quinta-feira, outubro 29, 2009

Apresentação Publica do Pónei da Terceira


Uma das novidades do Programa da Feira da Golegã deste ano, é a apresentação publica do Pónei da Terceira, marcada para dia 14 de Novembro, Sábado, pelas 18H00, no Largo do Arneiro e que será levada a cabo pelos alunos da Academia Equestre João Cardiga.
Marta Rosa, Joana Salgado, Guilherme Cunha, Antonio Cardoso, Antonio Corte Real, Beatriz Ferraz, Debora Monteiro e Rodrigo Romão, são os jovens a quem coube a responsabilidade de apresentar cerca de uma dezena destes pequenos animais, candidatos ao reconhecimento zootécnico como raça autóctone portuguesa.
Segundo o Professor Artur Machado, da Universidade dos Açores, responsável pelos animais: "O seu número é tão reduzido, que a sua capacidade de sobrevivência depende de apoios externos e de uma gestão rigorosa do efectivo. O Pónei da Terceira preenche todos os requisitos definidos pela FAO (Food and Agricultural Organisation of the United Nations) para que seja considerado raça Autóctone, não só pela separação geográfica existente entre animais que fenotipicamente possam ser semelhantes, mas também pelo enraizamento na cultura Açoriana em cujo quotidiano participou activamente. A Universidade dos Açores, através do Centro de Biotecnologia, deu início em 1998, à sua caracterização biométrica e genética, através de marcadores moleculares, com o intuito de recuperar o Pónei da Terceira. Este trabalho reveste-se não só de aspectos meramente científicos, mas também pretende salvaguardar o futuro destes animais, através da sua divulgação para novas funções. Se outrora a vocação para os trabalhos agrícolas era preponderante, hoje em dia o Pónei será atractivo para as actividades lúdicas e desportivas."
O Pónei da Terceira é um animal de pequenas dimensões, mas com proporções muito correctas e equilibradas, confundindo-se com um puro-sangue Lusitano em ponto pequeno. São animais rápidos, inteligentes, extremamente dóceis e de fácil maneio, a que acrescem as feno típicas de beleza e dimensão que fazem deste animal um excelente companheiro para as classes iniciais de equitação onde, por vezes, os jovens aprendizes sentem receio dos animais maiores. Igualmente, as suas características permitem vê-lo como possível parceiro, em actividades de socialização de pessoas com deficiência.
A parceria agora efectuada com a Academia Equestre João Cardiga, conhecida pela sua aposta no trabalho com pequenos equídeos, desde há vários anos, torna-se assim plenamente justificada.
A Apresentação na Feira da Golegã, tem entrada livre.
Os treinos dos animais e dos alunos poderão ser observados, nas instalações do Centro Equestre João Cardiga, em Leceia, Oeiras.
Fonte: CEJCNa foto: Nuvem, com o seu poldro Elvis (in Revista de Equitação Oline)

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quarta-feira, outubro 28, 2009

1.º Fórum Int. do Puro Sangue Lusitano na Dressage para breve


Da Antiguidade à Conquista Olímpica, o Cavalo Lusitano na Competição Internacional de Dressage no início do século XXI" é o mote para três dias de discussão com os especialistas da disciplina.

O Fórum decorre na Academia de Dressage de Portugal, entre os dias 30 de Outubro a 1 de Novembro.

PROGRAMA
 
 Quarta-Feira 28 de Outubro

Quinta-Feira, 29 de Outubro
 Visita à Coudelaria Veiga [Quinta da Broa] http://cavalonet.com/manuelveiga
Visita à Casa do Cadaval —www.casacadaval.pt
(Para marcar a sua viagem contacte a organização)
 
Sexta-Feira, 30 de Outubro, 1º Dia
 9h Recepção
9h30 Cerimónia de Abertura - Apresentação do Fórum
10h00 HISTÓRIA DO LUSITANO
Arsénio Raposo Cordeiro (Especialista em Lusitanos; Juiz Internacional da Raça Lusitano, autor de O Cavalo Lusitano, o Filho do Vento)
10h20 EVOLUÇÃO HISTÓRICA
João Ralão (Secretário Geral da APSL)
10h40 ANÁLISE GENÉTICA E DEMOGRÁFICA DO CAVALO LUSITANO
Dra. Maria do Mar Oom (Universidade de Lisboa, Cientista especializada em Genética do Cavalo Lusitano)
11h Painel de Discussão
11h20 Coffee break
11h40 O CAVALO BARROCO NO ACTUAL PANORAMA DE COMNPETIÇÃO - PROCURAS NA FUNCIONALIDADE E MORFOLOGIA
Dr.Robert Stodulka (Veterinario, Docente da Universidade de Viena)
12h20 ANALYSIS OF COLLECTION IN THE DRESSAGE HORSE
Dra. Hilary Clayton (Director McPhail Equine Performance Center; Cientista em Biomecânica e autora de vários estudos de referência)
13h00 Painel de Discussão
Almoço Buffet
15h 24 HORAS NO RITMO DE UM CAVALO - IMPLICAÇÕES NO MANEIO
Dra. Barbara Murphy (Cientista em Genética na Universidade de Dublin)
15h40 PARÂMETROS DE SELECÇÃO [CONFORMAÇÃO, ANDAMENTOS E TEMPERAMENTO]
Axel Brockmann (Director da Coudelaria Hannoverian )
16h20 Painel de Discussão
16h40 Coffee Break
17h MONTABILIDADE, MANEIO E DESBASTE
Dr. Ulf Möller (Director de Gestão de Cavalos Novos na PSI Hof Kasselmann In ternational) Manuel Veiga monta Almansor da Broa e Luis Azeitona monta Zuelo
17h45 O TREINO PARA A COMPETIÇÃO-APROXIMAÇÃO AO GRANDE PRÉMIO
Maria Moura Caetano monta Útil and Xiripiti, acompanhada por Francisco Cancella de Abreu (Juiz FEI)
18h30 Painel de discussão
 
Sábado 31 de Outubro
 
9h TECNOLOGIAS DE REPRODUÇÃO EQUINA NO LUSITANO
Dr. Miguel Blibernicht (Veterinário)
09h30 A ALIMENTAÇÃO DO CAVALO LUSITANO NA DRESSAGE
Luís Veiga (Director de Departamento de Produção Alimentar da Intacol)
10h20 APRESENTAÇÃO DE CRIADORES
Casa Cadaval , Coudelaria Elevage Massa e Coudelaria de Santa Margarida
11h Painel de Discussão
11h20 Coffee break
11h40 O TREINO PARA A COMPETIÇÃO-GRANDE PRÉMIO
Kyra Kyrklund monta Rico [em DVD]]
Daniel Pinto monta Tálio
13h00 Painel de Discussão
Almoço Buffett
15h O Futuro do Lusitano Genes Bons e Maus
Dr. Artur da Câmara Machado (Centro de Bio Tecnologia –Universidade dos Açores)
15h:40 Painel de Discussão
16h A CONFIRMAÇÃO DA HEREDITARIEBILIDADE-SISTEMAS MODERNOS PARA A AVALIAÇÃO DA RAÇA LUSITANA
Mariette Whitages (Juiza FEI "o" ; Ex Presidente do Comité de Dressage da FEI) , Francisco
Cancella de Abreu (Juiz FEI) e criadores
Spartacus, Água-Viva [Coudelaria de Santa Margarida]
Tálio, Beto [Coudelaria Ortigão Costa]
Altiva, Jandaia e Quixote [Herdade das Figueiras]
16h40 Painel de discussão
17h Coffee Break
17h20 A CRIAÇÃO DO LUSITANO E PERSPECTIVAS INTERNACIONAIS
Enrique Guerrero-Yeguada La Lyra Y La W
Manuel Tavares de Almeida– Coudelaria Rocas do Vouga
Eduardo Fischer-Haras Villa Do Retiro
18h Painel de Discussão
18h30 Apresentação da Coudelaria Elevage Massa

(In Revista equitação online)

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quarta-feira, julho 22, 2009

GRANDE ENTREVISTA – a Bento Castelhano

Por Rodrigo Almeida

Para além da democratização do conhecimento, sempre pugnei pelo culto da pluralidade, entendendo ambos como contributos decisivos na construção da desejável massa crítica. Neste espírito resolvi perspectivar aos leitores deste blog, por interposta pessoa, respectivamente, o Francisco Cancella de Abreu e agora o Bento Castelhano, as respostas fundamentadas por ambos às mesmas perguntas.
Julgo que todos conhecem o cavaleiro Bento Castelhano mas talvez poucos o conheçam na sua vertente zootécnica. Nesta perspectiva partimos à descoberta do zootécnico, cujo currículo nesta vertente, acumula uma experiência passada como Secretário Técnico da APSL, e actualmente como consultor técnico de algumas coudelarias de referência em Portugal (Casa Cadaval e Quinta da Lagoalva, entre outras).


Desde já agradeço ao Francisco Cancella de Abreu (entrevista publicada na coluna à sua direita) e ao Bento Castelhano, a disponibilidade com que ambos se voluntariaram a dar nas resposta às perguntas que lhes remeti, que seguramente vão ao encontro do esclarecimento de quem vivencia a Raça Puro Sangue Lusitano em todo o seu Potencial.
1. Fazendo uma retrospectiva da evolução da raça e tendo em consideração que o aparecimento de cavalos de grande importância se têm mantido com um certo espaçamento (Firme, Novilheiro, Guiso, Peralta), quais as diferenças mais importantes que tem sentido em termos de montabilidade, mecânica de andamentos e força, entre os animais do passado e os do presente?
BC - Desde os meus primeiros contactos com a Raça, regra geral, os parâmetros referidos evoluíram positivamente.
Na opinião dos alemães os cavalos são o produto de três lados de um triângulo: 1/3 referente à sua genética; 1/3 ao maneio de cria (alimentação/crescimento) e o último 1/3 no trabalho e treino a que são sujeitos. Como zootécnico e cavaleiro revejo-me nesta imagem, onde a falha de um dos “lados” provoca desequilíbrios no produto final.
As condições edafoclimáticas nacionais não são muito favoráveis à criação cavalar, pelo que cabe ao criador, por via da técnica (maneio – alimentação, desparasitações, suplementos, etc.), suprimir muitas das lacunas que o meio ambiente deixou em aberto.
Na “linguagem” genética, o actual esquema de avaliação de reprodutores do Livro Genealógico, encontra-se desfasado das necessidades do mercado e, consequentemente, das de criação.
Portugal não compreendeu ainda, que tem de ser a finalidade (modalidades/mercado) a ditar os objectivos de criação/selecção. Neste sentido, as entidades responsáveis pelas modalidades (Federações Equestres, etc.) têm de articular o seu trabalho, necessariamente em contínuo, com as Associações de Criadores.
A pequena evolução constatada na montabilidade, locomoção e força, deveu-se exclusivamente aos concursos de Modelo e Andamentos e ao labor de um grupo restrito de criadores, despertos para o cavalo funcional. Não podemos minimizar o papel dos concursos de Modelo e Andamentos na evolução da Raça, uma vez que constituiu, na falta de outros indicadores, uma das “únicas” ferramentas de revelação de potencial desportivo.

Só mais recentemente a valorização funcional dos nossos cavalos, numa perspectiva do moderno cavalo de desporto, se tem pulverizado e subido de nível, numa importante e crescente espiral de participações de relevo, em modalidades desportivas de projecção universal, anteriormente “vedadas” ao estereótipo do cavalo Barroco.
Ainda na história da evolução da Raça, temos assistido, nos últimos anos, ao posicionamento dos nossos Lusitanos como animais de referência no mundo da tauromaquia.
Apesar de todo deste sucesso não podemos esquecer, ainda no âmbito da valorização funcional/avaliação genética da Raça, que continuamos longe do desenvolvimento técnico-científico alcançado nos países de referência da criação do cavalo de sela.
A nossa tradicional falta de sistematização e forma de estar, têm provocado endémicas assimetrias nos “lados do triângulo”, com nefastas perdas de muitos dos cavalos que, bem acompanhados, poderiam ser tão ou mais notáveis que aqueles que enumerou, mas que assim acabam por passar a sua vida útil no anonimato, muitas das vezes com “rótulos” perfeitamente injustos.
Apesar de numa perspectiva zootécnica, o Regulamento do Livro Genealógico não servir os interesses da Raça, há que reconhecer o trabalho meritório da APSL na promoção do Raça. Facto este, facilmente comprovado pelo crescente aumento da procura.
Lamentavelmente este trabalho não tem sido acompanhado de acções de melhoramento genético e tratamento estatístico. A importância da estatística, destrinça a aparência (fenótipo) do que efectivamente tem peso genético – a avaliação genética. O efeito comparativo desta avaliação, por via parental (comparativo entre ascendentes, colaterais e descendentes), só aporta resultados à escala da Raça e não à escala do criador.
A internacionalização da Raça iniciou-se pelas “mãos” do trabalho do Eng.º Fernando Sommer D’Andrade e do Mestre Nuno Oliveira. Contudo, o contexto da Raça e dos seus criadores alterou-se profundamente nos últimos 30 anos. O cavalo ancestral do sul da Península Ibérica, considerado um cavalo de guerra (da “Gineta”), com variantes artísticas, e fruto de uma criação em condições de estrema pobreza, teve de acompanhar a evolução dos tempos.
A própria internacionalização da Raça ditou a alteração das condições de cria e também o objectivo funcional dos Lusitanos. Repare-se que hoje em dia, até a utilização mais tradicional do nosso cavalo, o toureio, se transformou numa arte recriada de forma completamente diferente do passado.
No passado (30 ou 40 anos) a grande maioria dos criadores eram igualmente utilizadores. Recentemente surgiram criadores que não utilizam os seus produtos, e que de uma forma pouco sustentada e distante, multiplicam famílias ou linhas baseados em “cassetes” de propaganda, bem arquitectada, mas vazia de conteúdo funcional.
Neste contexto têm muita dificuldade em aferir um padrão de qualidade que lhes permita, quando confrontados com as faltas dos seus produtos, colocarem em causa o único referencial existente – as avaliações oficiais – que norteou estas faltas.
O mercado exige um criador esclarecido e informado, com lucidez para seleccionar cada vez melhor, tentando produzir para o mercado da utilização, em alternativa à infrutífera tirania da estética.
É urgente e de grande utilidade que os criadores se apercebam das vantagens da reintrodução das provas morfo-muncionais, num formato moderno e adequado, distante do antigo e hoje inviável formato organizacional do Estado Português. É facilmente entendível por qualquer chefia, inclusive a pública, que o horário rígido do actual funcionário público (09h às 17h), exercido em dias úteis, pouco se compadece com o esforço de trabalho exigido em provas deste tipo. A colaboração pública pode restringir-se à cedência temporária (por um muito breve espaço de tempo) das suas instalações e terrenos limítrofes (campo de provas).
Esta testagem precoce, em acumulação com a avaliação dos resultados da carreira desportiva, para além de permitir uma antecipação de resultados individuais, permitirá igualmente o acesso a uma forma de testagem estendível a todos aqueles que não tem meios financeiros para a valorização dos seus animais por via de uma carreira desportiva.
Com um tal sistema valoriza-se os animais de qualidade efectiva, de uma forma rigorosamente objectiva, sem influência de “cassetes” de propaganda, sabendo-se exactamente o valor genético de cada reprodutor, para o seu objectivo de selecção. Desta forma os bons criadores destacar-se-iam sempre!
2. Das três características anteriormente referidas como as classificaria por ordem de importância e porquê?
BC - Antes da resposta e apenas sobre a montabilidade, classificá-la-ia em três niveis:
a) os cavalos que “não gostam” de ser montados: eventualmente animais de grande importância na Natureza para a preservação da espécie no seu estado selvagem, dado o seu elevado grau de capacidade de defesa;
b) os cavalos facilmente domesticáveis e, normalmente, sem grande capacidade atlética (agilidade, resistência, exuberância de movimentos, etc);
c) cavalos com forte caracter e atleticidade, que normalmente exigem melhores cavaleiros, mas que também são os de grande potencial funcional, independentemente da disciplina.
Pela equitação conseguem-se muitas vezes mudar os cavalos de nível. Também verifico, infelizmente com muita frequência, que o mau trabalho destrói cavalos para sempre.
Em termos equestres, será difícil um cavalo ter boa Locomoção sem Força. Há cavalos que sem o cavaleiro mostram bons andamentos, mas que, uma vez montados, empregam os seus esforços apenas nas defesas. São os do tipo “a”.
Na equitação a Força tem de ser útil, pois quando vem dissociada da montabilidade não tem qualquer interesse.
Uma vez que a Equitação pode melhorar a Mecânica de Andamentos e a Força, em selecção dou sempre o previlégio à Montabilidade. Nos machos exigo que sejam sistemáticamente do grupo “c”, preferindo no desbaste das fémeas as “c”, mas admitindo “b”.
Na Raça impõem-se estudos sobre as Correlações Genéticas, que eliminem ou concretizem sensações como as minhas.
Eventualmente poderemos estar a entrar em incompatibilidades na selecção. Por exemplo, em Hannover estudou-se e sabe-se que a Capacidade Saltadora tem correlação genética negativa com a Qualidade do Passo; quando se melhora o Salto piora-se o Passo e vice-versa.
Conclusão: Montabilidade, Mecânica de Andamentos e Força.
3. As recentes revelações da origem do Firme podem ser encaradas de duas formas, a primeira de acordo com uma perspectiva purista na qual a imagem da raça milenar sofreu um ataque à sua imagem e credibilidade, a segunda é pragmática e encara a raça como um tronco ibérico associado à história , modas, defeitos e virtudes do povo da ibéria. Na sua opinião, qual o enquadramento desta revelação face a uma raça que definitivamente é o espelho de todos aqueles que a construiram?
BC - Tive recentemente a oportunidade de conversar com o Sr. Arq.º Arsénio Raposo Cordeiro sobre este tema. Ele explicou-me, porque esteve envolvido no assunto, o motivo de o Lusitano também se chamar Puro Sangue: originalmente haviam somente dois tipos de cavalos: os de Sela ou de Sangue Quente, também designados Puros Sangue e os de Tiro, pesados, ou Sangue Frio. Dos cruzamentos destes dois tipos de cavalos nasceram os animais das raças de desporto modernas, os Warmbloods. Como o Lusitano é, indiscutivelmente uma raça de sela das mais antigas no Mundo, na sua designação ter-se-à então incluido o termo Puro Sangue, sem que daí se devesse concluir que a Raça não tinha, ao longo da sua génese, sofrido introduções ou influências de outras raças.
Recordo que tentei transmitir uma informação, o mais fielmente que fui capaz. Mas penso que, nesta ordem de ideias, o Puro Sangue tem pleno cabimento!
Em Portugal perdemos demasiado tempo a discutir se “chegou primeiro a galinha ou o ovo”. Todos sabemos que a constituição do Livro Genealógico com a Inscrição de Animais a Titulo Inicial é muito recente, 1967. A definição do Padrão da Raça deu o “Norte” de quais as características a manter/desenvolver e quais a eliminar, mas a “salada” inicial, apesar de ter animais parecidos ao Estalão, tinha também muitas influências externas.
Mesmo se considerarmos a História do Nosso País, as influencias têm de ser enormes: os Àrabes passaram cá muitos anos e nunca deixaram cavalos? Eram Orientais? Eram Berberes? Os Franceses nas invasões não deixaram nada? Nos animais que permutamos com Espanha na época do Peninsular todos os registos eram exactos? Antes dos registos genealógicos nos equinos nunca se introduziram outras raças?
E esta discussão? Em termos zootécnicos para que serve?
Sei, contudo, que num estudo do Prof. Artur Câmara Machado/Universidade dos Açores/Serviço Nacional Coudélico, sobre linhas maternas em ADN- Mitocondreal se encontraram características moleculares que eram únicas na Raça Lusitana, provavelmente oriundas da época da domesticação. Esta sim poderia ser uma investigação/divulgação interessante. Mas parece que essas linhas maternas nunca passaram da fase “chave cega” e que o segredo acabou na mão de quem deixou de gerir o extinto Serviço Nacional Coudélico.
Parece-me mais um caso tipicamente português em que discutimos apaixonadamente o estéril e ignoramos o produtivo…
As recentes revelações são o exemplo do que acabo de afirmar: a égua Segura ser descendente de Lipizanos Hispano-Árabes e da Égua do Soldado na éguada da “Cartuja”, são o material de que a Raça foi feita. Não percebo bem qual é a revelação? Afinal foi ficar relativamente documentado o que já sabíamos?
Sobre a Credibilidade há um aspecto em que gostaría de me manifestar.
Quando falamos de registos a título inicial, compreendo que se tenha recorrido ao material existente, mas, depois de serem instituidas regras de certificação de qualidade no controlo de filiação, quem rompe essas regras, seja com que raça seja, tem de ser exemplarmente punido. A regra do Livro Genealógico fechado está em vigor e essa credibilidade não pode ser rompida! O fundamental é a credibilidade nos registos e em quem os gere, sendo a sua desacreditação gravíssima.
Quando, se se entender, abrir o Livro para a introdução de certas características, isso terá de ser balizado, documentado e divulgado, nunca feito “à sucapa por uma meia dúzia de espertalhões”.
As regras têm peso de lei e são para todos!
4. Nos obstáculos o acto de ultrapassar o obstáculo determina o mérito, no caso do Lusitano as provas morfo-funcionais podem ser encaradas como uma forma de objectivar a diferenciação?
BC - Na minha resposta à sua 1ª questão já respondi, em parte, a esta pergunta.
A Raça carece da definição urgente de objectivos de selecção. A selecção para o cavalo polivalente é um absurdo zootécnico!
Se eu disser que vou seleccionar Vacas Mertolengas pelo Padrão Racial e que dos produtos, as melhores leiteiras poderão competir com as Frisien exploradas em regime intensivo, todos dirão que estou louco.
Pois o mesmo está a ser feito com os cavalos lusitanos!
Seleccionar para muitas características é caro e ineficaz! E não sou eu que o digo! É das leis da Biologia que a Raça, com todas as suas virtudes, não consegue superar.
Neste sentido, deveriam existir tantas linhas como os objectivos: Dressage, Toureio, Equitação de Trabalho, Modelo e Andamentos, etc.
Esta diversidade de objectivos permitiria uma muito maior objectividade e resultados na selecção, assim como ter a Raça (no conjunto das suas linhas) muito melhor catalogada. Desta forma, no caso de alguma linha ter de recuperar caracteristicas seria fácil e sem sequer deixar a Raça.
Todos estamos de acordo que o mercado do cavalo para a Dressage é aliciante, mas não sabemos exactamente, se seleccionarmos somente neste sentido (andamentos mais amplos, mais suspensão, etc), o que acontecerá a longo prazo às características de montabilidade nos exercícios de reunião. A manutenção de linhas performantes em utilizações tradicionais é então da maior importância, isto, claro em Portugal, mas em especial no Estrangeiro.
O importante será estudar a Prova Morfo-Funcional (medir qual a morfologia e a prestação funcional) que potencia a selecção de cada objectivo e associar ao estudo as performances da carreira ao longo da vida do animal, conforme a linha onde ele se insere.
Não acredito, mas poderemos até chegar à conclusão que somente um objectivo é suficiente à Raça! Nessa altura a decisão sobre um objectivo comum será legítimo!
5. Foi-me transmitido por um cavaleiro que montou lusitanos na Alemanha que a capacidade de resistência ao esforço dos warmbloods ultrapassa substancialmente a dos lusitanos. Segundo o Eng.º Fernando D’Andrade, relativamente às provas morfo-funcionais praticadas na EZN (1934-1973), a prova de estrada (moderno raid) servia para avaliar a capacidade de resistência, e na corrida plana, a generosidade perante o esforço. Actualmente e na sua opinião qual a melhor forma de avaliar a resistência ao esforço?
BC - Um cavalo que aguentasse estas provas seria sempre um animal atlético, resistente e generoso assim como as apreciações do Eng.º F. D’Andrade tecidas sobre o tema, oportunas.
Estas provas (EZN/Dr Monteiro) que foram usadas com sucesso no passado, deveriam servir de base para estudar e optimizar em cada objectivo de selecção da Raça as diferentes provas que melhor se adaptassem ao desenvolvimento da capacidade atlética de cada especialidade.
Mais uma vez o estudo das correlações genéticas se mostra fundamental para sabermos que características arrastamos quando seleccionamos outras.
O fundamental não é termos provas, mas sim termos formas de medir características relacionadas com o nosso objectivo concreto de selecção.
6. Qual a sua perspectiva da polivalência da raça quando existe uma corrente de opinião em Portugal e no Mundo que defende que muitos dos cavalos que colaboram com prestações médias em modalidades distintas, acabam por nunca atingir a excelência em nenhuma, qual a sua opinião relativamente a esta posição?
Estou completamente de acordo com essa corrente de opinião.
Seleccionar para muitos parâmetros (polivalência) é caro e proprciona fracos progressos genéticos (prestações médias). A Raça não consegue superar este axioma da Biologia!
Temos de caminhar no sentido de criar diferentes linhas especializadas (cada uma com diferente objectivo de selecção) dentro da Raça Lusitana. Os mercados, especialmente os do desporto (dressage, atrelagem, equitação de trabalho, etc) são muito exigentes na especialização. Compra-se garantia de performance e isso é selecção por especialidade.
Penso, contudo, que uma das especializações deve continuar a ser a do Modelo e Andamentos, no aperfeiçoamento do Cavalo de Tipo Barroco. Não tenho dúvidas que este é um dos mercados da Raça e que devemos continuar a produzir para tal. Devemos também assumir claramente a posição de que essa linha passará a produzir cavalos de exposição, na busca de um determinado padrão racial, sem que isso necessáriamente tenha que arrastar boas ou más características funcionais.
Com isto, também não quero dizer que os produtos desta linha serão incapazes funcionalmente. Penso até que, se alguma vez se implementar algo parecido, a permuta de animais entre distintas linhas será saudável e fiável dado o preconizado controlo dos registos dentro da Raça.
7. A competição até uma idade avançada implica cuidados acrescidos com a durabilidade. Qual a sua opinião técnica acerca dos cuidados a ter neste campo, na escolha dos multiplicadores (os reprodutores), uma vez que estão em causa questões ligadas às heritabilidades?
BC - Todas as características estão ligadas às heritabilidades!
O problema é que poucos têm consciência disso!
Numa forma empírica, a heritabilidade mede a facilidade de transmitir uma característica da geração progenitora à descendência. A sua determinação exige rigor e o parâmetro varia consoante o “ambiente” em que é medido.
Exemplificando, seguramente que a altura ao garrote aos 1,5 anos de idade em lusitanos criados no Ribatejo e no Kentuky terão heritabilidades distintas.
Para as características ligadas à durabilidade, será fundamental estudar a Raça, distinguindo, como dissemos antes, fenótipo de genótipo e aínda, o determinismo, naquilo que se relaciona com o aparelho locomotor, respiratório e cardíaco.
Não podemos simplesmente importar resultados de análises de radiografias, ou outros feitos validados noutras raças. Corremos o risco de estar a eliminar animais que, no nosso caso, por outras características poderiam ser importantes manter e, afinal, a sua exclusão não melhora a durabilidade. Ou, o contrário, a permitir animais que no nosso caso seriam de eliminar.
Um outro aspecto que é uma constante falha das propostas de selecção na Raça é a dicotomia entre os critérios do lado masculino e feminino.
Também na durabilidade apenas se ouve falar em radiografar exclusivamente os candidatos a garanhões. Então e nas éguas? Tudo pode continuar uma incógnita?
Será importante divulgar que a actual Direcção da APSL, durante o seu 1º mandato, ficou na posse de uma proposta elaborada por um grupo de trabalho (Dr.ª Elisa Bettencourt, Prof. Artur Machado, Prof. Tello da Gama, Dr. Núncio Fragoso, Dr. Costa Pereira e eu próprio)que respondia exactamente a esta questão: como estudar a durabilidade na raça para selecionar este parâmetro nos seus vários componentes na forma mais eficaz.
8. Qual a melhor forma de avaliar a montabilidade e o temperamento? Poderão estes dois critérios desculpar alguns defeitos de morfologia?
Ainda a este propósito considera, à luz do Padrão da Raça, que um dorso pode ser avaliado desligado da mecânica de andamentos?
BC - Tal como sobre os restantes parâmetros, tenho apenas a minha opinião e urge investigar para saber a melhor forma de seleccionar.
Se seleccionarmos pelos resultados desportivos ou de performance (caso do concurso do melhor Lusitano de Toureio do ano APSL) estaremos seguramente a medir montabilidade. O inconveniente deste sistema é que a recolha dos resultados é demorada e, portanto, aumenta o Intervalo entre Gerações, o que reduz o Progresso Genético.
Nos criadores com que trabalho, promovo que se registem em fichas muito simples, os resultados de cada contacto com os animais: reacções ao arreatar à desmama, às primeiras vezes à guia, ao aperto da cilha, ao montar, às rédeas fixas, etc. Tenho verificado, especialmente quando se consegue manter a mesma equipa de equitadores, que os resultados são bastante rápidos e que geralmente estas características vão juntas: deixar-se montar, arreatar, fácil contacto às rédeas fixas, etc.
Não sei responder se a montabilidade pode desculpar defeitos físicos. Os animais que seguimos mais atentamente nos registos de maneio e montabilidade são os candidatos a reprodutores, machos ou fémeas e nesta classe apenas entram animais que consideramos melhoradores do efectivo em termos de modelo e andamentos naturais. O maneio dos restantes animais serve-nos, exclusivamente, para avaliação dos seus progenitores.
No sistema actual, a avaliação dos animais é qualitativa, tanto em concurso como na admissão ao Livro de Adultos. O importante será então que este trabalho produza informação para os criadores pela utilização da escala de avaliação.
Quando comecei, com pessoas como o Sr. Dr. Borba, aprendi que só se avaliam todos os diferentes parâmetros após a análise dos andamentos e que se não corrermos toda escala, conforme a qualidade que temos diante, então não produziremos informação.
Em reuniões de aferição de critérios explicou-se que:
10 = Perfeito
9 = Muito Bom
8 = Bom
7 = Suficiente
6 = Insuficiente
5 = Medíocre
4 = Mau

Em admissão ao Livro de Adultos uma nota de 4 ou duas de 5 implicam a reprovação.
Pelo conceito que aprendi e sempre apliquei, uma espádua, além de inclinada e comprida, se não funcionava não passava de 7, ou uma espádua sem grande conformação, mas que era solta a passo e a trote poderia ter um 8. Dei muitos 7 a membros menos bem conformados, mas que não limitavam andamentos de nota 8 ou até 9…
O mesmo acontece com um dorso e rim. É frequente observarmos animais muito correctos para o padrão mas rígidos no movimento, ou o oposto, dorsos mergulhantes, mas passos usando o corpo, transpistando-se, com facilidade para a reunião e para manter um andamento.
Penso que estes até foram alguns dos motivos para a grande disparidade das minhas notas para as dos restantes juízes: vontade de produzir informação de interesse zootécnico.
Estou convencido que fui sistemáticamente mal compreendido e, para muitos, corrupto. O não me importa minimamente dado que nunca houve ninguém capaz de mo dizer frontalmente e nunca ninguém será capaz de o provar, simplesmente porque nunca fui nem serei corrupto!
Para terminar de responder à sua questão, penso que num sistema como o Holandês, ou como o dos Lipizanos, com medidas exactas das regiões (comprimentos e ângulos), ambos descritivos da morfologia, a avaliação deve ser independente do movimento. Só desta forma (independência da descrição da região daquela que descreve os diferentes andamentos) se poderá estudar a conformação que melhor serve os andamentos e a performance. Qualquer destes dois sistemas seria o que eu preconizaria para a Raça Lusitana.
9. Relativamente à questão dos membros, atendendo à baixa heritabilidade desta característica e ao facto da Raça ser fechada, como perspectiva em termos técnicos a evolução da Raça?
BC - As heritabilidades não estão estudadas na Raça Lusitana.
O único estudo que conheço sobre esse tema é do Dr Christman em Hanoverianos onde, efectivamente, a heritabilidade é baixa.
Acompanhei muito poucas avaliações de modelo e andamentos de animais de desporto no estrangeiro (Holanda, final dos garanhões de 4 anos Dressage e Cavalo de Desporto da África do Sul), mas verifiquei sistemáticamente que esses juízes eram profundos conhecedores, mas muito menos severos que nós na avaliação dos membros.
Penso que no Lusitano temos estado sempre prontos para identificar os defeitos, mas nem sempre nos preocupámos em ponderar as virtudes. Também para os membros!
Com isto quero dizer que os membros deverão ser parte da maior preocupação de selecção de qualquer criador. Mas que, sem sair da Raça, há por onde escolher! O importante nos membros, como nas restantes regiões, é que se produza trabalho performante por muito tempo!
10. Considera importante a selecção pelo toureio na construção do cavalo ganhador, sobretudo ao nivel da moral?
BC - Já o disse antes nas respostas, que as utilizações tradicionais terão de ser objectivos fundamentais a preservar e fomentar/desenvolver na Raça. O Toureio antes das demais!
Recordo que, na minha opinião, deverão existir é vários objectivos de selecção.
Não quero deixar de registar que tenho verificado que no toureio actual, onde se encurtaram muito as distâncias, onde se busca a espetacularidade na cara do toiro e o cavalo especialista num “número”, nem sempre os cavalos performantes são os de melhor moral para outras disciplinas. Este aspecto é actualmente muito diferente do que encontávamos na Raça há 20 anos.
Penso mesmo que muitos cavalos especialistas do actual toureio não são correctos na sua locomoção.
Quando foi criada a actual grelha para avaliação do Melhor Lusitano de Toureio do Ano, eu era Secretário Técnico e sugeri que os animais inscritos fossem avaliados pela comissão de juízes da Raça, o que fornecería elementos de extremo interesse para a selecção para o toureio. Nunca consegui o intuito!
11. Recentemente ouvi um comentário que reflectia um certo preconceito na aceitação de cavalos de determinadas cores na disciplina de dressage, refiro-me a título de exemplo na aceitação de um atleta de cor baio. Existirá preconceito na modalidade relativamente à avaliação de cavalos de cores diferentes das dominantes na Alemanha (país de referência na dressage)? Extrapolando será visto da mesma forma que um bancário que decide ir trabalhar de fato amarelo?
O meu conhecimento da modalidade Dressage é muito recente. Do que tenho acompanhado, a mentalidade dos Juízes Internacionais e Treinadores é muitíssimo aberta e congregadora. Não os reconhecería em tais atitudes!
Contudo, como em tudo, também já verifiquei (até “na pele”), que há muitos juízes de dressage “quadrados”, para os quais, tudo o que saia do seu tradicional é para erradicar.
As recentes correntes de formação de juízes são extremamente abertas na procura da performance conseguida por meio do “happy athlete”, muito receptivas ao cavalo ibérico.
12. Qual deverá ser o impacto desta perspectiva na orientação de uma coudelaria vocacionada para a dressage?
A preocupação dos criadores deverá ser produzuir para o mercado que consome em volume, também nas pelagens.
Na Alemanha e Holanda, os concursos regionais pulverizam todo o território com provas de todos os níveis e participação muito barata. A grande parte dos participantes são amadores que vão com uma estrutura mínima. O seu objectivo é competir muitas vezes. Como são os próprios, ou pouco mais que isso, a garantir o tratamento dos cavalos, é importante que tenham pelagens fáceis de manter e apresentar.
As pelagens claras serão, para situações semelhantes, problemáticas.
Creio que as limitações vêm mais por este lado que pelos juízes, especialmente pelos internacionais!
Comentário final:
Muito me apraz oferecer o meu contributo a uma pessoa como o Rodrigo, que tem, abnegadamente, estudado o Lusitano e em todas as oportunidades possíveis, disponibilizando a toda a comunidade as suas conclusões!

(In Pitamarissa's)

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segunda-feira, setembro 01, 2008

Entreposto de cavalos

O PSD/Terceira denunciou "mais uma grande expectativa não cumprida pelo Governo Regional na ilha", recordando que, em 2005, a tutela prometeu empenhar-se para que "nos tornássemos um entreposto para criação e exportação de cavalos rumo a outras partes do mundo". Segundo disse ontem António Ventura, em Angra do Heroísmo, as declarações oficiais remontam "à Feira do Cavalo e do Touro, realizada na Terceira em Outubro de 2005, na qual o Governo afirmou que essa seria uma realidade em breve".O líder local do partido acrescentou que "o Executivo referiu mesmo negociações com os seus homólogos nacionais e comunitários no sentido de aproveitar e desenvolver a oportunidade"."Após três anos passados, nada aconteceu", ou seja, "a ilha Terceira não é um entreposto para a criação e exportação de cavalos, pelo que caducou a brevidade manifestada então pelo Executivo", disse António Ventura, que reforçou "a situação privilegiada que temos no país", realçando que o citado entreposto constituiria "uma situação única em Portugal", sendo "uma porta privilegiada de saída de cavalos da Europa para o exterior".Para o dirigente laranja "a situação geoestratégica dos Açores" seria uma "vantagem face, nomeadamente, aos Estados Unidos", juntando a isso a "facilidade com que a Terceira conseguiria um estatuto sanitário permitindo concretizar essa intenção", isto atendendo "à ausência de determinadas doenças equinas que impedem o trânsito internacional de cavalos"."A criação do entreposto é mesmo reclamada por alguns centros equestres locais", disse o também deputado, ressalvando que essa poderia ser "uma interessante valência de diversificação económica para a Terceira", para além de ser uma iniciativa "potenciadora da existência de mais postos de trabalho, muitos dos quais qualificados, dada a existência do departamento de ciências agrárias".O PSD/A condena então que, desde 2005, o Governo "não tenha proferido qualquer declaração pública sobre a matéria ou sequer reconhecido as dificuldades, ou mesmo o abandono da promessa", uma realidade que António Ventura diz ser "um hábito" deste governo, que "opta pelo silêncio quando as promessas não correm de feição, faltando-lhe humildade para reconhecer quando falha ou não consegue". A atitude do Governo açoriano, criando "um conjunto de expectativas não concretizadas, e iludindo novamente os terceirenses", motivou a entrega, por parte dos deputados eleitos pela Terceira, de um requerimento no parlamento regional, "solicitando à tutela explicações sobre o assunto", ao mesmo tempo que, refere o PSD local "faltará saber se esta intenção não está direccionada para outra ilha, que não a Terceira, aliás como muitas outras", concluiu António Ventura.

(In Diário dos Açores)

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