quarta-feira, outubro 03, 2007

Modelo de desenvolvimento escocês

Abordar-se-á aqui, sobretudo de modelos que trabalham as relações inter-sectoriais nas diversas regiões sem esquecer os movimentos para as compras e movimentos para o trabalho, estudos de impactos de alterações económicas motivadas por mudanças nas tecnologias de produção de energia, análise da competitividade e complementaridade entre regiões próximas e muitos outros.
Especialistas de ciência regional como Michael Sonis, Jeffrey Hewings, John Par e Richard Harris, fizeram parte de um grupo de pouco mais que de vinte pessoas, comentando o que se vai dizendo e sugerindo ideias num ambiente simpático de interacção criativa. É bom discutir estas temáticas, embora por vezes as fórmulas matemáticas tornem as apresentações um pouco herméticas. O que vale é que há sempre um comentário ou uma perguntas dos cracks que esclarecem ou relativizam o assunto.

Nessa reunião de Ciência Regional, discutiu-se a Escócia. Da ânsia que tem de se tornar tão competitiva como a Irlanda. Quem diria que a Irlanda seria invejada pelo britânicos e mais ainda pelos escoceses que são o principal grupo protestante da Irlanda do Norte?

A Escócia tem uma área correspondente a um terço do Reino Unido o que indica que é quase do tamanho da Inglaterra, uma vez que o Reino Unido também inclui o País de Gales e a Irlanda do Norte. Não temos essa imagem quando olhamos o mapa mas esses são os factos que a geografia ensina. No entanto tem apenas cinco milhões de habitantes o que representa apenas 8% da Grande Bretanha. Noventa e nove por cento da população é caucasiana, descendentes de pits (imagino que sejam semelhantes aos nossos iberos), celtas e anglo-saxões. Pelos vistos os normandos não chegaram aqui nem mesmo os vikings que ocuparam as costas de Iorque. A glória dos escoceses, para além dos filmes que mostram as suas lutas contra os ingleses e do whisky, é a revolução industrial que começou mais por estes lados do que pelo sul de Inglaterra. Depois, como acontece com qualquer região mais periférica face às regiões centrais, sofre mais com as várias crises e com as mudanças de modelo de desenvolvimento. No entanto a Escócia recupera com facilidade para numa geração ultrapassar o desempenho de Inglaterra em termos de produto per capita. Nessa reunião foi-nos lembrado o novo estatuto da Escócia com a devolução de muitos poderes por parte de Londres. E sobre esse mesmo assunto houve uma intervenção muito interessante que explicava em que condições, externas e internas, as regiões preferiam um governo centralizado, um governo descentralizado ou um governo devolvido. Tudo depende do tipo de região, como seria de esperar, mas também da qualidade dos técnicos e políticos da administração regional em comparação com os técnicos e políticos da administração central. Vale a pena perguntarmo-nos se a "contra - devolução" de poderes regionais dos Açores para o Continente e de Portugal para a Europa, terá a ver com a má qualidade relativa dos técnicos e políticos regionais face aos nacionais, e destes face aos europeus. Dito de outra forma, se quisermos mais autonomia e mais independência, porque o princípio da subsidariedade assim o aconselha, então teremos de nos preocupar mais com a qualidade dos funcionários públicos regionais e nacionais, e necessariamente com a qualidade dos políticos. E isso não é necessariamente compatível com vínculos à função pública e com deputados que não conhecemos.

(In A União)

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