Faraós na Terceira é ideia sem rigor
De acordo com o professor universitário Félix Rodrigues,o trabalho que defende que a Terceira pode ter sido a ilha do Ovo Cósmico, a terra natal dos primeiros faraós, é um trabalho “sem substracto científico”.“A teoria baseia-se numa constatação da forma dos símbolos e não na transmissão de uma mensagem, por isso é frágil e sem suporte científico”, explica o professor do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.Félix Rodrigues considera ainda que “formas naturais, com semelhança a algumas representações humanas, podem ser encontradas em toda a parte”, acrescentando que, “para confirmar que é possível construir uma teoria pouco consistente em torno de formas naturais ou aleatórias, bastaria recorrer ao Google Earth”.Como exemplo utilizou algumas imagens, que sublinhou para contornar a forma do babuíno, como se pode ver na fotografia que ilustra esta notícia.De acordo com este professor universitário, esta teoria baseia-se em fenómenos naturais, cuja ligação é feita de forma “facciosa”. 
A Palestra

A Palestra
As considerações feitas àcerca deste trabalho foram proferidas, no passado dia 24 de Abril, numa palestra intitulada “A evolução da escrita”, na Casa do Povo de São Sebastião.Félix Rodrigues referiu que, “provavelmente, a escrita ideográfica evoluiu a partir de formas de escrita pictográfica, uma vez que consiste em representar, através de signos pictóricos, não só objectos e ideias, mas, também, sons com que os objectos ou ideias são referidos num dado idioma”, referindo-se à evolução dos símbolos utilizados na escrita.“Ao esquecer a função da escrita como um processo que envolve a troca de informações e utiliza os sistemas simbólicos como suporte para este fim, podemos incorrer em interpretações incorrectas ou aleatórias do significado ou utilidade dos símbolos na escrita”, explicou o professor. É nesta sequência que Félix Rodrigues afirma que “a teoria de que a Terceira teria sido a terra natal dos primeiros faraós tem um contexto histórico pouco fundamentado”.A palestra foi integrada na I feira do Livro de São Sebastião, que decorreu na Casa do Povo da vila, entre os dias 23 e 26 do corrente mês, com o título “O Livro Mágico”. Do programa da feira constaram diversos saraus literários, com o intuito de evidenciar a importância do livro como um dos principais veículos de comunicação.
(In Diário Insular)
Etiquetas: escrita, Félix Rodrigues, História, Palestras
