PROIBIÇÃO DA CAÇA AO CACHALOTE
Passados mais de 20 anos da proibição da caça ao cachalote nos Açores, Adolfo Lima, Secretário Regional da Agricultura e Pescas de então, relembra a forma abrupta como a situação se desenrolou. Adolfo Lima acusa mesmo o Governo da República da altura de traição. A Região defendia a continuação da caça tradicional, no entanto, numa atitude com uma certa soberanceria, o Governo central ignorou os pedidos dos líderes açorianos.“Fomos atraiçoados pelo Governo central, uma vez que a nossa posição era frontalmente a favor da continuação da caça ao cachalote”, frisa.Foi por volta de 1986 que a Comissão Baleeira Internacional se reuniu na Islândia para debater o assunto. Na altura os Açores eram a única região do país em que se praticava a caça à baleia, neste caso ao cachalote. Ainda assim, o Governo Regional não teve voto na matéria. Na altura, um representante do Secretário Regional da Agricultura e Pescas teve direito a assistir ao encontro, mas apenas como observador. Era o Governo central que representava os interesses de Portugal. Ignorando as justificações da Região, o Governo da República assinou a moratória que proíbe a caça de qualquer tipo de baleias. “Eu nessa altura manifestei-me contra a proibição. Nas reuniões que tive demonstrei que não havia nenhum perigo de carácter biológico para o cachalote”, lembra Adolfo Lima. Países como a Noruega, por exemplo, contestaram as medidas impostas pela Convenção Internacional para a Regulação da Actividade Baleeira. O país nórdico retomou a sua actividade comercial em 1993, alegando que a decisão não foi baseada num parecer fundamentado do Comité Científico da Comissão Baleeira Internacional.Para o antigo secretário regional, o Governo central agiu mal. “Nessa altura o Governo da República não se portou bem nessa matéria, não ouviu as razões técnicas e científicas que justificavam a continuação da caça”, acusa.Adolfo Lima queixa-se ainda da falta de justificações por parte do Governo da República. “As justificações foram não existentes, digamos assim”, aponta.Mesmo passadas mais de duas décadas do sucedido, o antigo secretário regional continua a afirmar a sua posição. Adolfo Lima garante que não havia nenhuma razão biológica para o fim da baleação nos Açores. Mais grave do que isso, o antigo responsável pelas pescas dos Açores considera que a decisão “trouxe perdas irreparáveis para a cultura açoriana”. “A Região ficou amputada de um património cultural único no mundo”, reforça. O fim da caça à baleia aconteceu de forma abrupta. Era sobretudo na ilha do Pico que a actividade ainda estava vincada. Os caçadores foram apanhados de surpresa. Naquela épocaLaura Serpa realizou uma tese de mestrado sobre a baleação na ilha. “Baleia – Sustento e Prazer”, datado de 2000 fala sobre a forma como os baleeiros reagiram à proibição. Para a técnica superior do Museu do Pico foi a pressão dos órgão de comunicação social que mais pesou na decisão. “No início dos anos 80 começam os primeiros sinais. Revistas internacionais condenam a prática, dita ‘assassina’, porque fazia sofrer o animal ‘cachalote’, durante horas a fio até à morte”, assinala na tese.No entanto, já nessa altura a baleação se assumia mais como um movimento cultural do que como fonte de subsistência. O óleo da baleia foi substituído e perdendo cada vez mais o seu valor comercial. “Quando a caça ao cachalote foi proibida nos Açores já se caçavam poucos animais, porque a caça à baleia nessa época tinha perdido algum interesse económico”, aponta Adolfo Lima. Ainda assim, o processo decorreu em várias etapas. De acordo com o antigo Secretário Regional da Agricultura e Pescas, houve primeiro uma moratória que permitia a caça nos Açores, por se tratar de uma caça artesanal, que recorria apenas ao arpão. No entanto, esta moratória teve fim dentro de pouco tempo. Os governantes regionais ainda tentaram conseguir uma licença com justificação científica, para que se pudesse caçar cachalotes apenas com fins científicos. No entanto, a autorização não foi concedida. Associado à proibição da caça, houve ainda um boicote à comercialização de óleos provenientes de cetáceos, que agravou ainda mais a situação fragilizada da indústria baleeira. 
ARGUMENTOS PRÓ E CONTRA A REACTIVAÇÃO DA ACTIVIDADE
Recuperação da caça ao cachalotecontinua a gerar debate nos Açores
Nos últimos tempos tem-se debatido cada vez mais a possibilidade de reactivar a caça à baleia nos Açores. O tema é polémico e reúne opiniões diversas. Se por um lado há quem acredita na recuperação da tradição, outros mais pessimistas dizem que hoje seria impossível retomar os velhos costumes. Adolfo Lima mostra-se a favor do regresso da tradição, embora reconheça que tal só seria possível com uma escola, que tivesse antigos baleeiros a supervisionar a actividade. Já o biólogo marinho João Pedro Barreiros apresenta uma visão mais pessimista. Para o professor da Universidade dos Açores a tradição é irrecuperável. Quem também se mostra favorável ao retorno da caça são os antigos baleeiros. Já são poucos os que ainda se recordam dos tempos em que caçavam cachalotes, mas dizem-se aptos a transmitir conhecimentos às gerações mais novas, desde que a arte fosse rigorosamente igual à desenvolvida antigamente. Os que defendem a recuperação da actividade apresentam como principal argumento o facto de não existirem quaisquer entraves de ordem biológica. O próprio João Pedro Barreiros admite que a está em perigo, nem a nível mundial, nem nos Açores. “O cachalote é uma espécie com distribuição cosmopolita, ocorre em todos os oceanos do mundo. A população mundial está calculada entre 300 mil e 600 mil indivíduos”, afirma. O segundo argumento é de ordem cultural. “Acho que se ainda fosse possível retomar a tradição era uma coisa de facto maravilhosa, em termos das nossas particularidades culturais”, defende Adolfo Lima.Já os do lado oposto, dizem que, hoje, seria difícil encontrar pessoas que estivessem aptas para praticar caça ao cachalote na Região. No entanto, o principal factor é mesmo a pressão política. “Os obstáculos imensos que uma tentativa de voltar a caçar cachalotes ira causar seriam imensos. Não vejo que haja essa hipótese”, defende João Pedro Barreiros. “Acho que a questão de voltar à baleação é completamente utópica neste momento”, reafirma. Num ponto os dois estão em sintonia. O whale whacthing não vem substituir a caça ao cachalote. Segundo João Pedro Barreiros é possível mesmo coordenar as duas, como acontece noutros países. “A Noruega continua a fazer baleação dirigida à baleia anã e tem uma indústria pujante de observação de cetáceos”, exemplifica. João Pedro Barreiros defende que o assunto deveria ser discutido num debate com todos os interessados na matéria, em que fossem apresentados todos os argumentos. Segundo o professor da Universidade dos Açores, deveriam ser ouvido “biólogos, responsáveis políticos da época em que a caça foi proibida e actuais, historiadores, sociólogos”, entre outros e acentua que o tema deveria ser abordado com seriedade.
(in Diário Insular)

ARGUMENTOS PRÓ E CONTRA A REACTIVAÇÃO DA ACTIVIDADE
Recuperação da caça ao cachalotecontinua a gerar debate nos Açores
Nos últimos tempos tem-se debatido cada vez mais a possibilidade de reactivar a caça à baleia nos Açores. O tema é polémico e reúne opiniões diversas. Se por um lado há quem acredita na recuperação da tradição, outros mais pessimistas dizem que hoje seria impossível retomar os velhos costumes. Adolfo Lima mostra-se a favor do regresso da tradição, embora reconheça que tal só seria possível com uma escola, que tivesse antigos baleeiros a supervisionar a actividade. Já o biólogo marinho João Pedro Barreiros apresenta uma visão mais pessimista. Para o professor da Universidade dos Açores a tradição é irrecuperável. Quem também se mostra favorável ao retorno da caça são os antigos baleeiros. Já são poucos os que ainda se recordam dos tempos em que caçavam cachalotes, mas dizem-se aptos a transmitir conhecimentos às gerações mais novas, desde que a arte fosse rigorosamente igual à desenvolvida antigamente. Os que defendem a recuperação da actividade apresentam como principal argumento o facto de não existirem quaisquer entraves de ordem biológica. O próprio João Pedro Barreiros admite que a está em perigo, nem a nível mundial, nem nos Açores. “O cachalote é uma espécie com distribuição cosmopolita, ocorre em todos os oceanos do mundo. A população mundial está calculada entre 300 mil e 600 mil indivíduos”, afirma. O segundo argumento é de ordem cultural. “Acho que se ainda fosse possível retomar a tradição era uma coisa de facto maravilhosa, em termos das nossas particularidades culturais”, defende Adolfo Lima.Já os do lado oposto, dizem que, hoje, seria difícil encontrar pessoas que estivessem aptas para praticar caça ao cachalote na Região. No entanto, o principal factor é mesmo a pressão política. “Os obstáculos imensos que uma tentativa de voltar a caçar cachalotes ira causar seriam imensos. Não vejo que haja essa hipótese”, defende João Pedro Barreiros. “Acho que a questão de voltar à baleação é completamente utópica neste momento”, reafirma. Num ponto os dois estão em sintonia. O whale whacthing não vem substituir a caça ao cachalote. Segundo João Pedro Barreiros é possível mesmo coordenar as duas, como acontece noutros países. “A Noruega continua a fazer baleação dirigida à baleia anã e tem uma indústria pujante de observação de cetáceos”, exemplifica. João Pedro Barreiros defende que o assunto deveria ser discutido num debate com todos os interessados na matéria, em que fossem apresentados todos os argumentos. Segundo o professor da Universidade dos Açores, deveriam ser ouvido “biólogos, responsáveis políticos da época em que a caça foi proibida e actuais, historiadores, sociólogos”, entre outros e acentua que o tema deveria ser abordado com seriedade.
(in Diário Insular)
Etiquetas: baleias, História, João Pedro Barreiros, opinião
These three cases are considered unusual in the Region, and thus they have drawn the attention of the entities in charge of the SRAM Network for Washed up Cetaceans of the Azores. The main issue yet to be answered is related to the reason that led these cetaceans to show this behaviour which usually occurs in deep sea.In order to find an answer for these events, the SRAM invited a marine biologist of the DOP and a team of experts in Beaked Whales of the University of Las Palmas (Canary Islands) to perform an autopsy on the whale that died in Praia da Vitória. The same group, with the additional support of the biologists from the DOP-UAç, is in the city of Horta to perform the autopsy of the three whales that died on the Almoxarife Beach. Moreover, the works undertaken on Terceira Island have counted upon the support of the Praia da Vitória City Hall, Terceira Slaughterhouse and of various citizens. The animals that died on Faial Island were transported by the services of the Regional Secretariat for Agriculture and Forestry, and the tests of the deceased animals will be carried out with the collaboration of COFACO, Lotaçor and APTO.The results of the tests carried out have been inconclusive until the present moment. The cause of death of the whales will have to be investigated through these tests, in which biologists will search for pathology signs, as it is known that one sick animal may trigger this group behaviour. The hypothesis that animals washed ashore on the three islands are connected cannot be ruled out for the moment, which will be a priority issue to be addressed by the group of scientists.