respeito pelos professores e ajuda ter um bom enquadramento dos que tem piores notas como acontece nos países europeus mais civilizados. Da parte da sociedade é fundamental que o sistema económico e social premeie aqueles que mais estudam porque caso contrário não vale a pena continuar a estudar. Finalmente, da parte da escola é essencial que o ensino seja de qualidade, que a avaliação seja justa, que existam actividades extra curriculares que complementam a formação do aluno; isto para além de ter de haver bons materiais de estudo e boa acessibilidade a casa.
O que vamos vendo é que os governos se preocupam apenas com a construção de novas escolas, com o vínculo e colocação dos professores e com a elaboração de exames gerais. O que não vemos é premiar os bons professores e penalizar os maus. É isso que faz o ensino privado e é só por isso que é melhor.
(In A União)

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