Alterações climáticas e o litoral
Nessa conferência, organizada pela Engª Cristina Câmara do município mariense, e integrada nas actividades da Autarquia, no âmbito da atribuição do Galardão Bandeira Azul da Europa 2008 às praias do Concelho, foi referido que o aquecimento global do planeta acarreta, de forma inequívoca, um aumento do nível médio das águas do mar decorrentes do degelo das massas de água congeladas e acumuladas sobre terra, tanto na Antártida como na Gronelândia ou nas montanhas terrestres.
Esse problema torna-se deveras preocupante se atendermos ao facto da maioria da população mundial viver a menos de 100 km da orla costeira. Por outro lado, o litoral europeu e norte americano encontra-se muito alterado, equivalendo no caso português à quase totalidade da costa do território continental, o que torna ainda o litoral mais vulnerável às alterações climáticas. Na América do Sul, especialmente Brasil, o litoral também tem sofrido enormes pressões, estando alterado na sua maioria, mas com um grau de alteração menor do que aquele que se verifica nos territórios anteriormente mencionados. A nível dos Açores, o litoral tem sofrido pressões elevadas, notando-se alterações muito acentuadas em alguns locais das ilhas de São Miguel e Terceira e em menor grau nas restantes ilhas.
A vulnerabilidade do litoral de Santa Maria à subida das águas do mar, não é tão crítica como aquela que se prevê para Ponta Delgada, Praia da Vitória, algumas fajãs de São Jorge ou Lajes do Pico. Na ilha de Gonçalo Velho, as populações mais vulneráveis a esse fenómeno localizam-se, por essa ordem, na Praia Formosa, Maia, Anjos, Baía de São Lourenço e Vila do Porto.
A Praia Formosa é especialmente vulnerável, porque a taxa de erosão média numa praia é de cerca de 150 vezes a subida do nível do mar, ou seja, tem-se verificado, em média, um recuo das praias de 6 m por década, para 4 mm de subida do nível do mar por ano. A verificar-se essa tendência, o areal da Praia Formosa praticamente desaparecerá nos próximos 20 anos.
Perante estes cenários pouco confortantes, e sabendo que se parássemos hoje as emissões de dióxido de carbono, o mar continuaria a subir, porque esse gás permanece na atmosfera por cerca de 500 anos, há que estabelecer medidas locais de mitigação e adaptação à subida do nível médio da água do mar.
As medidas de mitigação e adaptação às alterações climáticas globais, no litoral das ilhas açorianas passam, por uma gestão eficaz do território, por uma intervenção capaz e atenta da comunidade científica e poder local, por uma divulgação e discussão de diversos cenários de alterações do litoral com ênfase para o nível local, por uma ampliação sistemática dos conhecimentos e cultura das populações e pelo exercício de uma cidadania responsável e activa de todos os cidadãos.
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Adaptação, porque, como explicou é necessário adoptar novos comportamentos tais como poupar água ou não construir futuramente casas ao pé do mar. O Professor deixou ainda aos presentes, crianças e adultos, alguns dados importantes para se consciencializarem da gravidade da situação, como, por exemplo, o facto de o planeta ter registado novas 200 espécies de plantas e animais de 2007 para 2008 no livro vermelho das espécies ameaçadas, ou a crescente mortandade relacionada com as alterações climáticas, que, só no nosso país, fazem 800 mortos por ano, no Verão, e cerca de 8 000 no Inverno, a maioria dos quais de idosos e de crianças. Por último quer o Prof. Félix Rodrigues quer a Vereadora Luísa Brasil endereçaram às crianças os seus parabéns pela qualidade dos trabalhos, quer ao nível estético e gráfico, quer, principalmente, ao modo como conseguiram transmitir a mensagem pretendida. A primeira classificada foi a Verónica Batista do 4.º ano da Escola Secundária Tomás de Borba; em segundo lugar ficou a aluna do 4.º ano da EB/JI dos Altares, Natália Mendes; em 3.º lugar ficaram, em ex aequo, o aluno do 4.º ano da EB/JI do Cantinho, Miguel Nunes, e a aluna do 3.º ano da EB/JI de Santa Bárbara, Marisa Inês.
